sexta-feira, 31 de agosto de 2012

OS MALES INTRATÁVEIS


NOTA: A natureza humana é inclinada ao pecado, desde a Queda de Adão. Mas, alguns teimam em atribuir absolutamente ao Diabo todas as mazelas, destituindo o ser humano das suas  responsabilidades. Outros dizem que o ser humano peca por socialização e assim o problema está, por exemplo, essencialmente no poder, no dinheiro, no sexo. Este pensamento não é certo. O pequeno texto abaixo foi escrita por uma pessoa que não é evangélica, mas, entende bem a natureza humana. 


Ana Cláudia Fossen*

Sempre quando estou em uma roda de amigos sou questionada sobre os possíveis tratamentos para a perversidade humana. O desvio de caráter estrutural não tem tratamento, pois sabemos que psicopatas, que acabam por cometer crimes chocantes, devem ser afastados do convívio social.

Não obstante, o que fazemos quando essa perversidade, ainda que em seus traços mais leves, aparece no nosso dia a dia? A picaretagem, a falta de ética profissional e conjugal, o jeitinho brasileiro, a politicagem são bons exemplos do que da maldade pode ser aceita na cultura. Infelizmente, em um país como o Brasil observamos uma cultura que incentiva essas características.

Casais que se separam por uma traição, puxadas de tapete no trabalho, vendedores inescrupulosos, subornos, propinas são apenas pequenos exemplos de que estamos pensando mal o rumo que queremos dar à perversidade que nos caracteriza.

Será que nos acostumamos, delirantemente, a achar que o mal não nos cerca e por isso não devemos nos preocupar com ele? Achamos inglória a batalha por uma sociedade melhor? É esperado, então, ver uma família desfeita porque em um momento de impulso se decidiu ter um caso com um companheiro de trabalho? Pode-se considerar comum que um funcionário peça propina para fazer aquilo pelo qual ele é pago para fazer? Deve-se considerar ético que um colega de trabalho lhe “passe a perna”, pois o seu ramo de negócios é agressivo? As injustiças e os sofrimentos humanos se tomaram tema de ficção e não mais, parte de nossas vidas.

Essa é a mais triste das realidades. E a culpa disso, caros leitores, não é do Capitalismo nem do Diabo. É nossa, exclusivamente nossa, toda a responsabilidade.

Esquecemos que uma sociedade com valores mais justos, forma naturalmente homens mais éticos.

Ana Claudia Fossen, psicanalista, escreve quinzenalmente às sextas feiras no Jornal Bom Dia, Jundiaí – SP.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A REALIDADE DA UNIÃO ESTÁVEL NO AMBITO DA IGREJA

 
Por Gilson Barbosa

Alguém perguntou qual o procedimento da igreja a respeito do batismo em águas, participação na ceia e atividades litúrgicas da igreja, no caso de uma pessoa que vive em união estável. O assunto pode ser polêmico, mas antes temos de considerar alguns pontos.

O primeiro é que pressupõem que as pessoas (homem e mulher; não me refiro as poliafetivas nem homossexuais) não sejam casadas legalmente e se uniram apenas pelos laços de afetividade sem buscarem legalizar civilmente a união. O segundo subentende que são pessoas que na ocasião da união afetiva não eram crentes salvos (mas que após certo tempo juntos um deles se converteu ao Senhor). O terceiro é a hipótese de uma das partes não se simpatizarem pela união legal e forçosamente não aderirem a ela. O quarto é que mesmo não sendo casados civilmente, vivem e convivem em mútuo respeito e amor. O quinto são as implicações negativas dentro do âmbito da igreja quando a direção nega a parte convertida o batismo em águas (consequentemente a participação da ceia) e em algumas denominações a participação em grupos de louvor ou assumir algumas responsabilidades de liderança.

Sabemos que dentro do judaísmo este assunto não poderia ser discutido porque a comunidade judaica professava uma fé num Deus único e com regras bem definidas por Ele. Uma delas é a de que os casamentos mistos (um judeu com estrangeiro) deveriam ser evitados: “não darás tuas filhas a seus filhos, e não tomarás suas filhas para teus filhos; Pois fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do Senhor se acenderia contra vós, e depressa vos consumiria” (Deuteronômio 7:3).

Dentro da comunidade gentílica o apóstolo Paulo discutiu o assunto com os crentes coríntios (I Coríntios 7). A questão era como dirimir as dúvidas a respeito de um cônjuge receber e professar a Cristo e continuar casado com a  outra parte não convertido a fé cristã. Ele deveria se separar?

Temos indicações de que os casamentos nas comunidades pagãs não necessariamente eram firmados pelas leis civis das suas nações, mas poderiam muito bem se tratar de uniões estáveis. Apesar de o texto tratar da impossibilidade do divórcio o assunto também passa pela questão da validade do casamento quando um dos cônjuges não se converte a Cristo.

Entendo que para Deus não é a lei civil que autentica uma união matrimonial, mas Seu próprio mandamento neste assunto. Note bem, não me refiro à questão de pessoas que são crentes e que não se casam no civil, mas as que na ocasião nao eram crentes e uniram afetivamente. Penso que não é a lei civil que sacramenta o casamento, mas a lei de Deus. O Senhor disse já em Genesis 2:24 (portanto, anterior à lei de Moisés): “E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher: e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne: esta será chamada varoa, porquanto do varão foi tomada. Portanto deixará o varão o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne”.  

Sei que a regra cultural é casar primeiro no civil, e depois no religioso. Mas, não vejo que essa seja a regra Divina. Entendo que é necessário ser assim para a estruturação do casamento dentro da esfera econômica, judicial, social e organizacional. É necessário amparar-se nos aspectos objetivos legais para a manutenção do bem estar dos cônjuges bem como dos filhos vindos da união matrimonial. Porém, numa certa perspectiva a união estável não significa que seja totalmente ilegítima, pois, o Senhor Jesus havia dito que ninguém separasse o que Deus uniu (Mateus 19:6). O que Deus une não é necessariamente uma determinada pessoa com outra, mas sim, homem e mulher (Mateus 19:4) em matrimônio. A importância está no matrimônio e não diretamente nas pessoas ou na questão legal.

Num outro aspecto, a lei civil até mesmo prejudica os valores absolutos morais do Senhor Deus e quando isso acontece como salvos nos opomos a ela. Recentemente os jornais informaram que um cartório na cidade de Tupã (435 km de São Paulo) regularizou e estabeleceu as mesmas regras atribuídas ao casamento à união afetiva de duas mulheres e um homem. Estou querendo dizer que as leis humanas não validam nem sobrepõem às leis de Deus, e sendo assim, mesmo que determinadas pessoas vivam em união estável não podemos discriminá-las e sobrecarregá-las de culpa quando uma delas recebe a Cristo em sua vida.




Não quero ser mal interpretado. Estou apenas dando minha opinião neste assunto. Sei casos de mulheres cujos maridos não quiseram em hipótese alguma casar no civil e que ao se converterem a Cristo depois de certo tempo, foram proibidas de se batizarem e participarem em alguma atividade na igreja local. Não estou indo contra o casamento civil nem a favor da união estável, mas apenas refletindo que cada caso deve ser tratado tendo em vista o pluralismo existencial humano e a realidade contemporânea.

Meu parecer é que a pessoa em união estável, convertida a Cristo, cujo cônjuge insiste forçosamente em não formalizar o matrimonio em cartório, não seja privada do batismo em águas, da ceia, e da participação em atividades da sua igreja local. Sei que o assunto é polêmico e estou aberto a rever minha posição caso alguém prove escrituristicamente que não deve ser assim. Espero suas contribuições comentando o tema ou enviando e-mails.

Em Cristo,

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A ANGÚSTIA DAS DÍVIDAS (Subsidio EBD)


Por Gilson Barbosa

Estudaremos neste domingo (26/08) sobre cuidados que devemos ter com as dívidas e as implicações advindas delas. Mesmo com planejamento, disciplina e boa administração, as necessidades (o que preciso) são maiores do que os recursos (o que ganho). Notícias informam que o Brasil é o quarto país mais desigual em distribuição de renda da América Latina e Caribe. Isso significa pobreza mais acentuada e consequentemente mais dívidas. 
   
As dívidas podem ser previsíveis ou imprevisíveis. Suas causas são diversas: desemprego, falta de controle nos gastos, atraso de salário, redução de renda, aumento de despesas, doenças, consumismo, cartão de crédito, empréstimos a altos juros, dentre outras. O Jornal Hoje, em 16/08/2012, informou que quase 50% das famílias brasileiras comprometem o salário com dívidas. Desta forma fica muito difícil honrar um contrato realizado.   
  
A falta de observância de um contrato, parcial ou integral, é denominada de inadimplência – é quando a pessoa não consegue saldar suas dívidas. Os especialistas listam pelo menos sete consequências da inadimplência: nome inscrito em cadastros de restrição ao crédito como o SPC e Serasa, crédito restrito, juros sobre a dívida, ações judiciais e extrajudiciais, retomada do bem adquirido, penhora de bens e cobrança do avalista (no caso de haver avalista).

Tudo isso que foi relatado acima potencializa e realiza a angústia, preocupação e desespero nas pessoas. Lembro-me do momento de crise que passava uma viúva nos dias do profeta Eliseu. Diz o texto sagrado:

E UMA mulher das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Meu marido, teu servo, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao Senhor; e veio o credor, a levar-me os meus dois filhos para serem servos. (II Reis 4:1).

A mulher testemunhou com conhecimento do próprio profeta que seu marido “temia ao Senhor”, e que vindo a falecer deixou uma dívida para a família, a qual não tinha recursos para pagá-la. Não temos a informação bíblica de como aquele homem contraiu a dívida. Alguns dizem que este homem deveria ter poupado as economias para os momentos de crise. Não ouso julgá-lo como irresponsável por deixar a família numa situação precária e tensa. Caso ele fosse um agricultor e estivesse enfrentando a estiagem, por exemplo, como saldaria a dívida? Será que não poderia ter saldado sua dívida se não houvesse falecido? Como poderia quitar sua dívida se sua renda tivesse diminuído? Se se ele estivesse “desempregado”?

Se não fosse a provisão Divina a viúva teria perdido seus dois filhos, pois segundo o costume da época para compensar uma dívida seus filhos poderiam se tornar escravos (leia Êxodo 21:2-7). Nos dias de Neemias (5:1-5) houve a necessidade de alguns entre o povo hipotecarem suas casas para conseguirem empréstimo de dinheiro e até mesmo sujeitarem seus filhos à escravidão, para comprar alimento:

Foi grande, porém, o clamor do povo e de suas mulheres contra os judeus, seus irmãos.

Porque havia os que diziam: Somos muitos, nós, nossos filhos e nossas filhas; que se nos dê trigo, para que comamos e vivamos.

Também houve os que diziam: As nossas terras, as nossas vinhas e as nossas casas hipotecamos para tomarmos trigo nesta fome.

Houve ainda os que diziam: Tomamos dinheiro emprestado até para o tributo do rei, sobre as nossas terras e as nossas vinhas.

No entanto, nós somos da mesma carne como eles, e nossos filhos são tão bons como os deles; e eis que sujeitamos nossos filhos e nossas filhas para serem escravos, algumas de nossas filhas já estão reduzidas à escravidão. Não está em nosso poder evitá-lo; pois os nossos campos e as nossas vinhas já são de outros.

Em nossos dias contrair dívidas e não conseguir pagá-las não nos sujeitará a escravidão, mas, da mesma forma trará desconforto, angústia e muita dor de cabeça. O comentarista da lição deixa claro que devemos nos preocupar em tomar algumas medidas, como por exemplo: o planejamento nas contas, a disciplina nos gastos, cuidados com o consumismo desenfreado, uso consciente do cartão de crédito e cheques, entre outras.

Quanto aos imprudentes nos gastos e acumuladores de dívidas vale o conselho do apóstolo Paulo aos tessalonicenses em sua primeira carta (6:7-12): “Porque nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele”. Em outras palavras não devemos nos concentrar demasiadamente nas questões materiais. É como Jó disse: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o SENHOR o deu, e o SENHOR o tomou: bendito seja o nome do SENHOR” (Jó 1:21). Se há condições de protelar a compra de um bem, por que contrair uma dívida desnecessária? Havendo condições de passar sem comprar algo, que não posso adquirir, por que contrair mais dívidas ainda?

Mas, e quem está endividado e precisa sair da inadimplência? Os especialistas aconselham:

- Assuma que você tem um problema. Quem não se conscientizar disto não empreendera esforços para solucionar a questão das dívidas;

- Liste todas as suas despesas (água, luz, telefone, alimentação e outros) e verifique quais são as suas dívidas (cartão de crédito, cheque especial, financiamentos, lojas, cheques sem fundos, condomínio e outros);

- Elabore um orçamento bem enxuto, porém realista. Isso equivale a listar todas as receitas e despesas realmente essenciais. Corte supérfluos e reduza despesas. São despesas que você pode ficar sem por um período de tempo. Faça as contas e veja qual a disponibilidade para pagamento;

- Priorize as dívidas “mais caras”. As dívidas que possuem as maiores taxas de juros devem ser negociadas prioritariamente;

- Não contraia novas dívidas;

- Cultive bons hábitos, saia de casa com o dinheiro “contado”;

- Cancele o cheque especial e se possível não use cartão de crédito.

Há os que se endividaram devido aos momentos de crises (que são imprevisíveis) e não conseguiram honrar seus compromissos financeiros. Esses não devem se desesperar; confiem no Senhor. Ele sabe por que estás nessa situação. Como anota o comentarista da lição “Deus está vendo a sua aflição, não desanime, pois o socorro vem do Senhor”.  

Sejamos sábios em nossas finanças e que o Senhor nos ajude!

Em Cristo,

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O CRISTÃO E A POLÍTICA

Por Gilson Barbosa

Não adianta ter asco da política, ela é necessária para a boa condução social. Imagine um mundo onde todos mandassem em tudo ou ninguém mandasse em nada, na esfera social? Certamente isso seria o caos! É salutar á sociedade possuir uma hierarquia política que a organize de maneira que todos os setores sociais funcionem adequadamente. Revoltar-se contra o sistema vigente e sugerir a anarquia não é certo.

Por causa da corrupção de alguns dos nossos políticos, alguém, insensatamente, tem sugerido acabar com a política. É mesmo a coisa de acabar com o futebol por causa das brigas de torcida ou eliminar os carros por causa de acidentes. Absurdo! Se as coisas não funcionam muito bem como são, imagine sem ela. Pensar assim é aderir ao anarquismo.

O anarquismo é definido como “uma doutrina (conjunto de princípios políticos, sociais e culturais) que defende o fim de qualquer forma de autoridade e dominação (política, econômica, social e religiosa). Em resumo, os anarquistas defendem uma sociedade baseada na liberdade total, porém responsável. O anarquismo é contrário a existência de governo, polícia, casamento, escola tradicional e qualquer tipo de instituição que envolva relação de autoridade. Defendem também o fim do sistema capitalista, da propriedade privada e do Estado”.

Queira ou não, gostemos ou não, temos nos submeter às hierarquias constituídas nos sistemas políticos, religiosos, econômicos e sociais. Dentro do próprio âmbito divino o Senhor estabeleceu a hierarquia como forma de autoridade e organização. Pense na organização angélica. Quando Deus criou os anjos ele estabeleceu uma ordem: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” (Colossenses 1:16).

Pois bem, o Senhor deixou também leis onde as sociedades civis pudessem se organizar de maneira que a ordem pudesse ser estabelecida e desejada como ideal. Israel era apenas um povo escravizado no Egito, mas, após sua saída receberam preceitos, mandamentos, leis, para que não se extinguisse e tivesse característica de nação. Deus não estabeleceu apenas a lei moral. A partir de Êxodo 21:1 ao 23:33, o Senhor especifica a lei civil ao seu povo: “Estes são os estatutos que lhes proporás”. No sistema de governo original Deus era o regente: teocracia. O povo respondeu positivamente a esse tipo de comando: “Veio, pois, Moisés, e contou ao povo todas as palavras do SENHOR, e todos os estatutos; então o povo respondeu a uma voz, e disse: Todas as palavras, que o SENHOR tem falado, faremos” (Êxodo 24:3). As dificuldades de Samuel em atender as questões sociais (I Samuel 17:15,16) emergiu no povo o desejo de ter um governante que prontamente os atendessem: “E disseram-lhe: Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações” (I Samuel 8:5). A partir deste momento é instituída a monarquia com todas as suas formas.

O certo é que a política desde cedo está presente em nossa vida. Ela é a arte de bem governar. Em si mesma é extremamente relevante e útil. O vocábulo política vem da língua grega, polis, “cidade” e o conceito predominante é a busca constante da conduta ideal na esfera municipal, estadual e federal. Dizer que a política é do Diabo e relegá-la não faz sentido. A atitude sensata nos orienta a buscarmos informações, pesquisar, e agir com sabedoria nessa área. Somos influenciados direta e indiretamente pela política, pois fazemos parte da sociedade que é fragmentada em diversos setores. Como fazer de conta que o tipo de política dos que estão no comando não é extensivo a nós?  

Alguns podem objetar que pelo menos os crentes não deveriam se envolver com política. Mas, os mesmos defendem a participação em outros tipos de segmentos que também pode não ser tão ético (?) ou recomendável. Temos que entender que o mal não reside propriamente nas coisas, mas na natureza humana inclinada ao pecado. Alguns crentes defendem a ideia de que o conforto social traz mornidão espiritual, o dinheiro e o poder corrompem, é pecado o crente usufruir de lazer, mas nada dizem que a raiz do problema é o estado de depravação que atingiu todas as pessoas pela Queda no Éden. O apóstolo Paulo esclarece que não tornaremos impuros simplesmente pelo convívio com pessoas que não possuem o mesmo procedimento santo e piedoso que devem ter os eleitos do Senhor: “Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo” (I Coríntios 5:9, 10).

Outros pensam que somos apenas cidadãos do céu: “Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Filipenses 3:20). É verdade que neste mundo somos peregrinos e forasteiros (Hebreus 11:13) e que não temos permanência neste mundo: “Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hebreus 13:14). Entretanto, como cidadãos deste mundo devemos cumprir nossas obrigações, já que somos, fomos e estamos inseridos nesse grande processo de construção social.  Jesus reconheceu a autoridade política do imperador quando respondeu aos inquiridores: “Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Lucas 20:25). Ele não agiu, criticou ou se revoltou contra o sistema.  

O apóstolo Paulo vai além e diz que a origem da autoridade e do governo civil foi sancionada pelo próprio Deus: “Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação” (Romanos 13:1, 2). Em 1 Timóteo 2:1,2 ele orienta aos irmãos que intercedam em favor das autoridades constituídas: “Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (1 Timóteo 2:1-2).

É certo que não devemos esperar que a política resolva todos os nossos problemas e colocar nela a nossa confiança como a única solução. Mas, temos de entender que o Senhor está no controle de tudo, até mesmo da política. O Senhor deixou isso bem claro quando Daniel interpretou o sonho do rei Nabucodonosor: “Serás tirado dentre os homens, e a tua morada será com os animais do campo, e te farão comer erva como os bois, e serás molhado do orvalho do céu; e passar-se-ão sete tempos por cima de ti; até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer” (Daniel 4:25).

Não queira ser mais correto do que Deus. Se Ele não condenou a política, quem somos nós para opinarmos que ela não tem nada para nos oferecer e nenhuma serventia aos seres humanos? Estamos na iminência de mais uma eleição municipal. Ore ao Senhor para que ele o oriente, se informe a respeito dos candidatos e vote com responsabilidade.

Em Cristo,   


segunda-feira, 13 de agosto de 2012

TEOLOGIA DOS NÚMEROS

Por Cleyton Gadelha


                                                                           

Torna-se cada vez mais acirrada a corrida das Igrejas em busca de números que provem sua eficiência como “máquina eclesiástica” e provem também a capacidade do seu líder como facilitador e mobilizador competente. Promover e dinamizar, tudo para alcançar quantidade. Encher a Igreja é a ordem do cristianismo gospel possuidor de uma eficiência que precisa de números para ser provada. No mundo corporativista impera a desesperada fome dos números: Mais clientes, mais mercado, mais números… A eficiência de uma empresa justifica-se por sua capacidade de conquistar novos mercados… números, números e mais números.

A Igreja bebeu dessa fonte rota. Estamos empenhados na edificação de um cristianismo matemático. As missões querem números, as Igrejas querem números. O pastor tanto quanto o missionário têm que apresentar números, números que impressionem seus mantenedores. As almas, as personalidades que Deus criou, transformam-se em números na prestação de contas dos evangelistas modernos. É sob essa “mó de azenha” que pastores, evangelistas e missionários produzem seus números fantasiosos, forçados pela concorrência que a mídia gospel forjou ao longo desses anos de desvios e apostasias.

Numa empresa números podem significar eficiência. Uma empresa que sobrepuja as outras na qualidade de seus produtos, conquistará, por uma via de conseqüência lógica, uma subida em seu faturamento e isso significa mais lucro. Mas na Igreja a “Teologia dos Números” tem seguido uma trajetória inversa: Baixa-se os padrões de qualidade, compatibiliza-se com o mundo, mundaniza-se para facilitar o ingresso dos pecadores (clientes), que depois de tantas facilidades, terminam concordando com a versão “hollyoodiana” do evangelho e “aceitam” Cristo, transformado em produto de mercado pelos Pitágoras eclesiásticos.

Há muitos pregadores que seriam um sucesso substituindo Noé, logo encheriam a Arca financiando arrependimento em 10 suaves prestações. Esse evangelho enlatado serve bem às pretensões dos escribas religiosos manietados por ambições terrenas, mas é podre, falso e não está sob os auspícios do Espírito Santo. À luz dessa teologia Jesus foi um fracasso, pois os números não justificam seu ministério de três anos sendo Ele quem era.

A porta estreita é alargada para que todos entrem de qualquer jeito, até os que não têm vestes nupciais. Foi essa pregação sintética que produziu esse cristianismo que aí está. Cristianismo do ouro, da prata e da TV, mas cristianismo sem poder. Chegou o tempo em que Cristo dificilmente será encontrado através do “cristianismo”.

Mas aqueles que têm olhos para chorar hão de permanecer como pregoeiros da verdade, ainda que solitários.

Crescimento numérico é bom, mas não com o sacrifício da verdade.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A DIVISÃO ESPIRITUAL NO LAR (subsidio EBD)

Por Gilson Barbosa


É preciso ficar bem claro que apesar desta lição tratar de casamentos mistos, em hipótese alguma serve de chancela para que um crente se case com alguém que não professa a mesma fé. Semelhante ordem está tanto no Antigo Testamento quanto no Novo. Você deve se lembrar da repreensão de Esdras quanto a alguns entre o povo de Deus que haviam contraído matrimonio com pessoas fora da aliança (mulheres pagãs): “ Então o sacerdote Esdras levantou-se e lhes disse: “Vocês têm sido infiéis! Vocês se casaram com mulheres estrangeiras, aumentando a culpa de Israel” (Esdras 10:10).

Esdras ficou tão atemorizado que ordenou a dissolução desses casamentos: “ Agora confessem seu pecado ao SENHOR, o Deus dos seus antepassados, e façam a vontade dele. Separem-se dos povos vizinhos e das suas mulheres estrangeiras” (Esdras 10:11). Neemias, bem como os demais, temiam que a mistura de israelitas com mulheres estrangeiras acabasse levando-os a práticas contrárias às que Deus havia determinado à Israel. Paulo aconselha o casamento contanto que o pretendente “pertença ao Senhor” (I Coríntios 10:39). Assim, a orientação do apóstolo Paulo é direcionada aos cônjuges onde um deles não tinha se decidido a fé cristã, depois de certo tempo casado. Como resolver esse impasse? Este assunto é tratado na sua primeira carta aos Coríntios (7:12-16).

Tornou-se um problema na igreja quando o marido era crente e a esposa incrédula, ou vice-versa. Não que o casamento fosse ilegítimo, pois, o Senhor Jesus havia dito que ninguém separasse o que Deus uniu (Mateus 19:6). O que Deus une não é necessariamente uma determinada pessoa com outra, mas sim, homem e mulher (Mateus 19:4) em matrimônio. A importância está no matrimônio e não diretamente nas pessoas. Nisso está a importância do exercício da oração na escolha do cônjuge certo.

Como Cristo não abordou os casamentos mistos em seu ensino, Paulo fala com autoridade própria:  “Aos outros, eu mesmo digo isto, não o Senhor” (7:12). E o que ele diz? “Se algum irmão tem uma esposa não crente e ela consente viver com ele, não se divorcie dela”. Mesmo nesse caso o casamento não deve ser dissolvido. Russel Champlin informa que “nos seus primeiros tempos, o cristianismo era extremamente impopular, e um cônjuge incrédulo podia ser um perseguidor em particular de se cônjuge crente. Porém, nem mesmo nesses casos extremos o crente podia tomar a iniciativa na instauração do processo de divórcio”.[1]

Mas, também pode ter o sentido de que apesar de uma das partes se converterem a fé cristã o casal viva a vida harmoniosamente. Temos conhecimento de pessoas crentes que estão nesta situação e que vivem em mútuo e recíproco respeito. Se a parte não convertida sente-se feliz em viver com a que entregou sua vida à Cristo Paulo orienta que não se deve pensar em divórcio e que o casamento deve ser mantido: “ E se qualquer mulher tiver um esposo incrédulo, e ele consentir viver com ela, que ela não se divorcie dele”. O versículo 12 trata a respeito do irmão (o homem), já o versículo 13 a respeito da irmã (mulher). Não há diferença, apesar dos direitos serem iguais.

O consentimento de manter o casamento por causa da fé não anula as dificuldades comuns em todo casamento. Neste caso, porém, o cônjuge crente possui responsabilidade maior, devido às implicações da fé que professa. Todo o cuidado é pouco e a recomendação é prudência, vigilância e sabedoria. Não viver piedosamente a fé pode incutir desconfiança no outro. Porém, atitudes de fanatismo facilmente irritará a pessoa. Há irmãs (ãos) que dedicam todo seu tempo à igreja e ao ministério dado por Deus, mas que se descuidam dos afazeres domésticos, da criação dos filhos, de separar um momento recreativo, e, como afirma o comentarista da lição o esposo (a) incrédulo (a) não compreenderá e julgará que a igreja está atrapalhando o bom andamento do lar. A orientação é agir com sabedoria até mesmo quando o incrédulo começa a colocar obstáculos para que o crente prossiga na sua jornada espiritual e na fé cristã.

O versículo 14 apresenta a razão pela qual a mulher crente não deve se divorciar do esposo incrédulo, e vice-versa: “Pois o marido incrédulo foi santificado por sua esposa [cristã], e a esposa incrédula foi santificada pelo marido [cristão]; de outra forma seus filhos seriam impuros, mas agora são santos”. Em que sentido um cônjuge pode ser santificado?

William Hendriksen esclarece que “Paulo não está dizendo que um marido ou esposa não crente tornou-se moralmente santo por meio de seu cônjuge cristão. Não, o homem não é capaz de santificar ou salvar um semelhante. O que o apóstolo quer dizer é que um cônjuge não-crente que convive intimamente com um parceiro cristão sente a influência da santidade”.[2] Significa que mediante seu testemunho de cristão o cônjuge crente consegue influenciar o não crente levando-o a ser atraído para a mesma fé que professa. O uso dos meios da graça (leitura da Bíblia, oração) e até mesmo o culto doméstico “santifica” o lar por meio da consagração dele por estes elementos. Em outras palavras, não haverá palavras de baixo calão, conflitos físicos, violência psicológica, bebedeiras, imoralidades, etc. Até mesmo os filhos nascidos antes ou depois da conversão são santos: “... de outra forma seus filhos seriam impuros, mas agora são santos”.

Esse entendimento deve ser similar aos filhos dos israelitas que nasciam sob o pacto de Deus com seu povo: “ Esta é a minha aliança com você e com os seus descendentes, aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne” (Gênesis 17:10). Apesar de que neste caso, ambos (pai e mãe) faziam parte do pacto, o apóstolo Paulo considera santo os filhos mesmo se apenas um dos pais forem crentes. Novamente cito Hendriksen que afirma estar implícito para o apóstolo Paulo “que os filhos são consagrados com base na fé daquele que é cristão; eles não são declarados impuros com base na falta de fé do que é incrédulo. Em suma, a fé triunfa sobre a falta de fé na família”.  Este princípio vale também para os filhos onde o casal é crente.

Caso o incrédulo recusasse aceitar a fé que a outra pessoa professasse (ou, a nova vida em Cristo) e resolvesse repudiar a pessoa, então recairia sobre ele a responsabilidade pelo divórcio. Note: Paulo não está aconselhando o divórcio, mas o trata especificamente neste caso. “Mas se o incrédulo sair de casa, que saia. Um irmão [cristão] ou irmã [cristã] não é obrigado em tais assuntos. Deus nos chamou para a paz” (7.15). A partida voluntária é do cônjuge incrédulo. Observe também que Paulo não menciona nada acerca de um novo casamento, por parte da repudiada. Por isso é bom que o cônjuge crente não negligencie a prática das virtudes cristãs para que o Senhor abençoe seu casamento preservando-o da dissolução. A regra é sempre a humildade e reconciliação. O que está evidente no ensino paulino é que numa situação onde há necessidade de escolher entre abjurar a fé no Senhor e fazer a vontade pagã do incrédulo é preferível a primeira opção, sempre. Encontramos esse principio em Mateus 10:37 “ Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” e Atos 4:19 “ Mas Pedro e João responderam: ‘Julguem os senhores mesmos se é justo aos olhos de Deus obedecer aos senhores e não a Deus”’.

O fato de Paulo declarar que a esposa crente não pode salvar o esposo incrédulo, ou vice-versa (7:16), não significa que a conversão do outro deva ser um alvo preterido. Pelo contrário, o cônjuge deve ser um instrumento nas mãos de Deus para que o Seu plano e propósito seja efetivado na vida do outro. Isto é o que o apóstolo Pedro aconselha:

Do mesmo modo, mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, a fim de que, se ele não obedece à palavra, seja ganho sem palavras, pelo procedimento de sua mulher, observando a conduta honesta e respeitosa de vocês. (I Pedro 3:1, 2).   

Caso você tenha cônjuge descrente ou conheça alguém nessa situação, busquemos ao Senhor em oração para que todos possam dizer como Josué (24:15):  “Se, porém, não lhes agrada servir ao SENHOR, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao SENHOR”.

Em Cristo,


[1] Comentário de I Coríntios 7:13
[2] Comentário de I Coríntios 7:14

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O FACEBOOK DIZ QUEM VOCÊ [REALMENTE] É!


Por Gilson Barbosa

Contudo, tenham cuidado para que o exercício da liberdade de vocês não se torne uma pedra de tropeço para os fracos. (I Coríntios 8:9)

No texto acima nos é dito que o exercício da liberdade em Cristo pode se tornar algo de escândalo e tropeço para os iniciantes na fé cristã. O contexto bíblico refere-se a certos irmãos que comiam carne sacrificada a ídolos sem se preocuparem com o prejuízo à fé dos que acreditavam verdadeiramente na existência de um ídolo – aqueles que tinham acabado de sair do paganismo. O mesmo princípio pode ser aplicado hoje, mormente a respeito dos abusos de alguns crentes quanto ao exercício da liberdade em Cristo, em vários aspectos da vida.

O objeto desta postagem é a rede social Facebook, poderia ser outra, mas, por ser a mais popular no momento resolvi opinar sobre o uso dela pelos evangélicos. Por sua própria natureza o Facebook se tornou algo como se fosse uma grande vitrine expositora das entranhas humanas. Por meio dessa ferramenta se percebe como a alma humana foi tão devastada pelo pecado. Ele proporciona que os diversos e múltiplos temperamentos do ser humano seja algo que os demais participantes da rede saibam e vejam. Obviamente, como é sabido da internet como um todo, ela pode ser usado pelo indivíduo para o bem ou mal. Mas, por conta da inclinação da natureza humana ao pecado, sabemos que o mal prevalece.

Entre as muitas razões que motivam seu uso destaco: publicidade, propaganda, divulgação, interatividade e diversão. Não há nada há de errado com estes elementos, se utilizado com discrição e moderação. Porém, como não há possibilidades de criar regras pessoais nem de controlar as aspirações pessoais o Facebook tem a função de servir como um propagador das deficiências da alma humana (existem outros aspectos, porém decidi propositalmente não mencionar).

E se a rede serve para demonstrar a mácula da alma humana dos não regenerados, não é diferente aos que professam a fé religiosa e cristã. Tratando especificamente dos evangélicos a situação não é nada boa. Mas, o que tem me incomodado nesses tempos é a superficialidade cristã com aparência de piedade. O apóstolo Paulo escrevendo a Timóteo alertara que nos últimos tempos muitos ocultariam sua verdadeira identidade por meio da aparência de piedade, mas, no fundo não haviam passado pela genuína experiência da salvação (II Timóteo 3:5).

Quando se olha nas mensagens deixadas nas páginas do Facebook tem-se à impressão da mais pura devoção piedosa ao Senhor, porém, não podemos esquecer que o Senhor vê o coração e não a “fachada” (I Samuel 16:7). Não adianta achar que o Senhor se impressiona com a aparência. Se não tivermos um real compromisso com Ele tudo não passa de palavras inúteis (Marcos 7:6).

No léxico Aulete temos dois significados para a palavra superficialidade:

            1 - Que não é profundo, que abrange apenas aspectos básicos de um assunto;

            2 - Que supervaloriza coisas pouco importantes; que julga por aparências; que age sem reflexão (pessoa superficial).

Como há crentes superficiais no facebook! Em primeiro lugar porque dedicam mais tempo a esta ferramenta do que aos meios deixados por Deus para manutenção da nossa fé (oração e leitura da Bíblia, por exemplo). Decorrente disso é possível detectar a razão do analfabetismo bíblico e da superficialidade da fé cristã, da grande maioria. São feitos muitos apontamentos individuais sem nexo ou ligação entre o que se vive e o que se deveria viver, segundo a verdade do evangelho. É comum pessoas que vivem desordenadamente dizendo coisas bonitas, mas mentirosas. Quer dizer, muitos não são nem regenerados, mas, só porque participaram de um culto onde “Deus manifestou sua glória” pensam ter o direito de avaliá-lo segundo o critério Divino. É como se Deus contentasse com o todo o tipo de culto à revelia da santidade.

Em segundo lugar é visível à falta de amor ao próximo. Percebemos isso quando crentes se envolvem em disputas pessoais, espirituais e denominacionais, por exemplo. Aliás, é muito comum uma espécie de egolatria, ou até mesmo narcisismo entre as pessoas. Influenciadas pela propaganda da filosofia relativista o amor próprio tem assumido proporções idolátricas. É verdade que a Palavra do Senhor nos orienta a amarmos nosso próximo como amamos a nós mesmos, mas isso apenas significa que assim como ninguém deseja o mal a si mesmo, da mesma forma não deseje o mal do seu próximo, mas ame-o (Mateus 22:39).  

Em terceiro lugar, como efeito colateral do desleixo com a Escritura Sagrada, é possível ler frases motivadoras de personagens religiosos e pensadores que desprezaram (e desprezam) o autêntico evangelho cristão e a pessoa de Jesus Cristo em suas obras. Crentes que citam frases de Chico Xavier ou de Mahatma Gandhi, sem atentar para o tipo de fé que eles professavam – ensinamentos que contrariam a fé ensinada por Cristo.

Em quarto lugar, alguns perderam o senso de privacidade e expõem negativamente suas vidas, por meio de um exemplo indigno de um cristão. Na carta aos Efésios (5:11) Paulo exorta aos crentes: “Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz”. Há certas coisas que são próprias daqueles que andam nas trevas. Por outro lado, como se fosse um livro aberto, deixam transparecer a fase difícil que estão passando na vida material, psicológica e espiritual. Para amenizar o sofrimento ou disfarçar a dor algumas pessoas postam versículos bíblicos isolados ou frases criativas inventadas que servem para a própria satisfação pessoal, mas ignoram os decretos estabelecidos por Deus em sua Soberania para cada salvo.

Em quinto lugar, em alguns casos as imagens postadas e o que é escrito deixam transparecer a falta de santidade. Há os (as) que declinam à sensualidade, outros (as) exercitam certos tipos de brincadeiras, gozações e palavras chulas, que se desagrada a nós, imagine ao Senhor. Estas coisas não podem fazer parte do salvo regenerado em Cristo:  “No passado vocês já gastaram tempo suficiente fazendo o que agrada aos pagãos. Naquele tempo vocês viviam em libertinagem, na sensualidade, nas bebedeiras, orgias e farras, e na idolatria repugnante” (I Pedro 4:3).   

Certamente podemos usar o Facebook para realizarmos muitas coisas úteis, produtivas, e que não ferem a prática da vida cristã. Igualmente, claro que há exceções comportamentais, pois, nem todos se enquadram no que escrevi acima. Esta reflexão serve de exortação a todos nós indistintamente. Quando você “bater boca com seu irmão”, postar imagens sensuais ou perversas, fizer gozações com o outro, utilizar do espaço para humilhar as pessoas, dizer palavrões ou falar mal, se lembre de que esses atos te condenam como cristão, pois, o Facebook expõe publicamente o que você realmente é nos bastidores.

No amor de Cristo Jesus,

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

É POSSIVEL SER “CHEIO DO ESPÍRITO” SEM FALAR EM LÍNGUAS?

Por Gilson Barbosa

Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito (Efésios 5:18)

Quando se quer defender determinada doutrina, entendimento ou ação da prática cristã, à margem da verdadeira interpretação escriturística, a “coisa desanda”. Narrativas bíblicas e versículo (s) são horripilantemente tratados de maneira absurda. Um ou outro, achando que “estão com a bola toda” chega a ponto de qualificar pejorativamente (por exemplo, como “tradicional”, “frio”, “incrédulo”) os demais irmãos. Este é o caso de como a maioria interpreta e entende a expressão bíblica cheio do Espírito Santo.

Meu objetivo não é discutir a contemporaneidade das línguas não humanas (desconhecidas) dentro do cenário pentecostal, mas, identificar, conceituar, explicar e buscar uma correta aplicação desta expressão no texto sagrado. Obviamente nossos educadores pentecostais sabem o significado correto da expressão e como aplicá-la na vida do crente, mas, por alguma razão os dois lados da interpretação não são mostrados.

Como exemplo do que foi dito acima no estudo O que é o batismo com o Espírito Santo (Lições Bíblicas, 17/04/11), é informado que “o falar em línguas, a glossolalia, é a manifestação física do enchimento do Espírito Santo” (p.22, lição do Mestre). Isso é verdade, pois, o texto bíblico registra: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito os capacitava” (Atos 2:4). Porém, o que não é explicado é que em muitas outras passagens onde aparece a mesma expressão não há a manifestação da glossolalia. O que por si só é um prejuízo ao entendimento do cristão pentecostal sobre o que significa “ser cheio do Espírito”. Isso também tem feito muitos valorizarem tanto a glossolalia que redundou, em muitos casos, no abandono da santidade e do fruto do Espirito. Nisso está justificada a “acusação” de outros evangélicos de que no meio pentecostal há “muito carisma e pouco caráter”.

“Ser cheio do Espírito” pode ser entendido como a manifestação poderosa do Espírito Santo. Resta-nos saber e identificar no que consiste esta manifestação. Seria apenas a manifestação extática ou mística do mundo sobrenatural que ocorre quando o crente desejoso busca a glossolalia? Entender dessa forma pode se tornar uma justificativa de caráter duvidoso em alguns aspectos na administração da igreja local. Por exemplo: Será que foram separados para o serviço sagrado (diaconato) apenas os que tinham passado pela experiência da glossolalia? (Atos 6:3, 5). A fiel interpretação do texto sagrado não corrobora com este pensamento.

Alguns textos bíblicos onde aparece a expressão, exata ou similar, “cheio do Espírito”, não endossa o entendimento de que ser cheio do Espírito seja uma prerrogativa dos crentes que falam em línguas estranhas. Pelo contrário, não há menção do som vocálico, vento forte, ou línguas de fogo (Atos 2:2,3). Eis os textos bíblicos onde isso acontece:

Ora, Josué, filho de Num, estava cheio do Espírito de sabedoria, porque Moisés tinha imposto as suas mãos sobre ele. De modo que os israelitas lhe obedeceram e fizeram o que o SENHOR tinha ordenado a Moisés. (Deuteronômio 34:9)

Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. (Lucas 1:14, 15)  

Seu pai, Zacarias, foi cheio do Espírito Santo e profetizou (Lucas 1:67).

Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto, (Lucas 4:1).

Então Pedro, cheio do Espírito Santo, disse-lhes: “Autoridades e líderes do povo!” (Atos 4:8)

Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus em pé, à direita de Deus (Atos 7:55)

Então Ananias foi, entrou na casa, pôs as mãos sobre Saulo e disse: “Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que lhe apareceu no caminho por onde você vinha, enviou-me para que você volte a ver e seja cheio do Espírito Santo(Atos 9:17)

Ele era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé; e muitas pessoas foram acrescentadas ao Senhor (Atos 11:24)

Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou firmemente para Elimas e disse: (Atos 13:9)

Se no lugar de cheio do Espírito Santo for introduzido nos textos acima algo como “falou, falava, fale em línguas estranhas” o entendimento e a interpretação do texto fica estranho e inusitado – faça um teste. Não era preciso nem necessário que os protagonistas tivessem a experiência da glossolalia na situação proposta pelo texto e vivenciada por eles, mas, mesmo assim é dito algo que tem haver com o pleno assentimento da plenitude do Espírito.

O irmão Vagner Barbosa (Lição 05, Palavra Viva, Ed: Cultura Cristã) comenta que ser cheio do Espírito Santo é buscar uma manifestação mais plena do Espírito Santo e implica graus de experiência espiritual, de acordo com a medida na qual o crente se sujeita a direção do Espírito; não se trata de uma experiência mística. Josué, Zacarias, João Batista, Jesus, Estêvão, Pedro e Paulo, foram, são ou deveriam ser cheios do Espírito porquanto eram piedosos, consagrados, dedicados a Deus, e desfrutavam plena comunhão com o Senhor por meio da busca constante do poder do Espírito.

É verdade quem em Efésios 5:18 o apóstolo Paulo orienta que os crentes sejam cheios do Espírito Santo, mas, este enchimento trata-se de um exercício contínuo na vida cristã (algo como o exercício da santidade e a busca constante do fruto do Espírito). O reverendo Hernandez Dias Lopes diz haver duas ordens paulinas em Efésios 5:18 - uma negativa, outra positiva. O apóstolo Paulo faz uma comparação entre a embriaguez e a plenitude do Espírito:

1. A semelhança superficial

• Uma pessoa que está bêbada, dizemos, está sob a influência do álcool; e certamente um cristão cheio do Espírito está sob a influência e sob o poder do Espírito Santo.

• Em ambas as proposições, há uma mudança de comportamento: a personalidade da pessoa muda quando ela está bêbada. Ele se desinibe; não se importa com o que os outros pensam dela. Abandona-se aos efeitos da bebida! O crente cheio do Espírito se entrega ao controle do Espírito e sua vida fica livre e desinibida.

2. O contraste profundo

• Na embriaguez o homem perde o controle de si mesmo; no enchimento do Espírito ele não perde, ele ganha o controle de si, pois o domínio próprio é fruto do Espírito.

• O Dr. Martyn Lloyd-Jones, médico e pastor disse: “O vinho e o álcool, farmacologicamente falando não é um estimulante, é um depressivo. O álcool sempre está classificado na farmacologia entre os depressivos. O álcool é um ladrão de cérebros. A embriaguez deprimindo o cérebro tira do homem o autocontrole, a sabedoria, o entendimento, o julgamento, o equilíbrio e o poder para aquilatar. Ou seja, a embriaguez impede o homem de agir de maneira sensata.

• O que o Espírito Santo faz é exatamente o oposto. Ele não pode ser colocado num manual de Farmacologia, mas ele é estimulante, anti-depressivo. Ele estimula a mente, o coração e a vontade.

3. O resultado oposto

• O resultado da embriaguez é a dissolução (asotia). As pessoas que estão bêbadas entregam-se a ações desenfreadas, dissolutas e descontroladas. Perdem o pudor, perdem a vergonha, conspurcam a vida, envergonham o lar. Trazem desgraças, lágrimas, pobreza, separação e opróbrio sobre a família. Buscam uma fuga para os seus problemas no fundo de uma garrafa, mas o que encontram é apenas um substituto barato, falso, maldito e artificial para a verdadeira alegria. A embriaguez leva à ruína. Ilustração: a lenda do vinho feito da mistura do sangue do pavão, leão, macaco e porco.

• Todavia, os resultados de estar cheio do Espírito são totalmente diferentes. Em vez de nos aviltarmos, embrutecermos, o Espírito nos enobrece, nos enleva e eleva. Torna-nos mais humanos, mais parecidos com Jesus.

Não preciso nem dizer que ser cheio do Espírito Santo no texto de Efésios 5:18 (como os demais textos citados) não tem nada haver com a experiência de falar em línguas não humanas – a glossolalia. Se fosse assim teríamos castas de crentes, uns mais espirituais que outros, e os que passaram pela experiência do batismo em línguas seriam tipos de crentes melhores e superiores. Isso se parece com o gnosticismo do primeiro século. Na preocupação em respaldar doutrinas e tendências modernas no evangelicalismo brasileiro, vale tudo, desde “assassinar a exegese” até “apontar o dedo” para os que interpretam com lealdade a Escritura Sagrada. 

Vamos estudar com profundidade e dedicação os textos bíblicos!

Em Cristo,