terça-feira, 30 de junho de 2015

CONCEITOS PÓS-MODERNO DESAFIAM A ÉTICA CRISTÃ


Apesar de não ficar surpreso com a aprovação do casamento gay, pela Suprema Corte dos EUA na semana passada, o ocorrido me fez pensar sobre o momento histórico que vivemos no ocidente. Há décadas a cosmovisão ocidental se inclina a um tipo de “progresso” onde conceitos sobre família, união conjugal, respeito à vida, estética, relacionamentos, religiosidade, política, etc, são analisadas de forma fragmentada e individualista. São muitas as ideologias dominantes em nossos dias que caracterizam o período histórico conhecido como pós-modernismo: marxismo, feminismo, relativismo, pragmatismo, pluralismo, multiculturalismo, etc. Essas ideologias, segundo o teólogo Alister McGrath, afirmam que as propostas normativas de verdade devem ser censuradas e taxadas de imperialistas e divisivas. São conceitos que priorizam a vivencia humana sob a busca incessante de preencher o enorme vácuo do vazio existencial. O momento pós-moderno não é apenas histórico, mas também conceitual e cultural.  

Penso que não vai demorar muito para que o casamento gay seja legalmente instituído no Brasil, infelizmente, pois como afirmou o pastor Leandro Antonio de Lima, “quando a maioria da população em uma democracia é favorável a uma prática, a tendência é que essa prática venha a ser institucionalizada”. Conforme o jornalista Sérgio Gwercman escreveu na Revista Superinteressante (julho de 2002) “Desde 1996, o Congresso tem entre seus projetos uma proposta que autoriza a parceria civil entre homossexuais no Brasil. Por parceria civil, entenda algo muito próximo de casamento”. Os valores tradicionais da Era Moderna e a moral judaico-cristã vêm paulatinamente sendo destronado na sociedade. Nosso momento histórico é crítico – não apenas à igreja evangélica, mas a própria sociedade. Essa análise sobre os efeitos perniciosos deste novo tempo é confirmada até mesmo por psicólogos e terapeutas não cristãos.

Preciso dizer que não há somente coisas ruins nesta Era Pós-Moderna. O pastor Esdras Bentho afirma que “atualmente, a Pós-modernidade é entendida em duas perspectivas: como anti-modernidade e como sobre-modernidade. A pós-modernidade como anti-modernidade é um movimento de descontinuidade – uma ruptura completa com todos os postulados da Era Moderna; considerando os pressupostos e teses desta como mitos e profetizando sua descentralização e ruína. A pós-modernidade como sobre-modernidade, entretanto, considera os aspectos positivos da modernidade, suas conquistas e projetos. Contudo, procura corrigir seus excessos fazendo uma crítica aos mitos da modernidade, isto é do progresso, do avanço tecnológico e científico como necessários a uma existência mais feliz na terra”. Não podemos negar que o avanço no conhecimento humano trouxe muitos benefícios. Mas no que diz respeito à fé e mensagem cristã o tempo presente trouxe prejuízos enormes.

No meio da igreja evangélica atual percebemos nitidamente que conceitos antigos da fé cristã têm sido substituídos por outros que se ajustam bem aos tempos atuais. Fundamentos doutrinários já não são mais tão relevantes e podem ser ajustados para atender a demanda; distorções quanto ao correto sentido de espiritualidade tem produzido um misticismo alarmante quase como um gnosticismo evangélico; a preocupação da igreja em ser politicamente correta com a elite da sociedade tem produzido corrupção dos valores morais em seu próprio meio (o divórcio de pastores na “cara de pau” e o envolvimento de políticos evangélicos em casos de corrupção são exemplos); a necessidade de afirmação da igreja moderna diante da sociedade alterou seu comportamento no que diz respeito à pregação, liturgia, musicalidade. A pregação é triunfalista, a liturgia é antropocêntrica e a musica tem a finalidade de entreter. É claro que esse é um retrato geral, pois há ainda igrejas comprometidas com o autentico evangelho e que não se dobra diante dos conceitos pós-modernos.  
     
Diante de tais desafios muitos líderes evangélicos 1º) ficam desesperados, outros 2º) não sabem como agir e há outros que 3º) “parecem” ou fingem não saber nada do que está acontecendo no cenário ocidental com respeito aos novos conceitos e ideologias. Aos desesperados devemos afirmar que Deus não perdeu o controle do mundo – Ele é Soberano e Senhor da história. Aos que não sabem como agir é tempo de aprofundamento no conhecimento das estruturas conceituais e culturais pós-moderno em nossa sociedade e oferecer a ela uma ética centrada nos valores bíblicos. Aos que não se interessam pelo rumo decadente da moralidade ocidental minha sugestão é que deixem de vez o individualismo pragmático em seus ministérios e unam forças a propagação da ética cristã.


No amor de Cristo, 

domingo, 21 de junho de 2015

O PASTOR E O JORNALISTA


Nessa semana que passou os ânimos de duas pessoas importantes e públicas em nosso país explodiram em palavras chulas, rasteiras, ofensivas e até de baixo calão. Que pena! Um pastor e um jornalista que exteriormente são contra a intolerância se tornaram intolerantes um ao outro. Quero adiantar que em minha opinião ambos erraram objetivamente em seus atos. O jornalista por baixar o nível do “diálogo” e proferir palavrões numa rede nacional de rádio para milhões de pessoas. O pastor por também usar palavras ofensivas, tripudiar seu oponente, desafiá-lo e suscitar sua ira.

Conforme publicado pela imprensa em geral “o motivo da confusão foram os comentários de Boechat [o jornalista] sobre os recentes casos de intolerância religiosa no Rio de Janeiro”. Quase que imediatamente o referido pastor usou o Twitter para criticar a generalização e desafiar o jornalista para um debate.

Penso que a mídia em seu papel de informar não subjuga a tentação de aderir a um tipo de sensacionalismo e passa a emitir opiniões particulares, exclusivistas, preconceituosas e descabidas. Deveriam estender o debate democraticamente, convidar teólogos ou pastores para discutir em conjunto com outros grupos religiosos a questão da intolerância religiosa. Por vezes são unilaterais. É nesse sentido que se enquadra também o jornalista. Emitiu publicamente um parecer sem se importar em saber o que os pastores neopentecostais entendem e pensam sobre o assunto em questão. Logicamente a fúria religiosa e “piedosa” das pessoas que jogaram pedra no grupo religioso atingindo uma menina não representa a atitude nem atos dos evangélicos em geral. O jornalista em questão possui ideias e opiniões que não se coadunam com o senso geral de outras pessoas.  

No caso do pastor em questão ele não errou em fazer uso da liberdade humana para contrapor ao entendimento em que o assunto se direcionava naquele momento entre os jornalistas do programa de rádio. Todos têm esse mesmo direito e muitas vezes calamos diante de opiniões arbitrárias e contrárias ao procedimento que nós evangélicos temos de determinados assuntos. Ou seja, alguns grupos evangélicos são mudos diante de tantas polêmicas.    

Penso que os erros do referido pastor esteja em algumas de suas atitudes tais como: 1º) o volume com que se pronuncia; 2º) a maneira de escrachar seus adversários; 3º) emite suas opiniões como se fossem vereditos; 4º) a relatividade e volatilidade na escolha de seus adversários; 5º) a crença de que sua opinião particular é a mesma do rebanho evangélico no Brasil; 6º) a superexposição midiática; 7º) a despreocupação irresponsável em causar antipatia tanto com relação a sua pessoa quanto aos evangélicos em geral, e muitas outras coisas.

O referido pastor excede muito no volume de seus pronunciamentos. Em outras palavras “fala muito”. Essa necessidade de se pronunciar acaba por gerar certa antipatia. Deve se pronunciar sim, mas de maneira comedida. Dias atrás sugeriu uma campanha para boicotar uma rede de perfumes porque a empresa fez um comercial com inclinação homossexual. É sabido de todos que os evangélicos são contra a prática homossexual, mas há irmãos que não deixarão de comprar os perfumes desta empresa por causa do comercial. Por tanto falar acaba falando coisas fúteis.

Ao tratar com nossos opositores não devemos usar de linguagem mundana, tais como imbecil, idiota, pilantra, "mané", e por aí afora, ainda mais aos que ocupam uma posição tão abençoada como é o caso dos pastores. Não devemos também ser grosseiros e assim incitar à ira do opositor. Devemos “lutar” com as armas da verdade, mas em amor, e não causando uma “guerra” civil. Temos de ceder se estamos sendo ignorantes e ríspidos. Nossas opiniões pessoais não podem servir para atacar ou tentar desmoronar o moral das outras pessoas que não possuem a mesma opinião que a nossa. Elas são as nossas opiniões e não deveriam configurar como vereditos (a não ser que tenha correto fundamento bíblico e goze da simpatia de todos). Têm-se que ter prudência ao mencionarmos atos de pessoas numa pregação feita num púlpito de igreja, quanto mais usarmos redes sociais para comentar sobre elas.

Sabemos que os que não foram iluminados pelo poder do Espírito para o arrependimento e fé no evangelho de Cristo são cegos espiritualmente, carentes do novo nascimento. Portanto, pode ser frustrante um debate com gente obstinada e que não tem a mente de Cristo. Podemos pensar que não somos religiosamente intolerantes, mas talvez sejamos socialmente intolerantes. Se continuar assim é bem provável que a massa evangélica tome pra si as dores do referido pastor e promova uma “cruzada” evangélica contra os “inimigos do evangelho”. Seria o caos.

Nesse sentido, precisamos de um avivamento que promova em nós não orgulho pessoal, espiritual ou denominacional, mas um desejo profundo de dependermos mais de Deus, arrependimento de nossos pecados, buscarmos viver na prática o caráter cristão, utilizar mais os meios da graça – oração e leitura da Bíblia. Devemos ser zelosos com inteligência e não com esbravejamento e gritaria.


No amor de Cristo,

sábado, 13 de junho de 2015

A SÍNDROME DE PERSEGUIÇÃO NAS SEITAS


Numa conversa com dois jovens missionários mórmons analisei que para autenticar sua Igreja como detentora do verdadeiro cristianismo, mencionam sempre dois elementos principais: a perseguição e restauração do cristianismo. Disseram que nenhum movimento religioso foi, e é tão perseguido quanto o seu e que todas as denominações se apostataram da fé cristã, portanto, se julgam os que irão promover a restauração do cristianismo verdadeiro. Para eles estes dois elementos validam a fé mórmon.

Mas na verdade os elementos mencionados não servem como instrumento aferidor da verdade cristã no mormonismo. Primeiro, porque na história da igreja cristã sempre houve e haverá perseguição; segundo que outros grupos sectários, tais como Adventistas do Sétimo Dia e Testemunhas de Jeová, também reivindicam os mesmos elementos como validação. Simplesmente esse teste não é obrigatoriamente necessário e quase sempre é usado com intenção espúria. Muitos grupos religiosos contrários ao cristianismo de alguma forma usam o elemento da perseguição também. Na verdade algumas pessoas, por si só, possuem a “mania de perseguição”. Mas geralmente as mesmas possuem dilemas psicossociais. Nestes casos, quase sempre “os perseguidos” são as vítimas e não os causadores de algum transtorno social.

Os adventistas afirmaram no passado que o papado e os Estados Unidos (representantes da Besta - Apocalipse 13) se uniriam para impor às nações a estrita observância do domingo. Declararam o seguinte: “Sendo a primeira besta o Papado e a segunda, os Estados Unidos, este verso quer dizer que os Estados Unidos vão obrigar o povo a adorar o Papado. Unicamente obrigando o povo a guardar o domingo podem os Estados Unidos fazê-lo adorar o Papado, pois o domingo existe como dia santo por autoridade deste” (O Sinal da Besta e as Sete Pragas do Apocalipse. Denilson Fonseca de Carvalho, CPB). Estavam dizendo que no futuro distante os adventistas seriam perseguidos por guardarem o sábado.

Os mórmons se dizem perseguidos desde o início da fundação de sua Igreja. O que não dizem, abertamente, é que um dos motivos da “perseguição” foi a prática da poligamia. Segundo afirmação de um artigo sobre o assunto “Joseph Smith disse que essa seria a doutrina que testaria a fé dos Mórmons acima de qualquer outra doutrina” (Leia aqui).

Sabemos que entre o povo de Deus esta prática de fato existiu no passado, mas apenas retrata a decisão humana arbitrária e é fato que sempre trouxe transtornos às famílias. Contudo, no período da igreja cristã primitiva ela não existia, pois fora abolida centenas de anos antes. Deus não prescreveu tal prática como mandamento e a tolerou como ações de homens pecadores. Como uma igreja pode reclamar ser verdadeira tendo como base uma perseguição motivada por uma “doutrina” repudiada pelas escrituras sagradas?

Mas, a perseguição como instrumento autenticador da fé verdadeira não é uma característica apenas das seitas. Grupos evangélicos também possuem a mesma ideia – mormente seus líderes. Concordo que a verdadeira fé pode atrair perseguição, mas a perseguição não necessariamente serve para validar todo e qualquer tipo de fé.

Quem não se lembra o episódio ocorrido em 9 de janeiro de 2007 onde o “apóstolo” Estevam Hernandez e sua esposa (Sônia Hernandez) foram detidos em um aeroporto de Miami por “estarem carregando U$ 56 mil escondidos em meio a bíblias e terem declarado a alfândega que não carregavam mais de U$10 mil”? (Leia aqui). Foram declarados culpados pela justiça americana e sentenciados a uma pena de 140 dias de reclusão em regime fechado “em fases intercaladas pelo motivo de um dos dois ter que cuidar dos filhos durante a ausência do outro”.

Qual foi a justificativa aos fiéis da denominação? Perseguição religiosa – neste caso da Rede Globo. Outro apóstolo - Valdomiro Santiago - afirmou que estava sendo perseguido pela Receita Federal. Silas Malafaia ‘”de vez em sempre” acusa governos e partidos políticos de perseguição religiosa. Os evangélicos, de maneira geral, espalham teorias conspiratórias excêntricas. O pastor Ricardo Gondim escreveu um artigo muito interessante sobre este assunto (Leia aqui).

Não estou negando que houve ou que não haverá perseguição contra os servos de Cristo. O apóstolo Paulo informou que “De fato, todas as pessoas que almejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidas” (II Timóteo 3:12). Jesus disse aos seus discípulos: “Recordai-vos das palavras que Eu vos disse: ‘nenhum escravo é maior do que o seu senhor’. Se me perseguiram, também vos perseguirão. Se obedeceram à minha Palavra, igualmente obedecerão à vossa orientação” (João 15:20). No Sermão do Monte Jesus ensinou que é bem-aventurado “os que sofrem perseguição por causa da justiça” (Mateus 5:10-12). Disse também que seríamos odiados de todos por causa do seu nome (Mateus 10:22-25). A história cristã primitiva testemunha a perseguição dos judeus, gentios, governantes, religiosos, etc, a igreja nascente. Mas, não devemos comparar com os motivos elencados pelos líderes de seitas e igrejas evangélicas da atualidade. O sentido não é o mesmo.   

Não adianta invocar certos elementos de autenticação quando os fundamentos do cristianismo primitivo estão ou são falsificados. O que valida o cristianismo verdadeiro é a conformidade de sua pregação com os ensinamentos de Jesus e seus apóstolos, conforme Efésios 2:20: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra angular desse alicerce”.

No amor de Cristo,
  




terça-feira, 2 de junho de 2015

A DOUTRINA DA GRAÇA PREVENIENTE É BÍBLICA?

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John Wesley
Você lembra o dia em que recebeu Cristo como Salvador e Senhor? Lembra-se de como isso aconteceu? Consegue descrever cada etapa de seu novo nascimento em Cristo? Talvez alguma coisa consiga lembrar, mas como seu coração foi “invadido” pela presença salvadora do Espírito, amolecendo seu coração e produzindo instantaneamente uma nova vida, arrependimento e fé, mudando as disposições de sua alma; o momento exato do acontecimento dessas coisas é impossível de sabermos.

Qual sua participação no processo da salvação? Sua vontade estava neutra? Se quisesse poderia mudar naquele momento sua decisão voltando atrás e não querendo mais Cristo como seu Salvador? Foi você quem deu o primeiro passo e decidiu por Cristo? Você se sentia o “dono da situação” no momento da sua conversão? Se a maioria das suas respostas foram SIM então você pode se orgulhar do seu arrependimento e da fé na aceitação de Cristo. Você produziu sua própria salvação.

Sabendo disso há uma teologia que desenvolveu o conceito da doutrina de uma graça “que vem antes” da conversão – a Graça Preveniente. Esta propicia ao pecador condições de escolher ou não a Cristo. Ou seja, no momento da conversão o pecador está numa situação de neutralidade. Esta graça foi dada a toda a humanidade (é universal); todo o ser humano a possui, mas ela não é eficaz na salvação, pois o poder da decisão está com o pecador. Essa doutrina nada mais do é que uma tentativa de relacionar a salvação da parte de Deus com a responsabilidade de cada pessoa. A pergunta: esta doutrina é bíblica?

Não “há textos bíblicos específicos para tratar da graça Preveniente” (Heber Carlos de Campos).  Por isso seus adeptos se apegam aos versículos que tratam sobre a expiação universal de Cristo, como João 1:9; João 12:32; Tito 2:11. A doutrina da Graça Preveniente é também a tentativa de preservar a autonomia libertária do ser humano.

É importante informar que cada ser humano é responsável por seus pecados e está sob condenação desde a queda de Adão (Romanos 6:23; 3: 11) e não neste EXATO momento. Afirmar que o livre arbítrio ou livre vontade é necessário para a aceitação de Cristo como Salvador por causa de sua responsabilidade não se coaduna com a verdade dos fatos bíblicos. A Bíblia afirma tanto a soberania de Deus quanto a responsabilidade humana. Em seu discurso aos judeus o apóstolo Pedro afirmou que a morte de Cristo estava dentro do desígnio de Deus desde a eternidade, mas mesmo assim tanto os judeus quanto Pilatos e seus funcionários eram responsáveis por sua morte: “sendo este entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (Atos 2:23).

Aceitar que Deus age soberanamente na salvação do pecador não o faz maligno, pecador ou maléfico. Quando Adão pecou arrastou consigo toda a humanidade a condenação eterna. Não fosse a iniciativa de Deus Adão teria recebido a justa condenação. Você pode indagar: mas qual a parte do pecador no processo da conversão? Essa pergunta pode ser capciosa. A salvação é uma obra monergística e poderosa de Deus capacitando instantaneamente o pecador a reconhecer seus pecados (arrependimento) e voltando-se a Cristo. Dizemos que quando o pecador age em arrependimento e fé, ele o faz pela ação poderosa de Deus. Deus é injusto ao conceder no coração de alguns o arrependimento para a fé em Cristo? Certamente que não. Quando apóstolo Paulo comenta sobre a rejeição de Israel afirmou: “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão” (Romanos 9:14,15).

Não existe a tal Graça Preveniente que capacita o pecador para decidir ou não sobre sua salvação. Se a salvação estivesse em nosso poder estaríamos irremediavelmente perdido, pois “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9).

Mas se é Deus quem efetua a salvação, o pecador ainda assim é livre? Sim. Não vimos a Cristo arrastado ou coagido, pois Deus muda as disposições da nossa alma nos dando vida espiritual e efetuando nossa conversão. O profeta Ezequiel (36:26,27) anunciou a restauração de Israel nos seguintes termos: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis”. O Senhor Deus não disse que enviaria uma graça preparatória e assim eles poderiam escolher. O ser humano em seu estado natural não busca o novo nascimento, até porque conforme Jesus disse a Nicodemos que a regeneração procede do alto e não de baixo (João 3:3); do céu e não da terra; de Deus e não do homem: “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1:13).

Cremos que somos exclusivamente salvos pela graça de Deus independente de nossas obras. Isso significa que qualquer poder de decisão da parte do ser humano é uma obra. Não creio na neutralidade do pecador no momento da sua decisão por Cristo, assim como não creio que entre um copo de água e um de aguardente já sabemos qual será a escolha do viciado em bebida alcoólica. O ser humano é viciado e seu vicio chama-se pecado. Somente uma obra eficaz e poderosa da parte de Deus pode mudar as inclinações da alma do pecador. A Bíblia diz que estávamos mortos em nossos pecados e delitos (Colossenses 2:13) e não percebo nada que um morto possa receber antecipadamente para tornar a viver. Quando Cristo chamou Lázaro à vida sua ressurreição foi instantânea.

O convite permanece: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” ou “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração, como foi na provocação”.

No amor de Cristo,