sábado, 13 de setembro de 2014

A PRÁTICA DOS DEZ MANDAMENTOS NA ATUALIDADE

Gilson Barbosa

Ten Commandments Stone Tablets MagnetO sistema escatológico conhecido como Dispensacionalismo não considera seriamente a continuidade entre Antigo e Novo Testamento, e com isso oferece muita confusão na questão da hermenêutica bíblica. Para estes não há ligação entre Lei e Graça – Antigo e Novo Testamento. Do lado oposto está o Teonomismo – conhecido também como o movimento de reconstrução cristã. Entendem que a Igreja, ou o povo de Deus, é uma nação, não somente no sentido espiritual, mas também étnico. Segundo o teólogo Valdeci da Silva Santos apesar de aceitarem a prática da Lei de Deus hoje os teonomistas “insistem na atualidade das exigências morais e civis da lei, incluindo suas penalidades, bem como no dever do governo civil executá-las na sociedade”.

Ao insistir na descontinuidade do Antigo Testamento o Dispensacionalismo suscita algumas perguntas: “Estamos obrigados a guardar a lei de Deus hoje?”. “Há relação entre Lei e Graça?”. “Se somos salvos pela graça, por que temos de obedecer à lei de Deus?”. “O povo de Deus hoje tem alguma coisa haver com Israel?”.

Para começarmos a desenrolar o assunto devemos entender que a Lei no Antigo Testamento possui três aspectos: Lei Civil ou Judicial, Lei Religiosa ou Cerimonial e Lei Moral. Segundo o presbítero Solano Portela, no livro A Lei de Deus Hoje (indico a leitura), podemos entender as diferenças considerando os termos:

- A Lei Civil ou Judicial representa a legislação dada à sociedade ou ao estado de Israel;

- A Lei Religiosa ou Cerimonial representa a legislação levítica do Velho Testamento;

- A Lei Moral representa a vontade de Deus para com o homem, no que diz respeito ao seu 
comportamento e seus deveres principais.

Por não distinguirem os aspectos da Lei grupos religiosos fazem uma “salada” hermenêutica divergindo radicalmente do entendimento natural e geral das escrituras. O grupo Adventista do Sétimo Dia considera contemporânea a aplicação dos três aspectos da Lei de Deus, mas isso não é correto. Por esse motivo se apegam a guarda do sábado como mandamento de salvação (Lei Civil) ou à obediência bíblica as regras dietéticas de alimentação (Lei Religiosa).

Uma igreja evangélica cristã que se considera bíblica deve atentar apenas à Lei Moral de Deus. Ela está contemplada nos Dez Mandamentos e possui validade total. Solano Portela entende que os Dez Mandamentos tem validação histórica, didática, reveladora e normativa. Histórica porque está entrelaçada na história da revelação de Deus e da redenção do Seu povo. Didática porque ela nos ensina o respeito ao nosso Criador e aos nossos semelhantes. Reveladora porque nos revela o caráter e a santidade de Deus, bem como a pecaminosidade das pessoas. Normativa porque ela especifica com bastante clareza o procedimento requerido por Deus a cada uma das pessoas que habitam a sua criação, em todos os tempos.

O cristianismo não deveria se aliançar com filosofias mundanas tais como o pragmatismo, relativismo, liberalismo, etc, pois as verdades de Deus são absolutas, estão contempladas nos Dez mandamentos e são vigentes para os dias em que vivemos. Alguém deve estar se perguntando a respeito do sábado contido na primeira tábua do decálogo. Penso que a igreja evangélica cristã deve compreender que Sábado é muito mais que um dia específico da semana para não se fazer ação alguma. O quarto mandamento fala de um dia descanso e de adoração ao Senhor. A igreja cristã primitiva apenas adaptou o dia de sábado para o domingo, mas não alterou o sentido conceitual. Não é certo também criticar os adventistas por guardar o sábado e não atentarmos para a observância sincera de um dia ao Senhor.

Portanto, a Lei Moral de Deus (os Dez Mandamentos) deve ser observada hoje em dia pelos cristãos. Devemos entender, no entanto, que ela não serve como meio para a salvação, mas demonstra o nosso amor reverente e obediente ao Senhor e nos serve com um guia na prática cristã. Quanto a nossa imperfeição para cumprir toda a lei nos conforta saber que Cristo com sua obediência perfeita ao Pai adquiriu para nós sua justiça e obediência.

No amor de Cristo, 



2 comentários:

  1. Gilson, "O sistema escatológico conhecido como Dispensacionalismo não considera seriamente a continuidade entre Antigo e Novo Testamento," porque não creem em Cristo como diz as Escrituras(João 7:38,39). E, por não crerem em Cristo como diz as Escrituras, não tem o Espírito Santo, uma vez que no verso 39 fala que O Espírito Santo seria concedido aos que em Jesus cressem. Mas cressem como diz as Escrituras. E, as Escrituras ali mencionada não é exclusivamente o N. Testamento, e sim, e mas precisamente o V. Testamento. Portanto, "O sistema escatológico conhecido como Dispensacionalismo" é antibíblico, ou seja, o selo que está sobre esse sistema escatológico conhecido como Dispensacionalismo não é divino. Logo, "oferece muita confusão na questão da hermenêutica bíblica," e i afastamento do povo da Verdade da Palavra de Deus.
    Osmar Ferreira-nadanospodemoscontraverdade@bol.com.br

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  2. Olá irmão Osmar!

    Obrigado pelo comentário. Concordo contigo que o sistema Dispensacionalista trouxe muito males e confusão teológica.

    Grande abraço.

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