terça-feira, 5 de novembro de 2013

QUEM SÃO OS HERDEIROS DA REFORMA PROTESTANTE?

Por Gilson Barbosa

A Reforma Protestante comemorou no mês passado 496 anos (31/10/2013); e se são escassas as informações a seu respeito nas igrejas evangélicas, sobejam reflexões teológicas. No sentido religioso o principal destaque da Reforma é que seu legado está fundamentado em cinco pontos conhecido como Solas ou somente: somente a Escritura, somente a Fé, somente Cristo, somente a Graça, somente a Deus seja a glória. É importantíssimo atentar para o advérbio somente. Muitas igrejas evangélicas não passam pelo teste do advérbio e são reprovadas.

Será que todas as igrejas evangélicas atuais podem reivindicar serem legítimas herdeiras da Reforma Protestante? Herdar não significa necessariamente tomar posse ou fazer uso; pode ser que seja apenas uma possibilidade. Pode não se efetivar porque os que reivindicam não tem de fato esse direito, e não tem direito porque não preenchem os requisitos necessários. Mas, em que sentido uma igreja evangélica moderna pode não ser protestante?

Somente a Escritura

A Igreja Católica Romana tem a Bíblia como livro sagrado. No entanto a interpretação das escrituras para os fiéis depende da tradição da Igreja, do Sagrado Magistério e do papa fazer seus pronunciamentos ex catedra. Acontecimento parecido há nas igrejas evangélicas atuais. Em muitos casos quando não há base bíblica para certos ensinamentos (principalmente as proibições) apela-se para o fator “tradição da igreja”. É muito comum ouvir: “a Bíblia não trata do assunto, mas a igreja não admite a prática”.

Sabemos da realidade da tradição e que ela pode ser negativa ou positiva (II Tessalonicenses 2:15; Mateus 15:2,3,6). Porém a tradição deve ser rejeitada todas as vezes que ela se choca com a Palavra de Deus. É comum também em muitas igrejas evangélicas a palavra do pastor ser à decisiva e final, mesmo que seu uso não respeite as regras da hermenêutica e não represente o que o texto sagrado diz. Apesar de receber da Reforma o legado do livre exame da Bíblia, em muitas igrejas os crentes não tem o direito de questionar a interpretação vinda do púlpito. A Bíblia Sagrada é a única autoridade infalível dentro da igreja.

É normal também o abandono do correto ensinamento das escrituras a respeito de determinado assunto por pura conveniência. Por exemplo, em determinadas igrejas evangélicas alguns pastores até ensinam que biblicamente o misticismo é desagradável ao Senhor, mas por força do movimento histórico da igreja ele acaba ou deixando a prática mística acontecer ou angariando a antipatia dos seus próprios liderados que não compartilham das suas ideias.  
  
Somente a Graça

A doutrina da salvação pela graça incomoda o ser humano, pois, ou ele fará obras para merecê-la ou tentará colaborar com Deus para obter a salvação. A Igreja Católica Romana realiza missas em favor dos mortos tendo em vista a salvação deles. Para que o falecido fiel católico fique livre do sofrimento das chamas do purgatório seus entes devem receber neste mundo a punição estabelecida para eles, por meio da confissão pública ou particular ou pela prática de boas obras (jejuns, esmolas e orações). No século XI a Igreja Romana por meio das indulgencias comercializava coisas que não podem ser vendidas (perdão, remissão de pecados, expiação); comercializavam a fé. Resumindo: a salvação romana tem por base os méritos humanos e a barganha.

Não é muito diferente hoje em dia quando os evangélicos em vez de venderem perdão, como a Igreja Católica Romana fazia na Idade Média, vendem bênçãos terrenas em troca de dízimos ou ofertas pomposas. Ou quando não, pensam que o homem morto em delitos e pecados (Efésios 2:1,2) podem colaborar com Deus para a sua própria salvação: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2:8). Quer seja a fé, a graça ou a salvação, todos esses elementos são dom de Deus.

Somente a Fé

Como nos apropriamos da salvação? Não somos salvos pelos nossos méritos ou por algum tipo de colaboração com Deus; somos salvos pela graça por meio da fé. A fé não é o objeto da salvação, é o resultado. O objeto da salvação é Cristo. A fé na qual o pecador se apossa é dada por Deus. Na verdade é o oposto: é a fé que se apossa do pecador por meio da pregação. A fé é obra do Espírito Santo em nossos corações. No processo da salvação Deus dá ao pecador o arrependimento e a fé:

E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida. (Atos 11:18)

E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. (João 16:8)

Muitos evangélicos pensam que fé e formalismo religioso é a mesma coisa. É comum olhar para os obreiros da igreja e concluir, devido ao ativismo religioso, que eles são “pessoas de fé”. No entanto viver pela fé em Deus é muito mais que colocarmos uma roupa de crente e irmos para a igreja. Sabemos que Deus não se agrada do formalismo religioso (Isaías 1:11, 12). Se você pensa que será salvo por algo que esteja fazendo para o Senhor ou que pode colaborar (dar uma mãozinha) para sua própria salvação, você não é um crente protestante.

Somente Cristo

Cristo é suficiente para a salvação. Essa história de Cristo mais alguma coisa não passa pelo escrutínio bíblico. A Igreja Católica Romana obscurece a pessoa de Cristo quando ensina que o batismo salva e que as penitencias são necessárias para a expiação dos pecados cometidos após o batismo. A salvação não é realizada em parte por Cristo e em parte pelo homem. Ela é obra exclusiva de Deus: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.” (Isaías 64:6)

Não é preciso acrescentar nada a obra de Cristo para a salvação; ela é por si mesma eficaz. Após ler Malaquias 3:8 muitos crentes interpretam que é possível perder a salvação se negligenciarmos os dízimos, pois estamos roubando o Senhor e ladrão não entra no céu. Se isso é possível, ou se é assim mesmo, o sacrifício de Cristo não tem nem teve valor algum para os que assim creem. É Cristo mais os dízimos. Outros acham que participar de atividades eclesiásticas é sinal de comunhão com Deus e alcança o favor de Deus. Há igrejas que possuem atividades a semana inteira, e isso tem criado uma sensação de obediência a Deus e consequentemente de estar O agradando. Quanto a isso a Teologia Reformada afirma: Somente Cristo!

Glória somente a Deus

A Igreja Católica Romana venera os santos, as relíquias e os padroeiros. Entende que os santos são nossos mediadores diante de Deus, e por possuírem méritos podem interceder por nós e serem ouvidos por Deus a nosso respeito. Jesus foi muito claro e contundente à Satanás na questão de quem deve ser cultuado: “Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.” (Mateus 4:10).

Em muitas igrejas evangélicas da atualidade os pastores se tornaram em algo como “santos” ou “padroeiros”. São possuidores de poderes sobrenaturais e canalizadores das bênçãos de Deus para a vida dos crentes. Outros se tornaram tão reverenciáveis que seus “poderes” terrenos são similares ao papa romano. Subjugam e exigem, ainda que indiretamente, de seus membros uma consideração que quase beira a veneração idolátrica.

Cantores, bandas gospel, pregadores famosos, apóstolos, todos tem ocupado posição central no culto e Deus não tem sido mais o objeto de adoração e Sua glória tem sido repartida. A adoração perene tem sido substituída por euforia e efervescência carismática. Objetos tais como sal grosso, água do rio jordão, manto de Elias, toalhinha santa, cajado de Moisés, etc, são como mediadores entre as bênçãos de Deus e as necessidades física e externas dos homens. Contra isso a Teologia Reformada brada: Somente Cristo.

Nem polêmico nem covarde

Não quero ser polêmico, mas não posso ser covarde. Nem todas as igrejas evangélicas podem se considerar legítimos herdeiros da Reforma Protestante, ainda que façam uso do seu legado. A princípio são herdeiros da Reforma as igrejas historicamente reformadas. Depois são herdeiros da Reforma as que essencialmente mantêm verdadeiramente os cinco fundamentos da Teologia Reformada. Há igrejas, por exemplo, que são historicamente reformadas, mas se tornaram pentecostais. Na direção contrária temos igrejas pentecostais que se consideram reformadas, ou seja, creem na contemporaneidade dos dons, mas são calvinistas. Sinceramente não vejo lógica nem coerência nisso. Assim como não vejo lógica nem coerência em alguns pastores intelectuais entre os pentecostais que dizem crer nos cinco fundamentos da Teologia Reformada, mas as igrejas sob suas lideranças não vivenciam os mesmos na prática.

Para manter a tradição de suas respectivas igrejas muitos pastores pentecostais preferem deixar o assunto da Reforma Protestante apenas na teoria ou tecer os comentários apenas no meio intelectual. Ser herdeiro da Reforma não consiste em individualizar o entendimento a respeito dos cinco fundamentos, mas ensinar e exigir que as igrejas pratique isso no dia a dia.

Uma igreja que afirma apenas a teoria dos fundamentos da Reforma Protestante, mas não pratica, não pode ser tida como herdeira da Reforma.

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quarta-feira, 30 de outubro de 2013

COMPREENDENDO O SENTIDO DOS MILAGRES

Por Gilson Barbosa

No trajeto para minha casa passo sempre em frente a uma igreja pentecostal. Um enorme outdoor anuncia que nesta igreja “o impossível não existe”. Mas, em contraste com o anuncio sempre lembro um irmão que frequenta a referida igreja, “onde o impossível não existe”, e que acometido de uma grave enfermidade na perna insiste em “desafiar” a legenda do outdoor, pois não consegue ser curado desta doença. Pelo menos para ele, o impossível persiste em existir. A justificativa para a ausência da cura, obviamente, será a falta de fé ou até mesmo falhas na vida espiritual do pobre irmão.
Porém, há explicações bem mais plausíveis para a ausência de curas, milagres, maravilhas e sinais espetaculares. De forma geral podemos dizer que Deus tem propósitos bem definido, e isso inclui os elementos que estamos discutindo. Tudo o que acontece está dentro da sua soberana vontade. Às vezes o crente é curado, às vezes não, e às vezes pode vir até mesmo a óbito. A cura e ou os sinais maravilhosos de Deus não são simplesmente para satisfazer as necessidades humanas, para a produção de bem estar físico, nem possui caráter subjetivo. A ação miraculosa de Deus possui propósitos claros, objetivos, que muitas vezes não iremos compreender. Como compreender que Deus não processou a cura em Paulo e ainda disse que o apóstolo deveria contentar-se com Sua graça? (II Coríntios 12: 7-10). A cura de Paulo não glorificaria a Deus? Porém, precisamos entender que em todas as circunstancias Deus sempre é glorificado. O que tem acontecido é que as pessoas estão em busca de um Deus que faça algo por eles.

Nesta postagem quero propor biblicamente algumas razões pelas quais nosso Senhor Jesus Cristo efetuava maravilhas e milagres, especialmente quando curava ou expulsava demônios. Eis alguns pontos:
1 – Como inauguração “de uma nova religião”
“E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.” (Marcos 3:5).
O evangelista Lucas (6:7) nos informa que os escribas e fariseus estavam na sinagoga ouvindo a pregação de Jesus, mas a intenção era ver se Jesus curaria um homem que tinha a mão direita ressequida. Sabemos que a religião vigente nos dias de Jesus era o judaísmo. O dia de sábado era considerado sagrado para os judeus e por várias vezes, no ministério de Jesus, este assunto foi motivo de polemica e discussão. A desobediência a este mandamento era punida com a morte por apedrejamento (Números 15:32-36). Porém, aquilo que foi ordenado por Deus como um dia de reflexão espiritual e adoração (a santificação do sábado), logo passou a ser interpretado de forma diferente e equivocada pelo judaísmo.

Jesus compreendia a essência da ordem Divina de santificar este dia. Porém para os judeus a guarda do sábado identificava a verdadeira religião. Sabedor disto Jesus indaga: “E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se.” (Marcos 3:4). Diante do silencio dos escribas e fariseus Jesus efetuou a cura da mão do homem, como comprovação de que dava inicio pelo seu ministério uma nova maneira de se relacionar com Deus. “E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.” (Marcos 3:5).

2 – Cristo tinha em si mesmo o poder de realizar milagres
Jesus não precisava orar ao Pai pedindo poder para curar. Não é que Ele tinha o dom de curar; ele curava por seu próprio poder e autoridade. As pessoas não tinham dúvida que se pelo menos tocassem na orla da sua veste receberiam a cura:
E, quando já estavam no outro lado, dirigiram-se à terra de Genesaré, e ali atracaram. E, saindo eles do barco, logo o conheceram; e, correndo toda a terra em redor, começaram a trazer em leitos, aonde quer que sabiam que ele estava, os que se achavam enfermos. E, onde quer que entrava, ou em cidade, ou aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua roupa; e todos os que lhe tocavam saravam. (Marcos 6:53-56)
Ninguém pode dizer que tem em si mesmo poder para curar as pessoas; se bem que alguns pastores pensam que sim. Se o Senhor curar alguém que fique claro que é por sua infinita graça e bondade e não por causa do pastor A ou B. Jesus não precisava fazer campanha de curas e efetuá-las no ultimo dia. Ele não precisava se esforçar para curar as pessoas; simplesmente as pessoas tocavam Nele eram curados simultaneamente.
3 – A operação de maravilhas comprovavam que Jesus era o Filho de Deus
Dizer que Jesus era o Filho de Deus trata-se de um hebraísmo. A expressão é a mesma coisa de dizer que Ele era essencialmente Deus:
E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus. (Marcos 3:11)
Os espíritos imundos sempre reconheceram que Jesus possuía os atributos da Divindade e quando ele os expulsava reivindicava pessoalmente esse título:

E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega. E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes. Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois? E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa. (Atos 19:13-16)
4 – Os milagres não autenticam os recebedores
E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele virtude, e curava a todos. (Lucas 6:19)
Jesus não curava apenas os que criam Nele ou os seus seguidores. Ele curava a todos, informa o escritor Lucas. Ser curado, receber algum milagre de Deus ou até mesmo efetuar milagres e sinais espetaculares não é garantia de vida eterna e nem de ser um fiel e verdadeiro discípulo de Cristo.

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. (Mateus 7:21-24)
Interessante é que Jesus afirma nunca ter conhecido essas pessoas. Elas fizeram ações que muitos julgam como as mais importantes no evangelho moderno: profetizaram, expulsaram demônios, efetuaram muitas maravilhas. No entanto nunca foram regenerados; não experimentaram a conversão verdadeira. Seus ministérios nunca tivera a aprovação Divina.

5 – Os milagres eram as credenciais do Messias
Cada vez mais a expectativa da vinda do Messias parecia se esfriar no coração dos judeus. Até mesmo João Batista teve dúvidas e enviou dois dos seus discípulos para indagarem Jesus se Ele era o Messias prometido nas escrituras ou não. Diante dessa pergunta Jesus realizou alguns sinais para que João não tivesse mais dúvida e tranquilizasse seu coração:

E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E, quando aqueles homens chegaram junto dele, disseram: João o Batista enviou-nos a perguntar-te: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espíritos maus, e deu vista a muitos cegos. Respondendo, então, Jesus, disse-lhes: Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho. E bem-aventurado é aquele que em mim se não escandalizar.  
6 – As operações de maravilhas anunciavam a chegada do Reino de Deus

O Reino Deus é o seu governo no coração das pessoas. Só pode fazer parte do reino aqueles a quem o Senhor elege. O judeu com seu orgulho religioso dificilmente seria convencido de que o plano da salvação se estendia a todos os povos, tribos, línguas e nações. Por várias vezes Jesus utilizaria o recurso da cura, dos sinais, maravilhas e milagres para anunciar que por meio Dele o Reino Deus havia chegado ao mundo.
Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios. Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam então vossos filhos? Portanto, eles mesmos serão os vossos juízes. Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus.  
7 – Os apóstolos receberam autoridade diretamente de Jesus

Hoje em dia se discute muito a questão da contemporaneidade dos dons; eu não vou entrar nesse mérito. Apenas reforço o fato de que eles receberam a autoridade de curar, expulsar demônios e operar maravilhas, por meio direto.

E, CONVOCANDO os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades. (Lucas 9:1)
Os apóstolos receberam autoridade diretamente de Cristo. Como Cristo ascendeu ao céu e não há mais apóstolos (semelhantes aos apóstolos de Cristo) entende-se que houve mudanças significativas quanto às necessidades e realizações de milagres e maravilhas. A condição dos apóstolos era Sine Qua Non; a nossa não.
8 – Os milagres servem como juízos de Deus
Ninguém atenta para este fato. Longe de causar euforia os milagres deveriam provocar temor a Deus. Todos deveriam se comportar com muita humildade diante de acontecimentos sobrenaturais. Tristemente observamos pessoas arrogantes exigindo de Deus a cura e os milagres. Deveriam saber que estão acumulando sobre si a ira de Deus reservada para o ultimo dia.

Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se operou a maior parte dos seus prodígios o não se haverem arrependido, dizendo: Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti. (Mateus 11:20-24)
Depreendemos do texto que é possível os milagres não produzir nas pessoas que tem ou tiveram algum tipo de conhecimento sobre Deus nenhum arrependimento genuíno. Porém, isso implica em maior juízo, maior castigo. Os que vivem em busca de milagres o tempo todo deveriam prestar mais atenção nisso e buscar a misericórdia de Deus.

Três coisas fundamentais

A primeira é que a multidão é fascinada por sinais espetaculares de Deus (Marcos 1:45; 3:7; 6:31). Ela não se importa em servir ao Senhor em espírito e em verdade. O que importa mesmo é a realização de algo fantástico. A segunda é que o foco deve estar na Soberana vontade de Deus. Crentes piedosos e abnegados servos do Senhor morrem todo o dia. Os mesmos estão sujeitos a terem filhos com algum tipo de deficiência. Não se desespere se for esse o seu caso. Confie na soberania de Deus; Ele sabe o que faz. A terceira é que o maior de todos os milagres é pertencer à família de Deus; é fazer parte do seu povo na terra; é ter certeza de vida eterna:

E foram ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele, por causa da multidão. E foi-lhe dito: Estão lá fora tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te. Mas, respondendo ele, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam. (Lucas 8:19-21)
E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum. Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus. (Lucas 10:18-20)
Com amor em Cristo Jesus
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terça-feira, 22 de outubro de 2013

A GRAÇA COMUM DE DEUS NA HUMANIDADE

Por Gilson Barbosa

Muitos de nós por termos recebidos certas influencias evangélicas crescemos ouvindo que o cristão não pode praticar esportes, não deve ir ao cinema, teatro, e os mais radicais até mesmo proibiam cursar uma faculdade (Ou seja, estudar muito levaria o crente a esfriar na fé). Para alguns tudo o que faz parte normal da vida parece conspirar contra a fé. Há anos atrás ouvi de certo líder evangélico que se fosse para os jovens da igreja “desviarem dos caminhos do Senhor” era melhor não fazerem faculdade. Que absurdo! Este tipo de atitude é baseado na distinção entre o que se faz na igreja, ou aquilo que é espiritual, e o que se faz fora da igreja ou o que não é espiritual.

É muito comum pensarmos que a vida é feita de compartimentos isolados. Alguns entendem que cantar, pregar, orar, ir à igreja, ouvir música evangélica, está associado apenas a vida espiritual; enquanto que o trabalho, o estudo, a diversão, ou seja, aquilo que não esteja ligado à igreja e ou as atividades eclesiásticas está associado à vida secular. Essa distinção traz consequências trágicas para a vida. O campo da ação de Deus abrange tanto a vida espiritual quanto a vida secular. Trabalho, saúde, família, lazer, cultura, igreja e ou atividades eclesiásticas é tudo uma coisa só. Todas estas coisas fazem parte da vida e é nosso dever honrar ao Senhor em tudo: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus.” (I Coríntios 10:31).

Quando Adão e Eva pecaram foram privados da presença de Deus e deixaram de ser imortais. Contudo, continuaram a desfrutar da bondade de Deus. Deus nãos os privou do sexo, de ter filhos, de desfrutar da criação, de serem felizes, de produzir cultura e até mesmo da longevidade (Se lembra com quantos anos Adão morreu? leia Genesis 5:5). Mesmo tendo pecado, de alguma maneira Deus não reteve sua bondade sobre o casal. A Bíblia informa que o “salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23), mas nem por isso pecadores não desfrutam de uma parte da bondade de Deus nesta vida.

Às vezes nos perguntamos como pode pessoas “ímpias”, “desobedientes aos mandamentos de Deus”, ateus, céticos, viverem uma boa vida, serem bem sucedidos na carreira, terem sempre o que comer, o que vestir, alguns são até mesmo felizes!!! Sabe o que isso significa? Essas coisas procedem graciosamente de Deus. Na Teologia Reformada isso é chamado de a graça comum de Deus. Leia os textos abaixo e reflita se não é assim:

“Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.” (Mateus 5:44, 45 – meu grifo)

“Amai, porém a vossos inimigos, fazei bem e emprestai, nunca desanimado; e grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os integrantes e maus.” (Lucas 6:35 – meu grifo)

“Quando, porém, os apóstolos Barnabé e Paulo ouviram isto, rasgaram as suas vestes e saltaram para o meio da multidão, clamando e dizendo: Senhores, por que fazeis estas coisas? Nós também somos homens, de natureza semelhante a vossa, e vos anunciamos o evangelho para que destas práticas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar, e tudo quanto há neles; o qual nos tempos passados permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos. Contudo não deixou de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo-vos de mantimento, e de alegria os vossos corações.” (Atos 14:14-17 – meu grifo).

O teólogo Wayne Grudem define a graça comum de Deus da seguinte maneira: “Graça comum é a graça de Deus pela qual ele dá às pessoas inumeráveis bênçãos que não fazem parte da salvação” (Teologia Sistemática, p. 549). Note que não se trata da “graça salvífica ou salvadora de Deus”. Aliás, existe apenas uma só graça, mas ela se manifesta de duas maneiras: graça especial e graça comum.  

Não devemos deixar de reconhecer que todas as pessoas recebem a operação da graça comum de Deus. Alguns crentes desvalorizam o que é produzido por não crentes. Outros depreciam tanto o fato de alguém não ser um crente que cometem abusos no julgamento. É importante saber que

“... mesmo entre aqueles que não são cristãos, há muitas pessoas que tem bom caráter, são honestas, trabalhadoras, confiáveis, generosas, amáveis e capazes de grandes realizações em todas as áreas da vida (cultura, arte, ciência, etc.).” (Revista Palavra Viva, Editora Cultura Cristã)

Todas as pessoas, e não somente os crentes, foram criados à imagem e semelhança de Deus (Genesis 1:26,27; Tiago 3:9). Os talentos naturais são propriedades de Deus e ele outorga as pessoas indistintamente; por isso um não crente realiza muitas coisas que são lícitas e que um crente pode usufruir.

“Um livro de poesias não precisa ser escrito por um cristão para ser bom. Da mesma forma, um médico pode um profissional brilhante e dar grandes colaborações para a sociedade sem ser cristão. Nos dois casos, o escritor e o médico desenvolvem suas atividades com os talentos que receberam de Deus. Toda boa dádiva é procedente de Deus (Tiago 1:17).” (Revista Palavra Viva, Editora Cultura Cristã)

É necessário o crente ter discernimento quanto ao que é lícito ou não; mas não lhe é facultado o direito de compartimentar a vida. Muitos crentes vivem uma vida dupla por causa dessa dicotomia entre o sagrado e o profano. Na igreja são super santos, porém no trabalho, em casa, na escola, na rua, envergonham o santo nome de Deus se metendo em confusão e vivendo uma vida sem nenhuma ética, sem nenhum temor as palavras do Senhor.

Não esqueça que tudo que existe na vida procede de Deus. Ele é o Criador de todas as coisas. Não há motivo suficiente para privar-se dos talentos naturais que Deus lhe concedeu. Pinte um quadro, faça artesanato, escreva uma poesia, pratique esportes, aprenda a tocar um instrumento musical, visite um museu, vá ao teatro. Fazer essas coisas não significa ser mundano; apenas que podemos usufruir com sabedoria destas coisas:

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. (Filipenses 4:8)

Como mencionei no inicio esta graça comum de Deus não é redentiva; ela não significa que pecadores serão salvos (Romanos 5:10; Colossenses 1:21; Tiago 4:4; Filipenses 3:18, 19; Efésios 2:3). Porém, não precisamos viver como monges católicos da idade média; como um ermitão. Essa atitude em vez de santidade pode esconder uma conduta hipócrita.


Que o Senhor nos dê discernimento para vivermos a vida com sabedoria e graça!

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A VIOLAÇÃO DO SEGUNDO MANDAMENTO:PADROEIRA DO BRASIL

Por Gilson Barbosa

Não é necessário ser nem um estudante básico em teologia para entender que o primeiro mandamento ordena adorar somente a Deus e o segundo que não devemos adorá-lo através de qualquer objeto intermediário.
        Não terás outros deuses diante de mim. (1º mandamento – Êxodo 20:3)
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. (2º mandamento – Êxodo 20:4,5)
Esses textos bíblicos também constam na Bíblia católica; e por que insistem em honrar e venerar as imagens de Cristo, Maria e de outros santos? Na verdade a Igreja Católica afastou o quanto pôde seus fiéis da leitura e compreensão do mandamento de não confeccionar imagens com a finalidade de alcançar alguma graça divina por meio representativo. É comum os católicos dizerem que não oram à imagem, ao ídolo, mas ao espírito ou à pessoa que é representada por ele. Mas esta é uma resposta tola, pois mesmo que não haja pretensão é muito difícil um fiel católico distinguir entre o ídolo e deus ou espírito que ele representa. E mais, a Bíblia em nenhum lugar ordena a oração ou veneração a algum dos servos de Deus; nem em vida nem após sua morte. A oração deve ser feita somente a Deus em nome de Cristo (João 16:23). Cristo é o único intermediário entre Deus e os homens (I Timóteo 2:5). Será que é tão difícil entender isso?
A imagem de Conceição Aparecida
Hoje (12/10/2013) é comemorado em nosso país (Brasil) o dia de Conceição Aparecida. Foi no dia 31 de maio de 1931, no governo de Getúlio Vargas, que a imagem de barro da Conceição Aparecida foi declarada, oficialmente, na Capital Federal, a Padroeira do Brasil.
Segundo a teoria oficial da Igreja Católica Romana no ano de 1717 alguns pescadores retiraram do rio Paraíba do Sul, no local denominado porto de Itaguaçu (localizado no atual município de Aparecida em São Paulo), uma imagem negra da Imaculada Conceição. A imagem é de barro, medindo 39 centímetros e pesando aproximadamente 4,5 kg, sem o manto e a coroa, que foram acrescentados (apud Defesa da Fé, edição 26).
A narrativa afirma que os pescadores não tinham até aquele momento apanhado peixe algum, mas a partir dessa descoberta da imagem fizeram uma farta pescaria que encheu as canoas de peixe. Há uma semelhança deste relato com a pesca milagrosa (Lucas 5:1-11) envolvendo Jesus e alguns discípulos. Porém, segundo o Dr. Aníbal Pereira dos Reis, essa teoria não passa de armação de um pároco local:
Segundo o Dr. Aníbal Pereira dos Reis, ex-sacerdote, ordenado em 1949, formado em teologia e ciências jurídicas pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo, em seu livro A Senhora Aparecida, Edições Caminho de Damasco Ltda., SP, 1988; trata-se de uma grande armação do padre José Alves Vilela, pároco da matriz local. Segundo suas investigações, foi o padre José Alves Vilela quem colocou a imagem no rio e iniciou planejadamente a divulgação dos supostos milagres, além de estar manipulando todo o tempo à imagem e divulgando seus supostos milagres. (apud Defesa da Fé, edição 26)
Em Portugal, na pequena cidade de Fátima, a Virgem Maria é denominada de Nossa Senhora de Fátima. Em 13 de maio de 1917, segundo a teoria católica romana, três crianças tiveram a visão de uma senhora perto de Fátima, quando estavam pastoreando ovelhas:
As crianças afirmaram que a mulher, usando um vestido e um véu brancos, lhes dissera para voltarem lá no 13º dia de cada mês até outubro, quando ela lhes contaria quem era. No dia 13 de outubro, ela lhes disse que era Nossa Senhora do Rosário e pediu às crianças que rezassem o rosário todos os dias. Pediu que as pessoas corrigissem suas vidas e pediu também que uma capela fosse construída em sua honra. Em 1930, a Igreja Católica Romana autorizou a devoção à Nossa Senhora de Fátima. Desde então, milhões de pessoas fazem peregrinação a Fátima. (Enciclopédia Delta Universal)
Não é de hoje que deusas são adoradas nas religiões pagãs. O apologista Hélio de Souza escreveu que “não é óbvio presumirmos que as antigas divindades tutelares reverenciadas no passado apenas mudaram de nome? Diana para os efésios, Nun para os ninivitas, Ishtar  para os babilônios, Kali para os hindus e, assim, continuam sendo cultuadas por meio de um pseudocristianismo”.
O catolicismo romano foi dando a Virgem Maria feições diversas incorporando-a ao acervo popular de inúmeras nações.  Desta forma absorveu a ideia de deusas do paganismo e incorporou as características culturais, raciais e étnicas de cada nação. Por isso em Portugal, a Virgem Maria é conhecida como “Senhora de Fátima”; no Brasil “Conceição Aparecida; na França “Senhora de Lourdes”; no México “Senhora de Guadalupe”; no Japão “Senhora da Estrela da Manhã”.  
Adoração e veneração

À Maria é feita oração, preces, pedido de milagres, e milhões de casas brasileiras possuem um altar a ela.  O catolicismo romano afirma que os católicos não adoram Maria, mas apenas veneram. Porém, essa distinção não acontece na prática. É como disse o apologista Alberto Fonseca:
Há diferença entre adorar e prestar culto? Se prostrar-se diante de um ser, dirigir-lhe orações e ações de graça, fazer-lhe pedidos, cantar-lhe hinos de louvor não for adoração fica difícil saber o que o catolicismo romano entende por adoração. Chamar isso de veneração é subestimar a inteligência humana.
Os atos descritos acima, por parte do fiel católico, se configuram idolatria e somente Deus pode receber tais considerações. A Bíblia afirma e ordena: “Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”. (Mateus 4:10)
Resumindo: não existe adoração relativa, paralela nem veneração a pessoas. O fato de reconhecer Maria como bem-aventurada por ser a mãe de Jesus é bíblico (Lucas 1:48), expandir isso é descambar em idolatria. João foi o ultimo apóstolo e se os primeiros cristãos prestassem algum tipo de culto a Maria ou aos “santos” poderia muito bem ter nos informado e incentivado a tal prática. Porém ele escreve: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (I João 5:21). Lembro aos leitores que um ídolo bem pode ser uma imagem de escultura, porém em um sentido mais lato, idolatria pode indicar veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc, que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos.
Amor aos católicos romanos
O fato da Bíblia não aprovar o culto aos santos ou a Maria não deveria ser motivo de qualquer sentimento de aversão ou até mesmo ódio da parte dos evangélicos aos católicos romanos ou vice-versa. A verdade pode até doer, mas continua sendo a verdade. O apóstolo Paulo disse aos gálatas: “Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?” (Gálatas 4:16).
Os evangélicos não consideram a “Nossa Senhora da Conceição Aparecida” como Padroeira do Brasil porque há um só Deus e Senhor e somente Ele deve ser venerado ou adorado e mais ninguém:
Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. (Deuteronômio 6:4)
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. (Filipenses 2:11)
Com amor,

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domingo, 6 de outubro de 2013

MARCAS DE UMA IGREJA VERDADEIRA

Por Gilson Barbosa

Devemos ter consciência de que não há igreja perfeita; isto é, a igreja como instituição. Esperar esta perfeição é “viajar na utopia”. Existem igrejas verdadeiras e igrejas falsas e isso não é difícil detectar. É só compararmos as igrejas com as seitas. Porém, reflito este assunto no sentido de saúde da igreja. O que é uma igreja saudável? Neste caso, há igrejas que são mais puras e outras menos puras.
Apesar de eu não admitir heresias nas igrejas evangélicas e até mesmo aponta-las, não ouso desclassifica-las como igrejas onde o Senhor deseja ser corretamente adorado nela. Lendo as cartas que o Senhor endereçou a algumas igrejas percebemos que talvez a pior igreja da Ásia tenha sido a de Laodicéia. Nela não há nenhum elogio:
 
E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. (Apocalipse 3:14-18) 
Que situação catastrófica! Que tragédia espiritual! No entanto o Senhor ainda dá a esta igreja mais uma chance:
Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. (Apocalipse 3:19,20) 
Porém, permanecer dentro de uma igreja como a de Laodicéia está na capacidade de paciência de cada crente. Pode ser que chegue o tempo onde o membro terá que tomar a decisão de permanecer ou não numa igreja nestas condições. Essa atitude também não é errada nem se configura pecado. É óbvio que não temos nem vemos na Bíblia exemplos de crentes procurando uma igreja mais pura para congregar. Parece que o contrário era verdadeiro: os falsos crentes é que a deixavam (leia I João 2:19). Mas pode ser que uma igreja se distancie muito da ortodoxia a ponto do membro decidir não permanecer mais nela. Então: que igreja frequentar? Quais devem ser os critérios que influenciarão na decisão? Sugiro alguns pontos.
 
1 – Uma igreja que prioriza a verdadeira pregação. Contudo, não se trata de qualquer pregação. Ela deve conter no mínimo dois elementos: ser verdadeira e expositiva. Quanto a ser verdadeira consta a sinceridade do pregador. Há muitos pregadores que sabem e conhecem corretamente as verdades doutrinárias, mas por diversas razões não possuem vontade de exercitá-la. São desonestos ou mal intencionados.
Quanto à maneira a pregação deve ser expositiva. Há muitos tipos de pregações, mas não são eficazes.  Não incentivo os métodos que usam as pregações textuais, temáticas, tópicas, biográficas, e por ai afora. Quando o apóstolo Paulo se despede dos irmãos efésios mencionou algo importante:
 
Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus. (Atos 20:27) [ênfase minha] 
A pregação expositiva compreende o modo continuum. Este pode ser livro por livro, capítulo por capítulo. Outro ponto importante na pregação expositiva é o valor conferido ao contexto do capítulo que se está pregando. Ela é um manancial abundante de edificação, fortalecimento e exortação. Algumas pessoas não tem paciência com a pregação expositiva, pois, presumo eu, ela não se preocupa com os interesses individuais. Ela se preocupa com o que diz o texto bíblico e como aplica-lo à nossa vida. A pregação deve ter centralidade em nossos cultos. Uma igreja que a permuta por musicas, entretenimentos, eventos, programações, está fadada ao engano religioso e confusão no entendimento prático da fé cristã.
 
Se você é membro de uma igreja procure valorizar e ouvir a pregação expositiva. Se você leitor, for pastor e ou pregador se esforce em pregar este tipo de sermão. Não iluda o povo com mensagens particulares e arbitrárias.
2 – Uma igreja que pratica uma teologia bíblica. Não me refiro a debates fúteis e intermináveis nem a academicismo teológico. Refiro-me as crenças corretas. É antes de tudo uma cosmovisão bíblica do que teológica. Uma teologia bíblica se fundamenta numa hermenêutica sadia, exata, confiável, fiel e sincera. O apóstolo Paulo advertiu Timóteo sobre uma característica perversa dos últimos dias: os desvios teológicos.
 
Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. (II Timóteo 4:3, 4)
Se você frequenta uma igreja onde os pontos fundamentais da fé cristã estão sendo distorcidos sugiro que a deixe. É necessário ter um entendimento correto a respeito das doutrinas importantes, tais como a do Homem, Cristo, Deus, Bíblia, Pecado, Espírito Santo, Salvação. É verdade que alguns pontos são secundários e não deveriam ser o “divisor de águas” das denominações evangélicas.
 
As doutrinas estão pontuadas nas escrituras sagradas para um entendimento correto; é o próprio Deus que deseja isso. Não deveria servir para dividir as denominações nem para a arrogância espiritual de qualquer pessoa. Não creio em inúmeras possibilidades de interpretações de um mesmo texto bíblico. Ele deve ter apenas um sentido.
É importante conhecer, saber e compreender nossas crenças. Isso fortalece nossas convicções e dá segurança. Particularmente entendo que alguns grupos evangélicos interpretam mais adequadamente os textos bíblicos. A Teologia Reformada, por exemplo, possui em seu bojo uma coerência estrutural quando analisada à luz das escrituras. Procure se informar a respeito desta teologia para sua edificação espiritual.
 
Mark Dever, em O Que é uma Igreja Saudável? (Ed:Fiel) escreveu a respeito da graça em possuir uma teologia:
Hoje a cultura materialista é norteada pelo mercado, que nos cerca, frequentemente encoraja as igrejas a entenderem a obra do Espírito em termos de marketing e tornarem a evangelização em anúncios. Deus é remodelado à imagem do homem. Em tais ocasiões, uma igreja saudável tem de ser bastante diligente em suplicar a Deus que seus líderes tenham uma compreensão bíblica e experiencial da soberania de Deus. Devem também rogar-lhe que seus líderes permaneçam totalmente comprometidos com a sã doutrina em toda sua glória bíblica.  
3 – Uma igreja que aplica a disciplina bíblica. Muitas igrejas estão vivendo em caos espiritual porque não se preocupam mais com a doutrina da santificação. Segundo o apóstolo Pedro a igreja é uma nação santa:
 
Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. (I Pedro 2:9) 
A igreja deve refletir o caráter de Deus: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (IPedro 1:15, 16). A desobediência aos mandamentos do Senhor, conforme registrado nas escrituras, com certeza redunda na desaprovação e castigo divino. Foi assim em todo o Antigo Testamento e não é diferente no Novo. O ultimo caso grave de aplicação da ira Divina vemos seu desdobramento físico no casal Ananias e Safira. Hoje Deus não pune mais pessoas como nos dias primitivos. Isso não significa que devamos ocultar pecados e manter conivência com os mesmos. O pecador deve ser admoestado. Leia I Coríntios 5:1-11.
 
A disciplina bíblica visa manter a santidade da igreja e não apenas punir os faltosos com base em algum tempo de reclusão. O pastor Augustus Nicodemus Lopes, em Mantendo a Pureza da Igreja (Ed: Cultura Cristã), destaca pelo menos três alvos da Disciplina Bíblica: Zelar pelo nome do Senhor, manter a pureza da Igreja e restaurar os faltosos.
A responsabilidade de julgar as ações de líderes e membros cabe à igreja local. É certo que um dia Deus julgará as obras de seu povo, porém a Bíblia ordena santidade na conduta dos que o servem e quando estes transgredirem  a lei de Deus devem ser exortados seriamente e em amor.
 
Três elementos essenciais
Na igreja onde você frequenta há estes três elementos? Pregação expositiva, teologia bíblica e disciplina bíblica? Se a resposta for negativa, a situação não é nada boa, pois não há a mensagem exata de Deus, crença correta, nem preocupação com a santidade do povo.
 
Que o Senhor tenha piedade dela!
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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

CONFISSÃO POSITIVA ou ABRACADABRA EVANGÉLICO?

Por Gilson Barbosa
 
Os adeptos da Confissão Positiva dizem que há poder em nossas palavras. Por esta razão não podemos pronunciar palavras negativas, pois elas podem trazer à realidade o que foi dito. Sendo assim é inadmissível dizer palavras tais como: “estou morrendo de fome” ou “parece que estou ficando calvo” ou “estou com uma leve dor de cabeça”. Significaria que você realmente morreria de fome, ou ficaria careca, ou ainda passaria de uma leve para uma forte dor de cabeça.
Mas, o que significa “confissão positiva”? Segundo o Dictionary Of Pentecostal And Charismatic Movementes (apud ROMEIRO, 1993, p.6):
 
A expressão “confissão positiva” pode ser legitimamente interpretada de várias maneiras. O mais significativo de tudo é que a expressão “confissão positiva” se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão.

Para que coisas ruins não se materializem em sua vida você precisa corrigir seus pensamentos e evitar pronunciar algo que soe ruim. Para os adeptos da Confissão Positiva ou da Teologia da Fé existem leis impessoais que regem o mundo espiritual e para que elas funcionem você deve usar o que chamam de “As Fórmulas da Fé”. Estas fórmulas ativam as leis espirituais e uma vez ativado possui poder para beneficiar o crente. Como escreveu o pastor Antonio Pereira da Costa Junior a fórmula consistem em:
 
- “Diga a coisa”, positiva ou negativa, tudo depende do indivíduo;
- “Faça a coisa”, o que nós fazemos irá determinar a nossa vitória;
- “Receba a coisa”, a fé irá dinamizar a ação e Deus tem que responder, pois está preso a “leis espirituais”;
 
- “Conte a coisa”, para que outras pessoas possam crer. Deve-se usar palavras como: decretar, exigir, reivindicar, declarar, determinar, e não se pode pedir “se for da tua vontade”, pois isso destrói a fé.

Leis espirituais
Os defensores da Confissão Positiva afirmam que Deus criou leis espirituais que reagem à fé daquele que crê. As leis são impessoais e funcionam independente de Deus. Sobre isso o Dr Alan B. Pieratt vê um paralelo com o deísmo dos séculos 17 e 18. No seu livro O Evangelho da Prosperidade ele escreveu:

Não é a primeira vez que essa ideia aparece na história da igreja. Nos séculos XVII e XVIII, alguns teólogos ingleses receberam o nome de “deístas”, por proporem ideias parecidas com essa. A figura que eles usavam para explicar o modo como Deus conduz o mundo era de natureza mecânica: o universo é como um relógio ao qual ele deu corda no inicio dos tempos. Desde então, ele não precisa mais de nenhuma atenção, mas funciona automaticamente, livrando Deus da necessidade de intervir no curso natural da história humana.
 
“Poder nas palavras”

A palavra falada é extremamente importante para os adeptos da Confissão Positiva. Ela vem em primeiro lugar na “formula da fé”. Há poder nas palavras, defendem os adeptos. Na tentativa de justificar biblicamente que nossas palavras podem criar coisas boas ou ruins citam os versículos abaixo:
 
E te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras a tua boca. (Provérbios 6:2)
Kenneth Hagin (um dos “teólogos” da Confissão Positiva) ensina que se alguém falar positivamente obterá resultados positivos; mas se falar negativamente obterá resultados negativos. Porém conforme afirma Hank Hanegraaff este versículo nada tem a ver com algum tipo de “fórmula da fé”.
Nesta passagem Salomão estava simplesmente pontuando que sempre que alguém entra num acordo com uma pessoa, ela se obriga por esse acordo. Ser fiador de uma pessoa o converte em responsável pelas dívidas desta pessoa. (Cristianismo em crisis, p. 77, Editorial Unilit)
Se você afiançou alguém, muito cuidado! É exatamente essa ideia que temos ao ler o contexto que compreende os versículos 1-5: “Filho meu, se ficaste por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho, e te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca; faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, já que caíste nas mãos do teu companheiro: vai, humilha-te, e importuna o teu companheiro. Não dês sono aos teus olhos, nem deixes adormecer as tuas pálpebras. Livra-te, como a gazela da mão do caçador, e como a ave da mão do passarinheiro”.
A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto. (Provérbios 18:21)
Antonio Pereira da Costa Junior explica esse texto como segue:
Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este verso não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores. (Artigo: Há realmente poder em nossas palavras?)
Confissão negativa pega em crente?
O apologista Paulo Romeiro (Super Crentes, p.26, Ed:Mundo Cristão) informa que os defensores da confissão positiva “creem que, se algo negativo for declarado, isto se concretizará, resultando numa espécie de automaldição, uma expressão também cunhada pelos seus pregadores”. Por conta disso muitos evangélicos tornaram-se obcecados com as palavras que são proferidas. Se numa conversa informal com outros irmãos contiver palavras negativas os mesmos serão até mesmo exortado. Mas será que é assim mesmo?
Temos exemplos bíblicos de pessoas tementes a Deus que professaram o mal, porém isso não o tornou em realidade. Em Genesis 42:36 Jacó disse que José já não existia mais, porém suas palavras não causaram efeito negativo trazendo a morte à José: “Então Jacó, seu pai, disse-lhes: Tendes-me desfilhado; José já não existe e Simeão não está aqui; agora levareis a Benjamim. Todas estas coisas vieram sobre mim”.
Três jovens, fiéis e tementes a Deus, admitiram a possibilidade do Senhor não os livrar da fornalha ardente do rei Nabucodonosor e nem por isso pereceram no fogo: ”Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste”. (Daniel 3:17,18). [a ênfase em itálico e negrito é minha]
Certamente Jesus desconhecia esse ensino herético “do poder nas palavras” de seres humanos falíveis; e com certeza não foi suas palavras que o levou a morte de cruz: “Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar. E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo”. (Mateus 26:36-38)
 
Mesmo regenerado e convertido Paulo reconhecia que era um grande pecador. Porém essa confissão não trouxe a maldição do pecado sobre si o tornando num cometedor de pecados: “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” (I Timóteo 1:15)
 
A igreja filipense ouviu que Epafrodito, companheiro de Paulo, estava doente. Fica implícito no texto e na narrativa que não se preocuparam em omitir a palavra “doente” para Epafrodito ao mencioná-lo em seu momento difícil. Não foi as palavras que o deixaram doente, mas o fato de mencionar a doença não complicou mais sua saúde, pelo contrário, o Senhor teve misericórdia e dele e restabeleceu sua saúde: “Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades. Porquanto tinha muitas saudades de vós todos, e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente. E de fato esteve doente, e quase à morte; mas Deus se apiedou dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.” (Filipenses 2:25-27).

Quando Tiago disse que da nossa boca procede benção ou maldição (Tiago 3:10) não se referia a palavras mágicas imantada com poder de transferir na vida da pessoa o que fora proferido. O pastor Augustus Nicodemus Lopes dá a seguinte interpretação do texto:
 
Havia, de fato, nas igrejas de seus leitores pessoas que causavam problemas com suas palavras – e eram provavelmente os mestres aos quais Tiago se dirigiu no inicio desse capítulo e na parte final (3:13-18) [...] o apóstolo Paulo exorta os crentes a ser coerentes no uso da língua: devem parar de falar palavras torpes e, dizer apenas o que edifica (Ef 4:29; cf Rm 12:14; I Pe 3:9).
O abracadabra evangélico
Resumindo: a questão das palavras é de ordem moral e espiritual e não mágica ou mística. Em nossas palavras não há nenhum poder divino ou sobrenatural. Todo esse entendimento e defesa não passam de uma espécie de “abracadabra evangélico” com a finalidade de abrir as portas da prosperidade financeira, cura, sucesso, fama, etc. Que o Senhor nos dê graça para confiarmos somente em Sua palavra.
No amor de Cristo,
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terça-feira, 10 de setembro de 2013

AOS CRENTES PRATICANTES DE IOGA, MEDITAÇÃO, HIPNOSE...

Por Gilson Barbosa

A ciência não tem autoridade nem legitimidade para legislar em matéria de fé; ainda que suas pesquisas a favoreça e incentive sua busca. Hoje em dia a ciência até mesmo reconhece os benefícios de ser um religioso. No entanto em matéria de religião a ciência é eclética, sincrética, dá tiros para todos os lados. Seus estudos podem favorecer tanto ortodoxos quanto heterodoxos. É por isso que não devemos nos apoiar em suas teses, pois ela vê benefícios em algumas práticas que no fundo quase sempre contradiz o verdadeiro cristianismo. É o caso dos benefícios da meditação ou da Ioga, por exemplo. Mas, por que a ciência tem entrado no terreno da religião? Alguém deu a seguinte sugestão:
Há algum tempo, a ciência investiga conexões entre a mente e o corpo. Alguns cientistas descobriram que a fé de uma pessoa pode ajudá-la a viver uma vida mais longa e saudável. A oração pode baixar a pressão arterial e diminuir o ritmo cardíaco, dois fatores que contribuem para um sistema imunológico mais resistente.
Obviamente não é sensato o crente orar tendo em vista “uma vida mais longa e saudável”, ou para baixar sua pressão arterial e “diminuir o ritmo cardíaco”. A oração é um mandamento bíblico e tem por finalidade realidades espirituais, piedosas e celestiais:

E quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação. (Lucas 22:40)
Orai sem cessar (I Tessalonicenses 5:17)
E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer (Lucas 18:1)  
Algum tempo a ciência tem noticiado sobre os efeitos positivos de algumas práticas denominadas de terapias complementares (chamada antes de terapias alternativas). Essas terapias agora estão sendo usada em hospitais públicos e particulares; esta nova realidade é chamada de Medicina Integrativa:
Medicina Integrativa é a abordagem que procura casar tradicionais práticas baseadas em evidência com métodos que, em vez de focar num problema específico, buscam tratar o corpo como um todo.
A questão não é mais tratar a dor ou a enfermidade do paciente em si, mas “considerar outras demandas desse paciente, como questões emocionais, espirituais e familiares”. Algum crente pode perguntar: “Mas que mal há nisso?”.
A maioria das práticas é de origem oriental. As mais procuradas são: Acupuntura, Musicoterapia, Homeopatia, Fitoterapia, Aromaterapia, Hipnose, Técnicas de respiração, Meditação, Massagem Ayurveda, Quiropraxia, Reiki, Ioga, Florais de Bach. Essas práticas não são incentivadas pelas escrituras sagradas, ainda que pudesse trazer benefícios corporais ou mentais. Alguns crentes questionam o tratamento rigidamente de cunho espiritual e religioso que os apologistas têm dado a essas práticas e indagam se elas não poderiam ser feitas apenas na perspectiva do bem-estar.  
A hipnose, por exemplo, possui o potencial de expor a mente a manipulações humanas. A sugestão do hipnotizador é que a mente do paciente se esvazie. Como explica a dra. Rosemeire Lopes de Souza (psicóloga clínica): “Nesse estado, os sentidos são enganados e as percepções, radicalmente alteradas. É prejudicial à saúde mental, principalmente no que tange à sugestão pós hipnótica, quando o paciente, depois das sessões, realiza tarefas que tenta explicar de maneira racional por não se lembrar que fora induzido”. O cristão não deve expor sua mente a essa prática: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Isaias 26:3).
Determinado artigo incentivando o uso dos Florais de Bach (considerado um regulador das vibrações que nos equilibram com a natureza) enuncia o seguinte: “As emoções negativas são a causa primária de muitas doenças. Se intensas, podem distorcer a manifestação dos ideais de força, sabedoria e beleza, preexistentes na natureza humana”. O que eles chamam de emoções negativas a Bíblia denomina de efeitos da Queda do homem no Éden ou o pecado radical.
A Ioga é vista pela Medicina Integrativa como “uma atividade com caráter mais preventivo do que terapêutico”. Segundo os estudiosos os benefícios da Ioga advêm pela técnica de respiração, fortalecimento muscular ou postura corporal. A interpretação que é dada a Ioga neste caso é a de uma prática esportiva ou ginástica. Porém sabemos que a origem da Ioga é hinduísta. Quanto a metodologia não tem como separar os exercícios físicos de um processo mental. A mente humana é inevitavelmente envolvida. A Revista Defesa da Fé, em sua edição de número 37, informa que Pedro Kupfer, um dos principais formadores de professores de ioga no Brasil disse à revista “Super Interessante” que a “ioga sem meditação não é ioga”. A que tipo de meditação se refere Kupter? Pesquisando a vasta literatura dedicada à difusão da ioga encontramos o que vem a ser esta meditação: é liberar o “ego divino”, aprisionado dentro do homem, permitindo que poderes fluam para sua pessoa. Para o praticante experiente da ioga seu poder flui do seu próprio interior. O inexperiente terá a sensação de algo que vem de fora para dentro.
A Medicina Integrativa também incentiva a meditação, como uma terapia complementar ao tratamento médico. Percebemos que há uma tentativa cientifica de desassociar essas práticas de qualquer cunho religioso ou místico, mas o tiro sempre sai pela culatra. O Dr. Paulo de Tarso Lima, do Hospital Albert          Einstein ao comentar sobre os efeitos da meditação em um grupo de pessoas disse o seguinte: “Estamos avaliando, com exames de ressonância magnética, o impacto da meditação tibetana em pessoas que sofreram danos cognitivos por causa da quimioterapia” [meu grifo]. Esse tipo de meditação é voltado para o interior do homem e visa à extensão e expansão da mente.
A Bíblia também menciona a meditação. Mas, ela não é uma meditação no vazio, ou cósmica, visando equilibrar a mente e o corpo. O pastor Natanael Rinaldi escreveu algo interessante sobre a meditação bíblica:
O objetivo da meditação bíblica é a comunhão com Deus: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Cl 3.1,2). O meio usado é a palavra de Deus: “Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos” (1Tm 4.15). E de modo racional: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1).
Eu sei que alguns irmãos podem achar exagerada essa preocupação com as terapias complementares. Porém, a ideia central tem a ver com um ensino conhecido como holismo. A autora Caroline Faria, no site Info escola, dá a seguinte explicação para esta palavra:
A palavra “holismo” vem do grego “holos” que significa “todo”, “inteiro”, “completo”, e é usada para designar um modo de pensar, ou considerar a realidade, segundo a qual nada pode ser explicado pela mera ordenação ou disposição das partes, mas antes pelas relações que elas mantém entre si e com o próprio todo.
Qual a relação dessa filosofia com a saúde? Novamente a pesquisa de Caroline Faria informa:
Com implicações profundas em quase todas as áreas do conhecimento, a filosofia holística vem provocando questionamentos principalmente nos campos da saúde onde as doenças começam a ser encaradas como uma manifestação localizada de um distúrbio no equilíbrio do indivíduo como um todo, não apenas de uma de suas partes (questão focada por algumas práticas medicinais tradicionais como a ayurveda).
Minha sugestão é que não é prudente o cristão se submeter a essas práticas da medicina alternativa, pois no fundo estará sendo envolvido por técnicas paganizadas. Não questiono a eficácia das terapias alternativas no campo da saúde. Questiono a subserviência de cristãos diante de práticas que advogam doutrinas contrárias ao cristianismo bíblico e se colocam sob suas influencias. Mas isso fica para que cada crente faça uso da sua consciência diante de Deus.
Em caso de enfermidades e doenças físicas um médico profissional deve ser consultado. Porém no caso de problemas advindos de desiquilíbrio emocional ou mental é bom que o cristão utilize os meios da graça, tais como a oração, a leitura bíblica, a meditação nas coisas espirituais, e não a Ioga, a Hipnose, a Meditação...

No amor de Cristo,
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