quarta-feira, 30 de maio de 2012

QUEM É O CULPADO POR ESSA DECADÊNCIA?


NOTA: Apesar desse artigo não focar a questão teológica nas músicas evangélicas, e sim o aspecto estético, achei interessante incluí-la neste blog, pois, o autor considera alguns pontos importantes: 1) a manipulação da mídia cristã; 2) o envolvimento de cantores e bandas com gravadoras não evangélicas; 3) a única preocupação com lucros e vantagens que o sucesso proporciona; 4) a imitação de estilos musicais e melodias de outros cantores ou bandas; 5) a repetição e igualdade de melodia e letras, músicas onde o cantor fica repetindo o refrão por um longo tempo, etc. 

Se quiser ler uma breve reflexão teológica acerca da música evangélica (leia aqui)   

por César Ricky

Estou aqui queimando alguns neurônios tentando me lembrar de algum lançamento realmente impactante da música cristã em 2010 (nacional e internacional). Entenda o que eu disse: lançamento impactante.

Certamente bons CDs foram lançados. Mas estou em busca daquele que marca, que te faz ouvir por diversas vezes e pensar como os caras conseguiram fazer algo tão bom.

Alguns CDs, em anos diferentes, me trouxeram essa sensação. Vou citar os principais albuns cristãos que me causaram esse impacto: Iona – Open Sky, Deep Still – Authentic Celtic, David Crowder Band – Can You Hear Us, Delirious – Glo, Burlap to Cashemere – Anybody Out There?, Kaiser/Mansfield – Slow Burn, Third Day – Come Together, Vineyard UK – Beautiful, Kevin Prosch – Acoustic, The Insyderz – Skaleluia, Michael W. Smith – Freedom, The Verra Cruz – Innocence, Galactic Cowboys – Galactic Cowboys,  Tourniquet – The Collected Works, DC Talk – Freak Show, Som da Chuva – I, Darrell Evans – Freedom.

Claro, toda lista de CDs tem a influência do gosto da pessoa que escolhe. E é lógico que alguns desses CDs causaram mais impacto na época em que foram lançados do que agora, até porque muitos deles foram exaustivamente copiados por outras bandas. Mas se você observar atentamente coloquei CDs de diversos estilos musicais e de anos diferentes, alguns tem até um apelo mais comercial. Outra coisa interessante é que nessa lista tem CDs que foram lançados no mesmo ano, o que para mim demonstra terem feito parte de um período muito criativo da música cristã.

Fica aqui uma observação. Algumas das bandas que citei ainda nem são muito conhecidas, outras, lançaram esses excelentes CDs antes de fecharem contrato com as grandes gravadoras – o que de certa forma, demonstra que não eram manipulados artisticamente. E algumas dessas bandas acabaram (Galactic Cowboys, Burlap to Cashemere, The Insyderz, DC Talk).

O que me assusta muito quando converso sobre música cristã com algumas pessoas, é como tudo está nivelado por baixo. Ouço cada absurdo chamado de “excelente trabalho musical” que chego a ficar assustado. Sites e revistas cristãs costumam ser medonhos, porque são raros os que chamam de bom aquilo que é bom de verdade. A grande maioria da mídia cristã, que é manipuladora, vendida e medíocre (além de altos casos de puxa-saquísmos para quem é a “bola de vez”) é uma das maiores responsáveis dessa nivelação tão baixa no que diz respeito a qualidade musical.

Não estou escrevendo esse texto como músico de uma banda independente que faz um tipo de som praticamente anormal para os padrões mercadológicos. Estou escrevendo como consumidor e admirador da BOA música, vou frisar novamente: BOA música, não esse lixo enlatado que você compra na Conde de Sarzedas (famosa rua de comércio gospel da cidade de São Paulo) ou que você vê nas Expocristãs da vida (com mais que raríssimas exceções).

É engraçado que até mesmo os sites cristãos, que deveriam ajudar no “aculturamento” musical tornaram-se responsáveis por divulgar as coisas mais imprestáveis possíveis. As gravadoras e distribuidoras de CDs (que se dizem cristãs, mas o título cristão se refere apenas ao estilo de música, porque o objetivo mútuo é grana), algumas até com nomes estrambolicamente espirituais, já deixaram de apoiar os que tentam fazer algo interessante musicalmente para ficar com a “mesma mesmice de sempre”. Por quê? Porque o deus-grana precisa abençoar a conta bancária dos donos!

É difícil achar um único culpado na decadência da música cristã.

Os próprios pastores e ministros de louvor de igrejas manipulam o povo com a música que se deve ouvir ou não. Quer apostar? É só ver quais são as músicas cantadas nas igrejas durante o período de louvor. Outra forma de observar isso, é ver quais são os grupos ou artistas que cada igreja concorda em levar – falo isso com conhecimento de causa, já vi e participei dessas reuniões em vários lugares. A verdade é que o povo é manipulado o tempo todo. Muitas vezes os próprios pastores são manipulados pelos membros do grupo de louvor, que na grande maioria tem suas opiniões niveladas com o baixo nível do que se consume de música cristã.

Tem casos de igrejas que convidam determinado músico/artista/ministro de louvor, só para ver se consegue pegar uma “carona” no sucesso momentâneo do sujeito, ou mesmo se tornar “a igreja da vez” por levar o “artista da vez”. Infelizmente, raros são os que convidam grupos porque gostam ou admiram o trabalho.

É duro ter que revelar certas verdades, mas acho que já passou do tempo da igreja ter cérebro. Além de ser um lugar espiritual, precisa ser um lugar de pessoas pensantes e críticas, para não fircar engolindo todo tipo de besteira que engole ano após ano.

Os próprios artistas são culpados por isso. Alguns que se submetem a perda da autênticidade após a realização do sonho de fechar com uma gravadora e ter todo tipo de benefícios possíveis (carros, apartamentos, cirurgias plásticas – nos casos mais extremos de gravadoras grandes). Outros, por serem simplesmente imbecis em busca do sucesso abandonam sua idéia inicial de fazer algo que é seu para copiar outros. Desde que os músicos cristãos descobriram a fórmula “U2 – Coldplay” de se fazer música, nada de novo foi criado (obs: todo meu respeito ao U2 e Coldplay, que não tem culpa de serem plagiados). Sem falar no incontável número de artistas cristãos que tentam deixar seu estiloparecido com o do “artista da vez” ou se aproximar de artistas mais respeitados paenas para impulsionar suas carreiras.

Acho interessante que muitos músicos que tocam para os artistas cristãos promotores de lixo musical, tem uma concepção musical diferente dos seus patrões. Conheço muitos que são aficcionados por jazz, amantes de músicas de boa qualidade. Mas na hora de fazerem a diferença e colocarem a cara para bater mostrando algo novo e bem feito, se acovardam pela presença do deus-grana. Ou seja, criatividade e autenticidade são coisas banais que podem ser deixadas de lado quando descobre-se que o caminho ao lado delas não é tão fácil e e cheio de glamour.

Que vantagem tem para um músico que diz ser autêntico ficar tocando covers de suas bandas favoritas ao invés de compor sua própria música? Uma música ou outra, tudo bem, mas um CD inteiro! Para aqueles que se dizem adoradores, que vantagem tem ficar gritando “Jesus, eu te amo” feito um louco, por 5 ininterruptos minutos sendo que o Senhor nos deu inteligência o suficiente para sermos mais poéticos e sinceros em nossas adoração?

Nós, consumidores cristãos de música precisamos pensar mais, precisamos colocar nossos cérebros para funcionar e sermos mais críticos quanto ao que nos vendem. A igreja tem o prazer de criticar os programas de TV de domingo à tarde, acusando-os de serem os responsáveis por todo lixo de música esdrúxula que se consome no Brasil – o que é fato. Mas é essa mesma igreja, que de uma forma “gospel” consome outros tipos de lixo com o rótulo de cristão.

Os culpados por essa decadência são: Os artistas, as gravadoras e distribuidoras de CDs, a mídia, os pastores, os ministros de louvor, os músicos e o próprio povo que faz questão de deixar o cérebro guardado numa gaveta ao invés de pensar antes de engolir todo esse lixo musical.

Desisti, não vou mais queimar meus preciosos neurônios para tentar encontrar algo que se encontra em extinção: a criatividade musical na música cristã.


FONTE: http://www.artecomcristo.com/


sexta-feira, 25 de maio de 2012

LAODICEIA, A IGREJA MORNA (Subsidio EBD)

Por Gilson Barbosa

O problema da igreja de Laodiceia era duplo: ausência de fervor espiritual e falsa espiritualidade. Contudo, tenho observado que há igrejas que possuem muito fervor espiritual, como a dos coríntios, mas, desconhecem o que é ser verdadeiramente e realmente espiritual. Dos dois, a prioridade deve ser que a igreja desenvolva uma real e verdadeira espiritualidade. Isso pode ser confirmado pelo pastor Antonio Gilberto (Lições Bíblicas, 2º trimestre de 2009):

           Os crentes de Corinto tinham dons espirituais (1.7), mas muitos eram imaturos, insubmissos,   ignorantes da doutrina reveladora dos dons, além de carnais. Em uma igreja é possível haver crentes fervorosos, que gostam de movimento e agitação sem, contudo, haver espiritualidade real, advinda do Espírito Santo. Às vezes o que parece fervor espiritual é mais emocionalismo, resultante de motivações e mecanismos externos. Tal fervor é passageiro, ao passo que a verdadeira espiritualidade está intimamente relacionada ao exercício da piedade e da vida cristã consagrada (Ef 4.17-32). 

Os pentecostais (exclusivamente da Assembleia de Deus) sabem que o pastor Antonio Gilberto confessa a teologia do batismo com o Espírito Santo (com a evidencia das línguas estranhas) e dos dons espirituais, mas, na citação acima ele deixa claro haver dois grupos entre os pentecostais: os fervorosos e os que são realmente espirituais, mas ambos estão envolvidos nos dons carismáticos. Isso por si só já cria um problema, pois, quase todos não discernem essa questão. Por mais que “estudem” a doutrina pentecostal, a confusão permanece.

A Igreja de Corinto possuía fervor espiritual, mas, um falso conceito de espiritualidade; a de Laodiceia não tinha fervor espiritual, mas possuía, também, um enganoso conceito de espiritualidade. Situações espirituais e conceituais muito parecidas. Essa questão serve de alerta para as igrejas evangélicas da atualidade a que prefiram uma vida piedosa e santa a tentar exibir um aparente fervor espiritual. A maior diferença entre as duas é que podemos encontrar dentro da igreja de Corinto alguns crentes piedosos e tementes ao Senhor, já os crentes laodicenses pensavam que ainda serviam a Deus, porém, o Senhor Jesus estava do lado de fora da igreja. Foi necessário uma intervenção Divina.

São três as descrições de Cristo ao pastor da igreja laodicense: o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, e, o princípio da criação de Deus. A expressão Amém é mais bem entendida dentro do contexto do Antigo Testamento. Tratava-se de uma confirmação, dos que rendiam culto à Deus, daquilo que se havia ouvido, como em I Crônicas 16:36: “Louvado seja o Senhor Deus de Israel, de século em século. E todo o povo disse: Amém! e louvou ao Senhor”. Servia também como uma conclusão para uma doxologia: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito. Amém!” (Gálatas 6.18). A descrição fiel e verdadeiro tem o mesmo sentido da expressão Amém e significa que Jesus é indubitavelmente verdadeiro em suas palavras: “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis” (Apocalipse 21.5). A descrição princípio da criação de Deus não deve ser entendida no sentido passivo, como se Jesus fosse um ser criado, mas, que Ele é a origem da criação. A palavra “princípio” no idioma original é arque e no caso de Jesus significa que é o Criador do mundo, o arquiteto, a fonte da criação: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades: tudo foi criado por ele e para ele” (Colossenses 1:16). Essas descrições significam que aquilo que Jesus está falando da igreja laodicense é verdadeiro, tem fundamento firme e é digno de confiança.  

Os crentes laodicences se tornaram apáticos, anêmicos, indiferentes, secularizados, espirituais insensatos, e, portanto, a temperatura cristã da igreja era morna: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca” (v.15). Jesus ironicamente diz conhecer as obras deles, mas o fato é que não viviam uma vida de serviço ao Senhor, não exerciam a santidade, não eram tementes nem piedosos, não se importavam com o serviço cristão, e o pior de tudo: pensavam que estavam espiritualmente bem (pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma). Quantos crentes e igrejas possuem um falso conceito de santidade e espiritualidade. Divorciam-se banalmente de seu cônjuge e casam-se novamente, fazem negócios a espreita com os dízimos e ofertas do Senhor, sabem as exigências da Lei do Senhor (a Escritura Sagrada), mas, transgridem abertamente seus preceitos e doutrina. Deus há de fazer justiça!

Aspectos da cidade laodicense são empregados por Jesus para admoestar a igreja. O pastor Hernandez Dias Lopes comenta que Laodiceia

Era um centro das águas térmicas. A região era formada por três cidades: Colossos, Hierápolis e Laodiceia. Em Colossos ficavam as fontes de águas frias, e, em Hierápolis, havia fonte de água quente que, em seu curso sobre o planalto, tornava-se morna e, nessa condição, fluía dos rochedos fronteiriços com a Laodiceia. Tanto as águas quentes de Hierápolis, como as águas frias de Colossos eram terapêuticas, mas as águas mornas de Laodiceia eram intragáveis.

A água morna fala da vida cristã nominal, de um cristianismo sem vigor, débil, totalmente desagradável ao Senhor – ainda que contenha algum tipo de obra. Os estudiosos dizem que as águas de Laodiceia eram medicinais, pois possuía bicarbonato de cálcio, mas, ingerido em temperatura morna causava náuseas. Usando as águas mornas de Laodiceia como exemplo Jesus ensina uma lição espiritual àqueles crentes. Mas, mesmo na situação caótica Jesus demonstra a graça do evangelho quando pacientemente diz que estava a ponto de vomitar-lhes da sua boca, ou seja, o Senhor estava dando tempo para que os crentes se arrependessem dos seus pecados e retornassem a Ele. Os crentes estavam enganados quanto à espiritualidade vivida pessoalmente. Pensavam que o Senhor se agradava deles e aos poucos colocaram o Senhor Jesus pra fora da igreja e ainda por cima fecharam a porta. Quantas igrejas estão vivendo uma falsa espiritualidade e um iludido avivamento. Temos de repensar o que de fato é servir a Cristo verdadeiramente.

Os crentes laodicenses eram socialmente ricos, pois a própria cidade era próspera e rica. Eis aqui uma sugestão aos pregadores da Teologia da Prosperidade: preguem sobre a prosperidade dos crentes laodicenses e os tomem como modelo de pessoas “abençoadas” materialmente pelo Senhor. Duvido que alguém deles ouse pregar tal sermão.

Afirmavam os crentes laodicenses: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”. Como afirma o pastor Hernandez Dias Lopes

O problema da igreja de Laodiceia não era teológico nem moral. Não havia falsos mestres, nem heresias. Não havia pecado de imoralidade nem engano. Na carta, não há menção de hereges, de malfeitores, nem de perseguidores [...] A vida espiritual da igreja era morna, indefinível, apática, indiferente e nauseante. A igreja era acomodada. O problema da igreja não era heresia, mas apatia.

Porém, ainda que fossem socialmente ricos, a riqueza e fartura que diziam ter deve ser entendido, pelo contexto, como riquezas espirituais. Ou seja, pensavam que a ausência de pobreza material, heresias, pecados imorais, eram sinais da aprovação divina. Simon Kistemaker informa um fato importante a esse respeito:

La evidencia indica que la iglesia había adoptado las normas de Laodicea y las había transferido al ámbito espiritual. Por ejemplo, la ciudad, conocida como centro financiero, construyó edificios, puertas y torres grandes poco después de que el terremoto hubo destruido la ciudad. Se enorgullecía de ser independiente y de su capacidad para ayudar a sus vecinas que habían sufrido el mismo desastre. Los miembros de las iglesias estaban muy de acuerdo em mostrar independencia y en ayudar a los vecinos. En consecuencia, no llegaron a ver la diferencia ente riqueza material y espiritual. Se jactaban de su autosuficiencia y no necesitan a Cristo. Eran espiritualmente ciegos.

Tornaram-se sem nenhuma capacidade de auto avaliação e consideravam-se autossuficientes. Aos olhos de Cristo, porém, a igreja encontrava-se num terrível estado: infeliz, miserável, pobre, cego e nu. Ouvi um sermão de um pastor presbiteriano analisando que a boa condição social (honorários) que o ministério proporcionava aos seus pastores poderia fazê-los independentes da ajuda do Senhor. Nessa linha o Senhor sugere a igreja laodicense:

Aconselho-te que de mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungires os olhos, a fim de que vejas.

O ouro refinado pelo fogo, as vestes brancas e o colírio para ungir os olhos contém lição espiritual no que respeita a salvação dos crentes: redenção, justificação e santificação. A linguagem utilizada é a de um mercador. Isso lembra uma passagem do Antigo Testamento (Isaías 55:1):
  
Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.  

Costumo dizer que a igreja local é, na verdade, uma comunidade de pecadores – ainda que redimidos. Se os crentes laodicenses pensavam que estavam espiritualmente bem, Cristo os informa que estavam enganados. Não deviam se julgar tão santos assim, pois não eram. Deveriam reconhecer a soberania e o domínio do Senhor Jesus Cristo. Deviam reconhecer que é Cristo quem graciosamente nos salva. Tinham de se humilhar, arrepender e adquirir de Cristo o ouro (redenção), as roupas (justificação) e o colírio para os olhos (santificação). Pra mim está nítido que a igreja de Laodiceia necessitava de regeneração.  Talvez a nova geração nem achasse que precisava disso, pois estava indiferente a realidade de que eram infelizes, miseráveis, pobres, cegos e se achavam nus.
Cristo admoesta dizendo algo que algumas lideranças pastorais da atualidade  desconhecem ou fingem desconhecer: “Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te”. Isso significa que Cristo usa a repreensão e disciplina para o nosso bem espiritual porque nos ama, e não que as adversidades são todas, e absolutamente, de origem diabólica. O amor de Deus não é fraco, displicente, banal, irresponsável, mas vigoroso, forte, previsível.

Deveriam se arrepender da indiferença, comodismo e mornidão espiritual. Tinham de receber a Cristo em suas vidas, coloca-lo no seu devido lugar na igreja: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo”. Aplicamos esse versículo para pecadores não regenerados, mas aqui, Cristo aplica a uma igreja que se considerava espiritual. Precisamos avaliar a primazia dos elementos da fé cristã em nossa vida espiritual. É imprescindível que oremos, leiamos e estudamos a Bíblia Sagrada, sejamos santos, pratiquemos os ensinamentos cristãos, etc. Cristo quer ter plena comunhão espiritual com seus eleitos; ele deseja cear conosco. É necessário confessarmos nossos pecados a ele. Fazendo assim ele nos promete: “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono”.

Aquele que triunfar em/com Cristo receberá o privilégio de sentar-se com Cristo no seu trono. A expressão “sentar-se no trono comigo” é apenas uma metáfora simbolizando a honra dos crentes salvos, pois terão o privilégio de julgar as doze tribos de Israel, o mundo e os anjos:

Jesus lhes respondeu: Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. (Mateus 19:28)

Ou não sabeis que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós, sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis que havemos de julgar os próprios anjos? Quanto mais as coisas desta vida!” (I Coríntios 6:1,2).

A universalidade da (s) carta (s) é comprovada pela conclusão: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Nenhuma igreja pode alegar desconhecimento do seu estado espiritual. Todas receberam a mensagem de Cristo, quer seja de louvor ou elogio, de censura ou reprovação, e promessa. Os crentes laodicenses precisavam confiar plenamente em Cristo, obedecerem a sua mensagem e tornarem-se verdadeiros servos de Cristo. Essa mensagem serve de alerta para a igreja evangélica da atualidade que pensa estar bem espiritualmente, mas não passa de um ajuntamento religioso; precisa de vigor espiritual, apesar do poder econômico e financeiro; precisa confessar seus pecados, ouvir o convite de Cristo e cear com ele.  

Que o Senhor nos ajude!


Em Cristo,

sábado, 19 de maio de 2012

A IGREJA DE FILADÉLFIA (Subsídio EBD)


Por Gilson Barbosa

As igrejas de Filadélfia e Esmirna não receberam nenhuma crítica do Senhor Jesus. Bem-aventurados são esses pastores e suas respectivas igrejas! Pudera o Senhor encontrar, em nossos dias, pastores e igrejas que atendam os Seus requisitos e sejam considerados dignos. Apesar do caos, ainda há esperança! Quanto à igreja de Filadélfia, Cristo se identifica com a sua situação espiritual:

Ao anjo da igreja em Filadélfia escreva: Estas são as palavras daquele que é santo e verdadeiro...

Não sabemos o tamanho dessa igreja, mas, como não há repreensão, temos um indicativo de que todos os membros eram de fato regenerados, justificados e santificados. Apesar de sua pouca força é uma igreja fiel ao Senhor Jesus:

... tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.

É curiosa a expressão força nesse versículo. No idioma original é dunamis que significa “poder”, “habilidade”, “poder miraculoso”, “abundancia” (Concordância de Strong). Dá a ideia de uma igreja simples, sem o antropocentrismo dos nossos dias, sem a preocupação obsessiva de quantidades de membros, sem alardes sensacionalistas, não era espalhafatosa, não buscava reconhecimento social e político, etc. Não significa que fosse uma igreja fraca, sem poder espiritual, mas, que suas prioridades eram guardar a palavra do Senhor e não negar o seu nome. A expressão palavra do Senhor não se refere (absolutamente) às Escrituras Sagradas, mas, a tudo o que Jesus exortou a respeito da santidade e verdade como critério para as igrejas. Matthew Henry, em seu comentário, diz o seguinte sobre essa expressão:

Nisso parece estar expressa uma suave censura: “Tu tens pouca força, uma pequena graça, que, embora não seja proporcional à larga porta de oportunidade que abri para ti, mesmo assim é verdadeira graça, que te manteve fiel”. A verdadeira graça, mesmo fraca, tem a aprovação divina; mas, embora Cristo aceite a pequena força, os crentes não devem descansar e ficar satisfeitos com o pouco, mas devem se empenhar para crescerem na graça, para serem fortes na fé, dando glória a Deus. A verdadeira graça, mesmo fraca, vai realizar mais do que os maiores dons ou o mais elevado grau de graça comum, pois vai capacitar o cristão a guardar a palavra de Cristo e a não negar o seu nome. A obediência, a fidelidade e a franca confissão do nome de Cristo são os frutos da verdadeira graça, e como tais são agradáveis a Cristo. 

Permanece a curiosidade sobre em quê sentido Jesus conceituou a “pouca força” dessa igreja. Hernandez Dias Lopes sugere:

Para uma igreja sem forças aos olhos do mundo, Jesus a parabeniza pela sua fidelidade (Ap 3.8). A igreja tem pouca força, talvez por ser pequena; talvez por ser formada por crentes pobres e escravos; talvez por não ter influência política nem social na cidade, mas ela tem guardado a Palavra de Cristo e não tem negado seu nome.

A igreja era pequena em tamanho e em força, mas grande em poder e fidelidade. Deus, na verdade, escolhe as coisas fracas para envergonhar as fortes. Sardes tinha nome e fama, mas não vida. Filadélfia não tinha fama, mas tinha vida e poder. A igreja tinha pouca força, mas Jesus colocou diante dela uma porta aberta, que ninguém poderia fechar. A igreja é fraca, mas seu Deus é onipotente. Nossa força não vem de fora nem de dentro, mas do alto.

Muitos em nossos dias estão preocupados tão somente com a visibilidade e publicidade da sua pessoa e da igreja sob sua liderança. Uma igreja “boa” é uma igreja “poderosa”, com ótima qualidade musical, com “excelentes” pregadores, com muitas atividades para os jovens, com marcante presença e influência social/política na cidade, membros com alto poder aquisitivo, filiais Brasil afora, e outros fatos semelhantes a estes. Nunca esqueçamos: “nossa força não vem de fora nem de dentro, mas do alto”.

Já que Jesus é Soberano e Dono da igreja, tem autoridade, domínio e poder sobre as ações dela: “Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá”. Isso tem ligação com os judeus não convertidos ao evangelho (v. 9), pois não entendiam nem aceitavam a inclusão dos gentios no plano da salvação.  Os judeus se gloriavam de serem descendentes de Abraão e achavam que isso era suficiente para lhes garantir a vida eterna. A partir daí tentavam coagir os gentios a praticarem o judaísmo com seus rituais, cerimoniais, e seu código rígido de leis, para serem salvos. Vemos isso logo no início da Igreja cristã em Atos 15.1: “Alguns indivíduos que desceram da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes segundo o costume de Moisés, não podeis ser salvos”. Da mesma maneira alguns crentes atuais, por pura ignorância pessoal, bíblica, teológica ou simplesmente fanatismo espiritual, imaginam ter a “chave de Davi”, pois querem sancionar ou não a salvação dos outros. Exigem que os demais irmãos na igreja local sejam e ajam como eles, para serem salvos. Desta forma, vão “abrindo” e “fechando” a porta da salvação. Geralmente são crentes legalistas, adeptos fanáticos dos abusivos usos e costumes. Quase sempre são rasos e supérfluos na interpretação dos textos bíblicos.  

Cristianismo e judaísmo são diferentes e não se misturam totalmente, assim como óleo e água. Os primeiros cristãos eram judeus e obviamente seguiam a religião de seus pais, pois eram instruídos nela desde a tenra infância. Orgulhavam-se de serem descendentes de Abraão e consequentemente filhos da promessa: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento e não comeceis a dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos afirmo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão” (Lucas 3:8). Possuíam muitos privilégios: “Qual é, pois, a vantagem do judeu? Ou qual a utilidade da circuncisão? Muita, sob todos os aspectos. Principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus” (Romanos 3:1,2). Deus elegeu, chamou e vocacionou o povo de Israel, havendo outros povos, para que eles sendo separados (santificados) anunciassem às nações pagãs o evangelho do único Deus verdadeiro: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel” (Êxodo 19.5,6). Face a tudo isso (há muitos outros privilégios divinos que poderiam ser ditos sobre o povo israelita) os judeus jactavam-se da sua religião e por extensão acreditavam que era a única que oferecia a segurança da vida eterna. É nesse contexto que Jesus conforta o pastor e a Igreja de Filadélfia:

Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.  (Apocalipse 3.9).

Paulo escrevendo aos Romanos (9.6) havia dito: “E não pensemos que a palavra de Deus haja falhado, porque nem todos os de Israel são, de fato, israelitas”; isso porque os verdadeiros filhos de Deus não são os que “nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1.13). Nossos filhos precisam ser instruídos na Lei do Senhor e confessarem Jesus como Salvador das suas almas. É nesse sentido que Jesus diz sobre o fato de alguns se declararem judeus, mas não eram de fato. Sob a áurea da eleição, escolha e vocação Divina, os judeus perseguiram os primeiros cristãos, tirando-lhes a vida: “Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus” (João 16.2). Em vez de se sentirem honrados, os religiosos judeus, perseguidores da igreja e orgulhosos, honrariam os fiéis seguidores de Jesus e reconheceriam que Cristo verdadeiramente ama os seus.

Hoje em dia há muitas igrejas evangélicas que estão imitando o judaísmo. Realizam as Festas judaicas, tocam o shofar, carregam a “Arca da Aliança”, vemos pastores usando kipá e talit, e muitos que enfatizam uma espécie de avivamento com base nas práticas cerimoniais e rituais da religião judaica. Uma coisa deve ficar clara: “Amar Israel não é judaizar a igreja”. Daqui a pouco igrejas evangélicas estarão instruindo seus membros a orarem com a postura corporal  em direção a Jerusalém – uma prática bíblica, mas não cristã. Lembre-se sempre que nem tudo que é bíblico é cristão.

“Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra” (v.10). O sentido da palavra “paciência” (perseverança) trata-se da opressão, por causa das perseguições, que os crentes de Filadélfia estavam enfrentando, bem como enfrentam os fiéis seguidores de Cristo por todo o mundo. Note que eles estavam “na perseguição”, ou seja, Deus permitiu que seus fiéis passassem por essa situação; não evitou que isso acontecesse, mas, era um teste, uma prova da fidelidade dos cristãos dessa região. Não obstante esse momento tenso eles perseveraram fiéis a palavra de Cristo. O pastor Hernandez Dias Lopes anota uma importante informação nesse sentido:

Para uma igreja sem forças aos olhos do mundo, Jesus a parabeniza pela sua fidelidade (Ap 3.8). A igreja tem pouca força, talvez por ser pequena; talvez por ser formada por crentes pobres e escravos; talvez por não ter influência política nem social na cidade, mas ela tem guardado a Palavra de Cristo e não tem negado seu nome.   

Por causa dessa perseverança e fidelidade o Senhor Jesus os guardaria da hora tentação que abateria sobre eles. Note bem: os guardaria da tentação, e não que os impediria de serem tentados. Isso é curioso e ao mesmo tempo causa angústia a muitos que aprenderam, como eu, que a igreja de maneira alguma passará por algum tipo de tribulação. Se a igreja de Filadélfia (fiel como era) passaria por essa tribulação (nos seus dias) fico pensando se a igreja dos dias atuais também não passará! Bem: na verdade estou levantando um debate, uma polêmica, mas, fundamentado tão somente no texto bíblico e não em “achismos” ou raciocínio lógico. O leitor atento do Antigo Testamento sabe que na história de Israel Deus não evitava ou impedia que Seu povo passasse por momentos de “grande tribulação”, porém, os livrou de quase todas – exceto, por exemplo, nos cativeiros (e em alguns casos individuais como o de Sansão) motivados por causa dos próprios pecados do povo.   

Outro ponto polêmico nos dias atuais é a respeito do ensino da perda da salvação: “Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. Porém, esse ensino não pode ser extraído desse texto bíblico, pois aqui o assunto é recompensa e não salvação. A palavra coroa no idioma original significa recompensa e não a salvação individual. Os ímpios serão vingados pelo Senhor: “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras” (II Timóteo 4.14), mas, os servos de Cristo também terão suas obras avaliadas diante de Deus: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica” [...]Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará” (I Coríntios 3.10,12,13).

Fiéis, santos e verdadeiros como eram,  os crentes de Filadélfia não deveriam temer a perda da salvação, mas tomarem cuidado com suas motivações para que suas obras não fossem desaprovadas diante de Deus. Que o Senhor nos ajude e que tomemos cuidado para fazermos “nossas obras” com amor, humildade, simplicidade, fidelidade e zelo.

Em Cristo,
    


segunda-feira, 14 de maio de 2012

QUÃO NOJENTO É O TRIUNFALISMO

Por Gutierres Fernandes Siqueira

“Que mais direi? Não tenho tempo para falar de Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas, os quais pela fé conquistaram reinos, praticaram a justiça, alcançaram o cumprimento de promessas, fecharam a boca de leões, apagaram o poder do fogo e escaparam do fio da espada; da fraqueza tiraram força, tornaram-se poderosos na batalha e puseram em fuga exércitos estrangeiros. Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos. Alguns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior. Outros enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados. O mundo não era digno deles. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas. Todos estes receberam bom testemunho por meio da fé; no entanto, nenhum deles recebeu o que havia sido prometido. Deus havia planejado algo melhor para nós, para que conosco fossem eles aperfeiçoados”. [Hebreus 11.32-40] 


É triste quando uma mensagem dita evangélica 
mais parece a pregação da Seicho-No-Ie!
“O único modo de se tornar rico com um livro de autoajuda é escrever um”! [Christopher Buckley e John Tierney em God is My Broker] 



Não faz muito tempo um membro de uma igreja em nossa região perdeu o filho tragicamente. O garoto de nove anos esperava o ônibus escolar junto com o pai quando foi atingido por uma bala perdida. O caso foi tão triste e chocante que teve ampla cobertura pela imprensa local. Todas as igrejas da região comentaram o caso e lamentaram tamanha perda. A família, infelizmente, foi mais uma vítima inocente da violência presente neste país.

Quando eu cheguei no culto em uma igreja do bairro vizinho eu pensei: “Com uma notícia tão triste como essa (que abalou toda uma região da cidade) ninguém terá coragem de pregar as baboseiras triunfalistas”. Como eu estava enganado! O infeliz pregador chegou a dizer que derrota não era coisa de cristão e que Deus sempre nos enche de vitória. As palavras não foram literalmente essas, mas o espírito do comentário era exatamente esse. Eu sai do culto escandalizado, pois vi que nem a tragédia sensibiliza os triunfalistas.

Quando o modelo esgotará?

Fico-me perguntando: Quando os evangélicos brasileiros estarão fartos e enjoados das “mensagens de autoajuda”? Será que esse modelo triunfalista se esgotará em um futuro não tão distante? Quando as pessoas “cairão na real” e verão que esse tipo de pregação nada tem de evangelho?

É desanimador ver que o modelo triunfalista nem apresente pequenos sinais de esgotamento. 

Sim, muitas pessoas estão revoltadas com tudo isso, mas essas “muitas pessoas” são poucas para o universo de milhões de evangélicos. Há muitos, também, que não pregam mensagens triunfalistas, mas ao mesmo tempo toleram que tais mensagens sejam livremente pregadas em suas igrejas. Nós aprendemos com a Igreja em Tiatira que a tolerância para com o erro é igualmente errada. Será que queremos ouvir do Senhor isso: “Conheço as suas obras, o seu amor, a sua fé, o seu serviço e a sua perseverança, e sei que você está fazendo mais agora do que no princípio. No entanto, contra você tenho isto: você tolera Jezabel” [Apocalipse 2.19-20a]?

sábado, 12 de maio de 2012

SARDES, UMA IGREJA MORTA (Subsídio EBD)

Por Gilson Barbosa

A Igreja de Sardes é um lembrete de que para Deus o importante não é a “fachada”, fama, posição, estrutura, estética, visibilidade, publicidade e quantidade de pessoas de uma determinada igreja local, pois, aquela Igreja até tinha nome de que vivia, mas para Deus, estava morta. As coisas ditas acimas são importantes para nós, como eram para a Igreja de Sardes, mas não essencialmente para o nosso Cristo. Que triste situação e quão grave era o estado desse pastor e a igreja sob seu comando. O pastor Hernandez Dias Lopes informa que

Sardes era uma poderosa igreja, dona de um grande nome. Uma igreja que tinha nome e fama, mas não vida. Tinha desempenho, mas não integridade. Tinha obras, mas não dignidade.

Era uma igreja ativa, atuante, trabalhadora, mas não eram honestos nem íntegros nas suas intenções. Foi necessário o Senhor avaliá-la e o Seu veredito não foi nada agradável. Nós, servos do Senhor, temos também de avaliar como estamos exercendo nosso trabalho para Deus. O que está por trás das nossas ações importa muito. Por que pregamos e com que intenção? Para glorificar ao Senhor ou a nós mesmos? Esse critério serve para todas as ações que empreendemos na Casa de Deus e na Sua obra. Receio de que muitas pessoas se envolvem tão intensamente nas atividades da igreja, que, não possuem nem mesmo tempo para fazerem seu devocional particular com o Senhor. Tomemos cuidado com isso.

O versículo 2 anota que a aparência do pastor e da igreja eram de vida, porém na realidade o estado era de morte, e aponta para a ausência de santidade, zelo, devoção, compreensão, amor, fruto do Espírito, etc. De nada adianta um culto solene onde não há integridade nem dignidade. Por exemplo, se no culto ao Senhor não há correta intepretação dos textos escriturísticos, haverá abuso doutrinário, “violência” teológica, pregação maculada e por fim isso se caracteriza como falta de integridade e honestidade espiritual.

No Antigo Testamento Deus desaprovava o culto que fosse realizado sem total integridade. Esta, deve abranger toda a nossa vida. Há pessoas que vive uma vida cristã eticamente duvidosa, mas, quando assumem o púlpito agem como se fossem totalmente piedosos ao Senhor. Pensam que conseguem “maquiar” sua participação na liturgia do culto e ficar de bem com o povo. Deus recompensará cada um segundo as suas obras, mas, muito mais segundo suas intenções. Por conta desse tipo de atitude no culto o profeta Amós (5.21-24) pronuncia palavras pesadas a Israel:

“Eu odeio e desprezo as suas festas religiosas; não suporto as suas assembleias solenes. Mesmo que vocês me tragam holocaustos e ofertas de cereal, isso não me agradará. Mesmo que me tragam as melhores ofertas de comunhão, não darei a menor atenção a elas. Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene!”

O profeta Isaías também não deixou por menos:

O Senhor diz:  “Esse povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. A adoração que me prestam só é feita de regras ensinadas por homens”. Isaías 29:13


Jesus diz ao pastor de Sardes que fosse “vigilante”. Isso indica que não podemos enganar a nós mesmos com nosso sucesso, ética, moral, doutrina e fama. A igreja não pode se iludir com sua farta programação, qualidade musical, estrutura financeira, bons pregadores e coisas desse gênero. Corremos o risco de pensar sobre nós, mais do que verdadeiramente somos. Às vezes as coisas boas que outros dizem a nosso respeito pode nos conduzir a uma cilada por conta de um falso conforto e bem estar coletivo ou pessoal. É necessário avaliarmos nossas ações e atitudes (espirituais ou não) com sinceridade e honestidade diante do Deus que tudo vê e sabe.  

Ao pastor da igreja cabia a tarefa de esforçar-se para que as obras de amor e fé de alguns poucos crentes, em Sardes, não desvanecesse e viesse a “morrer”: “Fortaleça o que resta e que estava para morrer” (v. 2b). Se a situação espiritual da igreja não era boa, poderia piorar. A ordem era fortalecer os que ainda eram íntegros ao Senhor e consolidar as poucas boas ações que funcionavam na igreja.Isso deveria ser feito com urgência, pois Cristo não havia achado suas obras perfeitas diante de Deus (v.2c). O Senhor Jesus examina as atividades coletivas da igreja bem como nossas ações pessoais.  Tudo deve seguir conforme Seu propósito e não conformar-se com os nossos desejos. Isso fica entendido na expressão “obras perfeitas”. O que oferecemos ao Senhor deve ser perfeito, não no sentido estético, visual, mas segundo sua ordem. No culto do Antigo Testamento Deus não aceitava nenhum sacrifício de animal defeituoso, por exemplo. Noutras palavras: faltava integridade cerimonial (reflexo da ausência espiritual) da parte dos sacerdotes. Este grande mal aconteceu nos dias do profeta Malaquias (1.8):

"Na hora de trazerem animais cegos para sacrificar, vocês não vêem mal algum. Na hora de trazerem animais aleijados e doentes como oferta, também não vêem mal algum. Tentem oferecê-los de presente ao governador! Será que ele se agradará de vocês? Será que os atenderá? ", pergunta o Senhor dos Exércitos. Malaquias 1:8

Como nosso Senhor Jesus é misericordioso ele exorta: “Lembre-se, portanto, do que você recebeu e ouviu; obedeça e arrependa-se” (Apocalipse 3:3a). O comentarista bíblico Simon Kistemaker sugere que esse versículo pode referir-se tanto há um tempo curto quanto a décadas passadas. No caso de ser um tempo mais distante, a nova geração estava distante do que aprendera do Senhor, no início da fundação daquela igreja. Já não tinham o ímpeto dos primeiros irmãos. Quanto ao pastor, ele recebera e ouvira a mensagem do evangelho, portanto, o Senhor pede que ela torne a obedecê-la, e se arrependa da sua inatividade espiritual e indolência.   
     
Caso o pastor da igreja negligenciasse a vigilância o Senhor viria sobre ele de maneira inesperada aplicando seu justo e verdadeiro juízo: “Mas se você não estiver atento, virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você” (Apocalipse 3:3b). Essa expressão não se refere à segunda vinda de Cristo, mas, a um juízo histórico iminente. O sentido é que Jesus agiria com surpresa, quando nem imaginassem. Isso demonstra a indiferença espiritual dessa igreja. De alguma maneira o Senhor Jesus agiria punindo e demonstrando sua reprovação com a atitude e ação do pastor da igreja.

A cultura secular e mundana deseja veementemente que manchemos ou contaminemos nossas vestes espirituais, macomunando com suas ideologias e ações: “No entanto, você tem aí em Sardes uns poucos que não contaminaram as suas vestes” (Apocalipse 3:4). Estes, com certeza “se dedicavam ao ensino dos apóstolos” (Atos 2:42) e mantinham a santidade exigida por Deus: “Diga o seguinte a toda comunidade de Israel: Sejam santos porque eu, o Senhor, o Deus de vocês, sou santo” (Levítico 19.2 cf 1 Pedro 1.15,16). Perseveravam e preservavam o que tinham aprendido no início da fé cristã. As muitas concessões doutrinárias, teológicas, bíblicas e litúrgicas que se andam fazendo nos últimos dias, tem nos encaminhado a dilemas complexos e a extensas confusões.

Aos poucos fiéis, Jesus diz que eram dignos de andarem com ele vestidos de roupas brancas – símbolo da santidade e pureza. Refere-se aos que se mantiveram puros da corrupção do pecado. Na verdade, todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo (Isaías 64:6), mas, com base no sacrifício vicário de Cristo somos considerados justos e pela obediência aos seus mandamentos, declarados dignos. Em outras palavras não há mérito algum da nossa parte diante de Deus, tanto na redenção, justificação, santificação, adoração e ascensão. O que somos, como cristãos, não nos torna mais apreciado que outros quanto às exigências de Deus, pois, somos santificados por meio de Cristo e não por nossos próprios esforços. Ser santo por esforço próprio, e somente humano, não é mais valioso que uma pessoa não regenerada, mas moralista. Estou convencido de que os fanatismos entre os evangélicos é fruto de uma falsa santidade produzida por esforço próprio e não pelo Espírito Santo de Deus.

Como havia muitos mortos espirituais na Igreja de Sardes, era necessário que a promessa de Cristo aos poucos crentes fiéis fosse contundente, para que estes se tranquilizassem. Jesus disse que o vencedor seria vestido de branco e jamais apagaria o seu nome do livro da vida e o reconheceria diante do Deus Pai e dos seus anjos (Apocalipse 3:5). Novamente temos a clara ideia de que nossa salvação e recompensa são alcançadas exclusivamente pela graça e o mérito é totalmente de Cristo. A expressão diz que o vencedor será vestido, isto é, Cristo é quem nos dá as vestes, a voz está no modo passivo. Não vestimos a nós mesmos, mas isso é proveniente do Senhor.

A segunda promessa é a de que o vencedor jamais teria, ou terá seu nome apagado do Livro da Vida. Aqui o ponto chave são as doutrinas da eleição e segurança eterna da salvação. Desde quando os nossos nomes estão escritos no Livro da Vida? Após a pessoa receber a Cristo como Salvador? O nome de todos que “recebem” a Cristo, no culto, são automaticamente escritos no Livro da Vida? Deus escreve o nome de um verdadeiro regenerado no livro da Vida e depois o apaga se vier pecar? Mas, um crente verdadeiramente regenerado não corre o risco de pecar? Como Deus procede quando um cristão regenerado peca?  

São perguntas de fatos intrigantes, e a estas poderiam somar muitas outras. O que penso entender das passagens bíblicas que tratam sobre esse tema  é que ou os nomes das pessoas estão escritos no Livro da Vida ou não; Jesus não apaga e depois reescreve ou escreve e depois apaga. Note os textos abaixo:

Se o nome de alguém não foi encontrado no livro da vida, este foi lançado no lago de fogo. (Apocalipse 20:15)

Nela jamais entrará algo impuro, nem ninguém que pratique o que é vergonhoso ou enganoso, mas unicamente aqueles cujos nomes estão escritos no livro da vida do Cordeiro. (Apocalipse 21:27) 
  
Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo. (Apocalipse 13:8)

O vencedor será igualmente vestido de branco. Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e dos seus anjos. (Apocalipse 3:5)

A besta que você viu, era e já não é. Ela está para subir do abismo e caminha para a perdição. Os habitantes da terra, cujos nomes não foram escritos no livro da vida desde a criação do mundo, ficarão admirados quando virem a besta, porque ela era, agora não é, e entretanto virá. (Apocalipse 17:8)

Sim, e peço a você, leal companheiro de jugo, que as ajude; pois lutaram ao meu lado na causa do evangelho, com Clemente e meus demais cooperadores. Os seus nomes estão no livro da vida. (Filipenses 4:3)

Concluo afirmando que, como a Igreja de Sardes milhares de igrejas e milhões de pessoas evangélicas necessitam de um genuíno avivamento em nossos dias. Infelizmente, o “avivamento” que muitos estão buscando e outros dizem ter alcançado, não tem de fato avivado a vida cristã em todas as suas áreas. Não acredito numa vida cristã avivada onde continuamos barganhando a ortodoxia doutrinária e teológica; onde há pecados sabidamente inconfessos dentro da igreja; onde priorizamos os louvores em detrimento da exposição da Palavra; onde temos que inventar moda na liturgia do culto para exercer atração no público; onde alguns acreditam que os métodos humanos e técnicos são tão eficientes quanto os métodos de Deus, que estão bem claros na sua Palavra; onde não agimos com honestidade e enganamos as pessoas nas pequeninas coisas que fazemos; onde mentimos a troco de nada; onde obreiros e pregadores retiram seus sermões literalmente da internet e ensinam a igreja como se fosse mensagem vinda do céu; onde igrejas tem vivido mais um evangelho pagão do que cristão; onde passamos mais tempo nas redes sociais do que lendo, meditando e estudando a Palavra de Deus, buscando a Deus em oração junto com nossa família.

Precisamos urgente de um genuíno avivamento. Faço coro com o pastor Augustus Nicodemus ao comentar sobre o que considera de fato um genuíno avivamento (LEIA AQUI):

E, portanto, creio que é seguro dizer que apesar de toda a agitação em torno do nome, o Brasil ainda não conheceu um verdadeiro avivamento espiritual. Depois de Finney, Billy Graham, do metodismo moderno e do pentecostalismo em geral, “avivamento” tem sido usado para designar cruzadas de evangelização, campanhas de santidade, reuniões onde se realizam curas e expulsões de demônios, ou pregações fervorosas. Mais recentemente, após o neopentecostalismo, avivamento é sinônimo de louvorzão, dançar no Espírito, ministração de louvor, show gospel, cair no Espírito, etc. etc. Nesse sentido, muitos acham que está havendo um grande avivamento no Brasil. Eu não consigo concordar.

Que o Senhor tenha misericórdia da igreja evangélica brasileira, e que encontre homens, mulheres, jovens e adolescentes, dispostos a buscá-lo com humildade, confissão de pecados, arrependimento, santidade e desejo por sua Palavra.

Em Cristo,

terça-feira, 8 de maio de 2012

A CONFISSÃO POSITIVA À LUZ DA BÍBLIA



Uma Palavra Sobre a Fé


Por Paulo Romeiro

A genuína fé cristã deve estar fundamentada na Bíblia Sagrada. Caso contrário, o corpo de Cristo sofrerá sérios transtornos. Quanto a este assunto, não podemos deixar de mencionar o brilhante exemplo dos bereanos, registrado em Atos 17:11-13. Quando o apóstolo Paulo chegou à cidade de Beréia, dirigiu-se à sinagoga dos judeus. A Escritura diz que “estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram de fato assim”. É com essa atitude que queremos agora avaliar este movimento à luz da Bíblia, pois nenhuma experiência, seja sonho, visão ou qualquer outra coisa, pode estar acima da autoridade das Escrituras. Tal foi o brado da Reforma protestante através de Martinho Lutero: sola Scriptura (somente a Escritura).

Uma das afirmações mais contundentes desta corrente é que o cristão deve ser próspero financeiramente e sempre ser livre de qualquer enfermidade. Quando isto não acontece, é porque ele deve estar vivendo em pecado ou porque não tem fé. Vejamos se tal posição tem apoio na Bíblia.

Que a fé é importante ninguém discute. A Bíblia diz em Hebreus 11:1, 6: “Ora, a fé é a certeza de cousas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem. De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”. No movimento da fé, entretanto, a obsessão em relação à fé é tamanha que até a simples comunicação de um problema deve ser reprimida. Em muitos destes círculos, mesmo em reuniões de oração, evita-se pedir oração por alguém que esteja enfermo, pois não se pode confessar ou admitir qualquer coisa negativa.

Para reforçar seus argumentos, citam Provérbios 18:21, que diz: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto”. Crêem que, se algo negativo for declarado, isto se concretizará, resultando numa espécie de automaldição, uma expressão também cunhada pelos seus pregadores.

A Bíblia fala de pessoas que, num momento de dificuldade, acabaram externando suas angústias e tristezas, sem com isto tornar em realidade o mal que confessaram. Veja o exemplo de Jacó em Gênesis 42:36, quando seus filhos voltam do Egito, onde tinham ido comprar comida. José, que não foi reconhecido por seus irmãos, exige que na próxima viagem tragam Benjamim, provocando desta forma a seguinte reação de Jacó: “Então lhes disse Jacó, seu pai: Tendes-me privado de filhos: José já não existe, Simeão não está aqui, e ides levar a Benjamim! Todas estas cousas me sobrevêm”.

Era natural que Jacó se sentisse assim. Depois de tantos anos sem ver seu filho José, induzido por seus filhos a pensar que ele tinha sido devorado por uma fera, e após ter perdido a esposa Raquel quando nasceu Benjamim, sua vida passa a ser marcada pelo sofrimento. O fato de ele confessar no versículo 36 que “José já não existe” não provocou a morte de José no Egito, não constituindo, portanto, em maldição.

Vejamos também algo semelhante na vida de Davi. Perseguido tenazmente por Saul, que procurava por todos os meios assassiná-lo, Davi foi procurar refúgio junto a Aquis, rei de Gate (1 Samuel 27:2). Em meio ao seu desespero, tornou-se extremamente negativo: “Disse, porém, Davi consigo mesmo: Pode ser que algum dia venha eu a perecer nas mãos de Saul” (1 Samuel 27:1). Apesar de sua atitude negativa, Davi não pereceu e nem poderia perecer pela mão de Saul. Deus o havia escolhido, através de Samuel, para ser rei de Israel. Se ele morresse, a palavra de Deus não se cumpriria.

Os três jovens na fornalha ardente de Nabucodonosor também servem como exemplo de que nem sempre uma declaração negativa se transforma numa automaldição. Quando indagados pelo rei sobre quem era o Deus que poderia livrá-los de suas mãos, responderam: “O Nabucodonosor, quanto a isto não necessitamos de te responder. Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste”' (Daniel 3:16-18).

Houve duas declarações nesta passagem. A primeira, positiva, quando os três jovens afirmaram que Deus poderia livrá-los, e a segunda, negativa, quando admitiram que, ainda que Deus não os livrasse, não se curvariam diante da estátua do rei. Apesar de terem feito uma confissão negativa, eles não foram consumidos pelo fogo da fornalha, mas salvos por uma intervenção sobrenatural de Deus. E novamente a automaldição não se cumpriu.

Não podemos deixar de mencionar o encontro que Jesus teve com o pai de um jovem que possuía um espírito mudo. Depois de lhe ouvir a súplica para que curasse seu filho, Jesus disse-lhe: “Se podes! tudo é possível ao que crê”. Ao que respondeu com lágrimas o pai do menino: “Eu creio, ajuda-me na minha falta de fé” (Marcos 9:17-27).

Novamente temos, nesta narrativa de Marcos, duas confissões: uma positiva e outra negativa. Primeiro, o pai do rapaz diz que crê, mas logo depois admite sua dificuldade em crer e roga a ajuda do Senhor. O Senhor Jesus de maneira alguma o rejeitou e nem deixou de atendê-lo por causa de sua confissão negativa, antes, operou um grande milagre, libertando totalmente o rapaz para a alegria daquele pai.

O apóstolo Paulo nem sempre pensava positivamente. Chegou a afirmar, certa vez, que era o principal dos pecadores (1 Timóteo 1:15). Há vários outros exemplos na Bíblia que demonstram que a operação de Deus não depende dos méritos de seus filhos. Se Deus fosse depender de nossas fórmulas corretas e palavras precisas para operar, ele não operaria mais.

Deus é soberano e sobre sua soberania, dentro da confissão positiva, trataremos adiante.

Fonte: Livro Super Crentes. Paulo Romeiro, pg 25-28