terça-feira, 16 de julho de 2013

MUITOS PROFETAS, NENHUMA MENSAGEM

Por Gilson Barbosa


O pentecostalismo leva a pecha de ser um movimento de experiência em busca de uma teologia. Para os adversários isto significa que os argumentos para defender suas doutrinas são ad extra, ou seja, a teologia pentecostal se fundamentaria, então, numa eisegese bíblica. Esta, pode também partir de uma impressão equivocada na interpretação dos textos que “respaldam” o movimento.

Sei que há uma busca sincera e séria para corroborar os argumentos pentecostais invocando bases e textos bíblicos. Porém, parece que o tempo está demonstrando que o movimento pentecostal tem ainda muitos desafios a vencer. Um deles é estabelecer limites para a manifestação carismática no âmbito do culto público. Outro desafio é o cumprimento do que o apóstolo Paulo ensinou em sua primeira carta aos coríntios (capítulo 14) sobre o uso dos dons espirituais.

O dom da profecia, por exemplo, está eivado de confusão e o problema parece não ter mais solução. Há “profetas” misturando profecia com palavra de conhecimento e revelação com adivinhação. Um dos fatos que mais depreciam o movimento pentecostal atualmente tem sido a “qualidade” com que os dons têm sido utilizados.

Mesmo que partíssemos do pressuposto de que há profetas hoje, exatamente igual aos profetas do Antigo Testamento ou dos apóstolos e profetas no período do Novo Testamento (o que é um absurdo), o que temos presenciado é um profetismo que nos entristece profundamente. A maneira como a revelação de Deus chegou aos profetas e apóstolos são inigualáveis e temporais. O apóstolo Pedro ao tratar da superioridade da palavra de Deus afirmou que “...a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (II Pedro 1:21). Dizer que os “profetas” modernos possuem a mesma inspiração no mesmo sentido que os autores bíblicos, é heresia pura. Tanto os profetas do Antigo Testamento quanto os apóstolos no Novo Testamento receberam revelação direta de Deus. A necessidade profética deles, bem como de suas profecias, coincidiu providencialmente com a formação do cânon bíblico. 

Como mencionei acima, a qualidade dos dons espirituais utilizados por alguns crentes pentecostais tem descido há um nível bem superficial de entendimento. Quando o apóstolo Paulo tratou da superioridade do dom de profecia sobre ao de línguas apresentou as funções da mensagem dos profetas: edificar, exortar e consolar a igreja local. Hoje em dia a profecia é individual e desconsidera a coerência e santidade Divina, pois, é sabido que muitos que recebem uma mensagem profética de consolação e conforto quando na verdade deveriam ser exortados ou admoestados.

Profetas nas Igrejas locais do Novo Testamento

SEGUI o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar. Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação. (I Coríntios 14:1-3)

O texto acima não estabelece a legitimidade das profecias carismáticas. Apenas informa (implicitamente) que havia na igreja primitiva um grupo de pessoas com potencial para exercer o ministério profético: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores” (Efésios 4:11). Ainda que se fale em dom de profecia, porem, sua natureza é diferente. Por exemplo, a ênfase desses profetas não era mais revelacional e sim de proclamação das verdades existentes do Antigo e Novo Testamento.

Não tenho plena certeza de como esses profetas se comportavam no culto público e não faço ideia de como exerceriam o dom profético. O certo é que não eram oficiais nas Igrejas locais e que sua função primordial não era predizer ou revelar algo oculto – ainda que isso tenha acontecido raramente com alguns deles. Heber Carlos de Campos informa que

“... havia somente dois ofícios nas igrejas locais do Novo Testamento: presbíteros e diáconos. Somente eles recebiam a ordenação pública, que os autorizava a exercer o seu ofício. Os demais exerciam seus dons conforme o Senhor lhes concedia. Assim era com os que possuíam o dom profético. Eles não eram vocacionados como os profetas do Antigo Testamento, nem recebiam o ofício para exercerem a função, como acontecia com os profetas do Antigo Testamento. Não havia nenhuma cerimonia especial que os autenticasse e os designasse profetas, como a unção com óleo, que os autorizasse publicamente para exercerem o ofício. Simplesmente, eles eram dotados pelo Espírito Santo para serem intérpretes da Palavra de Deus e podiam ser julgados no exercício do seu mistério quanto ao conteúdo de sua mensagem, mas não falavam inspiradamente.” (Fé Cristã e Misticismo, p. 89)

O pastor Antônio Gilberto (teólogo respeitado no meio pentecostal), embora admita a profecia como um dom do Espírito, também reconhece a existência do dom ministerial de profeta à Igreja local:

“O ministério profético é exercido através de um ministro dado por Deus à Igreja... O profeta é um pregador especial, com mensagem especial. Sua mensagem apela à consciência da pessoa em relação a Deus, a si própria, ao pecado e à santidade.” (Mensageiro da Paz, Agosto de 2008)

De opinião diferente do pastor Antonio Gilberto, o pastor Augustus Nicodemus Lopes afirma que não há mais profetas como os do Antigo Testamento e nem apóstolos como os Doze e Paulo:

“Eles foram veículos inspirados e infalíveis da revelação divina. Com o desaparecimento deles, cessou o processo revelatório, por meio do qual Deus, infalivelmente fez registrar a sua vontade nas Escrituras. Não entendo que os profetas do Novo Testamento (como os da igreja de Corinto) eram veículos desse tipo de revelação e nem que suas profecias eram revelatórias e infalíveis como as dos antigos profetas e apóstolos”. (O culto espiritual, Ed: Cultura Cristã, p. 130).

É necessário enfatizar a realidade e a natureza dos profetas das Igrejas locais do Novo Testamento, pois o texto bíblico de Efésios afirma que o Senhor “mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores. Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo.” Entretanto nada indica que estes profetas traziam palavras inspiradas direta de Deus (idêntica aos profetas do Antigo Testamento ou os apóstolos do Novo Testamento) ou revelações por meio de sonhos e visões, ou ainda predições sobre a vida das pessoas.  

Os estudiosos pentecostais entendem haver diferença entre o dom de profecia e o ministério profético. Podemos até dizer que os profetas das Igrejas locais do Novo Testamento possuíam em certa medida o dom de profecia, mas não devemos afirmar categoricamente que qualquer crente por sua própria vontade se levantaria no culto e diria uma mensagem sobrenaturalmente inspirada ou revelada da parte de Deus. Quando Paulo diz que todos os irmãos coríntios poderiam profetizar (I Coríntios 14:31) o faz tendo como base de que é o Senhor que graciosamente concederia esse dom a algumas e não todas as pessoas (I Coríntios 12:29).

Alguns não pentecostais veem o dom profético (não a profecia preditiva) como uma necessidade para o tempo presente, apesar de aceitarem apenas os dois ofícios de presbíteros e diáconos. Caberia por parte destes uma explicação de como eles exerceriam seu ministério no culto público. Outros não veem como necessário o ministério profético atualmente, pois a tarefa de exortar, consolar e edificar pode ser realizada pelo pastor e mestre.  

Alguém pode perguntar: “E quanto aos ‘profetas’ que revelam fatos cotidianos ocultos, tais como nomes de pessoas, datas de nascimentos, números de documentos e telefones?”. Destes não digo nada, pois, como cumpriremos a ordem de avaliar a mensagem profética (I Coríntios 14:29) se o que é revelado não possui em si nenhuma mensagem?


No amor de Cristo,
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segunda-feira, 8 de julho de 2013

IDOLATRIA EVANGÉLICA

Por Gilson Barbosa


A grande maioria dos evangélicos entende o termo idolatria apenas em sua definição etimológica, e não em seu conceito teológico. Sendo assim, definem e assimilam a ideia de que a idolatria está relacionada apenas com a adoração de ídolos confeccionados de madeira, gesso, pedra, ou outros materiais. Mas, para que haja coerência no entendimento a respeito deste tema, é necessário ampliar seu sentido e complementar com seu conceito teológico. Conforme os léxicos de teologia qualquer apego excessivo a pessoa, objeto, instituição, ambição, elemento, em detrimento da pessoa de Deus, se constitui idolatria. É preciso que esse conceito seja levado a sério.

Apesar da proibição divina no Antigo Testamento (“Não terás outros deuses diante de mim” – Êxodo 20:3) temos vários casos em que o povo de Deus (Israel) pecou contra o Senhor quando se envolveu em manifestações idólatras. Quem não se lembra do bezerro de ouro, “fabricado” por Arão? (Êxodo 32:1-20).  Substituindo o Deus vivo por uma imagem esculpida o povo cometeu o abominável pecado da idolatria adorando um ídolo na forma de um bezerro de ouro. Transgrediram o segundo mandamento que diz:

Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; não te encurvarás a elas, nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até à terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. (Deuteronômio 5:8-9)

Como “um abismo chama outro abismo” os adoradores do bezerro de ouro se entregaram completamente aos ritos pagãos numa refeição sacramental e danças, que degenerou em libertinagem sexual: “E no dia seguinte madrugaram, e ofereceram holocaustos, e trouxeram ofertas pacíficas; e o povo assentou-se a comer e a beber; depois levantou-se a folgar.” (Êxodo 32:6).  O volume e o ritmo da música produziu no povo um frenesi louco e desenfreado. No versículo 18 Moisés comenta com Josué que ouvia “o alarido dos que cantam” e no versículo 25 há a menção de que “o povo estava despido, porque Arão o havia deixado despir-se.” Que derrota! Que vergonha para o povo de Deus! Cansados de andar pela fé o povo exigiu um sinal tangível da presença de Deus.

No Novo Testamento os mandamentos vetero-testamentários permanecem vigentes. O apóstolo João em sua primeira carta (5:21) escreveu que os irmãos devem se guardar da idolatria: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém.” Paulo disse aos coríntios: “Portanto, meus amados, fujam da idolatria”. O conselho paulino reflete a tendência de alguns irmãos que se consideravam “fortes” espiritualmente e de alguma forma não se preocupavam em se alimentarem junto com os gentios num templo pagão. (Leia I Coríntios 10:19, 20; 8:4,10).  

Você pode estar pensando: “Mas qual a relação deste assunto com os evangélicos atuais?”. É que está acontecendo entre “o povo de Deus” uma adoração idolátrica sorrateira, subliminar, disfarçada. Os ídolos atuais e a idolatria moderna possuem outro formato, mas seu poder de destruição é o mesmo que levou o povo de Israel ao cativeiro. Algumas atitudes idolátricas que percebemos hoje: o amor ao dinheiro (Mamom); o endeusamento do ego (autolatria); os pecados sexuais, tais como pornografia, fantasias sexuais, infidelidade conjugal, diversões carnais (Baal Peor – Êxodo 25:1); crentes que confiam nos signos do zodíaco (astrologia); os que cultuam e adoram os anjos (Angelolatria); o culto do e com entretenimento (o bezerro de ouro); os desleixos moral, social e principalmente espiritual com a educação dos nossos filhos (deus Moloque).        

São muitos que se empenham em tirar Deus do trono e se esforçam por sentar em seu lugar. Muitos têm ignorado e até mesmo questionado a soberania de Deus. Outros têm zombado dos santos mandamentos do Senhor e ensinado seus “próprios mandamentos” como se fossem melhores e mais corretos. E ainda outros falam pelos dois cantos da boca – de um lado falam como profetas, do outro defendem e pregam veementemente a malfadada teologia da prosperidade e o triunfalismo evangélico.

Eu não sei onde tudo isso “vai dar”. O povo de Israel foi parar no cativeiro!!! Quem vai parar esses “santos” doidos? Que o Senhor tenha misericórdia de nós.

Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1 João 1:8-9).    

Em Cristo,     
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quarta-feira, 26 de junho de 2013

TENDÊNCIAS CATÓLICAS ENTRE OS EVANGÉLICOS

Por Gilson Barbosa
 
Estou cada vez mais convencido de que o evangelicalismo moderno está a "cara" da Igreja Católica Romana medieval. Há uma semelhança sutil e ao mesmo tempo descarada. Alguns nem sabem que estão parecidissimos com a Igreja Católica Romana, outros querem mesmo praticar uma espécie de indulgência evangélica. O pastor Augustus Nicodemus Lopes escreveu um artigo interessantíssimo sobre isso, com o título "A alma católica dos evangélicos no Brasil". O artigo destaca cinco tendências entre os evangélicos atuais:

1 - O gosto por bispos e apóstolos;
2) A idéia de que pastores são mediadores entre Deus e os homens;
3) O misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados;
4) A separação entre sagrado e profano;
5) Somente pecados sexuais são realmente graves.

A conclusão que chegamos é a de que necessitamos urgente de um avivamento. Aqui também temos problemas, pois o conceito de avivamento foi terrivelmente afetado e perdeu seu sentido original. Muitos não compreendem o que é um real avivamento e confundiram o mesmo com shows gospel, transito livre nas emissoras televisivas, pentecostalismo e neopentecostalismo, avivalismo, sucesso, igrejas lotadas, pregações eloquentes, visibilidade na mídia e política, etc. Todos os meios e modelos tem se mostrado ineficientes. Creio piamente que somente um retorno aos cinco solas da Reforma (somente a Escritura, somente a Graça, somente a Fé, somente Cristo, somente Glória a Deus) serão eficientes e suficientes para colocar a igreja evangélica no prumo. A pergunta que se deve fazer é: "Quem está interessado nisso?"

Uma das tendências atuais que me deixa curioso é a sacralização de objetos, elementos e ações. Na sacralização de objetos e elementos temos: copo de água em cima do rádio, toalhinha santa, sal grosso, água do rio Jordão, lascas da arca de Noé, pregos da cruz, manto de Elias, a sacralização do templo (principalmente do púlpito), a consubstanciação e sacralização dos elementos da ceia (pão e vinho), etc. Os principais resultados disto é promover o misticismo e subtrair a glória devida somente a Deus.

Há pregadores e até mesmo obreiros que no ambiente do culto não sobem no púlpito sem antes dobrar os joelhos e fazer uma oração - como se este compartimento do Templo fosse distinto e "mais sagrado" dos demais. Neste caso lembro-me do episódio em que Moisés teve uma visão no deserto onde a sarça queimava mas não se consumia. Quando Moisés impressionado pelo acontecimento intencionou se aproximar da sarça o Anjo do Senhor bradou:

           "Moisés, Moisés. Respondeu ele: Eis-me aqui. E disse: Não te chegues para cá; tira os sapatos de teus pés; porque o lugar em que tu estás é terra santa". (Êxodo 3:4-5)

Numa passagem bíblica paralela fica claro que para Deus não importa realmente o local aonde ele deve ser adorado. Encontramos em Atos 7 Estevão diante do Sinédrio tendo que responder a acusação de que havia proferido blasfêmias contra o Santo Templo e a Lei de Moisés (Atos 6: 13). Para o judeu devoto o Templo era extremamente sagrado. Porém, em seu discurso Estevão atacou severamente essa ideia dizendo que "o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens" (Atos 7:48), no sentido de que a adoração a Deus não se concretiza nem apenas se legitima num Templo. A adoração é algo do espírito/alma e de fórum intimo. Aonde o povo do Senhor se reúne em verdade, ali Deus pode receber a verdadeira adoração. Não há necessidade de mecanismos nem aparatos sofisticados. Encontramos este sentido no diálogo de Jesus com a mulher samaritana:
 
           Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. (João 4:20-24).
 
Outra tendência tem sido a de sacralizar indevidamente os elementos da ceia do Senhor. Semelhante a Lutero, talvez inconscientemente, alguns tem aderido a doutrina da consubstanciação dos elementos. Ao participar do culto de santa ceia, mais precisamente no momento da distribuição dos elementos, você já deve ter ouvido algo como: "enquando você come o pão ou bebe do cálice pode ser curado, batizado em línguas, ter problemas solucionados, etc. O que é esse entendimento senão o de que após a consagração dos elementos na oração os mesmos passam a possuir o poder e a presença magnética de Cristo?
 
A ingestão dos elementos não possuem a propriedade para tais operações extraordinárias. Após a consagração o pão continua pão e o vinho (ou suco de uva) continua o mesmo. O que importa mesmo é o significado e simbolismo: "Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha. Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice." (1 Coríntios 11:26-28). Não há nenhuma alteração ou metamorfose nos elementos. 
 
Uma ação que demonstra a sacralização dos elementos é o fim destinado com as sobras da ceia. O que sabe é que comumente alguns 1) enterram as sobras ou 2) jogam no lixo. A questão principal é que fazem assim motivados por um sentimento fantasioso, supersticioso e místico. Há até "lendas" contando que um cachorro morreu após ingerir sobras do pão da ceia que havia sido enterrado no quintal da igreja. O cálice e o pão estão  sendo reverenciados por muitos, aumentando mais ainda a semelhança supersticiosa e idolátrica com a Igreja Católica Romana. 
 
Se a igreja evangélica não se voltar para os Solas da Reforma Protestante estará cada vez mais se afundando no lamaçal da confusão doutrinária e teológica. Que o Senhor tenha misericórdia de nós e abra os nossos olhos espirituais.
 
Em Cristo,
 
 
 
 
     


    
 
 
 
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

A NECESSIDADE DA COMUNHÃO ENTRE OS SANTOS

Por Gilson Barbosa

Há diversos fatores que possuem o potencial de impedir a comunhão entre os seguidores de Cristo. Dentro de um contexto amplo temos o denominacionalismo. Sei de projeto de evangelismo interdenominacional que não deu certo por causa de usos e costumes. Os irmãos da igreja A eram “liberais”, e os irmãos da igreja B eram radicais, e não toleravam quem não fosse adepto dos usos e costumes. Pronto! Estava lançada a intolerância, discórdia e desunião interdenominacional.

Num contexto limitado (no convívio da igreja, por exemplo) temos a questão das personalidades ou temperamentos humano. Não é difícil nos relacionarmos bem com pessoas que se identificam conosco ou que são de temperamento moderado. O difícil mesmo é tolerar aquele que é egoísta, orgulhoso, de opiniões exclusivistas, “pavio curto”, desequilibrado, etc. Mas, como servos de Cristo temos que suportar essas pessoas. O Senhor Jesus ordenou que amássemos a todos. Não é tarefa fácil. 

Outro fator que dificulta a comunhão é quando há cumplicidade entre os membros da igreja. Isso é muito comum, principalmente, entre oficiais de igrejas administrada no sistema episcopal. A cumplicidade quase sempre é resultado de pecado oculto. Isso acontece, por exemplo, quando o ministério (a direção da igreja) resolve agir arbitrariamente em questões administrativas e os demais obreiros não podem nem devem sequer indagar a respeito das decisões tomadas. O certo é, que em determinadas situações não podemos nem devemos ter comunhão com aqueles que se dizem irmãos, mas querem nos englobar nos seus pecados. Lembro-me do axioma profético: Andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?

Afirmei na postagem anterior que pela graça do Senhor estamos em união com Cristo. O apóstolo Paulo disse aos colossenses que “a vida de cada um deles estava escondida com Cristo em Deus” (3:3). E se desfrutamos das graças de Cristo, que são Suas bênçãos espirituais, também gozamos da mesma comunhão com nossos irmãos nos mesmos dons e graças uns dos outros. Portanto, não deveria haver invejas, intrigas ou dissensões em nosso meio, pois devemos estar unidos uns aos outros em amor.

Se os irmãos da igreja de Corinto se aplicassem nisso não haveria divisão nela. Divisão movida por preferencias pessoais. Não se alegravam no fato de que a qualidade na mensagem dos seus pregadores era para deleite deles mesmos. Por isso algum deles afirmava: “Eu sou de Paulo”; o outro “Eu sou de Apolo”; o outro “Eu sou de Pedro”; e ainda outro “Eu sou de Cristo”. O apóstolo Paulo procura corrigir a distorção e afirma que devem usufruir dos privilégios mutuamente.

Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, E vós de Cristo, e Cristo de Deus. (1 Coríntios 3:21-23).

Paulo começa dizendo que seja um pregador ou outro, os irmãos deveriam aproveitar o máximo da mensagem do Senhor por intermédio deles e se recrearem nisso, não preferindo um em desonra ao outro. E mais, seja o que for todos eles sofrem os efeitos das contingencias da vida, tais como a morte, o presente, o futuro, o mundo. Ninguém deve se considerar melhor ou pior que o outro, pois somos todos iguais, enfrentaremos as mesmas adversidades e estamos nos conduzindo ao mesmo final. Assim como somos de Cristo, e Cristo de Deus, todas as coisas são para nosso deleite espiritual. Em outras palavras, é quase uma obrigação termos comunhão uns com os outros e nos alegrarmos nesta realidade.

Na igreja visível de Cristo não deve haver individualidade. Tanto a edificação, consolação e exortação devem ter como objetivo o Corpo de Cristo e não o indivíduo em si; o gozo pela felicidade do outro, a tristeza pelo pecado de um irmão, a gentileza no trato com os mais simples, a ajuda social aos pobres, tudo isso deve ter como perspectiva o coletivo e não a individualidade.

E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor. (Efésios 4:11-16)

O mundo de hoje incentiva o indivíduo na sua individualidade em detrimento da coletividade. Na nossa sociedade não há mais gentileza, cortesia ou educação. É cada um por si. O transito das grandes cidades, por exemplo, reflete este triste sentimento e a dura realidade. Porém, não deve ser assim entre os discípulos de Cristo. Note nos versículos acima que Paulo fala no plural. O desejo de Paulo é que os santos sejam aperfeiçoados, que cheguem à unidade da fé, que não sejam mais meninos inconstantes, que em Cristo cresçam em tudo. Não há espaço para o egoísmo, egocentrismo, exaltação e individualidade. Todos participam juntos e são edificados juntamente em amor.

O mesmo se dá quando um irmão peca. Todos na igreja deveriam sentir tristeza e pesar pelo seu pecado. Não podemos estar indiferente diante de uma situação de calamidade espiritual ou até mesmo social. Quantos que se apartam do irmão que pecou como se o transgressor fosse semelhante aos leprosos em Israel, quando na verdade deveríamos exortá-lo em amor. Outros veem seu irmão em dificuldade social, tais como ausência de veste ou alimentação, e possuindo condições nada fazem para ajuda-lo. O apóstolo Paulo escreveu que...

que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. (1 Coríntios 12:26)

Não adianta muito uma igreja se vangloriar de possuir todos os dons carismáticos se não há unidade no Corpo. Esta unidade subentende que todos os membros do Corpo de Cristo tenham igual cuidado uns pelos outros (I Coríntios 12:25). A individualidade possui ênfase mais na questão da função ministerial do que na prática acionária dos dons. Por isso o apóstolo continua dizendo:

Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. (1 Coríntios 12:27-28)

Temos o dever de amar uns aos outros, particularmente e publicamente, e contribuirmos para o aproveitamento mútuo nos sentidos imaterial e material do homem – tanto o interior quanto o exterior. O fato é que devo servir de ânimo e conforto ao meu irmão nas suas múltiplas necessidades. É o que Paulo afirmou à igreja romana:

Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados; isto é, para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha. Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios. (Romanos 1:11-13)

Cada crente também é chamado para a mútua assistência nas questões espirituais, ministeriais, morais e até mesmo sociais. Está em foco, neste caso, o diálogo franco e aberto, feito com amor, sabedoria e muita, mas muita prudência. Por causa da queda do homem esse fator ficou quase totalmente perdido. É comum irmãos ficarem sabendo de questões íntimas de outros e espalharem maldosamente boatos na igreja local publicando os mesmos. As pessoas não são capazes de ouvir as dificuldades alheias e buscar aconselhar e orar pelos faltosos ou os que estão em desatino espiritual. Porém, ainda que estranho para muitos crentes, o conselho apostólico admite que os crentes exortem-se e edifiquem-se entre si dentro do convívio cristão. Isso não significa intrometer-se na vida do outro, mas procurar fortalecê-lo em Cristo, levando-o ao amadurecimento espiritual:

Por isso exortai-vos uns aos outros, e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis. E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende paz entre vós. Rogamo-vos, também, irmãos, que admoesteis os desordeiros, consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos. Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui sempre o bem, tanto uns para com os outros, como para com todos. (I Tessalonicenses 5: 11-15)

Que o Senhor nos dê da sua graça para nos amarmos, apesar das inúmeras diferenças. A intolerância não é uma questão somente da sociedade não regenerada. Os servos do Senhor também tem se mostrado intolerantes a respeito de doutrinas, teologias, dogmas, hábitos, tradições religiosas, etc. Não significa que compactuo com a perversidade teológica em detrimento da ortodoxia, mas, que não posso depreciar, menosprezar e até mesmo odiar meu irmão só porque ele não pensa, não vive ou não age como eu.

Em Cristo,


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terça-feira, 14 de maio de 2013

A DIFÍCIL COMUNHÃO COM CRISTO

Por Gilson Barbosa

Os psicoterapeutas modernos veem o individualismo positivamente. Dizem que o erro está no egoísmo, que seria um estágio de imaturidade emocional. É certo que em dado momento é bom ficar a só para refletir ou ponderar sobre certas questões. Porém, o cristianismo não incentiva a individualidade. O psicoterapeuta Flávio Gikovate afirmou que “a palavra individualidade tem conotação positiva, como a conquista de um estado de autonomia”. Eis aí o problema para os cristãos: a autonomia humana. A mutualidade é imprescindível no cristianismo.

Minha intenção é desenvolver a postagem em duas partes. Nesta parte pretendo falar da necessidade que temos de ter comunhão com o Deus Triuno.

Definição

Para que definamos corretamente o que é comunhão temos que considerar primeiramente seus dois sentidos: vertical e horizontal. Um depende do outro para ser eficaz em seu resultado. Não acredito que consigamos amar verdadeiramente aqueles irmãos “difíceis” no convívio cristão, se primeiro não tivermos comunhão com o Deus Triuno. Foi exatamente isso que disse o apóstolo João aos seus leitores:

“o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo”. (I João 1:2,3).

União e comunhão

Nesse momento é importante distinguir entre a nossa união com Cristo e nossa comunhão com Ele. A união com Cristo significa que fomos dados por Deus à ele desde a eternidade. Nossa união com Cristo é posicional. É denominada de união judicial ou legal. Tem haver com os seguintes aspectos: passado (fomos salvos), presente (estamos sendo salvos) e futuro (estaremos definitivamente salvos).

“As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar”. (João 10:27-29);

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda a sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele” (Efésios 1:3,4).

Já a nossa comunhão com Cristo é algo paulatino, progressivo, metódico. A comunhão pode ser definida como “a participação comum em algo”. Se de fato fomos unidos a Cristo por Deus, devemos ter comunhão com Ele em suas graças, sofrimentos, morte, ressurreição e glória.

Elementos da comunhão com Cristo: graças, sofrimentos, morte, ressurreição e glória

As graças de Cristo trata-se das bênçãos espirituais proporcionadas por Ele aos seus escolhidos: “Porque todos temos recebidos da sua plenitude e graça sobre graça” (João 1:16). É o gozo que o fiel deve sentir em ser salvo por Cristo e servi-lo até o fim. Este fato nos obriga humilharmos e deixarmos ser supridos por Cristo em nossas necessidades espirituais. John Charles Ryle (o bispo Ryle), afirmou que está guardado em Cristo

                   “... como na casa do tesouro, um suprimento ilimitado de tudo quanto o pecador necessita, no tempo presente e na eternidade. Sua dádiva especial à igreja é o Espírito de vida, o qual, assim como uma grande raiz, transporta a seiva e o vigor espiritual de Cristo a todos os ramos que nele creem. Jesus Cristo é rico em misericórdia, graça, sabedoria, justiça, santificação e redenção”. (Meditações no Evangelho de João, p. 13).

Recebemos a graça de Cristo em nossas vidas, portanto, temos de estar ligado a Ele, desfrutando e compartilhando de sua graça as demais pessoas. Ter Cristo na vida é como “um grande achado”. Ele é a pérola de valor inestimável.

Se participar das graças ou virtudes de Cristo é o que todos querem, não acontece o mesmo com a participação nos Seus sofrimentos – que diga a teologia da prosperidade e o triunfalismo evangélico.  Ter comunhão com Cristo nos seus sofrimentos, na verdade, trata das implicações negativas em servir a Ele. A praga daninha do evangelho da prosperidade e do triunfalismo não se sustenta diante desta doutrina. Leia os versículos que seguem e reflita se eles deveriam adjetivar seus autores como “fracos”, “covardes”, “não espirituais”, “carnais”, ou se o que escreveram representa a verdade do evangelho de Cristo.

O apóstolo Paulo disse: “Agora, me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e preencho o que resta das aflições de Cristo, na minha carne, a favor do seu corpo, que é a igreja (Colossenses 1:24). O apóstolo Pedro disse palavras mais contundentes ainda:

“Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espirito da glória de Deus. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.”  (I Pedro 4:12-16)

É óbvio que nenhum cristão gosta de sofrer, não somos uma espécie de masoquista. Mas, o sofrimento é parte da glória de Deus em nossas vidas. É difícil compreender isso, mas, é assim que Deus trabalha. A obra de Deus sempre avançou nas dificuldades, perseguições ou provações. Padecer por Cristo é uma honra, e não uma vergonha. O apóstolo Paulo, diferente do evangelho triunfalista que presenciamos em nossos dias, sabia que suas prisões, apedrejamentos, naufrágios, surras, fome, frio, enaltecia o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele encorajou os irmãos filipenses que preservassem a unidade cristã na luta:

“Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vos outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica; e que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é, para vos outros, de salvação, e isto da parte de Deus. Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele, pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é o meu.” (Filipenses 1:27-30)

O terceiro elemento da comunhão com Cristo forma um par: morte e ressurreição. A morte e ressurreição de Cristo foram extremamente significativas para nós, pois, há relação entre o batismo em água, que é o sinal e selo da união inicial com Cristo, com a morte e ressurreição de nosso Senhor. Note o que Paulo disse aos crentes romanos:

“Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; porquanto quem morreu está justificado do pecado.” (Romanos 6:3-7)

A identificação do crente na morte e ressurreição de Cristo com o batismo deve gerar no crente os sinais de regeneração, o fruto do Espírito. Ele deve andar em novidade de vida, pois “como tal, o batismo proclama que aqueles que estão unidos com Cristo morreram para o pecado” (Bíblia de Genebra – nota). Ou seja, se há união com Cristo deve haver também comunhão. Isso acontece mediante a consideração pela morte e ressurreição de Cristo, que nos vem à memória por meio do batismo.

O estágio ultimo e final, da nossa comunhão com Cristo, se dará quando formos glorificados. A glorificação dos escolhidos do Senhor significa a salvação final e completa na nova ordem de Deus – ou o estado eterno.

“Fiel é esta palavra: Se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos.” (II Timóteo 2:12).

"Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados." (Romanos 8:17)

O primeiro e grande mandamento

É maravilhosa a comunhão que podemos ter com o Senhor. Porém, suas implicações possuem simultaneamente um gosto amargo e doce. Mas isso é apenas a primeira parte do mandamento que Cristo mencionou em Mateus 22.37: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento.” Falta a segunda parte, o que pretendo postar assim que der.

Em Cristo,  



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domingo, 14 de abril de 2013

JOSÉ PRATICAVA ARTES DIVINATÓRIAS NO EGITO?


Por Gilson Barbosa

Não é este o copo em que bebe meu senhor e pelo qual bem adivinha? Procedestes mal no que fizestes. (Gênesis 44:5)

Um dos maiores desejos do ser humano é saber o que acontecerá no futuro. É justamente esse o motivo que tem levado estudiosos e curiosos a se debruçarem sobre todo o tipo de pesquisas que satisfaça o seu ego. E, por conta disso, fazem uso de todas as formas de adivinhações, feitiçarias, encantamentos, etc. É comum a estas utilizarem artifícios como água, cartas, bolas de cristal, moedas, borras de café e até entranhas de animais para conseguir seu intuito.

Alguns dizem que José, no Egito, adivinhava pela água ou objetos líquidos, simplesmente pelo fato de o texto de Gênesis 44:5 dar a entender que ele adivinhava por meio da taça (copo) que fora colocado em um dos sacos de alimentos de seus irmãos.

Se isso ficasse comprovado, poder-se-ia dizer que José não interpretava os sonhos por intermédio de Deus, mas, sim, por meio de práticas ocultistas e espíritas. Mas seria isso possível, visto que José servia a um Deus que condenava as práticas ocultistas? Não seria isso uma contradição? Obviamente que sim. Algumas perguntas iniciais em oposição a esta questão seriam: Todas as práticas divinatórias são 100% corretas? Todas se cumprem? São aprovadas pelo Deus verdadeiro?

Independente de se constatar os acertos ou os enganos nas adivinhações, a Bíblia condena veementemente a prática divinatória: “Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; Nem encantador, nem quem consultem a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti” (Deuteronômio 18:9-12).

Conforme atesta Bruce K. Waltke a lei proibia tais práticas porque representavam uma visão pagã do mundo (cosmovisão pagã) de que forças espirituais das trevas, não o Deus que guarda a aliança com Israel, governavam o mundo, e o Deus imutável e ético odeia tal visão do mundo e suas práticas. É impossível que José não soubesse desse fato.

            Também fizeram passar pelo fogo a seus filhos e suas filhas, e deram-se a adivinhações, e criam em agouros; e venderam-se para fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, para o provocarem à ira. (2 Reis 17:17)

              Não comereis coisa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis. (Levítico 19:26)

Os profetas do Antigo Testamento eram considerados capazes e ungidos por Deus para revelarem sua Palavra. No entanto, só prediziam sobre o futuro no sentido de conclamar o povo hebreu ao arrependimento. Pelo contexto da história, o que fica evidente é a intenção de José para com seus irmãos de se fazer conhecido deles, porque, devido à sua separação no passado, não o reconheciam mais, e nem ao menos poderiam descobrir que José estava vivo (Gênesis 37:1-36; 39:1 – 44:5). Sendo assim, José teria de adotar estratégias para que pudessem saber que o novo governador do Egito ele era próprio.

A adivinhação era costume habitual entre os egípcios, o que não implica necessariamente atestar que José fazia uso de tais práticas. A Bíblia nos informa que as revelações de José provinham tão somente de Deus. Note o que José disse aos dois oficiais de Faraó: “E eles lhe disseram: Tivemos um sonho, e ninguém há que o interprete. E José disse-lhes: Não são de Deus as interpretações? Contai-mo, peço-vos” (Gênesis 40:8). Igualmente, quando Faraó indagou a José sobre o sonho que teve, ele não recorreu nem mencionou que faria a interpretação por meios líquidos ou algo semelhante, antes, invocou a Deus: “E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó” (Gênesis 41:16).

Após a descoberta de que o copo estava no saco de mantimento de Benjamim, o irmão mais novo, (Gênesis 44:12) Judá apresentou sua defesa e confessou que o Senhor, por meio da história, não do copo, desvendou a culpa deles: “Então disse Judá: Que diremos a meu senhor? Que falaremos? E como nos justificaremos? Achou Deus a iniquidade de teus servos; eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão foi achado o copo” (Gênesis 44:16). José os colocou em teste novamente. Seriam capazes de abandonar seu irmão mais novo, como fizeram com seu outro irmão, José?

Diante do Senhor a adivinhação por meio de um líquido num copo não tem validade alguma ou algum poder. É contraditório o Senhor legitimar uma prática que ele próprio condenou em sua Palavra. Logo, podemos ser taxativos em afirmar que José não adivinhava nem praticava artes divinatórias. Ao contrário, Deus o premiou com tal capacidade. Na verdade tratava-se de um ardil de José preparando o “terreno” para a reconciliação com seus irmãos.
                                                                                                        
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quinta-feira, 11 de abril de 2013

FARIAM OS CRENTES HOJE OS MESMOS MILAGRES QUE JESUS FEZ?

Por Gilson Barbosa

Há um grande equívoco no que concerne ao entendimento da natureza dos milagres bíblicos. A grande maioria dos evangélicos pensa que mediante o poder do Espírito Santo são eles próprios os realizadores dos milagres. Em primeiro lugar há algo estranho, pois o Espírito seria apenas o capacitador – cabendo a pessoa fazer uso da “unção” do Espírito. A estranheza está no fato de que o Espírito daria apenas o empurrão, cabendo à pessoa a efetivação plena e cabal do milagre.

Em segundo lugar há incoerência, pois ou é o Espírito que opera de forma exclusiva o milagre ou é o crente. Ou então há uma parceria entre o Deus-Espírito e o ser humano. A pergunta que surge é “sendo assim a glória é de quem quando acontece o milagre?". Deve ser por causa dessa postura que está em “alta” hoje em dia os que “realizam milagres”. Na verdade o Espírito aparece como se fosse apenas uma nota de rodapé num livro, o fato mesmo é que o pastor/pastora ou o irmão/irmã fulano/fulana de tal é “usado por Deus para realizar milagres”. 

Em terceiro lugar há falha na compreensão da fonte do poder, para a realização do milagre. A questão não é se o Senhor manifesta seu poder operando milagres hoje, mas se há homens capazes de operar tais milagres. Os milagres são essencialmente diferentes na sua fonte e em sua realização. Os milagres realizados por Jesus aconteceram porque residia nele próprio o poder de curar e restaurar a saúde. Eles apontavam para a Sua divindade. Não há nada inerente nas pessoas para curar ou realizar milagres. Estes são sazonais, circunstanciais, e sua realização, no âmbito externo, não depende do querer de alguém. A fonte do milagre é sempre o Senhor, e não o homem, nem mesmo este sob o “poder e a unção” do Espírito.

Antes que alguém acuse é necessário dizer que está muito enganado quem pensa que os cristãos tradicionais – adeptos da teologia reformada – negam que Deus não continua realizando hoje manifestações especiais de poder. Como afirmou Walter J. Chantry (Sinais dos Apóstolos – Editora PES): “Em resposta às orações de seu povo, Deus está curando, como expressão soberana de Seu poder, a alguns que a moderna medicina tem desenganado. Alguns teólogos preferem classificar estes eventos como ‘atos de extraordinária providencia’ e não milagres”.

Um dos textos bíblicos mal interpretado, para defender que os crentes hoje realizariam milagres é João 14:23 que diz: “Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para o meu Pai”. Na tentativa de justificar que cada crente individualmente pode realizar milagres hoje, alguém citou esse texto como prova. Mas, a dúvida que permanece refere-se a respeito da natureza dos milagres operados por Jesus. Em que sentido os discípulos fariam obras e ainda maiores que as que Jesus fez? Alguns milagres realizados por Jesus comprovam o contrário – que não é possível o crente realizar obras maiores que Cristo realizou. Note só a série de milagres que Jesus efetuou e veja se é possível alguém fazer melhor do que Ele hoje em dia.

  • Milagres na natureza: transformação da água em vinho, a tempestade acalmada, a multiplicação dos pães, a figueira amaldiçoada, o andar sobre as águas, as pescas milagrosas;
  •  Enfermidades graves: cegueira, mudez, gaguez, paralisia, lepra, etc;
  • Ressurreição: dos mortos, a de Cristo mesmo;
  • Expulsão de demônios.
Pergunta: Se estas são algumas das obras que Cristo realizou, como alguém conseguiria fazer obras maiores que estas? Definitivamente não é essa a interpretação da passagem do escritor João. Há mais coisas no texto que precisamos saber.

O evangelista João, no epílogo de seu livro, expressa a extensão dos milagres operados por Jesus. Ele nos esclarece que os milagres relatados não evangelhos não representam todos os milagres realizados por Cristo: “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.30,31).

Quando João Batista estava encarcerado, ordenou aos seus discípulos que lhe perguntassem se Ele era realmente o Messias: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” (Mt 11.3); ao que Jesus lhes respondeu: “Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.4,5). Será que realmente Jesus queria dizer que os discípulos fariam isto tudo e muito mais? Ou estaria Ele referindo-se a outro tipo de obra?

Os milagres e maravilhas operados por Jesus testemunhavam acerca de sua autêntica messianidade: “Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim” (Jo 10.25). Assim como João Batista, alguns discípulos de Cristo estavam duvidosos e esse sentimento se intensificou em decorrência da morte de Cristo, como podemos verificar na descrença de Tomé (At 20.24-29). Portanto, era mister que Jesus dirimisse tais dúvidas e incredulidades, o que fez após ascender ao céu e cumprir as promessas deixadas: “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram” (Mc 16.20).

Temos de considerar que não foram somente os milagres realizados pelos apóstolos, após a partida de Jesus, que evidenciaram que Jesus era o Cristo, e tampouco o texto de João 14.12 está-se referindo somente a isso. Percebermos que as “obras maiores” se referem também à coletividade, à geografia e à pregação do evangelho.

Vejamos:
  • O que Cristo realizou (é necessário definir) em seu curto período de ministério poderia, possivelmente, ser realizado após a sua partida, e isso não somente por 12, 70 ou 120 discípulos, mas por toda a igreja que se formaria, ou seja, coletivamente. A realização não é individual, arbitrária, aleatória, nem independente, mas deve estar submetida a providencia de Deus, o que está implícito também a temporalidade.

  • As barreiras geográficas cairiam após a sua ascensão, e o evangelho deveria ser pregado, simultaneamente, em vários lugares: “... e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8).

  • Não se tem mensura do número das pessoas convertidas durante o período em que Jesus exerceu seu ministério, mas certamente o trabalho evangelístico realizado pelos discípulos alcançou uma projeção muito maior, em relação aos resultados de almas salvas (At 2.41; 4.4; 5.14,16,42; 6.1,7; etc).

Ademais, os próprios estudiosos pentecostais discordam que o versículo de João 14:12 apoie a interpretação de que os crentes fariam milagres maiores que Jesus fez. O pastor Esequias Soares, autoridade brasileira dentro do segmento pentecostal e erudito nos idiomas originais da Bíblia Sagrada, ao interpretar a passagem bíblica afirma corretamente que “as maiores obras diz respeito à quantidade e não à qualidade. A palavra grega aqui é meizon, grau comparativo de megas, ‘grande”’ (Lições Bíblicas, Atos – O padrão para a Igreja da Ultima Hora, página 16, lição do aluno).

Nenhum crente, quem quer que seja, deve se arrogar “realizador de milagres”. Somente Cristo, o Messias, possui inerentemente em si este poder. Os falsos apóstolos estão por aí enganando os incautos com a intenção de mercadejar a fé cristã. Que o povo do Senhor mantenha os olhos bem abertos.

Em Cristo,  
  
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