quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O BISPO E A TRANSFORMAÇÃO DA ÁGUA EM VINHO


Queridos leitores, há um vídeo na internet onde o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, com ar de arrogância, afirma que o primeiro milagre que Cristo realizou foi insignificante, injusto e inútil (assista aqui). Em outras palavras transformar água em vinho não faz sentido para ele, não há nenhuma relevância nisso. É injusto, pois é como se Jesus estivesse atendendo um grupo social distinto enquanto deveria estar efetuando outros tipos de milagres que contemplasse todas as pessoas carentes. É inútil, não serviu para nada. Não trouxe “nenhum benefício ao reino de Deus”.

Essas ideias doidas expostas por líderes aloprados não me impressionam mais. Contudo, me preocupo com a plateia que lhe ouve. Em vez de serem alimentados por uma boa comida (doutrina sadia) estão diante de um prato “saboroso” de capim seco. Suas palavras são graves. Elas acusam Jesus de inconsequente e de possuir ausência de bom senso. Temo pela vida eterna deste homem, porque suas palavras desonram a Cristo, e o evangelista Mateus escreveu que “... de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo” (Mateus 12:36,37). Será mesmo que o milagre da transformação da água em vinho foi insignificante, injusto e inútil? Vamos a eles.

1º Insignificante. Todos os milagres que Cristo realizou servem como sinais que apontam para uma realidade maior e mais abrangente. Frank Thielman (Teologia do Novo Testamento, Ed:Shedd) ao comentar sobre a importância do termo “sinal”, usado bastantes vezes por João no seu evangelho, diz que “quando João usa o termo ‘sinal’, ele quer dizer algo que aponta de forma alusiva a uma realidade que ultrapassa a si mesmo – um símbolo”. O biblista escocês Frederick Fyvie Bruce (F.F.Bruce) afirma que há um sentido espiritual na narrativa da transformação da água em vinho:

A água, que servia para a purificação que a lei e os costumes judaicos exigiam, representa toda a antiga ordem do cerimonial judaico, que Cristo haveria de substituir por algo melhor. O ato de encher os jarros até à borda indica que o tempo determinado para as observâncias cerimoniais da lei judaica tinha chegado ao fim; estas observâncias tinham cumprido seu propósito de modo tão completo que nada mais restava da ordem antiga por ser feito. Portanto, chegara a hora de inaugurar-se a nova ordem. O vinho simboliza a nova ordem, assim como a água nos jarros simboliza a antiga.

Portanto, de maneira sintética podemos resumir que Cristo jamais realizou um milagre que não tivesse importância ou relevância. O milagre teve relevância para o casal, seus familiares e amigos presentes no casamento. Ainda mencionando F.F.Bruce: “o término do vinho antes do fim seria um sério golpe, que afetaria principalmente a reputação do hospedeiro”. O evangelista João finaliza essa narrativa querendo que seus leitores reconheçam neste milagre (assim como nos outros também) a divindade de Jesus: “Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galileia, manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (João 2:11). Será que isso não quer dizer que havia um significado específico na realização deste milagre? Que o bispo responda.

2º Injusto. Para ser honesto o bispo deveria informar seus ouvintes que este foi apenas o primeiro milagre de Jesus. Mas não. Ele insinua que Jesus deveria esta curando, salvando e libertando pessoas, em vez de estar numa festa insignificante de casamento efetuando um “milagrezinho” sem importância para um grupo seleto.

Jesus operou milagres pelo menos em quatro áreas específicas: sobre a natureza, milagres de libertação, sobre as enfermidades e milagres de ressurreição. E ainda promoveu o maior dos milagres – a regeneração - em centenas ou milhares de pessoas. Mas podemos imaginar o tipo de milagre que o bispo gostaria que Jesus tivesse feito - é claro, dar muitas riquezas, prosperidade, promover a ausência de sofrimentos nas pessoas, etc. Isso é muito parecido com a proposta que Satanás fez a Jesus para que se lançasse do alto do Templo abaixo visto que nada lhe aconteceria, pois Deus enviaria seus anjos para lhe guardar (Mateus 4:6). Para muitas pessoas Deus tem a obrigação de nos promover bem estar. Mas a verdade é que Deus não é injusto quando nos permite sofrer. Não entendemos porque sofremos, mas “sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Romanos 8:28). Quer falar de injustiça? Injusto é extorquir os bens de pessoas simples ao prometer algo que cabe ao Senhor fazer ou não.

3º Inútil. O bispo afirma que o milagre não serviu para coisa alguma. Não trouxe nenhum benefício para o reino de Deus. Não há nenhum proveito; nenhuma vantagem.

Na verdade, Cristo não realizava milagres para oferecer vantagens, proveitos ou benefícios a pessoas ou entidades. Mesmo assim este milagre, no aspecto social, livrou os noivos e seus familiares de uma situação constrangedora e vexatória. Devemos ter em mente que o casamento é um dos momentos mais importantes na cultura dos judeus. Os casamentos judaicos eram celebrados com festas que duravam até sete dias. Se este momento, tão feliz aos noivos, não tivesse nenhuma importância Jesus não estaria presente neste casamento. Já que o bispo se importa tanto com as pessoas deveria aplaudir o fato de Jesus operar essa transformação e evitar situações embaraçosas.

Aliás, neste casamento Jesus é a pessoa mais importante. Nada é dito dos noivos, dos familiares, dos convidados, mas Jesus é colocado no centro do palco.

No aspecto espiritual este milagre foi útil ao revelar a glória de Jesus e fazer com que seus discípulos, que estavam iniciando a jornada ministerial, pusessem a fé nele. Será que isso ainda é pouco para compreendermos a utilidade deste primeiro milagre realizado por Jesus?

Hereges descarados

Nos causa revolta ouvir este senhor, teologicamente um pedante, despejar seu veneno mortal sobre milhares de pessoas incautas. Sabemos o que está por trás dos seus interesses – espoliar os bens de pessoas, subtrair a qualquer preço o dinheiro suado delas. Mas para isso não precisava apelar e desqualificar um ato realizado pelo Cristo Criador e Soberano do universo!!!

Cabe aos que entendem e amam o verdadeiro evangelho cumprir seus deveres como cristãos e não permitir que falsos mestres e hereges realizem seus intentos tão descaradamente: “Mas os homens perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados” (II Timóteo 3:13).


No amor de Cristo, 

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