terça-feira, 12 de novembro de 2013

O CULTO AO ESPÍRITO SANTO É ORDENADO NA BÍBLIA?

Por Gilson Barbosa

Conforme afirma o Credo de Atanásio (escrito contra os arianos), não devemos confundir as pessoas da Trindade nem dividir Sua substancia, pois uma só é a divindade do Pai e do Filho e do Espírito Santo. São iguais quanto aos atributos, mas não são uma única pessoa. A definição da Trindade é: três pessoas distintas em uma só divindade.

Outro fato importante é que na Trindade não há disputa de poderes, onde um é forçadamente subordinado ao outro. Citando I Coríntios 13:5 podemos dizer que no relacionamento entre si não há na Trindade ação por interesse próprio, não se ufanam, não se exasperam, não ardem em ciúmes, não se portam com soberba.

“Não existe uma hierarquia de poder, glória, ou autoridade na Trindade ontológica. A submissão do Filho ao Pai, por exemplo, é a submissão do Filho à sua própria vontade, porque a vontade divina é uma, mesmo tendo o Pai e o Filho consciência de uma vontade distinta e pessoal. A essência da vontade de Deus é uma.”[1]

Podemos dizer o mesmo do Espírito Santo em relação a Cristo.  Muitos se esquecem de que cada pessoa da Trindade tem um papel distinto e um relacionamento distinto. Na teologia há o termo conhecido como Trindade econômica que distingue seus papeis:

A trindade econômica é a Trindade em relação à história humana. Na redenção da humanidade cada pessoa faz parte de um plano perfeito para salvar o homem. Cada pessoa faz obras distintas para conseguir essa salvação. O Pai planeja a salvação, elege os salvos e envia o Filho, o Filho paga o preço do pecado, compra a salvação pelos eleitos e faz intercessão, e o Espírito aplica a salvação aos eleitos, regenerando-os e santificando-os.[2]


O Concílio de Constantinopla (381 d.C.) proclamou em sua confissão de fé que o Espírito Santo deveria ser reconhecidamente “adorado e glorificado junto com o Pai e o Filho”. O contexto da proclamação foi à controvérsia conhecida como “macedoniana” e ou “pneumatômatos”, pois negavam a divindade do Espírito Santo.

Os macedonianos são chamados de “inimigos do Espírito”, por não admitirem o Espírito como Deus.  A heresia parte de um problema litúrgico. Na doxologia, não admitem dar glória ao Espírito junto com o Pai e o Filho. O Espírito não é gerado como o Filho, mas criado. Para os macedônios “espírito” seria mais uma “propriedade” de Deus que necessariamente uma pessoa divina. Argumentavam que Deus é espírito, porém o Espírito não é Deus.[3]


A questão que trago na postagem não é se o Espírito pode ser adorado, mas, se com base nas escrituras sagradas, Ele deve ser amplamente adorado no ambiente de culto ou mencionado mais do que Cristo. Sobre isso há dois pontos a ser considerado: 1º) a Bíblia não ordena expressamente adoração ao Espírito Santo e 2º) o Espírito Santo exalta a pessoa de Cristo.

Dois pontos importantes
Em primeiro lugar, a Bíblia não ordena expressamente adoração ao Espírito. Ao comentar sobre plano de Deus para Israel o apóstolo Paulo reconhece a sabedoria divina e glorifica ao Senhor: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” (Romanos 11:36). O apóstolo Paulo encerra sua carta aos romanos (cap. 16) saudando diversos irmãos e após falar sobre o plano de Deus de unir os cristãos judeus e gentios em só corpo, a Igreja, novamente exalta e glorifica a Deus por isso: “Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém.”

É verdade que em II Coríntios 3:8 o apóstolo fala sobre a glória do ministério do Espírito Santo, mas a menção visa repudiar a mistura entre Lei e Graça, realizada pelos judaizantes, e acentuar a glória do ministério do evangelho da graça de Deus. O contexto deixa claro isso (v.s. 9-11).

Na Galácia os falsos mestres estavam distorcendo a mensagem do evangelho. Paulo, então, lembra os irmãos que Cristo pagou um alto preço para alcançar um propósito: livrar os pecadores da escravidão do pecado. Se os falsos mestres ministravam motivados por uma intenção egoísta, inclusive no que diz respeito ao proselitismo praticado por eles entre os irmãos dali, a intenção de Paulo era pura e piedosa; por isso ela exalta a Cristo: “Graça e paz da parte de Deus e do nosso Senhor Jesus Cristo [...] ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém.” (Gálatas 1:3, 5).

Não querendo enfadá-los com as mesmas interpretações, mas sugiro que leiam os seguintes textos: Efésios 3:21; Filipenses 4:20; I Timóteo 1:17; II Timóteo 4:18; Hebreus 2:7; 13:21; I Pedro 5:11; II Pedro 3:18; Judas 1:25; Apocalipse 1:6; 4:9, 11; 5:12,13; 11:13; 14:7; 19:1, 7.

Todos os textos bíblicos ordena que tanto o Pai quanto o Filho sejam adorados, mas não faz menção do Espírito Santo. Isso significa que ele não pode ser adorado? Não é bem isso. Ainda que não tenha mandamentos específicos, geralmente aplicamos os princípios (a questão de o Espírito ser essencialmente Deus em seus atributos, por exemplo) na adoração ao Espírito. Mas, falamos acima que cada pessoa na Trindade possui um objetivo e propósito nas suas atividades; e a do Espírito não é glorificar a si próprio, mas a Cristo.

Em segundo lugar, a função do Espírito é exaltar a Cristo. Os irmãos em Corinto queriam saber como identificar se a pessoa que fazia uso dos dons estava realmente falando pelo Espírito. Paulo responde afirmando que o Espírito sempre busca exaltar a Cristo: “Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o SENHOR, senão pelo Espírito Santo.” (I Coríntios 12:3). Ou seja, o Espírito sempre conduz as pessoas à presença Cristo. Conforme afirmou o pastor Augustus Nicodemus Lopes (O Culto Espiritual, p. 75, Ed: Cultura Cristã):

Se Jesus não for o centro e não receber a glória e a honra que lhe são devidas como Cabeça da Igreja, como o Filho único de Deus e o Senhor de tudo e de todos, então tais coisas não procedem do Espírito Santo; podem proceder do homem ou de espíritos malignos, mas não de Deus.

O Senhor Jesus ao instruir seus discípulos sobre a vinda do Espírito Santo para que estivesse para sempre com o povo de Deus (João 14:16, 17) lhes orientou também sobre o que o Espírito faria: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (João 14:26). Em outras palavras o Espírito não traria nada diferente ou inusitado, mas apenas aquilo que Cristo já tinha ensinado aos discípulos.

O Espírito também tem a responsabilidade de não confundir as pessoas, pois seu objetivo é guiar os crentes em toda verdade. Não vejo com bons olhos tanta confusão em torno da pessoa do Espírito se ele nos conduziria às verdades de Deus. O Espírito também não exige nem reivindica glória para si mesmo nem fala de si próprio. Ele não traz confusão, novas revelações, nem contradiz o que Cristo ensinou: “Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.” (João 16:13, 14). Receio de que muitos crentes hoje em dias estão passando por cima das orientações de Cristo com respeito à pessoa do Espírito em suas funções.

O Espírito Santo tudo realiza tendo em visto a exaltação de Cristo: “Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.” (João 16:7-11).

Apenas o que a Bíblia prescreve
Quais as reais implicações negativas de se adorar o Espírito? Muito provavelmente nenhuma. Mas, corre-se o risco de fazer algo não prescrito pela Bíblia; o que fatalmente gerará confusão doutrinária e mais divisão no Corpo de Cristo. É bom não ir além do que está escrito na Bíblia Sagrada.

Que o Senhor nos ajude a compreender as funções de cada pessoa da Trindade.
Com amor, em Cristo.



[1] Teologia Sistemática de Allan Myat e Franklin Ferreira, Editora Vida Nova.
[2] Teologia Sistemática de Allan Myat e Franklin Ferreira, página 76, Editora Vida Nova.
[3] Apostila Cristologia do Primeiro Concílio de Constantinopla, José de Lima. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

QUEM SÃO OS HERDEIROS DA REFORMA PROTESTANTE?

Por Gilson Barbosa

A Reforma Protestante comemorou no mês passado 496 anos (31/10/2013); e se são escassas as informações a seu respeito nas igrejas evangélicas, sobejam reflexões teológicas. No sentido religioso o principal destaque da Reforma é que seu legado está fundamentado em cinco pontos conhecido como Solas ou somente: somente a Escritura, somente a Fé, somente Cristo, somente a Graça, somente a Deus seja a glória. É importantíssimo atentar para o advérbio somente. Muitas igrejas evangélicas não passam pelo teste do advérbio e são reprovadas.

Será que todas as igrejas evangélicas atuais podem reivindicar serem legítimas herdeiras da Reforma Protestante? Herdar não significa necessariamente tomar posse ou fazer uso; pode ser que seja apenas uma possibilidade. Pode não se efetivar porque os que reivindicam não tem de fato esse direito, e não tem direito porque não preenchem os requisitos necessários. Mas, em que sentido uma igreja evangélica moderna pode não ser protestante?

Somente a Escritura

A Igreja Católica Romana tem a Bíblia como livro sagrado. No entanto a interpretação das escrituras para os fiéis depende da tradição da Igreja, do Sagrado Magistério e do papa fazer seus pronunciamentos ex catedra. Acontecimento parecido há nas igrejas evangélicas atuais. Em muitos casos quando não há base bíblica para certos ensinamentos (principalmente as proibições) apela-se para o fator “tradição da igreja”. É muito comum ouvir: “a Bíblia não trata do assunto, mas a igreja não admite a prática”.

Sabemos da realidade da tradição e que ela pode ser negativa ou positiva (II Tessalonicenses 2:15; Mateus 15:2,3,6). Porém a tradição deve ser rejeitada todas as vezes que ela se choca com a Palavra de Deus. É comum também em muitas igrejas evangélicas a palavra do pastor ser à decisiva e final, mesmo que seu uso não respeite as regras da hermenêutica e não represente o que o texto sagrado diz. Apesar de receber da Reforma o legado do livre exame da Bíblia, em muitas igrejas os crentes não tem o direito de questionar a interpretação vinda do púlpito. A Bíblia Sagrada é a única autoridade infalível dentro da igreja.

É normal também o abandono do correto ensinamento das escrituras a respeito de determinado assunto por pura conveniência. Por exemplo, em determinadas igrejas evangélicas alguns pastores até ensinam que biblicamente o misticismo é desagradável ao Senhor, mas por força do movimento histórico da igreja ele acaba ou deixando a prática mística acontecer ou angariando a antipatia dos seus próprios liderados que não compartilham das suas ideias.  
  
Somente a Graça

A doutrina da salvação pela graça incomoda o ser humano, pois, ou ele fará obras para merecê-la ou tentará colaborar com Deus para obter a salvação. A Igreja Católica Romana realiza missas em favor dos mortos tendo em vista a salvação deles. Para que o falecido fiel católico fique livre do sofrimento das chamas do purgatório seus entes devem receber neste mundo a punição estabelecida para eles, por meio da confissão pública ou particular ou pela prática de boas obras (jejuns, esmolas e orações). No século XI a Igreja Romana por meio das indulgencias comercializava coisas que não podem ser vendidas (perdão, remissão de pecados, expiação); comercializavam a fé. Resumindo: a salvação romana tem por base os méritos humanos e a barganha.

Não é muito diferente hoje em dia quando os evangélicos em vez de venderem perdão, como a Igreja Católica Romana fazia na Idade Média, vendem bênçãos terrenas em troca de dízimos ou ofertas pomposas. Ou quando não, pensam que o homem morto em delitos e pecados (Efésios 2:1,2) podem colaborar com Deus para a sua própria salvação: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Efésios 2:8). Quer seja a fé, a graça ou a salvação, todos esses elementos são dom de Deus.

Somente a Fé

Como nos apropriamos da salvação? Não somos salvos pelos nossos méritos ou por algum tipo de colaboração com Deus; somos salvos pela graça por meio da fé. A fé não é o objeto da salvação, é o resultado. O objeto da salvação é Cristo. A fé na qual o pecador se apossa é dada por Deus. Na verdade é o oposto: é a fé que se apossa do pecador por meio da pregação. A fé é obra do Espírito Santo em nossos corações. No processo da salvação Deus dá ao pecador o arrependimento e a fé:

E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se, e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida. (Atos 11:18)

E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. (João 16:8)

Muitos evangélicos pensam que fé e formalismo religioso é a mesma coisa. É comum olhar para os obreiros da igreja e concluir, devido ao ativismo religioso, que eles são “pessoas de fé”. No entanto viver pela fé em Deus é muito mais que colocarmos uma roupa de crente e irmos para a igreja. Sabemos que Deus não se agrada do formalismo religioso (Isaías 1:11, 12). Se você pensa que será salvo por algo que esteja fazendo para o Senhor ou que pode colaborar (dar uma mãozinha) para sua própria salvação, você não é um crente protestante.

Somente Cristo

Cristo é suficiente para a salvação. Essa história de Cristo mais alguma coisa não passa pelo escrutínio bíblico. A Igreja Católica Romana obscurece a pessoa de Cristo quando ensina que o batismo salva e que as penitencias são necessárias para a expiação dos pecados cometidos após o batismo. A salvação não é realizada em parte por Cristo e em parte pelo homem. Ela é obra exclusiva de Deus: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.” (Isaías 64:6)

Não é preciso acrescentar nada a obra de Cristo para a salvação; ela é por si mesma eficaz. Após ler Malaquias 3:8 muitos crentes interpretam que é possível perder a salvação se negligenciarmos os dízimos, pois estamos roubando o Senhor e ladrão não entra no céu. Se isso é possível, ou se é assim mesmo, o sacrifício de Cristo não tem nem teve valor algum para os que assim creem. É Cristo mais os dízimos. Outros acham que participar de atividades eclesiásticas é sinal de comunhão com Deus e alcança o favor de Deus. Há igrejas que possuem atividades a semana inteira, e isso tem criado uma sensação de obediência a Deus e consequentemente de estar O agradando. Quanto a isso a Teologia Reformada afirma: Somente Cristo!

Glória somente a Deus

A Igreja Católica Romana venera os santos, as relíquias e os padroeiros. Entende que os santos são nossos mediadores diante de Deus, e por possuírem méritos podem interceder por nós e serem ouvidos por Deus a nosso respeito. Jesus foi muito claro e contundente à Satanás na questão de quem deve ser cultuado: “Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.” (Mateus 4:10).

Em muitas igrejas evangélicas da atualidade os pastores se tornaram em algo como “santos” ou “padroeiros”. São possuidores de poderes sobrenaturais e canalizadores das bênçãos de Deus para a vida dos crentes. Outros se tornaram tão reverenciáveis que seus “poderes” terrenos são similares ao papa romano. Subjugam e exigem, ainda que indiretamente, de seus membros uma consideração que quase beira a veneração idolátrica.

Cantores, bandas gospel, pregadores famosos, apóstolos, todos tem ocupado posição central no culto e Deus não tem sido mais o objeto de adoração e Sua glória tem sido repartida. A adoração perene tem sido substituída por euforia e efervescência carismática. Objetos tais como sal grosso, água do rio jordão, manto de Elias, toalhinha santa, cajado de Moisés, etc, são como mediadores entre as bênçãos de Deus e as necessidades física e externas dos homens. Contra isso a Teologia Reformada brada: Somente Cristo.

Nem polêmico nem covarde

Não quero ser polêmico, mas não posso ser covarde. Nem todas as igrejas evangélicas podem se considerar legítimos herdeiros da Reforma Protestante, ainda que façam uso do seu legado. A princípio são herdeiros da Reforma as igrejas historicamente reformadas. Depois são herdeiros da Reforma as que essencialmente mantêm verdadeiramente os cinco fundamentos da Teologia Reformada. Há igrejas, por exemplo, que são historicamente reformadas, mas se tornaram pentecostais. Na direção contrária temos igrejas pentecostais que se consideram reformadas, ou seja, creem na contemporaneidade dos dons, mas são calvinistas. Sinceramente não vejo lógica nem coerência nisso. Assim como não vejo lógica nem coerência em alguns pastores intelectuais entre os pentecostais que dizem crer nos cinco fundamentos da Teologia Reformada, mas as igrejas sob suas lideranças não vivenciam os mesmos na prática.

Para manter a tradição de suas respectivas igrejas muitos pastores pentecostais preferem deixar o assunto da Reforma Protestante apenas na teoria ou tecer os comentários apenas no meio intelectual. Ser herdeiro da Reforma não consiste em individualizar o entendimento a respeito dos cinco fundamentos, mas ensinar e exigir que as igrejas pratique isso no dia a dia.

Uma igreja que afirma apenas a teoria dos fundamentos da Reforma Protestante, mas não pratica, não pode ser tida como herdeira da Reforma.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

COMPREENDENDO O SENTIDO DOS MILAGRES

Por Gilson Barbosa

No trajeto para minha casa passo sempre em frente a uma igreja pentecostal. Um enorme outdoor anuncia que nesta igreja “o impossível não existe”. Mas, em contraste com o anuncio sempre lembro um irmão que frequenta a referida igreja, “onde o impossível não existe”, e que acometido de uma grave enfermidade na perna insiste em “desafiar” a legenda do outdoor, pois não consegue ser curado desta doença. Pelo menos para ele, o impossível persiste em existir. A justificativa para a ausência da cura, obviamente, será a falta de fé ou até mesmo falhas na vida espiritual do pobre irmão.
Porém, há explicações bem mais plausíveis para a ausência de curas, milagres, maravilhas e sinais espetaculares. De forma geral podemos dizer que Deus tem propósitos bem definido, e isso inclui os elementos que estamos discutindo. Tudo o que acontece está dentro da sua soberana vontade. Às vezes o crente é curado, às vezes não, e às vezes pode vir até mesmo a óbito. A cura e ou os sinais maravilhosos de Deus não são simplesmente para satisfazer as necessidades humanas, para a produção de bem estar físico, nem possui caráter subjetivo. A ação miraculosa de Deus possui propósitos claros, objetivos, que muitas vezes não iremos compreender. Como compreender que Deus não processou a cura em Paulo e ainda disse que o apóstolo deveria contentar-se com Sua graça? (II Coríntios 12: 7-10). A cura de Paulo não glorificaria a Deus? Porém, precisamos entender que em todas as circunstancias Deus sempre é glorificado. O que tem acontecido é que as pessoas estão em busca de um Deus que faça algo por eles.

Nesta postagem quero propor biblicamente algumas razões pelas quais nosso Senhor Jesus Cristo efetuava maravilhas e milagres, especialmente quando curava ou expulsava demônios. Eis alguns pontos:
1 – Como inauguração “de uma nova religião”
“E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.” (Marcos 3:5).
O evangelista Lucas (6:7) nos informa que os escribas e fariseus estavam na sinagoga ouvindo a pregação de Jesus, mas a intenção era ver se Jesus curaria um homem que tinha a mão direita ressequida. Sabemos que a religião vigente nos dias de Jesus era o judaísmo. O dia de sábado era considerado sagrado para os judeus e por várias vezes, no ministério de Jesus, este assunto foi motivo de polemica e discussão. A desobediência a este mandamento era punida com a morte por apedrejamento (Números 15:32-36). Porém, aquilo que foi ordenado por Deus como um dia de reflexão espiritual e adoração (a santificação do sábado), logo passou a ser interpretado de forma diferente e equivocada pelo judaísmo.

Jesus compreendia a essência da ordem Divina de santificar este dia. Porém para os judeus a guarda do sábado identificava a verdadeira religião. Sabedor disto Jesus indaga: “E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se.” (Marcos 3:4). Diante do silencio dos escribas e fariseus Jesus efetuou a cura da mão do homem, como comprovação de que dava inicio pelo seu ministério uma nova maneira de se relacionar com Deus. “E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.” (Marcos 3:5).

2 – Cristo tinha em si mesmo o poder de realizar milagres
Jesus não precisava orar ao Pai pedindo poder para curar. Não é que Ele tinha o dom de curar; ele curava por seu próprio poder e autoridade. As pessoas não tinham dúvida que se pelo menos tocassem na orla da sua veste receberiam a cura:
E, quando já estavam no outro lado, dirigiram-se à terra de Genesaré, e ali atracaram. E, saindo eles do barco, logo o conheceram; e, correndo toda a terra em redor, começaram a trazer em leitos, aonde quer que sabiam que ele estava, os que se achavam enfermos. E, onde quer que entrava, ou em cidade, ou aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua roupa; e todos os que lhe tocavam saravam. (Marcos 6:53-56)
Ninguém pode dizer que tem em si mesmo poder para curar as pessoas; se bem que alguns pastores pensam que sim. Se o Senhor curar alguém que fique claro que é por sua infinita graça e bondade e não por causa do pastor A ou B. Jesus não precisava fazer campanha de curas e efetuá-las no ultimo dia. Ele não precisava se esforçar para curar as pessoas; simplesmente as pessoas tocavam Nele eram curados simultaneamente.
3 – A operação de maravilhas comprovavam que Jesus era o Filho de Deus
Dizer que Jesus era o Filho de Deus trata-se de um hebraísmo. A expressão é a mesma coisa de dizer que Ele era essencialmente Deus:
E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus. (Marcos 3:11)
Os espíritos imundos sempre reconheceram que Jesus possuía os atributos da Divindade e quando ele os expulsava reivindicava pessoalmente esse título:

E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega. E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes. Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois? E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa. (Atos 19:13-16)
4 – Os milagres não autenticam os recebedores
E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele virtude, e curava a todos. (Lucas 6:19)
Jesus não curava apenas os que criam Nele ou os seus seguidores. Ele curava a todos, informa o escritor Lucas. Ser curado, receber algum milagre de Deus ou até mesmo efetuar milagres e sinais espetaculares não é garantia de vida eterna e nem de ser um fiel e verdadeiro discípulo de Cristo.

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. (Mateus 7:21-24)
Interessante é que Jesus afirma nunca ter conhecido essas pessoas. Elas fizeram ações que muitos julgam como as mais importantes no evangelho moderno: profetizaram, expulsaram demônios, efetuaram muitas maravilhas. No entanto nunca foram regenerados; não experimentaram a conversão verdadeira. Seus ministérios nunca tivera a aprovação Divina.

5 – Os milagres eram as credenciais do Messias
Cada vez mais a expectativa da vinda do Messias parecia se esfriar no coração dos judeus. Até mesmo João Batista teve dúvidas e enviou dois dos seus discípulos para indagarem Jesus se Ele era o Messias prometido nas escrituras ou não. Diante dessa pergunta Jesus realizou alguns sinais para que João não tivesse mais dúvida e tranquilizasse seu coração:

E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E, quando aqueles homens chegaram junto dele, disseram: João o Batista enviou-nos a perguntar-te: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espíritos maus, e deu vista a muitos cegos. Respondendo, então, Jesus, disse-lhes: Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho. E bem-aventurado é aquele que em mim se não escandalizar.  
6 – As operações de maravilhas anunciavam a chegada do Reino de Deus

O Reino Deus é o seu governo no coração das pessoas. Só pode fazer parte do reino aqueles a quem o Senhor elege. O judeu com seu orgulho religioso dificilmente seria convencido de que o plano da salvação se estendia a todos os povos, tribos, línguas e nações. Por várias vezes Jesus utilizaria o recurso da cura, dos sinais, maravilhas e milagres para anunciar que por meio Dele o Reino Deus havia chegado ao mundo.
Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios. Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam então vossos filhos? Portanto, eles mesmos serão os vossos juízes. Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus.  
7 – Os apóstolos receberam autoridade diretamente de Jesus

Hoje em dia se discute muito a questão da contemporaneidade dos dons; eu não vou entrar nesse mérito. Apenas reforço o fato de que eles receberam a autoridade de curar, expulsar demônios e operar maravilhas, por meio direto.

E, CONVOCANDO os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades. (Lucas 9:1)
Os apóstolos receberam autoridade diretamente de Cristo. Como Cristo ascendeu ao céu e não há mais apóstolos (semelhantes aos apóstolos de Cristo) entende-se que houve mudanças significativas quanto às necessidades e realizações de milagres e maravilhas. A condição dos apóstolos era Sine Qua Non; a nossa não.
8 – Os milagres servem como juízos de Deus
Ninguém atenta para este fato. Longe de causar euforia os milagres deveriam provocar temor a Deus. Todos deveriam se comportar com muita humildade diante de acontecimentos sobrenaturais. Tristemente observamos pessoas arrogantes exigindo de Deus a cura e os milagres. Deveriam saber que estão acumulando sobre si a ira de Deus reservada para o ultimo dia.

Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se operou a maior parte dos seus prodígios o não se haverem arrependido, dizendo: Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti. (Mateus 11:20-24)
Depreendemos do texto que é possível os milagres não produzir nas pessoas que tem ou tiveram algum tipo de conhecimento sobre Deus nenhum arrependimento genuíno. Porém, isso implica em maior juízo, maior castigo. Os que vivem em busca de milagres o tempo todo deveriam prestar mais atenção nisso e buscar a misericórdia de Deus.

Três coisas fundamentais

A primeira é que a multidão é fascinada por sinais espetaculares de Deus (Marcos 1:45; 3:7; 6:31). Ela não se importa em servir ao Senhor em espírito e em verdade. O que importa mesmo é a realização de algo fantástico. A segunda é que o foco deve estar na Soberana vontade de Deus. Crentes piedosos e abnegados servos do Senhor morrem todo o dia. Os mesmos estão sujeitos a terem filhos com algum tipo de deficiência. Não se desespere se for esse o seu caso. Confie na soberania de Deus; Ele sabe o que faz. A terceira é que o maior de todos os milagres é pertencer à família de Deus; é fazer parte do seu povo na terra; é ter certeza de vida eterna:

E foram ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele, por causa da multidão. E foi-lhe dito: Estão lá fora tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te. Mas, respondendo ele, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam. (Lucas 8:19-21)
E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum. Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus. (Lucas 10:18-20)
Com amor em Cristo Jesus

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A GRAÇA COMUM DE DEUS NA HUMANIDADE

Por Gilson Barbosa

Muitos de nós por termos recebidos certas influencias evangélicas crescemos ouvindo que o cristão não pode praticar esportes, não deve ir ao cinema, teatro, e os mais radicais até mesmo proibiam cursar uma faculdade (Ou seja, estudar muito levaria o crente a esfriar na fé). Para alguns tudo o que faz parte normal da vida parece conspirar contra a fé. Há anos atrás ouvi de certo líder evangélico que se fosse para os jovens da igreja “desviarem dos caminhos do Senhor” era melhor não fazerem faculdade. Que absurdo! Este tipo de atitude é baseado na distinção entre o que se faz na igreja, ou aquilo que é espiritual, e o que se faz fora da igreja ou o que não é espiritual.

É muito comum pensarmos que a vida é feita de compartimentos isolados. Alguns entendem que cantar, pregar, orar, ir à igreja, ouvir música evangélica, está associado apenas a vida espiritual; enquanto que o trabalho, o estudo, a diversão, ou seja, aquilo que não esteja ligado à igreja e ou as atividades eclesiásticas está associado à vida secular. Essa distinção traz consequências trágicas para a vida. O campo da ação de Deus abrange tanto a vida espiritual quanto a vida secular. Trabalho, saúde, família, lazer, cultura, igreja e ou atividades eclesiásticas é tudo uma coisa só. Todas estas coisas fazem parte da vida e é nosso dever honrar ao Senhor em tudo: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus.” (I Coríntios 10:31).

Quando Adão e Eva pecaram foram privados da presença de Deus e deixaram de ser imortais. Contudo, continuaram a desfrutar da bondade de Deus. Deus nãos os privou do sexo, de ter filhos, de desfrutar da criação, de serem felizes, de produzir cultura e até mesmo da longevidade (Se lembra com quantos anos Adão morreu? leia Genesis 5:5). Mesmo tendo pecado, de alguma maneira Deus não reteve sua bondade sobre o casal. A Bíblia informa que o “salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23), mas nem por isso pecadores não desfrutam de uma parte da bondade de Deus nesta vida.

Às vezes nos perguntamos como pode pessoas “ímpias”, “desobedientes aos mandamentos de Deus”, ateus, céticos, viverem uma boa vida, serem bem sucedidos na carreira, terem sempre o que comer, o que vestir, alguns são até mesmo felizes!!! Sabe o que isso significa? Essas coisas procedem graciosamente de Deus. Na Teologia Reformada isso é chamado de a graça comum de Deus. Leia os textos abaixo e reflita se não é assim:

“Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.” (Mateus 5:44, 45 – meu grifo)

“Amai, porém a vossos inimigos, fazei bem e emprestai, nunca desanimado; e grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os integrantes e maus.” (Lucas 6:35 – meu grifo)

“Quando, porém, os apóstolos Barnabé e Paulo ouviram isto, rasgaram as suas vestes e saltaram para o meio da multidão, clamando e dizendo: Senhores, por que fazeis estas coisas? Nós também somos homens, de natureza semelhante a vossa, e vos anunciamos o evangelho para que destas práticas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar, e tudo quanto há neles; o qual nos tempos passados permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos. Contudo não deixou de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo-vos de mantimento, e de alegria os vossos corações.” (Atos 14:14-17 – meu grifo).

O teólogo Wayne Grudem define a graça comum de Deus da seguinte maneira: “Graça comum é a graça de Deus pela qual ele dá às pessoas inumeráveis bênçãos que não fazem parte da salvação” (Teologia Sistemática, p. 549). Note que não se trata da “graça salvífica ou salvadora de Deus”. Aliás, existe apenas uma só graça, mas ela se manifesta de duas maneiras: graça especial e graça comum.  

Não devemos deixar de reconhecer que todas as pessoas recebem a operação da graça comum de Deus. Alguns crentes desvalorizam o que é produzido por não crentes. Outros depreciam tanto o fato de alguém não ser um crente que cometem abusos no julgamento. É importante saber que

“... mesmo entre aqueles que não são cristãos, há muitas pessoas que tem bom caráter, são honestas, trabalhadoras, confiáveis, generosas, amáveis e capazes de grandes realizações em todas as áreas da vida (cultura, arte, ciência, etc.).” (Revista Palavra Viva, Editora Cultura Cristã)

Todas as pessoas, e não somente os crentes, foram criados à imagem e semelhança de Deus (Genesis 1:26,27; Tiago 3:9). Os talentos naturais são propriedades de Deus e ele outorga as pessoas indistintamente; por isso um não crente realiza muitas coisas que são lícitas e que um crente pode usufruir.

“Um livro de poesias não precisa ser escrito por um cristão para ser bom. Da mesma forma, um médico pode um profissional brilhante e dar grandes colaborações para a sociedade sem ser cristão. Nos dois casos, o escritor e o médico desenvolvem suas atividades com os talentos que receberam de Deus. Toda boa dádiva é procedente de Deus (Tiago 1:17).” (Revista Palavra Viva, Editora Cultura Cristã)

É necessário o crente ter discernimento quanto ao que é lícito ou não; mas não lhe é facultado o direito de compartimentar a vida. Muitos crentes vivem uma vida dupla por causa dessa dicotomia entre o sagrado e o profano. Na igreja são super santos, porém no trabalho, em casa, na escola, na rua, envergonham o santo nome de Deus se metendo em confusão e vivendo uma vida sem nenhuma ética, sem nenhum temor as palavras do Senhor.

Não esqueça que tudo que existe na vida procede de Deus. Ele é o Criador de todas as coisas. Não há motivo suficiente para privar-se dos talentos naturais que Deus lhe concedeu. Pinte um quadro, faça artesanato, escreva uma poesia, pratique esportes, aprenda a tocar um instrumento musical, visite um museu, vá ao teatro. Fazer essas coisas não significa ser mundano; apenas que podemos usufruir com sabedoria destas coisas:

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. (Filipenses 4:8)

Como mencionei no inicio esta graça comum de Deus não é redentiva; ela não significa que pecadores serão salvos (Romanos 5:10; Colossenses 1:21; Tiago 4:4; Filipenses 3:18, 19; Efésios 2:3). Porém, não precisamos viver como monges católicos da idade média; como um ermitão. Essa atitude em vez de santidade pode esconder uma conduta hipócrita.


Que o Senhor nos dê discernimento para vivermos a vida com sabedoria e graça!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A VIOLAÇÃO DO SEGUNDO MANDAMENTO:PADROEIRA DO BRASIL

Por Gilson Barbosa

Não é necessário ser nem um estudante básico em teologia para entender que o primeiro mandamento ordena adorar somente a Deus e o segundo que não devemos adorá-lo através de qualquer objeto intermediário.
        Não terás outros deuses diante de mim. (1º mandamento – Êxodo 20:3)
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. (2º mandamento – Êxodo 20:4,5)
Esses textos bíblicos também constam na Bíblia católica; e por que insistem em honrar e venerar as imagens de Cristo, Maria e de outros santos? Na verdade a Igreja Católica afastou o quanto pôde seus fiéis da leitura e compreensão do mandamento de não confeccionar imagens com a finalidade de alcançar alguma graça divina por meio representativo. É comum os católicos dizerem que não oram à imagem, ao ídolo, mas ao espírito ou à pessoa que é representada por ele. Mas esta é uma resposta tola, pois mesmo que não haja pretensão é muito difícil um fiel católico distinguir entre o ídolo e deus ou espírito que ele representa. E mais, a Bíblia em nenhum lugar ordena a oração ou veneração a algum dos servos de Deus; nem em vida nem após sua morte. A oração deve ser feita somente a Deus em nome de Cristo (João 16:23). Cristo é o único intermediário entre Deus e os homens (I Timóteo 2:5). Será que é tão difícil entender isso?
A imagem de Conceição Aparecida
Hoje (12/10/2013) é comemorado em nosso país (Brasil) o dia de Conceição Aparecida. Foi no dia 31 de maio de 1931, no governo de Getúlio Vargas, que a imagem de barro da Conceição Aparecida foi declarada, oficialmente, na Capital Federal, a Padroeira do Brasil.
Segundo a teoria oficial da Igreja Católica Romana no ano de 1717 alguns pescadores retiraram do rio Paraíba do Sul, no local denominado porto de Itaguaçu (localizado no atual município de Aparecida em São Paulo), uma imagem negra da Imaculada Conceição. A imagem é de barro, medindo 39 centímetros e pesando aproximadamente 4,5 kg, sem o manto e a coroa, que foram acrescentados (apud Defesa da Fé, edição 26).
A narrativa afirma que os pescadores não tinham até aquele momento apanhado peixe algum, mas a partir dessa descoberta da imagem fizeram uma farta pescaria que encheu as canoas de peixe. Há uma semelhança deste relato com a pesca milagrosa (Lucas 5:1-11) envolvendo Jesus e alguns discípulos. Porém, segundo o Dr. Aníbal Pereira dos Reis, essa teoria não passa de armação de um pároco local:
Segundo o Dr. Aníbal Pereira dos Reis, ex-sacerdote, ordenado em 1949, formado em teologia e ciências jurídicas pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo, em seu livro A Senhora Aparecida, Edições Caminho de Damasco Ltda., SP, 1988; trata-se de uma grande armação do padre José Alves Vilela, pároco da matriz local. Segundo suas investigações, foi o padre José Alves Vilela quem colocou a imagem no rio e iniciou planejadamente a divulgação dos supostos milagres, além de estar manipulando todo o tempo à imagem e divulgando seus supostos milagres. (apud Defesa da Fé, edição 26)
Em Portugal, na pequena cidade de Fátima, a Virgem Maria é denominada de Nossa Senhora de Fátima. Em 13 de maio de 1917, segundo a teoria católica romana, três crianças tiveram a visão de uma senhora perto de Fátima, quando estavam pastoreando ovelhas:
As crianças afirmaram que a mulher, usando um vestido e um véu brancos, lhes dissera para voltarem lá no 13º dia de cada mês até outubro, quando ela lhes contaria quem era. No dia 13 de outubro, ela lhes disse que era Nossa Senhora do Rosário e pediu às crianças que rezassem o rosário todos os dias. Pediu que as pessoas corrigissem suas vidas e pediu também que uma capela fosse construída em sua honra. Em 1930, a Igreja Católica Romana autorizou a devoção à Nossa Senhora de Fátima. Desde então, milhões de pessoas fazem peregrinação a Fátima. (Enciclopédia Delta Universal)
Não é de hoje que deusas são adoradas nas religiões pagãs. O apologista Hélio de Souza escreveu que “não é óbvio presumirmos que as antigas divindades tutelares reverenciadas no passado apenas mudaram de nome? Diana para os efésios, Nun para os ninivitas, Ishtar  para os babilônios, Kali para os hindus e, assim, continuam sendo cultuadas por meio de um pseudocristianismo”.
O catolicismo romano foi dando a Virgem Maria feições diversas incorporando-a ao acervo popular de inúmeras nações.  Desta forma absorveu a ideia de deusas do paganismo e incorporou as características culturais, raciais e étnicas de cada nação. Por isso em Portugal, a Virgem Maria é conhecida como “Senhora de Fátima”; no Brasil “Conceição Aparecida; na França “Senhora de Lourdes”; no México “Senhora de Guadalupe”; no Japão “Senhora da Estrela da Manhã”.  
Adoração e veneração

À Maria é feita oração, preces, pedido de milagres, e milhões de casas brasileiras possuem um altar a ela.  O catolicismo romano afirma que os católicos não adoram Maria, mas apenas veneram. Porém, essa distinção não acontece na prática. É como disse o apologista Alberto Fonseca:
Há diferença entre adorar e prestar culto? Se prostrar-se diante de um ser, dirigir-lhe orações e ações de graça, fazer-lhe pedidos, cantar-lhe hinos de louvor não for adoração fica difícil saber o que o catolicismo romano entende por adoração. Chamar isso de veneração é subestimar a inteligência humana.
Os atos descritos acima, por parte do fiel católico, se configuram idolatria e somente Deus pode receber tais considerações. A Bíblia afirma e ordena: “Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”. (Mateus 4:10)
Resumindo: não existe adoração relativa, paralela nem veneração a pessoas. O fato de reconhecer Maria como bem-aventurada por ser a mãe de Jesus é bíblico (Lucas 1:48), expandir isso é descambar em idolatria. João foi o ultimo apóstolo e se os primeiros cristãos prestassem algum tipo de culto a Maria ou aos “santos” poderia muito bem ter nos informado e incentivado a tal prática. Porém ele escreve: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (I João 5:21). Lembro aos leitores que um ídolo bem pode ser uma imagem de escultura, porém em um sentido mais lato, idolatria pode indicar veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc, que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos.
Amor aos católicos romanos
O fato da Bíblia não aprovar o culto aos santos ou a Maria não deveria ser motivo de qualquer sentimento de aversão ou até mesmo ódio da parte dos evangélicos aos católicos romanos ou vice-versa. A verdade pode até doer, mas continua sendo a verdade. O apóstolo Paulo disse aos gálatas: “Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?” (Gálatas 4:16).
Os evangélicos não consideram a “Nossa Senhora da Conceição Aparecida” como Padroeira do Brasil porque há um só Deus e Senhor e somente Ele deve ser venerado ou adorado e mais ninguém:
Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. (Deuteronômio 6:4)
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. (Filipenses 2:11)
Com amor,

domingo, 6 de outubro de 2013

MARCAS DE UMA IGREJA VERDADEIRA

Por Gilson Barbosa

Devemos ter consciência de que não há igreja perfeita; isto é, a igreja como instituição. Esperar esta perfeição é “viajar na utopia”. Existem igrejas verdadeiras e igrejas falsas e isso não é difícil detectar. É só compararmos as igrejas com as seitas. Porém, reflito este assunto no sentido de saúde da igreja. O que é uma igreja saudável? Neste caso, há igrejas que são mais puras e outras menos puras.
Apesar de eu não admitir heresias nas igrejas evangélicas e até mesmo aponta-las, não ouso desclassifica-las como igrejas onde o Senhor deseja ser corretamente adorado nela. Lendo as cartas que o Senhor endereçou a algumas igrejas percebemos que talvez a pior igreja da Ásia tenha sido a de Laodicéia. Nela não há nenhum elogio:
 
E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. (Apocalipse 3:14-18) 
Que situação catastrófica! Que tragédia espiritual! No entanto o Senhor ainda dá a esta igreja mais uma chance:
Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. (Apocalipse 3:19,20) 
Porém, permanecer dentro de uma igreja como a de Laodicéia está na capacidade de paciência de cada crente. Pode ser que chegue o tempo onde o membro terá que tomar a decisão de permanecer ou não numa igreja nestas condições. Essa atitude também não é errada nem se configura pecado. É óbvio que não temos nem vemos na Bíblia exemplos de crentes procurando uma igreja mais pura para congregar. Parece que o contrário era verdadeiro: os falsos crentes é que a deixavam (leia I João 2:19). Mas pode ser que uma igreja se distancie muito da ortodoxia a ponto do membro decidir não permanecer mais nela. Então: que igreja frequentar? Quais devem ser os critérios que influenciarão na decisão? Sugiro alguns pontos.
 
1 – Uma igreja que prioriza a verdadeira pregação. Contudo, não se trata de qualquer pregação. Ela deve conter no mínimo dois elementos: ser verdadeira e expositiva. Quanto a ser verdadeira consta a sinceridade do pregador. Há muitos pregadores que sabem e conhecem corretamente as verdades doutrinárias, mas por diversas razões não possuem vontade de exercitá-la. São desonestos ou mal intencionados.
Quanto à maneira a pregação deve ser expositiva. Há muitos tipos de pregações, mas não são eficazes.  Não incentivo os métodos que usam as pregações textuais, temáticas, tópicas, biográficas, e por ai afora. Quando o apóstolo Paulo se despede dos irmãos efésios mencionou algo importante:
 
Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus. (Atos 20:27) [ênfase minha] 
A pregação expositiva compreende o modo continuum. Este pode ser livro por livro, capítulo por capítulo. Outro ponto importante na pregação expositiva é o valor conferido ao contexto do capítulo que se está pregando. Ela é um manancial abundante de edificação, fortalecimento e exortação. Algumas pessoas não tem paciência com a pregação expositiva, pois, presumo eu, ela não se preocupa com os interesses individuais. Ela se preocupa com o que diz o texto bíblico e como aplica-lo à nossa vida. A pregação deve ter centralidade em nossos cultos. Uma igreja que a permuta por musicas, entretenimentos, eventos, programações, está fadada ao engano religioso e confusão no entendimento prático da fé cristã.
 
Se você é membro de uma igreja procure valorizar e ouvir a pregação expositiva. Se você leitor, for pastor e ou pregador se esforce em pregar este tipo de sermão. Não iluda o povo com mensagens particulares e arbitrárias.
2 – Uma igreja que pratica uma teologia bíblica. Não me refiro a debates fúteis e intermináveis nem a academicismo teológico. Refiro-me as crenças corretas. É antes de tudo uma cosmovisão bíblica do que teológica. Uma teologia bíblica se fundamenta numa hermenêutica sadia, exata, confiável, fiel e sincera. O apóstolo Paulo advertiu Timóteo sobre uma característica perversa dos últimos dias: os desvios teológicos.
 
Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. (II Timóteo 4:3, 4)
Se você frequenta uma igreja onde os pontos fundamentais da fé cristã estão sendo distorcidos sugiro que a deixe. É necessário ter um entendimento correto a respeito das doutrinas importantes, tais como a do Homem, Cristo, Deus, Bíblia, Pecado, Espírito Santo, Salvação. É verdade que alguns pontos são secundários e não deveriam ser o “divisor de águas” das denominações evangélicas.
 
As doutrinas estão pontuadas nas escrituras sagradas para um entendimento correto; é o próprio Deus que deseja isso. Não deveria servir para dividir as denominações nem para a arrogância espiritual de qualquer pessoa. Não creio em inúmeras possibilidades de interpretações de um mesmo texto bíblico. Ele deve ter apenas um sentido.
É importante conhecer, saber e compreender nossas crenças. Isso fortalece nossas convicções e dá segurança. Particularmente entendo que alguns grupos evangélicos interpretam mais adequadamente os textos bíblicos. A Teologia Reformada, por exemplo, possui em seu bojo uma coerência estrutural quando analisada à luz das escrituras. Procure se informar a respeito desta teologia para sua edificação espiritual.
 
Mark Dever, em O Que é uma Igreja Saudável? (Ed:Fiel) escreveu a respeito da graça em possuir uma teologia:
Hoje a cultura materialista é norteada pelo mercado, que nos cerca, frequentemente encoraja as igrejas a entenderem a obra do Espírito em termos de marketing e tornarem a evangelização em anúncios. Deus é remodelado à imagem do homem. Em tais ocasiões, uma igreja saudável tem de ser bastante diligente em suplicar a Deus que seus líderes tenham uma compreensão bíblica e experiencial da soberania de Deus. Devem também rogar-lhe que seus líderes permaneçam totalmente comprometidos com a sã doutrina em toda sua glória bíblica.  
3 – Uma igreja que aplica a disciplina bíblica. Muitas igrejas estão vivendo em caos espiritual porque não se preocupam mais com a doutrina da santificação. Segundo o apóstolo Pedro a igreja é uma nação santa:
 
Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. (I Pedro 2:9) 
A igreja deve refletir o caráter de Deus: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (IPedro 1:15, 16). A desobediência aos mandamentos do Senhor, conforme registrado nas escrituras, com certeza redunda na desaprovação e castigo divino. Foi assim em todo o Antigo Testamento e não é diferente no Novo. O ultimo caso grave de aplicação da ira Divina vemos seu desdobramento físico no casal Ananias e Safira. Hoje Deus não pune mais pessoas como nos dias primitivos. Isso não significa que devamos ocultar pecados e manter conivência com os mesmos. O pecador deve ser admoestado. Leia I Coríntios 5:1-11.
 
A disciplina bíblica visa manter a santidade da igreja e não apenas punir os faltosos com base em algum tempo de reclusão. O pastor Augustus Nicodemus Lopes, em Mantendo a Pureza da Igreja (Ed: Cultura Cristã), destaca pelo menos três alvos da Disciplina Bíblica: Zelar pelo nome do Senhor, manter a pureza da Igreja e restaurar os faltosos.
A responsabilidade de julgar as ações de líderes e membros cabe à igreja local. É certo que um dia Deus julgará as obras de seu povo, porém a Bíblia ordena santidade na conduta dos que o servem e quando estes transgredirem  a lei de Deus devem ser exortados seriamente e em amor.
 
Três elementos essenciais
Na igreja onde você frequenta há estes três elementos? Pregação expositiva, teologia bíblica e disciplina bíblica? Se a resposta for negativa, a situação não é nada boa, pois não há a mensagem exata de Deus, crença correta, nem preocupação com a santidade do povo.
 
Que o Senhor tenha piedade dela!