terça-feira, 18 de outubro de 2011

HERESIAS PRIMITIVAS


“O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos antes de nós”(Ec 1.10).

Você sabia que o batismo pelos mortos foi uma heresia apregoada pelo menos cerca de 1600 anos antes da “revelação” que é atribuída pelos mórmons a Joseph Smith Jr.? Esse é apenas um dos muitos desvios doutrinários que atravessaram séculos e foram incorporados pelas seitas pseudocristãs.
A “revelação” baseada na necessidade de restaurar a igreja e a rejeição ao Antigo Testamento remonta a mesma época e fluíram dos ensinamentos de Marcion. Montano pregou que o fim do mundo ocorreria em sua geração e atribuiu a si o fato de iniciar e findar o ministério do Espírito Santo. Sabélio, com seu modalismo, foi outra fonte de distorções bíblicas que até hoje é disseminada entre os evangélicos. Ainda fazem parte desse grupo Mani, com sua doutrina reencarnacionista; Ário, que deturpou a natureza de Jesus apresentando-o como um ser criado, gravíssimo engano sustentado pelas testemunhas de Jeová; Apolinário, que ao contrário do antecedente, negou a humanidade de Cristo; Nestório, que ensinava a existência de duas pessoas distintas em Cristo; Pelágio, que como os islâmicos e outros, negava a doutrina do pecado original; e Eutiquio, que afirmava que a natureza humana de Cristo havia sido absorvida pela divina.
Como podemos inferir as heresias combatidas pela igreja contemporânea foram enfrentadas pela igreja primitiva, cujo esforço conseguiu por meio de concílios e credos defender a fé que de uma vez por todas entregue aos santos. Continuemos a defendê-la!

Márcion (aprox. 95-165)

         Informações indicam que Márcion nasceu em Sinope, no Ponto, Ásia Menor. Fora um proprietário de navios, portanto, muito próspero, e aplicou sua vida à fé religiosa, primeiramente como cristão, e finalmente aplicou-se no desenvolvimento de congregações marcionitas.
         Foi um influente líder cristão até que suas idéias lhe conduziram a exclusão em 144 d.C. Então, formou uma escola gnóstica. Tendo uma mente prolífera, desenvolveu muitas idéias, as quais foram lançadas em uma obra apologética que foi alvo de combate de apologistas, especialmente Tertuliano e Epifânio.
         Procurou ter uma perspectiva paulina, contudo, incluiu muitas idéias próprias e conjecturas sem respaldo bíblico. Tinha convicção de uma missão pessoal, restaurar o puro Evangelho. Antes, rejeitou o Antigo Testamento como inútil e ultrapassado, também afirmou que foi produzido por um deus inferior ao Deus do Evangelho. Para Márcion, o Cristianismo era totalmente independente do Judaísmo, e uma nova revelação. Através de Cristo, o deus do Antigo Testamento foi pego de surpresa e teve de entregar as chaves do inferno a Cristo. Além disso, Cristo não era Deus, apenas uma emanação do filho de Deus. O único Apóstolo que fora fiel ao Evangelho, segundo Márcion, fora Paulo, em detrimento dos demais apóstolos e evangelistas. Conseqüentemente, a Igreja primitiva havia desviado, e havia necessidade de uma restauração. O homem deve levar uma vida asceta, o casamento, embora legal, também era aviltador, afirmava Márcion. Entre outros ensinos de Márcion, encontramos o batismo pelos mortos, o cânon de Márcion restringia-se a dez epístolas de Paulo e a uma versão modificada do Evangelho de Lucas.

Gnosticismo

Nome derivado do termo grego gnosis (conhecimento), os gnósticos tornaram-se uma seita que defendia a posse de conhecimentos secretos que, segundo eles, tornava-os superiores aos cristãos comuns que não tinham o mesmo privilégio. O movimento surgiu a partir das filosofias pagãs anteriores ao Cristianismo, que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia (Macedônia). Ao combinar filosofia pagã, alguns elementos da astrologia e mistérios das religiões gregas com as doutrinas apostólicas do Cristianismo, o gnosticismo tornou-se uma forte influência na igreja.
         A premissa básica do gnosticismo é uma cosmovisão dualista. O supremo Deus Pai emanava do mundo espiritual “bom”. A partir dele, procediam sucessivos seres finitos (Éons), quando um deles (Sofia) deu à luz a Demiurgo (Deus criador), que criou o mundo material “mau”, juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem.
         Cristãos gnósticos, como Marcion e Valentim, ensinavam que a salvação vem por meio desses éons, Cristo, que se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo material mais elevado. Cristo, embora parecesse ser um homem, nunca assumiu um corpo; portanto, não foi sujeito às fraquezas e emoções humanas.
         Algumas evidencias sugerem que uma forma incipiente de gnosticismo surgiu na era apostólica e foi o tema de várias epístolas do Novo Testamento (1 João, epístolas pastorais). A maior polêmica contra os gnósticos apareceu, entretanto, no período patrístico, com os escritos apologéticos de Irineu, Tertuliano e Hipólito. O gnosticismo foi considerado um movimento herético pelos cristãos ortodoxos. Atualmente, é submetido a muita pesquisa, devido às descobertas dos textos de Nag Hammadi, em 1945/46, no Egito. Muitas seitas e grupos ocultistas demonstram alguma influência do antigo gnosticismo (Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. George A. Mather & Larry A Nichols. Vida.2000, pp 175-6).
        
Montano (aprox. 120–180)

         Por volta do ano 150 d.C. surgiu na Frígia um profeta, chamado Montano que juntamente com Prisca e Maximilia, se anunciaram portadores de uma nova revelação. Inicialmente foi um movimento que reagiu contra o gnosticismo, contudo, ele mesmo se caracterizou por tendências inovadoras. As profecias e revelações de Montano giravam em torno da segunda vinda, e incentivavam o ascetismo.
         Salientava fortemente a proximidade do fim do mundo, esperavam para a sua própria geração. Insistiam sobre estritas exigências morais, como o celibato, jejum, rígida disciplina moral. Exaltavam o martírio e proibiam que se fugisse das perseguições. Alguns pecados eram imperdoáveis, independente do arrependimento demonstrado.
         Montano finalmente afirmou ser o Paracleto, nele iniciaria e findaria o Ministério do Espírito Santo. Prisca e Maximilia abandonaram seus respectivos maridos para se dedicarem a obra profética de Montano. Algumas vezes procurava esclarecer que ele era um agente do Espírito Santo, mas sempre retornava a posição de afirmar que ele era o Consolador prometido. Sua palavra deveria ser observada acima das Escrituras, era a palavra para aquele tempo do fim.
         Esse movimento desvaneceu-se no terceiro século no ocidente, e no sexto século no oriente.

         Ascetismo

Autonegação, visão de que a matéria e o espírito estão em oposição um ao outro. O corpo físico, com suas necessidades e desejos inerentes, é incompatível com o espírito e sua natureza divina. O ascetismo defende a idéia de que uma pessoa só alcança uma condição espiritual mais elevada, se renunciar à carne e ao mundo.
         O ascetismo foi amplamente aceito nas religiões antigas e ainda hoje é uma filosofia proeminente, sobretudo nas seitas e religiões orientais. Platão idealizou-o. As seitas judaicas, como os essênios, praticavam-no fervorosamente, e o cristianismo institucionalizou-o, com o desenvolvimento de várias Ordens monásticas. O gnosticismo foi o maior defensor desta filosofia (Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. George A. Mather & Larry A Nichols. Vida.2000, p. 23).

Sabélio (aprox. 180–250)

         Nasceu na Líbia, África do Norte, no terceiro século depois de Cristo. Depois se mudou para Itália, e viveu em Roma. Conhecendo o Evangelho, logo se tornou um pensador respeitado em suas considerações teológicas. Recebeu influência do Modalismo que já estava sendo divulgado na África.
         O Modalismo iniciou como movimento asiático com Noeto de Esmirna. Os principais expoentes do movimento foram: Noeto, Epógono, Cleômenes e Calixto. Na África foi ensinado por Práxeas e na Líbia foi defendido por Sabélio. Hoje, o Modalismo é muito conhecido pelo nome sabelianismo devido a influência intelectual fornecida por Sabélio. O objetivo de Sabélio era preservar o monoteísmo a qualquer custo. Tinha um objetivo em vista, que, pensava, justificava os meios.
         Ensinava que havia uma única essência na Divindade, contudo, rejeitava o conceito de três Pessoas em uma só essência. Afirmava que isso designaria um culto triteista, isto é, de três deuses. A questão poderia ser resolvida, afirmava, por meio do conceito de que Deus se apresentaria com diversas faces ou manifestações.  Primeiramente, Deus se apresentara com Deus Pai, gerando, criando e administrando. Em seguida, Deus se apresentou como Deus Filho, mediando, redimindo, executando a justiça. E finalmente e sucessivamente, Deus se apresentou como Deus Espírito Santo, fazendo a manutenção das obras anteriores, sustentando e guardando. Uma só Pessoa três manifestações temporárias e sucessivas.

Mani (aprox. 216 – 277)
     
      Nasceu por volta de 216 d.C. na Babilônia. Foi considerado por alguns como o último dos gnósticos. Diferente dos demais hereges desenvolveu-se fora do Cristianismo, contudo era um rival do Evangelho.
      Seus ensinos buscavam respaldo no Cristianismo. Afirmava, por exemplo, ser o Paracleto, o profeta final. Em seus ensinos enfatizava a purificação através de rituais. Em 243 d.C. o profeta Mani teve seus ensinamentos reconhecidos por Ardashir, rei sassânida (Índia) então a nova fé teve o seu “pentecostes”, analogia traçada pelos  maniqueístas.
      Durante 34 anos Mani e seus discípulos intensificaram seu trabalho missidevo aponário pelo leste da Ásia, o sul e o oeste da África do Norte e a Europa.
      A base do maniqueísmo engloba: um Deus teísta, que se revela ao homem. Deus usou diversos servos, como Buda, Zoroastro, Jesus e finalmente Mani. Deveriam seus discípulos praticar o ascetismo, evitar contribuir em alguma morte, mesmo de animais ou plantas. Deveriam evitar o casamento e manterem-se celibatários. O universo é dualista, existem duas linhas morais em existência, distintas, eternas e invictas: a luz e as trevas.
      A remissão ocorre através da gnosis, conhecimento especial que os iniciados conquistavam. Entre os remidos há duas classes, os eleitos e os ouvintes. Os eleitos não podiam nem mesmo matar uma planta, por isso eram servidos pelos ouvintes que podiam matar plantas, mas nunca matar animais ou até mesmo comer animais. Os eleitos subiriam, após a morte para a glória, enquanto os ouvintes passariam por um longo processo de purificação. Quanto aos ímpios continuariam reencarnando na terra. Recebeu grande influência de Márcion.

Ário (aprox. 256–336)

         Presbítero de Alexandria entre o fim do terceiro e início quarto século depois de Cristo. Foi excluído em 313, quando era diácono, devido atitude que apoiava o cisma da Igreja no Egito. Após a morte do patriarca da Igreja em Alexandria, foi recebido novamente como diácono. Depois foi nomeado presbítero, e começou a ensinar que Jesus Cristo era um ser criado, não possuindo nenhum dos atributos incomunicáveis de Deus, por exemplo, eternidade, onisciência, onipotência etc. Isto lhe custou um censura em 318 e exclusão em 321 d.C., contudo, já havia sido propagada sua influência e diversos bispos da Igreja no Oriente já haviam aceitado o novo ensino.
         Em 325 ocorreu o concílio de Nicéia, onde Ário, apesar de já excluído, teve ratificação de sua exclusão sendo banido. Ário preparou uma resposta ao Credo Niceno, o que impressionou muito o imperador Constantino. Atanásio resistiu a ordem de Constantino de receber Ário em comunhão, sendo deposto e sofrendo exílio em Gália. Mas faleceu no dia em que entraria em comunhão em Constantinopla.
         A base de seu ensino era estabelecer a razão natural como meios de entender a relação Deus e Cristo. Haveria uma só Pessoa na Divindade. O Logos foi não apenas gerado, mas literalmente criado, seria apenas um intermediário entre Deus e os homens. Devido sua elevada posição, receberia adoração e glória.

Apolinário (aprox. 310–390)

         Bispo de Laodicéia da Síria, nos fins do quarto século. Cooperou na reprodução das Escrituras. Fez oposição a afirmação de Ário quanto a criação e mutabilidade de Cristo.
         Por outro lado, se opôs ao conceito da completa união entre as naturezas divina e humana em Jesus. Afirmava que Jesus não tinha um espírito humano, mas o espírito de Cristo manipulava o corpo humano. Sua posição inicial era contra o arianismo, que negava a divindade de Cristo. Em sua opinião, seria mais fácil manter a unidade da Pessoa de Cristo, contanto que o Logos fosse conceituado apenas como substituto do mais elevado princípio racional do homem. Contrapondo-se a Ário, ele advogava a autêntica divindade de Cristo, e tentava proteger Sua impecabilidade substituindo o pneuma (espírito) humano pelo Logos, pois julgava aquele sede do pecado.
         Conseqüentemente, Apolinário negava a própria e autêntica humanidade de Jesus Cristo.
         Em 381, o sínodo de Constantinopla declarou contundentemente, entre outros sínodos, herética a cristologia de Apolinário. Formou um grupo de discípulos que manteve seus ensinos, contudo, não demorou muito o movimento se desfez.
     
Nestório (aprox. 375–451)

         Patriarca da Igreja em Constantinopla na metade do quinto século d.C. com o objetivo de expurgar heresias na região de seu controle encontrou problemas em expressar sua cristologia. Encontrava-se em seu tempo idéias divergentes sobre a natureza de Cristo. Alguns aparentemente negavam a existência de duas naturezas em Cristo, postulando uma única natureza. Outros afirmavam, como Teodoro de Mopsuéstia, que o entendimento deveria partir da completa humanidade de Cristo. Teodoro negava a residência essencial do Logos em Cristo, concedendo somente a residência moral. Essa posição realmente substituía a encarnação pela residência moral do Logos no homem Jesus. Contudo, Teodoro declinava das implicações de seu ensino, que inevitavelmente levaria a dupla personalidade em Cristo, duas pessoas entre as quais haveria uma união moral. Nestório foi fortemente influenciado pelo seu mestre, Teodoro de Mopsuéstia.
         O nestorianismo é deficiente, não quanto à doutrina das duas naturezas de Cristo, e sim quanto à Pessoa de cada uma. Concorda com a autêntica e própria deidade e a autêntica e própria humanidade, mas não são elas concebidas de forma a comporem uma verdadeira unidade, nem a constituírem uma única pessoa. As duas naturezas seriam igualmente duas pessoas. Ao invés de mesclar as duas naturezas numa única autoconsciência, o nestorianismo as situava lado a lado, sem outra ligação além de mera união moral e simpática entre elas. Jesus seria um hospedeiro de Cristo.
         Nestor foi vigorosamente atacado por Cirilo, patriarca de Alexandria, sendo condenado pelo Terceiro Concílio de Éfeso em 431 d.C.
         O movimento Nestoriano sobreviveu até o século catorze! Adotaram o nome de cristãos caldeus, a Igreja persa aceitou claramente a cristologia nestoriana. Atingiu sua expressão culminante no décimo terceiro século, quando dispunha de vinte e cinco arcebispos e de cerca de duzentos bispos. Nos séculos doze e treze formou-se a Igreja Nestoriana Unida, e atualmente seus membros são conhecidos como Caldeus Uniatos. Na Índia, são conhecidos como cristãos de São Tomé. Hoje esse movimento está em declínio.
     
Pelágio (aprox. 360–420)

      Teólogo britânico que teve uma vida piedosa e exemplar. Exatamente nesta questão desenvolveu conceitos sobre a hamartiologia (doutrina que estuda o pecado) que lhe trouxe resistência e finalmente a exclusão foram ratificadas em diversos sínodos (Mileve e Catargo). Sendo ainda condenado no Concílio de Éfeso em 431 d.C.
      Os seus ensinos afirmavam que o homem poderia viver isento do pecado. Ensinava que o homem foi criado a imagem de Deus, e,  apesar da queda, essa imagem é real e viva, do contrário, o homem não seria aquele homem criado por Deus. No pelagianismo a morte é uma companheira do homem, querendo dizer que, pecando ou não, Adão finalmente morreria, ainda que não pecasse. O ideal do homem é viver obedecendo.  
      O pecado original é uma impossibilidade, pois o pecado depende de uma ação voluntária do pecador. Também através de uma vida digna os homens podem atingir o céu, mesmo desconhecendo o Evangelho. Todos serão julgados segundo o que conheciam e o que praticavam. O livre-arbítrio era enfatizado em todas suas afirmações, excluindo a eleição. Um século depois, desenvolveu-se o semipelagianismo que amortecia alguns ensinos extravagantes de Pelágio.

Eutíquio (aprox. 410–470)
        
         Viveu em um mosteiro fora de Constantinopla durante a primeira metade do quinto século. Discípulo de Cirilo de Alexandria teve grande influência e chefiava mosteiros na Igreja oriental. Oponente ao nestorianismo, afirmava que por ocasião da encarnação, a natureza humana de Cristo foi totalmente absorvida pela natureza divina.
         Ele era de opinião que os atributos humanos haviam sido assimilados pelo divino em Cristo, pelo que Seu corpo não seria consubstancial com o nosso e Ele mesmo não seria humano no sentido restrito da palavra.
         Esse extremo doutrinário teve apoio temporário do chamado Sínodo dos Ladrões (em 449 d.C.); essa decisão foi anulada mais tarde pelo Concílio de Calcedônia em 451 d.C., foi chamado de sínodo dos Ladrões, pois roubavam características da doutrina cristocêntrica, então Eutíquio foi afastado de suas atividades eclesiásticas. A Igreja egípcia continuou apoiando a Eutíquio e manteve os seus ensinos por algum tempo. O eutiquianismo surge novamente no movimento monofisista.

FONTE: Revista Defesa da Fé
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

AS PORTAS DE JERUSALÉM (Subsídio EBD)

Por Gilson Barbosa
Deus nunca nos deixa só e coloca em nosso caminho pessoas certas para auxiliar-nos na frente da “batalha”, no labor, no ministério, nos projetos, planos, etc, pois assim como fez com Neemias Ele faz conosco. Até mesmo em nossos negócios particulares, no casamento, na faculdade, em nosso cotidiano, Deus nos agracia com pessoas que estarão ao nosso lado e nos ajudarão. No trabalho da reconstrução dos muros e portas de Jerusalém muita gente “pôs as mãos na obra”. Neemias recebeu ajuda dos sacerdotes (3.1), dos ourives e perfumistas (3.8), dos líderes e mulheres (3.12), levitas (3.17) e mercadores (3.32). Apesar do nome de Neemias não aparecer no capítulo 3, pelo contexto (2.18-20; 4.13-23) depreendemos que ele liderou todo o pessoal na execução do projeto.
O grupo dos sacerdotes foi o primeiro mencionado por Neemias. Eliasibe, o sumo sacerdote, recebeu a incumbência de Neemias para liderar seu respectivo grupo e reparar a Porta das Ovelhas. Ressalto a importância desse grupo visto que o sumo sacerdote, depois do governador, era a segunda pessoa mais importante em Judá e seu engajamento certamente motivou outros (os próprios sacerdotes) a trabalharem também. Isso nos remete ao entendimento de que o líder deve ser o primeiro a empreender esforços no sentido de ver a situação caótica restabelecida e não apenas delegar tarefas. O sumo sacerdote e os sacerdotes deviam servir de exemplo aos demais.
A NATUREZA DA PORTA NOS TEMPOS BÍBLICOS
Antes de mencionarmos as portas de Jerusalém é importante anotar a relevância das portas naquele tempo. Segundo a Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia (p. 328) a “arqueologia e as referências literárias tem ilustrado amplamente a natureza das portas antigas, as quais variavam segundo o tipo de estrutura a que serviam, os materiais envolvidos e as posses do construtor. Assim, a porta de uma tenda consistia apenas em um pedaço de pano, ou em uma pele de animal, que cobria a entrada a mesma. A maioria das portas eram feitas de madeira. Nas residências dos ricos, a porta de madeira podia ser coberta de metal, o que também ocorria no caso das portas das cidades e dos quartéis. Havia portas feitas de pedras, ou inteiramente de metal. Não havia dobradiças como as que conhecemos atualmente; no lugar de dobradiças haviam pivôs que eram ajustados em soquetes, na parte de baixo e na parte de cima da porta. Também haviam portais com portas dobradiças (Isa. 45.2; Sal. 107.16). Como medida de segurança, havia trancas de metal ou madeira (II Sam. 13.17). Também haviam fechaduras e chaves (Jui. 3.23). Os portais tinham três partes: o limiar; as ombreiras aos lados e a verga ou peça horizontal, do alto da porta”.
As portas das cidades eram locais extremamente importantes para a sociedade da época: “Eram os lugares de maior afluência do povo para negócios, processos judiciais, conversação, passatempo na ociosidade (Gn 19.1; Dt 17.5; 25.7; II Sm 15.2; II Rs 7.1; Ne 8.1; Jó 29.7; Pv 31.23)” BUCKLAND. Dicionário Bíblico Universal.
No livro de Neemias nos deparamos com doze portas. São elas: Porta do Vale (3.1, 2); Porta da Fonte (3.15); Porta das Ovelhas, ou do Gado (3.1); Porta do Peixe (3.3); Porta Velha (3.6); Porta do Monturo (3.14); Porta das Águas (3.26); Porta dos Cavalos (3.28); Porta da Guarda ou Mifcade (3.10); Porta de Efraim (8.16); Porta Oriental (3.29) e a Porta da Esquina (II Rs 14.13; II Cr 25.23). 
Segundo o pastor Elyseu Queiroz de Souza (Israel por dentro, p. 134) “cada nome tinha um significado especial. É bom notar que o número era também simbólico e correspondia ao número das portas da Santa Cidade, a Nova Jerusalém (Ap 21.12-14)”.  Ele escreveu ainda fatos interessantíssimos sobre as atuais portas de Jerusalém, em sua viagem a Israel em julho de 1985, que merece ser redigido:
“A cidade velha de Jerusalém tem 3 quilômetros de extensão e é cercada por uma muralha de 13 metros de altura, quase igual a um prédio de 4 andares. É dentro desta cidade fortificada que se acham os principais santuários de Jerusalém. Tem 8 portões de entrada cujos nomes são: 1) A Porta Nova.2) A Porta de Damasco. 3) A Porta de Herodes (estas três ficam na parte norte das muralhas). 4) A Porta de São Estêvão. 5) A Porta Dourada (esta porta foi fechada pelos turcos em 1590 e permanece fechada até o dia de hoje. Foi por esta porta que Jesus entrou na cidade, grandemente aclamado como rei, pela multidão, quando muita gente estendia os seus vestidos à sua passagem, e outros cortavam ramos de árvores e os espalhavam pelo caminho, e a multidão que ia adiante e a que o seguia clamava, dizendo: ‘Hosana ao Filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas’ (Mt 21.8-11). Foi mesmo uma grande apoteose. Muitos dizem que por esta Porta Dourada, que está fechada, Jesus entrará na sua segunda vinda em glória. Eles fecharam a porta para bloquear a entrada de Jesus. Estultícia deles, que não merece nem comentário. E com isso Deus cumpre as profecias de Ezequiel 44.1,2. 6) A Porta do Lixo. 7) A Porta de Sion, na muralha sul. 8) Finalmente, a Porta de Jafa, na muralha ocidental”.[1]
O pastor Elyseu Queiroz prossegue dizendo que é bom que o leitor atente para o fato de que estas portas atuais não correspondem àquelas que foram reedificadas por Neemias quando da volta do cativeiro; nem nos nomes nem em número e nem em significado.
METÁFORA DAS PORTAS
Na lição desse domingo (16/10/2011) as portas serão usadas como metáforas para ilustrar profundas verdades espirituais. Segundo os estudiosos no assunto muitas vezes estabelecemos comparações de uma forma sintética, isto é, sem usar conjunções que estabeleçam a comparação. Por exemplo, a frase ‘o violeiro estava bravo como uma onça’ poderia ser escrita assim: ‘O violeiro estava uma onça’. Desse modo, a comparação é transformada em metáfora. A palavra metáfora vem do grego mataphorá que significa transferência (isto é, transferência de sentido de uma área para outra).
PORTA DAS OVELHAS (vs 1,32) – Esta é a primeira porta mencionada. Foi chamado de Porta das Ovelhas, porque por ela entravam as ovelhas e cordeiros utilizados no sacrifício. Essa porta fala da primeira experiência que temos em nossa vida cristã - ou seja, uma percepção de que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. A Porta das Ovelhas, em seguida, fala-nos da cruz e do sacrifício que Jesus fez pelos nossos pecados. É o ponto de partida de tudo, porém numa leitura atenta do capítulo 3 notamos que a esta porta também é mencionada no final do capítulo, perfazendo assim um círculo completo. Isso é porque tudo começa e termina com a morte de Jesus na cruz.
PORTA DOS PEIXES (vs 3) – Por esta porta os pescadores traziam os peixes capturados para serem vendidos. Ela nos remete a pensar no evangelismo, pois o Senhor nos comissionou para sermos “pescadores de homens”. É uma progressão natural em nossa vida cristã, que, depois da morte de Cristo pelos nossos pecados, e depois de usufruirmos os benefícios espirituais dela, que contemos as demais pessoas a alegria de termos recebido o Senhor Jesus em nossas vidas. Cabe a nós testemunharmos da simplicidade do evangelho e “pescarmos almas” para Cristo.
PORTA VELHA (vs 6) – Essa porta nos fala das velhas formas da verdade cristã. Em nossa caminhada espiritual a primeira experiência é receber a Cristo; a segunda é falar aos outros de Jesus; a terceira é a necessidade de fundamentarmos nossa fé nas doutrinas essenciais da fé cristã – que são verdades. Isso significa aprender e manter os velhos caminhos da verdade que nunca mudam. O profeta Jeremias (6.16) disse: “Assim diz o SENHOR: Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas; mas eles dizem: Não andaremos nele”. Existem coisas que até necessitam de mudanças, progressos, alternâncias, outras, não devem sofrer alteração alguma.
PORTA DO VALE (vs 13) – Olhando na figura ao lado perceberemos que há uma longa distância que separa a Porta Velha da próxima porta que é a Porta do Vale. Quando aceitamos a Cristo como Salvador e começamos a andar na fé cristã parece que estamos numa espécie de “lua de mel”. Esse é um dos melhores períodos na vida do novo convertido, pois a presença de Jesus é muito forte em todos os segmentos da sua vida. Por um bom tempo nos beneficiaremos do gozo desse começo na jornada espiritual. Porém, mais cedo ou mais tarde nos depararemos com a Porta do Vale. Ela nos fala de dificuldades, oposições, e nos leva ao processo de nos humilharmos diante de Deus. Na nossa caminhada espiritual nem tudo será uma “mar de rosas” e certamente teremos experiências desagradáveis. Cabe estarmos preparados e prontos para enfrentarmos essas situações.
 PORTA DO MONTURO (vs 14) – Por essa porta saía todos os resíduos e lixos para fora de Jerusalém até ao Vale de Hinom para ser queimado. Isto é o que acontece em nossa própria vida. Literalmente falando quase todos nós temos um quartinho ou um cômodo externo em nossas casas onde guardamos alguns dos “lixos” que acumulamos ao longo de certo tempo – revistas e jornais velhos, objetos que não usamos mais, etc. Da mesma maneira muitos têm entulhado seus corações com os lixos pecaminosos: pornografia, imoralidades, conceitos relativistas, ódio fraternal, etc. É necessário limparmos o nosso coração e lançar fora o lixo acumulado. A Bíblia diz que “sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv 4.23). Jesus disse que “o que sai do homem isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.20-23).

PORTA DA FONTE (vs 15) – A partir da imagem acima, notaremos que a porta da fonte fica muito próximo a Porta do Monturo. Em outras palavras, depois de uma experiência onde é retirado o “lixo das nossas vidas” usufruímos da verdadeira fé e daí por diante “fontes” límpidas começam a fluir dentro de nós. Isso nos fala das águas vivas do Espírito Santo que limpam nossas vidas e nos fortalece mais ainda nossa vida cristã”. Certa vez Jesus disse: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (Jo 7.37-39).

PORTA DAS ÁGUAS (vs 26) – Essa porta é uma imagem que retrata a Palavra de Deus e seu efeito em nossa vida. Paulo escrevendo aos Efésios (5.26) afirma que Cristo purificou Sua igreja com a lavagem da água, pela palavra. Não é por acaso que esta porta estava localizada ao lado da Porta da Fonte; é como se as duas andassem juntas. O Espírito Santo é aquele que torna a Palavra de Deus viva para nós permitindo que a limpeza (Porta da Fonte) e a direção pela Palavra (Porta das Águas) tomem lugar na nossa vida. 

PORTA DOS CAVALOS (vs 28) - A porta dos cavalos nos fala de “guerra”, pois como os cavalos foram usados ​​na batalha, se tornaram um símbolo da guerra. Em Apocalipse 19.11 está registrado: “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça”. Podemos notar no livro de Neemias seu abnegado esforço numa luta travada contra seus opositores e isso demandou muita força moral, psicológica e espiritual. Da mesma forma cada cristão está numa batalha, quer saibamos ou não, quer queiramos ou não. Assim como o cavalo é símbolo de força, cada cristão também deve lutar com todas as suas forças espirituais contra as hostes do mal (Ef 6.12-17).

PORTA DOURADA OU ORIENTAL (vs 29) – Essa porta é singular para os judeus, pois esperam acontecer nela um evento particular - a vinda do Messias! (Ez 44.1,2). “Então me fez voltar para o caminho da porta exterior do santuário, que olha para o oriente, a qual estava fechada. E disse-me o SENHOR: Esta porta permanecerá fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o SENHOR, o Deus de Israel entrou por ela; por isso permanecerá fechada”. O portão leste abre e olha para o Monte das Oliveiras e sabemos que quando Jesus voltar Ele irá retornar a esse lugar: “E naquele dia estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele para o sul” (Zc 14.4). O Senhor Jesus entrará em Jerusalém pela porta leste. Para a nossa vida cristã ela mostra-nos a necessidade de mantermos a esperança de que ele retornará.

PORTA DA GUARDA OU MIFCADE (vs 31) – Essa é a porta da inspeção. Ela fala-nos do bema de Cristo, onde nossas vidas serão inspecionadas e recompensadas de forma apropriada. Em nossa experiência cristã, devemos viver com isso em mente. Somos chamados a viver a nossa vida com a eternidade em vista, por isso devemos cuidar mais das coisas eternas do que as temporais que vemos ao nosso redor.

SEU ESFORÇO NÃO É VÃO NO SENHOR

As referencias bíblicas às portas queimadas (1.3; 2.3, 13, 17) retratam o estado vergonhoso em que estava a cidade de Jerusalém, porém, com muito ânimo e organização Neemias juntamente com seus liderados conseguiram restaurá-las e tirar “a vergonha de Judá”. Nas nossas vidas também acontece da mesma forma. Somos servos do Senhor, reconhecemos sua Soberania e Governo, desfrutamos da sua Graça, mas, de vez em quando, por inúmeras razões que desconhecemos, somos alçados a um “estado ou posição de vergonha” e acabamos servindo de zombaria aos nossos inimigos e opositores. Contudo, temos a garantia de que assim como Deus agiu no projeto de reconstrução dos muros e portas, por intermédio de Neemias, e abriu o coração das pessoas para ajudá-lo, Ele há de abençoar sua vida, ministério, projetos e planos, estimado leitor. Apenas sê forte e corajoso!

Em Cristo,


[1] QUEIROZ, Elyseu. Israel Por Dentro. Ed: CPAD, p. 133.


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terça-feira, 11 de outubro de 2011

APARECIDA: PADROEIRA DO BRASIL? (Análise Doutrinária - II)

ENTENDENDO A ESTRUTURA PIRAMIDAL DO CULTO DA IGREJA CATÓLICA

LATRIA - ADORAÇÃO A DEUS
HIPERDULIA - DEVOÇÃO À MARIA
DULIA - DEVOÇÃO AOS SANTOS E AOS ANJOS

A Dificuldade do Catolicismo Romano para justificar essa Teoria

Se os católicos romanos se limitassem a exaltar os heróis da fé, e a propô-los como modelo a ser seguido, não haveria nenhum problema. Assim agem também os cristãos genuínos. Infelizmente, não é isso que acontece. Por mais que os líderes católicos romanos se esforcem em suas infindáveis apologias ou explicações, elas não passam de tentativas vãs e superficiais. Exemplo dessa tentativa é a teoria de três tipos de devoção: a dulia, a hiperdulia e a latria. Perguntamos: qual a diferença que pode haver entre a dulia e a hiperdulia? Qual a diferença das duas com a latria? A verdade é que os três termos se confundem. Os dois termos (dulia e hiperdulia) podem estar envolvidos com a latria e tudo se torna uma distinção que não distingue coisa alguma. As pessoas que se prostram diante de uma imagem da Conceição Aparecida, ou de São João, ou de São Sebastião ou de Jesus sabem que estão cultuando em níveis diferentes? Para elas não seria tudo a mesma coisa?

Imagine um católico romano bem instruído que vai para o culto. Primeiramente ele pretende cultuar São João. Dobra então seus joelhos diante da imagem de São João e pratica a dulia. Depois, irá prestar culto a Maria, deixando, nesse momento, de praticar a dulia e passando a praticar a hiperdulia. Finalmente, com intenção de cultuar a Deus, ele começa a praticar a latria.

Não acreditamos que o povo católico romano saiba diferenciar a dulia, a hiperdulia e a latria, e mesmo que soubesse diferenciá-las, dificilmente conseguiria respeitar os limites de cada uma.

Qual é a diferença?

Adoração e Veneração. Há diferença entre adorar e prestar culto? Se prostrar-se diante de um ser, dirigir-lhe orações e ações de graça, fazer-lhe pedidos, cantar-lhe hinos de louvor não for adoração, fica difícil saber o que o catolicismo romano entende por adoração. Chamar isso de veneração é subestimar a inteligência humana.

Culto aos santos. Analisando essas práticas católicas à luz da Bíblia e da história, fica claro que são práticas pagãs. O papa Bonifácio IV, em 610, celebrou pela primeira vez a festa a todos os santos e substituiu o panteão romano (templo pagão dedicado a todos os deuses) por um templo cristão para que as relíquias dos santos fossem ali colocadas, inclusive Maria. Dessa forma o culto aos santos e a Maria17 substituiu o culto aos deuses e as deusas do paganismo.

Maria é deusa para os católicos? Os católicos manifestam um sentimento de profunda tristeza quando afirmamos que Maria é reconhecida como deusa no catolicismo. Dizem que não estamos sendo honestos com essa declaração, mas os fatos falam por si mesmos. O livro Glórias de Maria, publicado em mais de 80 línguas, da autoria de Afonso Maria de Ligório, canonizado pelo Papa, atribui à Maria toda a honra e toda a glória que a Bíblia confere ao Senhor Jesus Cristo. Chama Maria de onipotente, além de mencionar outros atributos divinos:

Sois onipotente, á Maria, visto que vosso Filho quer vos honrar, fazendo sem demora tudo quanto vós quereis. Os pecadores só por intercessão de Maria obtém o perdão... O mãe de Deus vossa proteção traz a imortalidade; vossa intercessão, a vida. Em vós, Senhora, tendo colocado toda a minha esperança e de vós espero minha salvação, . . . Maria é toda a esperança de nossa salvação, acolhei-nos sob a vossa proteção se salvos nos quereis ver; pois só por vosso intermédio esperamos a salvação.

Os querubins

A passagem bíblica dos querubins do propiciatório da arca da aliança (Êx 25.18-20), advogada pelos teólogos católicos romanos, não se reveste de sustentação alguma, pois não existe na Bíblia uma passagem sequer em que um judeu esteja dirigindo suas orações aos querubins, ou depositando sua fé neles, ou lhes pagando promessas. Esse propiciatório era a figura da redenção em Cristo (Hb 9.5-9). A Bíblia condena terminantemente o uso de imagem de escultura como meio de cultuar a Deus (Êx 20.4, 5; Dt 5.8, 9). O culto aos santos e a adoração à Maria, à luz da Bíblia, não apresentam o catolicismo romano como religião cristã, mas como idolatria (1 Jo 5.21). Jesus disse:

Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás (M t 4.10). O anjo disse a João: Adora somente a Deus (Ap .19.10; 22.9). Pedro recusou ser adorado por Cornélio (At.10.25,26).

Embora a Igreja Católica Apostólica Romana tenha declarado que a imagem de barro da Conceição Aparecida seja a Padroeira e Senhora da República Federativa do Brasil, consagrando o dia 12 de outubro a esse culto estranho às Escrituras Sagradas, os cristãos evangélicos, alicerçados na autoridade da Bíblia Sagrada, declaram como Paulo: “E toda língua confesse que JESUS CRISTO E O SENHOR, para glória de Deus Pai” (Fl 2.11).

Fonte: Revista Defesa da Fé 
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APARECIDA: PADROEIRA DO BRASIL? (Análise Doutrinária - I)

Idolatria Católica

Vejamos algumas definições: Ídolo. S.m. 1. Estátua ou simples objeto cultuado como deus ou deusa, 2. Objeto no qual se julga habitar um espírito, e por isso venerado. 3. Fig. Pessoa a quem se tributa respeito ou afeto excessivo. Idólatra. Adj. 2 g. 1. Respeitante à, ou próprio da idolatria. 2. Que adora ídolos. 3. Idolátrico (2). * s. 2 g. 4. Pessoa que adora ídolos; Idolatrar. V t. d. 1. Prestar idolatria (1) a; amar com idolatria (1); adorar, venerar. 2. Amar com idolatria (2), com excesso, cegamente. Int. 3. adorar ídolos; praticar a idolatria (1). Idolatria. SE. 1. Culto prestado a ídolos. 2. Amor ou paixão exa-gerada, excessiva9. Idolatria- 1. Essa palavra vem do grego, eídolon, ídolo, e latreúein, adorar. Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição etc, que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos (10).

O culto à imagem esculpida, deuses de fundição, imagem de escultura, estátua, figura de pedra, imagens sagradas ou ídolos é idolatria e profanam a ordem divina.

Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus, ou do que existe embaixo, na terra, ou do que existe nas águas, por debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Ex 20.4)

Não vos voltareis para os ídolos, nem fareis para vós deuses de fundição. Eu sou o Senhor vosso Deus (Lv 19.4)

Não fareis para vós ídolos, nem para vós levantareis imagem de escultura nem estátua, nem poreis figura de pedra na vossa terra para inclinar-vos diante dela. Eu sou o Senhor vosso Deus (Lv26.1)

Confundidos sejam todos os que adoram imagens de esculturas, que se gloriam de ídolos inúteis... (SI 9 7.7)

Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos do homem. Têm boca, mas não falam, têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem, têm nariz, mas não cheiram; têm mãos, mas não apalpam, têm pés, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta; Tornem-se semelhantes a eles os que os fazem, e todos os que neles confiam. (SI .115.4-9 e 135.15-18)

A tua terra está cheia de ídolos, inclinaram-se perante a obra das suas mãos, diante daquilo que fabricaram os seus dedos. Pelo que o homem será abatido, e a humanidade humilhada; não lhes perdoes! (Is 2.8,9)

... Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mt 4.11; Lc 4.8)

O principal de todos os mandamentos é: Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a sua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças (Mc .12.29-30; Mt 22.37).

Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo.4.23-24)

Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em si mesmo vendo a cidade tão entregue à idolatria (At 1 7.16)

Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas, nem ladrões, nem avarentos, nem bêbados, nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus (1 Co 6.10-11; Ef 5.5)

Não vos façais idólatras, como alguns deles; como está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para folgar (1 Co 10.7).

E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Pois vós sois santuários do Deus vivente... (2 Co 12.2)

As obras da carne são conhecidas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (GI 5.5)

Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (1 Jo 5.21)

Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte (Ap 21.8)

Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira (Ap 22.1 5).

Deus proibiu ao seu povo a confecção e o culto a imagens, estátuas etc, visto que os povos pagãos atribuíam a esses artefatos de barro, madeira ou outro material corruptível, um caráter religioso. Acreditavam, além do mais, que a divindade se fazia presente por meio dessa prática. O Deus Todo-Poderoso ensinou seu povo a não cultuar imagens. Sua palavra era tão poderosa no coração do seu povo, que, embora muitos homens santos, profetas e sacerdotes, homens exemplares, com todas as virtudes para serem canonizados (os heróis da Bíblia), não foram pretextos para serem adorados ou cultuados, nem fizeram suas imagens e nem lhes prestaram culto. Deus proibiu seu povo de fabricar imagens de escultura, de fundir imagens para cultuá-las (Ex 20.23 e 34.1 7).

Algumas imagens que Deus mandou fazer não tinham por objetivo elevar a piedade de Israel e nem serviam de modelo para reflexão ou conduta. Eram apenas símbolos decorativos e representativos. Deus mandou fazer a Arca da Aliança; mandou fazer figuras de querubins no Tabernáculo e no Templo, entre outros utensílios (1 Rs 6.23-29; 1 Cr 22.8-1 3; 1 Rs 7.23-26) , além de outros ornamentos (1 Rs 7.23-28). Essas figuras, porém, jamais foram adoradas ou veneradas, ou vistas como objeto de culto. Se os filhos de Israel tivessem adorado, cultuado ou venerado esses objetos, sem dúvida, Deus mandaria destruí-los. Foi isso o que aconteceu com a serpente de bronze, levantada por Moisés no deserto, quando se tornou objeto de culto (2 Rs 18.4).

Quando analisamos esta questão na história da nação de Israel, o povo que recebeu os mandamentos de Deus e a preocupação dos judeus religiosos em manter-se fiéis, podemos entender que, apesar do Antigo Testamento proibir a confecção de imagens relativamente, no entanto a adoração ou culto a imagens era absolutamente proibido: Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (Ex 20.4b). Em algumas sinagogas do século III e até hoje encontramos pinturas de heróis da fé em seus vitrais etc, jamais, entretanto, veremos judeus orando, cultuando ou invocando Moisés, Abraão ou Ezequiel.

Não encontramos argumento algum que justifique o culto, veneração ou a fabricação de imagens no Novo Testamento. A Bíblia mostra que Paulo sofria por ver o povo entregue a idolatria: Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em si mesmo, vendo a cidade tão entregue à idolatria (At 17.16).

Paulo foi atacado pelos artífices, ourives e comerciantes de imagens: Certo ourives, por nome Demétrio, que fazia de prata miniaturas do templo de Diana, dava não pouco lucro aos artífices. Eles os ajuntou, bem como os oficiais de obras semelhantes, e disse: Senhores, vós bem sabeis que desta indústria vem nossa prosperidade. E bem vedes e ouvis que não só em Éfeso, mas até quase em toda a Ásia, este Paulo tem convencido e afastado uma grande multidão, dizendo que não são deuses os que fazem com as mãos. Não somente há perigo de que a nossa profissão caia em descrédito, mas também de que o próprio templo da grande deusa Diana seja estimado em nada, vindo a ser destruída a majestade daquela que toda a Ásia e o mundo veneram. Ouvindo isto, encheram-se de ira, e clamaram: Grande é a Diana dos efésios! (Atos 19.24-28)
 
O culto aos santos só começa a partir de cem anos, aproximadamente, depois da morte de Jesus, com uma tímida veneração aos mártires. A primeira oração dirigida expressamente à Mãe de Deus é a invocação Sub tuum praesidium, formulada no fim do século III ou mais provavelmente no início do IV. Não podemos dizer que a veneração dos santos — e muito menos a da Mãe de Cristo — faça parte do patrimônio original. Se o culto aos santos e a Maria fosse correto, João, que escreveu o último evangelho, aproximadamente no ano 100 d.C. , certamente falaria sobre o assunto e incentivaria tal prática. Ele, porém, nos adverte: Filhinhos, guardai-vos dos ídolos (1 Jo 5.21). Na luta para justificar o culto às imagens, bem como seu uso nas Igrejas, os católicos apresentam a teoria da pedagogia divina.

D. Estevão Bettencourt (1919-2008)
D. Estevão Bettencourt resume assim a teoria: “... Os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento tinha o mesmo papel de pedagogo (condutor de crianças destinado a cumprir as suas funções e retirar-se) que a Lei de Moisés em geral tinha junto ao povo de Israel. Por isto, o uso das imagens foi-se implantando. As gerações cristãs compreenderam que, segundo o método da pedagogia divina, atualizada na Encarnação, deveriam procurar subir ao Invisível passando pelo visível que Cristo apresentou aos homens; a meditação das fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas se tornaram recursos com que o povo fiel procurou aproximarse do Filho de Deus14. Assim criaram a idéia de que, nas igrejas as imagens torna¬ram-se a Bíblia dos iletrados, dos simples e das crianças, exercendo função pedagógica de grande alcance. E o que notam alguns escritores cristãos antigos: O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente (S. Gregório de Nissa, Panegírico de S. Teodoro, PG 46,73 7d). O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados (São João Damasceno,De imaginibus 117 PG 94, 1248c).

Levando-se em consideração que um dos objetivos da Igreja Católica Romana é ensinar a Bíblia ao povo através das imagens, especialmente aos menos alfabetizados, surge-nos algumas perguntas: Por que se faz culto a elas, se o objetivo é ensinar a Bíblia? Por que após passar dezenas de anos, com milhares de católicos alfabetizados, ainda insistem em cultuar imagem? Se realmente a imagem fosse o livro daqueles que não sabem ler, por que os católicos alfabetizados são tão devotos e apegados às imagens? Será que podemos desobedecer a Bíblia para superar uma deficiência de entendimento? Onde está a base bíblica para esta Teoria da Pedagogia Divina? Será que a encarnação do verbo poderia servir de base para se fazer imagens dos santos e cultuá-los?

A Igreja Católica Romana apresenta basicamente duas fontes para justificar o culto às imagens: a tradição e as opiniões de seus líderes. Em resumo: opinião dos homens. Citam a Bíblia quando existe alguma possibilidade de apoio às suas doutrinas. Esquece o ensino do famoso clérigo católico romano, Padre Vieira: As palavras de Deus pregadas no sentido em que Deus as disse, são palavras de Deus; mas pregadas no sentido em que nos queremos, não são palavras de Deus, antes podem ser palavras do demônio. A Palavra de Deus condena o culto às imagens.

Os argumentos do catolicismo romano a favor do culto às imagens fazem-nos lembrar de um rei na Bíblia, chamado Saul, que quis agradar a Deus com sua opinião, mesmo contrariando frontalmente a Palavra de Deus (1 Sm 15.1-23). O catolicismo romano, de modo semelhante, contrariando a Bíblia, entende que a imagem é o livro daqueles que não sabem ler. O rei Saul, achava que oferecer sacrifícios era melhor, mais lógico, mais correto, mais racional. Acreditava que estava prestando um grande serviço a Deus (1 Sm 15.20-21). Deus, no entanto, o reprovou, dizendo: Tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à sua palavra? Obedecer é melhor do que sacrificar, e atender melhor é do que a gordura de carneiros (1 Sm15.22). Deus proíbe terminantemente o culto a ídolos e imagens (Ex 20.1 -6; Lv 26.1; Nm 33.52; Dt.27.15; 2 Rs .21.11; Sl115.3-9; 135.15-18; 1s2.18; 41.29; Ez 8.9-12; Mt4.1 1; At 15.20; 21.25; 2 Co 6.16).

O catolicismo romano ensina o culto à imagem inventando uma teoria, contrária à Bíblia e insiste em dizer que está fazendo isso para ajudar a obra de Deus. Ainda que Saul pensasse estar prestando um serviço a Deus, como fazem aqueles que prestam culto à imagem da Conceição Aparecida, seu ato foi uma desobediência à Palavra de Deus, e isso é considerado rebelião (1 Sm 15.21-26). A Bíblia diz: rebelião é como pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a iniquidade de idolatria. Porquanto rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou... (1 Sm 1 5.2 3).

Prezado leitor, o culto às imagens será sempre uma abominação a Deus. E a marca e a continuidade do paganismo. Cristianismo é a fé exclusiva na obra do Senhor Jesus (Jo.3.1 6; Rm5.8; Ef2.8-9;1 Tm2.5;Tt2.11).E adoração exclusiva a Deus: .. Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás (Mt 4.11; Lc 4.8). O principal de todos os mandamentos é Ouve, á Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor! Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a sua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças (Mc 1 2.29-3Q~ Mt 92 37). Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23-24).

Fonte: Revista Defesa da Fé
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APARECIDA: PADROEIRA DO BRASIL? (Análise Histórica)

O Padre Júlio J. Brustoloni, missionário redentorista, no seu livro História de Nossa Senhora da Conceição Aparecida — A Imagem, o Santuário e as Romarias - p. 115, após achar que a imagem é motivo de contradição para muitos crentes (protestantes, evangélicos, especialmente Pentecostais), diz: O mais grave não é negar o culto à imagem de Nossa Senhora Aparecida, mas sim não aceitar o papel de Maria no plano de salvação estabelecido por Deus. Eles aceitam que o seu Filho nasceu de uma mulher, Maria, mas não reconhecem o culto devido àquela Mulher que esmagou com sua descendência a cabeça do demônio, e que, por vontade de Deus, foi colocada em nosso caminho de salvação para interceder por nós.

Com um único versículo da Bíblia, provavelmente muito conhecido pelo padre, sua teoria é desmontada: “Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto” (Mt 4.10b). Além do mais, não acreditamos que aquela imagem de barro, intitulada Nossa Senhora da Conceição Aparecida, seja um retrato de Maria, mãe do Senhor Jesus Cristo, conforme nos revela a Bíblia Sagrada.

São declarações como as do padre Júlio J. Brustoloni, ou o espantoso livro de S. Afonso de Ligório “As Glórias de Maria”, que transferem, sem a menor cerimônia, todos os atributos e honras que pertencem exclusivamente ao Senhor Jesus para Maria ou a tentativa malabarista da CNBB com o livreto “Com Maria, Rumo ao Novo Milênio” - uma forçosa tentativa de justificar o culto mariano, é que nos faz pronunciar, mostrando outro caminho, aquele da Bíblia, sem retórica ou esforço, um caminho cândido, sereno e verdadeiro, com todo respeito e amor aos católicos romanos, que todo cristão deveria ter, apresentando-se firmes no tocante a sã doutrina (2 Tm 4.1-5).

Trata-se de uma pequena imagem de barro, medindo 39 centímetros e pesando aproximadamente 4,5 kg, sem o manto e a coroa, que foram acrescentados. As Anuas dos Padres Jesuítas de 15 de janeiro de 1750, dizem que, aquela imagem foi moldada em barro, de cor azul escuro; é afamada por causa dos muitos milagres realizados. Dr. Pedro de Oliveira Neto, que estudou a imagem, apresentando o resultado em 13 de abril de 1967, afirma, em contrapartida:

“A imagem encontrada pelos pescadores junto ao Porto de ltaguaçu, e que hoje se venera na Basílica Nacional, é de barro cinza claro, como constatei, barro que se vê claramente em recente esfoladura no cabelo”.

A mesma conclusão chegaram os artistas do MASP — Museu de Artes de São Paulo - em 1978, declarando:

“Constatamos pelos fragmentos da Imagem em terracota, que ela é da primeira metade do século XVII de artista seguramente paulista, tanto pela cor como pela qualidade do barro empregado e, também, pela própria feitura da escultura”. Essa pequena imagem feita de barro representa Maria para o catolicismo romano.

Segundo o Dr. Pedro de Oliveira Neto, a imagem de barro foi feita por um discípulo do Frei Agostinho da Piedade: A Imagem de Nossa Senhora Aparecida é paulista, de arte erudita, feita provavelmente na primeira metade de 1600, por discípulo, mas não pelo próprio mestre, do beneditino Frei Agostinho da Piedade. Os estudiosos, observando o estilo da imagem, concluíram que o autor da imagem foi o Frei Agostinho de Jesus, sendo provavelmente esculpida em 1650, no mosteiro beneditino de Santana de Parnaíba, SP.

Apresentaremos algumas hipóteses razoáveis, embora nunca tenhamos a certeza do fato. Nossa análise levará em consideração apenas as possibilidades culturais, religiosas e históricas. O livro de Gilberto Aparecido Angelozzi, Aparecida a Senhora dos Esquecidos, Ed Vozes; Capítulo III — p. 55-66, expõe alguns possíveis motivos sobre o assunto em questão.

Partindo do princípio de que realmente os pescadores acharam a imagem da Conceição Aparecida no rio, podemos então desenvolver as seguintes ideias:

A teoria de que a imagem foi trazida pelos colonizadores brancos

  • Por famílias que se instalaram no vale do Paraíba;
  • Pelos bandeirantes, pois eles carregavam imagens de Maria por onde quer que passassem;
  • Pelos missionários carmelitas, franciscanos e jesuítas que passaram por aquela região;
  • Por algum comerciante ou vendedor ambulante e ter sido quebrada em sua bagagem;
  • Poderia fazer parte de um oratório familiar e, ao ter sido quebrado o pescoço da imagem, ter sido lançada ao rio.

A teoria de que a imagem foi lançada no rio por escravos negros

  • Algum escravo negro, devido ao sincretismo religioso, poderia associar a imagem à de algum orixá, especialmente aos que estão associados às águas;
  • Poderia ter lançado a imagem nas águas como um oferecimento a algum orixá, fazendo pedidos relacionados à saúde: engravidar, gravidez de risco, proteção à criança etc;
  • Poderia ter sido lançado nas águas para se obter riquezas ,ouro, dinheiro, pedras preciosas etc.
A teoria das lendas indígenas

  • Uma lenda indígena relata que eles criam na grande cobra que habitava nos rios a Cobra Norato. Durante o dia era uma terrível cobra e à noite era um jovem que dançava com as moças. Algum padre teria lançado a imagem para proteger os índios;
  • Outra lenda diz que, na cidade de Jacareí, apareceu uma grande cobra e alguém a enfrentou lançando a imagem da Imaculada Conceição ao rio, fazendo com que a cobra fugisse.
A teoria oficial da Igreja Católica Romana

O catolicismo romano possui duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida (I Livro do Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá) e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma (Annuae Litterae Provinciae Brasilíanae, anni 1748 et 1749).

A narrativa diz basicamente que, no ano de 1719, os pescadores Domingos Martins García, João Alves e Filipe Pedroso lançavam suas redes no Porto de José Corrêa Leite, prosseguindo até o Porto de ltaguassu. Lançando João Alves a sua rede de rastro neste porto, tirou o corpo da Senhora, sem cabeça. Lançando mais abaixo outra vez a rede, conseguiu trazer a cabeça da mesma Senhora. Não tinham até aquele momento apanhado peixe algum. A partir de então, fizeram uma copiosa pescaria que encheu as canoas de peixes. Após esse milagre, surgiram outros relacionados à imagem.

A explicação do Dr. Aníbal Pereira dos Reis

Segundo o Dr. Aníbal Pereira dos Reis ex-sacerdote, ordenado em 1949, formado em Teologia e Ciências Jurídicas pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo, em seu livro A Senhora Aparecida, Edições Caminho de Damasco Ltda, SP, 1988; trata-se de uma grande armação do padre José Alves Vilela, pároco da matriz local. Segundo suas investigações, foi o padre José Alves Vilela quem colocou a imagem no rio e iniciou planejadamente a divulgação dos supostos milagres, além de estar manipulando todo tempo a imagem e divulgando seus supostos milagres.

Pequena cronologia da Imagem

1717— Pescadores apanharam no rio a Imagem da Conceição Aparecida
1745-1903 — A festa principal da Conceição Aparecida é celebrada em 08 de dezembro;
1888 — No dia 06 de novembro, a princesa Isabel visita pela segunda vez a basílica e deixa como ex-voto uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis;
1929 — Celebração dos 25 anos da Coroação de Maria em um Congresso Mariano;
1930— No dia 16 de julho, o Papa Pio XI assina o decreto, declarando Conceição Aparecida a Padroeira do Brasil;
1931 — No dia 31 de maio, a imagem de barro da Conceição Aparecida é declarada, oficialmente, na Capital Federal a Padroeira do Brasil. Getúlio Dornelles Vargas, era o presidente naquela época.

Segundo o padre Júlio J. Brustoloni, Na Esplanada do Castelo, outra multidão aguardava a chegada da Imagem Milagrosa. No grande estrado, junto do altar da Padroeira, encontravam-se o Presidente da República, Dr. Getúlio Dornelles Vargas, Ministros de Estado, membros do Corpo Diplomático credenciados junto do nosso governo, e outras autoridades civis, militares e eclesiásticas. O Sr. Núncio Apostólico, Dom Aloísio Masella, estava ao lado do Presidente e sua família. Na Esplanada, a Imagem percorreu as diversas quadras para que o povo pudesse vê-la de perto, e, ao chegar ao altar, Dom Leme deu-a a beijar ao Presidente e sua família. Um silêncio profundo invadiu a Esplanada, quando a Imagem foi colocada no altar. Após o discurso de saudação, Dom Leme iniciou o solene ato da proclamação de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. Segundo relata o padre Júlio, após a cerimônia, o povo católico romano gritou: Senhora Aparecida, o Brasil é vosso! Rainha do Brasil, abençoai a nossa gente. Paz ao nosso povo! Salvação para a nossa Pátria! Senhora Aparecida, o Brasil vos ama, o Brasil em vós confia! Senhora Aparecida, o Brasil vos aclama, Salve Rainha!

FONTE: REVISTA DEFESA DA FÉ 
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sábado, 8 de outubro de 2011

SOLICITAÇÃO

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Em Cristo,

Pb Gilson Barbosa
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