quinta-feira, 31 de julho de 2014

QUEM É A SENHORA MENCIONADA EM 2 JOÃO VERSÍCULO 1 e 5?

Gilson Barbosa


O presbítero à senhora eleita e aos seus filhos, a quem eu amo na verdade e não somente eu, mas também todos os que conhecem a verdade (2 João v.1)


E agora, senhora, peço-te, não como se escrevesse mandamento novo, senão o que tivemos desde o princípio: que nos amemos uns aos outros (2 João v.5)

Queridos leitores, quando estudamos um livro da Bíblia um ponto importante é analisar o autor e os seus destinatários. Quanto a segunda carta de João há um ponto curioso a respeito dos destinatários da carta. João os chama de "a senhora eleita e seus filhos". 

Devido à complexidade do assunto importante é recorrer à língua original do Novo Testamento para amenizar a dificuldade. No original grego tanto no primeiro como no quinto versículo a palavrasenhora” é kuria (kuria). Entre vários pontos de dificuldades está a questão de que a derivação da palavra igreja é kuriake. A Enciclopédia Explicativa de Dificuldades Bíblicas informa-nos queentre os romanos e atenienses esta palavra significava o mesmo que ekklhsian (ekklesia) termo utilizado para designar uma assembleia de igreja”. Um importante Léxico Grego informa quesenhora pode referir-se ou a uma pessoa ou, mais provavelmente, a uma congregação de importância”.1   

John Stott entende que o apóstolo João estaria escrevendo para uma igreja local:
           
E mais provável que a frase senhora eleita signifique uma personificação e não uma pessoa - não da igreja em geral, mas de alguma igreja local sobre a qual a jurisdição do presbítero era reconhecida, sendo seus filhos (v. 1,4,13) os membros individuais da igreja.

Contudo alguns não apoiam essa defesa e dizem tratar-se de uma irmã influente na igreja, ou, uma senhora. Sendo assim esta pessoa era eleita e se chamava Kyria. Ou era uma senhora e se chamava Eleita. Russel Champlin pensa ser incomum alguém dirigir-se à igreja com a expressãosenhora eleita”. Ele diz que o texto faz alusão a “alguma dama bem conhecida pela sua piedade, em cuja casa a igreja se reunia, ou que exercia grande influência em certas congregações da Ásia Menor, talvez como diaconisa”. 2

Uma das maiores questões quanto a opção de ser esta senhora a Igreja é perceber na essência da carta um certo elemento condizente com a expressãofilhos”. Estaria João tratando apenas com os filhos desta senhora? É possível isso? Sim. Mas, dentro das palavras de João podemos perceber uma espécie de código, sinal, ou mesmo omissão deliberada. “Os filhos amados pelo apóstolo seriam os membros da igreja”.3

Se o nome dessa senhora fosse Eleita haveria então duas irmãs com o mesmo nome, o que, ainda que não seja impossível é incomum: “Saúdam-te os filhos de tua irmã, a eleita. Amém”. 2JO 1:13. Se o nome fosse senhora ou Kyria não seria adequado dogmatizar a questão, pois em I Pedro 5.13 a igreja é chamada de eleita: “A vossa co-eleita em Babilônia vos saúda, e meu filho Marcos”. 1PE 5:13.

Se não podemos fechar de forma categórica o assunto, até porque não é tão prioritário assim, o objetivo carta escrita é muito mais importante, pois é artigo de e eternidade. De que trata a epístola?

“A carta é uma exortação para se guardar das falsas doutrinas, desviando-se delas e dos que a professam. Há um alerta sério para aqueles que deixaram a sã doutrina e passaram a professar algo diferente daquilo que foi ensinado”.4




1 Léxico do NT Grego/Português, pg 122.
2 Novo Testamento Versículo por versículo, II João 1, pg 305.
3 Enciclopedia Explicativa de Dificultades Bíblicas, pg 226.
4 Biblia Apologética, Introdução a Epístola de 2 João, pg 1273.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O POVO BRASILEIRO É PATRIOTA?

Quero pedir licença aos meus leitores que estão nos países estrangeiros para tratar de um problema bem brasileiro e que ocorre dentro do nosso País. 


Basta uma Copa do Mundo para o sentimento patriótico tomar conta dos brasileiros. Durante os jogos da Copa no Brasil foi cantada a exaustão a música “Sou brasileiro com muito orgulho com muito amor”. A bandeira do País, que nunca vemos no dia a dia (salvo em repartições públicas e algumas empresas), tremulou tanto nas residências quanto nos carros. A venda de produtos diversos com referencias ao País, pelo menos até a partida semifinal vendeu “horrores”. Porém, quando finalizou o evento esportivo a brasilidade voltou à normalidade habitual. Essas reações me levaram a refletir se o povo brasileiro é mesmo patriota.

Mas qual o conceito de patriotismo? Segundo o filósofo Adriano Sotero Bin

“o conceito de patriotismo pode ser entendido como um sentimento ou uma sensação de amor, de gosto pela nação em que se vive. Isso provoca uma impressão de pertencer ao país no qual se habita, mais especificamente uma sensação de algo maior, de fazer parte de uma ‘equipe’, no caso a sociedade brasileira. Neste sentido, o sentimento patriótico faz o indivíduo dedicar, quando necessário, suas energias e talentos para a construção, fortalecimento e defesa da sua ‘equipe’, no caso, a sociedade, do seu país”.

Porém essa definição compreende um aspecto mal usado pelos brasileiros: a emoção ou os sentimentos. Então é necessário complementar a definição chamando a atenção para o fato de que patriotismo é baseado numa filosofia de vida, num pensamento racional, numa consciência nacional e no coletivismo.

Ao olhar pela televisão as imagens dos brasileiros nos jogos, confundimos sentimento de emoção com patriotismo. É claro que podemos gostar de futebol e ser patriota concomitantemente. Mas é necessário entender que o “patriotismo” futebolístico deve permanecer após o término da partida, senão toda a emoção não servirá para promover as mudanças sociais que a sociedade brasileira tanto precisa.

O canto “a cappella” do Hino Nacional não fará esquecida as necessidades do povo brasileiro. E são muitas as misérias do povo brasileiro, infelizmente. Após a derrota da seleção brasileira para a Alemanha por 7 a 1, o zagueiro Davi Luís declarou com muita tristeza o seguinte:

Só queria poder dar uma alegria ao meu povo, a minha gente que sofre tanto. Infelizmente, não conseguimos. Desculpa a todos brasileiros. Queria ver meu povo sorrir. Todos sabem o quanto era importante para mim ver o Brasil inteiro feliz pelo menos por causa do futebol.

É claro que ficaríamos irradiantes se a seleção conquistasse o Hexa. Mas, com certeza esse momento de euforia é passageiro e é necessário muito mais que futebol para ver o povo brasileiro contente. O Brasil enfrenta problemas sociais tais como: saneamentos básicos, violência e criminalidade, transportes públicos, analfabetismo, trabalho escravo, corrupção política, infraestrutura básica, disparidade social, etc. É necessário honestidade e vontade política para solucionar esses problemas. Porém, parece que vivemos como nos tempos que éramos colônia.

Nem mesmo algumas manifestações atendem a expectativa de ser um patriota. Citando ainda o filósofo Adriano Sotero Bin

A atitude patriótica se consolidará quando o “espírito de corpo” formado pela Copa do Mundo for transportado para as demais dimensões que esses mesmos indivíduos vivem, tais com a eleição, a observância e respeito às leis, a efetivação dos direitos humanos, o planejamento científico-tecnológico, industrial e econômico que propiciem o desenvolvimento de uma ordem social justa.  

Como o crente em Cristo faz parte da sociedade ele é afetado pelas decisões na esfera social. Alceu Lourenço Jr. afirmou que “não sendo deste mundo, mas vivendo neste mundo, o cristão se vê como agente ativo na vida civil da sua sociedade”. Muitos evangélicos não são partidários, mas isso não significa que não devemos participar na esfera social e política de menor influencia.

Alguns gostam de citar o que Paulo disse aos irmãos filipenses: “A nossa pátria está no céu” para se justificar diante da omissão patriótica. Mas devemos ter em mente, sobretudo, que o apóstolo Paulo trata da conduta dos irmãos filipenses no mundo. Se a pátria deles está nos céus, a conduta deles também deveria ser compatível com essa cidadania (Hernandes Dias Lopes). Ou seja, o assunto é santificação, e nesse sentido nada tem a ver com questões sociais no âmbito de uma nação.

Desejo muito que o povo brasileiro, inclusive os evangélicos, tenha consciência do que precisa ser feito para melhorarmos nosso país. Isso demanda ter conhecimento das necessidades sociais do nosso país e de algum engajamento. Somente quando pensarmos coletivamente e com racionalidade e amor à pátria podemos falar que somos um povo patriota.

No amor de Cristo,
       

terça-feira, 15 de julho de 2014

POR FORA BOA INTENÇÃO, POR DENTRO CORRUPÇÃO!!!

Por Gilson Barbosa

Desde o primeiro pecado cometido contra a lei de Deus, acontecida no santuário sagrado do Éden, o ser humano tornou-se corruptor e corrupto. A partir disso a imagem de Deus foi distorcida, contaminada, manchada. O ser humano ainda é capaz de grandes e boas realizações, mas agora elas quase sempre vêm recheadas de intenções espúrias. Se você pensa que os salvos em Cristo não correm esse risco está muitíssimo enganado. A santificação bíblica é um processo contínuo e somente alcançaremos a perfeição na eternidade. Contudo, esse fato não pode servir de justificativas para vivermos uma vida de pecados ocultos.

Se pecado fosse apenas o ato cometido exteriormente, muitos de nós poderíamos nos julgar imaculados. Porém, os pecados nascem no coração do ser humano. Jesus disse que de “dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura” (Marcos 7:21,22). Entre outras palavras: o pecado ocorre antes que seja executado. Ele é gerado na mente, nas ideias, nas intenções, no coração.

Ciente desse fato me ponho a pensar nas inúmeras instituições e segmentos administradas por pessoas que ao longo do tempo barganharam seus valores morais por benefícios e vantagens pessoais. Mas essa imoralidade não se restringe ao ambiente empresarial, filantrópico, cultural, político ou eclesiástico. Não é exclusivo de quem está no poder ou ocupa uma posição de liderança. Diariamente nos corrompemos e influenciamos pessoas a se corromperem também. Seguidamente furamos filas, colamos numa eventual prova, avançamos com nossos veículos o sinal vermelho, mentimos para livrar “a nossa cara” ou a barra de alguém, tentamos subornar o policial, compramos produtos piratas, etc.

Quero deixar claro que essas “pequenas corrupções” e desmandos tem um nome: PECADO. Vamos ter que responder diante de Deus sobre cada pecado cometido.

Na sociedade em geral podemos observar como alguns poucos detêm uma dominação exercida em nome da liberdade. Os partidos políticos discursam em prol da igualdade e liberdade, mas os seus reais interesses não passam de manobras políticas e eleitoreiras. Seus líderes prometem o que estruturalmente não se consegue ou pode fazer. Você acha mesmo que os sindicatos se importam com os trabalhadores? Você acha mesmo que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) está interessado no futebol da seleção brasileira? Você acha mesmo que todos os ministros estão interessados em que os “mensaleiros” cumpram seus prazos de detenção nas cadeias? Se respondeu SIM a essas perguntas você só pode ser muito ingênuo mesmo!

Infelizmente nem mesmo os administradores de instituições paraeclesiásticas ou denominações evangélicas escapam da intenção de dominar a maioria em nome da liberdade. Essa ideia tem sido utilizada sorrateiramente. Há muitos irmãos que são escravos, não de Cristo, mas das instituições ou denominações que frequentam. Outros são cúmplices, pois sabem o que está acontecendo nos bastidores, mas porque recebem salários da Igreja preferem compactuar com a sujeira da corrupção do que renunciar o cargo. Que o povo do Senhor leia mais, se informe mais, busque conhecimento secular e intelectual, para não ser vítima de líderes opressores e totalitários.

Para entender a capacidade do ser humano em se corromper e tirar vantagens do poder quero sugerir a vocês a leitura do livro A Revolução dos Bichos, George Orwel, Companhia das Letras. Já que muitos usam a Bíblia para manipular os mais “fracos”, quem sabe outro tipo de leitura não abrirá ainda mais a sua mente?


No amor de Cristo, 

domingo, 6 de julho de 2014

VERSÕES EVANGÉLICAS DE FESTAS PAGÃS

por Gilson Barbosa 

É curiosa a postura de alguns crentes que repudiam festejos, comportamentos e padrões culturais de sua nação, mas acabam por fazer “versões evangélicas” dos mesmos. Não seria essa atitude puro farisaísmo, hipocrisia ou ignorância? No mundo pós-moderno isso tem acontecido com muita frequência. Por exemplo, condenamos as festas juninas por estarem ligadas a alguns santos católicos, mas temos o “arraiá dos evangélicos”. O quentão virou crentão. Condenamos também com muita força o Carnaval, mas algumas igrejas criaram blocos carnavalescos evangélicos com a justificativa de evangelização.

A cultura pagã foi travestida de sagrada dando outro sentido aos seus elementos. As perguntas são: Por que agir assim? Qual a finalidade? Somos relevantes, como cristãos, quando oferecemos as pessoas cópias de festas pagãs? Ou não há nenhum objetivo? Entretenimento apenas? Estratégias de evangelização?  

Sinceramente, não percebo nenhum objetivo sensato nesses procedimentos. Os evangélicos pós-modernos estão tentando ganhar as pessoas para Cristo com uma metodologia vã e desnecessária. Parece não acreditarem mais na pregação pura das escrituras sagradas. Pensam que precisam cultuar a Deus, no culto público, de forma que os pecadores sejam agradados ou acariciados. O pragmatismo tem ditado às regras. É tudo o que importa. E as igrejas e líderes que não seguem esses métodos evangélicos são rotulados de inúteis e improdutivos.

Os proponentes da promoção desses eventos culturais na versão evangélica usam o texto bíblico de I Coríntios 9:22 para justificar suas práticas: “Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns”. Porém, ser sensível a cultura das pessoas não significa assimilar a cultura que esteja impregnada de paganismo, nem negociar o zelo pela santidade, ou se acomodar a práticas pecaminosas para alcançar resultados. Se analisarmos o contexto bíblico veremos que Paulo está afirmando que recusou o suporte financeiro da igreja por amor aos pecadores. Isso é muito diferente de copiar uma cultura recheada de paganismo e relativismo.

Já outros crentes não estão nem aí pra nada. Vão a eventos que sabem ser pagãos e nem ao mesmo se importam com as recomendações bíblicas que nos ordenam “fugir da idolatria” (I Coríntios 9:14). Há eventos que são dedicados a santos e ídolos. Desses é melhor o cristão agir com prudência e cautela, e não participar. Liberdade em Cristo não significa fazer tudo o que dá na “teia”.

O pastor Hernandes Dias Lopes comenta o seguinte sobre esse texto:
           
Havia sempre o perigo do crente convertido e batizado que participava da Ceia do Senhor ser convidado para ir ao templo do ídolo e participar de banquetes oferecidos aos ídolos. Paulo diz que se sentar à mesa do ídolo é ter associação com os demônios. Envolver-se com ídolo é envolver-se com demônios.

A idolatria é algo demoníaco. Quando se oferece um sacrifício a um ídolo é a demônios que ele é oferecido. Moisés diz: “Sacrifícios ofereceram aos demônios, não a Deus” (Dt 32.17).

Assimilar a cultura sem nenhum critério é uma pedra de tropeço para a santidade dos cristãos e um sério impedimento para que o cristão ou a igreja exerça seu papel de sal da terra e luz do mundo (Vagner Barbosa).

Não somos mundanos se apreciamos os elementos culturais de uma nação. Há muitos elementos relevantes e interessantes numa cultura e não é certo rejeitar toda a cultura como algo mau. Mas em alguns casos somos obrigados a distinguir o sagrado do profano – é o caso de festas culturais que contém elementos pagãos. Ao mesmo tempo em que se condenam algumas práticas culturais certas igrejas “reinventam” a cultura tornando-a numa subcultura cristã. Não sejamos hipócritas.

No amor de Cristo,