segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O PERIGO DOS “ACHISMOS” NO DEBATE BÍBLICO

Por Gilson Barbosa

Segundo certa opinião o “achismo” é a tendência em avaliar as situações segundo as próprias opiniões ou intenções, muitas vezes sem justificação. O “achismo” é desastroso numa discussão bíblica, teológica ou doutrinária. Quando fazemos uso deste elemento estamos potencialmente regredindo, voltamos à estaca zero, somos ineficientes, e contribuímos bem pouco (ou nada) para o entendimento bíblico.

Nós, obreiros do Senhor e estudiosos das Escrituras Sagradas, não temos que “achar” nada, mas, respaldarmos nossos argumentos a luz das Escrituras Sagradas. Nesse sentido não podemos estender a discussão nem chegar a um consenso se a hermenêutica sagrada não for “convidada” para entrar na nossa conversa. Contudo também, não basta fazermos uso das ferramentas proporcionadas pela hermenêutica sagrada, é necessário sermos sensatos, imparciais e totalmente bíblicos. 

Expressões tais como “eu acho que”, “penso que”, “o que quero dizer é que”, “minha opinião é que”, geralmente são inúteis num diálogo bíblico e causam mais confusão do que organização. Nestes casos geralmente não há nenhuma menção bíblica para comprovação da opinião, mas somente palavras evasivas. Quando a Bíblia é mencionada esquece-se da correta e fiel interpretação.


Na blogosfera, encontrei uma poesia titulada de Poema contra o achismo, muito interessante:

O achismo tudo sabe. Não tem dúvidas. É autoconfiante. Arrogante. Teimoso. Tira suas próprias conclusões. Não deve satisfações. Não dá ouvido a ninguém. Vive de aparências. O achismo é cego. O achismo seduz, envolve. Engana. Cria suas próprias leis. Não tem fundamento, ética. Julga. Condena. Destrói. Se alimenta da preguiça. Da presunção. Da ignorância. Da ingenuidade. O achismo é parasita.

Os apóstolos, dos quais herdamos preciosas doutrinas bíblicas, nunca fundamentavam suas discussões doutrinárias em opiniões pessoais, transformando-as em soluções infundadas e contraditórias.

Observe o primeiro Concílio realizado pela Igreja Cristã Primitiva (acesse matéria sobre este Concílio aqui). O que motivou a discussão foi à questão se os gentios que estavam recebendo Cristo por meio do evangelho deveriam praticar as mesmas coisas que os judeus praticavam tais como a circuncisão, alimentação, vestuário, cerimoniais, ritos, guarda do sábado, etc. (Leia At 15.5). Lucas anota o seguinte em Atos 15.1: “Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos”. Para resolver esse assunto “resolveu-se que Paulo e Barnabé, e alguns dentre eles, subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos” (15.2).

Os apóstolos Pedro, Barnabé, Paulo e Tiago (At 15.7, 12, 13) ao apresentarem seus pontos de vistas e argumentos, não tergiversaram, não foram evasivos, não inventaram alguma doutrina nova, não “acharam” que deveria ser feito dessa ou de outra forma, mas, apresentaram soluções prescritas antecipadamente no contexto bíblico.

Algum ousado pode tentar justificar suas opiniões pessoais colocando o apóstolo Paulo como exemplo, pois, instruindo os irmãos coríntios a respeito da estabilidade da família, disse que caso algum irmão ou irmã tivesse cônjuge descrente que não se apartasse e para tanto usou a expressão “digo eu, não o Senhor” (I Co 7.12). Porém, temos de entender a importância dos escritos paulinos, a canonicidade da carta, sua inspiração pelo Espírito Santo e que ele não estava “achando” que deveria ser feito assim, mas falou divinamente inspirado, e após ter prescrito este preceito ele passou a ter validade e vigência para a solução deste tipo de problema nas igrejas.  
      
É salutar, espiritualmente, para as igrejas, que embasemos toda nossa compreensão doutrinária de modo objetivo (não subjetivo) e com total respaldo das Escrituras Sagradas. É claro que algumas discussões internas entram na questão do principio regulador ou normativo do culto, e, quando isso acontecer não devemos abrir mão da sensatez, mas abstermo-nos de todos os “achismos” nas soluções dos problemas.

Os que gostam de opinar ou de induzir os crentes mais simples ao seu próprio entendimento, mas sem respaldo teológico e bíblico, cabe a sensibilidade de se precaver para receber uma resposta que pode ser publicamente desagradável. É o caso de certos pregadores pentecostais que querem a aceitação de suas pregações em público e para tanto ficam fazendo perguntas ao auditório, que são doutrinariamente e teologicamente descabíveis.

Que o Senhor nos ajude a sermos fiéis intérpretes do texto sagrado, bons aplicadores da sua Palavra e avesso aos “achismos”.

Em Cristo,

Assassinado Bispo Robinson Cavalcante da Igreja Anglicana no Recife



Morreu neste domingo foi assassinado pelo filho adotivo o bispo da Igreja Anglicana em Recife Robinson Cavalcanti. A sua esposa também morreu neste crime bárbaro.

A noticia foi divulgada nesta madrugada no site oficial da Igreja Anglicana Diocese do Recife. Naquele momento, ainda não se dispunham de detalhes, apenas se informava que o crime ocorreu neste domingo 26/02/2012 por volta das 22h na residência do casal na cidade de Olinda – Pernambuco.


Fonte:Blog Pr.Renato Vargens

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

DÍZIMOS E OFERTAS* (Subsidio EBD)

Por Gilson Barbosa

Quando o assunto é dízimo as opiniões se dividem. O que durante anos passou ileso, nos últimos tempos tem recebido muitas críticas. Por que será? Ora, o ensino sobre o dizimo não é bíblico? Abraão, que viveu antes da lei, não dizimou? Não diz Malaquias que aos dizimistas, as janelas dos céus seriam escancaradas? Não escreveu Joel que a omissão em entregar os dízimos ao Senhor estava resultando em calamidades?  Essas perguntas contêm em si mesmas respostas dos que são favoráveis à entrega ou devolução do dízimo.

Não posso afirmar se os teólogos responsáveis pelo conteúdo doutrinário das lições que estamos estudando nesse trimestre agiram intencionalmente, mas achei muito interessante este assunto ser discutido após a lição que tratamos sobre as implicações da Teologia da Barganha (Lição 8). Infelizmente sou obrigado a dizer que não somente os crentes tem tentado barganhar com Deus nos dízimos e ofertas, mas até mesmo alguns pastores das igrejas evangélicas ensinam algo parecido com isso nos púlpitos.  

Por exemplo, ouvimos muitas pregações, fundamentadas em Joel 1.4, que se dizimarmos, Deus nos protegerá do gafanhoto cortador, do gafanhoto migrador, do gafanhoto devorador e do gafanhoto destruidor. Em outras palavras haveria escassez de gêneros alimentícios; carestia causada pelo gafanhoto e pela seca. Neste caso, o armário do crente fiel a Deus, mas negligente nos dízimos, se tornaria igual ao dos cidadãos de Jerusalém.

Contudo, o fiel intérprete dos textos sagrados sabe que a seção de Joel 1.1-2.17, descreve o julgamento Divino aos judeus contemporâneos do profeta e que a sentença era resultado dos pecados do povo judeu. Acerca dos gafanhotos diz o reformador João Calvino, no comentário de Joel:

Ele acrescenta do que consistia o juízo— que a esperança deles de alimento havia por muitos anos sido frustrada. Amiúde ocorria, sabemos, de as locustas devorarem o trigo já crescido; e os besouros e lagartas faziam o mesmo: esses eram eventos ordinários. Porém, quando uma devastação se sucedia e outra se seguia, sem haver fim; quando houvera quatro anos estéreis, produzidos repentinamente por insetos que devoraram a vegetação da terra, seguramente isto não era habitual. Por conseguinte, o Profeta diz que tal não podia ter sido por acaso; pois Deus tencionava exibir aos judeus algum portento extraordinário, para que, mesmo contra a vontade deles, observassem a sua mão. Quando alguma coisa insignificante acontece, se for rara, chamará a atenção dos homens; pois frequentemente vemos que o mundo faz uma grande barafunda acerca de frivolidades. Mas é de se admirar, diz o Profeta, “que isso não haja produzido efeito sobre vós. O que então fareis, posto que estais famintos, e as causas são evidentes; pois Deus amaldiçoou a vossa terra, trazendo esses insetos, os quais consumiram vosso mantimento diante de vossos olhos. Visto ser assim, certamente é o tempo de vós vos arrependerdes; mas até aqui tendes estado mui descuidados, tendo ignorado os juízos divinos, os quais são tão fenomenais e memoráveis”

O obreiro que é fiel intérprete das Escrituras Sagradas jamais usará esse texto para sustentar a prática do dízimo, pois não há nenhuma indicação desse assunto na profecia de Joel. Agir desta forma poderá trazer sérios problemas espirituais aos crentes, além de não passar de mera barganha com Deus, pois se você der Deus devolverá â você duplicado, triplicado, quadruplicado...

Devolver o dízimo ao Senhor deve partir sempre da liberalidade pessoal do crente e não de uma pressão compulsória da liderança da igreja. Quando a liderança age pressionando, contraria o ensino a respeito do dízimo. Alguém pode estar se perguntando: Mas, qual o significado da palavra dízimo?  O autor Frank Viola responde:

No Velho Testamento, a palavra hebraica para “dízimo” é maaser, que significa décima parte. No NT, a palavra grega é dekate, que também significa décima parte. A palavra não é tomada do mundo religioso, mas do mundo da matemática e finanças.

CLASSE DE DÍZIMOS NO ANTIGO TESTAMENTO

No Antigo Testamento havia três tipos de dízimos. Primeiro, um dízimo do produto da terra para sustentar os levitas, que não tinham herança em Canaã: “É dever dos levitas fazer o trabalho na Tenda do Encontro e assumir a responsabilidade pelas ofensas contra ela. Este é um decreto perpétuo pelas suas gerações. Eles não receberão herança alguma entre os israelitas. Em vez disso, dou como herança aos levitas os dízimos que os israelitas apresentarem como contribuição ao Senhor. É por isso que eu disse que eles não teriam herança alguma entre os israelitas” Nm 18.23, 24.

Neste primeiro modelo é que se tenta buscar respaldo para o pastorado integral no trabalho ministerial. Porém, não podemos esquecer que o contexto histórico e as necessidades do ofício levítico são extremamente diferentes das necessidades pastorais hodiernas. O ministério levítico, conforme as exigências de Deus, não tem razão de existir hoje em dia.  

Segundo, havia um dízimo anual do produto da terra para patrocinar festas religiosas em Jerusalém. Se o produto pesasse muito para ser levado a Jerusalém, poderia ser convertido em dinheiro: “Separem o dízimo de tudo o que a terra produzir anualmente. Comam o dízimo do cereal, do vinho novo e do azeite, e a primeira cria de todos os seus rebanhos na presença do Senhor, o seu Deus, no local que ele escolher como habitação do seu Nome, para que aprendam a temer sempre o Senhor, o seu Deus” Dt 14.22, 23.

Terceiro, outro dízimo era arrecadado a cada três anos do produto da terra para os levitas, para os levitas locais, órfãos, estrangeiros e viúvas: “Ao final de cada três anos, tragam todos os dízimos da colheita do terceiro ano e armazene-os em sua própria cidade, para que os levitas, que não possuem propriedade nem herança, e os estrangeiros, os órfãos e as viúvas que vivem na sua cidade venham comer e saciar-se, e para que o Senhor, o seu Deus, o abençoe em todo o trabalho das suas mãos” Dt 14.28, 29. Esse terceiro modelo é muito relevante para análise da devolução dos dízimos e do seu devido uso. Tinha como objetivo principal socorrer os mais necessitados entre o povo. Os críticos dizem que os dízimos não são usados para atender esse tipo de pessoas nas igrejas evangélicas e que, o que lhes sobra de consolo são os mantimentos doados, novamente pelos irmãos que dizimam dinheiro à igreja.

Segundo as normas registradas em Levítico 27.30-32 era requerido o dízimo “dos cereais”, “das frutas das árvores” (safras) e dos “rebanhos”. O Novo Dicionário da Bíblia (Ed: Vida Nova) informa qual o procedimento no pagamento desses dízimos:

A maneira de pagar o dízimo do gado era com segue: o proprietário contava os animais conforme iam passando para o pasto, e cada décimo animal era dado a Deus. Dessa maneira não havia possibilidade de selecionar animais inferiores para pagamento do dízimo dentre o gado vacum e o gado miúdo (Lv 27.32 e seg.). Se um hebreu preferisse dedicar a décima parte da produção de seus cereais e frutas, na forma de seu valor monetário, tinha a liberdade de fazê-lo, mas um quinto dessa soma tinha de ser adicionado. Não lhe era permitido redimir a décima parte de seus rebanhos de gado vacum e de gado miúdo dessa maneira.

Todo esse procedimento obviamente teve de ser adaptado ao longo do tempo e hoje o dízimo é referente à moeda nacional de cada país.
  
E O DÍZIMO QUE ABRAÃO DEU A MELQUISEDEQUE?

Os que argumentam em favor do dízimo como um costume pré-mosaico, citam o episódio onde Abraão deu o dízimo à Melquisedeque – um tipo de Cristo. Com isso justifica-se que a prática do dízimo não está atrelada estritamente a lei de Moisés (Lv 27.30-32), mas é anterior a ela.  O pastor José Gonçalves, comentarista da Lição Bíblica deste trimestre, lembra-nos que

O que deve ficar claro é que a lei mosaica não criou as práticas do dízimo ou das ofertas, mas apenas deu-lhes conteúdo e forma através das diversas normas ou leis que as regulamentaram. Tal verdade fica patente ao constatar que o ofertar já era uma prática observada nos dia de Abel (Gn 4.4), e que o dízimo já era praticado pelos patriarcas (Gn 14.20; 28.22). 


A Bíblia de Estudo de Genebra anota deste episódio que

a prática de se pagar o dízimo ao rei ou a um deus era comum no antigo Oriente Próximo e é anterior à lei mosaica (Gn 28.22; 27.30-33; Nm 18.21-32). O presente de Abraão à Melquisedeque não era, provavelmente, o pagamento do “dízimo do rei” (cf I Sm 8.15,17), porém, um oferta que refletia o respeito de Abraão para com Melquisedeque como sacerdote do Deus verdadeiro.

Mas, Frank Viola, outro cristão estudioso, contesta o exemplo de Melquisedeque para justificar a entrega dos dízimos com os seguintes argumentos:

Primeiramente, o dízimo de Abraão era completamente voluntário. Não obrigatório. Deus não o ordenou como havia feito com o dízimo de Israel. Em segundo lugar, Abraão dizimou dos saques que ele havia adquirido depois de alguma batalha. Ele não dizimou de suas rendas nem de sua propriedade. O ato de dizimar de Abraão seria algo parecido com receber uma bonificação no trabalho, uma gratificação de Natal, para depois dizimar. Em terceiro lugar, e o ponto mais importante, esta foi a única vez que Abraão dizimou em todos os seus 175 anos aqui na terra. Não há evidência de que ele voltou a repetir tal coisa novamente. Consequentemente, se você deseja usar Abraão como “texto de prova” para dizer que os cristãos necessitam dizimar, então você é obrigado a dizimar apenas uma vez!

Apelar para o fato histórico do dízimo de Abraão à Melquisedeque é emblemático também no sentido de que deveríamos usar o mesmo critério para outras práticas, como por exemplo, o da circuncisão. Abraão não foi circuncidado antes da lei mosaica também?  E porquê os cristãos não se circuncidam? Por que utilizar o critério somente para o dízimo? Jesus não era incoerente com este fato, pois pagava o dízimo, mas também era circuncidado. Jesus era judeu e viveu como tal. 

O NOVO TESTAMENTO RESPALDA O ENSINO DO DÍZIMO?

É comum argumentar que a devolução dos dízimos trata-se do desprendimento avarento que um crente venha ter e que parte de um reconhecimento das benesses que o Senhor tem proporcionado aos seus filhos. Não sei se isso é justificável à luz das experiências. Há crentes que dizimam há décadas, porém mistificaram tanto o dízimo a ponto de trocá-lo pela vida de santidade, ou seja, vivem embaraçados com coisas desta vida, endividados financeiramente, carentes de vida espiritual abundante, nas não abre mão de dizimar. Para quê está servindo o dízimo a essas pessoas? Isso me faz ponderar que nem sempre dizimar é sinal de bênçãos materiais multiplicadas, desprendimento pessoal e voluntário e nunca deveria ser critério para avaliar a piedade cristã. O dízimo não é questão de salvação, mas de entender que a obra do Senhor necessita de apoio financeiro. Se os crentes não dizimarem ou ofertarem, a igreja local terá sérias dificuldades para manter seus compromissos.

Eu já disse mais de uma vez que o bem-estar financeiro de um crente, tanto quanto de um não crente, reside em cumprir o que a Teologia Reformada denomina de mandato cultural. O que vem a ser o mandato cultural? James Montgomery Boice explica:

A Teologia Reformada também enfatiza o mandato cultural ou a obrigação de os cristãos viverem ativamente em sociedade e de trabalharem para a transformação do mundo e suas culturas. Os reformadores tiveram várias perspectivas nessa área, dependendo da extensão como acreditam que tal transformação seja possível.  

O Novo Testamento não trata explicitamente sobre a prática do dízimo. Na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel à palavra dízimo aparece por sete vezes (Mt 23.23; Lc 11.42; 18.12; Hb 7.2, 4, 5, 8), mas, em nenhuma delas é prescritiva e sim descritiva. O presbítero da Igreja Reformada Presbiteriana Túlio César Costa Leite explica que

uma preciosa norma de interpretação afirma que um texto descritivo pode ilustrar uma doutrina, porém não pode ser base de doutrina.

A dificuldade de respaldar o ensino sobre o dízimo no Novo Testamento são duas: a contraposição entre Nova Aliança e Antiga Aliança e os tipos de dízimos que eram praticados no Antigo Testamento. Os três tipos de dízimos, no Antigo Testamento, dificilmente podem ter a mesma aplicação hoje em dia.

Quanto ao apóstolo Paulo, ele não orientou as igrejas sob sua liderança a dizimar, mas, quando os irmãos necessitados da Judéia necessitaram de ajuda ele organizou uma coleta para ajudá-los. Esta, deveria ser conforme a prosperidade de cada um. Isso significa que alguns irmãos, por terem melhores salários que outros, deveriam contribuir com mais de 10% se possível: “Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for” (I Co 16.1,2).  

Segundo Paulo as contribuições deveriam ser feitas com alegria, liberalidade e generosidade e não por obrigação legal: “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” (II Co 9.7) ou “Ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria” (Rm 12.8).

Meu pedido é que sejamos sábios, maduros e entendidos para sabermos que na Nova Aliança o Senhor não nos obriga a obediência a Lei do Antigo Pacto. O autor Frank Viola diz que se um crente deseja dizimar voluntariamente ou com base em uma convicção, não há problema. O dízimo chega a ser um problema quando é apresentado como um mandato de Deus, obrigatório para todo crente. O bom é fazer as coisas para Deus com alegria e não por obrigação, medo ou imposição, e nesse ato está os dízimos e as ofertas para a manutenção da obra que o Senhor delegou a alguns de seus filhos. Este é o principio extraído do antigo dízimo, para o crente da Nova Aliança. 

Em Cristo,


Para não alongar demais o assunto, ser enfadonho e perder o foco, não trato das questões das ofertas neste post. Quem sabe em outro post.  


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O QUÊ [MAIS] QUEREM OS HOMOSSEXUAIS?

Por Gilson Barbosa

Respeito os homossexuais, mas não sou favorável à homossexualidade. Fazer o que, tenho esse direito não é mesmo? Ou não? Nunca espanquei um homossexual (nem pretendo, não faria isso nem com meus “inimigos” héteros) e nem profiro palavras pejorativas a seu respeito. No ambiente onde trabalho há mais que uma pessoa homossexual, mas nem por isso sinto aversão, medo ou raiva, à pessoalidade deles. Nem os considero menos humano ou mais humano que minha pessoa. Concordo com a frase musical da outrora banda brasileira Mamonas Assassinas, Gay também é gente!

Não é certo desumanizar os homossexuais. Todas as pessoas carregam em si mesmas a imagem e semelhança de Deus, mesmo após a queda do homem. O apóstolo Tiago (3.9), comentando sobre o cuidado que devemos ter com certas palavras que proferimos, evidencia que todas as pessoas, inclusas as regeneradas por Deus ou não, possuem essa imagem Divina: “Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (a expressão com ela trata-se da língua). O pastor John Sttot pondera a esse respeito também e diz que os homossexuais são

apenas pessoas humanas feitas à imagem e semelhança de Deus, ainda que caídas, com toda a glória e tragédia que este paradoxo possa implicar. (Grandes questões sobre o sexo, p. 159).

Assassinar homossexuais, desrespeitá-los, discriminá-los, é tão cruel quanto praticar os mesmos atos e atitudes com pessoas heterossexuais. No entanto, assim como não aprovo a infidelidade conjugal, a pornografia, a pedofilia, também não consinto com as atitudes homossexuais. Se esta minha atitude pessoal caracteriza discriminação social, dois fatos podem estar acontecendo: posso não saber muito bem o que significa discriminar alguém ou os homossexuais não respeitam a individualidade e opção heterossexual. No entanto, segundo o significado do próprio termo eu não discrimino nenhuma pessoa, até mesmo os homossexuais. As vezes acho que os homossexuais estão muito atrevidos. Deveriam “baixar a bola”. 

Porém, prefiro não falar sobre homossexuais, mas homossexualidade (apesar das duas estarem relacionadas). Até porquê corro sério risco de ser processado judicialmente, pois um dos orgulhos que deve ter a classe gay é fazer uso constante do direito legal.  É nesse quesito que eles estão se esforçando para assegurarem seus direitos. No meio de tantas leis porque criar leis específicas aos homossexuais? O artigo 5º da Constituição Federal, por exemplo, já desaprova a discriminação de qualquer ato:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes.

Alguns justificam a criação de leis específicas para que sejam levadas mais a sério. Até certo ponto concordo. De fato as autoridades no Brasil não tratam com seriedade as leis que existem.  É verdade também que algumas leis estão ultrapassadas. Contudo, parece que na verdade, os homossexuais querem mesmo é visibilidade, aceitação social, e liberdade para praticarem seus desejos sem serem questionados. Alguns homossexuais não querem nem mesmo que a homossexualidade seja criticada – aí é demais não é?

Fosse só isso até que seria bom, pois, a vontade da classe gay é que as práticas da homossexualidade sejam aprovadas e que toda a desaprovação social seja castigada com punições aos “transgressores”.  Para tanto está em trâmite no Congresso Nacional a PLC 122/06. Leia aqui o projeto de lei e observe a petulância homossexual, os absurdos desta lei, e as terríveis implicações dela, se aprovada.  



Devo dizer que não sou homofóbico, mas não aprovo a homossexualidade. Revelo que não me sinto confortável quando vejo duas pessoas do mesmo sexo se acariciando publicamente. Talvez, porque isso seja anormal? Ou será que é porque eu sou anormal? Ou é o normal que está errado? No entanto, se eu as vir cometendo esse ato público, não as tratarei a socos e pontapés.  

Quanto à homossexualidade ser normal ou não, o assunto é deveras polêmico. Temos informações que as diferentes teorias sobre as causas da homossexualidade somam mais de setenta. A mais comum é dizer que é inata e respaldá-la cientificamente (leia aqui argumento contrário). No entanto, cientistas abalizados evitam “bater o martelo” e endossar as pesquisas. O que sobra é apenas teorias. Para os cristãos, Deus e a sua revelação escrita (a Bíblia Sagrada) se sobrepõem as teorias da ciência moderna.

Simplificando as teorias existentes, três são sugestivas: o determinismo biológico, os fatores psicossociais e a preferencia adquirida. A primeira é contrastada pelo fato de que ninguém nasce homossexual. Comparar homossexualidade com questão racial não tem comprovação cientifica; chega até mesmo ser anti-intelectualismo. Jesus disse certa vez sobre essa verdade:

                                            Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.

A segunda sugestão tem sua validade, mas devido às múltiplas raízes das causas da homossexualidade ela não diz respeito à opção pelo comprometimento com a orientação sexual preferida. A terceira sugestão valida a natureza humana depravada e caída em pecado. Sabemos que área sexual foi muito afetada em sua diversidade por causa do pecado: prostituição, voyeurismo, bestialidade, incesto, pornografia, sexo grupal, trocas de parceiros no ato sexual, entre outros. Por conta disso a Bíblia nos informa, em Romanos 1.26-28, que as pessoas foram entregues, por Deus, as práticas homossexuais:

Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm.

Ter direito a ser homossexual é um direito constitucional que não pode ser negado. Entretanto, querer empurrar “goela abaixo” a homossexualidade e as práticas homossexuais em quem discorda dela é também infringir outros direitos. Os gays ficam furiosos quando pregamos sobre a “cura” da homossexualidade e o retorno ao heterossexualismo, pois conforme dizem ela não doença. No entanto, minha análise é bíblica, e nesta questão o apóstolo Paulo nos informa que havia pessoas na igreja em Corinto que haviam sido homossexuais, ou seja, o processo da regeneração salvífica atinge a área sexual também:

Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.

Espero que se algum homossexual ler essa postagem não seja atacado por uma espécie de chilique heterofóbica e se enraiveça com essas opiniões – até porque tenho direito de expressar livremente meu pensamento.

Em Cristo,

domingo, 19 de fevereiro de 2012

CARNAVAL, A LIBERAÇÃO DA CARNE!

Por Gilson Barbosa



É interessante notar que enquanto nos países de origem a importância dessa festa diminuiu e arrefeceu, no Brasil ela parece estar apenas começando. Será que é devido à expansividade cultural do brasileiro? Seria sua característica festiva, criativa e alegre? Ou seria interesses financeiros das grandes empresas que lucram patrocinando o carnaval brasileiro? Ou ainda seria a "banalização" e irresponsabilidade do brasileiro face ao trabalho? O feriado carnavalesco trás lucros a que segmento de empresa? Não sei bem qual seria a resposta correta.

Não podemos negar o caráter cultural e folclórico do carnaval, mas, para nós cristãos é bom saber que o carnaval é uma festa pagã. Historiadores nacionais concordam que o carnaval teve origem primeiro no Egito, quando o povo saia de suas casas para comemorar as colheitas. Depois o carnaval sofreu evolução com os gregos e romanos. A enciclopédia Britânica do Brasil informa o seguinte quanto à origem:

                      Quanto à origem, o carnaval também é objeto de controvérsia: frequentemente tem sido atribuído a evolução e à sobrevivência do culto de Isis, das bacanais, lupercais e saturnais romanas, dos festejos em honra de Dionísios, na Grécia, e até mesmo às festas dos “inocentes”,  e dos “doidos” na Idade Média, as quais, mediantes sucessivos processos de deformação e abrandamento, teriam originado famosos carnavais dos tempos modernos, como os de Nice, Paris, Veneza, Roma, Nápoles, Florença, Colônia e Munique. Mas seja qual for sua origem, o certo é que o carnaval já era encontrado na Antiguidade clássica, e mesmo pré-clássica, com suas danças barulhentas, suas máscaras e licenciosidade, traços que seriam mantidos praticamente até hoje.

Apesar de não concordar com as festas carnavalescas, a Igreja Católica Romana “cristianizou” a festa incorporando-a no calendário litúrgico. Devido a forte influencia que essa festa carnavalesca pagã teve ao povo romano, ao invés de censurá-la a igreja romana atribuiu-lhe características católicas.  A essa transculturação discorda a revista Defesa da Fé:


A tentativa da Igreja Católica Romana na cristianização do carnaval e a sua atual justificativa é inconsequente, infeliz e irresponsável. Não existe uma referencia bíblica sequer favorável ao seu argumento. Pelo contrário. Existe todo um contexto explicitamente contrário a essa manifestação popular. Todos os especialistas cristãos sabem muito bem quando devem aplicar a transculturação cristã em determinada manifestação cultural (como por exemplo, o Natal, período em que ocorre a mudança do objeto de culto e a extirpação total da velha ordem, transformação das simbologias e referencias). Sabem também quando à determinada comemoração popular é impossível aplicar quaisquer processos de cristianização.

Somente no Brasil a época da festa é padronizada. Em outras nações, onde o carnaval é comemorado, a data é alternada. Segundo a Enciclopédia Mirador

O carnaval é uma série de folguedos populares promovidos habitualmente nos três dias anteriores ao inicio da Quaresma.

A Quaresma são os quarenta dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de páscoa. O carnaval acontece nos três dias que antecedem a quarta-feira. No Brasil há flexibilidade nas festas, pois, as escolas de samba e blocos carnavalescos começam a desfilar no sábado, portanto, no Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) temos quatro dias de comemorações.  

No período da quaresma inicia-se a abstenção de carne, imposta pela Igreja Romana. A revista apologética Defesa da Fé informa o seguinte:

A palavra carnaval deriva da expressão latina carne levare, que significa abstenção de carne. Este termo começou a circular por volta dos séculos XI e XII para designar a véspera da quarta-feira de cinzas, dia em que se inicia a exigência da abstenção de carne, ou jejum quaresmal. Comumente os autores explicam que este nome a partir dos termos latim tardio carne vale, isto é adeus carne, ou despedida da carne; esta derivação indicaria que no carnaval o consumo de carne é considerado lícito pela ultima vez antes dos dias de jejum quaresmal.

A incoerência lógica está no fato de enquanto há conselhos a abstenção da alimentação de carne, praticando-se assim uma “categoria” de jejum, é nesta época onde a natureza carnal humana mais se sobressai dando asas a libertinagem imoral. Adolescentes engravidam irresponsavelmente, jovens se embriagam causando confusões nas festas, encomendas de grandes quantidades de drogas especialmente para atender a demanda nesse período, enorme aparatos de segurança pública são exigidas para manter a ordem nas festas, alta somas de dinheiro público são injetados nas comemorações. Tudo isso tem trazido mais prejuízos do que benefícios à sociedade. A geração de emprego como justificativa para a promoção do carnaval é fictícia. Muitos trabalhadores são contratados apenas temporariamente nas festas, por exemplo, como seguranças, para operarem aparelhagem de som e carros de sons. É dispensada uma grande quantidade de funcionários públicos, entre os quais preferiam estar com suas famílias ou em viagens. O vídeo abaixo, sob a ótica de pessoa não cristã, atesta o que escrevi acima.



Assim como as antigas festas pagãs, o carnaval de hoje sobrevive e prossegue promovendo todos os elementos que contrariam o mandamento bíblico: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (Gl 5.19-21). O cristão não deve jamais pensar em admitir o carnaval como algo que não lhe traga prejuízo espiritual. Se alguém entre os crentes se regozija com esse tipo de festa mundana deve seriamente avaliar sua regeneração, pois a Bíblia afirma que esse procedimento não faz parte da nova vida em Cristo: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef 2.1-3).

Em Cristo,




quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O PERIGO DE QUERER BARGANHAR COM DEUS (Lição 8 - Subsídio EBD)

Por Gilson Barbosa


Antes de começar a ler, por gentileza, assista esse breve vídeo do pastor Paul Washer. Ele nos leva a refletir se estamos sendo omissos ou não, na causa da pureza do evangelho.





Barganha e permuta são expressões correlatas. Basicamente trata-se de um acordo ou troca. O Dicionário Aulete informa que juridicamente é um “acordo pelo qual os contratantes trocam entre si coisas que a eles pertencem”. Supõem-se uma espécie de relação ou interação entre duas ou mais pessoas e também, que, uma das partes possui condições privilegiadas, qualitativas, melhores ou maiores que a outra. Uma exigência da barganha é que as partes tenham algo real, existente e verificável para permutar ou fazer acordo. Isso é o que acontece comumente na economia em geral, nos contratos diversos, nas indústrias e comércios.

Tendo em mente o que foi dito acima, é importante sabermos que os pregadores da Teologia da Prosperidade, bem como seus adeptos, agem da mesma forma com Deus. Não se importando com a Soberania de Deus, com o Ser de Deus, imaginam que sabem mais sobre o que é melhor para si ou sua vida, e no afã de conseguirem o que querem chegam às raias do absurdo de, mentalmente, “colocar Deus na parede”. Trata-se da Teologia da Barganha – ensino da Teologia da Prosperidade.

Um exemplo bíblico de barganha, no Antigo Testamento, aconteceu entre os irmãos Jacó e Esaú (leia Gênesis 25.29-34). Aquele, “esperto” que só, aproveitando-se da fraqueza de seu irmão, propôs um acordo. O incidente ocorreu por uma questão sociocultural, em que o filho mais velho tinha direito: a primogenitura. O autor Samuel Suana (Pentateuco – IBAD) informa o que segue, sobre essa questão:

Primogenitura era a condição estabelecida por direito ao filho primogênito, isto é, o primeiro filho de sexo masculino nascido na família. A ele eram dados alguns privilégios e também algumas responsabilidades. Teria ele a maior parte da herança da família, o direito de uma benção especial e à autoridade, transferida pelo pai, dando status e nome. Era também seu dever assistir seus pais em idade avançada, dando-lhes toda a assistência e amor.

No entanto, a Bíblia (Gn 25.34) relata que Esaú desprezou seu direito de primogenitura ao trocá-la por uma porção de comida: “E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura”. A Bíblia de Estudo de Genebra diz que Esaú ao desprezar a sua primogenitura desprezou as promessas de Deus: “E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura” (Hb 12.16). No aspecto humano Esaú banalizou algo valioso e se deu mal.

Entrementes alguém pode arrazoar a possibilidade de respaldo bíblico para uma espécie de “barganha positiva” e exemplificar o personagem Abraão quando dialogou com Deus sobre a justiça de certos moradores de Sodoma. O fato se deu quando ele rogou pelos poucos justos que habitavam em Sodoma e Gomorra e que por causa do pecado e do baixo padrão moral dessas cidades Deus havia determinado destruí-las:

“Disse-lhe, pois, o Senhor: ‘As acusações contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que tenho ouvido. Se não, eu saberei”’ (Gn 18.20).

Apesar da oração intercessora de Abraão retratar uma espécie de negociação entre ele e Deus, o acontecimento tem o sentido de ajudar alguém, solicitando o favor Divino. É notório, também, que o acordo foi unilateral, pois, Deus havia ponderado ser positivo e necessário julgar os habitantes das cidades em questão. O que faz Abraão então? Roga a Deus em favor dos justos que estavam em Sodoma e Gomorra. Nessa intercessão ele “negociou” com o Senhor, para o livramento daqueles:

“E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio?” (Gn 18.23).

Então, ele sugere ao Senhor: “e se houver em Sodoma cinquenta justos... quarenta e cinco... quarenta... trinta... vinte... dez...?”.  Infere-se que não havia na cidade nem dez justos, pois Deus a destruiu, e no versículo 32 Ele diz a Abraão que se houvessem dez justos não destruiria a cidade. Caso tivesse dez justos na cidade, fica claro que o Senhor não ouviu a oração de Abraão. Esse tipo de “negociação” com Deus não é errado, pois visa abençoar o próximo. Será que os pregadores da Teologia da Prosperidade “negociariam” com o Senhor o livramento, a salvação de alguém, nos moldes da história de Abraão? Creio que não, pois, suas barganhas e negociações são exclusivamente individualistas, materialistas e interesseiras.

Contudo, as linhas acima sobre a “barganha positiva” entre Abraão e o Senhor Deus é apenas sugestivo, pois, creio que barganhar ou tentar negociar com Deus é geralmente negativo e não positivo, visto que, Deus é Soberano, Onisciente e Poderoso.

O exemplo bíblico negativo está registrado em Mateus 4.1-11, na passagem conhecida como A tentação de Jesus. Satanás tentou, com todo ímpeto, negociar com Jesus fazendo acordo por meio de barganhas.

A primeira tentação propõe que Jesus transforme pedras em pães. Satanás sabe que não é fácil suportar a fome: “Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães” (v. 3). Se Jesus realizasse esse milagre comprovaria de fato ser o Filho de Deus. Por ocasião do batismo Deus havia dito sobre Jesus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17). Agora, é como se Satanás dissesse “Você atende meu pedido, comprova sua filiação Divina, e também prova seu poder”. Porém, Jesus se recusa a usar seu poder para aliviar a fome física e responde com autoridade: “Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4). O autor Joel R. Beeke diz o seguinte sobre essa conversa inicial:

Jesus fala com autoridade; sua resposta é firme. Diferente de Eva, Ele não debate com Satanás. Ele não chama um exército de anjos para expulsar o diabo. Ele não usa seu divino poder, pois está vivendo no mundo como Servo sofredor de Deus. A única arma que Ele usa é a espada do Espírito, a Palavra de Deus. 

Nada de negociação, nada de barganha! Jesus não precisava provar ou comprovar nada a Satanás. Da mesma forma, Deus não tem que provar nada para os teólogos da prosperidade. Ele não é obrigado a realizar milagres para isso - nem atender suas solicitações, que quase sempre não passam de caprichos pessoais. Jesus poderia operar um milagre da transformação de pedras em pães, mas, estava resolvido a cumprir a vontade de Deus. Era o mais certo a fazer.  Os adeptos do evangelho da prosperidade desconsideram a vontade soberana de Deus quando exigem que Ele responda obrigatoriamente suas orações e atenda detalhadamente suas solicitações. No fundo, a barganha retrata uma natureza egoísta, interesseira, má intencionada, orgulhosa e individualista. John Macarthur, em sua Bíblia de Estudo, comenta o seguinte:

A condicional “se” tem, nesse contexto, o sentido de “uma vez que”. Satanás não tinha dúvida de quem Jesus era, mas o seu objetivo era levar Jesus a violar o plano de Deus e usar o poder divino do qual ele havia aberto mão em sua humilhação humana (cf. Fp 2.7).

Os pregadores da prosperidade querem que vivamos apenas do pão terreno, que desprezemos a vontade de Deus, sua verdade e a suficiência da sua Palavra, revelada nas Escrituras Sagradas. Isso é inadmissível.

A segunda tentação era fazer que Jesus agisse como uma espécie de superstar; que demonstrasse seus sinais e maravilhas para atrair seguidores; que provocasse o sensacionalismo nas multidões. Novamente, seu poder sobrenatural serviria como forma de atitude exibicionista e narcisista:

“Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra” (Mt 4.6).

De modo oposto ao sentido original do texto bíblico (Sl 91.11,12) Satanás diz que os anjos o protegerão, se ele pular do topo do templo abaixo. No entanto, esse texto não endossa a atitude da pessoa que busca testar a Deus, correndo um risco desnecessário, em vez de confiar Nele.  Em termos de interpretação bíblica, os pregadores da prosperidade utilizam o mesmo método do diabo – interpretar um texto fora do seu contexto.

Temos sabido de pessoas que pegam em serpentes, acreditando que a fé em Deus e a crença na sua promessa – baseada num entendimento errado de Marcos 16.18 – os livrarão de serem mortos, caso sejam picados por serpentes. Essa atitude nada mais é que “tentar ao Senhor Deus”. A tentativa do Diabo era que Jesus recebesse exaltação antes do tempo – ele teria que sofrer primeiro - usando meios carnais para atrair seguidores. O comentarista William Hendriksen diz o seguinte: 




A obediência à proposta de Satanás era tentadora, porquanto que homem existe que, ao ser solicitado que comprove um argumento que fizera, não sinta que deve fazê-lo imediatamente sem primeiro perguntar a si mesmo: “Que direito tem o meu incitador de pedir-me que faça tal comprovação?” Jesus, contudo, não cai nessa armadilha. Ele percebe que fazer o que Satanás está pedindo, equivaleria a trocar a fé pela presunção, a submissão à orientação divina pela insolência. Significaria nada menos que arriscar-se à autodestruição. A falsa confiança no Pai, que o diabo exigia de Jesus nesta segunda tentação, não era melhor a desconfiança que lhe propusera na primeira. Equivaleria a fazer experiência com o Pai. (Comentário de Mateus).

A terceira tentação torna evidente que o diabo é mesmo “uma cara de pau”. Por meio de uma visão (segundo comentaristas renomados), o diabo mostra a Jesus “todos os reinos do mundo” e oferece-o em troca de adoração:

“Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles; e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares” (Mt 4.8,9).

Numa barganha, as partes, obrigatoriamente, devem possuir algo para negociar e o diabo arrogou ser senhor de direito sobre todos os reinos do mundo. Contrariamente, a Bíblia diz que é Deus o dono deste mundo e é Ele quem o sustenta e o governa: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24.1). As três tentações foram feitas a fim de que Jesus fugisse da cruz, pois, caso ele cedesse a uma delas, o plano divino sucumbiria.

O diabo tentou barganhar com Jesus, e não devemos praticar esse princípio negativo. A moda ultimamente é pregar sobre sementes e esse tipo de pregação sempre acaba se desembocando numa barganha com Deus. Até mesmo os dízimos tem sido elemento de barganha ou moeda de troca (leia postagem sobre as sementes aqui). Lindolfo Alexandre de Souza[1] no seu texto sobre a teologia da prosperidade diz que,

A lógica da Teologia da Prosperidade, portanto, fundamenta-se nas promessas de sucesso material e financeiro para quem é fiel a Deus. Como consequência, o nível de sucesso depende do valor da contribuição financeira. Assim, seu discurso apresenta uma proposta de troca, de barganha entre o fiel e Deus. Mas como Deus não vem pessoalmente receber as doações, elas devem ser entregues àqueles que se colocam como representantes do divino.

No vídeo que postei no início deste artigo Paul Washer nos adverte, quando comenta sobre o erro da omissão. Ver um ato violento impetrado contra alguém e não denunciar é crime. Da mesma maneira, ver a igreja de Cristo sendo “violentada” por pregadores de heresias, tais como essa de barganhar com Deus, e não denunciar esse falso evangelho, é pecado.

Sobre a questão de fazer prova com Deus, a fim de receber as bênçãos prometidas em Malaquias 3.10, comentarei em outra oportunidade. Porém, se não interpretarmos corretamente esse versículo incorreremos no mesmo erro dos falsos mestres: barganhar com Deus.

Que Deus nos dê animo para combatermos essas e outras heresias!

Em Cristo,



[1] Lindolfo Alexandre de Souza é jornalista, professor da PUC-Campinas e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

A IMORALIDADE GLOBAL

Fico pensando em que quantidade o Big Brother Brasil poderia contribuir positivamente para a sociedade brasileira. É óbvio que não há nada positivo ou que se aproveite nele. Até mesmo pessoas não crentes, mas sensatas, reclamam da baixa moralidade do programa. É estranho as pessoas criticarem o papel social das igrejas evangélicas e manterem um reality show tão vil e imbecil quanto este.  Leia a matéria que postei sobre o Big Brother Brasil aqui. A notícia abaixo deu no Jornal Folha de São Paulo.  


"BBB12" exibe sexo entre Laisa e Yuri

16/02/2012 - 02h30

DE SÃO PAULO
O "BBB12" exibiu o casal Laisa e Yuri fazendo sexo no quarto do líder.
A imagem dos dois debaixo do edredon foi exibida para os telespectadores do pay per view e por alguns segundos para os assinantes da internet.
Laisa e Yuri faziam movimentos que claramente mostravam que os dois faziam sexo.
Pouco tempo depois, com o ato já terminado, Yuri comentou: "parece um sonho".
O casal havia deixado a festa pouco mais de meia hora antes.
O assunto logou tomou conta do Twitter, com os usuários do microblog comentando a intensidade da cena e criticando a atitude do casal.
Frederico Rozário/Divulgação TV Globo
Yuri e Laisa, os pombinhos do "BBB12"