terça-feira, 5 de maio de 2015

UNÇÃO DE MANASSÉS: MAIS UM BEISTEROL "APOSTÓLICO"


Um tal “apóstolo” chamado Agenor Duque afirma possuir a “unção de Manassés”. Esta teria o poder de apagar da memoria das pessoas seus sofrimentos. Segundo ele, foi o pastor Jerônimo Onofre da Silveira (Templo dos Anjos) quem o “ungiu” para “ministrar” as pessoas a tal unção. O modo de aplicar a unção é a seguinte: um pano é colocado na cabeça (ocultando o rosto), esborrifa-se agua no rosto e cabeça, e depois as “palavras mágicas” da “unção” são ditas as pessoas. Após esse ato a pessoa, supostamente, não lembra mais daquilo que a fazia sofrer. É como se ela sofresse um apagão na memória. Creio que há razão de sobra para afirmarmos que tal procedimento não é bíblico nem evangélico.


Em primeiro lugar, está à impetração da tal “unção” de uma pessoa à outra. Não há nenhuma legitimidade, nem a chancela ou aprovação divina nesse ato moderno. Na Bíblia temos, por exemplo, Moisés ungindo Arão e seus filhos para o sacerdócio (Êxodo 28:41), Samuel ungindo a Davi como rei (I Samuel 16:12), o profeta Elias ungindo Jeú como profeta em seu lugar (I Reis: 19:16). Mas em todos os casos a ordem para ungir e a autoridade concedidas aos seus servos partiu do próprio Deus. No caso dos “apóstolos” atuais tudo não passa de mero subjetivismo. Aliás, tais “apóstolos” são especialistas em inventar unções: de Manassés, de Efraim, de Bezaliel, de Anagkazo...

Em segundo lugar, o entendimento de “ungido” ou unção no Novo Testamento é diferente do Antigo Testamento. Não devemos esquecer que o ambiente do Antigo Testamento ou o desenvolvimento histórico e revelacional de Deus à humanidade estavam em progressão e expansão. Portanto, muitos procedimentos teve seu cumprimento em Cristo. Ele é o detentor primacial dos três ofícios – sacerdote, profeta e rei. É O Ungido de Deus (Atos 10:38). Em certo sentido, também, todos os crentes são ungidos, conforme I João 2:27: “E a unção que vós recebestes dele, fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis”. Mas esse texto tem haver com nossas responsabilidades práticas, e não com algum tipo de revestimento para operar sinais e prodígios.

Em terceiro lugar os nomes na Bíblia não devem ser entendidos como poderes místicos com propriedades para abençoar ou amaldiçoar àqueles a quem são dados. Tome o exemplo do nome Manassés. Após o Senhor engrandecer a José no Egito, o agraciou com dois filhos: Manassés e Efraim (Gênesis 46:20). Ao nascer o primogênito José disse: “Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai” (Gênesis 41:51), portanto colocou o nome de Manassés. O nome neste caso revela as circunstancias em que José foi submetido, às suas amargas experiências. Não significa que José esqueceu os seus sofrimentos no sentido de uma espécie de amnésia ou “apagão” de sua memória. Se fosse assim teríamos que entender no próprio versículo citado que ele havia esquecido o que outrora se passara com ele e não se lembrava mais de seus familiares. Isso é um enorme absurdo. No decorrer da história observaremos que José se recorda de todos os seus sofrimentos, sim. Mas agora, ao recordar, ele não sofre mais. Ele possui paz e tranquilidade na alma – até mesmo para perdoar seus irmãos. Não devemos dogmatizar sobre os significados dos nomes na Bíblia. O próprio José recebeu um nome pagão (Zafenate-Panéia), contudo isso não o tornou um descrente no Senhor Deus. Se tudo isso fosse verdade penso que os “apóstolos” deveriam receber a unção de José e não de Manassés!

Por ultimo, ao observar detalhes da aplicação da “unção de Manassés” pelo tal “apóstolo” às pessoas, tudo soa estranho, esquisito, exótico. São práticas que se parecem mais com uma “macumbaria evangélica” do que com a manifestação do poder de Deus para libertar os oprimidos. Trata-se de libertação sem regeneração. Biblicamente deve ser o contrário ou simultâneo. Pra mim os procedimentos são usos de técnicas humanas. Uma espécie de lavagem cerebral ou quem sabe uma confissão positiva antecipada. Que o Senhor nos livre destes “apóstolos” modernos.

No amor de Cristo,  

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