terça-feira, 31 de maio de 2011

A ORIGEM DO PECADO

Se Deus é bom, justo, perfeito e quer o bem da humanidade, então de onde vem o pecado? Qual sua origem? Como aconteceu sua entrada em nosso Universo?
De fato, saber a sua origem é vital para implantar o remédio eficaz contra este mal que assola o ser humano. Fingir que o pecado não existe, ignorá-lo, é a tendência de vários segmentos na sociedade. Mas antes de respondermos à pergunta: “De onde veio o pecado?”, analisemos algumas teorias que tentam negar esta realidade:
Gnosticismo
Esta teoria continua sendo, assim como foi no passado, uma grave ameaça para a igreja cristã. Sua propagação deu-se especialmente no período entre os séculos I a III. Numa forma bem simples, podemos definir o gnosticismo como o movimento cujos adeptos julgam ter “conhecimentos especiais”, superiores aos cristãos, e uma nova forma de comunicar-se com um Ser Superior. Os gnósticos identificavam o mal com a matéria, ou seja, a carne com suas paixões, e o bem como uma substância do espírito. Sendo assim, não há razão para acreditar no pecado, que no caso, seria nada mais do que a eterna luta entre o bem e o mal.
Ateísmo
O termo vem do grego atheos, que significa sem Deus. Exatamente por negar a Deus e viver sem Ele, negam o conceito de pecado, porque o pecado não pode ser simplesmente contra o ser humano, mas, contra um Ser soberano. Se assim fosse as pessoas que não fazem nada de errado contra o seu próximo poderiam considerar–se boas, justas e isentas de pecado. Não há pecados se não há atos errados, pensam os ateus.
Hedonismo
Para os hedonistas o que importa é o prazer e este deve ser desfrutado sem nenhum sentimento de culpa. O hedonista não está preocupado se algo é errado, mas antes, se promove prazer. Ceder à tentação é algo normal e resistir a ela seria perda de tempo. Em nome do prazer é válido todo tipo de prática, principalmente os atos imorais, como o homossexualismo, o lesbianismo, o adultério, etc.
Evolucionismo
Se há pecado no ser humano este é o resultado da animalesca e primitiva origem do homem, é o que pensam os adeptos da teoria da evolução e/ou do evolucionismo. No entanto, perguntamos: Como pode ser isso, visto que os animais não pecam? Diante desta indagação, os evolucionistas defendem a idéia de que não há espaço para o sentimento de culpa, não há a imagem divina no ser humano, não há distorção desta imagem. Portanto, o ser humano não depende e nem precisa de Deus.
É importante para o aluno deter o conhecimento destas concepções sobre o pecado, primeiro porque são ao mesmo tempo antigas e contemporâneas e segundo, porque leva-nos a examinar o que a Bíblia diz a respeito da origem do pecado. E é isto o propomos a seguir.
A origem do pecado sob o ponto de vista bíblico
A rebelião angelical
Antes que Adão e Eva pecassem, o pecado aconteceu no mundo angelical por meio da desobediência e rebelião de Satanás contra Deus, apoiado pelos anjos que o seguiram no seu intento magistral. É óbvio que Deus não criou o Diabo, mas sim, um ser angelical poderoso, com o privilégio de servi-lo, como os demais anjos. Quanto ao tempo exato da rebelião de Satanás nas regiões celestiais, há divergências entre os teólogos em geral. Há estudiosos da Bíblia que entendem haver menção desta rebelião e conseqüente queda de Satanás nos textos de Ezequiel 28.15: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti” e Isaías 14.12: “Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!”. Já há outro grupo de estudiosos que não admitem nestes textos a possibilidade de referir-se a Satanás na sua rebelião e queda. Não entraremos aqui no mérito destas questões, isso poderá ser discutido com propriedade em nosso próximo módulo, no estudo sistemático sobre os anjos. O que é fundamental sabermos por ora é o fato de que tanto uma corrente de interpretação como outra, admitem Satanás como o originador do pecado.
Satanás e sua origem pecaminosa
O pecado de Adão e Eva dependeu antes da instrução maliciosa e tendenciosa de Satanás, por intermédio da serpente, no jardim do Éden, conforme registra a Bíblia (Gn 3.1-6). A sua responsabilidade, com relação à entrada do pecado no mundo e sua natureza é evidente: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” (Jo 8.44). O apóstolo João diz que o Diabo peca desde o princípio: “... porque o diabo peca desde o princípio” (1 Jo3.8).
Deus não é o autor do pecado
Colocar a culpa do pecado em Deus é se eximir da responsabilidade. Conforme vimos anteriormente, a entrada do pecado no mundo deu-se primeiramente no mundo angelical, logo após essa ocorrência o homem também pecou. Sendo assim, qual é a culpa de Deus no caso?
Há uma teoria chamada “Determinismo” que ensina ser o livre arbítrio uma ilusão e que na realidade há dentro do ser humano impulsos e circunstâncias que não podem ser controladas e nem evitadas pelo homem. Desta forma, se a pessoa é boa ou má pouco importa e assim esta não deve nem ser elogiada nem condenada por seus atos, visto ser escrava dos seus impulsos e das circunstâncias. Este pensamento faz de Deus o autor do pecado e o responsável direto pela entrada deste no mundo. Entretanto, a Bíblia nos mostra a santidade de Deus de forma incisiva: “Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é” (Dt 32.4). Deus repudia a perversidade: “Portanto vós, homens de entendimento, escutai-me: Longe de Deus esteja o praticar a maldade e do Todo-Poderoso o cometer a perversidade!” (Jó 34. 10).
Dualismo
Os gnósticos ensinavam que havia na natureza duas forças: a do mundo físico, identificada com o mal e a do mundo espiritual, identificada com o bem. No caso, o Deus bíblico não teria criado o mundo físico, pois o mesmo se compunha da matéria, e a matéria é física, e o físico é mal.
O problema de aceitar esta teoria é que somos obrigados a aceitar a idéia de um poder maligno existente eternamente junto de Deus, ou igual ou mais poderoso do que Ele. Temos de entender que Deus “fez todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1.11). Sendo Deus onisciente, até mesmo antes de criar o homem já sabia da entrada do pecado no mundo, no entanto, a sua manifestação na terra surgiu das decisões voluntárias das criaturas moralmente capacitadas.
A raça humana
De forma voluntária, Adão e Eva pecaram contra Deus. Deus tinha dito ao casal que poderia comer de toda a árvore... “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). Contrariando esta palavra a serpente disse que não morreriam: “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis” (Gn 3.4). O Diabo, representado pela serpente, semeou a dúvida e colocou em xeque a veracidade da Palavra de Deus. Cabia a Eva acreditar ou na Palavra de Deus ou na da serpente.
O Diabo insinuou ao casal que Deus estava escondendo um segredo deles e opinou arbitrariamente que o segredo era a possibilidade de se tornarem deuses também: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3.5). O erro do casal foi “esquecer” que Deus os criou com a finalidade de serem criatura e não Criador; servos e não Senhor. A responsabilidade do ser humano na entrada do pecado no mundo está em Romanos 5.12: “... por um homem entrou o pecado no mundo” e ainda que “...a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão” (1Tm 2.14). Os passos para o pecado deram-se gradativamente: “E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gn 3.6).
O pecado na era dos pais apostólicos
Orígenes
Nascido, provavelmente em Alexandria, no Egito, cerca de 185 d.C, faleceu em Tiro, cerca de 254 d.C. Foi um dos maiores filósofos-teólogos cristãos. Combateu ferrenhamente o gnosticismo. Para ele, a questão do pecado é universal. Pelo fato de a alma (o pecado de Adão e Eva) ter se envolvido com o pecado, nosso corpo teria aprisionado a alma, entretanto, há uma redenção para esta. O ser humano pecou por sua própria liberdade e vontade.
Irineu
Acredita-se que tenha vivido entre 130-200 d.C. Foi um eminente líder e teólogo cristão. O gnosticismo sofreu fortes ataques por seu intermédio. Acreditava na culpabilidade do pecado transmitido pela transgressão de Adão. Cristo tornou-se pecado em nosso lugar (na sua morte) quando corrigiu o erro e a desobediência de Adão.
Agostinho
Aurélio Agostinho nasceu no ano de 354 d.C. na província romana ao norte da África. Foi um competente teólogo cristão. Entendia que o pecado não era um mal necessário, mas deu-se devido ao livre arbítrio humano. A contaminação e a culpa são originadas do pecado e este ofende a santidade de Deus.
Cipriano de Cartago
Nasceu em Cartago, África do Norte, cerca de 200 d.C. Aos 46 anos, converteu-se ao cristianismo e abandonou as crenças e práticas religiosas pagãs de sua família. Afirmou que todos nascem culpados do pecado de Adão e considerava que mediante o batismo a pessoa obtinha a regeneração.

sábado, 21 de maio de 2011

O CULTO GENUÍNO

Por Gilson Barbosa
Tem muita gente, no meio evangélico, confundindo culto cristão com culto pagão. Sal grosso, rosa ungida, cajado de Moisés, troca de anjo, entre outras barbaridades, não são elementos cristãos e em hipótese alguma deveria fazer parte do culto cristão. Aliás, a meu ver, as igrejas que agem dessa forma estão muito distantes do autentico cristianismo – humanamente, não sei como Deus irá julgar essas igrejas! Urge reiterar o que Jesus disse à igreja em Éfeso: “Recorda-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras” (Ap 2.5). Sei que é difícil, mas não impossível, que essas igrejas, divorciadas do genuíno cristianismo, retornem às primeiras práticas cristãs, no culto.
Já outros crentes têm distorcido o sentido de culto cristão pensando se tratar este de megaeventos denominacionais, festividades evangélicas, encontros de lideranças, apresentações musicais, exibição de pregadores “renomeados” entre outros. Porém, nada desses fatores representam essencialmente o culto cristão.
Na lição dessa semana estudaremos sobre o procedimento e a natureza de um culto notadamente pentecostal. É pela prevalência atual das línguas estranhas e dos dons espirituais que denominamos de culto pentecostal, porém entendo que nossos irmãos tradicionais cultuam genuinamente a Deus, mesmo não tendo línguas e nem dons espirituais, de maneira correta. A discussão fica reservada a contemporaneidade das línguas e dos dons espirituais, como elementos do culto cristão.
Definições etimológica de “culto”
Latréia, Latreuo, Latréueis – O erudito W.E. Vine informa que latreuo, é primariamente “trabalhar por aluguel” (cognato de latris “empregado contratado”). São expressões gregas que significam “adorar”, “servir”. É usado acerca do serviço a Deus em Mateus 4.10 quando Jesus diz a Satanás “Ao Senhor teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto”. A palavra culto, no texto grego – nesse versículo – é latreuseis (latreuseis). “Kurion ton Teon sou proskuneseis, kai autow monw latreuseis”.
DiakoneuoSignifica “auxiliar, ministrar”, “prestar qualquer tipo de serviço”. Nosso Senhor Jesus Cristo mostrou toda a sua humildade, com respeito a sua dedicação aos outros, quando disse: “Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve” (Lc 22.27 – NVI). A palavra “servir”, nesse versículo, é diakonon (diakonwon).
TherapeuoSignifica principalmente “servir como therapon, assistente”; então “cuidar dos doentes, tratar, curar, sarar”. O terapeuta era aquele prestava “serviço voluntário, sem remuneração; geralmente exercido na área carita-tiva ou no serviço público, mas sempre de cunho social. O ‘therapeuta’ era livre para ‘doar’ o seu trabalho como expressão de amor fraternal e comunitário”.
Huperetes – “remador [da fileira] de baixo” (formado de hupo, “debaixo de”, e eretes, “remador”). Segundo W.E.Vine denota “qualquer subordinado que age sob a direção de outrem”. Era “o serviço de remador; remar como escravo sob comando imperativo do administrador da embarcação”. Huperetes é usado em Lucas 4.20 com referência ao assistente de serviço da sinagoga: “E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele”.
Enfim, todos estes termos denotam ou conotam a essência do culto cristão, que é “servir”. Portanto, quando nos reunimos na igreja para cultuar a Deus, na verdade, estamos prestando um serviço à Ele. Nós, crentes, não somos o objeto do culto, mas apenas agentes. Por isso, é errado hoje em dia cultos que enfatizam o ser humano acima da adoração a Deus – é o antropocentrismo em contraposição ao teocentrismo.
Definição teológica
Uma definição diz que “à palavra culto automaticamente vem ligada a ideia de louvor, reconhecimento, ações de graça; isto porque é impossível tributar-se culto divino a alguém ou a algum tipo de divindade, quando não se tem motivo para fazê-lo”.
Claudionor de Andrade nota que “o culto é o momento de adoração que tributamos a Deus; marca o encontro do Supremo Ser com seus adoradores. Eis porque, durante o seu transcurso, cada membro da congregação deve sentir-se e agir como integrante dessa comunidade de adoração – a Igreja de Cristo.
O Rev. Onézio Figueiredo, diz que é “serviço prestado a Deus pelo salvo e pela comunidade em todas as atividades vitais e existenciais. Servir é a condição essencial do servo. No primeiro caso, trata-se da atividade constante do real servidor de Deus, que o serve de dia e de noite com sua vida, testemunho, profissão e adoração. No segundo, tem-se em vista a liturgia comunitária, a adoração dos irmãos congregados, o ser e a voz da Igreja”.  

sexta-feira, 20 de maio de 2011

OS OBJETIVOS DA IGREJA

Por Gilson Barbosa
A igreja é uma comunidade composta por vários segmentos da sociedade, por várias famílias, por uma diversidade de pessoas, envolvendo uma vasta gama cultural, hábitos e costumes. Cada pessoa que aceita a Cristo e começa a fazer parte desta comunidade, aos poucos mostra as variedades de hábitos, próprios até do nosso vasto sistema geográfico. Contudo, a igreja deve promover a paz e harmonia, em meio a tantas diferenças e explicitar aos seus membros que ela tem uma missão, um objetivo, um ideal. Este objetivo é interno e externo. Para o bom funcionamento organizacional e espiritual da igreja é relevante que ela observe, na prática, as regras e o ensino que irão nortear os cristãos que a freqüentam. Notemos que existem mais doutrinas, comumente a Ceia do Senhor e o Batismo, que devem ser praticadas entre os crentes, e estimuladas pela igreja. Vejamos:
A instrução bíblica
As Escrituras Sagradas são a primazia no ensino eclesial e na vida cristã de cada membro. Seus efeitos na vida da pessoa que aceita o Evangelho e declara fé cristã em Jesus são perenes: “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1Pe 1.23). A explicação dada pelos estudiosos materialistas ao ser humano que vivia em estado deplorável e agora vive uma “mágica” transformação, não passa de subterfúgios para negar a veracidade e a realidade de que o Evangelho, através do ensino da Palavra de Deus, produz na pessoa: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2Co 5.17). Esta mudança é incitada originalmente pela fé, através da Palavra de Deus: “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17). A palavra de Deus é luz: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho” (Sl 119.105). Ela penetra no íntimo do ser humano: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”. Charles Hodge, importante teólogo, disse que “as nações onde a Bíblia é desconhecida permanecem em trevas”. A palavra de Deus, o ensino bíblico, deve ocupar relevante destaque nas igrejas, e a prática de seus ensinos, por parte dos membros, deve ser vivenciada no dia-a-dia.
A harmonia fraternal
A comunhão entre as pessoas que professam a mesma fé cristã, e vivem no mesmo ambiente comunitário, está claramente ordenada nas Escrituras Sagradas: “Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união” (Sl 133.1). Não é cristão o comportamento e as atitudes dos que visam à vingança, ao ódio, à traição, intriga, calúnia, mentira, etc, e ainda mais, no mesmo convívio e ambiente, onde o objetivo deve ser espalhar a valia da boa convivência. Esta cooperação entre os crentes na igreja deve ser mútuo: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo” (Gl 6.1). No início da igreja cristã primitiva, os irmãos interagiam demonstrando que estavam preocupados uns com os outros: “E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (At 2.42).
Evangelismo
A queda do homem, no Jardim do Éden, não “pegou Deus de surpresa”, pois o Redentor já estava preparado desde a fundação do mundo: “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13.8). Quando Deus escolheu a nação de Israel, tinha em mente que esta propagasse a salvação entre todas as gentes. Vemos isso mediante Abraão (Gn 12.1-3), na responsabilidade que os hebreus tinham de intermediar entre Deus e os homens (Ex 19.5,6), na exposição do nome de verdadeiro Deus face aos falsos deuses (1Sm 17.45,46), e por todo o Antigo Testamento.
No período neotestamentário, temos em Jesus o exemplo do maior missionário que o mundo já teve. Basta lermos os quatro evangelhos para presenciarmos suas curas, milagres, provisões, pregações, tudo enfatizando o evangelismo, a salvação de almas. Antes de ser crucificado enviou os discípulos ao trabalho de evangelização (Mt 10; Mc 6.7-13; Lc 9) e, após a sua ascensão, prosseguiu enfocando a necessidade de anunciar o Evangelho (Mt 28.19,20; Mc 16.15,16). É responsabilidade da liderança eclesiástica doutrinar os membros a respeito do evangelismo, e é da competência do povo de Deus levar a efeito tão sublime tarefa.
Adoração
A igreja de Cristo tem a incumbência de adorá-lo em espírito e em verdade: “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (Jo 5.24). Deve ficar bem claro que não podemos confundir o ritual litúrgico das igrejas com o ato de adorar ao Senhor. As formalidades no culto judaico tornaram-se tão amparadas pelos sacerdotes, que acabaram excedendo à verdadeira essência da adoração. Adorar a Deus é muito mais profundo que simplesmente cantar, pregar, dançar, evangelizar, etc. Tudo isso é importante, mas se não houver integridade na adoração, isso de nada vale.   
A importância do estudo eclesiástico
O conceito eclesial é muito superior às organizações que compõem as sociedades existentes no mundo atual. É por isso fundamental saber todos os ensinos pertinentes a ela. Como podemos observar, o estudo da eclesiologia (Doutrina da Igreja), é de vital importância para todo e qualquer membro de igreja. No entanto, infelizmente, o privilégio desse saber está restrito a poucos, pois a grande maioria não tem o privilégio de cursar um ensino teológico.
A igreja, como comunidade local, deve lutar e se esforçar para proporcionar o bem estar espiritual e social de nossa sociedade e, como sal da terra e luz do mundo, deve ela influenciar os meios em que vive e ser diferente do mundo secularizado. É exatamente isto o que reclama a definição do termo igreja, “tirado para fora”, neste caso, do sistema anárquico secular para anunciar que Deus tem “um povo especial, zeloso e de boas obras” (Tt 2.14).
Esta influência é possível, principalmente, porque Cristo é o principal fundamento em que a igreja está alicerçada. Tendo Ele, como a “principal pedra da esquina”, somos as “pedras vivas” deste grande edifício, que é a igreja. Contudo, apesar de sermos “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido”, isto não implica em que todos os que fazem parte da igreja visível necessariamente componham a Igreja invisível de Cristo. Atentemos para este fato. Os salvos, dentro da igreja, são a igreja que Deus vê.
Em se tratando de doutrinas bíblicas fundamentais, a uniformidade deve ser acentuada, entretanto, em práticas litúrgicas, cada denominação observa determinados procedimentos. Cada estudante de teologia, representado como igreja, deve exercer o seu papel de legítimo herdeiro das bênçãos celestiais. Ser uma igreja (dos salvos), dentro de outra igreja (comunidade local), é o nosso maior objetivo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

ECLESIOLOGIA DO MOVIMENTO NEOPENTECOSTAL

Por Gilson Barbosa
Uma sucinta análise da eclesiologia utilizada no Movimento Neopentecostal que os distanciam em vários sentidos do movimento pentecostal clássico.
  O Movimento Neopentecostal trouxe para o cenário evangélico, muitas inovações ou modernidades nunca antes encontradas no movimento pentecostal clássico: Teologia da Prosperidade, doutrinas heterodoxas, estilos musicais extravagantes, apelo monetário atrevido nos cultos - aos fiéis, marketing televisivo, triunfalismo terreno, materialista e excessivo, doutrinas paganizadas, cultura social secularizada, entre outros.
Se por um lado teólogos, apologistas e pastores ortodoxos doutrinariamente combatem estes itens elencados no parágrafo anterior, por outro, infelizmente, outros pastores, igrejas e lideranças do movimento pentecostal clássico – especialmente a Igreja Evangélica Assembléia de Deus - aderiram e moldaram-se ao estilo neopentecostal.  Com certeza, estas igrejas, “pagarão” um preço muito alto por isso.       
Ponto de vista sociológico
Antes de proceder, à breve análise do culto neopentecostal, é interessante compreender os movimentos evangélicos sob o ponto de vista sociológico.
Existem várias classificações dos movimentos evangélicos, mas alguns são mais eficientes e condiz com a realidade. Ricardo Mariano, mestre em sociologia pela USP, classifica em: pentecostalismo clássico, deuteropentecostalismo e neopentecostalismo. Paul Freston, doutor em sociologia pela UNICAMP, classificou as fases distintas do pentecostalismo de “ondas” ou mais precisamente de 1ª, 2ª e 3ª ondas.
As fases do Pentecostalismo
1ª Onda – Pentecostalismo Clássico (Assembléia de Deus e Congregação Cristã – na década de 1910)
2ª Onda – Período Médio do Pentecostalismo (Igreja do Evangelho Quadrangular, Brasil para Cristo e Deus é Amor – na década de 1950);
3ª Onda – Neopentecostais (Universal do Reino de Deus, Internacional da Graça e todas as outras – a partir da década de 1970).
NOTA: Uma regra geral é averiguar a data da origem do movimento e a partir daí proceder à classificação sociológica. As nominações das igrejas seguem praticamente a mesma ordem do sociólogo Paul Freston, na classificação diferente de Ricardo Mariano.
Eclesiologia Neopentecostal
Geralmente estes movimentos não enfatizam seus Credos religiosos ou Declaração de Fé, como fazem as igrejas evangélicas tradicionais, por isso, há dificuldade em analisar pontos doutrinários.
Nos pontos fundamentais da fé cristã apresentam coerência com as igrejas históricas, mas, uma pesquisa mais profunda nota-se que há pontos paradoxais e muitas contradições teológicas, e, devido a isso a comunhão fraternal entre as igrejas (pentecostal e as neopentecostais) torna-se emblemática e até mesmo impossível. Infelizmente, há pastores, que devido a interesses – que não me interessam – e depois de muito “profetizarem” contra as práticas doutrinárias do movimento neopentecostal, hoje em dia, utilizam os seus métodos de pregações, seus métodos de extorquir financeiramente a igreja de Deus, posam em fotos juntos, concordam com as práticas dos líderes neopentecostais, inclusive se tornaram concorrentes na área financeira adquirindo carrões e jatinhos – o que me leva a pensar que nossos crentes precisam sentar nas cadeiras de escolas teológicas e refletir sobre esse assunto, senão continuarão sendo vítimas destes loucos ambiciosos e ávidos avarentos.  
Devido o caráter emergencial e prático deste artigo analisaremos, resumidamente, o aspecto eclesial do movimento neopentecostal e não o aspecto teológico. É fato que os movimentos apresentam problemas nestes dois pontos. O ponto teológico pode ser analisado em outra oportunidade.  Passemos então ao sistema eclesiástico dos movimentos neopentecostais.
A ênfase do culto neopentecostal
A ênfase, em culto neopentecostal, recai sobre o ser humano – é o famigerado antropocentrismo. Este é o elemento de suma importância no culto. Tudo gira em torno de que suas necessidades, quase sempre materiais, sejam prontamente atendidas por Deus. Para eles o que importa é que Deus quer, a todo o custo, enriquecer o fiel, e, caso não seja assim, o crente tem a obrigação e o direito de indagar a Deus a ausência das bênçãos financeiras. A “adoração” a Deus fica reservada apenas no momento da apresentação do (s) grupo (s) musical (ais). Contudo, é fato estabelecido que o objetivo primordial do culto é adorar ao Senhor. Outrossim, adoração é um estilo de vida do cristão, ou seja, esta é uma prática habitual e cotidiana. Quanto a liturgia ela segue visivelmente o binômio: louvor e pregação. E pregação, diga-se de passagem, da pior espécie. Em sua maioria não há escolas teológicas, estudos bíblicos específicos ou escolas dominicais.
O líder
È curioso como os seguidores devotam tanta atenção e ao líder – beirando a idolatria. Não que os que lideram igrejas não mereçam honra e respeito por parte dos liderados, mas, o que temos visto são atos, acentuo, quase idolátricos. Recentemente fiéis, incrivelmente, tatuaram em seus corpos o nome de certo bispo retratando fidelidade a ele, mesmo sob a comprovação evidente, de que ele, juntamente com sua esposa, foi flagrado no aeroporto de Miami com US$ 56,4 mil dólares dentro da Bíblia sem apresentarem justificativas verdadeiras e concretas para tal ato. (leia a notícia aqui).  Isso não significa que no movimento pentecostal clássico não existam pastores que gostam de ser bajulados ou lisonjeados, nem que adeptos (membros) não admirem excessivamente tais pastores, mas sim que esta não é característica peculiar deste movimento.
Pregação
A pregação de um culto neopentecostal é o maior instrumento de aferição deste movimento. São pregações textuais ou temáticas com ênfases em prosperidade material. Não há espaço para as pregações expositivas – consideradas pelos teólogos ortodoxos como a que tem maior eficácia doutrinária na condução do povo de Deus. Não que as pregações temáticas ou textuais sejam erradas, mas que, é a melhor forma deles pregarem a teologia da prosperidade, a confissão positiva, a maldição hereditária, etc. Aliás, não posso deixar de mencionar que esse tipo de pregação neopentecostal tem sido executada por muitos pregadores “famosos” nos círculos pentecostais, classificados como clássicos. “Seus sonhos serão realizados”, “sonhe os sonhos de Deus”, “Deus vai te prosperar”, “você não morrerá antes da promessa de Deus se realizar na sua vida”, “você é campeão”, são algumas declarações de frases e jargões usadas nas pregações neopentecostais. Não se menciona a obra de Cristo, sua redenção, ressurreição, arrebatamento da igreja, batismo com o Espírito Santo, o cuidado com a santidade, e outros assuntos similares.  
Proselitismo
A maioria das igrejas clássicas, como a Assembléia de Deus, por exemplo, aumentaram a quantidade de membros em suas igrejas através do evangelismo pessoal, do evangelismo em massa, dos cultos ao ar livre – não que não existam nas ADs membros oriundos de outras denominações.
Não acontece o mesmo nas igrejas neopentecostais. A maioria dos membros destas igrejas migraram das igrejas antigas atraídos pela liturgia.  Em algumas igrejas neopentecostais percebe-se nitidamente que a maioria dos membros são jovens, pois, certamente este modelo agrada mais a juventude – é o caso da Batista da Lagoinha. Outros são atraídos por pregações enfáticas em assuntos periféricos (como curas) quando contraposto com as doutrinas fundamentais – é o caso da Mundial do Poder de Deus. 
O oficio ministerial
A história eclesiástica comprova que os três ofícios, ministeriais, nos primórdios da igreja eram: bispos, presbíteros e diáconos. O que se nota nos movimentos neopentecostais é títulos nada condizentes com a história neotestamentária da igreja. Um dos títulos mais destacados, no ministério eclesiástico, é o de Apóstolo. Já no grupo de louvores são Levitas. Não é de entendimento teológico correto denominar alguém de apóstolo com idéias similares as dos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo. Não quero ser incorreto e nem julgar maldosamente, mas pra mim quando alguém se auto intitula apóstolo o faz com intenções nada boas. Querem arrogar imunidade espiritual, eclesiástica e pessoal com fins de autoridade sobre os membros.
O batismo com o Espírito Santo e os Dons do Espírito Santo
Tanto o batismo com o Espírito Santo (falar em línguas desconhecidas) ou os dons do Espírito Santo não são seriamente buscados no movimento neopentecostal. Aliás, em algumas igrejas eles não são comentados, ensinados ou os membros são incitados a buscarem com afinco. Se o (s) critério (s) histórico para classificar uma igreja de pentecostal é o falar em línguas desconhecidas (glossolalia) e buscar os dons espirituais, muitas igrejas não são pentecostais no sentido clássico. É bom que se defina assim, para que os estudiosos irreligiosos, céticos, ateus, secularistas, não coloquem todos os pentecostais clássicos no mesmo balaio. Por outro lado, é bom também que alguns tradicionais reformados parem de fazer menção pejorativa do pentecostalismo clássico por conta dos neopentecostais. É bom que saibam leitores, que as igrejas Assembléias de Deus, por exemplo, há muito tempo tem se preocupado e incentivado seus membros a estudarem teologia. Se isso é pouco para alguns, é um passo extremamente importante para a uma doutrina sadia.  
Advertências pentecostais
É verdade que há pessoas salvas e até conquistas de algumas bênçãos espirituais ou materiais no Movimento Neopentecostal. Porém, só Deus pode avaliar questões essenciais, subjetivas e pessoais. No caso das igrejas, elas pecam por omissão, transgressão, certas convenções e muitas transgressões bíblicas. A meu ver as lideranças neopentecostal deveriam arrepender-se de distanciarem tanto da ortodoxia teológica, doutrinária e bíblica, e por fim levar a grande massa do povo, membros das suas igrejas ou de outras, para uma compreensão confusa, equivocada e divorciada do que de fato seja cristianismo autenticamente bíblico. Penso que ainda que seja impossível isso acontecer, pelo menos é o que deveria obrigatoriamente acontecer. Que estes fatos e essa breve reflexão sirvam também de alerta a todos os crentes que aderiram ou preferem aderir ao Movimento Neopentecostal e que também seria interessante investir no discipulado de novos crentes. Estas são advertências pentecostais ao Movimento Neopentecostal. Que Deus nos ajude!
            

quinta-feira, 12 de maio de 2011

NÃO É DE HOJE!

Por Gutierrez Siqueira


“Gostaria que os nossos hinos fossem mais de adoração. Setenta e cinco por cento de nossos cânticos hoje falam mais sobre nós mesmos, sobre nossos sentimentos e experiências. É tempo de chegarmos à igreja para cantarmos ao Senhor. Seria uma boa coisa realizar uma ou duas reuniões onde chegássemos para ministrar ao Senhor, onde chegássemos para trazer-lhe algo”. Donald Gee [1]
Donald Gee escreveu essa observação na década de 1930. A situação dos cânticos pentecostais já era crítica. Hoje, continua da mesma forma ou pior. O que acontece com a musicalidade pentecostal?

Estou neste momento com o hinário usado pelas senhoras do Círculo de Oração da igreja onde congrego. Veja os títulos dos hinos cantados constantemente:

“É Só Vitória”, “Profetizo Promessas”, “Há uma Saída”, “Chora que a Vitória Vem”, “Creia na Vitória”, “Deus abre o Mar”, “Explosão no Abismo”, “Quem te Viu, Verá”, “Cântico da Vitória”, “Deus Determinou”, “Você é Abençoado”, “Homem dos Milagres”, “Deus Resolve o Teu Problema”, “Milagres e Maravilhas”, “Anjo do Egito”, “Valeu a Pena”, “Recuar Jamais”, “Menina dos Olhos de Deus”, “Ninguém Pode Impedir”, “Eu Acalmo o Mar”, “Deus Te Fará um Vencedor”, “Nunca Pare de Lutar”, “A Batalha do Arcanjo”, “Vivendo pela Fé”, “Seu Nome é Já”, “Milagres do Caminho”, “O Agir de Deus” etc.
Deus em momento algum é adorado com essas letras. O destaque está nas vitórias que Deus pode proporcionar para o crente. O foco é o homem e Deus é um mero serviçal. Há muita mensagem de autoajuda, de psicologia barata. Veja o coro da música “Soldado Fiel”:
Vou vencer, conquistar
Vou vencer, vou chegar
Vou vencer, vou lutar
Vou vencer, vou ganhar

Se alguém quiser ouvir isso em casa para se “sentir bem”, então tudo bem, mas trazer isso para o culto é demais. Não se cultua a Deus com autoajuda. É como ao homem. É autoajuda de quinta categoria. Essa mesma mensagem pode ser escutada no curso motivacional que a empresa contrata para enrolar os funcionários ou em uma seita japonesa motivacional. É lamentável dizer que a maior parte dessas letras é composta por pentecostais, e não pelos neopentecostais, muito menos pelos tradicionais.

Karl Barth escreveu uma observação que muitos que dizem ler a Bíblia ignoram: “No Novo Testamento ninguém vinha à Igreja simplesmente para ser salvo e feliz, mas para ter o privilégio de servir ao Senhor. E nós deveríamos ter diante de nós o benefício que recebemos em servir e trabalhar na Igreja” [2]. Servir, e não ser servido, é a tônica do cristianismo.

É um exagero afirmar que a música evangélica como um todo é ruim. Não, há muita produção contemporânea boa e muita produção antiga ruim e vice-versa. A questão aqui não é “passado” versus “presente”, como os saudosistas gostam de enfatizar. A questão é boa letra ou letra ruim, em qualquer tempo.

Bons Exemplos

Quer um exemplo de um hino de adoração bem antigo e muito bom, com ótima letra e tocante? É o Mais Perto Quero Estar dos hinários oficiais, como Salmos e Hinos, Cantor Cristão e Harpa Cristã.

Mais perto quero estar Meu Deus, de Ti! Inda que seja a dor Que me uma a Ti, Sempre hei de suplicar Mais perto quero estar Mais perto quero estar Meu Deus, de Ti!

Nossa! Quanta diferença da música triunfalista, da autoajuda de quinta categoria! É uma música que não engana com a falsa promessa de ausência de sofrimento nesta vida!

E uma mais contemporânea, como composta pelo Adhemar de Campos, a música Ele é Exaltado:

Ele é exaltado. O Rei é exaltado nos céus; eu o louvarei. Ele é o Senhor, Sua verdade vai sempre reinar. Terra e céus glorificam Seu santo nome, Ele é exaltado, o Rei é exaltado nos céus.

Quando você canta uma letra dessas com toda a sua vontade não há como sair do culto da mesma forma, pois a adorar a Deus é simplesmente uma experiência única.

Como professor de Escola Dominical, eu já falei por diversas vezes sobre esse assunto, mas infelizmente essa “cultura musical” parece ser mais forte!

Assistir um culto onde o “louvor” é a tragédia descrita acima e uma pregação cujo foco é a solução de problemas financeiros, de saúde e amorosos... Você simplesmente foi em uma reunião, mas não cultuou a Deus! Sim, Deus opera milagres e maravilhas, mas o foco do culto é em primeiro lugar a adoração a Deus e em segundo lugar a edificação da igreja por meio da exposição bíblica e em terceiro lugar poderíamos colocar as demais coisas, como os milagres.

Referências Bibliográficas:

[1] GEE, Donald. Como Receber o Batismo no Espírito Santo: Vivendo e Testemunhando com Poder. 6 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 71. O título original é Pentecost (Pentecostes, em português). A partir do ano 2000 a editora trocou o título pelo descrito acima. O título é muito infeliz, somente para efeitos mercadológicos, já que o próprio autor condena a ideia de uma “fórmula” para receber o “revestimento de poder”.

[2] BARTH, Karl. The Faith of The Church: A Commentary on the Apostle`s Creed According to Calvin`s Catechism. d ed. London: Fontana Books, 1960. p 116. In: REGA, Lourenço Stelio (org). Paulo e Sua Teologia. 2 ed. São Paulo: Editora Vida, 2009. p 211.


segunda-feira, 9 de maio de 2011

A NATUREZA DA IGREJA

Por Gilson Barbosa
Nem todos os sistemas organizacionais e políticos têm a sua disposição e em seu meio pessoas de níveis sociais tão diferentes quanto a igreja. O que faz com que essas pessoas, sendo tão diferentes aspirem aos mesmos ideais e detenham a mesma esperança? Isso só pode ocorrer porque a igreja tem uma proposta totalmente oposta a das organizações. As diferenças não são excluídas, ou pelo menos não devem excluir a harmonia entre os membros, o que leva as pessoas a alimentarem muitas dúvidas sobre a natureza da igreja. Por isso é importante saber: o que é verdadeiramente a igreja? Qual o significado do termo? A igreja sempre existiu? Todos os que estão na igreja (sentido visível) são de fato componentes da Igreja de Cristo? (sentido invisível). A estas e outras perguntas propomos as respostas sempre nos fundamentando nas Escrituras Sagradas. Seguindo este objetivo, é importante, antes de tudo, definirmos o que é igreja.
Conceito
A palavra grega que foi traduzida para igreja é ekklesia. É composta pela preposição ek (fora de) mais o verbo kaleo (chamar). No sentido usual entre os fiéis refere-se àquelas pessoas que Deus chamou para se separarem (para fora) do pecado a fim de viverem uma nova vida com seu Filho, Jesus Cristo.  
Os mais variados dicionários teológicos apresentam significados básicos para este termo. Em primeiro lugar significa: “O corpo místico de Cristo”. Neste caso é formado pelos genuínos cristãos que compreende somente os verdadeiros salvos. Segundo Wayne Grudem a igreja “... inclui todos os verdadeiros cristãos de todos os tempos, tanto os salvos do Novo como os do Antigo Testamento”.  O outro sentido é: “Um agrupamento dos fiéis com o propósito de adorar a Deus”. Desta forma, dizemos que a igreja é tanto invisível (corpo místico de Cristo), quanto visível (ajuntamento dos crentes). Analisemos as várias aplicações:
No sentido clássico
Apresenta o hábito que tinham os cidadãos, peculiarmente os gregos, de se reunirem com uma prévia convocação para um tipo de assembléia com dimensões legislativas. A elite, que detinha o poder para tratar assuntos de interesses populares, eram os escolhidos, os “chamados para fora” de dentro da massa popular para conduzir. Na democracia grega, as pessoas se reuniam em locais públicos para debater questões sociais, econômicas e políticas. Era a democracia direta, na qual o povo participava fielmente das decisões da sociedade.  A esta assembléia os gregos chamavam de ekklesia.
Na versão Septuaginta
Relaciona o termo ekklesia com a palavra hebraica qahal. Ao analisarmos esta similaridade, verificamos a existência deste projeto de Deus, a Igreja, já no Antigo Testamento. Para uma prova disso, basta comprovar a tradução que a Septuaginta empregou para o texto de Deuteronômio 4.10 (Versão Almeida e Atualizada) que afirma: “Reúne este povo, e os farei ouvir as minhas palavras, a fim de que aprendam a temer-me todos os dias que na terra viver e as ensinará a seus filhos”. O vocábulo “reúne”, no hebraico qahal, foi traduzido pela Septuaginta com o sentido de “convocar uma assembléia”, cujo termo grego é ekklesiazo, verbo da mesma raiz do substantivo ekklesia, que no Novo Testamento, como já referido, é igreja. Não é preciso ser erudito para ponderar a transliteração do texto de Atos 7.38 em que fala do povo de Israel como uma “congregação (igreja) no deserto”: “OUTOS ESTIN O GENOMENOS EN TÊ EKKLÊSIA EN TÊ ERÊMÔ META TOU AGGELOU TOU LALOUNTOS AUTÔ EN TÔ OREI SINA KAI TÔN PATERÔN ÊMÔN OS EDEXATO LOGON LOGIA ZÔNTA DOUNAI ÊMIN”, ou na versão em português: “Este é o que esteve entre a congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com nossos pais, o qual recebeu as palavras de vida para no-las dar”.
No uso cristão
A primeira dentre as mais de cem referências à igreja (ekklesia), no Novo Testamento, se encontra registrada em Mateus 16.18: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. O termo aplica-se a uma congregação, onde, organizados eclesiasticamente, os fiéis se reuniam para fins de comunhão (entre si e com Cristo) e adoração. É denominada de igreja local, no sentido geográfico: “... às igrejas da Galácia” (Gl 1.2); “ ... à igreja dos tessalonicenses” (1 Ts 1.1); “ Saudai também a igreja que está em sua casa” (Rm 16.5).  Aplica-se também o termo a toda a reunião (a igreja mística e não local) de crentes na terra: “Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja” (Ef 5.32). Segundo alguns teólogos refere-se somente aos salvos alcançados pela morte de Cristo. Neste sentido, não há diferenças denominacionais, sociais, intelectuais, culturais, etc.
Ainda concernente à natureza da igreja, é bom que se diferencie a igreja que se vê da que não pode ser vista, pois muitos estão na igreja (visível) mas não fazem parte da Igreja (invisível). Como pode ser isso? Vejamos:
A igreja vista por Deus
A Bíblia afirma que somente Deus tem o poder de saber quem, na igreja, está listado entre os salvos: “O Senhor conhece os que são seus ...” (2Ts 2.19). Por não sabermos quem são os verdadeiramente salvos, não devemos nos escandalizar quanto às apostasias, heresias e tantas barbaridades doutrinárias entre (no meio) os genuínos cristãos. Nos dias da igreja primitiva, o apóstolo Paulo reclamou de pessoas que estavam entre os legítimos cristãos e, no entanto, não se portavam como tais. Note, por exemplo, o caso de Himeneu e Fileto censurados por Paulo: “Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns” (2Ts 2.16-18). Também em 2Tessalonicenses 4.10: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século”. Poderíamos, em certo sentido, concluir que estes apóstatas certamente compunham a igreja, pois, os mesmos estavam regularmente nela, porém, o Senhor “... não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante de seus olhos”, ele “conhece os que são seus”. É exatamente por Ele saber quem são os verdadeiros salvos que demonstrou a possibilidade de pessoas bem posicionadas na igreja se equivocarem no último momento: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”. Porventura,  participaram estes da igreja mística de Cristo? Obviamente que não!
O Senhor Jesus admoestou: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” (Mt 7.15). Como podemos observar, as heresias ganharam em nossos dias novas roupagens. São distorções arcaicas que remontam ao início da igreja primitiva, entretanto, entram sutilmente nas igrejas, o que comprova tantos “ventos de doutrinas” no meio evangélico.  
Antes da partida do apóstolo Paulo, vemos que ele aconselhou aos irmãos: “Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho” (At 20.29). Entretanto, a despeito dos ataques nocivos de Satanás à igreja, geograficamente falando, ele não pode destruir a Igreja invisível de Cristo, pois “... as portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

A ORIGEM DO PECADO SOB O PONTO DE VISTA BÍBLICO

Por Gilson Barbosa
A rebelião angelical
Antes que Adão e Eva pecassem, o pecado aconteceu no mundo angelical por meio da desobediência e rebelião de Satanás contra Deus, apoiado pelos anjos que o seguiram no seu intento magistral. É óbvio que Deus não criou o Diabo, mas sim, um ser angelical poderoso, com o privilégio de servi-lo, como os demais anjos. Quanto ao tempo exato da rebelião de Satanás nas regiões celestiais, há divergências entre os teólogos em geral. Há estudiosos da Bíblia que entendem haver menção desta rebelião e conseqüente queda de Satanás nos textos de Ezequiel 28.15: “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti” e Isaías 14.12: “Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações!”. Já há outro grupo de estudiosos que não admitem nestes textos a possibilidade de referir-se a Satanás na sua rebelião e queda. Não entraremos aqui no mérito destas questões, isso poderá ser discutido com propriedade em nosso próximo módulo, no estudo sistemático sobre os anjos. O que é fundamental sabermos por ora é o fato de que tanto uma corrente de interpretação como outra, admitem Satanás como o originador do pecado.
Satanás e sua origem pecaminosa
O pecado de Adão e Eva dependeu antes da instrução maliciosa e tendenciosa de Satanás, por intermédio da serpente, no jardim do Éden, conforme registra a Bíblia (Gn 3.1-6). A sua responsabilidade, com relação à entrada do pecado no mundo e sua natureza é evidente: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” (Jo 8.44). O apóstolo João diz que o Diabo peca desde o princípio: “... porque o diabo peca desde o princípio” (1 Jo3.8).
Deus não é o autor do pecado
Colocar a culpa do pecado em Deus é se eximir da responsabilidade. Conforme vimos anteriormente, a entrada do pecado no mundo deu-se primeiramente no mundo angelical, logo após essa ocorrência o homem também pecou. Sendo assim, qual é a culpa de Deus no caso?
Há uma teoria chamada “Determinismo” que ensina ser o livre arbítrio uma ilusão e que na realidade há dentro do ser humano impulsos e circunstâncias que não podem ser controladas e nem evitadas pelo homem. Desta forma, se a pessoa é boa ou má pouco importa e assim esta não deve nem ser elogiada nem condenada por seus atos, visto ser escrava dos seus impulsos e das circunstâncias. Este pensamento faz de Deus o autor do pecado e o responsável direto pela entrada deste no mundo. Entretanto, a Bíblia nos mostra a santidade de Deus de forma incisiva: “Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos justos são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é” (Dt 32.4). Deus repudia a perversidade: “Portanto vós, homens de entendimento, escutai-me: Longe de Deus esteja o praticar a maldade e do Todo-Poderoso o cometer a perversidade!” (Jó 34. 10).
Dualismo
Os gnósticos ensinavam que havia na natureza duas forças: a do mundo físico, identificada com o mal e a do mundo espiritual, identificada com o bem. No caso, o Deus bíblico não teria criado o mundo físico, pois o mesmo se compunha da matéria, e a matéria é física, e o físico é mal.
O problema de aceitar esta teoria é que somos obrigados a aceitar a idéia de um poder maligno existente eternamente junto de Deus, ou igual ou mais poderoso do que Ele. Temos de entender que Deus “fez todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1.11). Sendo Deus onisciente, até mesmo antes de criar o homem já sabia da entrada do pecado no mundo, no entanto, a sua manifestação na terra surgiu das decisões voluntárias das criaturas moralmente capacitadas.
A raça humana
De forma voluntária, Adão e Eva pecaram contra Deus. Deus tinha dito ao casal que poderia comer de toda a árvore... “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). Contrariando esta palavra a serpente disse que não morreriam: “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis” (Gn 3.4). O Diabo, representado pela serpente, semeou a dúvida e colocou em xeque a veracidade da Palavra de Deus. Cabia a Eva acreditar ou na Palavra de Deus ou na da serpente.
O Diabo insinuou ao casal que Deus estava escondendo um segredo deles e opinou arbitrariamente que o segredo era a possibilidade de se tornarem deuses também: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3.5). O erro do casal foi “esquecer” que Deus os criou com a finalidade de serem criatura e não Criador; servos e não Senhor. A responsabilidade do ser humano na entrada do pecado no mundo está em Romanos 5.12: “... por um homem entrou o pecado no mundo” e ainda que “...a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão” (1Tm 2.14). Os passos para o pecado deram-se gradativamente: “E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela” (Gn 3.6).

OBRAS DO ESPÍRITO SANTO NO NOVO TESTAMENTO

Por Gilson Barbosa
O leitor da Bíblia perceberá que o Espírito Santo esteve sempre ativo no Antigo Testamento, contudo, é no Novo Testamento que Ele está muito mais evidente em Cristo, nos cristãos e no início da Igreja primitiva, enfim, em todos os atos da história Ele sempre agiu. Ao analisarmos profundamente esta doutrina, veremos que o Espírito Santo agiu com suas variadas formas nas pessoas. Considere, por exemplo:
O Espírito Santo em João Batista
João Batista, segundo o próprio Jesus, era um grande homem: “Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João o Batista” (Mt 11.11). João seria o responsável por prenunciar a vinda do Messias: “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos”       (Ml 3.1).
O ministério de João Batista é, também, semelhante ao de Elias. A própria Bíblia nos mostra isso: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR; e ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição” (Ml 4.5,6).
Os espíritas querem lançar mão de alguns textos para, supostamente, afirmarem que João Batista era a reencarnação de Elias, mas o coerente é raciocinar que João Batista cumpriu essa singular expectativa, quando preparou o caminho para o próprio Cristo. O versículo 6 de Malaquias descreve que quando Elias chegasse  “ele converteria o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu (Deus) não viesse, e ferisse a terra com maldição”. Mas como isto sucederia? Vemos a atuação do Espírito Santo na vida de João Batista:
Antes do seu nascimento
Quando o anjo Gabriel se referiu ao nascimento de João Batista, disse: “Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe” (Lc 1.15; grifo do autor). E reiterou o que o profeta Malaquias tinha vaticinado: “E converterá muitos dos filhos de Israel ao SENHOR seu Deus, e irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto” (Lc 1.16,17; grifo do autor).
Ao nascer
Zacarias, o pai de João Batista, que até então estava mudo por não crer na mensagem que o anjo lhe entregara a respeito do nascimento milagroso de João Batista, agora abre seus lábios e passa a alegrar-se no Senhor: “E Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo, e profetizou, dizendo: [...] E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos; para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados” (Lc 1.67,76,77).
No seu ministério
João Batista não tinha medo de chamar os “homens” incrédulos ao arrependimento: “E percorreu toda a terra ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados” (Lc 3.3); anunciou a salvação de forma coerente e contundente (Lc 3.5,6); não se amedrontava em usar toda a sua energia ao chamar a atenção dos pecadores (Lc 3.7-9). Dizer que João Batista realizou tudo isso é descobrir que nele habitava a pessoa e o poder do Espírito Santo.
O Espírito Santo em Jesus Cristo
A ação do Espírito Santo no ministério de Jesus – como não poderia deixar de ser –  foi explícita. Vejamos:
A concepção virginal de Cristo
Já estava profetizado por Isaías como se daria o nascimento de Jesus: “Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel” (Is 7.14). Quando a jovem Maria, perplexa, indaga como isso aconteceria, o anjo lhe explica: “E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum? E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.34,35; grifo do autor). Embora Jesus se tornasse uma criatura ao nascer, isto se deu sem a mancha do pecado, conforme registra Hebreus 7.26: “Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus”, isto só foi possível através da ação do Espírito Santo”.
A apresentação no templo
O Espírito Santo é mencionado logo após o nascimento de Jesus, o que evidencia sua identificação com Cristo. A Bíblia diz de um homem chamado Simeão nestes termos: “Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei, ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra; pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste perante a face de todos os povos; luz para iluminar as nações, e para glória de teu povo Israel” (Lc 2.25-32; grifo do autor). Somente nestes trechos o Espírito Santo é mencionado três vezes.
No batismo de Jesus
O Espírito Santo, em forma de pomba, veio sobre Jesus na ocasião de seu batismo e o próprio Deus tinha dito a João Batista sobre este episódio: “E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele. E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo” (Jo 1.32,33; grifo do autor).
Na tentação de Jesus
“Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4.1).
“E logo o Espírito o impeliu para o deserto” (Mc 1.12).
“E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto” (Lc 4.1).
No ministério de Jesus
O Espírito Santo esteve ativo no ministério de Cristo: “Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galiléia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor” (Lc 4.14; grifo do autor).
“O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração” (Lc 4.18).
O Espírito Santo atuou na vida de Jesus até a morte e, depois da morte, segue atuando...

A EXISTÊNCIA DE DEUS

Por Gilson Barbosa
A seguir, algumas concepções erradas que visam negar a existência de Deus.
Ateísmo
A palavra ateísmo é formada pelo prefixo grego a, que significa “não”, e pelo termo, também grego, theos, que quer dizer “Deus”.
 O ateu acredita piamente que Deus não existe, e analisa todas as coisas pelo aspecto natural, e não pelo lado sobrenatural. O ateu encara o mundo que o rodeia como um produto das forças naturais. Não vê sentido nas crenças religiosas em Deus ou em deuses. Acredita, portanto, ser possível provar que Deus não existe. Há dois tipos de ateus: os práticos e os teóricos.
Os ateus práticos realmente vivem como se Deus não existisse. Já os ateus teóricos baseiam sua negação da existência de Deus no desenvolvimento de um raciocínio puramente humano. Sustenta, ainda, que há indícios substanciais desse fato. Entretanto, o próprio ateu teórico não consegue afirmar, em termos dogmáticos, que Deus não existe.
Existem apenas dois meios de se provar que Deus não existe:
1)       Considerando a possibilidade de que existe um deus em alguma parte do universo que não entrou em contato conosco, uma pessoa precisaria ter conhecimento absoluto de tudo que está acontecendo em cada ponto do universo para afirmar categoricamente que Deus não existe. É óbvio que se ela tivesse tanto conhecimento assim, a ponto de poder afirmar que Deus não existe, seria onisciente e, portanto, por definição, Deus. Do contrário, não poderia ter certeza se Deus (ou deuses) existem ou não.
2)       Alguém poderia saber que Deus não existe se recebesse uma revelação especial, informando-o da não existência de Deus ou deuses no universo. Mas somente o próprio Deus poderia dar tal revelação e, assim, esta forma de negar sua existência também não vale.
Portanto, afirmar que Deus não existe é incidir no erro de disputa categórica. Seria mais apropriado dizer: “Eu não creio haver indícios da existência de Deus”. Assim, o ateísta poderia explicar sua base para achar que Deus não existe, e o teísta (aquele que crê em Deus) poderia rebater o argumento do ateísta explicando a razão de sua crença na existência de Deus.
Agnosticismo
A palavra agnosticismo vem de um termo grego que significa “não saber”. É formada pela palavra a, que quer dizer “não”, e pelo substantivo “conhecimento”. Os dois vocábulos são gregos.
Os agnósticos acreditam não haver indícios suficientes para provar ou refutar a existência de Deus ou de deuses. O agnóstico critica tanto o teísta como o deísta por defenderem seus princípios de forma dogmática. Dessa forma, o agnóstico procura manter uma posição de neutralidade.
Existem essencialmente duas categorias de agnósticos. Uma que afirma que há indícios insuficientes que Deus existe, mas não exclui a possibilidade de vir a alcançar provas no futuro. Essa classe de agnósticos acredita na possibilidade de se reunir indicações suficientes para se ter a certeza da existência de Deus.
A outra classe de agnósticos acredita ser impossível ter certeza da existência ou não de Deus ou de deuses. No entender dessa segunda classe, os fatos que permitiriam qualquer comprovação não estão ao nosso alcance, e jamais haverão de estar.
Podemos, então, dividir os agnósticos em dois grupos: aqueles que afirmam não saber se Deus existe ou não e aqueles que sustentam não ser possível saber se ele existe ou não.
Deísmo
O deísmo admite a existência de Deus, porém, rejeita sua completa revelação à humanidade. Para o deísmo, Deus até criou o mundo, mas não participa ativamente dele. O deísmo não acredita em milagres. Para o deísta, Deus é absoluto, não existe a Trindade, ficando evidente que Deus é apenas uma pessoa e não três. Acreditam alguns que o conceito trinitariano resultava em três deuses (politeísta). Enfim, o deísmo é a religião natural com base no raciocínio meramente humano.
Esse sistema é refutado pelas evidências das obras de Deus e pela inspiração da Bíblia Sagrada. O deísta só compreende Deus por apenas um ponto de vista ou uma verdade. Mas as Escrituras ensinam duas verdade referente ao relacionamento de Deus para com o mundo.
A primeira verdade seria sua transcendência, que significa sua separação do mundo e sua santidade em relação ao homem e à criação. “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo”. É o que diz Isaías 6.1.
A segunda verdade é sua imanência, que significa sua presença e sua atividade na criação e na história da humanidade e sua aproximação do homem. “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós” (Ef 4.6).
O deísmo dá crédito demais à primeira verdade, que diz que Deus está distante demais do homem. Já o panteísmo enxerga Deus em tudo. As Escrituras apresentam a idéia verdadeira e absoluta. Deus de fato está separado do mundo e acima do mundo, mas, por outro lado, ele está no mundo.
Afinal, Deus está separado do mundo ou está no mundo?
A Bíblia responde: “Ele está tanto separado do mundo como está no mundo”.
Materialismo
O materialismo declara que a única realidade é a matéria. Ou seja, só se preocupa com aquilo que seja concreto, físico e perceptível. É o método de pensamento que dá mais prioridade à matéria do que à mente, nas explicações do universo. Mediante esse pensamento, o homem é semelhante a um animal. Ou seja, não tem nenhuma responsabilidade por seus atos. Ensina, ainda, que os diferentes tipos de comportamento físicos e psíquicos humanos são simplesmente movimentos da matéria. Para o materialista, o homem não tem a quem prestar contas. Ora, se o homem, a obra mais excelente da criação divina, não é aquilo que a Bíblia diz ser, todos os eternos valores anunciados nas Escrituras, inclusive os relacionados com a existência de Deus, são nulos. Uma premissa do materialismo é o ateísmo. Sua teoria é de que não há Deus e muito menos precisamos de um Deus. Para o materialista, quando o corpo morre a alma também morre, ou seja, a morte destrói a pessoa.
Panteísmo
Para o panteísta, Deus é tudo e tudo é Deus. Deus é o próprio universo e tudo o que existe na natureza é divino. Mas não é isso que a Bíblia afirma. Antes, ela diz que Deus criou o universo e intervém na história do mesmo. É justamente essa a visão geral da maioria das religiões orientais e do movimento Nova Era: que Deus é o próprio universo. O erro do panteísmo não é apenas separar o Criador da criação. Para o panteísta, Deus é impessoal. O corpo impede o homem de se relacionar com Deus. Para que a alma possa ser libertada, cada pessoa deve purificar-se do seu corpo. Os panteístas, na sua maioria, acreditam em reencarnação. Cada pessoa é salva por seus próprios esforços.