quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A DIGNIDADE HUMANA (DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA)



A discriminação e o preconceito racial é fruto de um entendimento inadequado sobre o conceito do que é raça. A discussão acadêmica atual está evoluindo sua ideia para considerar a inexistência de diferenças raciais. Entretanto, no imaginário social e/ou popular a existência de diversas raças permanece como uma realidade.

Sempre houve tendências etnocentristas e discriminações baseadas em diferenças físicas, porém, enquanto a tese da teoria monogenista era majoritária não havia ainda a ideia de inferioridade racial, como presenciamos hoje em dia. A tese monogenista afirma a existência de uma única raça humana descendente do primeiro casal criado por Deus.

O apóstolo Paulo há milhares de anos já dizia que Deus “de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra” (Atos dos Apóstolos 17:26). O verdadeiro cristianismo atenta para o fato de que no princípio Deus criou o homem segundo a imagem Dele. É assim que informa Genesis 1:27: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. O ser humano independente da etnia que pertence, possui a imagem e a semelhança de Deus. Sua dignidade humana deve ser respeitada.

Segundo os estudiosos o entendimento da humanidade a partir de raças diferentes aconteceu por volta do século XVI, mais especificamente com os proponentes do Iluminismo. O estudo das diferentes raças é conhecido como “doutrinas racialistas”. O derivado dessa tese originou o conceito da poligenia, ou seja, a existência de diversas raças humanas. O desenvolvimento desse conceito de raça influenciou fortemente as ciências naturais.

Nos séculos XIX e XX a criminalidade era analisada com base na determinação das diferenças biológicas e hereditárias entre as raças. Mas quando o conceito de raça deixou o campo das ciências naturais e alcançou as ciências humanas e sociais a ideia da superioridade de uma raça sobre outra foi aventada. O Dicionário de Conceitos Históricos registra algo importante sobre um movimento nascente na época conhecido como “darwinismo social”:

Em meados do século XIX, o conceito de raça migrou das ciências naturais e alcançou as ciências sociais e humanas. Com a publicação da obra de Charles Darwin, em 1859, e o desenvolvimento da teoria evolucionista a partir daí, o racialismo ganhou novas perspectivas, com o chamado darwinismo social, que lastreada na teoria da evolução e na seleção natural afirmava não só a diferença de raças humanas, mas a superioridade de umas sobre as outras e, ainda, que a tendência das raças superiores era submeter e substituir as outras. A partir da Frenologia e do darwinismo social (muitas vezes chamado de spencerismo, pois a transposição dos argumentos darwinistas para o campo do social não se deveu ao próprio Darwin, mas a Spencer), desenvolveu-se a eugenia, que enaltecia a pureza das raças, a existência de raças superiores e desacreditava a miscigenação. Tais teorias foram a base científica do racismo.

O mesmo Dicionário afirma ainda que nesta época os pensadores entendiam que “cada raça tinha um lugar determinado no mundo, definido pelo grau de importância na escala evolutiva. E a raça superior, eleita pela seleção natural para ordenar o mundo, era a caucasoide, ou seja, a raça branca”. Os que queriam a pureza das raças (“a eugenia”) pensavam que compreender o conceito de raças desta forma seria melhor para a evolução da espécie humana.

Obviamente esse pensamento desembocou em perseguições e atividades sociais e políticas espúrias e asquerosas, tais como as do partido nazista na Alemanha, à limitação dos direitos dos negros no sul dos Estados Unidos, o apartheid na República Sul-Africana e a escravidão dos negros em escala mundial.

Uma das soluções humanas e simples para a solução do racismo, segundo os estudiosos, é a sociedade não admitir a existência de diversas e diferentes raças, pois há apenas uma raça: a raça humana. Mas segundo o entendimento cristão este reconhecimento não é o suficiente para deter o preconceito racial. Entendemos que a humanidade é corrupta e corruptora porque decaiu do padrão de santidade legal exigida por Deus ainda no início da criação de Adão e Eva. O coração da maioria dos seres humanos é mau desde a transgressão de Adão – este era o gérmen seminal da humanidade.  O narrador do Genesis já dizia o seguinte sobre os dias em que Noé vivia: “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (Genesis 6:5).

Deus não faz acepção de classes sociais, cor, povos, tribos e nações. Em Romanos 2:11 o apóstolo Paulo afirma: “Porque para com Deus não há acepção de pessoas”. Uma vez iluminados e atraídos pelo Espírito Santo de Deus o cristão passa a ter a mente de Cristo: “Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo” (I Coríntios 2:16). Desta forma não deve haver espaço na vida do cristão para qualquer forma e tipo de preconceito. Portanto, devemos agir considerando a dignidade de todos os seres humanos por todos os dias das nossas vidas.


No amor de Cristo,      
        

4 comentários:

  1. Paz de Cristo!, excelente seu artigo, bem didático e explicativo. Parabéns pela sua vida e ministério, tenho vontade de te conhecer pessoalmente, tenho certeza que vc será uma benção para minha vida e ministério.
    Só uma pergunta: qual igreja vc congrega?.

    Abraços no amor de Cristo.
    Pb. João Eduardo Silva - Assembléia de Deus.

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  2. A paz do Senhor irmão João Eduardo!

    Obrigado por acessar meu blog e ser edificado pelas postagens. Quem sabe o Senhor nos prepare um dia em que nos conheceremos,pessoalmente? Deus o sabe.

    Sou membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, em Jundiaí - SP.

    Se quiser dialogar comigo entre em contato pelo e-mail:gb-barbosa@hotmail.com

    No amor de Cristo,

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  3. Dia da DIGNIDADE NEGRA MINEIRA
    http://www.mgquilombo.com.br/site/Artigos/bens-quilombolas-materias-e-imateriais/dia-da-dignidade-negra-mineira.html

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