segunda-feira, 7 de setembro de 2015

LIÇÕES DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

                                           

A independência do Brasil colônia, da metrópole Portugal, não aconteceu sem extremas dificuldades e com um alto grau de improbabilidade. O caminho percorrido para assegurar a liberdade foi longo e penoso, repleto de incertezas, dúvidas, com derramamento de sangue e muito sofrimento. 

O escritor Laurentino Gomes (autor da trilogia 1808, 1822 e 1888) informa que quem observasse o Brasil em 1822 “teria razões de sobra para duvidar de sua viabilidade como nação independente e soberana. De cada três brasileiros, dois eram escravos, negros forros, mulatos, índios ou mestiços. Era uma população pobre e carente de tudo, que vivia à margem de qualquer oportunidade em uma economia agrária e rudimentar, dominada pelo latifúndio e pelo tráfico negreiro. O medo de uma rebelião dos cativos tirava o sono da minoria branca. O analfabetismo era geral. De cada dez pessoas, só uma sabia ler e escrever. Os ricos eram poucos e, com raras exceções, ignorantes. O isolamento e as rivalidades entre as diversas províncias prenunciavam uma guerra civil, que poderia resultar na fragmentação territorial”. 

Os ventos dos ideais da Revolução Francesa (1789) sobre Liberdade, Igualdade e Fraternidade e a Independência dos Estados Unidos (1776) sopraram com algum atraso no Brasil, mas fervilhou o desejo dos brasileiros pelos mesmos ideais. Outros fatores também contribuíram para a implantação dos ideais franceses e norte-americanos, como por exemplo, sua influencia nas áreas da medicina, artes, ciência e tecnologia. Com a invenção das máquinas de produzir papel e impressoras movidas a vapor os brasileiros tiveram acesso aos livros da época que serviam como veículos de ideias inovadoras. 

Pois bem, todas essas circunstancias históricas somada à intrusão das cortes portuguesas e na situação social do Brasil foram entendidas como o momento adequado do Brasil sacudir o jugo português. D. Pedro I era o homem certo no momento certo para proclamar a Independência do Brasil. Isso aconteceu próximo às margens do Ipiranga em São Paulo no dia 07 de Setembro de 1822. 

Algumas constatações podem ser feitas deste incrível momento histórico da nossa nação. Elas também servem de lições para que tenhamos um Brasil melhor. 

1 – D. Pedro e seus colaboradores eram muitos jovens na época de tão importante realização histórica para os brasileiros. Isso deveria embutir nos jovens atuais a chama de se envolverem nas questões históricas, políticas e sociais da nossa nação. Não devemos delegar as decisões políticas da nossa nação de forma arbitrária e irresponsável apenas aos nossos representantes. É necessário que os jovens participem dessas decisões com suas opiniões. 

2 – Nem toda a inviabilidade em nossa história (seja qual for) é garantia de insucesso nas realizações. Como foi dito acima o Brasil colônia possuía muitas barreiras para que sua Independência se concretizasse. Mas movido pela resiliência e persistência de uma pessoa alcançamos a tão sonhada independência. Na vida é assim também. Havemos de enfrentar situações nas quais a improbabilidade do sucesso e das realizações dos nossos sonhos são dados como certos. Diante de tais situações devemos focar na concretização dos mesmos, custe o que custar. 

3 – O ser humano busca a liberdade a qualquer preço. Porém, quando consegue conquistá-la percebe que ainda permanece acorrentado. No Brasil de 1822 entre outras discussões estava o debate sobre qual seria a forma de organização e governo. As opiniões se dividiam entre os republicanos, monarquistas constitucionais e os que queriam a permanência do Brasil como colônia de Portugal. Buscar a liberdade para quê? Essa é a grande pergunta. Ela não se encerra com a conquista da liberdade. Hoje o ser humano ainda está na busca de uma liberdade autônoma onde ele não deva prestar contas da sua individualidade a ninguém. Devemos buscar a liberdade sim, mas isso não nos exime dos deveres e responsabilidades que temos. 

4 – Precisamos avançar com honestidade e boas intenções. Quando se olha o Brasil de 1822 notamos algumas dificuldades que enfrentamos ainda hoje. Inflação, corrupção, impostos e cargas tributárias excessivas, problemas sociais e econômicos. Por que ainda enfrentamos as mesmas dificuldades quase 200 anos depois?

5 – A situação espiritual do Brasil não melhorou muito. Percebemos no Brasil colonial uma espiritualidade incapaz de promover algum tipo de mudança social. No Brasil atual fala-se muito em avivamento espiritual e outros afirmam que o Brasil já teve grandes avivamentos espirituais. Mas um avivamento espiritual, evangélico e genuíno que não muda as mazelas da sociedade deixa muito a desejar. 

Devemos participar das decisões do nosso país. Mas há circunstancias em que orar parece ser a única alternativa. É fato que muita coisa melhorou, mas ainda há muito que melhorar. O caminho é longo. Como cristãos não devemos ser totalmente partidários e deixarmos de orar por aqueles que governam o Brasil. Oremos para que os mesmos tenham mais sensibilidade às causas sociais e não sejam arrastados pela ganância corruptora. Oremos pela situação econômica e pela espiritualidade da nossa nação. Mesmo com todos os males ela ainda permanece como a nossa pátria amada Brasil. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

OS PECADOS SÃO TODOS IGUAIS?


                                               

Pode soar estranho aos ouvidos, mas é preciso entender que os pecados não são todos iguais. Todo pecado é pecado, mas alguns atos são mais pecaminosos que outros. Pense num jovem solteiro viciado em todo o tipo de pornografia; agora imagine um homem casado e com filhos também viciado em pornografia. Outro quadro: pense em alguém entre sua família que é dado a pequenos furtos domésticos; agora pense em certos políticos que furtam os cofres públicos onerando as despesas públicas e prejudicando a agenda governamental. São todos pecados, mas visto que as consequências são diferentes subentende que os valores dos atos também sejam.

Há muitos outros exemplos onde observamos que as atitudes dos que cometem pecados possuem o mesmo valor, porém os detalhes da prática, suas consequências, a extensão, abrangência, intensidade e a essência, são diferentes. Alguns levam em conta que a quantidade de pecado é igual à qualidade. Nesse caso, mentir cinco vezes teria consequências iguais ao assassinato de uma pessoa? A valoração do ato é a mesma? O tipo e a qualidade de pecados não são diferentes da quantidade de pecados? O que podemos depreender disso é que os pecados estão todos inter-relacionados, contudo não são todos iguais nem possuem o mesmo peso de julgamento. Há maiores pecados e menores pecados.

Note que a base desse entendimento é bíblica. Segue três exemplos apenas:

1- O próprio Jesus referiu-se a certos pecados como sendo maiores. Diante da insistência de Pilatos e sua reivindicação de autoridade Jesus lhe respondeu: “Não terias qualquer poder sobre mim, se não te fosse dado de cima. Por isso, aquele que me entregou a ti é culpado de um pecado ainda maior” (João 19:11).

2- Pode-se depreender que na própria Lei mosaica havia o entendimento de que há preceitos mais importantes que outros. Certa ocasião Jesus afirmou: “Ai de vós, doutores da Lei e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas tendes descuidado dos preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé. Deveis, sim, praticar estes preceitos, sem omitir aqueles!” (Mateus 23:23).

3 - No Antigo Testamento as punições deveriam possuir equivalência ao delito. Esse fato manifesta que há tipos e qualidades diferentes de transgressões: “Todo o povo saberá do ocorrido e ficará apavorado, e nunca mais se cometerá um crime desses no meio de ti. Portanto, não considerarás com piedade esses casos: alma por alma, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé!” (Deuteronômio 19:20,21). Se uma pessoa cometesse um assassinato intencionalmente deveria sofrer a pena capital (Gênesis 9:6), mas em casos onde não houve a intenção o tratamento era diferente (Números 35:6).


Essas e outras ocorrências bíblicas consequentemente podem também nos auxiliar no entendimento e na aplicação de normas conflitantes. Em circunstancias polêmicas fazer o melhor ou um bem maior numa situação inevitável pode não ser necessariamente errado ou pecado. Esse ponto de vista pode livrar alguém de viver a vida inteira se sentindo culpado de algo que praticou ou deixou de praticar em certos momentos. Um exemplo disso é o caso do aborto por razões terapêuticas ou um aborto natural. Há outros inúmeros exemplos de ocorrência em nossa trajetória de vida. Porém, cada caso de conflitos de normas e pecados é um caso e devem ser tratados com cautela e prudência. Na dúvida busque orientação pastoral e ajuda divina.