quinta-feira, 11 de abril de 2013

FARIAM OS CRENTES HOJE OS MESMOS MILAGRES QUE JESUS FEZ?

Por Gilson Barbosa

Há um grande equívoco no que concerne ao entendimento da natureza dos milagres bíblicos. A grande maioria dos evangélicos pensa que mediante o poder do Espírito Santo são eles próprios os realizadores dos milagres. Em primeiro lugar há algo estranho, pois o Espírito seria apenas o capacitador – cabendo a pessoa fazer uso da “unção” do Espírito. A estranheza está no fato de que o Espírito daria apenas o empurrão, cabendo à pessoa a efetivação plena e cabal do milagre.

Em segundo lugar há incoerência, pois ou é o Espírito que opera de forma exclusiva o milagre ou é o crente. Ou então há uma parceria entre o Deus-Espírito e o ser humano. A pergunta que surge é “sendo assim a glória é de quem quando acontece o milagre?". Deve ser por causa dessa postura que está em “alta” hoje em dia os que “realizam milagres”. Na verdade o Espírito aparece como se fosse apenas uma nota de rodapé num livro, o fato mesmo é que o pastor/pastora ou o irmão/irmã fulano/fulana de tal é “usado por Deus para realizar milagres”. 

Em terceiro lugar há falha na compreensão da fonte do poder, para a realização do milagre. A questão não é se o Senhor manifesta seu poder operando milagres hoje, mas se há homens capazes de operar tais milagres. Os milagres são essencialmente diferentes na sua fonte e em sua realização. Os milagres realizados por Jesus aconteceram porque residia nele próprio o poder de curar e restaurar a saúde. Eles apontavam para a Sua divindade. Não há nada inerente nas pessoas para curar ou realizar milagres. Estes são sazonais, circunstanciais, e sua realização, no âmbito externo, não depende do querer de alguém. A fonte do milagre é sempre o Senhor, e não o homem, nem mesmo este sob o “poder e a unção” do Espírito.

Antes que alguém acuse é necessário dizer que está muito enganado quem pensa que os cristãos tradicionais – adeptos da teologia reformada – negam que Deus não continua realizando hoje manifestações especiais de poder. Como afirmou Walter J. Chantry (Sinais dos Apóstolos – Editora PES): “Em resposta às orações de seu povo, Deus está curando, como expressão soberana de Seu poder, a alguns que a moderna medicina tem desenganado. Alguns teólogos preferem classificar estes eventos como ‘atos de extraordinária providencia’ e não milagres”.

Um dos textos bíblicos mal interpretado, para defender que os crentes hoje realizariam milagres é João 14:23 que diz: “Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para o meu Pai”. Na tentativa de justificar que cada crente individualmente pode realizar milagres hoje, alguém citou esse texto como prova. Mas, a dúvida que permanece refere-se a respeito da natureza dos milagres operados por Jesus. Em que sentido os discípulos fariam obras e ainda maiores que as que Jesus fez? Alguns milagres realizados por Jesus comprovam o contrário – que não é possível o crente realizar obras maiores que Cristo realizou. Note só a série de milagres que Jesus efetuou e veja se é possível alguém fazer melhor do que Ele hoje em dia.

  • Milagres na natureza: transformação da água em vinho, a tempestade acalmada, a multiplicação dos pães, a figueira amaldiçoada, o andar sobre as águas, as pescas milagrosas;
  •  Enfermidades graves: cegueira, mudez, gaguez, paralisia, lepra, etc;
  • Ressurreição: dos mortos, a de Cristo mesmo;
  • Expulsão de demônios.
Pergunta: Se estas são algumas das obras que Cristo realizou, como alguém conseguiria fazer obras maiores que estas? Definitivamente não é essa a interpretação da passagem do escritor João. Há mais coisas no texto que precisamos saber.

O evangelista João, no epílogo de seu livro, expressa a extensão dos milagres operados por Jesus. Ele nos esclarece que os milagres relatados não evangelhos não representam todos os milagres realizados por Cristo: “Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.30,31).

Quando João Batista estava encarcerado, ordenou aos seus discípulos que lhe perguntassem se Ele era realmente o Messias: “És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro?” (Mt 11.3); ao que Jesus lhes respondeu: “Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11.4,5). Será que realmente Jesus queria dizer que os discípulos fariam isto tudo e muito mais? Ou estaria Ele referindo-se a outro tipo de obra?

Os milagres e maravilhas operados por Jesus testemunhavam acerca de sua autêntica messianidade: “Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim” (Jo 10.25). Assim como João Batista, alguns discípulos de Cristo estavam duvidosos e esse sentimento se intensificou em decorrência da morte de Cristo, como podemos verificar na descrença de Tomé (At 20.24-29). Portanto, era mister que Jesus dirimisse tais dúvidas e incredulidades, o que fez após ascender ao céu e cumprir as promessas deixadas: “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram” (Mc 16.20).

Temos de considerar que não foram somente os milagres realizados pelos apóstolos, após a partida de Jesus, que evidenciaram que Jesus era o Cristo, e tampouco o texto de João 14.12 está-se referindo somente a isso. Percebermos que as “obras maiores” se referem também à coletividade, à geografia e à pregação do evangelho.

Vejamos:
  • O que Cristo realizou (é necessário definir) em seu curto período de ministério poderia, possivelmente, ser realizado após a sua partida, e isso não somente por 12, 70 ou 120 discípulos, mas por toda a igreja que se formaria, ou seja, coletivamente. A realização não é individual, arbitrária, aleatória, nem independente, mas deve estar submetida a providencia de Deus, o que está implícito também a temporalidade.

  • As barreiras geográficas cairiam após a sua ascensão, e o evangelho deveria ser pregado, simultaneamente, em vários lugares: “... e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8).

  • Não se tem mensura do número das pessoas convertidas durante o período em que Jesus exerceu seu ministério, mas certamente o trabalho evangelístico realizado pelos discípulos alcançou uma projeção muito maior, em relação aos resultados de almas salvas (At 2.41; 4.4; 5.14,16,42; 6.1,7; etc).

Ademais, os próprios estudiosos pentecostais discordam que o versículo de João 14:12 apoie a interpretação de que os crentes fariam milagres maiores que Jesus fez. O pastor Esequias Soares, autoridade brasileira dentro do segmento pentecostal e erudito nos idiomas originais da Bíblia Sagrada, ao interpretar a passagem bíblica afirma corretamente que “as maiores obras diz respeito à quantidade e não à qualidade. A palavra grega aqui é meizon, grau comparativo de megas, ‘grande”’ (Lições Bíblicas, Atos – O padrão para a Igreja da Ultima Hora, página 16, lição do aluno).

Nenhum crente, quem quer que seja, deve se arrogar “realizador de milagres”. Somente Cristo, o Messias, possui inerentemente em si este poder. Os falsos apóstolos estão por aí enganando os incautos com a intenção de mercadejar a fé cristã. Que o povo do Senhor mantenha os olhos bem abertos.

Em Cristo,  
  

4 comentários:

  1. A Paz,
    embora assembleiano, gosto muito dos livros de John Piper, John Mcartur,J.J. Parcker e outros.
    é difícil negar o que vi com meus próprios olhos ao vdeparar com um cadáver em uma ocorrência de choque elétrico de 1000 volts , com uma hora de morto e todas as características desse estado, e após pedir a Deus por aquela vida este mesmo homem sem nenhuma sequela , uma semanA depois veio ao quartel agradecer-nos.A glória não é minha, Deus continua operando milagres para propósitos definidos. Não creio que encerrou nos apóstolos pois muitos milagres presenciamos na igreja e fora mas me atento aos falsos prodígios que acredito estarem espalhados afinal também são bíblicos o seus aparecimentos. Busco e luto por uma assembléia com programação de momento para estudo e exposição da palavra frente à programação neo petencostal que invadiu nossas igrejas porém, não apoio o encerramento de dons.
    uma de minhas filhas presenciei um milagre o qual não posso duvidar. Não busco um Deus que diz sim, não busco um Deus para resolver meus problemas, não quero ganhar essa vida,nem mesmo morar aqui. é eleição da CGADB e no entanto vejo a Assembléia de Deus, com todo respeito aos milhares de membros,Assembléia apenas pois de Deus já estã sendo substituída por campanhas não bíblicas, eventos, entreterimentos diversos e o enraigado evangelho da prosperidade, agora que muitos irmãos de lá ainda "confundem" céticos e teólogos de mais alto gabarito.
    Paz

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    1. Paz querido irmão Mendes,

      Obrigado por acessar o blog e ler as postagens.

      Eu entendi o que disse. E você deve ter entendido que o texto não diz que o Senhor não realiza milagres hoje em dia ou que milagres não existam ou aconteçam. No entanto, nem todo milagre tem a chancela divina. Isso é assunto para uma postagem sobre a contemporaneidade dos dons.

      O texto tem a intenção de desmascarar os que pensam que possuem algum tipo de poder em si, para realizar milagres. Se o irmão acha que isso não procede, então deveria averiguar melhor os que vivem correndo atrás dos milagres.

      Ah sim... escrevi esse texto após uma conversa com um irmão que dizia ser possível realizar milagres melhores do que Jesus realizou, e que Deus dotou seus servos com esse poder.

      No demais amado, obrigado pelo comentário e pelo modo como o fez, com respeito e amor. Deus em Cristo continue abençoando sua vida.

      Grande abraço,

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  2. Saudações em Cristo! com respeito ao seu texto "Cristo desceu ao inferno para pregar", vc concorda que ele foi lá para anunciar sua vitória cruz?.

    Abraços - Pb. João Eduardo Silva - AD Min. Belém - Sp.

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  3. Francisco de Assis Lourenço12 de abril de 2013 19:10

    Conheçamos e Prossigamos,em conhecer o Senhor:como a alva, será a sua saída; e ele a nós virá como a chuva como chuva serôdia que rega a terra. OS.6:3 A Leitura Da Bíblia e a escola Dominical Faz a Diferença No Nosso Dia a Dia. Deus Abençoe Meu querido Irmão em Cristo Jesus. Pelos Laços Eternos Do Calvário.

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