quarta-feira, 16 de novembro de 2011

IGREJA A VOZ DA VERDADE

I – HISTÓRIA
A Igreja Evangélica Voz da Verdade (IEVV) foi fundada em 05 de janeiro de 1984, na cidade de Santo André – SP.

Segundo seus Estatutos, os fundadores são 28 membros batizados. O Estatuto é assinado apenas pelo senhor Francisco Firmino dos Santos Filho, e a data do registro em cartório é de 10 de maio de 1984,na mesma cidade de Santo André – SP.

Este grupo religioso ficou muito conhecido no meio evangélico em geral, por causa do conjunto de mesmo nome: o CONJUNTO VOZ DA VERDADE, de grande popularidade entre os jovens por causa de seu estilo, que se ajusta bem ao espírito juvenil.

II – ONDE ESTÁ O PROBLEMA?
A IEVV é uma igreja UNICISTA, ensinam que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são a mesma e única pessoa da divindade, com TRÊS MANIFESTAÇÕES cronológicas, de modo que Deus no Antigo Testamento se revelou com o Pai, nos evangelhos a mesma pessoa divina se revelou como Filho e depois do pentecostes, essa mesma pessoa se revelou como o Espírito Santo, negando assim a doutrina bíblica ortodoxa da TRINDADE.

III – O QUE CRÊ A IGREJA EVANGÉLICA VOZ DA VERDADE

A – PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO SÀO A MESMA PESSOA

Sendo uma igreja UNICISTA, a IEVV crê que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são a mesma e única pessoa da Divindade. Declaram:

Quando a Bíblia se refere a Deus, está falando no Espírito Santo que é o Pai, Criador e Senhor de todas as coisas.

Jesus tanto é o Pai como é o Filho... Antes da manifestação de Jesus como homem, não havia Filho de Deus (somente os anjos eram tidos como filhos de Deus)[1].

13. Jesus pode ser o Pai e também o Filho?
É muito lógico que sim, pois Ele é Deus [2].

Falando sobre a Trindade afirmam:

10. Qual o significado da palavra Trindade?

a)    Associação de três pessoas com pensamentos iguais;
b)   Teoria religiosa de intenção carnal e diabólica com o sentido de alimentar uma ilusão de Satanás que teve a pretensão de pluralizar a plenitude da divindade; e
c)    Decreto religioso por parte do clero no conselho de Nicéia no ano de 325 DC [3].

RESPOSTA APOLOGÉTICA
Ainda que a palavra Trindade não apareça na Bíblia Sagrada, a doutrina trinitariana é evidente tanto no Antigo como no Novo Testamento.

A Trindade é demonstrada na Bíblia em:

1.    Textos que apontam as três pessoas juntas – Mateus 3.16,17; 17.5; 28.19; 1 Coríntios 12.4-6; Efésios 4.4-6.

2.    Textos que apontam que:
a.   O Pai é Deus – 2 Pedro 1.17
b.   O Filho é Deus – João 1.1, 1Jo 5.20
c.    O Espírito Santo é Deus – Atos 5.3,4.

B – PERSONIFICAÇÃO OU PERSONALIDADE
A IEVV declara que o Pai seria a Natureza Divina de Jesus, o Filho a Natureza Humana e o Espírito Santo seria o próprio Pai, ou seja Pai e Filho, seriam meras personificações de Jesus, o único Deus.

1. PAI, PERSONALIDADE OU NATUREZA DIVINA ?
        
A IEVV identifica o Pai como apenas UM TITULO usado para se referir à natureza divina de Jesus. O PAI NÃO EXISTE como pessoa espiritual, não se pode perguntar: Quem é o Pai? Porque o Pai não é uma pessoa, é algo: a natureza divina de Jesus. O Pai – dizem – é apenas um título, e não uma pessoa.

2. FILHO – PERSONALIDADE OU NATUREZA HUMANA ?

A IEVV afirma: Quem seria o Filho? O Filho não é ninguém, mas é algo: a natureza humana de Jesus. Logo o Filho, como pessoa espiritual, nunca existiu. Jesus como Filho de Deus passou a existir só após seu nascimento em Belém de Judá, pois o Filho é apenas a natureza humana de Jesus.
Tal ensinamento é tão grave, tão herético que em 1Jo 2.22 lemos: Quem é mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo ? É o anti-cristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho.

3. ESPÍRITO SANTO – PESSOA PRÓPRIA OU O PAI ?

A Bíblia mostra a personalidade do Espírito Santo e não que o Espírito Santo é o Pai. Sua personalidade é demonstrada porque ele exerce atividades pessoais e pelos atributos de pessoa que possui:

a)   inteligência (1 Co 2.10);
b)   vontade própria (1 Co 12.11);
c)    sensibilidade ou emoção (Ef 4.30);
d)   ele ensina e faz lembrar os crentes (Jo 14.26);
e)   ele testifica de Cristo (Jo 15.26);
f)     ele guia em toda a verdade (Jo 16.13);
g)    ele glorifica a Jesus (Jo 16.14);
h)   ele intercede pelos santos (Rm 8.26);
i)     ele fala (At10.19-20).

C – FÓRMULA BATISMAL E O SIGNIFICADO DO BATISMO
Declarações comprometedoras da Igreja Evangélica Voz da Verdade na Instrução Inicial Pró-batismo, preparada pelo Pr. Francisco F. Santos Filho – Rio, 06/06/85.

1. Aos que são batizados nas igrejas cujo batismo é na tradição dos títulos, esses batismos são considerados válidos?
Resposta: São considerados com valor religioso, mas não tem valor bíblico algum (Ef 4.5), pois é um tipo de batismo forjado pelo homem.

RESPOSTA APOLOGÉTICA:
Considerando, como provamos, que o Pai, o Filho e o Espírito Santos são pessoas distintas e não meramente títulos, o batismo TRINITÁRIO celebrado com base em Mateus 28.19 é bíblico. Basta considerar: Quando lemos as palavras de Jesus: BATIZANDO-OS EM NOME DO PAI... ENTENDEMOS A PERSONALIDADE DO PAI E NÃO A NATUREZA DIVINA DE JESUS; quando lemos as palavras de Jesus: E DO FILHO... ENTENDEMOS A PERSONALIDADE DO FILHO E NÃO A NATUREZA HUMANA DE JESUS; e quando lemos: E DO ESPÍRITO SANTO... ENTENDEMOS A PERSONALIDADE DO ESPÍRITO SANTO, fica claro que se tratam de três Pessoas distintas e não três títulos como erroneamente interpreta o líder da IEVV.

2. Por que o batismo tradicional religioso não tem valor bíblico?

Resposta: Porquê o tal batismo não invoca o nome de Jesus, e se o Nome de Jesus é omitido, não é para perdão e remissão de pecados (Lc 24.47; Cl 3.17). ... eles batizavam invocando o nome do Pai, do Filho e  do Espírito Santo que é JESUS. Conclusão: Somente é considerado batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, quando no ato do batismo se invoca o NOME: JESUS

RESPOSTA APOLOGÉTICA:
Três erros doutrinários estão declarados:

1)O batismo não invoca o nome de Jesus;
2) batismo para perdão e remissão de pecados;
3) eles batizavam invocando o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo que é JESUS.

         1) O batismo nunca foi realizado em nome de Jesus apenas. Em At 2.38 se lê que a autoridade para ministrar o batismo fora dada por Jesus e assim  o batismo se realizava pela  autoridade dele, na conformidade de Mt 28.19, ou seja ...em nome do Pai, e do Filho,  e do Espírito Santo... Três Pessoas distintas da mesma natureza divina.
        
2) Batismo não é realizado para perdão e remissão de pecados. A Bíblia enfatiza a humanidade de Jesus (Jo 1.14; 1 Jo 4.1-3) ressaltando que é o sangue de Jesus que nos purifica de todo o pecado (1 Jo 1.7- 9; Ap 1.5) e não água de batismo. Crer em batismo regeneracional é fazer do batismo um sacramento como o  dogma da Igreja Católica.  Recomenda a Igreja Católica o batismo para a salvação chegando ao cúmulo de afirmar que a criança que morre sem batismo vai para um lugar imaginário chamado Limbo. Em Atos 10.44 lemos: E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. Sabemos que o mundo não pode receber o  batismo no Espírito Santo (Jo 14.17). Como poderia então os ouvintes da casa de Cornélio receber o batismo com o Espírito Santo se  não fossem salvas por não terem sido batizadas nas águas? Batismo nas águas é uma ordenança para as pessoas salvas e não para serem salvas (At 10.48).

3. Muito bem! O batismo corretamente bíblico é de fato em nome de Jesus. Mas qual é a importância do batismo na vida da pessoa?  
Resposta: Através deste ato a pessoa enterra seu velho homem (velho ego) ao mergulhar seus pecados nas águas do batismo) para renascer para Deus...

RESPOSTA APOLOGÉTICA:
Lemos que Jesus pregou arrependimento e fé (Mc 1.15) Paulo pregou ao carcereiro que ele podia ser salvo se viesse a crer em Jesus (At 16.30-31). Pregou mais em Romanos 10.9-13 que a salvação se consuma no ato de crer com o coração e confissão com os lábios. Nessa ocasião se dá a morte da velha natureza e o surgimento da nova (2 Co 5.17).

4.    Afinal, que devo fazer para ser batizado? ...
Resposta: Crer no NOME DE ‘JESUS’ como único Deus.

RESPOSTA APOLOGÉTICA:
Devemos crer no nome de Jesus para sermos salvos (At 16.30-31) e ser batizado em nome da Trindade (Mt 28.19). Jesus é a segunda pessoa da Trindade, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, ...e o Verbo era Deus. (Jo 1.1); Respondeu-lhe Tome: Senhor meu e Deus meu! (Jo  20.28)..

IV – CONCLUSÃO
As igrejas evangélicas unicistas (A Voz da Verdade, Igreja Só Jesus, Tabernáculo da Fé; Igreja Local, Adeptos do Nome Yehoshua e Variantes etc), são ANTITRINITARIANISTAS, no entanto devemos apontar que seu antitrinitarismo não é igual à posição adotada pelos unitaristas. Pois os unicistas não nutrem idéias preconceituosas contra a divindade de Jesus, como é o caso do unitarismo. Ironicamente os uncistas são antitrinitarianistas pelo fato de acharem que a divindade é exclusivamente a pessoa de Jesus, não compreende a unidade composta de Deus.

Enfim, como disse Tertuliano:

O demônio tem lutado contra a verdade de muitas maneiras, inclusive defendendo-a para melhor destruí-la. Ele defende a unidade de deus, o onipotente criador do universo, com o fim exclusivo de torná-la herética. Afirma que o próprio pai desceu ao seio da virgem, dela nascendo, e que o próprio pai sofreu; que o pai, em suma, foi pessoalmente Jesus Cristo... Práxeas foi quem trouxe esta heresia da Ásia para Roma... Práxeas expulsou o Paráclito e crucificou o pai (Tertuliano, adv. Praxean, 1 – Documentos da Igreja Cristã, H. Bettenson, Aste, p.81).

Fonte: Instituto Cristão de Pesquisas


[1] Instrução Inicia Pró-batismo, p.15
[2] Mesma obra citada, p.2
[3] Mesma obra citada, p.1.
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OS SEIS INIMIGOS DO COMPROMISSO APOLOGÉTICO

Por Douglas Groothuis
Tradução Elvis Brassaroto Aleixo

O mundo evangélico sofre hoje daquilo que poderíamos denominar de “anemia apologética”. Apesar do fato de as Sagradas Escrituras nos convocar para darmos uma razão da esperança que possuímos em Cristo (1Pe 3.15; Jd 3), os evangélicos não possuem uma presença intelectual forte na cultura popular e/ou acadêmica, observando as raríssimas exceções que ocorrem em algumas áreas, como é o caso da filosofia. As razões para esta “anemia apologética” é  multidimensional e complexa.  

Este pequeno artigo tem seu conteúdo inspirado num recente debate que envolve as raízes históricas do antiintelectualismo evangélico e aponta diretrizes e argumentos úteis para conduzir a igreja intelectualmente.

Meu propósito aqui é demonstrar brevemente os seis fatores que ilegitimamente inibem o compromisso apologético em nossos dias. Se estas barreiras forem afastadas, nosso testemunho apologético poderá crescer, resultando no reconhecimento do verdadeiro evangelho.

1. Indiferença  


Muitos cristãos não parecem preocupar-se com o fato de o cristianismo ser ridicularizado, taxado como antiquado, irracional e tacanho, em nossa cultura. São pessoas que até se indignam com algumas destas ofensas, mas faz pouco ou nada fazem para contrariar tais argumentos, não se importam em oferecer uma defesa da cosmovisão cristã. A indiferença vem corroendo a defesa do evangelho. E o que é pior, esta apatia é contagiosa. Nossa atitude deve ser como a do apóstolo Paulo. Ao constatar o emaranhado ambiente idólatra de Atenas, a Bíblia relata que “o seu espírito se comovia em si mesmo” pela  pobreza espiritual daquelas pessoas (At 17.16). Este zelo pela verdade de Deus o conduziu a um encontro apologético muito frutífero com os filósofos gregos no Areópago ateniense (Cf. At 17). Da mesma maneira que Deus “amou o mundo” a ponto de entregar seu Filho unigênito para conceder salvação a todos quantos o receberem (Jo 3.16), os fiéis discípulos de Jesus devem demonstrar o fruto deste amor, apregoando ao mundo o genuíno evangelho e respondendo às objeções à fé cristã (Jo 17.18).  

2. Irracionalismo   


Para alguns cristãos, fé significa crer na ausência das evidências e dos argumentos. Pior ainda. Para outros, fé significa é crer naquilo que é totalmente contrariado por todas as evidências. O mais curioso de tudo isto é que, geralmente, quanto mais essas pessoas demonstram esta capacidade de crer tanto mais elas são elevadas espiritualmente. Temos de ponderar que, embora Paulo realmente ensine que Deus fez tola “a sabedoria deste mundo” (1Co 1.20), a revelação divina não é irracional; nem deve ser assegurada na irracionalidade. Deus não nos exige que aniquilemos nossas faculdades críticas para acreditar em suas obras. Pelo profeta Isaías, Deus declaradamente convida a Israel: “Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR”, ou, em outras palavras, “venham e argumentemos juntos” (Is 1.18). Jesus nos ordenou a amar a Deus com toda a nossa mente, pensamento (Mt 22.37).  

Quando os cristãos optam pelo irracionalismo acabam abrindo margem para muitas acusações que, de outra forma, seriam infundadas, mas que, infelizmente, acabam encontrando guarida no comportamento prejudicial de alguns.

3. Ignorância  


Muitos cristãos não estão atentos aos diversos recursos intelectuais disponíveis para serem empregados na defesa da sã doutrina. Isto ocorre, em grande parte, porque algumas igrejas e organizações evangélicas ignoram potencialmente a apologética. Alguns denominados cursos de teologia não se preocupam em  inserir em sua grade curricular matérias que ofereçam conteúdos para ajudar os estudantes a lidar com a incredulidade que emana em todas as áreas da sociedade. Em algumas igrejas da América do Norte, por exemplo, pouco se ouve falar de sermões e estudos endereçados a evidenciar a existência de Deus, a ressurreição de Jesus, a justiça do inferno, a supremacia de Cristo e outros problemas lógicos que envolvem cosmovisões não-cristãs, e esta nostalgia caminha a passos largos para os púlpitos latino-americanos. Best sellers cristãos, com raras exceções, estão desvirtuados por especulações apocalípticas infundadas, exaltação de celebridades cristãs de forma excessiva e os crentes simplesmente são incapazes de identificar os malefícios desta tendência.

4. Covardia  


Em nossa cultura pluralista, a indiferença pelas verdades eternas se reveste de norma social e a pressão da sociedade assombra os evangélicos, minimizando a força de suas convicções. Muitos evangélicos se preocupam mais em ser “agradáveis” e “tolerantes” do que em ser bíblicos e fiéis ao evangelho contido em suas Bíblias. São pouquíssimos os cristãos dispostos e capazes de defender sua fé em situações desafiadoras, seja na escola, no trabalho ou em outros ambientes públicos. O impulso tem sido individualizar a fé, separar e isolar completamente nossas crenças da vida social, da vida pública. Sim, nós somos cristãos (em nossos corações), mas temos dificuldade em compartilhar com os demais aquilo que acreditamos, e a situação se agrava quando se trata de explicar o motivo de nossa crença. Embora seja uma mensagem dura, temos de ser sinceros e admitir que isto nada mais é do que o reflexo da nossa covardia e uma traição à nossa fé.

Considere o pedido e a advertência de Paulo em sua oração dirigida a nosso favor: “Perseverai em oração, velando nela com ação de graças; orando também juntamente por nós, para que Deus nos abra a porta da palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual estou também preso; para que o manifeste, como me convém falar. Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Cl 4.2-6).

Ao agir assim, podemos, de fato, experimentar a rejeição; afinal, Jesus chamou os que são perseguidos por causa do seu nome de “bem-aventurados”. “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós” (Mt 5.11,12). O apóstolo Pedro também ecoa as palavras do Mestre, dizendo: “Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus” (1Pe 4.14).  

Por outro lado, quando o Espírito Santo abençoar nossos esforços, as pessoas responderão com interesse, aceitando a nossa fé (Rm 1.16). Jamais podemos esquecer que Jesus possui toda a autoridade no céu e na terra, e que ele nos comissionou para declararmos e defendermos seu santo evangelho (Mt 28.18-20).
  

5. Arrogância e vaidade intelectual  


Ainda existem os fantasmas dos erros, das mentiras e da arrogância do apologista “sabe-tudo” que está mais interessado em exibir o seu arsenal de argumentos do que defender a verdade de uma forma sincera e com fins espirituais. O pecado que mais tem atacado os apologistas é o orgulho intelectual, e deve ser evitado a todo custo. A verdade que defendemos é um galardão da graça divina e não deve ser instrumento da nossa realização intelectual. Desenvolvemos nossas habilidades apologéticas para nos santificarmos na verdade, ganharmos almas para Cristo e glorificarmos a Deus. Temos de falar a verdade em amor (Ef 4.15). Verdade sem amor é arrogância; amor sem verdade é sentimentalismo.  

A arrogância intelectual também é manifestada quando alguns apologistas acusam outros cristãos de heresias sem evidências suficientes. Paulo disse para os líderes da igreja se precaverem contras as heresias no seio da igreja (At 20.28-31), porém, devemos ser vigilantes para não caluniarmos os cristãos da mesma fé, assumindo assim um comportamento pior do que os sectários. Não devemos desperdiçar nossas energias apologéticas atacando outros crentes enquanto os reais hereges e incrédulos arquitetam outros desvios doutrinários.

6. Técnicas apologéticas superficiais


Aqueles que são entusiasmados por apologética podem ficar satisfeitos com respostas superficiais para perguntas intelectualmente difíceis. Nossa cultura se contenta com respostas rápidas e vazias e a técnica para o desenvolvimento destas respostas impera. Alguns cristãos memorizam respostas apologéticas para responder às controvérsias filosóficas, como, por exemplo, “a origem do mal”, “o evolucionismo” e outros tantos temas, dispensando o compromisso profundo com o assunto e sem a preocupação de satisfazer a alma que gerou a pergunta. Muitos assuntos não são tão simplistas quanto seus títulos expressos nos livros fazem soar. Na realidade, uma abordagem superficial para uma questão profundamente filosófica pode pôr a perder uma grande oportunidade de ganhar uma alma. A apologética deve ser norteada pela integridade intelectual.  

O lema apologético do teólogo Francis Schaeffer era que os cristãos têm a responsabilidade de oferecer “respostas honestas a perguntas honestas”.

Primeiro, nós realmente temos de saber ouvir as pessoas que nos questionam. Temos de “entrar na mente” (em certo sentido) daqueles que julgam possuir “razões” para não seguirem a Cristo. Cada pessoa é diferente,  e por isso não devemos reduzi-las ou confiná-las aos nossos “clichês teológicos”.  


* Douglas Groothuis, PH.D, professor de filosofia no Seminário Denver e autor de sete livros.
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A FÉ REFORMADA NO BRASIL


Em 1517, um monge agostiniano alemão chamado Martinho Luthero, revoltado com muitas práticas anti-bíblicas que estavam sendo inseridas na igreja cristã, afixou na porta da Catedral de Wittenberg (onde costumeiramente eram colocados assuntos para discussão) uma lista de 95 teses de práticas da igreja jamais aprovadas ou citadas pelas Escrituras Sagradas pelas quais a mesma igreja dizia ser regida.

 
Seu objetivo era apenas reformar a única igreja na qual ele acreditava, porém as coisas tiveram uma repercussão muito maior. O estopim que levou Lutero a escrever as 95 teses foi a cobrança exagerada de indulgências em sua cidade por um homem chamado Tetzel, mas as teses consistiam em uma completa exposição bíblica sobre salvação e suficiência das Escrituras, um ataque aberto a muitas da práticas correntes da igreja.

O texto estava escrito em latim, pois destinava-se aos teólogos. Como já existia a imprensa e jornalistas porém, o texto foi traduzido em várias línguas espelhando-se por toda a Europa. Tudo isso desencadeou na excomunhão de Lutero da Igreja, mas não fez com ele voltasse atrás. Levantando-se contra séculos de tradição, firmado somente na Palavra de Deus, Lutero afirmava que jamais poderia ir contra a sua consciência, a menos que fosse provado na Bíblia que ele estava errado. Era o início da Reforma Protestante na Europa. Os reformadores ficaram conhecidos como "os protestantes". Seu Slogan era Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria, Solo Christi (Somente as Escrituras, Somente a Graça, Somente a Fé, Só a Deus dai gloria, Cristo somente).

Espalhando-se pela Europa a reforma chegou à Escócia com John Knox e o francês John Calvino(que aos 27 anos, em 1535 publicou As Institutas da religião Cristã - o escopo do pensamento reformado) sob o nome de presbiterianismo. Na França estes mesmos presbiterianos foram chamados de Huguenotes.

A Igreja Católica então iniciou a contra-reforma, perseguindo, excomungando e matando os protestantes ou qualquer que lesse ou possuísse seus escritos.

Perseguidos pela Igreja Católica na França, os Huguenotes fugiram para as Américas - novo e recém descoberto mundo.

Em 1557, quarenta anos após o primeiro ato de Lutero, chegou ao Rio de janeiro um grupo de Huguenotes com o objetivo de fundar aqui uma colônia chamada França Antártica, que deveria se caracterizar pela tolerância religiosa. Eram os primeiros Protestantes a pisar em terras .

Três pastores protestantes lideravam o grupo. Nesse grupo havia um homem, Villegaignon.

Ao aportarem no Rio esse homem os entregou às autoridades contra-reformistas. Alguns conseguiram escapar, mas quatro deles Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André la Fon, foram presos e condenados à morte. Eles foram presos não somente por aportarem no país que era colônia portuguesa, mas por estarem difundindo o Evangelho da Graça, que contrariava as doutrina Romana de salvação por fé e obras(o poder de Deus necessitaria da ajuda do homem no processo de salvação), agarrando-se à doutrina Bíblica defendida por Lutero - Somente pela fé.

Antes de serem executados porém, os protestantes eram obrigados a confessar sua crença uma vez mais, era um direito do governador exigir dos súditos uma confissão de fé. Era como uma última chance de renegar suas "heresias", ou para que pudessem ser indiscutivelmente condenados. Foi-lhes dado um prazo de 12 horas para que escrevessem num documento tudo quanto criam.

Em doze horas aqueles quatro homens, com ajuda apenas de suas Bíblias (pois não dispunham de outros livros com eles) escreveram o que seria a primeira confissão de fé das Américas, mostrando aos clérigos jesuítas tudo aquilo no que criam. Foi uma espécie de Credo, e eles sabiam que com ele estavam assinando sua sentença de morte.

No momento da execução o carrasco, por conhecer a vida piedosa daqueles homens, recusou-se a executá-los. Impaciente, o padre que os acompanhava, José de Anchieta, afastou o carrasco e ele mesmo pôs fim à vida daqueles homens. Era uma manhã de sexta-feira, 9 de fevereiro de 1558. Era aparentemente o fim do Protestantismo em terras portuguesas.

Só em agosto de 1859 um Americano presbiteriano Ashbel Gree Simonton, de 26 anos, aportou no Rio e, após se tornar um conhecedor da língua portuguesa, iniciou em 22 de abril de 1860, aos domingos de manhã, uma escola Bíblica. O primeiro brasileiro a se converter à fé reformada foi Serafim Pinto Ribeiro, a 22 de junho de 1862. Assim sendo a história do protestantismo no Brasil está intimamente ligada à história do presbiterianismo reformado.



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JOSÉ ERA ADIVINHO?

Por Gilson Barbosa

José não praticava artes divinatórias, mas foi Deus quem lhe concedeu a capacidade de interpretar sonhos

Segundo Gênesis 44.5, podemos dizer que José era adivinho?

“Não é este o copo em que bebe meu senhor e pelo qual bem adivinha?” (Gn 44.5).

Um dos maiores desejos do ser humano é saber o que acontecerá no futuro. É justamente esse o motivo que tem levado estudiosos e curiosos a se debruçarem sobre todo o tipo de pesquisas que satisfaça o seu ego. E, por conta disso, fazem faz uso de todas as formas de adivinhações, feitiçarias, encantamentos, etc. É comum a estas pessoas utilizarem artifícios como água, cartas, moedas, borra de café e até entranhas de animais para conseguir seu intuito.

Alguns dizem que José, no Egito, adivinhava pela água ou objetos líquidos, simplesmente pelo fato de o texto de Gênesis 44.5 dar a entender que ele adivinhava por meio da taça (copo) que fora colocada em um dos sacos de alimentos dos seus irmãos.

Se isso ficasse comprovado, poder-se-ia dizer que José não interpretava os sonhos por intermédio de Deus, mas, sim, por meio de práticas ocultistas e espíritas. Mas seria isso possível, visto que José servia a um Deus que condenava as práticas divinatórias? Não seria isso uma contradição? Obviamente que sim. Algumas perguntas iniciais em oposição a esta questão seriam: Todas as práticas divinatórias são 100% corretas? Todas se cumprem? São aprovadas pelo Deus verdadeiro?

Independente de se constatar os acertos ou os enganos das adivinhações, a Bíblia condena veementemente a prática divinatória: “Quando entrarem na terra em que o Senhor teu Deus te der [...] entre ti não se achará [...] nem encantador, nem adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos...” (Dt 18.9-11). 

Os profetas do Antigo Testamento eram considerados capazes e ungidos por Deus para que pudessem sua Palavra. No entanto, só prediziam sobre o futuro no sentido de conclamar o povo hebreu ao arrependimento. Pelo contexto da história, o que fica evidente é a intenção de José para com os seus irmãos de se fazer conhecido deles, porque, devido à sua separação no passado, não o reconheciam mais, e nem ao menos poderiam descobrir que José estava vivo (Gn 37.1-36; 39.1 – 44.5). Sendo assim, José teria de adotar estratégias para que pudessem saber que o novo governador do Egito era ele próprio.

A adivinhação era costume habitual entre os egípcios, o que não implica, necessariamente, atestar que José fazia uso de tais práticas. A Bíblia nos informa que as revelações de José provinham tão-somente de Deus. Note o que José disse aos dois oficiais de faraó: “E eles lhe disseram: Tivemos um sonho, e ninguém há que o interprete. E José disse-lhes: Não são de Deus as interpretações? Contai-mo, peço-vos” (Gn 40.8). Outrossim, quando faraó indagou a José sobre o sonho que teve, ele não recorreu nem mencionou que faria a interpretação por meio de elementos líquidos ou algo semelhante, antes, invocou a Deus: “E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a faraó” (Gn 41.16).

Logo, podemos ser taxativos em afirmar que José não adivinhava nem praticava artes divinatórias. Ao contrário, Deus o premiou com tal capacidade!
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A APARIÇÃO DE MOISÉS E ELIAS NA TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS

Por Gilson Barbosa

O propósito da aparição não era outro senão consolar Jesus

O fato de Moisés e Elias conversarem com Jesus legitima a comunicação com os mortos e a reencarnação?

Podemos afirmar categoricamente que os fatos que constatamos no episódio da transfiguração, no monte Hermom (Mt 17.1-3), não fundamentam, de forma alguma, uma sessão espírita ou um processo de reencarnação.

O Antigo Testamento condena a mediunidade, o que, pela hermenêutica, jamais poderia ser diferente nos escritos do Novo Testamento. Transfigurar-se, no caso em questão, significa “mudar de forma”. No monte, Jesus assumiu sua glória celestial (Mt 17.6). Lucas afirma que no encontro de Jesus com Moisés e Elias eles “falavam de sua partida”, ou seja, da morte de Cristo (Lc 9.31). O propósito da aparição não era outro senão consolar Jesus, pois os acontecimentos que o aguardavam eram extremamente angustiantes e demonstrariam a glória de Cristo em seu reino.

Ao contrário disso, a questão da comunicação com os mortos no espiritismo tem outro objetivo. Geralmente, os apelos ou justificativas que levam alguém a perseguir esse “contato” é a suposta necessidade de desenvolver a capacidade de mediunidade que a pessoa acredita possuir. Quando não, se deve à saudade de um ente querido que faleceu. No encontro relatado na Bíblia, porém, não houve quaisquer desses objetivos ou intenções. Podemos afirmar que aquela “reunião” foi exclusiva e não há precedente para a comunicação constante com os falecidos, ou seja, não há nenhuma invocação a líderes mortos, nem no Antigo nem no Novo Testamento. Ademais, é bom ressaltar que os discípulos não conversaram com Moisés e Elias, e muito menos os evocaram, julgando que os tais pudessem, de alguma forma, interceder por eles.

Em relação à reencarnação, o espiritismo a define como sendo o retorno da alma à vida corpórea, o que o texto bíblico desaprova totalmente, pois, se João Batista era a reencarnação de Elias – como classicamente apregoam os espíritas – quem deveria ter aparecido na visão seria João Batista, não Elias, principalmente porque João já havia sido degolado, por ordem do tetrarca Herodes (Mt 14.1-12).

A Bíblia ensina que a alma, após a morte, não vai para outro corpo, como querem os espíritas, mas que vai para o mundo espiritual, onde aguarda a ressurreição. E mais. Para que alguém reencarne é preciso que morra, o que, no caso de Elias, não aconteceu, pois o mesmo foi arrebatado. O texto em destaque, que aparenta ser um problema para os que pregam contra a comunicação com os mortos e a reencarnação, deve ser entendido levando-se em consideração o objetivo da referida aparição, lembrando que os discípulos não tiveram outra possibilidade senão testemunhar esta experiência ímpar. Se os discípulos encontrassem apoio para consultar os mortos, será que essa experiência não lhes daria amparo? Por que, após o ocorrido, eles não colocaram tal experiência em prática? Por que não ensinaram a reencarnação? A resposta não pode ser outra senão a reprovação bíblica quanto estas heresias espíritas.
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INVASÃO DO ORIENTE

Por Eguinaldo Helio
“... porque se encherem dos costumes do Oriente...” (Is 2.6)

O que seria de Portugal e da arte de navegação sem a bússola? Talvez estivesse ainda nas primeiras remadas e o mundo muito menos explorado e desenvolvido que hoje.

O que seria da arte e da escrita sem o papel? Talvez profunda, em termos de conteúdo, mas restrita em sua divulgação.

O que seria das guerras sem a pólvora? Difícil dizer.

Todas estas invenções, no entanto, viajaram do Oriente ao Ocidente, e vice-versa, e transformaram o mundo.

Todavia, o Oriente sempre foi avesso a intercâmbios com outros povos. É fácil notar isso na forma reservada com que os imigrantes japoneses, chineses e coreanos se relacionam com as outras pessoas aqui no Brasil.

Mas, de uns tempos para cá, este quadro vem mudando radicalmente. Não só o Ocidente parece querer absorver, com avidez e sem qualquer critério, tudo o que vem do extremo leste, como também os próprios orientais divulgam suas filosofias e conceitos religiosos com uma dedicação quase missionária.

Em 1935, o historiador Will Durant já havia detectado este fenômeno: “Em nossos tempos, a Europa recorre cada vez mais à filosofia do Oriente (alguns exemplos são: Bergson, Keyserling, Ciência Cristã, Teosofia). Por outro lado, o Oriente recorre cada vez mais à ciência do Ocidente. Uma Segunda Guerra Mundial pode deixar a Europa aberta ao influxo da fé e filosofias orientais...”.1 E, de fato, isto aconteceu.
ASPECTOS FILOSÓFICOS E RELIGIOSOS
O Ocidente tem sido invadido maciçamente por idéias filosóficas e religiosas importadas do Extremo Oriente, lembrando que, ali, a linha divisória entre filosofia e religião é muito tênue. Mesmo quando negam a religiosidade de suas práticas, os mestres da ioga e da meditação oriental, entre outras, não conseguem esconder o elemento religioso por trás delas.

Shotaro Shimada, professor de ioga há quase 50 anos, afirmou: “Ioga não é exercício, não é religião nem psicologia, porém, ao mesmo tempo, abrange tudo isto”. Depois prossegue em uma afirmação contraditória: “Ioga é a transformação da maneira de ser para o indivíduo entrar em sintonia com a natureza e com Deus”. Em nosso conceito, isto é religião. O difícil é saber o que ele quer dizer com Deus, se é o Pai do Jesus Cristo pregado pelo cristianismo ou um deus impessoal do Oriente.

A medicina é um claro exemplo. Algumas medicinas alternativas, por exemplo, têm sido aceitas até mesmo por certas entidades médicas, embora os conceitos por trás delas apresentem elementos totalmente estranhos à ciência ocidental. Fundamenta-se em conceitos que não podem ser constatados empiricamente, pois derivam de noções místicas e não científicas.

Também o Feng Shui, uma antiga arte chinesa de criar ambientes harmoniosos, oferecendo, dessa forma, um sistema completo ligado intimamente à natureza e ao Cósmico, vem sendo cada vez mais procurado, tanto para aplicações domésticas como para aplicações empresariais. Originou-se há cerca de 5000 anos, nas planícies agrícolas da China Antiga. A tradução literal do termo Feng Shui é “vento-água”. Mas, para os chineses, significa muito mais que isso. Acreditam que essa arte é como o vento, que não se pode entender, e como a água, que não se pode agarrar. Vemos, assim, a estranha aliança entre o pensa-mento ocidental, sempre tão lógico e objetivo, com o oriental, que, neste caso, se apresenta místico e subjetivo.

Outra vertente em que estes elementos podem ser destacados é a prática de esportes. Algumas artes marciais difundidas hoje adquirem contornos particulares aqui, diferenciando-se de seus conceitos místicos originais, porém, convém lembrar que nem mesmo as atividades físicas praticadas no Oriente eram dissociadas de sua visão da vida.

Não existe esta clara distinção entre vida secular e religiosa. Sem generalizar, estas práticas esportivas envolvem, mu-tas vezes, ritos e crenças.

Chacras, krishna, do-in, medição transcedental, incensos, saris, ioga, ofurô, yin e yang, mantra, avatar, etc. Estas são algumas palavras que, pouco a pouco, passam a fazer parte do cotidiano do Ocidente e caracterizam a influência espiritual que países como a Índia, China, Japão, etc, têm exercido sobre a nossa cultura. Muitas práticas orientais não se constituem em uma religião propriamente dita, mas envolvem conceitos religiosos. “Ser um com o Universo”, por exemplo, nada tem a ver com “nossa comunhão com o Pai e com o seu Filho, Jesus Cristo” (1Jo 1.3). A primeira admite um universo monista, no qual Deus é tudo e tudo é Deus, ressaltando que Deus, para um chinês, por exemplo, não é o mesmo que Deus para um judeu.
AS RELIGIÕES ORIENTAIS E A NOVA ERA
Os elementos cristãos nos ensinos correntes da Nova Era nada mais são do que uma forma de maquiar seus verdadeiros fundamentos, para que ser tornem mais aceitáveis ao pensamento ocidental. Uma espiritualidade que não inclua Jesus Cris-to, não inclua a fé ou os evangelhos, de algum modo será automaticamente olhada com desconfiança.

Mas estes conceitos são enfraquecidos por noções estranhas. Os adeptos da Nova Era afirmam que Jesus esteve, dos doze aos trinta anos, entre os sábios da Índia e do Tibete. Com isso, transformam Jesus em um guru oriental, ao invés de um Messias judaico. A fé é apenas fé, mas não uma fé em Cristo ou nos evangelhos. Não é uma fé objetiva, ligada aos fatos, porque a religião oriental é bastante relativista e intimista; ou seja, está mais ligada ao que cada um pode perceber do que aos fatos propriamente ditos. A revelação cristã, contida em suas Escrituras, é colocada em pé de igualdade com os livros sagrados das demais religiões. Se há alguma dose de cristianismo na Nova Era, certamente trata-se de um cristianismo segundo a visão oriental.

Os verdadeiros fundamentos deste movimento estão relacionados à religião oriental. Os verdadeiros critérios que regem sua espiritualidade e concepção do mundo e da vida se encontram no hinduísmo, no budismo e no taoísmo. A reencarnação, a doutrina do carma, o yin e o yang, a vinda de Maytréia, a meditação ao estilo hinduísta, etc., são elementos religiosos orientais. Embora outros elementos se acrescentem à Nova Era, como, por exemplo, a crença em discos voadores ou em figuras da mitologia nórdica ou animista, as principais bases são exatamente estas que acabamos de referir.

Não se pode dizer que esteja sendo realizada uma fusão entre o cristianismo e as religiões orientais. Na fusão não ocorre perda de valores e de conceitos. Podem ser agregadas certas noções, mas os fundamentos não se alteram. O cristianismo fez uma fusão com a filosofia grega em certos aspectos, mas continuou com os seus fundamentos. Tudo o que não se harmonizava com o cristianismo foi rejeitado.

É impossível haver uma fusão entre o cristianismo e as religiões orientais porque ambos são auto-excludentes. O Deus do cristianismo é transcendente à sua criação; ou seja, está além dela. Nas religiões orientais, Deus e natureza, criação e Criador se confundem, sendo um só. A salvação no cristianismo é um evento único, realizado de uma única vez, por meio da posse das promessas da graça pela fé. No Oriente, a salvação é um processo longo, que pode levar milhares de anos, realizado pelo auto-esforço. O cristianismo prega a ressurreição, que fundamenta uma única existência para cada ser. No hinduísmo, a reencarnação estabelece múltiplas existências da alma em diferentes corpos.

Devido a isso, nenhuma fusão é possível, e também não foi levada a efeito. Os elementos cristãos permanecem à margem dos fundamentos gerais e, mesmo assim, são distorcidos, para que possam ser adaptados às noções hindus e budistas.

Ainda deve ser levado em conta que a síntese é cultural e não religiosa em seus aspectos. Claro que, culturalmente, o cristianismo assume certos aspectos locais, quando floresce no seio de nações orientais. No norte da Índia, ou na China, ou mesmo na Coréia do Sul, o cristianismo evangélico floresce e apresenta contornos de acordo com sua localização, mas continua mantendo os mesmos fundamentos do cristianismo em geral, de modo que pode ser identificado e comparado com o cristianismo evangélico de qualquer outra parte do mundo. Não é o caso do cristianismo da Nova Era, que não passa de uma mistura do budismo, do taoísmo e do hinduísmo, mas de forma disfarçada.
O CARÁTER EXCLUSIVISTA DO CRISTIANISMO
O cristianismo bíblico é exclusivista em sua natureza, o que significa que não aceita sincretismos e misturas. Quando isso acontece, perde sua essência e deixa de ser cristianismo. Veja que o catolicismo apresenta, tanto na América do Sul como na Central, alto grau de sincretismo com as religiões pré-colombianas e africanas. A maioria dos elementos dessas religiões foi adaptada ao cristianismo.

No caso do protestantismo, houve aculturação ou síntese cultural, mas não sincretismo. A fundamentação bíblica do cristianismo evangélico impede que elementos não-cristãos venham se sobrepor aos conceitos revelados nas Escrituras Sagradas. Por isso, jamais as religiões orientais poderão reformular o cristianismo.

Podem até distorcê-lo, mas, neste caso, deixará de ser cristianismo.

A seguir, alguns fatores que atestam o caráter exclusivista do cristianismo:
Jesus é único
Primeiramente, Jesus é a pedra angular e o alicerce do edifício cristão. Isto significa que é impossível um cristianismo verdadeiro sem um Cristo verdadeiro. E um Cris-to verdadeiro só pode ser extraído dos documentos do Novo Testamento.

• “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12).
• “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6).
• “... mas veja cada um como edifica sobre ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cris-to” (1Co 3.10,11).

A fé cristã se fundamenta em fatos

Em segundo lugar, a fé cristã se apóia em fatos. É uma fé histórica. Não está fundamentada em experiências particulares e subjetivas. As religiões orientais, ao contrário, fundamentam-se na experiência individual. Cremos que a nossa salvação se fez efetiva porque Jesus Cristo, o Filho de Deus, tornou-se homem, viveu neste mundo, morreu pelos nossos pecados na cruz, ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus. Estes são os principais eventos nos quais se apóiam a nossa fé e a nossa esperança.

• “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio, e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio” (Lc 1.1-3).
• “E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1Co 15.14).
• “Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade” (2Pe 1.16).

As religiões orientais não fazem distinção entre fatos e lendas. Rama e Krishna, deuses importantes do panteão hindu, tiveram suas vidas narradas entre os homens, embora não haja nenhuma fundamentação histórica para isso. E, dentro do conceito hindu sobre verdade religiosa, isso não faz nenhuma diferença. O mesmo se dá com as lendas em torno da pessoa de Sidarta Gautama, o Buda. História e lenda se misturam sem que isso faça qualquer diferença para os conceitos budistas. Da mesma forma, o taoísmo introduziu diversas lendas populares no seu desenvolvimento histórico sem qualquer constrangimento. Essa gritante diferença de visão de mundo, da história e dos objetos da fé torna impraticável qualquer associação entre as religiões orientais e o cristianismo.
A BÍBLIA É ÚNICA

O último ponto que desejamos ressaltar é a singularidade da Bíblia Sagrada. Ela é taxativa em defender sua inspiração e em recusar alterações posteriores. Coloca-se como único instrumento de revelação escrita à humanidade.

• “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele. Nadaacrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado menti-roso” (Pv 30.5,6).
• “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Is 8.20).
• “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29).
• “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hb 1.1).
• “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro” (Ap 22.18,19).

Não existe lugar no cristianismo para concordância com os diversos livros sagrados das mais variadas religiões e seitas. Duas afirmações contraditórias não podem estar certas, ao mesmo tempo. As proposições bíblicas se chocam com as proposições dos livros sagrados das religiões orientais. Se para as religiões de origem oriental isso não faz diferença, para o pensamento cristão sim. A Bíblia, por sua inspiração, é o único livro que merece ser considerado a Palavra de Deus!
SEPARANDO OJOIO DO TRIGO
Claro que não podemos nos tornar xenófobos2, temendo e discriminando tudo o que vem do Oriente. O intercâmbio entre o Leste e o Oeste é útil, inevitável e necessário. Mas temos de ser total-mente conscientes do conteúdo daquilo com o que estamos travando contato. É como um filme ou um livro. Teremos de assisti-lo ou lê-lo, mas cabe entender como o seu conteúdo está atingindo nossa maneira de ver e de pensar. A melhor solução não é o ascetismo, o isola-mento, mas o discernimento que vem com o conhecimento e a reflexão: “Examinai tudo. Retende o bem” (1Ts 5.21).

Nem tudo o que é do Oriente é mau, assim como nem tudo o que é do Ocidente é bom. Mas tudo o que vem da Palavra é bom e ela deve ser a nossa “peneira”, com a qual distinguiremos a verdade da mentira. A tolerância é sempre uma faca de dois gumes. Quando ausente, leva o homem a conflitos desnecessários. Quando excessiva, leva-o a perder a identidade. E perder a identidade é algo que a Igreja de Jesus Cristo não se pode permitir, de forma alguma.
Notas
1 História da civilização,nossa herança Oriental , Will Durant,Record,1935/63,p.373.
2 Aversão a pessoas e coisas estrangeiras.
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