quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O PERIGO DE QUERER BARGANHAR COM DEUS (Lição 8 - Subsídio EBD)

Por Gilson Barbosa


Antes de começar a ler, por gentileza, assista esse breve vídeo do pastor Paul Washer. Ele nos leva a refletir se estamos sendo omissos ou não, na causa da pureza do evangelho.





Barganha e permuta são expressões correlatas. Basicamente trata-se de um acordo ou troca. O Dicionário Aulete informa que juridicamente é um “acordo pelo qual os contratantes trocam entre si coisas que a eles pertencem”. Supõem-se uma espécie de relação ou interação entre duas ou mais pessoas e também, que, uma das partes possui condições privilegiadas, qualitativas, melhores ou maiores que a outra. Uma exigência da barganha é que as partes tenham algo real, existente e verificável para permutar ou fazer acordo. Isso é o que acontece comumente na economia em geral, nos contratos diversos, nas indústrias e comércios.

Tendo em mente o que foi dito acima, é importante sabermos que os pregadores da Teologia da Prosperidade, bem como seus adeptos, agem da mesma forma com Deus. Não se importando com a Soberania de Deus, com o Ser de Deus, imaginam que sabem mais sobre o que é melhor para si ou sua vida, e no afã de conseguirem o que querem chegam às raias do absurdo de, mentalmente, “colocar Deus na parede”. Trata-se da Teologia da Barganha – ensino da Teologia da Prosperidade.

Um exemplo bíblico de barganha, no Antigo Testamento, aconteceu entre os irmãos Jacó e Esaú (leia Gênesis 25.29-34). Aquele, “esperto” que só, aproveitando-se da fraqueza de seu irmão, propôs um acordo. O incidente ocorreu por uma questão sociocultural, em que o filho mais velho tinha direito: a primogenitura. O autor Samuel Suana (Pentateuco – IBAD) informa o que segue, sobre essa questão:

Primogenitura era a condição estabelecida por direito ao filho primogênito, isto é, o primeiro filho de sexo masculino nascido na família. A ele eram dados alguns privilégios e também algumas responsabilidades. Teria ele a maior parte da herança da família, o direito de uma benção especial e à autoridade, transferida pelo pai, dando status e nome. Era também seu dever assistir seus pais em idade avançada, dando-lhes toda a assistência e amor.

No entanto, a Bíblia (Gn 25.34) relata que Esaú desprezou seu direito de primogenitura ao trocá-la por uma porção de comida: “E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura”. A Bíblia de Estudo de Genebra diz que Esaú ao desprezar a sua primogenitura desprezou as promessas de Deus: “E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura” (Hb 12.16). No aspecto humano Esaú banalizou algo valioso e se deu mal.

Entrementes alguém pode arrazoar a possibilidade de respaldo bíblico para uma espécie de “barganha positiva” e exemplificar o personagem Abraão quando dialogou com Deus sobre a justiça de certos moradores de Sodoma. O fato se deu quando ele rogou pelos poucos justos que habitavam em Sodoma e Gomorra e que por causa do pecado e do baixo padrão moral dessas cidades Deus havia determinado destruí-las:

“Disse-lhe, pois, o Senhor: ‘As acusações contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que tenho ouvido. Se não, eu saberei”’ (Gn 18.20).

Apesar da oração intercessora de Abraão retratar uma espécie de negociação entre ele e Deus, o acontecimento tem o sentido de ajudar alguém, solicitando o favor Divino. É notório, também, que o acordo foi unilateral, pois, Deus havia ponderado ser positivo e necessário julgar os habitantes das cidades em questão. O que faz Abraão então? Roga a Deus em favor dos justos que estavam em Sodoma e Gomorra. Nessa intercessão ele “negociou” com o Senhor, para o livramento daqueles:

“E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio?” (Gn 18.23).

Então, ele sugere ao Senhor: “e se houver em Sodoma cinquenta justos... quarenta e cinco... quarenta... trinta... vinte... dez...?”.  Infere-se que não havia na cidade nem dez justos, pois Deus a destruiu, e no versículo 32 Ele diz a Abraão que se houvessem dez justos não destruiria a cidade. Caso tivesse dez justos na cidade, fica claro que o Senhor não ouviu a oração de Abraão. Esse tipo de “negociação” com Deus não é errado, pois visa abençoar o próximo. Será que os pregadores da Teologia da Prosperidade “negociariam” com o Senhor o livramento, a salvação de alguém, nos moldes da história de Abraão? Creio que não, pois, suas barganhas e negociações são exclusivamente individualistas, materialistas e interesseiras.

Contudo, as linhas acima sobre a “barganha positiva” entre Abraão e o Senhor Deus é apenas sugestivo, pois, creio que barganhar ou tentar negociar com Deus é geralmente negativo e não positivo, visto que, Deus é Soberano, Onisciente e Poderoso.

O exemplo bíblico negativo está registrado em Mateus 4.1-11, na passagem conhecida como A tentação de Jesus. Satanás tentou, com todo ímpeto, negociar com Jesus fazendo acordo por meio de barganhas.

A primeira tentação propõe que Jesus transforme pedras em pães. Satanás sabe que não é fácil suportar a fome: “Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães” (v. 3). Se Jesus realizasse esse milagre comprovaria de fato ser o Filho de Deus. Por ocasião do batismo Deus havia dito sobre Jesus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17). Agora, é como se Satanás dissesse “Você atende meu pedido, comprova sua filiação Divina, e também prova seu poder”. Porém, Jesus se recusa a usar seu poder para aliviar a fome física e responde com autoridade: “Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4). O autor Joel R. Beeke diz o seguinte sobre essa conversa inicial:

Jesus fala com autoridade; sua resposta é firme. Diferente de Eva, Ele não debate com Satanás. Ele não chama um exército de anjos para expulsar o diabo. Ele não usa seu divino poder, pois está vivendo no mundo como Servo sofredor de Deus. A única arma que Ele usa é a espada do Espírito, a Palavra de Deus. 

Nada de negociação, nada de barganha! Jesus não precisava provar ou comprovar nada a Satanás. Da mesma forma, Deus não tem que provar nada para os teólogos da prosperidade. Ele não é obrigado a realizar milagres para isso - nem atender suas solicitações, que quase sempre não passam de caprichos pessoais. Jesus poderia operar um milagre da transformação de pedras em pães, mas, estava resolvido a cumprir a vontade de Deus. Era o mais certo a fazer.  Os adeptos do evangelho da prosperidade desconsideram a vontade soberana de Deus quando exigem que Ele responda obrigatoriamente suas orações e atenda detalhadamente suas solicitações. No fundo, a barganha retrata uma natureza egoísta, interesseira, má intencionada, orgulhosa e individualista. John Macarthur, em sua Bíblia de Estudo, comenta o seguinte:

A condicional “se” tem, nesse contexto, o sentido de “uma vez que”. Satanás não tinha dúvida de quem Jesus era, mas o seu objetivo era levar Jesus a violar o plano de Deus e usar o poder divino do qual ele havia aberto mão em sua humilhação humana (cf. Fp 2.7).

Os pregadores da prosperidade querem que vivamos apenas do pão terreno, que desprezemos a vontade de Deus, sua verdade e a suficiência da sua Palavra, revelada nas Escrituras Sagradas. Isso é inadmissível.

A segunda tentação era fazer que Jesus agisse como uma espécie de superstar; que demonstrasse seus sinais e maravilhas para atrair seguidores; que provocasse o sensacionalismo nas multidões. Novamente, seu poder sobrenatural serviria como forma de atitude exibicionista e narcisista:

“Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra” (Mt 4.6).

De modo oposto ao sentido original do texto bíblico (Sl 91.11,12) Satanás diz que os anjos o protegerão, se ele pular do topo do templo abaixo. No entanto, esse texto não endossa a atitude da pessoa que busca testar a Deus, correndo um risco desnecessário, em vez de confiar Nele.  Em termos de interpretação bíblica, os pregadores da prosperidade utilizam o mesmo método do diabo – interpretar um texto fora do seu contexto.

Temos sabido de pessoas que pegam em serpentes, acreditando que a fé em Deus e a crença na sua promessa – baseada num entendimento errado de Marcos 16.18 – os livrarão de serem mortos, caso sejam picados por serpentes. Essa atitude nada mais é que “tentar ao Senhor Deus”. A tentativa do Diabo era que Jesus recebesse exaltação antes do tempo – ele teria que sofrer primeiro - usando meios carnais para atrair seguidores. O comentarista William Hendriksen diz o seguinte: 




A obediência à proposta de Satanás era tentadora, porquanto que homem existe que, ao ser solicitado que comprove um argumento que fizera, não sinta que deve fazê-lo imediatamente sem primeiro perguntar a si mesmo: “Que direito tem o meu incitador de pedir-me que faça tal comprovação?” Jesus, contudo, não cai nessa armadilha. Ele percebe que fazer o que Satanás está pedindo, equivaleria a trocar a fé pela presunção, a submissão à orientação divina pela insolência. Significaria nada menos que arriscar-se à autodestruição. A falsa confiança no Pai, que o diabo exigia de Jesus nesta segunda tentação, não era melhor a desconfiança que lhe propusera na primeira. Equivaleria a fazer experiência com o Pai. (Comentário de Mateus).

A terceira tentação torna evidente que o diabo é mesmo “uma cara de pau”. Por meio de uma visão (segundo comentaristas renomados), o diabo mostra a Jesus “todos os reinos do mundo” e oferece-o em troca de adoração:

“Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles; e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares” (Mt 4.8,9).

Numa barganha, as partes, obrigatoriamente, devem possuir algo para negociar e o diabo arrogou ser senhor de direito sobre todos os reinos do mundo. Contrariamente, a Bíblia diz que é Deus o dono deste mundo e é Ele quem o sustenta e o governa: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24.1). As três tentações foram feitas a fim de que Jesus fugisse da cruz, pois, caso ele cedesse a uma delas, o plano divino sucumbiria.

O diabo tentou barganhar com Jesus, e não devemos praticar esse princípio negativo. A moda ultimamente é pregar sobre sementes e esse tipo de pregação sempre acaba se desembocando numa barganha com Deus. Até mesmo os dízimos tem sido elemento de barganha ou moeda de troca (leia postagem sobre as sementes aqui). Lindolfo Alexandre de Souza[1] no seu texto sobre a teologia da prosperidade diz que,

A lógica da Teologia da Prosperidade, portanto, fundamenta-se nas promessas de sucesso material e financeiro para quem é fiel a Deus. Como consequência, o nível de sucesso depende do valor da contribuição financeira. Assim, seu discurso apresenta uma proposta de troca, de barganha entre o fiel e Deus. Mas como Deus não vem pessoalmente receber as doações, elas devem ser entregues àqueles que se colocam como representantes do divino.

No vídeo que postei no início deste artigo Paul Washer nos adverte, quando comenta sobre o erro da omissão. Ver um ato violento impetrado contra alguém e não denunciar é crime. Da mesma maneira, ver a igreja de Cristo sendo “violentada” por pregadores de heresias, tais como essa de barganhar com Deus, e não denunciar esse falso evangelho, é pecado.

Sobre a questão de fazer prova com Deus, a fim de receber as bênçãos prometidas em Malaquias 3.10, comentarei em outra oportunidade. Porém, se não interpretarmos corretamente esse versículo incorreremos no mesmo erro dos falsos mestres: barganhar com Deus.

Que Deus nos dê animo para combatermos essas e outras heresias!

Em Cristo,



[1] Lindolfo Alexandre de Souza é jornalista, professor da PUC-Campinas e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).
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A IMORALIDADE GLOBAL

Fico pensando em que quantidade o Big Brother Brasil poderia contribuir positivamente para a sociedade brasileira. É óbvio que não há nada positivo ou que se aproveite nele. Até mesmo pessoas não crentes, mas sensatas, reclamam da baixa moralidade do programa. É estranho as pessoas criticarem o papel social das igrejas evangélicas e manterem um reality show tão vil e imbecil quanto este.  Leia a matéria que postei sobre o Big Brother Brasil aqui. A notícia abaixo deu no Jornal Folha de São Paulo.  


"BBB12" exibe sexo entre Laisa e Yuri

16/02/2012 - 02h30

DE SÃO PAULO
O "BBB12" exibiu o casal Laisa e Yuri fazendo sexo no quarto do líder.
A imagem dos dois debaixo do edredon foi exibida para os telespectadores do pay per view e por alguns segundos para os assinantes da internet.
Laisa e Yuri faziam movimentos que claramente mostravam que os dois faziam sexo.
Pouco tempo depois, com o ato já terminado, Yuri comentou: "parece um sonho".
O casal havia deixado a festa pouco mais de meia hora antes.
O assunto logou tomou conta do Twitter, com os usuários do microblog comentando a intensidade da cena e criticando a atitude do casal.
Frederico Rozário/Divulgação TV Globo
Yuri e Laisa, os pombinhos do "BBB12"
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sábado, 11 de fevereiro de 2012

TUDO POSSO NAQUELE ME FORTALECE (Subsídio EBD)

Por Gilson Barbosa



Os irmãos filipenses receberam a carta paulina por mãos de um obreiro chamado Epafrodito. Este havia sido enviado pela igreja local para levar donativos ao apóstolo encarcerado em Roma, conforme Filipenses 4.18: “Mas tenho tudo; tenho-o até em abundância; cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus”. Ele também devia informar Paulo acerca da igreja. De maneira geral a igreja ia bem, pois não é apresentado, na carta, algum tipo de problema que pudesse deixar o apóstolo triste ou preocupado – a não ser os casos comuns como perseguição, maus obreiros, talvez desentendimentos entre os irmãos.

A igreja estava preocupada com a situação do apóstolo, encarcerado, e desejava ter informações a respeito (leia Filipenses 1.12-26). Após fundação da igreja em Filipos (At 16.9,10) – a primeira em solo europeu – o apóstolo Paulo retornou a cidade em outras duas ocasiões (At 20.1-6; II Co 2.13). A igreja iniciara com a conversão de uma mulher – Lídia. Temos informações que ela era uma mulher de negócios, vendedora de púrpuras, e, que de alguma forma sua alma anelava conhecer mais a respeito do evangelho de nosso Senhor – talvez tivesse sido criada no paganismo. Tudo indica que era uma mulher bem sucedida no seu comércio, e isso antes de receber o genuíno evangelho. O comentarista William Hendriksen arrisca dizer que Lídia bem poderia ser dona de uma importadora de roupas ou tecidos, pois, a cidade natal dela – Tiatira – era o centro da indústria de roupas de púrpura.  

Foi também em Filipos que o apóstolo Paulo, junto com Silas, fora preso após expulsar um espírito adivinho (demoníaco) de uma jovem. Enquanto no Brasil aconteceu de um pregador da teologia da prosperidade ser preso (nos EUA) por esconder dinheiro ilegalmente dentro da Bíblia, os apóstolos foram presos por pregarem fielmente o evangelho de Cristo. Que enorme e gritante diferença! As acusações contra os apóstolos nada tinha a ver com corrupção ou tentativa de enganar a Receita Federal, mas de libertar, por meio de Cristo, “uma jovem que tinha um espírito adivinhador, e que, adivinhando, dava grande lucro a seus senhores” (At 16:16). Este fato lhes custou à tranquilidade, pois, foram arrastados à praça da cidade, e diante das autoridades e da multidão foram açoitados (At 16.19-22). Se as autoridades os expulsassem da cidade estava bom, mas, infligindo maior sofrimento ordenaram ao carcereiro que os colocasse na prisão e guardasse com toda a segurança. Causa-me impacto saber que Paulo e Silas não blasfemaram, reclamaram ou murmuraram, contra Deus, e nem decretaram, declararam ou fizeram confissão positiva acerca do livramento da prisão, mas, se puseram a orar e cantar. E para tanto, temos de ter uma “medida especial da graça de Deus”. O milagre sobrenatural Divino – a abertura da prisão após um terremoto – resultou na conversão do carcereiro e sua família (At 16.30-34).

Eis, nestas linhas acima, dois relatos importantes do início da igreja em Filipos. Tendo estabelecido a igreja, era imperativo o apóstolo cuidar dela em tudo - assim como fazia com as demais. Incapacitado de estar presente, pela prisão, o apóstolo procurava animar e fortalecer a fé e a alegria dos irmãos. Pessoalmente fortalece minha fé quando leio Paulo dizer aos irmãos o seguinte : que o que tinha acontecido (sua prisão e outros sofrimentos por causa do Evangelho de Cristo) contribuiu para o progresso do evangelho e que eles seriam estimulados no Senhor por “suas algemas” (1.12-14); o cristocentrismo de Paulo é evidente quando afirma que para ele o viver é Cristo e o morrer é lucro (1.21). A expressão o viver é Cristo significa derivar de Cristo sua força espiritual e até mesmo pessoal (4.13); ter a mente, os sentimentos e a humildade que Cristo teve (2.5-11); estar coberto pela justiça de Cristo (3.9); alegra-se Nele (3.1; 4.4); é viver para a glória Dele (II Co 5.15); descansar a fé em Cristo e amar-lhe em resposta de seu amor (Gl 2.20).

No capítulo 2 vemos o apóstolo incentivando os irmãos filipenses a viverem uma vida de unidade, humildade e solicitude:

- unidade: “completai o meu gozo, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa” Filipenses 2:2
- humildade: “nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo” Filipenses 2:3
- solicitude: “não olhe cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” Filipenses 2:4

Paulo diz no versículo 2 que sua alegria só estaria completa se os irmãos praticassem estas três virtudes: unidade, humildade e solicitude. Apesar de a igreja filipense ser motivo de alegria e coroa do ministério apostólico de Paulo eles tinham de buscar as três virtudes acima expostas, pois não poderiam deixar que nenhum tipo de desentendimento ou desunião ocorresse entre eles. É o caso de duas valorosas obreiras do Senhor que foram alvos da exortação paulina: “Rogo a Evódia, e rogo a Síntique, que sintam o mesmo no Senhor” (Fp 4:2). É claro que até certo limite as diferenças pessoais, intelectuais, doutrinárias ou teológicas são aceitas, mas não devem minar a unidade, a humildade e a solicitude entre os irmãos em sua comunhão.

Na seção 5-11 (capítulo 2) temos o exemplo de Cristo na humilhação. Paulo deseja que os irmãos imitem a Cristo, pois, a essa é a regra. Concordo com o pensamento que devemos ter alguns dos nossos abnegados irmãos e irmãs, tementes a Deus, como uma referência para nossa vida, mas, isto deve ser exceção, não regra. Devemos ter em mente, também, que a situação e o contexto bíblico que estavam inseridos os irmãos, que servem de modelo para a nossa fé cristã, é outro (Hb 11.4-40; I Co 11.1; Fp 3.17). Por causa do cânon bíblico a posição dos homens e mulheres de Deus, nas Escrituras Sagradas, é singular e ímpar. A Bíblia nos convida a olharmos para Cristo: “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hb 12:2). Acerca disso a Bíblia de Estudo de Genebra anota neste texto:

A nuvem de testemunhas do Antigo Testamento nos inspira, porém o nosso encorajamento principal se encontra na pessoa e obra de Cristo, que nos precedeu como o “Autor e Consumador da Fé” e é exemplo supremo de fé na carreira.

Noutras palavras: Os irmãos deveriam buscar a humildade e praticá-la, pois no texto em questão, Cristo nos deu exemplo de que (Ele) para salvar outros, renunciou a si mesmo. Está na mente do apóstolo ainda os versículos 2-4 – que retrata algumas das virtudes cristãs. Havendo unidade, humildade e solicitude não haveria partidarismo, orgulho, conflitos, discórdias, exaltação humana. Parece ser esse quadro negativo o que acontece hoje em dia na maioria das igrejas. Por falta de unidade, humildade e solicitude, os obreiros-líderes estão naufragando em suas vocações ministeriais. Assim como Cristo se humilhou ao deixar o céu, da mesma forma como abriu mão de alguns dos seus atributos (não da sua Divindade), da mesma maneira como nunca pensava só em si mesmo, os filipenses – e nós hoje – deveriam imitá-lo. Até aqui nada da teologia da prosperidade. É caso de perguntar: Paulo pregava um evangelho de facilidades, sucesso, vitórias? Ele sabia desse método de pregação? Se sim, por que não fez uso dele para “abençoar” os crentes filipenses? Reflita.


Na seção 19-30 (capítulo 2) lemos que Paulo promete enviar Timóteo a Filipos o mais breve possível para ter conhecimento da situação dos irmãos. Ele espera enviar Timóteo antes que o pior aconteça (possivelmente sua morte) – note a expressão “espero no Senhor Jesus” (v.19). Porém, não obstante essa intenção, diz Paulo que julgou necessário mandar aos filipenses o irmão Epafrodito (v.25). Este era um líder espiritual na igreja de Filipos; estava agora com o apóstolo, mas, havia sido enviado pela igreja de Filipos para levar algum donativo a Paulo (4.18); porém, ao cumprir essa missão ficou gravemente enfermo (2.27,30). Pergunto: Por que Paulo não decretou a cura ao irmão Epafrodito? Por que não ensinou aos irmãos filipenses a inaceitabilidade de nenhum tipo de enfermidade, pois estas denotam falta de fé e espiritualidade? É lógico que o motivo é porque Paulo sabia que esse procedimento não fazia parte do fiel evangelho de nosso Senhor.

Preciso dar um salto textual e ir direto ao versículo que está sendo analisado nessa lição bíblica – Filipenses 4.13. Todo o estudante, iniciante de teologia, sabe – se não, logo saberá – que para interpretarmos fielmente um texto bíblico temos de analisar o contexto em que está inserido determinado versículo. O contexto pode ser imediato ou geral. Olhando para o contexto apenas da carta, aos filipenses, não temos nenhuma evidencia ou indicação de que Paulo acredita num ensino semelhante ao evangelho da prosperidade. Por que então o versículo 13, do capítulo 4, poderia ensinar esse tipo de teologia?  

A partir do versículo 10 (capítulo 4) o apóstolo Paulo agradece o donativo enviado pela igreja e se alegra da generosidade deles: “Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade”. Os irmãos filipenses, de fato, eram muito solícitos:

Como vocês sabem, filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja partilhou comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês; pois, estando eu em Tessalônica, vocês me mandaram ajuda, não apenas uma vez, mas duas, quando tive necessidade. Filipenses 4:15,16

Alguns veem na expressão de Paulo, “não estou dizendo isso porque esteja necessitado” Fp 4:11, um motivo que respalda a pregação da prosperidade, pois, ele não tinha necessidade de nada. Mas, na verdade, o versículo quer dizer (e diz) que a verdadeira razão e alegria de Paulo não estão no fato de que suas necessidades materiais estão sendo satisfeitas. Ao contrário, apesar das circunstancias, ele está satisfeito. O contentamento dele está na experiência da sua conversão, e, as provações, por amor a Cristo, tinham proporcionado a ele grandes lições e maturidade espiritual. Por isso podia dizer:

Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Filipenses 4:12

Paulo está ciente das lutas, provações, dificuldades, mas, apesar disso está contente. Porém, a fonte desse contentamento não é sua condição financeira, a saúde do corpo, a vida mansa (nada disso estava acontecendo com ele), mas, é Cristo. Ele diz que sabia passar por necessidades (II Co 11.27), ou seja, fome, sede, jejuns, frio, nudez, sofrimentos físicos, tortura mental, perseguição; e sabia padecer necessidades, ou seja, em muitas ocasiões ele não tinha nem o necessário; faltava-lhe muitas coisas, mas, nenhuma dessas ausências lhe privou de contentamento. Possuía uma fé firme, inabalável e convicta.    A grande mazela da pregação da teologia da prosperidade é produzir crentes fracos, inconstantes, infiéis, reclamadores, sem convicção.

Então Paulo irrompe num grandioso louvor: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13). A graça de Cristo é suficiente a ele (II Co 12.10), pois, o Senhor está ao seu lado (II Tm 4.17). Cristo, para ele, é a fonte de ânimo e vigor: “Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte” (2 Co 12:10).  

A expressão tudo posso, do versículo 13, não deve ser entendido como se fosse tenho tudo e também nada tem a ver com saúde física ou prosperidade financeira. O que deve ser entendido é que sob quaisquer circunstancias, tanto gerais como particulares, Paulo havia aprendido o “segredo” do contentamento. É isso que os crentes devem saber também hoje.

É claro que o crente pode confiar no cuidado e na provisão de Deus. O versículo 19 (cap. 4) diz: “O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus”. Paulo havia experimentado esse amoroso cuidado de Deus em seu ministério: “Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada, e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão” (2 Tm 4:17). O que está declarado nesse texto é a provisão Divina e que ela não é automática ou autônoma, mas, em Cristo. Das muitas maneiras que Deus demonstrava cuidado pessoal com o apóstolo Paulo, uma, foi comover os irmãos filipenses a  abençoarem sua vida enviando donativos a ele. Isso não significa que não seremos privados de alguma coisa nesta vida, mas, que Deus soberanamente está cuidando de nós.

A Ele a glória!

Em Cristo,


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sábado, 4 de fevereiro de 2012

A PROSPERIDADE DOS BEM-AVENTURADOS (Subsidio EBD)


Por Gilson Barbosa


Jesus apresentou aos judeus o governo de Deus. Obviamente eles consideraram um absurdo, pois, inconformados com a escravidão e jugo estrangeiro esperavam que o Messias, vaticinado pelos profetas, os libertasse e expulsasse da sua terra os intrusos invasores; isso traria um sentimento de justiça e liberdade nacional. Porém, quão grande foi à decepção quando Jesus clarificou, a eles, que seu objetivo não era político, mas espiritual.

O autor Lucas informa seus leitores sobre um episódio onde os fariseus indagam Jesus sobre o tempo da implantação do reino de Deus. Eles aguardavam um reino temporal, visível, físico, exterior. Talvez esperassem que Jesus, num momento propício, empunharia armas, reuniria seus seguidores, e montado num vigoroso cavalo anunciaria que o tempo do reinado de Deus havia chegado, e, portanto, deveriam subjugar os romanos. Centenas de anos antes, alguns entre os judeus, haviam decidido não aceitar o jugo sírio sobre a Palestina, no tempo do general Antíoco Epifânio. Este afrontou os judeus, seu modo de vida e sua religião, o que resultou na revolta dos macabeus:

Judas Macabeu encabeçou uma campanha de guerrilhas de extraordinário sucesso, até que os judeus se viram capazes de derrotar os sírios em campo de batalha regular. A Revolta dos Macabeus, entretanto, foi também uma guerra civil deflagrada entre os judeus pró-helenistas e anti-helenistas. O conflito prosseguiu mesmo após a morte de Antíoco Epifânio (163 a.C.). Finalmente, os Macabeus recuperaram a liberdade religiosa, consagraram novamente o templo, conquistaram a Palestina e expeliram as tropas sírias da cidadela que ocupavam em Jerusalém. (Panorama do Novo Testamento – Robert H. Gundry)

O contexto histórico motivavam os judeus a esperarem um libertador do jugo estrangeiro, porém, a resposta de Jesus, quando indagado acerca do tempo de liberdade e do governo de Deus, indicou que possuíam um conceito errado acerca da natureza do reino de Deus, pois este era essencialmente espiritual.

E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós. (Lc 17.20,21)

Nesta lição bíblica, trataremos sobre a natureza ou o caráter dos cidadãos do reino de Deus. Mas, antes, é importante que o leitor entenda o significado do governo de Deus: seu reinado nos corações e nas vidas das pessoas. Porém, por causa do alto conceito das leis deste reino e do seu caráter essencialmente espiritual, penso que ninguém conseguirá atender e cumprir as exigências sem primeiro passar pelo processo da regeneração (Jo 3.3,5). Para tanto, é importante iniciarmos o assunto buscando entender a quem se destina e aplica o Sermão do Monte.

O Sermão do Monte é o primeiro dos cinco grandes blocos do ensino de Jesus em Mateus. É a afirmação clássica da ética do reino de Deus. A igreja primitiva favoreceu uma interpretação literal, porém aplica integralmente o sermão apenas a classes especiais de cristãos, especialmente monásticos. Outros, tais como os anabatistas, tem tentado aplica-lo literalmente a todos os cristãos. Ainda outros o têm considerado como legalista, como um código temporário ou provisório, ou como uma forma realçada da lei de Moisés, com o objetivo de induzir ao arrependimento (Lutero). Finalmente, alguns têm arguido que as exigências do Sermão, não devem ser entendidas literalmente, mas que Jesus mais preocupado com a disposição interior do que com a conduta exterior, ou que a sinceridade do Sermão intentava quaisquer compelir ouvintes a uma decisão a favor ou contra as exigências de Deus sobre suas vidas. (Bíblia de Estudo de Genebra)

Note, leitor, que as exigências do Sermão do Monte são tão valiosas espiritualmente, que houve sempre uma tentativa humana de evadir seus ensinos oferecendo conceitos e destinatários diversos. No entanto, devemos certificar que o Sermão do Monte é administrado através dos discípulos originais de Cristo a toda a Igreja de hoje; o contexto bíblico geral comprova isso. Desta forma, os pregadores da Teologia da Prosperidade deveriam ensinar seus adeptos sobre o caráter dos cidadãos do reino de Deus. Desconfio que esse tipo de pregação não lhes interessa.

AS BEM-AVENTURANÇAS

No presente texto bíblico (Mt 5.1-11) são nove as bem-aventuranças. A pregação de Jesus esclarece que seus seguidores serão muito mais que felizes se obedecerem às normas do reino. Para os judeus, felizes eram os ricos (assim como aos adeptos da Teologia da Prosperidade), os bem-humorados, os bem-alimentados, os que não sofriam nenhum tipo de opressão, os que sabiam reivindicar seus direitos, mas, o coração governado de Deus não se confia nessas coisas, pois sabe que elas são temporais, passageiras e não podem satisfazer a sede da alma. Ao reprovar a avareza Jesus contou uma parábola, em Lucas 12.13-21, sobre o excessivo cuidado temporal que dispunha certo homem. Ele concluiu o ensino demonstrando que a preocupação com a vida eterna deve ser prioridade: “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”.

A primeira bem-aventurança (5.3) ensina que são mais dos que felizes os pobres de espírito. A tradução Almeida Atualizada traz humildes de espírito; já outra (tradução) verte os pobres em espírito. Prefiro a ultima tradução, pois está mais em conformidade com o ensino espiritual a respeito de ser pobre. Observa que o texto não diz que bem-aventurados são os pobres, mas, os pobres em espírito. A pobreza diz respeito ao aspecto espiritual dos crentes: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” João 4:24. Uma ilustração que podemos usar está em Lucas 18.9-14, na parábola do fariseu e do publicano. O fariseu se considerava mais espiritual (orgulho espiritual) do que os demais, e nesse caso bíblico depreciava o outro que nem mesmo “ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’”. O publicano (cobrador de impostos) reconhecia sua insuficiência e dependência de Deus, pois sabia da sua natureza pecaminosa. O fariseu habituado com as prescrições legais confiava que era merecedor diante de Deus. Dos 10 mandamentos bíblicos, somos informados que, os judeus acrescentaram mais 608 perfazendo um total de 618 mandamentos. Eles procuravam seguir a risca os mandamentos e praticá-los dava uma sensação de dever cumprido.

Assim são muitos crentes hoje em dia que pensam serem merecedores das bênçãos Divinas somente porque obedecem “as normas da igreja”. Jesus comprova que o fariseu não possuía mérito diante de Deus por observar os mandamentos. Para Deus, mais importante do que a execução das leis do Seu reino é a atitude íntima e pessoal do crente. Assim, a conclusão é que são bem-aventurados os pobres em espírito, os que entendem necessitarem espiritualmente de Deus, os que não confiam em si mesmos, os que se humilham diante da grandeza de Deus e, a eles pertencem o reino dos céus. Esta, não parece em nada com a atitude dos pregadores e dos adeptos da Teologia da Prosperidade.

A segunda bem-aventurança diz respeito aos que choram. Parece estanho esse ensino, mas, precisamos compreendê-lo a luz do versículo anterior, acerca dos pobres em espírito. Não se trata aqui do choro devido às necessidades físicas e terrenas. É verdade que os que servem a Deus, assim como os que não servem, passam pelas mesmas dificuldades nesta vida e por vezes nos lamentamos e choramos. Mas, a ligação lógica do sermão de Jesus, e, por conseguinte a ligação textual do escritor Mateus, comprova que os pobres em espírito choram por reconhecerem seu estado pecaminoso diante da santidade Divina. Choram por verem a impiedade social, pelas transgressões pessoais, pela opressão civil, pela corrupção generalizada que grassa nossa sociedade, pela depravação humana. O apóstolo Paulo reconhecendo a potencialidade do pecado exclamou o seguinte: “Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Rm 7:23,24. O choro dos bem-aventurados refere-se a um tipo de pranto em reconhecimento face a nossa natureza pecaminosa que batalha contra o espírito. A bem-aventurança consiste em que os que choram serão consolados. O consolo do regenerado em Cristo é que tanto na vida quanto na morte não pertencemos a nós mesmos, mas ao nosso Fiel Salvador: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” Gl 2.20.  

A terceira bem-aventurança refere-se aos mansos. Contudo, este caráter do cidadão dos céus não deve ser confundido com uma atitude de fraqueza, debilidade, conformismo. Conforme o ensino de Cristo, ela significa “submissão ante qualquer provação, a disposição de sofrer dano ao invés de causá-lo”. Trata-se daquele que mesmo sabendo dos seus direitos civis, por exemplo, “abre mão” deles a fim de não oprimir seu próximo. O manso “é a pessoa que não se ressente, não guarda rancor. Longe de seguir ruminando as injúrias recebidas, ela encontra seu refúgio no Senhor e confia-lhe inteiramente o seu caminho”. Precisamos de mansidão em diversos segmentos da vida: no trabalho, no trânsito, na escola, com o cônjuge, com os filhos, no relacionamento profissional e comercial, entre outros. O manso é aquele que também deve ser pobre em espírito, pois enquanto esta designação descreve como o homem deve ser em si mesmo, aquela, o retrata mais especialmente em sua relação com Deus e com seu semelhante. A bem-aventurança consiste em que herdarão a terra. Esta herança não deve ser entendida somente no sentido escatológico - como o paraíso na terra, segundo entendem as Testemunhas de Jeová. A herança tem sentido espiritual, pois evidencia que os mansos são bem sucedidos espiritualmente e até mesmo socialmente na sua interação com o próximo – de certa maneira é isso que significa “herdar a terra”.

A quarta bem-aventurança trata dos famintos e sedentos de justiça. O primeiro sentido de “justiça”, no Sermão de Cristo, é de caráter forense; o segundo possui caráter ético. O primeiro sentido de justiça trata da conformação humana às leis espirituais de Deus. Nossas obras, sem primeiro ser regenerado por Cristo, não servem para nada: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam” Is 64:6. Nenhum cerimonial, ou ritual religioso, pode purificar os nossos pecados: “Por isso, ainda que te laves com salitre, e amontoes sabão, a tua iniqüidade está gravada diante de mim, diz o Senhor DEUS” Jr 2:22.  A situação humana é irremediável diante de Deus. É imprescindível o arrependimento dos pecados e a confiança na obra salvadora de Cristo, na cruz do Calvário: “E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” At 16:30, 31.

Muitos preferem crer e encontrar sua “justiça” nas forças ocultas. No Brasil, por exemplo, o dia 02 de fevereiro é considerado pelos baianos um dia de se fazer homenagens a Iemanjá – tida por seus adeptos como “rainha das águas”. Mas as pessoas continuam nos seus pecados e ignoram que a “justiça” proporcionada por Deus é salutar e imprescindível à vida eterna: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto” Sl 32:1.

No sentido ético, os famintos e sedentos por justiça anseiam que a sociedade seja mais humana e justa, que os juízes julguem adequadamente, que os políticos não se corrompam, que não haja tanta violência, que as pessoas se libertem dos vícios destruidores, que os miseravelmente pobres tenham pelo menos as condições básicas para sobreviver. Mas isso é algo que só será uma realidade se as pessoas forem regeneradas por Cristo, no entanto, os cidadãos do reino se entristecem por tanta injustiça social e anseiam por uma sociedade relativamente melhor. Os que assim desejam, serão saciados. Este estado de saciedade, entretanto, refere-se ao caráter forense de justiça, ou seja, os méritos de Cristo são imputados aos que não confiam na sua própria justiça.  

A quinta bem-aventurança refere-se aos misericordiosos. Segundo certa definição “misericórdia é amor demonstrado em favor de quem vive em desgraça, e um espírito perdoador para com o pecador”. A ilustração da parábola do Bom Samaritano, em Lucas 10, exemplifica o primeiro caso. Jesus decepcionou o intérprete da lei quando lhe disse que, para herdar a vida eterna, além de amar a Deus sobre todas as coisas deveria amar a seu próximo como amava a si próprio. Jesus desfaz seu entendimento de que se próximo era apenas alguém natural da sua nação, mas todo aquele que necessitar de ajuda, inclusive alguém odiado por ele. Ele não podia acreditar no que Jesus acabara de lhe ensinar, quando lhe disse para fazer ao seu próximo o mesmo que o samaritano fez a um judeu ferido.  A parábola do credor incompassível ilustra o segundo caso (Leia Mateus 18.23-35):

Os que conhecem a misericórdia de Deus devem agir segundo o principio da misericórdia. Se não mostrarem misericórdia, mas insistir na justiça, não receberão misericórdia, mas justiça. Um coração que não perdoa é um coração não perdoado, e está sujeito ao tormento até que pague toda a dívida. Um coração verdadeiramente perdoado é resultado do nascimento espiritual (Jo 3.3). Bíblia de Estudo de Genebra

A sexta bem-aventurança trata dos que possuem coração puro. Não devemos entender os limpos de coração como se fossem as pessoas sinceras, honestas, boas. Até mesmo porque, estas, continuam sendo essencialmente pecadoras diante de Deus e sua pureza de coração não representa o tipo ensinado por Jesus. Conforme o comentarista bíblico William Hendriksen é “evidente que a bênção da sexta bem-aventurança não é pronunciada indiscriminadamente sobre todos quantos são sinceros, mas, antes, sobre aqueles que, em sua adoração ao Deus verdadeiro, em consonância com a verdade revelada em sua Palavra, se empenham sem hipocrisia para agradá-lo e glorifica-lo”. A bem-aventurança consiste em que “verão a Deus”. Esta visão de Deus é a percepção do Ser de Deus e dos seus atributos, é o deleite Nele, é a esperança de que um dia O verão “face a face”: “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido” 1 Co 13:12.

A sétima bem-aventurança diz respeito aos pacificadores. Os pacificadores são os que receberam a reconciliação em Deus, por meio da cruz de Cristo, agora, buscam serem instrumentos de Deus para oferecer ao mundo tanto a paz espiritual quanto uma paz social. É claro que no contexto bíblico trata-se de paz espiritual, pois na verdade a possibilidade da paz social seria decorrente da paz espiritual, proporcionado pela morte de Cristo na cruz do Calvário: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” Jo 14:27. Alguém poderia indagar que, segundo o próprio Jesus disse em Mateus 10.34-36, sua vinda não seria assim tão pacífica. Mas, esta situação não é por culpa de Cristo, e, sim do homem.  Por desejarem a pacificação, a bem-aventurança consiste em que serão filhos de Deus, no sentido que “penetraram na própria esfera de atuação de Deus”.

Infelizmente, para não me tornar enfadonho demais ou  desnecessariamente prolixo, deixarei de comentar sobre as outras duas bem-aventuranças, expostas nos versículos 10 e 11 de Mateus 5. Porém, sugiro a leitura do excelente livro Sermão do Monte, do autor Martyn Lloyd-Jones, que servirá como fonte de conhecimento e edificação espiritual.

Para encerrar: pergunto aos teólogos da prosperidade se teriam coragem de pregar o Sermão do Monte aos seus adeptos, visto que ele contraria os propósitos materiais deles, mas, faz parte de todo o conselho de Deus.

Que o Senhor nos ajude a termos caráter de quem tem Deus governando verdadeiramente nos corações e na vida.  

Em Cristo,
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

PASTORES MILIONÁRIOS: DESCUBRA QUEM SÃO OS PASTORES MAIS RICOS DOS ESTADOS UNIDOS

Pastores Milionários: Descubra quem são os pastores mais ricos dos Estados Unidos

Jatinho particular, mansões avaliadas em milhões de dólares, uma conta bancária gorda e o título de pastor. Essas são características comuns de algumas das pessoas presentes na lista publicada pelo portal The Huffington Post. A lista apresenta a relação dos pastores mais bem sucedidos financeiramente nos Estados Unidos.

De acordo com o site o salário médio de um pastor evangélico nos Estados Unidos é de US$ 40 mil anuais, porém alguns líderes religiosos se destacam e ficam muito acima dessa média. Vários deles têm as fortunas oriundas, além do trabalho ministerial, da venda de livros, DVDs e de outros materiais. Muitos recebem também volumosas doações individuais.

Alguns dos pastores listados já foram envolvidos em investigações financeiras feitas pelo Senado americano, outros já foram investigados por lavagem de dinheiro e há também o polêmico caso de Pat Robertson que é acusado de manter uma mina de diamantes na Libéria, África, mas nega e mantém a maioria de seus bens em nome de seus filhos.

A lista não apresenta os pastores em uma ordem exata pelo volume de suas fortunas pessoais, mas traz diversos dados para dar uma noção da fortuna de cada um dos líderes religiosos:

Kenneth Copeland

O televangelista foi um dos religiosos que teve a fortuna investigada pelo senador republicano Charles Grassley, porém investigação não identificou nenhuma irregularidade. A estimativa é de que a fortuna de Copeland gire em torno de US$ 70 milhões. Entre seus bens foi listada uma fazenda no Texas, onde fica a sede do seu ministério. A fazenda conta com uma pista de pouso particular e uma mansão, construída à beira do lago da propriedade, avaliada em US$ 6 milhões. Outros de seus bens incluem duas aeronaves, uma delas um jatinho de US$ 17,5 milhões.

Creflo A. Dollar

Fundador de uma das maiores igrejas americanas, a World Changers Church International, apresentador de um programa de TV e diretor de uma gravadora, o pastor apareceu em uma reportagem do jornal New York Times que mostrou sua fortuna. O jornal mostrou que ele dirige um Rolls-Royce do ano, possui seu próprio jatinho, uma mansão de um milhão de dólares em Atlanta e um apartamento de US$ 2.5 milhões em Nova York. Segundo o jornal o pastor recebeu, durante uma campanha, uma doação 7 milhões de dólares do ex-pugilista Evander Holyfield.

John Hagee

Pastor sênior da Igreja Cornerstone, na cidade de San Antonio, Texas e CEO da Global Evangelical Television, Hagee transformou o canal de TV sem fins lucrativos que havia criado eu uma igreja, da qual recebe atualmente um salário de cerca de US$ 300 mil. Além disso, é executivo de uma organização sem fins lucrativos na qual ganha US$ 1 milhão por ano.

Joel Osteen

Conhecido por liderar a Igreja Lakewood, em Houston, Texas, que tem cerca de 45 mil membros, Osteen é considerado um dos pastores mais ricos do país e é constantemente criticado por pregar a teologia da prosperidade como regra de vida cristã. Após abrir mão de seu salário anual de US$ 200 mil, o pastor passou a ter como fonte de renda a venda de seus livros e vídeos. Atualmente vive com sua esposa em uma mansão de mais de 5.000 metros quadrados avaliada em US$ 10,5 milhões.

Ed Young

Segundo o canal WFAA-TV de Dallas, Texas, o pastor também é dono de um jatinho e vive em uma casa de 4.000 metros quadrados avaliada em US$ 1,5 milhões e recebe um salário de US$ 240 mil da Igreja Fellowship, além da renda proveniente da venda de materiais de sua autoria.

Franklin Graham

Filho do conhecido evangelista Billy Graham, o pastor é presidente de uma associação que leva o nome de seu pai e, em 2008, o ministério anunciou que ele recebia um salário de US$ 1,2 milhões. Durante a crise econômica dos EUA o pastor recebeu pesadas críticas que o fizeram abrir mão de parte do seu salário.

Rick Warren

Autor de “Uma Igreja com Propósitos” e “Uma Vida com Propósitos”, o pastor da Igreja Saddleback, em Lake Forest, Califórnia, resolveu devolver a sua igreja, em 2005, uma quantia equivalente aos 25 anos de salário recebidos até então para viver dos milhões que lucrou com a venda de seus livros. Warren declarou na ocasião que ele e sua esposa seriam “dizimistas ao contrário”, doando 90% de sua renda para a igreja e vivendo com os 10% restantes.

Max Lucado

Um dos mais famosos escritores cristãos Lucado diz não receber salário da igreja que pastoreia, a Oak Hills em San Antonio, Texas. Porém o pastor já vendeu cerca de 65 milhões de cópias de seus livros por todo o mundo, o que dá uma ideia de sua renda como escritor.

Benny Hinn

Um dos pastores mais conhecidos por pregar dando ênfase à teologia da prosperidade, Hinn declarou em 1997 à CNN que sua renda anual era de aproximadamente US$ 1 milhão, e um porta-voz do ministério de Hinn disse que ele recebia cerca de US$ 60 milhões por ano em doações. Benny Hinn chegou também a arrecadar US$ 30 milhões para a construção de um “Centro de Cura Mundial”, a obra nunca aconteceu.

Joyce Meyer

A única mulher da lista. A arrecadação de seu ministério é estimada em US$ 90 milhões anuais. Moradora de uma casa avaliada em US$ 2 milhões, Meyer tem um jatinho que custou US$ 10 milhões e já foi investigada por lavagem de dinheiro.

Fonte: Gospel+
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