segunda-feira, 11 de maio de 2015

VOCÊ NÃO É DEUS (UMA ANÁLISE DO SALMO 82:6)

Na Bíblia há dois grupos de termos hebraicos para os nomes de Deus. O primeiro é o grupo dos nomes específicos e exclusivos de Deus (El-Shadday, Adhonay, Yahweh e Yahweh Tsebhaoth). O segundo é o grupo dos nomes genéricos de Deus (El, El Elyon e Eloah – cujo plural é Elohim). Segundo os estudiosos são genéricos os nomes de Deus que podem ser aplicados, também, a divindades falsas, anjos, homens (como por exemplo, os governantes e juízes).

Tanto é assim que as Testemunhas de Jeová na tentativa de depreciar ou negar a divindade de Jesus Cristo diz que ele é um deus, da mesma forma que Satanás (II Coríntios 4:4), anjos e juízes são chamados de deus [es]. As autoridades religiosas das Testemunhas de Jeová (chamada de Corpo Governante) editaram uma brochura com o título Deve-se Crer na Trindade? onde dizem o seguinte: “Visto que a Bíblia chama humanos, anjos e até mesmo Satanás de ‘deus [es]’, ou poderoso [s], o superior Jesus no céu pode corretamente se chamado de ‘deus’”. Justificam esse absurdo justamente com o termo hebraico Elohim.

Pois bem: eu disse numa postagem anterior que, tanto o Salmo 82:1-8 quanto João 10:34,35 não apoia a heresia de que os crentes são deuses, por serem filhos de Deus. Isso por vários motivos; entre eles:

1 – O contexto. Nunca se esqueça de que em alguns casos consultar somente as línguas originais pode ser insuficiente para uma boa exegese. O contexto não pode ser preterido JAMAIS. Por exemplo, é verdade que o salmista afirma: “Vos sois deuses” (v.6). Mas isso não deve ser interpretado com base apenas no nome Elohim. Isso porque temos inúmeros textos bíblicos que afirma que o homem não é Deus nem Deus um ser humano (Leia, por favor, Ezequiel 34:31; Números 23:19; Oseias 11:9).

Não bastasse o contexto geral das escrituras temos o contexto específico do Salmo 82 (leia o Salmo inteiro). Se você prestar bem atenção nas palavras dos versos, verá que o sentido da expressão “vós sois deuses” é negativo e não positivo. O salmista está utilizando uma figura de linguagem conhecida como ironia.

2 – Figura de linguagem. Louis Berkhof afirma que figura de linguagem é quando “uma palavra ou expressão é usada em sentido diferente daquele que lhe é próprio”. Por exemplo: metáfora, metonímia, sinédoque, ironia, eufemismo, antítese, aliteração, etc, são chamadas de figuras de linguagem.  
No Salmo 82 é usada à ironia como figura de linguagem. Em certo sentido os juízes eram os representantes de Deus na terra e por isso são chamados de deuses. Eles deveriam fazer ou agir com justiça (leia Êxodo 22:8, 9; Deuteronômio 19:17) assim como Deus é justo. Acontece que os juízes julgavam injustamente (v.2) prejudicando o pobre e o necessitado (v.3) agindo em favor dos ímpios. Consideravam-se “poderosos” (v.1) eram “deuses”, mas não representavam os verdadeiros interesses de Deus. Por isso eles andavam em trevas, sem conhecimento nem entendimento do que é essencialmente julgar segundo os padrões de Deus (v.5).
Contudo, não obstante o egoísmo, arrogância, vaidade e presunção (v.6), para o Deus Soberano e Onipotente eles não passavam de meros mortais. Alguém que pretenda ser Deus deve ser imortal, mas eles morreriam como os demais homens, e cairiam como qualquer dos príncipes (v.7). Ademais, os judeus são monoteístas, portanto não interpretavam que os juízes fossem deuses ou Deus. É necessário descobrir em que sentido se aplica a expressão Filho de Deus para o cristão regenerado por Cristo.
3 – Filhos de Deus. Novamente a máxima da Confissão Positiva de que filho de alguém é algo ou alguém em miniaturinha, não procede. A Bíblia afirma que somos feitos filhos de Deus a partir do instante em que recebemos Cristo como nosso Salvador crendo no seu nome (João 1:12). Somos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus (Gálatas 3:26). Os anjos também são chamados de filhos de Deus (Jó 38:7). Na verdade precisamos saber em quê sentido tanto os seres humanos quanto os anjos são chamado de filhos de Deus.
O fato é que em certo sentido somos similares a Deus, pois fomos criados a sua imagem e semelhança. Dispomos das qualidades comunicáveis de Deus tais como justiça, bondade, ira, amor, retidão, etc. Contudo, foi Ele quem compartilhou essas qualidades conosco. Similaridade não é identidade.  Não somos exatas cópias de Deus nem possuímos sua identidade ou natureza.
Os anjos são filhos de Deus por criação (Colossenses 1:16) e os seres humanos por adoção (Gálatas 4:5-7). Nós não possuímos a natureza de Deus.
4 – Jesus como Filho de Deus. No texto de João 10:34,35 Jesus está reivindicando sua unidade e divindade com o Yahweh do Antigo Testamento sob risco de ser lapidado. Jesus se apropria da aceitação escriturística da lei (v.34) por parte dos judeus fanáticos para legitimar sua reivindicação de autoproclamar-se Filho de Deus. Donald Carson no seu livro sobre o Comentário de João interpreta essa passagem assim: “Se há outros a quem Deus (o autor das Escrituras) pode se dirigir como ‘deus’ e ‘filhos do Altíssimo’ (isto é, filhos de Deus), em que base bíblica alguém poderia censurar quando Jesus diz: Sou Filho de Deus?”.
Não somos Deus
Quem diria que pregadores famosos e que outrora foram corretos teologicamente seriam seduzidos pela teologia da Confissão Positiva e Teologia da Prosperidade? Pois é, estão bem diante dos nossos olhos. Devemos nos recordar das sábias e inspiradas palavras do apóstolo Paulo: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (I Coríntios 10:12). Seguimos em frente, na defesa do verdadeiro evangelho.
Abraço a todos!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

FILHO DE DEUS É DEUSINHO?


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As pessoas que fazem uso de preleções devem tomar muito cuidado ao comparar, ilustrar ou associar algo a alguma coisa. Nem sempre os exemplos, comparações, ilustrações, etc, dão certo ou estão corretos. Tome por exemplo a doutrina da trindade. As Testemunhas de Jeová raciocinam o seguinte: se a soma de 1+1+1=3 a conclusão só pode ser que nessa lógica os cristãos em geral são politeístas, pois adoramos 3 deuses. Pergunto: a comparação desta adição à doutrina da Trindade apoia as Testemunhas de Jeová em seu raciocínio lógico? R: certamente que não, pois podemos dizer também que 1x1x1:1. Ou seja, adoramos um só Deus eternamente subsistente em três pessoas, entenderam?

Pois bem: fazendo uso de analogia e exemplos forçados e incorretos, o pessoal da Confissão Positiva ou Movimento de Fé dizem que, se filho de gato é gatinho, se filho de cachorro é cachorrinho e etc, filho de Deus é um deusinho. O raciocínio parece certo e coerente, não? É... mas não é bem assim. Sabendo disso buscam apoio bíblico para respaldar esta heresia. E supostamente pensam que Salmos 82:1-8 e João 10:31-39 apoiam suas ideias (peço que leia em sua Bíblia).   

Pra começar este pensamento não tem origem no cristianismo e sim na sugestão de Satanás a Eva de que “seriam como Deus” se comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 3:5). No mundo contemporâneo podemos afirmar que a origem desse pensamento está no Movimento Nova Era.

Lauro Trevisan no livro Aquarius, A Nova Era chegou, pp.22.23, afirma que a Era de Aquarius “é a descoberta de um Poder Infinito e de uma Sabedoria Infinita, no âmago da criatura humana, ou seja, o homem é um ser divinizado”. Ele afirma ainda: “A maior conquista do homem de Aquarius será a descoberta de Deus no âmago do seu ser. Quando acontecer a comunhão interna entre o eu e o Eu Sou, ou seja, entre o humano e o Divino imanente no humano, a Vida e a Verdade se manifestarão na mais bela plenitude”.

A guru do Movimento Nova Era - Shirley MacLaine – afirma: “Cada um de nós é parte de Deus, experimentando a aventura da vida (“Em Busca do Eu”, Shirley MacLaine, p. 96). E mais: “Somos todos parte de Deus, e Deus é parte de nós. Nada pode ficar entre Deus e nós. “Nós somos um (“Em Busca do Eu”, Shirley MacLaine, p. 73)”.

Os profetas da Confissão Positiva se inspiraram nas mesmas ideias da divinização do homem – presente no Movimento Nova Era – para infestar o cristianismo ortodoxo com a mesma praga herética. Segue abaixo algumas citações dos “profetas”.

Kenneth Hagin assevera: “O homem... foi criado em termos de igualdade com Deus, e poderia permanecer na presença de Deus sem qualquer consciência de inferioridade... Deus nos criou tão parecidos com Ele quanto possível... Ele nos fez seres do mesmo tipo dEle mesmo... O homem vivia no Reino de Deus. Vivia em pé de igualdade com Ele... O crente é chamado de Cristo... Eis quem somos; somos Cristo!”.

Kenneth Copeland declara que “a razão para Deus criar Adão foi seu desejo de reproduzir a si mesmo... Ele [Adão] não era um deus pequenino. Não era um semideus. Nem ao menos estava subordinado a Deus”.

O televangelista John Avanzini afirma que o Espírito de Deus “declarou na Terra, hoje em dia, qual seu propósito eterno por todos os séculos... que Ele está duplicando a si próprio na Terra”.

Morris Cerullo clama: “Vocês sabiam que desde o começo do tempo o propósito inteiro de Deus era reproduzir-se?... Quem são vocês? Vamos lá, quem são vocês? Vamos lá, digam: ‘Filhos de Deus!’ Vamos lá, digam! E aquilo que opera em nosso interior, irmão, é a expressa manifestação de tudo quanto Deus é e tem. E quando estamos aqui de pé, vocês não estão olhando para Morris Cerullo; vocês estão olhando para Deus, estão olhando para Jesus”.

(Todas as citações foram extraídas do livro “Cristianismo em Crise”, Hank Hanegraaff, CPAD)

Só para lembra-los: Morris Cerullo tem “baixado” em nosso país para pregar no programa de certo pastor brasileiro (pregar???). Quer dizer, esfolar o povo de Deus ao pedir ofertas de até R$ 10.000,00. Poderíamos usar, então, a mesma analogia... tiete de Cerullo é um Cerullinho? O que vocês acham?  

Na próxima postagem vamos analisar os dois textos usados pelos “profetas” da prosperidade (Salmos 82:1-8 e João 10:31-39). Aprenderemos que numa analise correta da hermenêutica sagrada, essa ideia simplesmente não existe. Podem tirar o cavalinho da chuva: NÃO SOMOS DEUSES COISA NENHUMA. Essa é mais uma tentativa de causar frenesi no povo de Deus, mas sempre a custa de heresias.

Grande abraço a todos!


  

terça-feira, 5 de maio de 2015

UNÇÃO DE MANASSÉS: MAIS UM BEISTEROL "APOSTÓLICO"


Um tal “apóstolo” chamado Agenor Duque afirma possuir a “unção de Manassés”. Esta teria o poder de apagar da memoria das pessoas seus sofrimentos. Segundo ele, foi o pastor Jerônimo Onofre da Silveira (Templo dos Anjos) quem o “ungiu” para “ministrar” as pessoas a tal unção. O modo de aplicar a unção é a seguinte: um pano é colocado na cabeça (ocultando o rosto), esborrifa-se agua no rosto e cabeça, e depois as “palavras mágicas” da “unção” são ditas as pessoas. Após esse ato a pessoa, supostamente, não lembra mais daquilo que a fazia sofrer. É como se ela sofresse um apagão na memória. Creio que há razão de sobra para afirmarmos que tal procedimento não é bíblico nem evangélico.


Em primeiro lugar, está à impetração da tal “unção” de uma pessoa à outra. Não há nenhuma legitimidade, nem a chancela ou aprovação divina nesse ato moderno. Na Bíblia temos, por exemplo, Moisés ungindo Arão e seus filhos para o sacerdócio (Êxodo 28:41), Samuel ungindo a Davi como rei (I Samuel 16:12), o profeta Elias ungindo Jeú como profeta em seu lugar (I Reis: 19:16). Mas em todos os casos a ordem para ungir e a autoridade concedidas aos seus servos partiu do próprio Deus. No caso dos “apóstolos” atuais tudo não passa de mero subjetivismo. Aliás, tais “apóstolos” são especialistas em inventar unções: de Manassés, de Efraim, de Bezaliel, de Anagkazo...

Em segundo lugar, o entendimento de “ungido” ou unção no Novo Testamento é diferente do Antigo Testamento. Não devemos esquecer que o ambiente do Antigo Testamento ou o desenvolvimento histórico e revelacional de Deus à humanidade estavam em progressão e expansão. Portanto, muitos procedimentos teve seu cumprimento em Cristo. Ele é o detentor primacial dos três ofícios – sacerdote, profeta e rei. É O Ungido de Deus (Atos 10:38). Em certo sentido, também, todos os crentes são ungidos, conforme I João 2:27: “E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis”. Mas esse texto tem haver com nossas responsabilidades práticas, e não com algum tipo de revestimento para operar sinais e prodígios.

Em terceiro lugar os nomes na Bíblia não devem ser entendidos como poderes místicos com propriedades para abençoar ou amaldiçoar àqueles a quem são dados. Tome o exemplo do nome Manassés. Após o Senhor engrandecer a José no Egito, o agraciou com dois filhos: Manassés e Efraim (Gênesis 46:20). Ao nascer o primogênito José disse: “Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai” (Gênesis 41:51), portanto colocou o nome de Manassés. O nome neste caso revela as circunstancias em que José foi submetido, às suas amargas experiências. Não significa que José esqueceu os seus sofrimentos no sentido de uma espécie de amnésia ou “apagão” de sua memória. Se fosse assim teríamos que entender no próprio versículo citado que ele havia esquecido o que outrora se passara com ele e não se lembrava mais de seus familiares. Isso é um enorme absurdo. No decorrer da história observaremos que José se recorda de todos os seus sofrimentos, sim. Mas agora, ao recordar, ele não sofre mais. Ele possui paz e tranquilidade na alma – até mesmo para perdoar seus irmãos. Não devemos dogmatizar sobre os significados dos nomes na Bíblia. O próprio José recebeu um nome pagão (Zafenate-Panéia), contudo isso não o tornou um descrente no Senhor Deus. Se tudo isso fosse verdade penso que os “apóstolos” deveriam receber a unção de José e não de Manassés!

Por ultimo, ao observar detalhes da aplicação da “unção de Manassés” pelo tal “apóstolo” às pessoas, tudo soa estranho, esquisito, exótico. São práticas que se parecem mais com uma “macumbaria evangélica” do que com a manifestação do poder de Deus para libertar os oprimidos. Trata-se de libertação sem regeneração. Biblicamente deve ser o contrário ou simultâneo. Pra mim os procedimentos são usos de técnicas humanas. Uma espécie de lavagem cerebral ou quem sabe uma confissão positiva antecipada. Que o Senhor nos livre destes “apóstolos” modernos.

No amor de Cristo,