domingo, 1 de fevereiro de 2015

ASSEMBLEIANOS ATRAÍDOS PELO CALVINISMO

O assunto desta semana em alguns blogs e mídia impressa foi sobre a atual influencia calvinista no pentecostalismo assembleiano brasileiro. O blog do pastor Altair Germano vem tratando assuntos onde se evidenciam a disputa entre calvinismo e arminianismo (Altair Germano é arminiano). Já o blog de Gutierrez Siqueira trouxe uma entrevista com o pastor assembleiano Geremias do Couto onde se declara abertamente um calvinista convicto. Na mídia impressa coube a Revista Obreiro, matéria de Silas Daniel, tratar sobre o Arminianismo (Silas é um arminiano).

O fato é que cada vez mais crentes de denominações pentecostais estão sendo atraídos pela doutrina da fé reformada ou calvinista. Mas não são só os assembleianos. Estes se manifestam mais devido a competência intelectual de seus teólogos. Também não é uma preocupação da grande massa de assembleianos, pois estes não estão muito interessados no debate e nem mesmo sabem exatamente o que significa ser arminiano, semipelagiano, pelagiano ou calvinista.  

Parece que os teólogos assembleianos acenderam a luz vermelha para discretamente mandar um recado aos pastores que possuem convicção da fé reformada: vocês não podem ser assembleianos e calvinistas simultaneamente – precisam deixar a denominação. O triste disto é que as caricaturas dos dois sistemas teológicos (arminiano e calvinista) são satanizadas pelos dois grupos. Dos dois lados há hostilidades. Um e outro afirmam que suas ideias não passam de “ventos de doutrinas”. Poucos são equilibrados e compreendem que tanto arminianos quanto calvinistas são crentes em Cristo.

Há muitas doutrinas que são comuns nos dois sistemas, outras são parcialmente comuns e outras são totalmente diferentes. Mas eu pessoalmente não ouso dizer que as diferenças incorrerão em condenação eterna de um ou outro. Tanto um quanto outro buscam sustentar suas convicções doutrinárias nas escrituras sagradas. Se estiverem certos ou errados é o que cada um poderá concluir após estudar com bastante tempo e muita profundidade o assunto.

Outrora fui um arminiano, mas a verdade é que nem sabia o que isso significava. Apenas lia nos periódicos da denominação os teólogos comentarem sobre o tema sempre polemizando e buscando nos convencer sobre o arminianismo (sistema adotado pelas igrejas pentecostais). Após estudar muito e com profundidade cheguei à conclusão que a “conta arminiana” não fecha e que a doutrina reformada é bem mais coerente biblicamente (em minha opinião). Estou convicto que a fé reformada não é “filosofia” (como gostava de afirmar um amigo), mas as antigas doutrinas da graça.

Contudo, não desejo que as diferenças se transformem em zombarias, rixas, brigas, desavenças, iras e ódios. Tenho vários amigos arminianos e os amo e respeito profundamente (tenho certeza de que eles são recíprocos). Sempre busco dialogar e informar o pouco que aprendi sobre a fé reformada.  Penso que os teólogos assembleianos deveriam convocar suas lideranças para discutirem o assunto respeitando os dois pensamentos. Mas como o sistema de governo da igreja é absolutista creio que não vai acontecer isso. Só espero que não demonizem a fé reformada taxando-a de sectária. Isso seria prejudicial à fé cristã e não contribui em nada.

Por outro lado há igrejas pentecostais que abriram espaços para pregadores calvinistas e creio que estão sendo extremamente abençoadas por suas exposições das sagradas escrituras. É relevante reiterarmos o lema de que “nas coisas essências deve haver unidade, nas não essenciais liberdade, e sobretudo deve existir amor entre os crentes”.

No amor de Cristo,