sexta-feira, 3 de abril de 2015

UM CRISTO PECADOR?

Sendo hoje um dia em que se comemora a morte de Cristo (Sexta-feira da Paixão) gostaria refletir brevemente sobre o texto de II Coríntios 5:21, que os profetas da Confissão Positiva distorcem ao seu dispor. Antes coloco o texto de II Coríntios 5:21 para sua lembrança: “Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.

Em primeiro lugar dizem que Jesus foi feito pecador ao assumir na cruz os pecados da humanidade. Desta forma Ele tornou-se a própria essência do pecado. Em segundo lugar dizem que Cristo obteve nossa redenção nas profundezas do Inferno. Ou seja, Cristo morreu espiritualmente. Sua morte física não seria suficiente para redimir a humanidade pecadora. Em terceiro lugar, no Inferno Cristo sofreu nas mãos de Satanás e seu bando maligno. Isto porque sendo Ele identificado com o pecado, Satanás pode governá-lo como se fora qualquer outro pecador. Concluindo: Cristo completou a obra de redenção no Inferno.

Os mestres da Confissão Positiva ou teologia da fé que ensinam esses absurdos são: Frederick K.C. Price, Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Paul Billheimer, Paul Crouch, etc.

1 – Cristo não foi feito pecador. Dizer que Cristo foi feito pecado não é o mesmo que dizer que ele foi feito como um de nós – um pecador. Essa questão toca no ponto central da impecabilidade de Cristo. Cristo ao se encarnar assume a natureza humana, mas sem pecado. Certa vez Ele disse a um grupo de judeus: “Quem dentre vós me convence de pecado?” (João 8:46). A expressão “o fez pecado por nós” trata-se de uma figura de linguagem conhecida como metonímia e significa que Cristo pagou a pena ou a punição por nós e nesse sentido é uma palavra abstrata, não literal. Afirmar que Cristo levou os nossos pecados não é nada mais do que entender que eles foram imputados ou creditados na conta de Cristo. Por esse meio sua retidão é aplicada a nós. Somente Ele podia aplacar a ira de Deus e nos fazer justos aos olhos Dele. É isso que afirma o final do versículo: “para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”. O apologista Hank Hanegraaf escreve que: “A Bíblia insiste que o sacrifício de Cristo foi uma oferta vicária suficiente, precisamente por constituir um sacrifício sem pecado” (Cristianismo em Crise). Qualquer entendimento fora disso é blasfêmia.

2 – Cristo não efetuou nossa redenção no Inferno. Na cruz do Calvário Cristo efetuou nossa redenção ao bradar: “E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (João 19:30). Para os mestres da confissão positiva “entregar o espírito” significa o começo da obra de redenção. O ponto de vista de Kenneth Copeland é o seguinte:

“Está consumado!”, Jesus não se referia ao plano da redenção. Ainda restavam três dias e três noites, pelos quais devia passar antes que pudesse subir ao trono... A morte de Jesus foi apenas o começo da completa obra da redenção.

A origem do pensamento de que Cristo “desceu ao Inferno” parece encontrar apoio nos antigos credos cristãos – o Credo dos apóstolos e o Credo de Atanásio. Não vou entrar nos pormenores da expressão “desceu ao Inferno”, mas, seja o que for que ela signifique, podemos ter certeza do que ela não significa: que Cristo tenha sofrido no Inferno, nas mãos de Satanás. Não há nem mesmo consenso se Cristo tenha descido ao Inferno para proclamar sua vitória.

Quando Cristo morre ele vai ao Paraíso (Lucas 23:43), não ao Inferno. “Três dias e três noites no seio da terra” (Mateus 12:40) refere-se apenas ao tempo passado por Jesus no sepulcro. O registro paulino de que Cristo “tinha descido às partes mais baixas da terra” (Efésios 4:9,10) é uma expressão idiomática para tratar da encarnação de Cristo sobre a Terra. Cristo triunfou sobre o Diabo na cruz do Calvário: “E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo” (Colossenses 2:15). Portanto, nossa redenção foi efetuada na cruz do Calvário, não no Inferno.

3 – Cristo não sofreu nas mãos de Satanás. Os proponentes da confissão positiva afirmam que Jesus renasce das profundezas do Inferno ao sofrer nas mãos de Satanás e demônios. Segundo eles esta ação é que teve a eficácia de redimir a humanidade de seus pecados. Porém o fato é que Cristo morreu fisicamente, não espiritualmente. A Bíblia afirma que Cristo foi “mortificado, na verdade, na carne” (I Pedro 3:18). Outra ideia clara da impossibilidade de Cristo ser subjugado por Satanás é o fato de que não há precedentes na sua história. A vitória de Cristo sobre os demônios em seu ministério é algo comum. Certa vez os discípulos se alegraram pelo fato dos demônios se sujeitarem ao nome de Cristo (Lucas 10:17). Satanás sabe e conhece o poder que Cristo tem (Atos 19:15). Portanto concluo: é uma blasfêmia dizer e ensinar que Cristo foi torturado e atormentado no Inferno, para efetuar a redenção da humanidade.

Feliz Páscoa!

Compartilhar:

domingo, 1 de fevereiro de 2015

ASSEMBLEIANOS ATRAÍDOS PELO CALVINISMO

O assunto desta semana em alguns blogs e mídia impressa foi sobre a atual influencia calvinista no pentecostalismo assembleiano brasileiro. O blog do pastor Altair Germano vem tratando assuntos onde se evidenciam a disputa entre calvinismo e arminianismo (Altair Germano é arminiano). Já o blog de Gutierrez Siqueira trouxe uma entrevista com o pastor assembleiano Geremias do Couto onde se declara abertamente um calvinista convicto. Na mídia impressa coube a Revista Obreiro, matéria de Silas Daniel, tratar sobre o Arminianismo (Silas é um arminiano).

O fato é que cada vez mais crentes de denominações pentecostais estão sendo atraídos pela doutrina da fé reformada ou calvinista. Mas não são só os assembleianos. Estes se manifestam mais devido a competência intelectual de seus teólogos. Também não é uma preocupação da grande massa de assembleianos, pois estes não estão muito interessados no debate e nem mesmo sabem exatamente o que significa ser arminiano, semipelagiano, pelagiano ou calvinista.  

Parece que os teólogos assembleianos acenderam a luz vermelha para discretamente mandar um recado aos pastores que possuem convicção da fé reformada: vocês não podem ser assembleianos e calvinistas simultaneamente – precisam deixar a denominação. O triste disto é que as caricaturas dos dois sistemas teológicos (arminiano e calvinista) são satanizadas pelos dois grupos. Dos dois lados há hostilidades. Um e outro afirmam que suas ideias não passam de “ventos de doutrinas”. Poucos são equilibrados e compreendem que tanto arminianos quanto calvinistas são crentes em Cristo.

Há muitas doutrinas que são comuns nos dois sistemas, outras são parcialmente comuns e outras são totalmente diferentes. Mas eu pessoalmente não ouso dizer que as diferenças incorrerão em condenação eterna de um ou outro. Tanto um quanto outro buscam sustentar suas convicções doutrinárias nas escrituras sagradas. Se estiverem certos ou errados é o que cada um poderá concluir após estudar com bastante tempo e muita profundidade o assunto.

Outrora fui um arminiano, mas a verdade é que nem sabia o que isso significava. Apenas lia nos periódicos da denominação os teólogos comentarem sobre o tema sempre polemizando e buscando nos convencer sobre o arminianismo (sistema adotado pelas igrejas pentecostais). Após estudar muito e com profundidade cheguei à conclusão que a “conta arminiana” não fecha e que a doutrina reformada é bem mais coerente biblicamente (em minha opinião). Estou convicto que a fé reformada não é “filosofia” (como gostava de afirmar um amigo), mas as antigas doutrinas da graça.

Contudo, não desejo que as diferenças se transformem em zombarias, rixas, brigas, desavenças, iras e ódios. Tenho vários amigos arminianos e os amo e respeito profundamente (tenho certeza de que eles são recíprocos). Sempre busco dialogar e informar o pouco que aprendi sobre a fé reformada.  Penso que os teólogos assembleianos deveriam convocar suas lideranças para discutirem o assunto respeitando os dois pensamentos. Mas como o sistema de governo da igreja é absolutista creio que não vai acontecer isso. Só espero que não demonizem a fé reformada taxando-a de sectária. Isso seria prejudicial à fé cristã e não contribui em nada.

Por outro lado há igrejas pentecostais que abriram espaços para pregadores calvinistas e creio que estão sendo extremamente abençoadas por suas exposições das sagradas escrituras. É relevante reiterarmos o lema de que “nas coisas essências deve haver unidade, nas não essenciais liberdade, e sobretudo deve existir amor entre os crentes”.

No amor de Cristo, 

Compartilhar:

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

CRENTES COM MEDO DE PERDER A SALVAÇÃO

É bem provável que você tenha conversado com algum crente que não possui a certeza da segurança da salvação. Eles pensam que os salvos podem perder a salvação a qualquer momento. Imaginam que um salvo se perde quando se distancia dos caminhos do Senhor, mas quando “voltam para a igreja” adquirem novamente a salvação. Pensam que o crente pode cair do estado de graça e sofrer a condenação eterna. A implicação desse pensamento é que o poder de estar salvo ou não depende da própria determinação humana. Isso pode até ter sido sentido lógico (do ponto de vista humano), mas não bíblico.

Esses crentes pensam assim porque tem uma visão equivocada a respeito da doutrina do pecado e da salvação. Para eles o pecado apenas deixou o homem ferido, ele produziu algumas escoriações e cada ser humano nasce espiritualmente semimorto. A salvação do ser humano está em seu próprio livre arbítrio. Cada pessoa escolhe se quer ser salvo ou não. Mas essa é uma doutrina bíblica?

Em certo sentido há coerência no pensamento destes crentes. Neste caso foram eles próprios e por sua própria vontade que um dia escolheram a Cristo, então é bem provável que não tenha nenhuma segurança de salvação eterna mesmo. A salvação deles está nas suas próprias mãos.

Já há outros crentes que entendem que o pecado produziu morte no homem. O pecador sem Deus não está apenas ferido, mas espiritualmente morto. A Bíblia afirma que “o salário do pecado é a morte”. O apóstolo Paulo disse aos irmãos efésios: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados”. Deus disse a Adão que no dia em que ele transgredisse sua ordem de não comer o fruto proibido, ele morreria. Mas, em quê sentido Adão morreu? Devemos recordar que biblicamente há três tipos de morte: física, espiritual e eterna. Certamente Adão passou a morrer tanto fisicamente quanto espiritualmente, mas não eternamente. O que um morto pode fazer por si próprio para voltar a viver? Absolutamente nada! A ilustração da ressurreição de Lázaro pode nos ajudar neste entendimento. Ele voltou à vida por meio do chamado de Cristo, e não “moveu nenhuma palha” para isso. Toda a glória seja a dada a Deus!

Estes mesmos crentes descritos nas linhas acima entendem que a salvação é uma obra totalmente celestial. Jesus disse a Nicodemos que o novo nascimento é produzido do alto, ou seja, de Deus. Quando Pilatos disse a Jesus que tinha autoridade tanto para soltá-lo como para crucifica-lo Cristo respondeu: “Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada”. Sendo a salvação uma obra de Deus e não do homem, afirmamos que toda a obra da salvação é atingida pelo Senhor: redenção, eleição, chamado, justificação, regeneração, reconciliação e glorificação. O apóstolo afirmou esta verdade em Romanos 8.30: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”. Deus faz sua obra completa. Se foi Ele quem nos escolheu, chamou, regenerou, justificou e santificou, com certeza o Senhor não permitirá que um crente salvo escorregue e perca a salvação. Pode acontecer do crente salvo pecar, pois o apóstolo João disse: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”. Todavia, ele não tem prazer no pecado: “Todo aquele que permanece nele não vive pecando”.

Cristo não derramou seu sangue por você em vão. Seu sangue não foi perdido. Sua morte nos garante certamente a salvação. Jesus disse aos seus ouvintes as seguintes palavras: “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida”; “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente”; “Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura”. É interessante este último versículo. Ele afirma que o Senhor guardava e protegia os salvos e não deixou que nenhum deles se perdesse.

É assim que o Senhor faz com os crentes salvos: os guarda e os protege da perdição eterna. Certa feita Jesus disse a Pedro: “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça”. Qual era o propósito de Satanás? Conforme o irmão e teólogo Anthony Hoekema “o propósito de Satanás seria o de dividir o grupo, roubar-lhes a lealdade a Cristo e, assim, fazê-los negar a obra do Salvador. Mas Jesus também revela que havia orado especificamente por Pedro para que sua fé não falhasse”. O apóstolo Paulo reconheceu isso quando disse aos filipenses: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”.

Você tem medo de perder a salvação? Se sim é porque você não possui a segurança ou convicção da fé em Cristo. A convicção do crente advém das escrituras sagradas: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Se você crê em Cristo, se foi justificado por sua morte na cruz, fique tranquilo. O Senhor o conduzirá para o céu de gozo, na sua vinda. Há um hino muito lindo cujo coro diz: “Mas eu sei em quem tenho crido, e estou bem certo que é poderoso, pra guardar o meu tesouro, até o fim chegar”.


No amor de Cristo,


Compartilhar:

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A EXECUÇÃO DO BRASILEIRO NA INDONÉSIA

As opiniões sobre a execução do brasileiro Marco Archer se dividem. Há nitidamente dois grupos: os prós e os contras. O brasileiro foi condenado à morte após ser preso por tráfico de drogas. Lá na Indonésia “não tem choro”. O instrumento para combater este tipo de crime naquele país é a pena de morte. Este assunto sempre gera polêmicas e debates intermináveis.

O jornalista Maurício Santoro escreveu um artigo especial para o UOL e disse que a pena de morte “é uma forma de castigo cruel, desumana e degradante, uma violação do direito à vida. Sua aplicação recai de modo desproporcional sobre os grupos mais vulneráveis em cada sociedade: pobres e minorias étnicas/religiosas”. Até certo ponto ele está certo. Mas sua fala não representa toda a verdade dos fatos.

Não se trata de perder a esperança, jamais, mas alguns estudiosos com opiniões liberais e secularizadas entendem que a solução para todo o tipo de criminalidade está nas políticas de segurança, no entrosamento da comunidade com as forças policiais, no judiciário e na eliminação de condições de pobreza. Tá bom! Podemos até compreender esse tipo de pensamento. Mas ele funciona em que país? Na Suécia? Finlândia? Não sei aonde. Só sei que no Brasil jamais! Aqui todos os setores da sociedade pública e privada estão corrompidos. Basta acompanhar os noticiários. Nada do que o citado jornalista afirmou é suficiente para combater os crimes. Sempre haverá um transgressor da lei.

Minha opinião é que ainda que a pena de morte seja uma forma de castigo cruel, mesmo assim em certos casos ela é “um mal necessário”. O brasileiro transgressor da lei não era inocente. Sabia exatamente que estava cometendo um crime e que na Indonésia o tráfico de drogas era punido com a pena de morte. Com certeza a Indonésia não é exemplo de um país honesto, sério, em outros procedimentos de seu governo, mas conter os crimes não é errado em nenhum país. Cada país possui soberania e autonomia para analisar de que forma irão conter os crimes.

No período bíblico a pena de morte era algo aceitável. Após abençoar Noé e seus filhos Deus disse: “Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem” (Gênesis 9:6). Mas o Senhor não disse isso para o homem sair matando os outros “homens a torto e direito”. Não. Significa que a vida do ser humano deve ser respeitada e dignificada, pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Ou seja, nenhum indivíduo tem o direito de tirar a vida de outro. Ainda que não vivamos num Estado Teocrático podemos afirmar biblicamente que o Estado é “a mão esquerda de Deus” no combate aos crimes. O apóstolo Paulo afirma o seguinte em Romanos 13:3-5: “Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência”.

Ainda que alguém resolva não transgredir a lei do seu país, deve fazê-lo por motivo da sua boa consciência e não por temor da punição. Não estou feliz com a morte do brasileiro, pois, seus amigos e parentes estão sofrendo muito sua permanente ausência. Mas quantas pessoas são vitimadas por conta da heroína, também trazendo dores e sofrimentos aos familiares. No Brasil as drogas é um problema alarmante. Mas as autoridades por aqui não estão muito preocupadas não. Em inúmeros bairros dos nossos Estados brasileiros as “bocas de fumo” funcionam com extrema liberdade a céu aberto. De vez em quando nossas autoridades militares, não todos é claro, vão até as “bocas de fumo” para buscar sua parte em dinheiro também. Em troca fazem “vista grossa”. Aqui não tem lei nem ordem. Há apenas conveniências. Um faz de conta.

Quanto a essa tragédia com o brasileiro fica claro que as inclinações pecaminosas do ser humano fatalmente o levarão a morte. A Bíblia afirma que “o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23) e que “há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte” (Provérbios 14:12). Se você está distante do Senhor ouça a recomendação de Jesus Cristo: “O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho” (Marcos 1:15).


No amor de Cristo,
Compartilhar:

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

OS MUÇULMANOS E O TERRORISMO



Há um dizer que certas pessoas perde um amigo, mas não perde a piada. Mas como nem sempre a piada é agradável pode causar certos constrangimentos e outros efeitos indesejáveis. O lamentável acontecimento da semana passada em Paris provou mais ainda: que a piada pode levar a morte!

O ataque, com mortos e feridos, na sede do jornal Charlie Hebdo em Paris foi algo absolutamente repugnante – assim como todos os atos criminosos cometidos por terroristas ou não. A diferença é que por aqui (no Brasil) o assassinato é cometido sem se importar com o porquê, motivado por discriminação, intolerância e raiva. São os assaltos a banco, os roubos de carros, o “simples” assassinato de pessoas, ou o tráfico de drogas. Já os atos criminosos perpetrados pelos terroristas possuem caráter religioso. Mas será que o Islamismo é tão degradante assim que consente ou incentiva a morte dos seus opositores?


Bem pode ser que esteja errado, mas minha humilde opinião é NÃO. Podemos ilustrar isso com as seguintes afirmações: “Nem todo árabe é muçulmano e nem todo muçulmano é árabe”. Ou seja, há muitos árabes que não seguem o Islã, mas há muitos que não são árabes, mas que seguem. Pense num brasileiro que é praticante do Islã, por exemplo. Por outro lado há milhões de árabes muçulmanos. Prefiro não taxar TODOS os muçulmanos de terroristas ou afirmar que consentem com o terrorismo praticado por esses tipos de adeptos. Penso que a maioria "vai no embalo" dos grupos radicais.
   
Os estudiosos dizem que houve uma deturpação do Islã original. Toda a religião ou grupo religioso passa por processos e transformações; e esses fatos sempre apresentam seus efeitos colaterais. Rachas internos, brigas pelo poder, o motivo por trás das vitórias e derrotas nas guerras, as escolas de interpretação do Corão (o livro sagrados dos muçulmanos), o distanciamento dos ulemás (os estudiosos e intérpretes das doutrinas contidas no Corão) do povo comum, tudo isso contribui para que árabes muçulmanos fundamentalistas fossem buscar força para resgatar as raízes do fundamento da religião. Porém, o fizeram de forma deturpada.

Não podemos negar que Maomé era um guerreiro e estadista em defesa da sua fé, por isso ele usou a espada para converter os hereges politeístas. Essa é uma diferença fundamental entre o cristianismo e o islamismo. Jesus, o “fundador do cristianismo”, desautorizou o uso da espada para defesa própria, quanto mais para coagir alguém a se converter ao cristianismo. A complicação e o desafio para os muçulmanos é como interpretar os ensinamentos de Maomé e aplica-los na contemporaneidade. Há um texto no Corão na sura (capítulo) 9.5 que diz: “E, quando os meses sagrados passarem, matais os idólatras onde quer que os encontreis, e apanhai-os e sediai-os, e ficai a sua espreita, onde quer que estejam”.

No contexto da época esse texto significa que seus seguidores: 1º) devem tentar converter os infiéis (lembrando que “infiéis” eram as tribos árabes politeístas que acusavam Maomé de heresia por pregar a existência de um único Deus); 2º os infiéis podiam manter sua fé, desde que pagassem tributos; 3º se não aceitassem a proposta deveriam ser mortos.

Com a ausência dos ulemás a massa do povo passou a ser instruído e terem o Corão interpretado por grupos fundamentalistas, por exemplo, o Taleban.  Daí “os idólatras” da Sura 9.5 (que deveriam ser mortos) passaram a ser os americanos e israelenses ou todos os que não professam Alá como Deus verdadeiro nem Maomé como seu profeta. Por fim todo o ocidental é inimigo, talvez por serem regidos pelo sistema democrático e não teocrático, como querem.

Um fato também veio á tona neste triste episódio: os limites da liberdade de expressão e possível abuso da democracia. Devemos exercer essa liberdade de forma a não ferir os sentimentos e orgulho dos nossos semelhantes. Contudo, como bem disse Guga chacra, o jornalista do Estadão: “O certo é que ninguém merece morrer por uma piada, mesmo se for racista. Basta não dar risada ou, melhor ainda, reagir com bom humor”.

Por enquanto não quero entrar no mérito das diferenças doutrinárias entre Islamismo e Cristianismo, mas apenas refletir sobre esse triste acontecimento. Oremos pelas famílias dos mortos e pelos que se livraram da morte, por suas dores e tristezas. Não vamos ficar parados, inertes. Usemos de todos os meios lícitos para tentar conter o terrorismo. Que o Senhor tenha piedade de todos nós.

Oremos também pelo povo muçulmano que pensam que as rajadas de metralhadoras, que as bombas explodidas, que a morte de pessoas, que o ódio ao povo ocidental, que todas essas calamitosas ações enobrecem sua religião – assim como acontece em outras religiões estes são marionetes nas mãos dos que detêm o poder. Oremos para que o Senhor os tire das trevas para sua maravilhosa luz!
                                                                                                                    
Compartilhar:

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

UM FELIZ ANO NOVO!


O ano está terminando e é tempo de fazermos um balanço de tudo o que aconteceu conosco e em nosso redor. Nos dará condições para revermos o certo e o errado e efetuarmos correções para o ano que se inicia. Isso equivale a dizer que nossas omissões, comissões e intromissões são extremamente relevantes no contexto da nossa existência.

Há coisas que deveríamos ter feito e não fizemos – por negligência, omissão ou incompetência. Outras não deveríamos ter feito – por intromissão, arrogância ou orgulho. Este é o aspecto negativo dos nossos atos. Por outro lado acertamos em muitas coisas ao fazermos ou deixarmos de fazer algo. Nossas decisões devem estar alinhadas com o caráter de Deus. 

Na contagem geral o que importa mesmo é a importância que damos a presença do Senhor em nossos atos. Quando pecamos sabemos que “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9). Nosso alvo é amar, honrar e glorificar ao Senhor por meios das nossas ações e atitudes. O apóstolo Paulo exortou os irmãos filipenses a agirem de forma agradável ao Senhor: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4:8).

Meu desejo a você, querido leitor, é que tenha sua vida dirigida pelo Eterno Deus. Lembre-se que o apóstolo Tiago (4:15) recomendou aos irmãos que se submetessem a vontade do Senhor: “Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo”.

Creia na soberania de Deus para a condução tanto da história da nossa vida quanto do nosso planeta. Um rei ímpio e pagão reconheceu esse atributo divino quando afirmou: “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Daniel 4: 35). Mas esse fato não nos exime de lutarmos por melhorias nas questões políticas e sociais, por exemplo. Portanto, neste próximo ano se preocupe com estas questões e faça algo a respeito.

Nobres amigos leitores deste blog, a aspiração do meu coração é que tenham um ótimo ano novo e que as bênçãos do Senhor estejam com vocês. Lembrem-se de que pode haver dificuldades, porém ainda que Ele não nos livre das dificuldades, nos livra nas dificuldades. Do ponto de vista humano incentivo-os a buscar as realizações dos seus propósitos e sonhos – sempre buscando a orientação do Senhor através da leitura da Bíblia e orações diárias.

Feliz Ano Novo e muito obrigado por fazerem parte da minha vida.

No amor de Cristo,
Compartilhar:

domingo, 21 de dezembro de 2014

NÃO CONFUNDA INTERPRETAÇÃO COM APLICAÇÃO BÍBLICA



Muitas pessoas opinam que a Bíblia pode ser interpretada de inúmeras maneiras e que cada leitor interpreta os textos bíblicos e suas narrativas como lhe convém. É o leitor quem possui a primazia sobre a interpretação e não o que o autor bíblico intencionou. As mesmas pessoas entendem que o texto bíblico deve de alguma maneira, ser interpretado no mundo contemporâneo. Portanto, inserem seus entendimentos pessoais já formatados pelos seus próprios pressupostos. É comum pessoas fazerem o texto bíblico dizer o que ele não quis dizer. Na hermenêutica sagrada isso é chamado de “eisegese”. Mas será que devemos ter essa atitude para com a intepretação bíblica? Podemos interpretar as narrativas bíblicas de qualquer forma segundo nossa compreensão do texto?

A primeira questão importante a ser refletida pelos leitores da Bíblia é que há no texto bíblico somente um sentido, somente um significado. Não faz sentido o Senhor Deus fazer uso da sua revelação especial (a Bíblia Sagrada) para mais confundir do que esclarecer seu povo, sua igreja. Pelo menos não deveria ser essa a intenção de Deus. O plano de Deus para a salvação da humanidade e para a condução de sua Igreja não é uma charada espiritual.

Os teólogos têm ensinado a perspicuidade das Escrituras. Ou seja, a mensagem das Escrituras é clara o suficiente de modo que até o menos instruído dos leitores é capaz de entender a mensagem da salvação que a Bíblia apresenta. Porém não devemos confundir essa declaração, e a partir daí interpretarmos a Bíblia relativamente ou subjetivamente. Há nas Escrituras partes que não estão totalmente claras ou livres de qualquer dificuldade. Há coisas que aprouve ao Senhor não nos informar claramente a respeito (leia Deuteronômio 29:29).

Foi o então professor de grego da Universidade de Oxford (Benjamim Jowet) quem propôs a tese de que as Escrituras possuem um único significado – ou seja, o significado que tinha na mente do autor que escreveu para os ouvintes ou leitores que o receberam pela primeira vez (Introdução à Hermenêutica Bíblia, Ed: Cultura Cristã). Sou a favor dessa tese. Mas observamos que vários elementos nos impedem desse entendimento: a cultura, novas descobertas cientificas, o contexto pessoal do ouvinte e do leitor da Bíblia, a contemporaneidade do mundo, o progresso da revelação divina, o desenvolvimento de teorias na compreensão da Bíblia. É por isso   que os diversos movimentos, tais como o feminismo e a teologia gay, fazem uso descarado das Escrituras para defenderem suas teses extravagantes.  

Como teste para verificar e determinar se a teoria do sentido único é aplicável olhemos para a parábola dos trabalhadores da vinha (leia Mateus 20:1-16). O dono de uma vinha contrata trabalhadores para trabalharem durante o dia todo pelo salário de um denário. Foram contratados as nove, ao meio-dia, as três e às cinco horas da tarde.

Ao findar do dia o dono da vinha instrui o administrador a pagar os trabalhadores a começar pelos que começaram a trabalhar às cinco horas da tarde. Em vez de dar a eles um doze avos de um denário, pagou o salário de um dia inteiro trabalhado. Os que começaram a trabalhar no começo do dia pensaram que receberiam a mais do que os outros, mas ao saberem que os que haviam sido contratados ao final do dia receberam a mesma quantia que eles, começaram a reclamar. O proprietário da vinha responde que não havia sido injusto com eles, pois havia combinado com os mesmos o valor de um denário ao dia. Se ele queria ser generoso e bondoso com os trabalhadores da última hora essa era uma prerrogativa sua. Resumindo: a única interpretação e o único sentido do texto bíblico é que a parábola é uma declaração da generosidade e da graça de Deus para com os trabalhadores indignos.

A segunda questão importante a ser refletida pelos leitores da Bíblia é que ao contrário do princípio único ou verdade ensinada pelo escritor humano nas Escrituras podemos ter no texto diferentes aplicações. Portanto, atente para esta regra: não confunda interpretação com aplicação bíblica.

Voltando à parábola dos trabalhadores da vinha temos abaixo as seguintes aplicações:

Há leitores que entendem que ela trata sobre as várias idades em que uma pessoa pode converter-se á Cristo. Sendo assim há aqueles que podem ter um encontro com Cristo “na última hora” ou nos instantes finais da sua vida. É o caso do ladrão na cruz.

Alguns vêem a parábola como uma referencia a história da salvação. Afirmam que os primeiros trabalhadores referem-se aos judeus, e os trabalhadores contratados na última hora é uma referencia aos gentios.

Outros aplicam à parábola a morte do ser humano bem como sua salvação. Alguns morrem na infância, outros morrem velhinhos. Mas tanto um como outro pode receber a graça de Deus e ser salvo.

Há também ainda outro entendimento de que a parábola refere-se à doutrina das recompensas proporcionais no céu pelos serviços prestados a Jesus Cristo. Neste caso há trabalhadores que mesmo chegando à salvação na ultima hora recebem recompensa igual ou maior porque em certo sentido todos os trabalhadores eram indignos, por diversas razões. Podemos ilustrar isso nos lembrando de crentes que estão na igreja desde a infância, mas que baseiam sua salvação e méritos apenas nas obras humanas e no cumprimento da lei.

Essas aplicações não são erradas, porém permanece a interpretação da parábola no princípio da bondade e generosidade de Deus. Consegue perceber essas diferenças ao ler as Escrituras? Contudo, nem toda a aplicação é legítima e há algumas que até mesmo são espúrias. É o caso de pregações que tratam sobre o sonho de José ou de Davi derrotando Golias. No primeiro caso dizem que Deus vai realizar seus sonhos, e no segundo que você derrubará os “gigantes da sua vida” – que seriam dificuldades impossíveis de serem vencidas. O que há de errado com esse tipo de aplicação? A pergunta é: é isso que Deus intencionou a José e a Davi? Realizar os sonhos do primeiro e livrar o segundo da morte? Não. Deus não estava preocupado com José ou Davi, mas sim com o povo de Israel. Os sonhos não eram de José, mas planos de Deus. O gigante não estava afrontado pessoalmente Davi, mas o Deus dos exércitos de Israel.

Não se engane: há uma só interpretação, mas várias aplicações. Mesmo assim as aplicações devem seguir um panorama geral coerente das Escrituras com o Ser de Deus e os seus planos. Não podemos aplicar as Escrituras como queremos, mas temos que obedecer as regras da hermenêutica sagrada. Não confunda interpretação com aplicação bíblica. Não devemos aplicar as Escrituras de forma incoerente. A Teologia da prosperidade erra quando afirma que Deus só tem o interesse de nos dar saúde, bênçãos materiais, dinheiro, fama e sucesso. Os crentes piedosos e tementes a Deus erram quando colocam Deus na parede exigindo milagres ou curas. Tanto um como outro não estão fazendo aplicações da Bíblia, mas sim, interpretando as Escrituras de maneira totalmente equivocadas.

Que o Senhor nos ajude a interpretamos e aplicarmos corretamente sua Palavra. Que sejamos honestos em não afirmar o que a Bíblia não afirma o que estamos afirmando.

No amor do Mestre.



Compartilhar:
←  Anterior Proxima  → Inicio