domingo, 6 de abril de 2014

TEMPESTADE EM COPO D'ÁGUA

Por Gilson Barbosa


Tanto na Igreja quanto na sociedade em geral existem pessoas que são fáceis em promover tumultos causando constrangimentos em pessoas e atrapalhando ou dificultando a administração de outros. São aqueles que gostam de provocar “tempestade em copo de água”. Geralmente são pessoas de difícil relacionamento interpessoal, egoístas e afirmam presunçosamente estarem corretas nas avaliações que fazem das situações. Ocorre, porém, que esse tipo de pessoa não se importa em chatear seu semelhante e causar dificuldades por conta do seu ponto de vista. Infelizmente, quase todos nós somos ou fomos vítimas de alguém desse tipo. É muito desagradável.

O apóstolo Paulo viveu também esse tipo de situação, inclusive tendo que escrever sua segunda carta aos coríntios para defender-se de várias acusações que certa pessoa fazia contra ele. Entre as acusações estavam a de que ele era leviano e inconsistente. Com isso o opositor tinha a intenção de anular sua reivindicação e autoridade de apóstolo de nosso Senhor. Vamos aos fatos.

Na sua primeira carta aos coríntios no capítulo 16:5 o apóstolo tinha um plano de viagem que consistia em passar primeiro pela Macedônia e logo após visitar Corinto e a igreja ali. Mas Paulo alterou seu plano de viagem, devido a acusações, indo primeiro visitar os coríntios e depois à Macedônia. Havia dois propósitos nessa mudança de Paulo: 1º) proporcionar benefício espiritual aos irmãos coríntios e 2º) beneficiar a si próprio em suas necessidades bem como os irmãos da Judeia com ofertas recolhidas ali (II Coríntios 1:15, 16).

Para certa pessoa na congregação de Corinto Paulo estava sendo leviano e inconsistente simplesmente em mudar seu itinerário no plano de viagem e agia segundo a carne. O apóstolo Paulo não estava sendo íntegro em suas palavras, segundo o opositor (1:16,17). Se isso não consistia em fazer tempestade em copo d’água pelo menos era um artifício para desqualificar o apóstolo Paulo.

Paulo não merecia esse tipo de constrangimento. Ele afirma que era sincero e tinha sua consciência limpa e tranquila diante de Deus e da igreja. Hernandes Dias Lopes comenta sobre isso quando diz:

“A glória de Paulo não estava na posição que ocupava, mas na qualidade de vida que vivia. Ele não dependia de elogios humanos nem se desanimava com as críticas. Ele tinha o testemunho de sua consciência de que vivia de forma santa e sincera no mundo e diante da igreja, não pela força da sabedoria humana, mas estribado na graça divina. Os homens podiam ver suas ações, mas Deus via suas intenções”.

Ao explicar sua demora e mudança em ir a Corinto primeiro, o apóstolo Paulo também afirma que suas palavras não eram inconsistentes. Ele diz: “Ora, determinando isto, terei, porventura, agido com leviandade? Ou, ao deliberar, acaso delibero segundo a carne, de sorte que haja em mim, simultaneamente, o sim e o não?” (1: 17). Ele está simplesmente dizendo aos irmãos que era fiel em suas palavras (v.18) assim como Deus é fiel em cumprir Suas promessas (v.20). É claro que isso exige também seriedade em nossas palavras. O cristão deve ser sério em suas palavras. Muitas pessoas dizem algo no começo de um determinado desafio, mas depois com o passar do tempo mudam levianamente sua postura e com isso trazem inúmeros problemas. Não é o caso de Paulo.

Mas, meu foco nessa postagem é demonstrar a confusão e o constrangimento que alguns crentes causam a alguém ou a obra do Senhor por coisas banais e fúteis quase sempre tendo em vista seus interesses pessoais. Não que os crentes não tenham direito de opinar em alguns assuntos de interesse da congregação. Porém, ficar causando tumulto, se metendo em polêmicas, constrangendo a liderança ou outro membro da igreja, discutindo questões tolas, não deveria ser jamais o alvo do crente.

Mesmo assim o apóstolo está disposto a amar e perdoar o ofensor: “Ora, se alguém tem causado tristeza, não me tem contristado a mim, mas em parte (para não ser por demais severo) a todos vós. Basta a esse tal esta repreensão feita pela maioria. De maneira que, pelo contrário, deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que ele não seja devorado por excessiva tristeza. Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele o vosso amor” (II Coríntios 2:5-8). Aqui temos o outro lado da moeda. Em primeiro lugar, é quando o líder toma postura de arrogância, muitas vezes não admitindo suas falhas e pisoteando em cima dos membros. Em segundo lugar, é quando o líder mesmo com consciência limpa e sinceridade manifesta amor e perdão aos seus opositores.

Muitas divisões denominacionais são frutos de razões arbitrárias e a justificativa em muitos casos não passam de “tempestade em copo d’água”. Aos membros de igrejas evangélicas que gostam de tumultuar o ambiente constrangendo as pessoas vai o conselho de evitar falatórios inúteis. Caso contrário à liderança da igreja tem autoridade e o dever de aplicar a disciplina eclesiástica (2:7) a esse infeliz.

No amor de Cristo,
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                


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quinta-feira, 3 de abril de 2014

SIMPLES CONSELHOS AOS PREGADORES


Por Gilson Barbosa

O Reino de Deus é apresentado aos pecadores por meio de simples palavras através da pregação do evangelho. Por isso o pregador deve ser fiel à mensagem proveniente de Deus. A Bíblia contém a mensagem de Deus para o seu povo, mas, do jeito que as coisas andam nos púlpitos receio que os pregadores estejam falando de si mesmos e não da parte do Senhor. Os púlpitos foram invadidos por pessoas despreparadas, marqueteiros, animadores de auditórios, profissionais da pregação, aventureiros. O povo do Senhor é levado ao engodo por esses tipos de pregadores que estão anunciando mensagens provenientes do seu próprio coração. Por outro lado também o povo do Senhor é negligente quando não toma a Bíblia como padrão ao avaliar uma pregação.

Mas, não bastassem às intenções destes tipos de pregadores (claro que há exceções) temos ainda a questão do método homilético utilizado por eles. A grande maioria usa o método textual ou temático para pregar. Os benefícios desses métodos são bem poucos e, francamente, não representam a melhor maneira de expor a mensagem de Deus. Percebemos que em muitas pregações não há simetria, concordância, análise da gramática, cultura ou história. Não há nenhum tipo de preocupação com as perícopes (grupos de versículos uniformes no texto) nem com o contexto. O resultado disso é que textos bíblicos que edificam, consolam, exortam (quando interpretados corretamente) são alegorizados e o seu verdadeiro sentido é perdido. Meu conselho é que os pregadores mudem o método de pregação para o expositivo. Este se preocupa com o verdadeiro sentido da mensagem de Deus contida no texto bíblico e analisa, quase como que palavra por palavra, os versículos contidos num texto – é o que os estudiosos denominam de exame do método gramático-histórico-cultural. A negligencia no uso do método expositivo tem levado a uma espécie de crise da pregação.  

Não somente o tipo de método utilizado pelos pregadores tem servido de combustível para minar o poder da mensagem divina, mas, o descaso com a importância da pregação do evangelho. O pastor Paulo Anglada no seu livro Introdução à Pregação Reformada nos informa o seguinte quadro da pregação pelos púlpitos afora:

A pregação, como forma distinta de comunicação da vontade de Deus revelada na sua Palavra, está em declínio. Em muitas igrejas ela tem sido substituída por um número cada vez maior de atividades, tais como representações, recitação de poemas, jograis, testemunhos, debates, discursos políticos, atividades sociais e administrativas e especialmente pela música, incluindo corais, conjuntos, bandas, quintetos, quartetos, duetos, solos, etc. Cada vez mais tempo tem sido concedido a essas atividades e menos à pregação.

Em muitas igrejas a pregação do evangelho também tem sido substituída pelo “movimento do Espírito” no culto, entre os quais estão as revelações, profecias, adivinhações, sessões de poder, etc. Quando muitos pensam que isso é, de fato, o que Deus quer para sua igreja o que notamos é a improdutividade no testemunho cristão. Cristo disse que se uma árvore não der fruto deve ser cortada e lançada no fogo. Crente sem mudança e sem testemunho de vida é crente que vive a vida espiritual sem o poder da mensagem do evangelho, contida na pregação bíblica. Talvez o problema esteja nos ouvidos moucos da congregação, mas talvez seja a mão do semeador ou o sermão que ele prega.

A função do pregador deve ser simplesmente de lançar a semente do evangelho, nada mais. Sei de eventos evangélicos onde pregadores pagam uma determinada quantia em dinheiro para pregar. Isso é uma vergonha. Seu objetivo se resume a entreter o povo com discursos eloquentes, “poderosos”, e uso hábil da retórica tendo em vista sua própria projeção como pregador no cenário brasileiro ou mundial. Quão diferente a Bíblia retrata o pregador. Ele é apenas aquele que semeia a semente.

Na parábola do semeador o destaque são os tipos de solos e a semente. Conforme a boa observação de Robert Gundry (Panorama do Novo Testamento) o título dado ao texto de Mateus 13:1-23 como “Parábola do Semeador” pode ser um título ilusório, se for erroneamente usado na interpretação. O semeador nem ao menos é identificado na interpretação. O pregador não deve se preocupar com o tipo de semente nem com os tipos de solos. A semente sempre produzirá seus frutos no bom terreno. Não é necessário se “violentar” na busca por resultados na pregação, pois a semente é divina, ela com certeza é muito boa e alcançará resultados.

O bispo John Charles Ryle ao comentar sobre a Parábola do Semeador afirmou que o trabalho do pregador é muito semelhante ao trabalho de um semeador, pois se ele deseja ver bons frutos precisa semear boa semente e não as tradições da igreja ou doutrinas de homens. A questão é que o evangelho tem se tornado puro pragmatismo e muito da responsabilidade disso são os semeadores. O semeador também deve ser diligente e persistente se quer ver os frutos da semeadura. Ocorre que os pregadores de ocasião necessitam ver os resultados num único culto, numa única pregação – disso depende sua agenda. O importante na boa produção do solo não é o semeador, é a semente. Assim também o pregador não deve se considerar o mais importante na pregação. O importante é atingir o coração das pessoas e usar a boa semente. Prossegue dizendo o bispo Ryle que o semeador não pode transmitir vida. Ele pode espalhar a semente que lhe foi confiada; mas não pode ordenar que ela cresça. É um absurdo ouvir pregadores que determinam ao Espírito quando e como Ele deve vir sobre as pessoas na congregação.  Pregadores não podem ordenar que a semente plantada gere vida no coração do pecador, isso é tarefa do Senhor.

Que os pregadores se considerem servos inúteis. Jonas Madureira (no artigo servo inútil) assevera que isso não significa que o Senhor considere inútil o servo inútil, mas isso deve ser considerado pelo próprio servo. Ou seja, se a ordem do Senhor é para que se pregue um evangelho bíblico devemos fazer isso por pura obediência e não na busca de méritos. Jonas Madureira continua dizendo que a consciência da sua inutilidade “é que salva o servo de fazer do serviço um palco para exibir seu ego, suas capacidades, seu brilhantismo, sua rigorosa obediência e farisaísmo. A consciência da inutilidade fixa os olhos do servo numa direção que não pode ser desviada nem para esquerda nem para a direita. Por isso, esse olhar nunca está voltado para a sua obediência ou seu serviço; seu olhar deve repousar em seu Senhor. Tudo o que o servo faz é para o seu Senhor”. O servo é em primeiro lugar inútil para si mesmo, e é para si mesmo que o servo confessa todos os dias essa inutilidade.

Que os pregadores sejam humildes na proclamação do legítimo evangelho. Lembre-se sempre, o semeador não é mais importante do que a semente e os tipos de solos dependem da eficácia da semente e não do manejamento do semeador. É necessário restaurar o verdadeiro sentido do pregador e da pregação. Que o Senhor nos ajude.


No amor de Cristo,

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quinta-feira, 27 de março de 2014

QUAL O SIGNIFICADO DE SER CHEIO DO ESPIRITO?



por Gilson Barbosa


A ordem do apóstolo Paulo para que os irmãos efésios fossem cheios do Espírito era muito pertinente (Efésios 5:18). A cidade de Éfeso estava comprometida com a idolatria (Atos 19:24). Uma das sete maravilhas do mundo antigo, o templo da deusa Diana, ficava nesta importante província romana da Ásia (Atos 19:27). Seus cidadãos viviam uma vida moralmente desregrada e eram indiferentes a respeito do conhecimento de Deus (Efésios 4:17-5:12). O misticismo era praticado pelos efésios por meio de artes mágicas aprendido pela leitura de livros esotéricos (Atos 19:19).

Os irmãos efésios, tanto judeus quanto gentios, antes de receberem a Cristo como Salvador haviam vivido esse tipo de vida idólatra, mística e autônoma (Efésios 2:1-3). Mas graças ao Senhor foram alcançados pelo evangelho que liberta. Agora os efésios eram povo de Deus, receberam a paz de Cristo e foram selados com o Espírito Santo da promessa (Efésios 2:11-14; 1:13,14). Contudo, Paulo os exorta a crescerem em santidade, isso porque a maneira de vida de um salvo em Cristo é oposto a uma vida dissoluta de um não salvo (4:17-32).    

Já que foram regenerados em Cristo não deveriam se tornar insensatos, mas deviam procurar compreender qual a vontade do Senhor. É neste contexto todo que Paulo ordena: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18). Os estudiosos entendem a proibição de não se embriagar com vinho não como uma mera proibição da embriaguez, mas trata-se de uma referencia a uma forma orgiástica de adoração, tal como praticada no culto a Dioniso (Baco), o deus do vinho. O ritual a Dioniso seguia vários estágios de embriaguez, tidos como incorporações da divindade nos participantes, inspirando profecia, dança frenética e música (Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1407). 

Os irmãos deveriam ser enchidos pelo Espírito Santo continuamente durante toda a vida cristã. Não se trata de um enchimento momentâneo ou súbito, resultado de manifestações carismáticas, principalmente com os sinais das línguas estranhas, muito comum nos cultos pentecostais. Todos devem ser cheios do Espírito, segundo a ordem de Paulo, e com certeza isso não é prerrogativa apenas de irmãos pentecostais. Não se trata de você buscar o Espírito Santo para ser cheio, mas na medida em que o crente se “despoja do velho homem e se reveste do novo homem” (Efésios 4:22-24)  o próprio Espírito é que o domina completamente. Trata-se da ação do Espírito no homem independentemente da denominação evangélica que pertence.

Infelizmente muitos crentes entendem que a expressão “cheios do Espírito” refere-se apenas a alguém que profetiza, fala em línguas, expulsa demônios, prega com eloquência ou que possui os dons espirituais. Nada poderia estar mais equivocado do que esse tipo de pensamento. São muitas pessoas hoje dia que realizam todas essas coisas, porém biblicamente não são cheias do Espírito, pois praticam pecados como se fossem pessoas carnais, ou seja, agem como pessoas não regeneradas. Você pode até negar isso, mas é que está pensando em pecados como o adultério, roubo, corrupção, assassinatos. Aí você me diz: “Alguém usado por Deus não comete estes pecados!”. Então quero que você abra sua Bíblia e leia os pecados listados em Efésios 4:25-5:12. A conclusão é a seguinte: Posso ser “poderoso” como quiser, as pessoas podem até dizer que sou um homem de Deus, porém se cometo um só que seja dos pecados listados nesses versículos definitivamente não sou cheio do Espírito Santo. Isto tem a ver com santidade cristã.

Há passagens bíblicas onde os irmãos receberam a presença dinâmica do Espírito e falaram línguas desconhecidas (Atos 2:4; 8:14-17; 10:44-48; 19:1-7). Porém, foram casos sui generis e não podemos toma-los como padrão, e sim exceção. Nenhum dos envolvidos nesses acontecimentos foi incentivado a buscar uma experiência subsequente à salvação. Ela aconteceu porque fazia parte da transição entre a experiência com o Espírito Santo na antiga aliança e a experiência com o Espírito Santo na nova aliança (Wayne Grudem, T. Sistemática, p. 643). 

Uma pessoa cheia do Espírito é uma pessoa controlada pelo Espírito Santo. Suas ações são dependentes da dinâmica do Espírito ajudando-o no serviço cristão. Os resultados de ser cheio do Espírito Santo manifesta o poder do Espírito. Exemplos: Jesus recebeu poder do Espírito para vencer as tentações de Satanás no deserto (Lucas 4:1); Isabel foi cheia do Espírito e proferiu palavras de bênção à Maria (Lucas 1:42-45); os discípulos receberam ousadia para pregarem com poder o evangelho (Atos 4:31); Estêvão foi cheio do Espírito no momento em que estava padecendo como mártir e teve uma visão do céu (Atos 7:55), etc.
Não podemos reivindicar sermos cheios do Espírito e vivermos uma vida carnal ou não produzirmos o fruto do Espírito. Deus não é Deus de confusão. O uso dos meios da graça (oração, jejum, leitura da Bíblia, culto doméstico, adoração, santificação) não deve ser um fim em si mesmo nem visar interesses pessoais. Ser cheio do Espírito é revestir-se da nova natureza em Cristo. No contexto de Efésios 5:19-6:9 a presença dinâmica do Espírito deveria produzir comunhão entre os irmãos (v.19), gratidão e adoração ao Senhor (v.19, 20) e sujeição mútua (v.21), tanto entre marido e mulher (v.22-33) como dos filhos aos pais (6:1-4) quanto entre patrão e empregado (6:5-9).
Que o Senhor nos dê graça para que tenhamos entendimento e equilíbrio. Do lado dos irmãos tradicionais ou reformados deve haver mais liberdade ao Espírito e menos medo da sua presença dinâmica. Do lado dos irmãos pentecostais deve-se se evitar a má compreensão do que é ser cheio do Espírito e mais preocupação em seguir fielmente as prescrições bíblicas no uso dos dons do Espírito. Que o Senhor nos ajude.

No amor de Cristo,
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sábado, 22 de março de 2014

CRENTE NÃO PODE FICAR DOENTE?

por Gilson Barbosa

Sick Woman. Flu. Woman Caught Cold. Sneezing into TissueA doença faz parte do sofrimento humano e é um dos efeitos do pecado. A condição para que Adão não enfrentasse a realidade da morte física era manter uma atitude de obediência. Uma vez que desobedeceu a ordem divina de não se alimentar da árvore do conhecimento do bem e do mal (a única proibição) o Senhor o puniu com a morte física (Genesis 3:19). O casal inicia o processo de degeneração física após o ato do pecado. O Senhor havia dito que no dia em que desobedecesse suas ordens Adão certamente morreria (Genesis 2:17). Que tipo de morte afetou Adão e Eva? Resposta: física e espiritual.  

Se as doenças são consequências do pecado original, contudo, não significa necessariamente que cada doença é diretamente causada por um pecado pessoal. Ao ver um homem cego de nascença os discípulos de Jesus perguntaram se fora seus pais ou ele próprio que havia cometido algum pecado para que nascesse cego (João 9:1-7). A crença de muitos judeus era que cada má sorte temporal era punição de Deus por algum pecado específico (Bíblia de Estudo de Genebra, p. 1246).  Jesus responde negativamente a pergunta dos discípulos oferecendo uma terceira opção: foi assim para que se manifestassem nele as obras de Deus.

Há porem sofrimentos, mortes e doenças, que são provações ordenadas por Deus para punição e correção de certos pecados específico. O apóstolo Paulo alertou os irmãos da Igreja de Corinto a não participarem da Ceia do Senhor (ou dos Sacramentos) de maneira indigna sem discernir o corpo do Senhor; não se trata do corpo físico do Senhor Jesus, e sim, seu corpo místico – a Igreja. Quem não discerne o corpo, diz Paulo, come e bebe sob juízo para si. Discernir o corpo, no contexto da igreja de Corinto, refere-se à falha dos irmãos em não manter a unidade da Igreja como corpo de Cristo. O apóstolo Paulo continua dizendo que essa quebra da unidade fraternal causaria (ou já estava causando) nos irmãos a morte, fraquezas e doenças (I Coríntios 11:28-32). A Igreja de Corinto, em virtude de pecados não tratados, tinha pessoas fracas, doentes, e algumas que haviam morrido (Comentário de I Coríntios, Hernandes Lopes).

Por sua vez o movimento neopentecostal afirma que toda a doença é fruto da ação direta de Satanás. Deus e o Diabo travam uma batalha espiritual intensa. É uma luta cósmica entre o bem e o mal. Para eles a dor, o sofrimento, a doença, a morte, são sempre vistos nessa perspectiva. Há duas justificativas básicas para esse tipo de ensino: 1º) a enfermidade não existe no mundo bom de Deus; seus sintomas são apenas uma sugestão enganosa de Satanás, e precisa ser rejeitada firmemente pela fé; 2º) todas as enfermidades são consequência do pecado e, por isso, não podem atingir aquele que crê no sacrifício expiador de Cristo, que já pagou pelos seus pecados (Revista Palavra Viva, p. 44).

Em primeiro lugar, negar a realidade do sofrimento, doença e morte na vida daqueles que servem ao Senhor é um engano satânico. Mary Baker Eddy, fundadora da seita Ciência Cristã, escreveu o livro Ciência e Saúde onde uma das suas teorias é negar a realidade do sofrimento, pecado, doenças e morte. Para ela a matéria não existe, é má, e Deus não a criou. Se alguém está doente, segundo a Ciência Cristã, pode mudar essa realidade por meio do pensamento positivo. Muitos líderes do Movimento Neopentecostal adota a ideia de que seus adeptos devem negar até mesmo os sintomas físicos das doenças. Quantas vidas poderiam ser poupadas se procurassem a medicina, o tratamento de saúde, e não confiassem em doutrinas heréticas pregadas pelos falsos mestres.

O fato é que mesmo sendo um fiel servo do Senhor não estamos imunes às doenças e sofrimentos. O apóstolo Paulo tinha um companheiro de trabalho missionário muito dedicado à obra do Senhor. O nome dele era Epafrodito. Tinha vindo à Roma, enviado pela igreja filipense, para estar com Paulo na prisão e supri-lo em suas necessidades. Ocorre que ele adoeceu mortalmente, chegou às portes da morte, mas o Senhor teve misericórdia dele e restabeleceu sua saúde (Filipenses 2:25-30). Em algumas ocasiões Deus até mesmo não nos livra do sofrimento. Tendo em vista sua soberania devemos nos submeter a sua vontade, sabendo que deve ter um propósito maior em sua negativa. O Senhor não ouviu a solicitação de Paulo e disse que a graça Dele lhe bastava, pois Seu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Paulo não declarou, decretou, murmurou, blasfemou contra o Senhor, mas via seus sofrimentos como razão para regozijar-se (II Coríntios 12:7-10). Concluindo: a doença e o sofrimento existem realmente no mundo bom de Deus, ainda que não aceitemos sua realidade.

Em segundo lugar, conforme mencionei acima ainda que a doença seja uma das consequências do pecado nem toda a doença na vida de alguém é resultado de um pecado pessoal. Qual era o pecado específico e pontual na vida de Epafrodito ou de Paulo? Nenhum, todavia eles adoeceram e sofreram na causa do Evangelho. Isso desfaz o segundo erro dos neopentecostais quando dizem que a morte de Cristo na cruz também teve como objetivo alcançar a cura física. Eles citam os textos bíblicos de Isaías 53:4 e I Pedro 2: 24 como respaldo de suas doutrinas.

Porém, o contexto tanto de Isaías 53:4 e I Pedro 2:24 não está tratando da cura física, e sim espiritual. As referencias de Isaías ao Messias tomando sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores não devem ser interpretadas literalmente; feridas, contusões e chagas inflamadas são figuras de linguagem do profeta para se referir ao estado lamentável de Judá, após ser castigado pelo Senhor pela desobediência, sem chegar ao arrependimento (Revista Palavra Viva, p. 44).

Note que a citação de Isaías é o texto original, já Mateus 8:17 e I Pedro 2:24 são meras citações de Isaías. Significa que devem ser entendidos conjuntamente sendo que a citação do profeta deve ter prioridade. O escritor Mateus afirma que no momento em que Jesus curava os que estavam doentes ou expulsava os demônios se cumpria o que fora dito por intermédio do profeta Isaías (isto é, antes de morrer na cruz para expiar nossos pecados). Com isso não estou dizendo ou negando que segundo a sua soberania e providencia o Senhor não cure ou liberte os endemoninhados nos dias de hoje (Tiago 5:14).

Também não precisamos ver a medicina como algo ruim e que serve apenas para pessoas que não tem fé para ser curado por meio da oração. A medicina é uma bênção de Deus e podemos alcançar a cura por meio dela. Não é errado lançarmos mão da medicina para sermos curados enquanto oramos pedindo ao Senhor que nos cure (Isaías 20:5-7).

Muitas doenças podem também ser resultados da negligencia com os exercícios físicos, descuido com a alimentação saudável, uso de drogas, bebidas, fumo, etc. Crentes que repudiam a ingestão de bebidas alcoólicas, por exemplo, mas que abusam da carne gordurosa ou frituras, são hipócritas nas suas avaliações. Não é exagero querer ter boa saúde (III João 2). Temos a obrigação de sermos mordomos da nossa saúde (Mateus 25:14-29).

Em Cristo, 


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domingo, 16 de março de 2014

A DEMONIZAÇÃO DA CULTURA


Por Gilson Barbosa

Quando os crentes observam a preocupação das pessoas em frequentar academias, realizar cirurgias plásticas, usar cosméticos, engajarem-se na política, falar sobre sexualidade, quase sempre possuem a tendência de demonizar esses procedimentos como se isso em si fosse maligno, tendo como base que as coisas espirituais é que devem ser priorizadas. Lembro-me de certo estudo bíblico onde o pastor implicitamente tentava “convencer” os irmãos a não praticarem exercícios físicos usando como base I Timóteo 4.8: “Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir”. Na verdade, o apóstolo Paulo não está desprezando o exercício físico, mas usa-o como ilustração para a busca de uma vida de exercícios e objetivos espirituais.

No relato da criação o Senhor cria o corpo do homem antes da alma. Note que é dito que “formou o Senhor Deus o homem do pó da terra” antes mesmo de dizer que “soprou em suas narinas o fôlego da vida” (Genesis 2:7). O resultado disso foi que “o homem foi feito alma vivente”. Moisés narra que o homem possui uma natureza una: corpo e alma/espírito. Devemos entender corpo, alma/espírito como aspectos da natureza humana e não como partes separadas e individuais entre si; trata-se de uma unidade plena e total.

Por não entender dessa forma os crentes tem considerado o aspecto físico do ser humano como inferior ao espiritual; a natureza espiritual superior a material. É como se Deus não se importasse de forma alguma com a natureza física da pessoa. Considerar uma parte inferior à outra é adotar uma visão dualista da criação. O irmão Alceu Lourenço Jr. afirma que “o dualismo entrou para o pensamento cristão por meio da influencia da filosofia platônica grega sobre importantes pensadores cristãos da antiguidade”. Dessa forma toda a produção cultural ou artística, tais como a música, artes, pintura, cujo tema não fosse religioso, não era valorizada e deveria até mesmo ser evitada. Os Reformadores trataram de corrigir esse desvirtuamento com a cosmovisão estruturada em três categorias bíblicas: Criação, Queda e Redenção.

As estruturas: Criação, Queda e Redenção

Na criação destaca-se o fato de que o mundo foi feito originalmente por Deus e que tudo é sustentado continuamente pelo seu poder. O mesmo Deus que cria e chama o universo à existência, é o mesmo que preserva e mantém sua criação. Sua criação é perfeita e boa (Genesis 1.31). As denominadas “leis naturais” nada mais é do que o ordenamento de Deus para a manutenção de sua criação. O Senhor criou o Sol e a lua, mas também determinou que eles se movimentassem regularizando dias e estações do ano de maneira que permitem a continuidade da vida sobre a terra. O Senhor criou o mar, mas imagine se Ele não estabelecesse o limite das águas do mar na praia? Enfim, o que pretendo dizer é que a cultura criada pelo Senhor é boa e deve ser desfrutada pela humanidade.

Na queda percebemos como a boa criação de Deus foi deturpada e sofreu degeneração. A maldição pelo pecado alcança imediatamente a fisiologia feminina, os relacionamentos humanos, o reino vegetal e, por fim, a própria vida humana. A queda trouxe como consequência à mulher, o parto trabalhoso para ter filhos e a subordinação ao seu marido. O trabalho de cultivar e cuidar do jardim eram realizados por Adão de maneira não sofrida, tranquila. Após a Queda, o objeto do trabalho do homem, a terra, torna-se maldita e deverá oferecer resistência “as suas enxadadas”. Em fadigas Adão extrairia seu sustento da terra e a partir de então ela produziria espinhos e cardos. Os relacionamentos pessoais foram afetados quando observamos que a harmonia vivida pelo casal é quebrada com acusações mútuas de culpa. Por fim, Adão que sem a queda em pecado deveria ter uma vida mais plena e nunca ficaria doente, é sentenciado pelo Senhor a degeneração física e morte.

Na redenção a humanidade recebe, em Cristo, uma nova oportunidade e é restabelecida como administradora de Deus sobre toda a criação. Cristo morreu na cruz do Calvário não apenas para redimir a alma, mas a totalidade da criação. Em Cristo cada aspecto da criação que foi corrompido pelo pecado é redimido. Os sinais, milagres, curas e exorcismos praticados pelo Senhor Jesus tinham como objetivo uma demonstração poderosa da vinda do Reino de Deus. Obviamente, este reino só terá cumprimento pleno e total na eternidade. A razão da redenção efetuada por Cristo na cruz do Calvário visa resgatar a cultura, as artes, a música, os relacionamentos, a pintura, o teatro, a política, etc, e não somente a alma/espírito.  

A Redenção da Cultura

Quando o crente deprecia as coisas boas criadas pelo Senhor e as vê apenas como produto da Queda, a tendência é um relacionamento conturbado com o mundo em sua volta e consigo mesmo. Seu comportamento com relação ao sexo, música, artes, teatro, política, beleza e entretenimento será sempre o de demonizá-los. É necessário retomarmos o potencial original da criação estruturada de maneira perfeita pelo Senhor. Para alguns crentes tudo é pecado e o Diabo criou a má cultura. Mas, Cristo morreu na cruz para restaurar sua criação original. Apreciar um quadro, uma peça teatral, uma boa música, um bom programa de televisão, um bom filme, não é pecado. Se quiser viver como um ermitão, por favor, converta-se em um monge e vá para o deserto. Caso contrário, glorifique a Deus pelo seu trabalho (e em plena segunda-feira), louve a Deus pelas pessoas que não são crentes ainda, componha uma boa música, escreva uma poesia, invente algo, plante uma árvore, transforme a má cultura numa cultura cujo nome do Senhor seja glorificado.


Espero fazer-me entendido por vocês. No amor de Cristo. 


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