segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O PERIGO DOS “ACHISMOS” NO DEBATE BÍBLICO

Por Gilson Barbosa

Segundo certa opinião o “achismo” é a tendência em avaliar as situações segundo as próprias opiniões ou intenções, muitas vezes sem justificação. O “achismo” é desastroso numa discussão bíblica, teológica ou doutrinária. Quando fazemos uso deste elemento estamos potencialmente regredindo, voltamos à estaca zero, somos ineficientes, e contribuímos bem pouco (ou nada) para o entendimento bíblico.

Nós, obreiros do Senhor e estudiosos das Escrituras Sagradas, não temos que “achar” nada, mas, respaldarmos nossos argumentos a luz das Escrituras Sagradas. Nesse sentido não podemos estender a discussão nem chegar a um consenso se a hermenêutica sagrada não for “convidada” para entrar na nossa conversa. Contudo também, não basta fazermos uso das ferramentas proporcionadas pela hermenêutica sagrada, é necessário sermos sensatos, imparciais e totalmente bíblicos. 

Expressões tais como “eu acho que”, “penso que”, “o que quero dizer é que”, “minha opinião é que”, geralmente são inúteis num diálogo bíblico e causam mais confusão do que organização. Nestes casos geralmente não há nenhuma menção bíblica para comprovação da opinião, mas somente palavras evasivas. Quando a Bíblia é mencionada esquece-se da correta e fiel interpretação.


Na blogosfera, encontrei uma poesia titulada de Poema contra o achismo, muito interessante:

O achismo tudo sabe. Não tem dúvidas. É autoconfiante. Arrogante. Teimoso. Tira suas próprias conclusões. Não deve satisfações. Não dá ouvido a ninguém. Vive de aparências. O achismo é cego. O achismo seduz, envolve. Engana. Cria suas próprias leis. Não tem fundamento, ética. Julga. Condena. Destrói. Se alimenta da preguiça. Da presunção. Da ignorância. Da ingenuidade. O achismo é parasita.

Os apóstolos, dos quais herdamos preciosas doutrinas bíblicas, nunca fundamentavam suas discussões doutrinárias em opiniões pessoais, transformando-as em soluções infundadas e contraditórias.

Observe o primeiro Concílio realizado pela Igreja Cristã Primitiva (acesse matéria sobre este Concílio aqui). O que motivou a discussão foi à questão se os gentios que estavam recebendo Cristo por meio do evangelho deveriam praticar as mesmas coisas que os judeus praticavam tais como a circuncisão, alimentação, vestuário, cerimoniais, ritos, guarda do sábado, etc. (Leia At 15.5). Lucas anota o seguinte em Atos 15.1: “Então alguns que tinham descido da Judéia ensinavam aos irmãos: Se não vos circuncidardes, segundo o rito de Moisés, não podeis ser salvos”. Para resolver esse assunto “resolveu-se que Paulo e Barnabé, e alguns dentre eles, subissem a Jerusalém, aos apóstolos e aos anciãos” (15.2).

Os apóstolos Pedro, Barnabé, Paulo e Tiago (At 15.7, 12, 13) ao apresentarem seus pontos de vistas e argumentos, não tergiversaram, não foram evasivos, não inventaram alguma doutrina nova, não “acharam” que deveria ser feito dessa ou de outra forma, mas, apresentaram soluções prescritas antecipadamente no contexto bíblico.

Algum ousado pode tentar justificar suas opiniões pessoais colocando o apóstolo Paulo como exemplo, pois, instruindo os irmãos coríntios a respeito da estabilidade da família, disse que caso algum irmão ou irmã tivesse cônjuge descrente que não se apartasse e para tanto usou a expressão “digo eu, não o Senhor” (I Co 7.12). Porém, temos de entender a importância dos escritos paulinos, a canonicidade da carta, sua inspiração pelo Espírito Santo e que ele não estava “achando” que deveria ser feito assim, mas falou divinamente inspirado, e após ter prescrito este preceito ele passou a ter validade e vigência para a solução deste tipo de problema nas igrejas.  
      
É salutar, espiritualmente, para as igrejas, que embasemos toda nossa compreensão doutrinária de modo objetivo (não subjetivo) e com total respaldo das Escrituras Sagradas. É claro que algumas discussões internas entram na questão do principio regulador ou normativo do culto, e, quando isso acontecer não devemos abrir mão da sensatez, mas abstermo-nos de todos os “achismos” nas soluções dos problemas.

Os que gostam de opinar ou de induzir os crentes mais simples ao seu próprio entendimento, mas sem respaldo teológico e bíblico, cabe a sensibilidade de se precaver para receber uma resposta que pode ser publicamente desagradável. É o caso de certos pregadores pentecostais que querem a aceitação de suas pregações em público e para tanto ficam fazendo perguntas ao auditório, que são doutrinariamente e teologicamente descabíveis.

Que o Senhor nos ajude a sermos fiéis intérpretes do texto sagrado, bons aplicadores da sua Palavra e avesso aos “achismos”.

Em Cristo,
Compartilhar:

Assassinado Bispo Robinson Cavalcante da Igreja Anglicana no Recife



Morreu neste domingo foi assassinado pelo filho adotivo o bispo da Igreja Anglicana em Recife Robinson Cavalcanti. A sua esposa também morreu neste crime bárbaro.

A noticia foi divulgada nesta madrugada no site oficial da Igreja Anglicana Diocese do Recife. Naquele momento, ainda não se dispunham de detalhes, apenas se informava que o crime ocorreu neste domingo 26/02/2012 por volta das 22h na residência do casal na cidade de Olinda – Pernambuco.


Fonte:Blog Pr.Renato Vargens
Compartilhar:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O QUÊ [MAIS] QUEREM OS HOMOSSEXUAIS?

Por Gilson Barbosa

Respeito os homossexuais, mas não sou favorável à homossexualidade. Fazer o que, tenho esse direito não é mesmo? Ou não? Nunca espanquei um homossexual (nem pretendo, não faria isso nem com meus “inimigos” héteros) e nem profiro palavras pejorativas a seu respeito. No ambiente onde trabalho há mais que uma pessoa homossexual, mas nem por isso sinto aversão, medo ou raiva, à pessoalidade deles. Nem os considero menos humano ou mais humano que minha pessoa. Concordo com a frase musical da outrora banda brasileira Mamonas Assassinas, Gay também é gente!

Não é certo desumanizar os homossexuais. Todas as pessoas carregam em si mesmas a imagem e semelhança de Deus, mesmo após a queda do homem. O apóstolo Tiago (3.9), comentando sobre o cuidado que devemos ter com certas palavras que proferimos, evidencia que todas as pessoas, inclusas as regeneradas por Deus ou não, possuem essa imagem Divina: “Com ela bendizemos a Deus e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (a expressão com ela trata-se da língua). O pastor John Sttot pondera a esse respeito também e diz que os homossexuais são

apenas pessoas humanas feitas à imagem e semelhança de Deus, ainda que caídas, com toda a glória e tragédia que este paradoxo possa implicar. (Grandes questões sobre o sexo, p. 159).

Assassinar homossexuais, desrespeitá-los, discriminá-los, é tão cruel quanto praticar os mesmos atos e atitudes com pessoas heterossexuais. No entanto, assim como não aprovo a infidelidade conjugal, a pornografia, a pedofilia, também não consinto com as atitudes homossexuais. Se esta minha atitude pessoal caracteriza discriminação social, dois fatos podem estar acontecendo: posso não saber muito bem o que significa discriminar alguém ou os homossexuais não respeitam a individualidade e opção heterossexual. No entanto, segundo o significado do próprio termo eu não discrimino nenhuma pessoa, até mesmo os homossexuais. As vezes acho que os homossexuais estão muito atrevidos. Deveriam “baixar a bola”. 

Porém, prefiro não falar sobre homossexuais, mas homossexualidade (apesar das duas estarem relacionadas). Até porquê corro sério risco de ser processado judicialmente, pois um dos orgulhos que deve ter a classe gay é fazer uso constante do direito legal.  É nesse quesito que eles estão se esforçando para assegurarem seus direitos. No meio de tantas leis porque criar leis específicas aos homossexuais? O artigo 5º da Constituição Federal, por exemplo, já desaprova a discriminação de qualquer ato:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes.

Alguns justificam a criação de leis específicas para que sejam levadas mais a sério. Até certo ponto concordo. De fato as autoridades no Brasil não tratam com seriedade as leis que existem.  É verdade também que algumas leis estão ultrapassadas. Contudo, parece que na verdade, os homossexuais querem mesmo é visibilidade, aceitação social, e liberdade para praticarem seus desejos sem serem questionados. Alguns homossexuais não querem nem mesmo que a homossexualidade seja criticada – aí é demais não é?

Fosse só isso até que seria bom, pois, a vontade da classe gay é que as práticas da homossexualidade sejam aprovadas e que toda a desaprovação social seja castigada com punições aos “transgressores”.  Para tanto está em trâmite no Congresso Nacional a PLC 122/06. Leia aqui o projeto de lei e observe a petulância homossexual, os absurdos desta lei, e as terríveis implicações dela, se aprovada.  



Devo dizer que não sou homofóbico, mas não aprovo a homossexualidade. Revelo que não me sinto confortável quando vejo duas pessoas do mesmo sexo se acariciando publicamente. Talvez, porque isso seja anormal? Ou será que é porque eu sou anormal? Ou é o normal que está errado? No entanto, se eu as vir cometendo esse ato público, não as tratarei a socos e pontapés.  

Quanto à homossexualidade ser normal ou não, o assunto é deveras polêmico. Temos informações que as diferentes teorias sobre as causas da homossexualidade somam mais de setenta. A mais comum é dizer que é inata e respaldá-la cientificamente (leia aqui argumento contrário). No entanto, cientistas abalizados evitam “bater o martelo” e endossar as pesquisas. O que sobra é apenas teorias. Para os cristãos, Deus e a sua revelação escrita (a Bíblia Sagrada) se sobrepõem as teorias da ciência moderna.

Simplificando as teorias existentes, três são sugestivas: o determinismo biológico, os fatores psicossociais e a preferencia adquirida. A primeira é contrastada pelo fato de que ninguém nasce homossexual. Comparar homossexualidade com questão racial não tem comprovação cientifica; chega até mesmo ser anti-intelectualismo. Jesus disse certa vez sobre essa verdade:

                                            Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.

A segunda sugestão tem sua validade, mas devido às múltiplas raízes das causas da homossexualidade ela não diz respeito à opção pelo comprometimento com a orientação sexual preferida. A terceira sugestão valida a natureza humana depravada e caída em pecado. Sabemos que área sexual foi muito afetada em sua diversidade por causa do pecado: prostituição, voyeurismo, bestialidade, incesto, pornografia, sexo grupal, trocas de parceiros no ato sexual, entre outros. Por conta disso a Bíblia nos informa, em Romanos 1.26-28, que as pessoas foram entregues, por Deus, as práticas homossexuais:

Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm.

Ter direito a ser homossexual é um direito constitucional que não pode ser negado. Entretanto, querer empurrar “goela abaixo” a homossexualidade e as práticas homossexuais em quem discorda dela é também infringir outros direitos. Os gays ficam furiosos quando pregamos sobre a “cura” da homossexualidade e o retorno ao heterossexualismo, pois conforme dizem ela não doença. No entanto, minha análise é bíblica, e nesta questão o apóstolo Paulo nos informa que havia pessoas na igreja em Corinto que haviam sido homossexuais, ou seja, o processo da regeneração salvífica atinge a área sexual também:

Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus.

Espero que se algum homossexual ler essa postagem não seja atacado por uma espécie de chilique heterofóbica e se enraiveça com essas opiniões – até porque tenho direito de expressar livremente meu pensamento.

Em Cristo,
Compartilhar:

domingo, 19 de fevereiro de 2012

CARNAVAL, A LIBERAÇÃO DA CARNE!

Por Gilson Barbosa



É interessante notar que enquanto nos países de origem a importância dessa festa diminuiu e arrefeceu, no Brasil ela parece estar apenas começando. Será que é devido à expansividade cultural do brasileiro? Seria sua característica festiva, criativa e alegre? Ou seria interesses financeiros das grandes empresas que lucram patrocinando o carnaval brasileiro? Ou ainda seria a "banalização" e irresponsabilidade do brasileiro face ao trabalho? O feriado carnavalesco trás lucros a que segmento de empresa? Não sei bem qual seria a resposta correta.

Não podemos negar o caráter cultural e folclórico do carnaval, mas, para nós cristãos é bom saber que o carnaval é uma festa pagã. Historiadores nacionais concordam que o carnaval teve origem primeiro no Egito, quando o povo saia de suas casas para comemorar as colheitas. Depois o carnaval sofreu evolução com os gregos e romanos. A enciclopédia Britânica do Brasil informa o seguinte quanto à origem:

                      Quanto à origem, o carnaval também é objeto de controvérsia: frequentemente tem sido atribuído a evolução e à sobrevivência do culto de Isis, das bacanais, lupercais e saturnais romanas, dos festejos em honra de Dionísios, na Grécia, e até mesmo às festas dos “inocentes”,  e dos “doidos” na Idade Média, as quais, mediantes sucessivos processos de deformação e abrandamento, teriam originado famosos carnavais dos tempos modernos, como os de Nice, Paris, Veneza, Roma, Nápoles, Florença, Colônia e Munique. Mas seja qual for sua origem, o certo é que o carnaval já era encontrado na Antiguidade clássica, e mesmo pré-clássica, com suas danças barulhentas, suas máscaras e licenciosidade, traços que seriam mantidos praticamente até hoje.

Apesar de não concordar com as festas carnavalescas, a Igreja Católica Romana “cristianizou” a festa incorporando-a no calendário litúrgico. Devido a forte influencia que essa festa carnavalesca pagã teve ao povo romano, ao invés de censurá-la a igreja romana atribuiu-lhe características católicas.  A essa transculturação discorda a revista Defesa da Fé:


A tentativa da Igreja Católica Romana na cristianização do carnaval e a sua atual justificativa é inconsequente, infeliz e irresponsável. Não existe uma referencia bíblica sequer favorável ao seu argumento. Pelo contrário. Existe todo um contexto explicitamente contrário a essa manifestação popular. Todos os especialistas cristãos sabem muito bem quando devem aplicar a transculturação cristã em determinada manifestação cultural (como por exemplo, o Natal, período em que ocorre a mudança do objeto de culto e a extirpação total da velha ordem, transformação das simbologias e referencias). Sabem também quando à determinada comemoração popular é impossível aplicar quaisquer processos de cristianização.

Somente no Brasil a época da festa é padronizada. Em outras nações, onde o carnaval é comemorado, a data é alternada. Segundo a Enciclopédia Mirador

O carnaval é uma série de folguedos populares promovidos habitualmente nos três dias anteriores ao inicio da Quaresma.

A Quaresma são os quarenta dias que vão da quarta-feira de cinzas ao domingo de páscoa. O carnaval acontece nos três dias que antecedem a quarta-feira. No Brasil há flexibilidade nas festas, pois, as escolas de samba e blocos carnavalescos começam a desfilar no sábado, portanto, no Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro) temos quatro dias de comemorações.  

No período da quaresma inicia-se a abstenção de carne, imposta pela Igreja Romana. A revista apologética Defesa da Fé informa o seguinte:

A palavra carnaval deriva da expressão latina carne levare, que significa abstenção de carne. Este termo começou a circular por volta dos séculos XI e XII para designar a véspera da quarta-feira de cinzas, dia em que se inicia a exigência da abstenção de carne, ou jejum quaresmal. Comumente os autores explicam que este nome a partir dos termos latim tardio carne vale, isto é adeus carne, ou despedida da carne; esta derivação indicaria que no carnaval o consumo de carne é considerado lícito pela ultima vez antes dos dias de jejum quaresmal.

A incoerência lógica está no fato de enquanto há conselhos a abstenção da alimentação de carne, praticando-se assim uma “categoria” de jejum, é nesta época onde a natureza carnal humana mais se sobressai dando asas a libertinagem imoral. Adolescentes engravidam irresponsavelmente, jovens se embriagam causando confusões nas festas, encomendas de grandes quantidades de drogas especialmente para atender a demanda nesse período, enorme aparatos de segurança pública são exigidas para manter a ordem nas festas, alta somas de dinheiro público são injetados nas comemorações. Tudo isso tem trazido mais prejuízos do que benefícios à sociedade. A geração de emprego como justificativa para a promoção do carnaval é fictícia. Muitos trabalhadores são contratados apenas temporariamente nas festas, por exemplo, como seguranças, para operarem aparelhagem de som e carros de sons. É dispensada uma grande quantidade de funcionários públicos, entre os quais preferiam estar com suas famílias ou em viagens. O vídeo abaixo, sob a ótica de pessoa não cristã, atesta o que escrevi acima.



Assim como as antigas festas pagãs, o carnaval de hoje sobrevive e prossegue promovendo todos os elementos que contrariam o mandamento bíblico: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (Gl 5.19-21). O cristão não deve jamais pensar em admitir o carnaval como algo que não lhe traga prejuízo espiritual. Se alguém entre os crentes se regozija com esse tipo de festa mundana deve seriamente avaliar sua regeneração, pois a Bíblia afirma que esse procedimento não faz parte da nova vida em Cristo: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef 2.1-3).

Em Cristo,




Compartilhar:

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O PERIGO DE QUERER BARGANHAR COM DEUS (Lição 8 - Subsídio EBD)

Por Gilson Barbosa


Antes de começar a ler, por gentileza, assista esse breve vídeo do pastor Paul Washer. Ele nos leva a refletir se estamos sendo omissos ou não, na causa da pureza do evangelho.





Barganha e permuta são expressões correlatas. Basicamente trata-se de um acordo ou troca. O Dicionário Aulete informa que juridicamente é um “acordo pelo qual os contratantes trocam entre si coisas que a eles pertencem”. Supõem-se uma espécie de relação ou interação entre duas ou mais pessoas e também, que, uma das partes possui condições privilegiadas, qualitativas, melhores ou maiores que a outra. Uma exigência da barganha é que as partes tenham algo real, existente e verificável para permutar ou fazer acordo. Isso é o que acontece comumente na economia em geral, nos contratos diversos, nas indústrias e comércios.

Tendo em mente o que foi dito acima, é importante sabermos que os pregadores da Teologia da Prosperidade, bem como seus adeptos, agem da mesma forma com Deus. Não se importando com a Soberania de Deus, com o Ser de Deus, imaginam que sabem mais sobre o que é melhor para si ou sua vida, e no afã de conseguirem o que querem chegam às raias do absurdo de, mentalmente, “colocar Deus na parede”. Trata-se da Teologia da Barganha – ensino da Teologia da Prosperidade.

Um exemplo bíblico de barganha, no Antigo Testamento, aconteceu entre os irmãos Jacó e Esaú (leia Gênesis 25.29-34). Aquele, “esperto” que só, aproveitando-se da fraqueza de seu irmão, propôs um acordo. O incidente ocorreu por uma questão sociocultural, em que o filho mais velho tinha direito: a primogenitura. O autor Samuel Suana (Pentateuco – IBAD) informa o que segue, sobre essa questão:

Primogenitura era a condição estabelecida por direito ao filho primogênito, isto é, o primeiro filho de sexo masculino nascido na família. A ele eram dados alguns privilégios e também algumas responsabilidades. Teria ele a maior parte da herança da família, o direito de uma benção especial e à autoridade, transferida pelo pai, dando status e nome. Era também seu dever assistir seus pais em idade avançada, dando-lhes toda a assistência e amor.

No entanto, a Bíblia (Gn 25.34) relata que Esaú desprezou seu direito de primogenitura ao trocá-la por uma porção de comida: “E Jacó deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura”. A Bíblia de Estudo de Genebra diz que Esaú ao desprezar a sua primogenitura desprezou as promessas de Deus: “E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú, que por uma refeição vendeu o seu direito de primogenitura” (Hb 12.16). No aspecto humano Esaú banalizou algo valioso e se deu mal.

Entrementes alguém pode arrazoar a possibilidade de respaldo bíblico para uma espécie de “barganha positiva” e exemplificar o personagem Abraão quando dialogou com Deus sobre a justiça de certos moradores de Sodoma. O fato se deu quando ele rogou pelos poucos justos que habitavam em Sodoma e Gomorra e que por causa do pecado e do baixo padrão moral dessas cidades Deus havia determinado destruí-las:

“Disse-lhe, pois, o Senhor: ‘As acusações contra Sodoma e Gomorra são tantas e o seu pecado é tão grave que descerei para ver se o que eles têm feito corresponde ao que tenho ouvido. Se não, eu saberei”’ (Gn 18.20).

Apesar da oração intercessora de Abraão retratar uma espécie de negociação entre ele e Deus, o acontecimento tem o sentido de ajudar alguém, solicitando o favor Divino. É notório, também, que o acordo foi unilateral, pois, Deus havia ponderado ser positivo e necessário julgar os habitantes das cidades em questão. O que faz Abraão então? Roga a Deus em favor dos justos que estavam em Sodoma e Gomorra. Nessa intercessão ele “negociou” com o Senhor, para o livramento daqueles:

“E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio?” (Gn 18.23).

Então, ele sugere ao Senhor: “e se houver em Sodoma cinquenta justos... quarenta e cinco... quarenta... trinta... vinte... dez...?”.  Infere-se que não havia na cidade nem dez justos, pois Deus a destruiu, e no versículo 32 Ele diz a Abraão que se houvessem dez justos não destruiria a cidade. Caso tivesse dez justos na cidade, fica claro que o Senhor não ouviu a oração de Abraão. Esse tipo de “negociação” com Deus não é errado, pois visa abençoar o próximo. Será que os pregadores da Teologia da Prosperidade “negociariam” com o Senhor o livramento, a salvação de alguém, nos moldes da história de Abraão? Creio que não, pois, suas barganhas e negociações são exclusivamente individualistas, materialistas e interesseiras.

Contudo, as linhas acima sobre a “barganha positiva” entre Abraão e o Senhor Deus é apenas sugestivo, pois, creio que barganhar ou tentar negociar com Deus é geralmente negativo e não positivo, visto que, Deus é Soberano, Onisciente e Poderoso.

O exemplo bíblico negativo está registrado em Mateus 4.1-11, na passagem conhecida como A tentação de Jesus. Satanás tentou, com todo ímpeto, negociar com Jesus fazendo acordo por meio de barganhas.

A primeira tentação propõe que Jesus transforme pedras em pães. Satanás sabe que não é fácil suportar a fome: “Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães” (v. 3). Se Jesus realizasse esse milagre comprovaria de fato ser o Filho de Deus. Por ocasião do batismo Deus havia dito sobre Jesus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17). Agora, é como se Satanás dissesse “Você atende meu pedido, comprova sua filiação Divina, e também prova seu poder”. Porém, Jesus se recusa a usar seu poder para aliviar a fome física e responde com autoridade: “Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4). O autor Joel R. Beeke diz o seguinte sobre essa conversa inicial:

Jesus fala com autoridade; sua resposta é firme. Diferente de Eva, Ele não debate com Satanás. Ele não chama um exército de anjos para expulsar o diabo. Ele não usa seu divino poder, pois está vivendo no mundo como Servo sofredor de Deus. A única arma que Ele usa é a espada do Espírito, a Palavra de Deus. 

Nada de negociação, nada de barganha! Jesus não precisava provar ou comprovar nada a Satanás. Da mesma forma, Deus não tem que provar nada para os teólogos da prosperidade. Ele não é obrigado a realizar milagres para isso - nem atender suas solicitações, que quase sempre não passam de caprichos pessoais. Jesus poderia operar um milagre da transformação de pedras em pães, mas, estava resolvido a cumprir a vontade de Deus. Era o mais certo a fazer.  Os adeptos do evangelho da prosperidade desconsideram a vontade soberana de Deus quando exigem que Ele responda obrigatoriamente suas orações e atenda detalhadamente suas solicitações. No fundo, a barganha retrata uma natureza egoísta, interesseira, má intencionada, orgulhosa e individualista. John Macarthur, em sua Bíblia de Estudo, comenta o seguinte:

A condicional “se” tem, nesse contexto, o sentido de “uma vez que”. Satanás não tinha dúvida de quem Jesus era, mas o seu objetivo era levar Jesus a violar o plano de Deus e usar o poder divino do qual ele havia aberto mão em sua humilhação humana (cf. Fp 2.7).

Os pregadores da prosperidade querem que vivamos apenas do pão terreno, que desprezemos a vontade de Deus, sua verdade e a suficiência da sua Palavra, revelada nas Escrituras Sagradas. Isso é inadmissível.

A segunda tentação era fazer que Jesus agisse como uma espécie de superstar; que demonstrasse seus sinais e maravilhas para atrair seguidores; que provocasse o sensacionalismo nas multidões. Novamente, seu poder sobrenatural serviria como forma de atitude exibicionista e narcisista:

“Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra” (Mt 4.6).

De modo oposto ao sentido original do texto bíblico (Sl 91.11,12) Satanás diz que os anjos o protegerão, se ele pular do topo do templo abaixo. No entanto, esse texto não endossa a atitude da pessoa que busca testar a Deus, correndo um risco desnecessário, em vez de confiar Nele.  Em termos de interpretação bíblica, os pregadores da prosperidade utilizam o mesmo método do diabo – interpretar um texto fora do seu contexto.

Temos sabido de pessoas que pegam em serpentes, acreditando que a fé em Deus e a crença na sua promessa – baseada num entendimento errado de Marcos 16.18 – os livrarão de serem mortos, caso sejam picados por serpentes. Essa atitude nada mais é que “tentar ao Senhor Deus”. A tentativa do Diabo era que Jesus recebesse exaltação antes do tempo – ele teria que sofrer primeiro - usando meios carnais para atrair seguidores. O comentarista William Hendriksen diz o seguinte: 




A obediência à proposta de Satanás era tentadora, porquanto que homem existe que, ao ser solicitado que comprove um argumento que fizera, não sinta que deve fazê-lo imediatamente sem primeiro perguntar a si mesmo: “Que direito tem o meu incitador de pedir-me que faça tal comprovação?” Jesus, contudo, não cai nessa armadilha. Ele percebe que fazer o que Satanás está pedindo, equivaleria a trocar a fé pela presunção, a submissão à orientação divina pela insolência. Significaria nada menos que arriscar-se à autodestruição. A falsa confiança no Pai, que o diabo exigia de Jesus nesta segunda tentação, não era melhor a desconfiança que lhe propusera na primeira. Equivaleria a fazer experiência com o Pai. (Comentário de Mateus).

A terceira tentação torna evidente que o diabo é mesmo “uma cara de pau”. Por meio de uma visão (segundo comentaristas renomados), o diabo mostra a Jesus “todos os reinos do mundo” e oferece-o em troca de adoração:

“Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles; e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares” (Mt 4.8,9).

Numa barganha, as partes, obrigatoriamente, devem possuir algo para negociar e o diabo arrogou ser senhor de direito sobre todos os reinos do mundo. Contrariamente, a Bíblia diz que é Deus o dono deste mundo e é Ele quem o sustenta e o governa: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24.1). As três tentações foram feitas a fim de que Jesus fugisse da cruz, pois, caso ele cedesse a uma delas, o plano divino sucumbiria.

O diabo tentou barganhar com Jesus, e não devemos praticar esse princípio negativo. A moda ultimamente é pregar sobre sementes e esse tipo de pregação sempre acaba se desembocando numa barganha com Deus. Até mesmo os dízimos tem sido elemento de barganha ou moeda de troca (leia postagem sobre as sementes aqui). Lindolfo Alexandre de Souza[1] no seu texto sobre a teologia da prosperidade diz que,

A lógica da Teologia da Prosperidade, portanto, fundamenta-se nas promessas de sucesso material e financeiro para quem é fiel a Deus. Como consequência, o nível de sucesso depende do valor da contribuição financeira. Assim, seu discurso apresenta uma proposta de troca, de barganha entre o fiel e Deus. Mas como Deus não vem pessoalmente receber as doações, elas devem ser entregues àqueles que se colocam como representantes do divino.

No vídeo que postei no início deste artigo Paul Washer nos adverte, quando comenta sobre o erro da omissão. Ver um ato violento impetrado contra alguém e não denunciar é crime. Da mesma maneira, ver a igreja de Cristo sendo “violentada” por pregadores de heresias, tais como essa de barganhar com Deus, e não denunciar esse falso evangelho, é pecado.

Sobre a questão de fazer prova com Deus, a fim de receber as bênçãos prometidas em Malaquias 3.10, comentarei em outra oportunidade. Porém, se não interpretarmos corretamente esse versículo incorreremos no mesmo erro dos falsos mestres: barganhar com Deus.

Que Deus nos dê animo para combatermos essas e outras heresias!

Em Cristo,



[1] Lindolfo Alexandre de Souza é jornalista, professor da PUC-Campinas e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).
Compartilhar:

A IMORALIDADE GLOBAL

Fico pensando em que quantidade o Big Brother Brasil poderia contribuir positivamente para a sociedade brasileira. É óbvio que não há nada positivo ou que se aproveite nele. Até mesmo pessoas não crentes, mas sensatas, reclamam da baixa moralidade do programa. É estranho as pessoas criticarem o papel social das igrejas evangélicas e manterem um reality show tão vil e imbecil quanto este.  Leia a matéria que postei sobre o Big Brother Brasil aqui. A notícia abaixo deu no Jornal Folha de São Paulo.  


"BBB12" exibe sexo entre Laisa e Yuri

16/02/2012 - 02h30

DE SÃO PAULO
O "BBB12" exibiu o casal Laisa e Yuri fazendo sexo no quarto do líder.
A imagem dos dois debaixo do edredon foi exibida para os telespectadores do pay per view e por alguns segundos para os assinantes da internet.
Laisa e Yuri faziam movimentos que claramente mostravam que os dois faziam sexo.
Pouco tempo depois, com o ato já terminado, Yuri comentou: "parece um sonho".
O casal havia deixado a festa pouco mais de meia hora antes.
O assunto logou tomou conta do Twitter, com os usuários do microblog comentando a intensidade da cena e criticando a atitude do casal.
Frederico Rozário/Divulgação TV Globo
Yuri e Laisa, os pombinhos do "BBB12"
Compartilhar:

sábado, 11 de fevereiro de 2012

TUDO POSSO NAQUELE ME FORTALECE (Subsídio EBD)

Por Gilson Barbosa



Os irmãos filipenses receberam a carta paulina por mãos de um obreiro chamado Epafrodito. Este havia sido enviado pela igreja local para levar donativos ao apóstolo encarcerado em Roma, conforme Filipenses 4.18: “Mas tenho tudo; tenho-o até em abundância; cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro suave, como sacrifício aceitável e aprazível a Deus”. Ele também devia informar Paulo acerca da igreja. De maneira geral a igreja ia bem, pois não é apresentado, na carta, algum tipo de problema que pudesse deixar o apóstolo triste ou preocupado – a não ser os casos comuns como perseguição, maus obreiros, talvez desentendimentos entre os irmãos.

A igreja estava preocupada com a situação do apóstolo, encarcerado, e desejava ter informações a respeito (leia Filipenses 1.12-26). Após fundação da igreja em Filipos (At 16.9,10) – a primeira em solo europeu – o apóstolo Paulo retornou a cidade em outras duas ocasiões (At 20.1-6; II Co 2.13). A igreja iniciara com a conversão de uma mulher – Lídia. Temos informações que ela era uma mulher de negócios, vendedora de púrpuras, e, que de alguma forma sua alma anelava conhecer mais a respeito do evangelho de nosso Senhor – talvez tivesse sido criada no paganismo. Tudo indica que era uma mulher bem sucedida no seu comércio, e isso antes de receber o genuíno evangelho. O comentarista William Hendriksen arrisca dizer que Lídia bem poderia ser dona de uma importadora de roupas ou tecidos, pois, a cidade natal dela – Tiatira – era o centro da indústria de roupas de púrpura.  

Foi também em Filipos que o apóstolo Paulo, junto com Silas, fora preso após expulsar um espírito adivinho (demoníaco) de uma jovem. Enquanto no Brasil aconteceu de um pregador da teologia da prosperidade ser preso (nos EUA) por esconder dinheiro ilegalmente dentro da Bíblia, os apóstolos foram presos por pregarem fielmente o evangelho de Cristo. Que enorme e gritante diferença! As acusações contra os apóstolos nada tinha a ver com corrupção ou tentativa de enganar a Receita Federal, mas de libertar, por meio de Cristo, “uma jovem que tinha um espírito adivinhador, e que, adivinhando, dava grande lucro a seus senhores” (At 16:16). Este fato lhes custou à tranquilidade, pois, foram arrastados à praça da cidade, e diante das autoridades e da multidão foram açoitados (At 16.19-22). Se as autoridades os expulsassem da cidade estava bom, mas, infligindo maior sofrimento ordenaram ao carcereiro que os colocasse na prisão e guardasse com toda a segurança. Causa-me impacto saber que Paulo e Silas não blasfemaram, reclamaram ou murmuraram, contra Deus, e nem decretaram, declararam ou fizeram confissão positiva acerca do livramento da prisão, mas, se puseram a orar e cantar. E para tanto, temos de ter uma “medida especial da graça de Deus”. O milagre sobrenatural Divino – a abertura da prisão após um terremoto – resultou na conversão do carcereiro e sua família (At 16.30-34).

Eis, nestas linhas acima, dois relatos importantes do início da igreja em Filipos. Tendo estabelecido a igreja, era imperativo o apóstolo cuidar dela em tudo - assim como fazia com as demais. Incapacitado de estar presente, pela prisão, o apóstolo procurava animar e fortalecer a fé e a alegria dos irmãos. Pessoalmente fortalece minha fé quando leio Paulo dizer aos irmãos o seguinte : que o que tinha acontecido (sua prisão e outros sofrimentos por causa do Evangelho de Cristo) contribuiu para o progresso do evangelho e que eles seriam estimulados no Senhor por “suas algemas” (1.12-14); o cristocentrismo de Paulo é evidente quando afirma que para ele o viver é Cristo e o morrer é lucro (1.21). A expressão o viver é Cristo significa derivar de Cristo sua força espiritual e até mesmo pessoal (4.13); ter a mente, os sentimentos e a humildade que Cristo teve (2.5-11); estar coberto pela justiça de Cristo (3.9); alegra-se Nele (3.1; 4.4); é viver para a glória Dele (II Co 5.15); descansar a fé em Cristo e amar-lhe em resposta de seu amor (Gl 2.20).

No capítulo 2 vemos o apóstolo incentivando os irmãos filipenses a viverem uma vida de unidade, humildade e solicitude:

- unidade: “completai o meu gozo, para que tenhais o mesmo modo de pensar, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, pensando a mesma coisa” Filipenses 2:2
- humildade: “nada façais por contenda ou por vanglória, mas com humildade cada um considere os outros superiores a si mesmo” Filipenses 2:3
- solicitude: “não olhe cada um somente para o que é seu, mas cada qual também para o que é dos outros” Filipenses 2:4

Paulo diz no versículo 2 que sua alegria só estaria completa se os irmãos praticassem estas três virtudes: unidade, humildade e solicitude. Apesar de a igreja filipense ser motivo de alegria e coroa do ministério apostólico de Paulo eles tinham de buscar as três virtudes acima expostas, pois não poderiam deixar que nenhum tipo de desentendimento ou desunião ocorresse entre eles. É o caso de duas valorosas obreiras do Senhor que foram alvos da exortação paulina: “Rogo a Evódia, e rogo a Síntique, que sintam o mesmo no Senhor” (Fp 4:2). É claro que até certo limite as diferenças pessoais, intelectuais, doutrinárias ou teológicas são aceitas, mas não devem minar a unidade, a humildade e a solicitude entre os irmãos em sua comunhão.

Na seção 5-11 (capítulo 2) temos o exemplo de Cristo na humilhação. Paulo deseja que os irmãos imitem a Cristo, pois, a essa é a regra. Concordo com o pensamento que devemos ter alguns dos nossos abnegados irmãos e irmãs, tementes a Deus, como uma referência para nossa vida, mas, isto deve ser exceção, não regra. Devemos ter em mente, também, que a situação e o contexto bíblico que estavam inseridos os irmãos, que servem de modelo para a nossa fé cristã, é outro (Hb 11.4-40; I Co 11.1; Fp 3.17). Por causa do cânon bíblico a posição dos homens e mulheres de Deus, nas Escrituras Sagradas, é singular e ímpar. A Bíblia nos convida a olharmos para Cristo: “Olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus” (Hb 12:2). Acerca disso a Bíblia de Estudo de Genebra anota neste texto:

A nuvem de testemunhas do Antigo Testamento nos inspira, porém o nosso encorajamento principal se encontra na pessoa e obra de Cristo, que nos precedeu como o “Autor e Consumador da Fé” e é exemplo supremo de fé na carreira.

Noutras palavras: Os irmãos deveriam buscar a humildade e praticá-la, pois no texto em questão, Cristo nos deu exemplo de que (Ele) para salvar outros, renunciou a si mesmo. Está na mente do apóstolo ainda os versículos 2-4 – que retrata algumas das virtudes cristãs. Havendo unidade, humildade e solicitude não haveria partidarismo, orgulho, conflitos, discórdias, exaltação humana. Parece ser esse quadro negativo o que acontece hoje em dia na maioria das igrejas. Por falta de unidade, humildade e solicitude, os obreiros-líderes estão naufragando em suas vocações ministeriais. Assim como Cristo se humilhou ao deixar o céu, da mesma forma como abriu mão de alguns dos seus atributos (não da sua Divindade), da mesma maneira como nunca pensava só em si mesmo, os filipenses – e nós hoje – deveriam imitá-lo. Até aqui nada da teologia da prosperidade. É caso de perguntar: Paulo pregava um evangelho de facilidades, sucesso, vitórias? Ele sabia desse método de pregação? Se sim, por que não fez uso dele para “abençoar” os crentes filipenses? Reflita.


Na seção 19-30 (capítulo 2) lemos que Paulo promete enviar Timóteo a Filipos o mais breve possível para ter conhecimento da situação dos irmãos. Ele espera enviar Timóteo antes que o pior aconteça (possivelmente sua morte) – note a expressão “espero no Senhor Jesus” (v.19). Porém, não obstante essa intenção, diz Paulo que julgou necessário mandar aos filipenses o irmão Epafrodito (v.25). Este era um líder espiritual na igreja de Filipos; estava agora com o apóstolo, mas, havia sido enviado pela igreja de Filipos para levar algum donativo a Paulo (4.18); porém, ao cumprir essa missão ficou gravemente enfermo (2.27,30). Pergunto: Por que Paulo não decretou a cura ao irmão Epafrodito? Por que não ensinou aos irmãos filipenses a inaceitabilidade de nenhum tipo de enfermidade, pois estas denotam falta de fé e espiritualidade? É lógico que o motivo é porque Paulo sabia que esse procedimento não fazia parte do fiel evangelho de nosso Senhor.

Preciso dar um salto textual e ir direto ao versículo que está sendo analisado nessa lição bíblica – Filipenses 4.13. Todo o estudante, iniciante de teologia, sabe – se não, logo saberá – que para interpretarmos fielmente um texto bíblico temos de analisar o contexto em que está inserido determinado versículo. O contexto pode ser imediato ou geral. Olhando para o contexto apenas da carta, aos filipenses, não temos nenhuma evidencia ou indicação de que Paulo acredita num ensino semelhante ao evangelho da prosperidade. Por que então o versículo 13, do capítulo 4, poderia ensinar esse tipo de teologia?  

A partir do versículo 10 (capítulo 4) o apóstolo Paulo agradece o donativo enviado pela igreja e se alegra da generosidade deles: “Ora, muito me regozijei no Senhor por finalmente reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade”. Os irmãos filipenses, de fato, eram muito solícitos:

Como vocês sabem, filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja partilhou comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês; pois, estando eu em Tessalônica, vocês me mandaram ajuda, não apenas uma vez, mas duas, quando tive necessidade. Filipenses 4:15,16

Alguns veem na expressão de Paulo, “não estou dizendo isso porque esteja necessitado” Fp 4:11, um motivo que respalda a pregação da prosperidade, pois, ele não tinha necessidade de nada. Mas, na verdade, o versículo quer dizer (e diz) que a verdadeira razão e alegria de Paulo não estão no fato de que suas necessidades materiais estão sendo satisfeitas. Ao contrário, apesar das circunstancias, ele está satisfeito. O contentamento dele está na experiência da sua conversão, e, as provações, por amor a Cristo, tinham proporcionado a ele grandes lições e maturidade espiritual. Por isso podia dizer:

Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Filipenses 4:12

Paulo está ciente das lutas, provações, dificuldades, mas, apesar disso está contente. Porém, a fonte desse contentamento não é sua condição financeira, a saúde do corpo, a vida mansa (nada disso estava acontecendo com ele), mas, é Cristo. Ele diz que sabia passar por necessidades (II Co 11.27), ou seja, fome, sede, jejuns, frio, nudez, sofrimentos físicos, tortura mental, perseguição; e sabia padecer necessidades, ou seja, em muitas ocasiões ele não tinha nem o necessário; faltava-lhe muitas coisas, mas, nenhuma dessas ausências lhe privou de contentamento. Possuía uma fé firme, inabalável e convicta.    A grande mazela da pregação da teologia da prosperidade é produzir crentes fracos, inconstantes, infiéis, reclamadores, sem convicção.

Então Paulo irrompe num grandioso louvor: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13). A graça de Cristo é suficiente a ele (II Co 12.10), pois, o Senhor está ao seu lado (II Tm 4.17). Cristo, para ele, é a fonte de ânimo e vigor: “Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte” (2 Co 12:10).  

A expressão tudo posso, do versículo 13, não deve ser entendido como se fosse tenho tudo e também nada tem a ver com saúde física ou prosperidade financeira. O que deve ser entendido é que sob quaisquer circunstancias, tanto gerais como particulares, Paulo havia aprendido o “segredo” do contentamento. É isso que os crentes devem saber também hoje.

É claro que o crente pode confiar no cuidado e na provisão de Deus. O versículo 19 (cap. 4) diz: “O meu Deus suprirá todas as necessidades de vocês, de acordo com as suas gloriosas riquezas em Cristo Jesus”. Paulo havia experimentado esse amoroso cuidado de Deus em seu ministério: “Mas o Senhor permaneceu ao meu lado e me deu forças, para que por mim a mensagem fosse plenamente proclamada, e todos os gentios a ouvissem. E eu fui libertado da boca do leão” (2 Tm 4:17). O que está declarado nesse texto é a provisão Divina e que ela não é automática ou autônoma, mas, em Cristo. Das muitas maneiras que Deus demonstrava cuidado pessoal com o apóstolo Paulo, uma, foi comover os irmãos filipenses a  abençoarem sua vida enviando donativos a ele. Isso não significa que não seremos privados de alguma coisa nesta vida, mas, que Deus soberanamente está cuidando de nós.

A Ele a glória!

Em Cristo,


Compartilhar:

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A PROSPERIDADE DOS BEM-AVENTURADOS (Subsidio EBD)


Por Gilson Barbosa


Jesus apresentou aos judeus o governo de Deus. Obviamente eles consideraram um absurdo, pois, inconformados com a escravidão e jugo estrangeiro esperavam que o Messias, vaticinado pelos profetas, os libertasse e expulsasse da sua terra os intrusos invasores; isso traria um sentimento de justiça e liberdade nacional. Porém, quão grande foi à decepção quando Jesus clarificou, a eles, que seu objetivo não era político, mas espiritual.

O autor Lucas informa seus leitores sobre um episódio onde os fariseus indagam Jesus sobre o tempo da implantação do reino de Deus. Eles aguardavam um reino temporal, visível, físico, exterior. Talvez esperassem que Jesus, num momento propício, empunharia armas, reuniria seus seguidores, e montado num vigoroso cavalo anunciaria que o tempo do reinado de Deus havia chegado, e, portanto, deveriam subjugar os romanos. Centenas de anos antes, alguns entre os judeus, haviam decidido não aceitar o jugo sírio sobre a Palestina, no tempo do general Antíoco Epifânio. Este afrontou os judeus, seu modo de vida e sua religião, o que resultou na revolta dos macabeus:

Judas Macabeu encabeçou uma campanha de guerrilhas de extraordinário sucesso, até que os judeus se viram capazes de derrotar os sírios em campo de batalha regular. A Revolta dos Macabeus, entretanto, foi também uma guerra civil deflagrada entre os judeus pró-helenistas e anti-helenistas. O conflito prosseguiu mesmo após a morte de Antíoco Epifânio (163 a.C.). Finalmente, os Macabeus recuperaram a liberdade religiosa, consagraram novamente o templo, conquistaram a Palestina e expeliram as tropas sírias da cidadela que ocupavam em Jerusalém. (Panorama do Novo Testamento – Robert H. Gundry)

O contexto histórico motivavam os judeus a esperarem um libertador do jugo estrangeiro, porém, a resposta de Jesus, quando indagado acerca do tempo de liberdade e do governo de Deus, indicou que possuíam um conceito errado acerca da natureza do reino de Deus, pois este era essencialmente espiritual.

E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o reino de Deus está entre vós. (Lc 17.20,21)

Nesta lição bíblica, trataremos sobre a natureza ou o caráter dos cidadãos do reino de Deus. Mas, antes, é importante que o leitor entenda o significado do governo de Deus: seu reinado nos corações e nas vidas das pessoas. Porém, por causa do alto conceito das leis deste reino e do seu caráter essencialmente espiritual, penso que ninguém conseguirá atender e cumprir as exigências sem primeiro passar pelo processo da regeneração (Jo 3.3,5). Para tanto, é importante iniciarmos o assunto buscando entender a quem se destina e aplica o Sermão do Monte.

O Sermão do Monte é o primeiro dos cinco grandes blocos do ensino de Jesus em Mateus. É a afirmação clássica da ética do reino de Deus. A igreja primitiva favoreceu uma interpretação literal, porém aplica integralmente o sermão apenas a classes especiais de cristãos, especialmente monásticos. Outros, tais como os anabatistas, tem tentado aplica-lo literalmente a todos os cristãos. Ainda outros o têm considerado como legalista, como um código temporário ou provisório, ou como uma forma realçada da lei de Moisés, com o objetivo de induzir ao arrependimento (Lutero). Finalmente, alguns têm arguido que as exigências do Sermão, não devem ser entendidas literalmente, mas que Jesus mais preocupado com a disposição interior do que com a conduta exterior, ou que a sinceridade do Sermão intentava quaisquer compelir ouvintes a uma decisão a favor ou contra as exigências de Deus sobre suas vidas. (Bíblia de Estudo de Genebra)

Note, leitor, que as exigências do Sermão do Monte são tão valiosas espiritualmente, que houve sempre uma tentativa humana de evadir seus ensinos oferecendo conceitos e destinatários diversos. No entanto, devemos certificar que o Sermão do Monte é administrado através dos discípulos originais de Cristo a toda a Igreja de hoje; o contexto bíblico geral comprova isso. Desta forma, os pregadores da Teologia da Prosperidade deveriam ensinar seus adeptos sobre o caráter dos cidadãos do reino de Deus. Desconfio que esse tipo de pregação não lhes interessa.

AS BEM-AVENTURANÇAS

No presente texto bíblico (Mt 5.1-11) são nove as bem-aventuranças. A pregação de Jesus esclarece que seus seguidores serão muito mais que felizes se obedecerem às normas do reino. Para os judeus, felizes eram os ricos (assim como aos adeptos da Teologia da Prosperidade), os bem-humorados, os bem-alimentados, os que não sofriam nenhum tipo de opressão, os que sabiam reivindicar seus direitos, mas, o coração governado de Deus não se confia nessas coisas, pois sabe que elas são temporais, passageiras e não podem satisfazer a sede da alma. Ao reprovar a avareza Jesus contou uma parábola, em Lucas 12.13-21, sobre o excessivo cuidado temporal que dispunha certo homem. Ele concluiu o ensino demonstrando que a preocupação com a vida eterna deve ser prioridade: “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”.

A primeira bem-aventurança (5.3) ensina que são mais dos que felizes os pobres de espírito. A tradução Almeida Atualizada traz humildes de espírito; já outra (tradução) verte os pobres em espírito. Prefiro a ultima tradução, pois está mais em conformidade com o ensino espiritual a respeito de ser pobre. Observa que o texto não diz que bem-aventurados são os pobres, mas, os pobres em espírito. A pobreza diz respeito ao aspecto espiritual dos crentes: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” João 4:24. Uma ilustração que podemos usar está em Lucas 18.9-14, na parábola do fariseu e do publicano. O fariseu se considerava mais espiritual (orgulho espiritual) do que os demais, e nesse caso bíblico depreciava o outro que nem mesmo “ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’”. O publicano (cobrador de impostos) reconhecia sua insuficiência e dependência de Deus, pois sabia da sua natureza pecaminosa. O fariseu habituado com as prescrições legais confiava que era merecedor diante de Deus. Dos 10 mandamentos bíblicos, somos informados que, os judeus acrescentaram mais 608 perfazendo um total de 618 mandamentos. Eles procuravam seguir a risca os mandamentos e praticá-los dava uma sensação de dever cumprido.

Assim são muitos crentes hoje em dia que pensam serem merecedores das bênçãos Divinas somente porque obedecem “as normas da igreja”. Jesus comprova que o fariseu não possuía mérito diante de Deus por observar os mandamentos. Para Deus, mais importante do que a execução das leis do Seu reino é a atitude íntima e pessoal do crente. Assim, a conclusão é que são bem-aventurados os pobres em espírito, os que entendem necessitarem espiritualmente de Deus, os que não confiam em si mesmos, os que se humilham diante da grandeza de Deus e, a eles pertencem o reino dos céus. Esta, não parece em nada com a atitude dos pregadores e dos adeptos da Teologia da Prosperidade.

A segunda bem-aventurança diz respeito aos que choram. Parece estanho esse ensino, mas, precisamos compreendê-lo a luz do versículo anterior, acerca dos pobres em espírito. Não se trata aqui do choro devido às necessidades físicas e terrenas. É verdade que os que servem a Deus, assim como os que não servem, passam pelas mesmas dificuldades nesta vida e por vezes nos lamentamos e choramos. Mas, a ligação lógica do sermão de Jesus, e, por conseguinte a ligação textual do escritor Mateus, comprova que os pobres em espírito choram por reconhecerem seu estado pecaminoso diante da santidade Divina. Choram por verem a impiedade social, pelas transgressões pessoais, pela opressão civil, pela corrupção generalizada que grassa nossa sociedade, pela depravação humana. O apóstolo Paulo reconhecendo a potencialidade do pecado exclamou o seguinte: “Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Rm 7:23,24. O choro dos bem-aventurados refere-se a um tipo de pranto em reconhecimento face a nossa natureza pecaminosa que batalha contra o espírito. A bem-aventurança consiste em que os que choram serão consolados. O consolo do regenerado em Cristo é que tanto na vida quanto na morte não pertencemos a nós mesmos, mas ao nosso Fiel Salvador: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” Gl 2.20.  

A terceira bem-aventurança refere-se aos mansos. Contudo, este caráter do cidadão dos céus não deve ser confundido com uma atitude de fraqueza, debilidade, conformismo. Conforme o ensino de Cristo, ela significa “submissão ante qualquer provação, a disposição de sofrer dano ao invés de causá-lo”. Trata-se daquele que mesmo sabendo dos seus direitos civis, por exemplo, “abre mão” deles a fim de não oprimir seu próximo. O manso “é a pessoa que não se ressente, não guarda rancor. Longe de seguir ruminando as injúrias recebidas, ela encontra seu refúgio no Senhor e confia-lhe inteiramente o seu caminho”. Precisamos de mansidão em diversos segmentos da vida: no trabalho, no trânsito, na escola, com o cônjuge, com os filhos, no relacionamento profissional e comercial, entre outros. O manso é aquele que também deve ser pobre em espírito, pois enquanto esta designação descreve como o homem deve ser em si mesmo, aquela, o retrata mais especialmente em sua relação com Deus e com seu semelhante. A bem-aventurança consiste em que herdarão a terra. Esta herança não deve ser entendida somente no sentido escatológico - como o paraíso na terra, segundo entendem as Testemunhas de Jeová. A herança tem sentido espiritual, pois evidencia que os mansos são bem sucedidos espiritualmente e até mesmo socialmente na sua interação com o próximo – de certa maneira é isso que significa “herdar a terra”.

A quarta bem-aventurança trata dos famintos e sedentos de justiça. O primeiro sentido de “justiça”, no Sermão de Cristo, é de caráter forense; o segundo possui caráter ético. O primeiro sentido de justiça trata da conformação humana às leis espirituais de Deus. Nossas obras, sem primeiro ser regenerado por Cristo, não servem para nada: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam” Is 64:6. Nenhum cerimonial, ou ritual religioso, pode purificar os nossos pecados: “Por isso, ainda que te laves com salitre, e amontoes sabão, a tua iniqüidade está gravada diante de mim, diz o Senhor DEUS” Jr 2:22.  A situação humana é irremediável diante de Deus. É imprescindível o arrependimento dos pecados e a confiança na obra salvadora de Cristo, na cruz do Calvário: “E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” At 16:30, 31.

Muitos preferem crer e encontrar sua “justiça” nas forças ocultas. No Brasil, por exemplo, o dia 02 de fevereiro é considerado pelos baianos um dia de se fazer homenagens a Iemanjá – tida por seus adeptos como “rainha das águas”. Mas as pessoas continuam nos seus pecados e ignoram que a “justiça” proporcionada por Deus é salutar e imprescindível à vida eterna: “Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto” Sl 32:1.

No sentido ético, os famintos e sedentos por justiça anseiam que a sociedade seja mais humana e justa, que os juízes julguem adequadamente, que os políticos não se corrompam, que não haja tanta violência, que as pessoas se libertem dos vícios destruidores, que os miseravelmente pobres tenham pelo menos as condições básicas para sobreviver. Mas isso é algo que só será uma realidade se as pessoas forem regeneradas por Cristo, no entanto, os cidadãos do reino se entristecem por tanta injustiça social e anseiam por uma sociedade relativamente melhor. Os que assim desejam, serão saciados. Este estado de saciedade, entretanto, refere-se ao caráter forense de justiça, ou seja, os méritos de Cristo são imputados aos que não confiam na sua própria justiça.  

A quinta bem-aventurança refere-se aos misericordiosos. Segundo certa definição “misericórdia é amor demonstrado em favor de quem vive em desgraça, e um espírito perdoador para com o pecador”. A ilustração da parábola do Bom Samaritano, em Lucas 10, exemplifica o primeiro caso. Jesus decepcionou o intérprete da lei quando lhe disse que, para herdar a vida eterna, além de amar a Deus sobre todas as coisas deveria amar a seu próximo como amava a si próprio. Jesus desfaz seu entendimento de que se próximo era apenas alguém natural da sua nação, mas todo aquele que necessitar de ajuda, inclusive alguém odiado por ele. Ele não podia acreditar no que Jesus acabara de lhe ensinar, quando lhe disse para fazer ao seu próximo o mesmo que o samaritano fez a um judeu ferido.  A parábola do credor incompassível ilustra o segundo caso (Leia Mateus 18.23-35):

Os que conhecem a misericórdia de Deus devem agir segundo o principio da misericórdia. Se não mostrarem misericórdia, mas insistir na justiça, não receberão misericórdia, mas justiça. Um coração que não perdoa é um coração não perdoado, e está sujeito ao tormento até que pague toda a dívida. Um coração verdadeiramente perdoado é resultado do nascimento espiritual (Jo 3.3). Bíblia de Estudo de Genebra

A sexta bem-aventurança trata dos que possuem coração puro. Não devemos entender os limpos de coração como se fossem as pessoas sinceras, honestas, boas. Até mesmo porque, estas, continuam sendo essencialmente pecadoras diante de Deus e sua pureza de coração não representa o tipo ensinado por Jesus. Conforme o comentarista bíblico William Hendriksen é “evidente que a bênção da sexta bem-aventurança não é pronunciada indiscriminadamente sobre todos quantos são sinceros, mas, antes, sobre aqueles que, em sua adoração ao Deus verdadeiro, em consonância com a verdade revelada em sua Palavra, se empenham sem hipocrisia para agradá-lo e glorifica-lo”. A bem-aventurança consiste em que “verão a Deus”. Esta visão de Deus é a percepção do Ser de Deus e dos seus atributos, é o deleite Nele, é a esperança de que um dia O verão “face a face”: “Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido” 1 Co 13:12.

A sétima bem-aventurança diz respeito aos pacificadores. Os pacificadores são os que receberam a reconciliação em Deus, por meio da cruz de Cristo, agora, buscam serem instrumentos de Deus para oferecer ao mundo tanto a paz espiritual quanto uma paz social. É claro que no contexto bíblico trata-se de paz espiritual, pois na verdade a possibilidade da paz social seria decorrente da paz espiritual, proporcionado pela morte de Cristo na cruz do Calvário: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” Jo 14:27. Alguém poderia indagar que, segundo o próprio Jesus disse em Mateus 10.34-36, sua vinda não seria assim tão pacífica. Mas, esta situação não é por culpa de Cristo, e, sim do homem.  Por desejarem a pacificação, a bem-aventurança consiste em que serão filhos de Deus, no sentido que “penetraram na própria esfera de atuação de Deus”.

Infelizmente, para não me tornar enfadonho demais ou  desnecessariamente prolixo, deixarei de comentar sobre as outras duas bem-aventuranças, expostas nos versículos 10 e 11 de Mateus 5. Porém, sugiro a leitura do excelente livro Sermão do Monte, do autor Martyn Lloyd-Jones, que servirá como fonte de conhecimento e edificação espiritual.

Para encerrar: pergunto aos teólogos da prosperidade se teriam coragem de pregar o Sermão do Monte aos seus adeptos, visto que ele contraria os propósitos materiais deles, mas, faz parte de todo o conselho de Deus.

Que o Senhor nos ajude a termos caráter de quem tem Deus governando verdadeiramente nos corações e na vida.  

Em Cristo,
Compartilhar:
←  Anterior Proxima  → Inicio