terça-feira, 22 de julho de 2014

O POVO BRASILEIRO É PATRIOTA?

Quero pedir licença aos meus leitores que estão nos países estrangeiros para tratar de um problema bem brasileiro e que ocorre dentro do nosso País. 


Basta uma Copa do Mundo para o sentimento patriótico tomar conta dos brasileiros. Durante os jogos da Copa no Brasil foi cantada a exaustão a música “Sou brasileiro com muito orgulho com muito amor”. A bandeira do País, que nunca vemos no dia a dia (salvo em repartições públicas e algumas empresas), tremulou tanto nas residências quanto nos carros. A venda de produtos diversos com referencias ao País, pelo menos até a partida semifinal vendeu “horrores”. Porém, quando finalizou o evento esportivo a brasilidade voltou à normalidade habitual. Essas reações me levaram a refletir se o povo brasileiro é mesmo patriota.

Mas qual o conceito de patriotismo? Segundo o filósofo Adriano Sotero Bin

“o conceito de patriotismo pode ser entendido como um sentimento ou uma sensação de amor, de gosto pela nação em que se vive. Isso provoca uma impressão de pertencer ao país no qual se habita, mais especificamente uma sensação de algo maior, de fazer parte de uma ‘equipe’, no caso a sociedade brasileira. Neste sentido, o sentimento patriótico faz o indivíduo dedicar, quando necessário, suas energias e talentos para a construção, fortalecimento e defesa da sua ‘equipe’, no caso, a sociedade, do seu país”.

Porém essa definição compreende um aspecto mal usado pelos brasileiros: a emoção ou os sentimentos. Então é necessário complementar a definição chamando a atenção para o fato de que patriotismo é baseado numa filosofia de vida, num pensamento racional, numa consciência nacional e no coletivismo.

Ao olhar pela televisão as imagens dos brasileiros nos jogos, confundimos sentimento de emoção com patriotismo. É claro que podemos gostar de futebol e ser patriota concomitantemente. Mas é necessário entender que o “patriotismo” futebolístico deve permanecer após o término da partida, senão toda a emoção não servirá para promover as mudanças sociais que a sociedade brasileira tanto precisa.

O canto “a cappella” do Hino Nacional não fará esquecida as necessidades do povo brasileiro. E são muitas as misérias do povo brasileiro, infelizmente. Após a derrota da seleção brasileira para a Alemanha por 7 a 1, o zagueiro Davi Luís declarou com muita tristeza o seguinte:

Só queria poder dar uma alegria ao meu povo, a minha gente que sofre tanto. Infelizmente, não conseguimos. Desculpa a todos brasileiros. Queria ver meu povo sorrir. Todos sabem o quanto era importante para mim ver o Brasil inteiro feliz pelo menos por causa do futebol.

É claro que ficaríamos irradiantes se a seleção conquistasse o Hexa. Mas, com certeza esse momento de euforia é passageiro e é necessário muito mais que futebol para ver o povo brasileiro contente. O Brasil enfrenta problemas sociais tais como: saneamentos básicos, violência e criminalidade, transportes públicos, analfabetismo, trabalho escravo, corrupção política, infraestrutura básica, disparidade social, etc. É necessário honestidade e vontade política para solucionar esses problemas. Porém, parece que vivemos como nos tempos que éramos colônia.

Nem mesmo algumas manifestações atendem a expectativa de ser um patriota. Citando ainda o filósofo Adriano Sotero Bin

A atitude patriótica se consolidará quando o “espírito de corpo” formado pela Copa do Mundo for transportado para as demais dimensões que esses mesmos indivíduos vivem, tais com a eleição, a observância e respeito às leis, a efetivação dos direitos humanos, o planejamento científico-tecnológico, industrial e econômico que propiciem o desenvolvimento de uma ordem social justa.  

Como o crente em Cristo faz parte da sociedade ele é afetado pelas decisões na esfera social. Alceu Lourenço Jr. afirmou que “não sendo deste mundo, mas vivendo neste mundo, o cristão se vê como agente ativo na vida civil da sua sociedade”. Muitos evangélicos não são partidários, mas isso não significa que não devemos participar na esfera social e política de menor influencia.

Alguns gostam de citar o que Paulo disse aos irmãos filipenses: “A nossa pátria está no céu” para se justificar diante da omissão patriótica. Mas devemos ter em mente, sobretudo, que o apóstolo Paulo trata da conduta dos irmãos filipenses no mundo. Se a pátria deles está nos céus, a conduta deles também deveria ser compatível com essa cidadania (Hernandes Dias Lopes). Ou seja, o assunto é santificação, e nesse sentido nada tem a ver com questões sociais no âmbito de uma nação.

Desejo muito que o povo brasileiro, inclusive os evangélicos, tenha consciência do que precisa ser feito para melhorarmos nosso país. Isso demanda ter conhecimento das necessidades sociais do nosso país e de algum engajamento. Somente quando pensarmos coletivamente e com racionalidade e amor à pátria podemos falar que somos um povo patriota.

No amor de Cristo,
       

3 comentários:

  1. Á paz de Cristo!, parabéns pelo blog e pelo material que vc tem produzido, pois tem me ajudado muito em meus estudos bíblicos. Gostaria de lhe fazer uma pergunta: Se os judeus tivessem recebido á Cristo como Salvador, nós gentios seríamos salvos?

    Abraços no amor de Cristo - Pb. João Eduardo Silva - Assembléia de Deus.

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  2. Graça e paz irmão João Eduardo,

    Em primeiro lugar agradeço pelo acesso e visita ao meu blog. Que o irmão seja edificado espiritualmente por meio dele.

    Em segundo lugar, a respeito da sua pergunta: entendo que o plano da salvação não são para dois povos. Na verdade, há somente um povo, a igreja de Cristo. Sendo assim, a salvação dos gentios se daria mesmo com a aceitação do evangelho pelos judeus. Entendo também que essa pergunta não tem sentido no plano da salvação. Quando a Bíblia diz que Cristo veio para os judeus, não significa que não veio para os gentios. Nem todos os judeus rejeitaram o evangelho de Cristo.

    É uma resposta simples, mas segue anexo um arquivo para seu conhecimento. Espero tê-lo ajudado.

    Um grande abraço e que o Senhor continue abençoando sua vida.

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  3. Saudações em Cristo! obrigado por sua atenção, seu comentário foi bastante esclarecedor. Eu estou meditando em Rm 11.11,12 e tenho a mesma opinião que vc, só fiquei em dúvida pelo fato de que: se os judeus tivessem recebido á Cristo ele não seria crucificado, sem seu derramamento de sangue como seríamos justificados?. Não consegui abrir o arquivo que vc me enviou, pode por gentileza enviar para o meu e-mail? é o willithi@bol.com.br - desculpe estar lhe incomodando com esse assunto, é que entendo que vc é uma referência na apologia cristã, e uma pessoa de extrema confiança.

    Abraços no amor de Cristo - Pb. João Eduardo Silva - Assembléia de Deus.

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