quarta-feira, 30 de outubro de 2013

COMPREENDENDO O SENTIDO DOS MILAGRES

Por Gilson Barbosa

No trajeto para minha casa passo sempre em frente a uma igreja pentecostal. Um enorme outdoor anuncia que nesta igreja “o impossível não existe”. Mas, em contraste com o anuncio sempre lembro um irmão que frequenta a referida igreja, “onde o impossível não existe”, e que acometido de uma grave enfermidade na perna insiste em “desafiar” a legenda do outdoor, pois não consegue ser curado desta doença. Pelo menos para ele, o impossível persiste em existir. A justificativa para a ausência da cura, obviamente, será a falta de fé ou até mesmo falhas na vida espiritual do pobre irmão.
Porém, há explicações bem mais plausíveis para a ausência de curas, milagres, maravilhas e sinais espetaculares. De forma geral podemos dizer que Deus tem propósitos bem definido, e isso inclui os elementos que estamos discutindo. Tudo o que acontece está dentro da sua soberana vontade. Às vezes o crente é curado, às vezes não, e às vezes pode vir até mesmo a óbito. A cura e ou os sinais maravilhosos de Deus não são simplesmente para satisfazer as necessidades humanas, para a produção de bem estar físico, nem possui caráter subjetivo. A ação miraculosa de Deus possui propósitos claros, objetivos, que muitas vezes não iremos compreender. Como compreender que Deus não processou a cura em Paulo e ainda disse que o apóstolo deveria contentar-se com Sua graça? (II Coríntios 12: 7-10). A cura de Paulo não glorificaria a Deus? Porém, precisamos entender que em todas as circunstancias Deus sempre é glorificado. O que tem acontecido é que as pessoas estão em busca de um Deus que faça algo por eles.

Nesta postagem quero propor biblicamente algumas razões pelas quais nosso Senhor Jesus Cristo efetuava maravilhas e milagres, especialmente quando curava ou expulsava demônios. Eis alguns pontos:
1 – Como inauguração “de uma nova religião”
“E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.” (Marcos 3:5).
O evangelista Lucas (6:7) nos informa que os escribas e fariseus estavam na sinagoga ouvindo a pregação de Jesus, mas a intenção era ver se Jesus curaria um homem que tinha a mão direita ressequida. Sabemos que a religião vigente nos dias de Jesus era o judaísmo. O dia de sábado era considerado sagrado para os judeus e por várias vezes, no ministério de Jesus, este assunto foi motivo de polemica e discussão. A desobediência a este mandamento era punida com a morte por apedrejamento (Números 15:32-36). Porém, aquilo que foi ordenado por Deus como um dia de reflexão espiritual e adoração (a santificação do sábado), logo passou a ser interpretado de forma diferente e equivocada pelo judaísmo.

Jesus compreendia a essência da ordem Divina de santificar este dia. Porém para os judeus a guarda do sábado identificava a verdadeira religião. Sabedor disto Jesus indaga: “E perguntou-lhes: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar? E eles calaram-se.” (Marcos 3:4). Diante do silencio dos escribas e fariseus Jesus efetuou a cura da mão do homem, como comprovação de que dava inicio pelo seu ministério uma nova maneira de se relacionar com Deus. “E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã como a outra.” (Marcos 3:5).

2 – Cristo tinha em si mesmo o poder de realizar milagres
Jesus não precisava orar ao Pai pedindo poder para curar. Não é que Ele tinha o dom de curar; ele curava por seu próprio poder e autoridade. As pessoas não tinham dúvida que se pelo menos tocassem na orla da sua veste receberiam a cura:
E, quando já estavam no outro lado, dirigiram-se à terra de Genesaré, e ali atracaram. E, saindo eles do barco, logo o conheceram; e, correndo toda a terra em redor, começaram a trazer em leitos, aonde quer que sabiam que ele estava, os que se achavam enfermos. E, onde quer que entrava, ou em cidade, ou aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua roupa; e todos os que lhe tocavam saravam. (Marcos 6:53-56)
Ninguém pode dizer que tem em si mesmo poder para curar as pessoas; se bem que alguns pastores pensam que sim. Se o Senhor curar alguém que fique claro que é por sua infinita graça e bondade e não por causa do pastor A ou B. Jesus não precisava fazer campanha de curas e efetuá-las no ultimo dia. Ele não precisava se esforçar para curar as pessoas; simplesmente as pessoas tocavam Nele eram curados simultaneamente.
3 – A operação de maravilhas comprovavam que Jesus era o Filho de Deus
Dizer que Jesus era o Filho de Deus trata-se de um hebraísmo. A expressão é a mesma coisa de dizer que Ele era essencialmente Deus:
E os espíritos imundos vendo-o, prostravam-se diante dele, e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus. (Marcos 3:11)
Os espíritos imundos sempre reconheceram que Jesus possuía os atributos da Divindade e quando ele os expulsava reivindicava pessoalmente esse título:

E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega. E os que faziam isto eram sete filhos de Ceva, judeu, principal dos sacerdotes. Respondendo, porém, o espírito maligno, disse: Conheço a Jesus, e bem sei quem é Paulo; mas vós quem sois? E, saltando neles o homem que tinha o espírito maligno, e assenhoreando-se de todos, pôde mais do que eles; de tal maneira que, nus e feridos, fugiram daquela casa. (Atos 19:13-16)
4 – Os milagres não autenticam os recebedores
E toda a multidão procurava tocar-lhe, porque saía dele virtude, e curava a todos. (Lucas 6:19)
Jesus não curava apenas os que criam Nele ou os seus seguidores. Ele curava a todos, informa o escritor Lucas. Ser curado, receber algum milagre de Deus ou até mesmo efetuar milagres e sinais espetaculares não é garantia de vida eterna e nem de ser um fiel e verdadeiro discípulo de Cristo.

Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. (Mateus 7:21-24)
Interessante é que Jesus afirma nunca ter conhecido essas pessoas. Elas fizeram ações que muitos julgam como as mais importantes no evangelho moderno: profetizaram, expulsaram demônios, efetuaram muitas maravilhas. No entanto nunca foram regenerados; não experimentaram a conversão verdadeira. Seus ministérios nunca tivera a aprovação Divina.

5 – Os milagres eram as credenciais do Messias
Cada vez mais a expectativa da vinda do Messias parecia se esfriar no coração dos judeus. Até mesmo João Batista teve dúvidas e enviou dois dos seus discípulos para indagarem Jesus se Ele era o Messias prometido nas escrituras ou não. Diante dessa pergunta Jesus realizou alguns sinais para que João não tivesse mais dúvida e tranquilizasse seu coração:

E João, chamando dois dos seus discípulos, enviou-os a Jesus, dizendo: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E, quando aqueles homens chegaram junto dele, disseram: João o Batista enviou-nos a perguntar-te: És tu aquele que havia de vir, ou esperamos outro? E, na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espíritos maus, e deu vista a muitos cegos. Respondendo, então, Jesus, disse-lhes: Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho. E bem-aventurado é aquele que em mim se não escandalizar.  
6 – As operações de maravilhas anunciavam a chegada do Reino de Deus

O Reino Deus é o seu governo no coração das pessoas. Só pode fazer parte do reino aqueles a quem o Senhor elege. O judeu com seu orgulho religioso dificilmente seria convencido de que o plano da salvação se estendia a todos os povos, tribos, línguas e nações. Por várias vezes Jesus utilizaria o recurso da cura, dos sinais, maravilhas e milagres para anunciar que por meio Dele o Reino Deus havia chegado ao mundo.
Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios. Jesus, porém, conhecendo os seus pensamentos, disse-lhes: Todo o reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá. E, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino? E, se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os expulsam então vossos filhos? Portanto, eles mesmos serão os vossos juízes. Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, logo é chegado a vós o reino de Deus.  
7 – Os apóstolos receberam autoridade diretamente de Jesus

Hoje em dia se discute muito a questão da contemporaneidade dos dons; eu não vou entrar nesse mérito. Apenas reforço o fato de que eles receberam a autoridade de curar, expulsar demônios e operar maravilhas, por meio direto.

E, CONVOCANDO os seus doze discípulos, deu-lhes virtude e poder sobre todos os demônios, para curarem enfermidades. (Lucas 9:1)
Os apóstolos receberam autoridade diretamente de Cristo. Como Cristo ascendeu ao céu e não há mais apóstolos (semelhantes aos apóstolos de Cristo) entende-se que houve mudanças significativas quanto às necessidades e realizações de milagres e maravilhas. A condição dos apóstolos era Sine Qua Non; a nossa não.
8 – Os milagres servem como juízos de Deus
Ninguém atenta para este fato. Longe de causar euforia os milagres deveriam provocar temor a Deus. Todos deveriam se comportar com muita humildade diante de acontecimentos sobrenaturais. Tristemente observamos pessoas arrogantes exigindo de Deus a cura e os milagres. Deveriam saber que estão acumulando sobre si a ira de Deus reservada para o ultimo dia.

Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se operou a maior parte dos seus prodígios o não se haverem arrependido, dizendo: Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza. Por isso eu vos digo que haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós. E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti. (Mateus 11:20-24)
Depreendemos do texto que é possível os milagres não produzir nas pessoas que tem ou tiveram algum tipo de conhecimento sobre Deus nenhum arrependimento genuíno. Porém, isso implica em maior juízo, maior castigo. Os que vivem em busca de milagres o tempo todo deveriam prestar mais atenção nisso e buscar a misericórdia de Deus.

Três coisas fundamentais

A primeira é que a multidão é fascinada por sinais espetaculares de Deus (Marcos 1:45; 3:7; 6:31). Ela não se importa em servir ao Senhor em espírito e em verdade. O que importa mesmo é a realização de algo fantástico. A segunda é que o foco deve estar na Soberana vontade de Deus. Crentes piedosos e abnegados servos do Senhor morrem todo o dia. Os mesmos estão sujeitos a terem filhos com algum tipo de deficiência. Não se desespere se for esse o seu caso. Confie na soberania de Deus; Ele sabe o que faz. A terceira é que o maior de todos os milagres é pertencer à família de Deus; é fazer parte do seu povo na terra; é ter certeza de vida eterna:

E foram ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele, por causa da multidão. E foi-lhe dito: Estão lá fora tua mãe e teus irmãos, que querem ver-te. Mas, respondendo ele, disse-lhes: Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a executam. (Lucas 8:19-21)
E voltaram os setenta com alegria, dizendo: Senhor, pelo teu nome, até os demônios se nos sujeitam. E disse-lhes: Eu via Satanás, como raio, cair do céu. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum. Mas, não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus. (Lucas 10:18-20)
Com amor em Cristo Jesus

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