domingo, 14 de abril de 2013

JOSÉ PRATICAVA ARTES DIVINATÓRIAS NO EGITO?


Por Gilson Barbosa

Não é este o copo em que bebe meu senhor e pelo qual bem adivinha? Procedestes mal no que fizestes. (Gênesis 44:5)

Um dos maiores desejos do ser humano é saber o que acontecerá no futuro. É justamente esse o motivo que tem levado estudiosos e curiosos a se debruçarem sobre todo o tipo de pesquisas que satisfaça o seu ego. E, por conta disso, fazem uso de todas as formas de adivinhações, feitiçarias, encantamentos, etc. É comum a estas utilizarem artifícios como água, cartas, bolas de cristal, moedas, borras de café e até entranhas de animais para conseguir seu intuito.

Alguns dizem que José, no Egito, adivinhava pela água ou objetos líquidos, simplesmente pelo fato de o texto de Gênesis 44:5 dar a entender que ele adivinhava por meio da taça (copo) que fora colocado em um dos sacos de alimentos de seus irmãos.

Se isso ficasse comprovado, poder-se-ia dizer que José não interpretava os sonhos por intermédio de Deus, mas, sim, por meio de práticas ocultistas e espíritas. Mas seria isso possível, visto que José servia a um Deus que condenava as práticas ocultistas? Não seria isso uma contradição? Obviamente que sim. Algumas perguntas iniciais em oposição a esta questão seriam: Todas as práticas divinatórias são 100% corretas? Todas se cumprem? São aprovadas pelo Deus verdadeiro?

Independente de se constatar os acertos ou os enganos nas adivinhações, a Bíblia condena veementemente a prática divinatória: “Quando entrares na terra que o SENHOR teu Deus te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daquelas nações. Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; Nem encantador, nem quem consultem a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos; Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti” (Deuteronômio 18:9-12).

Conforme atesta Bruce K. Waltke a lei proibia tais práticas porque representavam uma visão pagã do mundo (cosmovisão pagã) de que forças espirituais das trevas, não o Deus que guarda a aliança com Israel, governavam o mundo, e o Deus imutável e ético odeia tal visão do mundo e suas práticas. É impossível que José não soubesse desse fato.

            Também fizeram passar pelo fogo a seus filhos e suas filhas, e deram-se a adivinhações, e criam em agouros; e venderam-se para fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, para o provocarem à ira. (2 Reis 17:17)

              Não comereis coisa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis. (Levítico 19:26)

Os profetas do Antigo Testamento eram considerados capazes e ungidos por Deus para revelarem sua Palavra. No entanto, só prediziam sobre o futuro no sentido de conclamar o povo hebreu ao arrependimento. Pelo contexto da história, o que fica evidente é a intenção de José para com seus irmãos de se fazer conhecido deles, porque, devido à sua separação no passado, não o reconheciam mais, e nem ao menos poderiam descobrir que José estava vivo (Gênesis 37:1-36; 39:1 – 44:5). Sendo assim, José teria de adotar estratégias para que pudessem saber que o novo governador do Egito ele era próprio.

A adivinhação era costume habitual entre os egípcios, o que não implica necessariamente atestar que José fazia uso de tais práticas. A Bíblia nos informa que as revelações de José provinham tão somente de Deus. Note o que José disse aos dois oficiais de Faraó: “E eles lhe disseram: Tivemos um sonho, e ninguém há que o interprete. E José disse-lhes: Não são de Deus as interpretações? Contai-mo, peço-vos” (Gênesis 40:8). Igualmente, quando Faraó indagou a José sobre o sonho que teve, ele não recorreu nem mencionou que faria a interpretação por meios líquidos ou algo semelhante, antes, invocou a Deus: “E respondeu José a Faraó, dizendo: Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó” (Gênesis 41:16).

Após a descoberta de que o copo estava no saco de mantimento de Benjamim, o irmão mais novo, (Gênesis 44:12) Judá apresentou sua defesa e confessou que o Senhor, por meio da história, não do copo, desvendou a culpa deles: “Então disse Judá: Que diremos a meu senhor? Que falaremos? E como nos justificaremos? Achou Deus a iniquidade de teus servos; eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão foi achado o copo” (Gênesis 44:16). José os colocou em teste novamente. Seriam capazes de abandonar seu irmão mais novo, como fizeram com seu outro irmão, José?

Diante do Senhor a adivinhação por meio de um líquido num copo não tem validade alguma ou algum poder. É contraditório o Senhor legitimar uma prática que ele próprio condenou em sua Palavra. Logo, podemos ser taxativos em afirmar que José não adivinhava nem praticava artes divinatórias. Ao contrário, Deus o premiou com tal capacidade. Na verdade tratava-se de um ardil de José preparando o “terreno” para a reconciliação com seus irmãos.
                                                                                                        

quinta-feira, 11 de abril de 2013

FARIAM OS CRENTES HOJE OS MESMOS MILAGRES QUE JESUS FEZ?

Por Gilson Barbosa

Há um grande equívoco no que concerne ao entendimento da natureza dos milagres bíblicos. A grande maioria dos evangélicos pensa que mediante o poder do Espírito Santo são eles próprios os realizadores dos milagres. Em primeiro lugar há algo estranho, pois o Espírito seria apenas o capacitador – cabendo a pessoa fazer uso da “unção” do Espírito. A estranheza está no fato de que o Espírito daria apenas o empurrão, cabendo à pessoa a efetivação plena e cabal do milagre.

Em segundo lugar há incoerência, pois ou é o Espírito que opera de forma exclusiva o milagre ou é o crente. Ou então há uma parceria entre o Deus-Espírito e o ser humano. A pergunta que surge é “sendo assim a glória é de quem quando acontece o milagre?". Deve ser por causa dessa postura que está em “alta” hoje em dia os que “realizam milagres”. Na verdade o Espírito aparece como se fosse apenas uma nota de rodapé num livro, o fato mesmo é que o pastor/pastora ou o irmão/irmã fulano/fulana de tal é “usado por Deus para realizar milagres”. 

Em terceiro lugar há falha na compreensão da fonte do poder, para a realização do milagre. A questão não é se o Senhor manifesta seu poder operando milagres hoje, mas se há homens capazes de operar tais milagres. Os milagres são essencialmente diferentes na sua fonte e em sua realização. Os milagres realizados por Jesus aconteceram porque residia nele próprio o poder de curar e restaurar a saúde. Eles apontavam para a Sua divindade. Não há nada inerente nas pessoas para curar ou realizar milagres. Estes são sazonais, circunstanciais, e sua realização, no âmbito externo, não depende do querer de alguém. A fonte do milagre é sempre o Senhor, e não o homem, nem mesmo este sob o “poder e a unção” do Espírito.

Antes que alguém acuse é necessário dizer que está muito enganado quem pensa que os cristãos tradicionais – adeptos da teologia reformada – negam que Deus não continua realizando hoje manifestações especiais de poder. Como afirmou Walter J. Chantry (Sinais dos Apóstolos – Editora PES): “Em resposta às orações de seu povo, Deus está curando, como expressão soberana de Seu poder, a alguns que a moderna medicina tem desenganado. Alguns teólogos preferem classificar estes eventos como ‘atos de extraordinária providencia’ e não milagres”.

Um dos textos bíblicos mal interpretado, para defender que os crentes hoje realizariam milagres é João 14:23 que diz: “Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para o meu Pai”. Na tentativa de justificar que cada crente individualmente pode realizar milagres hoje, alguém citou esse texto como prova. Mas, a dúvida que permanece refere-se a respeito da natureza dos milagres operados por Jesus. Em que sentido os discípulos fariam obras e ainda maiores que as que Jesus fez? Alguns milagres realizados por Jesus comprovam o contrário – que não é possível o crente realizar obras maiores que Cristo realizou. Note só a série de milagres que Jesus efetuou e veja se é possível alguém fazer melhor do que Ele hoje em dia.

  • Milagres na natureza: transformação da água em vinho, a tempestade acalmada, a multiplicação dos pães, a figueira amaldiçoada, o andar sobre as águas, as pescas milagrosas;
  •  Enfermidades graves: cegueira, mudez, gaguez, paralisia, lepra, etc;
  • Ressurreição: dos mortos, a de Cristo mesmo;
  • Expulsão de demônios.
Pergunta: Se estas são algumas das obras que Cristo realizou, como alguém conseguiria fazer obras maiores que estas? Definitivamente não é essa a interpretação da passagem do escritor João. Há mais coisas no texto que precisamos saber.

O evangelista João, no epílogo de seu livro, expressa a extensão dos milagres operados por Jesus. Ele nos esclarece que os milagres relatados não evangelhos não representam todos os milagres realizados por Cristo: “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.30,31).

Quando João Batista estava encarcerado, ordenou aos seus discípulos que lhe perguntassem se Ele era realmente o Messias: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” (Mt 11.3); ao que Jesus lhes respondeu: “Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.4,5). Será que realmente Jesus queria dizer que os discípulos fariam isto tudo e muito mais? Ou estaria Ele referindo-se a outro tipo de obra?

Os milagres e maravilhas operados por Jesus testemunhavam acerca de sua autêntica messianidade: “Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim” (Jo 10.25). Assim como João Batista, alguns discípulos de Cristo estavam duvidosos e esse sentimento se intensificou em decorrência da morte de Cristo, como podemos verificar na descrença de Tomé (At 20.24-29). Portanto, era mister que Jesus dirimisse tais dúvidas e incredulidades, o que fez após ascender ao céu e cumprir as promessas deixadas: “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram” (Mc 16.20).

Temos de considerar que não foram somente os milagres realizados pelos apóstolos, após a partida de Jesus, que evidenciaram que Jesus era o Cristo, e tampouco o texto de João 14.12 está-se referindo somente a isso. Percebermos que as “obras maiores” se referem também à coletividade, à geografia e à pregação do evangelho.

Vejamos:
  • O que Cristo realizou (é necessário definir) em seu curto período de ministério poderia, possivelmente, ser realizado após a sua partida, e isso não somente por 12, 70 ou 120 discípulos, mas por toda a igreja que se formaria, ou seja, coletivamente. A realização não é individual, arbitrária, aleatória, nem independente, mas deve estar submetida a providencia de Deus, o que está implícito também a temporalidade.

  • As barreiras geográficas cairiam após a sua ascensão, e o evangelho deveria ser pregado, simultaneamente, em vários lugares: “... e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8).

  • Não se tem mensura do número das pessoas convertidas durante o período em que Jesus exerceu seu ministério, mas certamente o trabalho evangelístico realizado pelos discípulos alcançou uma projeção muito maior, em relação aos resultados de almas salvas (At 2.41; 4.4; 5.14,16,42; 6.1,7; etc).

Ademais, os próprios estudiosos pentecostais discordam que o versículo de João 14:12 apoie a interpretação de que os crentes fariam milagres maiores que Jesus fez. O pastor Esequias Soares, autoridade brasileira dentro do segmento pentecostal e erudito nos idiomas originais da Bíblia Sagrada, ao interpretar a passagem bíblica afirma corretamente que “as maiores obras diz respeito à quantidade e não à qualidade. A palavra grega aqui é meizon, grau comparativo de megas, ‘grande”’ (Lições Bíblicas, Atos – O padrão para a Igreja da Ultima Hora, página 16, lição do aluno).

Nenhum crente, quem quer que seja, deve se arrogar “realizador de milagres”. Somente Cristo, o Messias, possui inerentemente em si este poder. Os falsos apóstolos estão por aí enganando os incautos com a intenção de mercadejar a fé cristã. Que o povo do Senhor mantenha os olhos bem abertos.

Em Cristo,