terça-feira, 4 de outubro de 2011

PERDOE, PARA SER PERDOADO!

 Por Gilson Barbosa

Perdoar não é tarefa fácil. Todos nós (ou quase todos) estivemos ou estamos envolvidos em alguma situação tensa em nossos relacionamentos interpessoais. Pode ser uma discussão com um colega de serviço, com um parente próximo, com o líder de grupo na igreja onde congrega, com o pastor da igreja, em casa com a esposa ou filhos, etc. Essas discussões e desentendimentos quase sempre deixam marcas que levaremos por boa parte das nossas vidas e alguns a vida inteira. Para que essa situação não perdure e traga angústias na alma e reflexo em nossa saúde física, deve prevalecer o diálogo, o bom senso, a maturidade mental e espiritual. Em certos casos mais graves é necessário renunciarmos o nosso “eu”, nossa “justiça”, nossa “razão” e pedirmos perdão a alguém que ofendemos.

O que é o perdão? No âmbito humano o perdão é o ato de anularmos a dívida de cometimento de falas, ofensas, erros e pecados que alguém, ou nosso irmão, contraiu de nós, sem jamais lançar isso em rosto, ou ficar lembrando (Pr Elienai Cabral). Pregamos muito sobre perdão, mas como acontece em outras áreas da vida cristã, muitas vezes não perdoamos alguém que de alguma maneira (direta ou indireta) nos tenha magoado. Em certos casos nem houve ofensa da outra parte, em outros a “vítima” tende a exagerar os fatos. Somos como os mestres fariseus nos dias de Jesus: falamos, ensinamos, pregamos, ordenamos, mas não vivemos, no dia a dia, os “pequenos” mandamentos de nosso Senhor Jesus. É fácil mandarmos os outros se perdoarem, até que somos nós os ofendidos, aí as coisas mudam de figura.    

Isso me lembra a atitude do irmão mais velho na parábola do filho pródigo, descrito pelo historiador Lucas (capítulo 15). A Bíblia relata que ele não se importou, não deu a mínima, pelo retorno do seu irmão. Quando seu irmão voltou ele estava trabalhando. Ao ouvir as músicas, as danças, ele perguntou a um dos empregados o que estava acontecendo. Ao saber que toda aquela festa acontecia por conta do retorno do seu irmão, ele ficou enfurecido e se negou a participar.  

É certo que sua indignação era direcionada primeiramente a seu pai, mas, nas entrelinhas do texto bíblico notamos também sua recusa em perdoar as atitudes imorais do seu irmão. Isso está claro quando ele faz a seguinte reclamação à seu pai: “Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos; Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado” (Lc 15.29, 30). Pode ter sido esse o momento do teste prático para esse moço, e, no caso, diríamos que ele foi reprovado numa hora especialmente decisiva. Na mesma condição desse moço estão muitos dentro das igrejas, que não conseguem perdoar ou até mesmos aceitar o seu semelhante por perto, só porque algo aconteceu no passado (se é que aconteceu) que fez com que a pessoa se tornasse depreciável, ou uma persona non grata.

Para informar e comprovar o perdão de Deus em favor da humanidade caída em pecado e condenado eternamente (Rm 6.23) Jesus contou a parábola do credor incompassível em Mateus 18. 23-35: “O Reino dos Céus pode ser comparado a um rei que decidiu pôr em ordem suas contas com os criados. E quando estava fazendo isso, foi-lhe trazido um dos seus devedores que lhe devia 10.000 talentos! Ele não podia pagar; então, o rei ordenou que fosse vendido para pagar a dívida, bem como sua esposa e seus filhos, e tudo que ele tinha. Mas o homem prostrou-se diante do rei, com o rosto em terra, disse: ‘Oh, senhor, tenha paciência comigo, e eu pagarei tudo’. Então o rei ficou cheio de pena dele, o soltou, e perdoou sua dívida”.
A dívida desse servo era altíssima. Alguns estudiosos dizem que correspondem atualmente a dezenas de milhões de reais (um deles chega a dizer que seria atualmente uns 30 milhões de reais). O texto bíblico (v. 25) diz que ele não podia pagar aquela dívida. Embora fosse muito alta, após insistente pedido de paciência seu patrão lhe perdoou a dívida (v. 27). Seu patrão teve compaixão, porém ele não agiu da mesma maneira (Mateus 18.28-30): “Mas quando o homem saiu da presença do rei, foi a um homem que lhe devia 100 denários, o agarrou pela garganta, e exigia que lhes pagasse na hora. O homem prostrou-se diante dele, suplicava que ele lhe desse um pouquinho mais de tempo. ‘Tenha paciência, que eu pagarei’, implorava ele. Mas o seu credor não queria esperar. Mandou prender e encarcerar o homem, até que a dívida estivesse totalmente paga”.
Saindo dali ele cobrou, de maneira imprópria, uma pessoa que lhe devia. O valor monetário do devedor nem se compara com sua dívida – 100 dinheiros. No entanto esqueceu-se da compaixão de seu senhor e não mediu as conseqüências de seus atos. Foi cruel, desumano, iracundo e violento. O monarca ao saber da crueldade indignou-se e o chamou a fim de retribuir-lhe conforme a incomplacência demonstrada condenando-a pagar toda a dívida (v. 32-34).
A lição que fica dessa parábola é que assim como Deus nos perdoou devemos perdoar as faltas dos nossos semelhantes contra nós. Jesus na oração do Pai nosso não deixa alternativa com respeito a perdoar ou não nossos transgressores, mas diz à Deus que nos perdoe, porque perdoamos os outros também (Mt 6.12).
Sei de líderes espirituais (alguns são pastores) que há anos alimentam o ódio no seu coração contra certos irmãos, e por isso estão sofrendo fisicamente, psicologicamente e espiritualmente. A ausência do perdão traz resultados terríveis. O pastor Elinaldo Renovato infroma que quando uma pessoa não perdoa, seu coração é inundado por toda a sorte de sentimentos ruins. Isso tem um preço muito alto: tensão emocional. Ele continua dizendo que segundo o Dr. McMillen tende a causar úlceras do estômago e intestinos, colite, pressão alta, problemas no coração, apoplexia, arteriosclerose, distúrbios mentais, papeira, doenças renais, cefalalgia, diabetes, artrites e outras. A Bíblia (Hebreus 12.15) nos orienta à vigilância para não deixarmos nenhuma raiz de amargura brotar em nossos corações, pois quando ela brota, causa profunda perturbação, prejudicando a vida espiritual.     
Perdoar não significa necessariamente esquecer tudo (só se sofrêssemos de amnésia), mas vivermos de maneira como se a pessoa nunca tivesse nos ofendido, mesmo lembrando da ofensa. Devemos perdoar os nossos desafetos, pois não somos perfeitos, erramos, falhamos, decepcionamos pessoas e as magoamos de vez em quando, ou não? Alguns líderes espirituais não se esforçam em pedir perdão quando erram (alías, alguém precisa sempre lembrar a estes que eles erram) devido a sua fama, posição, status e egoísmo. Essa atitude ímpia quase resultará em desamor e o apóstolo João deixa claro o que isso significa (I Jo 4.20): “Se alguém disser: ‘Eu amo a Deus’, porém continua odiando a seu irmão, é um mentiroso; porque se não ama a seu irmão que está bem diante dele, como pode amar a Deus, a quem nunca viu?”



Em Cristo,


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É POSSÍVEL IDENTIFICAR O ESPÍRITO QUE FALA POR UM MÉDIUM?

Por Natanael Rinaldi

Ao falar do valor da alma, acima do valor do corpo, Jesus declarou: “E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e corpo” (Mt 10.28).

 Ora, se devemos ter cuidado com o nosso corpo, procurando sempre, quando enfermos, o melhor médico de que dispomos, não deveríamos, com muito mais atenção, cuidar da nossa alma que sobrevive à morte do corpo? Mas não é isso que tem acontecido. A maioria das pessoas não se importa com o que possa acontecer com a sua alma depois da morte. Assim, adotam certas crenças que as levarão a perder suas almas e seus corpos na geena eterna (Ap 20.15).

Evocação de mortos

Uma prática muito difundida no Brasil é a mediunidade, ou seja, a suposta comunicação entre mortos e vivos por meio de um médium. Essa doutrina é ensinada por Allan Kardec, conhecido como o codificador do Espiritismo.  Os que não admitem essa doutrina declaram que, na verdade, não se trata de espíritos de mortos que se comunicam com os médiuns, mas, sim, espíritos demoníacos que se manifestam nas sessões em que se evocam os espíritos.

Allan Kardec explica como se dá a evocação dos mortos: “Em nome de Deus Todo-Poderoso, peço ao espírito de tal que se comunique comigo; ou, então, peço a Deus Todo-Poderoso permitir ao espírito de tal comunicar-se comigo... Não é menos necessário que as primeiras perguntas sejam concebidas de tal forma que a resposta seja simplesmente sim ou não, como, por exemplo: ‘Estás aí?’, ‘Queres responder-me?’, ‘Podes me fazer escrever?’” etc.[1]

Quem é quem?

Um grande problema aflige os espíritas: é possível identificar os espíritos que baixam nas sessões, evocados em nome de Deus? São eles realmente os espíritos das pessoas evocadas?  Allan Kardec reconhece esse problema de grande importância para a validade da evocação. E declara: “O ponto essencial temos dito: saber a quem nos dirigimos”.[2]

“O ponto essencial” é identificar o espírito que fala pelo médium. Diz mais Allan Kardec: “A identidade constitui uma das grandes dificuldades do espiritismo prático. É impossível, com freqüência, esclarecê-la, especialmente quando são espíritos superiores antigos em relação à nossa época. Entre aqueles que se manifestam, muitos não têm nome conhecido para nós, e, a fim de fixar nossa atenção, podem assumir o nome de um espírito conhecido que pertence à mesma categoria. Assim, se um espírito se comunica com o nome de São Pedro, por exemplo, não há mais nada que prove que seja exatamente o apóstolo desse nome. Pode ser um espírito do mesmo nível  por ele enviado” (grifo nosso). [3]

Assim, fica claro que não se pode identificar o espírito que se manifesta para dar notícias ou instruções.

Kardec pergunta e os espíritos respondem:

“Os espíritos protetores que tomam nomes conhecidos são sempre e realmente os portadores de tais nomes?”. “Não. São espíritos que lhes são simpáticos e que muitas vezes vêm por ordem destes”. [4]

Então, como fica uma pessoa convidada pelos espíritas e levada pela saudade que vai ao centro para ter notícias de seu falecido parente, por exemplo, um pai, uma mãe, irmão ou irmã?  E o problema não é só esse. Ainda que o médium seja uma pessoa honesta e digna de toda confiança, quem pode afirmar com segurança que tal espírito que se manifesta por meio dele é o da pessoa evocada?  Como julgar se um espírito é fulano ou beltrano, como diz ser? Pode ser que sim, pode ser que não, mas também pode ser um espírito substituto.

Allan Kardec reconhece a dificuldade e desabafa:

“A questão da identidade dos espíritos é uma das mais controvertidas, mesmo entre os adeptos do espiritismo; é que, com efeito, os espíritos não nos trazem nenhum documento de identificação e sabe-se com que facilidade alguns dentre eles assumem nomes de empréstimos” (grifo nosso).[5]

Pode-se confiar nos médiuns?


Irmãs Fox: Kat, Margareth e Leah

Allan Kardec declara que é duvidoso crer na honestidade dos médiuns, o que aumenta ainda mais o problema para aqueles que admitem que ele existe. “Os médiuns de mais altos merecimentos não estão isentos das mistificações dos espíritos mentirosos. Em primeiro lugar, porque nenhum médium é suficientemente perfeito para não apresentar ponto vulnerável que pode dar acesso aos maus espíritos”. [6]




Espíritos levianos

O problema fica mais grave ainda quando as seguintes palavras de Kardec são levadas em consideração:
          
Irmãs Fox: Kat, Margareth e Leah

“Esses espíritos levianos pululam ao nosso redor, e aproveitam todas as ocasiões para se imiscuírem nas comunicações; a verdade é a menor de suas preocupações, eis porque eles sentem um prazer maligno em mistificar aqueles que têm fraqueza, e algumas vezes a presunção de acreditar neles, sem discussão” (grifo nosso). [7]

Apreciemos mais um problema levantado por Kardec: “Um fato que a observação demonstrou e os próprios espíritos confirmam é o de que os espíritos inferiores com freqüência usurpam nomes conhecidos e respeitados. Quem pode, assim, garantir que os que dizem ter sido, por exemplo, Sócrates, Júlio César, Carlos Magno, Fenelon, Napoleão, Washington etc., tenham de fato animado essas personalidades? Tal dúvida existe até entre alguns fervorosos adeptos da doutrina espírita, os quais admitem a intervenção e a manifestação dos espíritos, porém indagam como pode ser comprovada sua identidade” (grifo nosso).[8]

As aparências enganam

Médium Chico Xavier (1910-2002) psicografando em sessão espírita
De fato, os espíritos que se manifestam nas sessões espíritas se apresentam sob a aparência de espíritos puros, iluminados, “com linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade” e para enganar, como admite o próprio Kardec:



“É extremamente fácil diferenciar os bons dos maus espíritos. Os espíritos superiores usam com freqüência linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, isenta de qualquer paixão inferior, a mais pura sabedoria transparece dos seus conselhos, que visam sempre o nosso aperfeiçoamento e o bem da humanidade. Há falsários no mundo dos espíritos como neste; não é, portanto, senão uma presunção de identidade que só adquire valor pelas circunstâncias que a acompanharam... Para aqueles que ousam perjurar em nome de Deus, falsificar uma assinatura, um sinal material qualquer não pode oferecer-lhe obstáculo maior. A melhor de todas as provas de identidade está na linguagem e nas circunstâncias fortuitas” (grifo nosso). [9]

Repete Allan Kardec:

“Pode-se colocar como regra invariável e sem exceções que a linguagem dos espíritos é sempre proporcional ao grau de sua elevação”. [10]

Kardec se torna tão específico que chega a admitir que se um espírito pode “falsificar uma assinatura” pode chegar ao extremo de imitar as próprias expressões de Jesus. “Dir-se-á, sem dúvida, que se um espírito pode imitar uma assinatura, ele pode igualmente imitar também a linguagem. Isto é verdadeiro, temos visto os que assumiram afrontosamente o nome do Cristo e, para melhor enganarem, simulavam o estilo evangélico e prodigalizavam a torto e a direito estas palavras bem conhecidas: ‘Em verdade, em verdade, eu vos digo... ’.  Quantos médiuns tiveram comunicações apócrifas assinadas por Jesus, Maria ou um santo venerado” (grifo nosso).[11]

O cristão e o estado intermediário

Nós evangélicos cremos que a alma sobrevive e permanece em estado inteligente e consciente no intervalo entre a morte e a ressurreição do corpo. Entendemos que a alma é uma entidade consciente e inteligente que habita no corpo e que se separa do corpo por ocasião da morte física: “E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Soberano, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas, e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos, como eles foram” (Ap 6.9-11, ver também Lc 12.4-5 – grifo nosso).

Algumas vezes, as palavras alma e espírito são empregadas como sinônimas para falar da parte imaterial do homem que sobrevive à morte da matéria, o corpo. Quando isso acontece, os termos alma e corpo têm o mesmo sentido. Alguns exemplos bíblicos:

“E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu”  (Ec 12.7).

“E apedrejaram a Estêvão, que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7.59).

Os textos de Eclesiastes 12.7 e Atos 7.59 falam da sobrevivência do espírito enquanto que Apocalipse 6.9-11 e Lucas 12.4-5 abordam a sobrevivência da alma como a parte imaterial do homem que sobrevive à morte do corpo, com consciência e inteligência - o “eu” do ser humano. “Pois qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está?” (1 Co 2.11). Depois da morte física o cristão vai estar com Cristo no céu.

“Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor. Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor” (2Co 5.6-8).

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Fp 1.21-23).

O estado intermediário do incrédulo

O incrédulo vai para o Seol-Hades (inferno), e lá permanece em estado consciente de tormento. Hades indica o lugar da alma no intervalo entre a morte do corpo e a ressurreição do corpo, e aparece dez vezes no Novo Testamento.

“E morreu também o rico e foi sepultado. E no inferno (Hades), ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado” (Lc 16.22-25).      
 
Seol-Hades indica o lugar da alma, enquanto o corpo vai para a sepultura (em hebraico, kever, kevurah e, em grego, taphos, mnema e mnemeion). Geena indica o lugar do corpo e da alma depois da ressurreição do Juízo final.

“E, se a tua mão te escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, [geena] para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre e o fogo nunca se apaga” (Mc 9.43).

“Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados” (2Pe 2.9).

Espíritos malignos

Se os espíritos dos cristãos evangélicos vão para o céu (2Co 5.6-8) e os espíritos dos incrédulos, para o Seol-Hades (inferno), e lá permanecem sem poder sair (Lc 16.24-28), só há uma alternativa para o que acontece nas sessões espíritas: a presença dos espíritos malignos! Os espíritas não acreditam em demônios, mas isso não significa que eles não existem. 

“Há demônios, no sentido que se dá a essa palavra? Se houvesse demônios, seriam obras de Deus. E Deus seria justo e bom, criando seres infelizes, eternamente votados ao mal?”.[12]

Nomes e características de Satanás

O diabo existe! Também existem os demônios que cumprem suas ordens. A Bíblia mostra a existência e trabalho deles.

Diabo - significa sedutor, acusador dos irmãos: “E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada diabo e Satanás, que engana a todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele” (Ap 12.9).

Satanás - indica que o diabo é inimigo, o grande adversário de Deus e dos filhos de Deus:

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pe 5.8).
 
Príncipe deste mundo - Satanás governa os homens e os governos humanos: “Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Ef  2.2).

Pai da mentira - a mentira é uma de suas táticas. Não é apenas o mentiroso, mas o pai da mentira: “Vós pertenceis ao vosso pai, o diabo, e quereis executar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, pois não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44).

Anjo de luz - ele se disfarça em anjo de luz por meio de seus ministros: “E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras” (2 Co 11.14-15).

A Bíblia proíbe evocação aos mortos

A Bíblia é o livro, dentre outros, que nos dá a história do espiritismo. Em Êxodo ela mostra que os antigos egípcios foram praticantes de fenômenos espíritas, quando os magos foram chamados por Faraó para repetir os milagres operados por Moisés. Quando Moisés apareceu diante desse monarca com a divina incumbência de tirar o povo de Israel da escravidão egípcia, os magos repetiram alguns dos milagres de Moisés (Êx 7.10-12, 8.18).

Mais tarde, já nas portas de Canaã, Deus advertiu o povo de Israel contra os perigos do ocultismo. A mediunidade, por exemplo, era uma prática abominável aos seus olhos (Dt 18.9-12). O castigo para quem desobedecesse aos mandamentos de Deus nesse particular era a morte:         

“Qualquer homem ou mulher que invocar os espíritos dos mortos ou praticar feitiçarias deverá ser morto a pedradas. Essa pessoa será responsável pela sua própria morte” (Lv 20.27, ver também Êx 22.18).

A Bíblia também indica que as pessoas com ligações com espíritos familiares e feiticeiras são amaldiçoadas por Deus:

“Não procurem a ajuda dos que invocam os espíritos dos mortos e dos que adivinham o futuro. Isso é pecado e fará que vocês fiquem impuros” (Lv 19.31).

“Se alguém procurar a ajuda dos que invocam os espíritos dos mortos e dos que adivinham o futuro, eu ficarei contra essa pessoa por causa desse pecado e a expulsarei do meio do povo” (Lv 20.6).

O rei Saul, antes da sua apostasia, quando ainda estava na direção de Deus, baniu os praticantes de várias modalidades do espiritismo (lSm 28.3-9). Mais tarde, o reto rei Josias agiu da mesma forma (2Rs 23.24-25). O profeta Isaías também se dirigiu aos antigos espíritas que vaticinavam para o povo de Israel dizendo-lhes que essa prática era inútil e detestável aos olhos de Deus:

“Algumas pessoas vão pedir que vocês consultem os adivinhos e os médiuns, que cochicham e falam baixinho. Essas pessoas dirão: Precisamos receber mensagens dos espíritos, precisamos consultar os mortos em favor dos vivos! Mas vocês respondam assim: ‘O que devemos fazer é consultar a Lei e os ensinamentos de Deus. O que os médiuns dizem não tem nenhum valor” (Is 8.19-20).
 
Jesus, a solução!

Caro leitor, muitos motivos e intenções têm levado as pessoas a se enveredar pelos caminhos da mediunidade. Quase sempre esse rumo é tomado pela obsessão da saudade de alguém que partiu deste mundo. Sabemos que é indescritível a dor causada pela perda de um ente querido e, de fato, a separação abrupta das pessoas que amamos resiste ao conformismo da situação, mas não existe solução para esta adversidade no espiritismo.

Jesus é e tem a solução! Cristo venceu a morte e, por isso, pôde declarar: “Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11.25).

Para seus seguidores, a morte não é nada mais do que tirar uma linda flor do deserto e plantá-la no jardim do paraíso. Pense nisso e considere, ainda, que, além da explícita reprovação bíblica, o próprio mentor do espiritismo, Allan Kardec, demonstrou a impossibilidade de confiar que os espíritos, que se manifestam nas sessões espíritas, sejam fulano ou beltrano.

Não se deixe enganar pela emoção! Não se deixe guiar pelos seus próprios caminhos! A advertência bíblica é bem oportuna: “Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele sãos os caminhos da morte” (Pv 14.12).




[1] O livro dos médiuns, p. 224, edição de 1987, Instituto de Difusão Espírita.
[2] O livro dos espíritos, p. 42, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.
[3] O que é o espiritismo, p. 318, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.
[4] O livro dos espíritos, p. 150, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.
[5] O livro dos médiuns, p. 461, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.
[6] O que é o espiritismo, p. 316, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.
[7] O livro dos médiuns, p. 402, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.
[8] O livro dos espíritos, p. 41, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.
[9] O livro dos médiuns, p. 464, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.
[10] O livro dos médiuns, p. 465, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.
[11] O livro dos médiuns, p. 464, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.
[12] O livro dos espíritos, pp. 72 e 74, ALLAN KARDEC – OBRAS COMPLETAS, 2ª edição, OPUS Editora Ltda.

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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

É DESUMANO OS SACRIFICIOS DE ANIMAIS NA BÍBLIA?

Por Gilson Barbosa
Algumas pessoas considera desumano o sacrifício de animais, conforme relata o Antigo Testamento.
A importância dos ritos religiosos na comunidade de Israel, no Antigo Testamento, se expressava por meio das libações, refeições sagradas, sacrifícios de animais, etc. Apesar de entendermos que a nação de Israel não copiou esses exemplos das nações pagãs, de fato, essas nações tinham os mesmos hábitos; mas a ideologia do povo de Israel era distinta e diferente delas. Se o sacrifício de animais nos parece repulsivo, porque compramos carne embrulhada em sacos plásticos, para os israelitas, porém, era algo perfeitamente normal. Matar animais para fins religiosos era uma prática comum no mundo antigo. A vida do animal era dada em troca da morte do pecador. Por causa da gravidade do pecado, a situação do pecador não poderia ficar sem uma solução. Era esse o motivo que levava Deus a aceitar os sacrifícios de animais, cujo sangue derramado – sangue este que simbolizava a vida (Lv 17.11) – era vital para “cobrir” a transgressão (Hb 9.22).
Entretanto, dentre todas ao seu redor, Israel era a única nação que sacrificava somente ao Deus único e verdadeiro. O culto sacrificial de Israel se fazia acompanhar também de forte realce aos elevados valores morais, ao contrário do culto pagão, que associava o sacrifício à prostituição cultual e a outras perversões.
O sacrifício de animais era, sobretudo, uma oferta pelo pecado. A idéia primordial era que aquele que estivesse ofertando o animal teria o seu pecado “apagado”, ou seja, uma forma voltar a se relacionar com o Criador. Toda vez que um animal era sacrificado servia de vívida lembrança de que o pecado é algo mortalmente grave (Gn 2.17).
Quando a vida do animal era oferecida em troca da pena pelo pecado, o culpado recebia a purificação. Ao colocar a mão sobre a cabeça do animal sacrificado (Lv 1.4), o adorador se identificava com esse animal. Entendia claramente que o animal estava morrendo em seu lugar pelos pecados que cometera. Assim, aquele sangue era um agente purificador que eliminava o pecado, já que representava a vida do animal.
No Novo Testamento, Jesus é apresentado como o antítipo de todos esses sacrifícios. Sendo Ele próprio o “Cordeiro de Deus” (Jo 1.29), se tornou o sacrifício perfeito, eliminando, dessa forma, a continuação e a necessidade de sacrificar animais (Hb 7.27; 9.12-14; 10.18). A primordial diferença entre o sacrifício de Jesus e os animais do Antigo Testamento está na eficácia. O sangue de Jesus não apenas “cobre” os pecados, como o dos animais faziam, mas purifica totalmente o pecador (1Jo 1.7).
Em Cristo,
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sábado, 1 de outubro de 2011

VOCÊ TEM CERTEZA QUE É UM LÍDER MESMO? (Subsídio EBD)


Por Gilson Barbosa
As Escolas Bíblicas Dominicais das Igrejas Assembleias de Deus estarão estudando nesse trimestre o livro histórico de Neemias. Se você, prezado leitor, envida esforços para alcançar seus objetivos, precisa se espelhar no método de Neemias. As questões enfrentadas por Neemias são as mesmas dos nossos dias: crítica, fadiga, oposição, motivação, abnegação, humildade, crise, etc. As lições desse trimestre servirão de incentivo às lideranças evangélicas, líderes de grupos nas igrejas, no sentido de empreender esforços que se caracterizem como compromissos com o reino de Deus e com o povo que está sob suas lideranças.
O LIVRO DE NEEMIAS NO CANON JUDAICO
Esdras e Neemias formavam um só livro na Bíblia hebraica antiga, sendo, posteriormente, dividido em dois, conforme conhecemos. Segundo o pastor Esequias Soares da Silva (Visão Panorâmica do Antigo Testamento), eles faziam parte dos Kethuvym e compunham a terceira seção (as outras duas são o Pentateuco e os livros Proféticos). “Estão subdivididos em 3 partes, representadas pelos Livros Poéticos: Salmos, Provérbios e Jó; os Megilloth, “Cinco Rolos”: Rute, Cantares, Eclesiastes, Lamentações e Ester; e, os Livros Históricos: Daniel, Esdras-Neemias e Crônicas”. Quando Jesus disse em Lucas 24.44 que convinha que se cumprisse tudo o que estava escrito dele na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos, resumiu todo o Canon Judaico em três partes. Ele denominou a terceira parte (os Escritos ou Hagiógrafos) de Salmos, pois este encabeçam os livros desta seção. Interessante é que o livro das Crônicas é o ultimo das Escrituras Sagradas da época (Leia Mateus 23.35 e compare com II Crônicas 24.20-22).
BREVE CONTEXTO
Neemias, que nasceu no cativeiro, se encontrava em Susã, capital do Império Persa. Nessa época o Império Persa derrotara o Império Babilônico (539 a.C). Apesar de cativo, gozava de uma posição privilegiada no palácio: era copeiro do rei. A Bíblia de Estudo Vida diz que “o cargo de copeiro do rei correspondia de alguma maneira aos serviços secretos que hoje os países mantêm para a proteção do seu presidente. Os planos de assassinato eram preocupação constante para o rei. Era a tarefa de Neemias provar a comida e a bebida servida ao rei, cargo que exigia da pessoa ser da maior confiança”. Aliás, não devemos achar que os israelitas eram maltratados quando estavam cativos. Muitos deles ocuparam importantes funções políticas, outros eram prósperos comerciantes, e, de maneira geral viviam em relativa paz e em bom conforto (tanto que milhares deles não voltaram para Jerusalém). É verdade que em si mesmos eles desejavam estar em Jerusalém – a eterna pátria dos judeus – mas isso era somente porque a amavam, pois ali Deus se encontrava com Eles (Sl 137. 1-6) e não devido aos maus tratos.
Conforme informação do comentarista desta lição (Pr Elinaldo Renovato) a reconstrução do altar de Deus, em Israel, deu-se com Zorobabel (Ed 3.1-3), mas a construção dos alicerces e do Templo aconteceu aproximadamente dois anos depois, aproximadamente no ano 536 a.C (Ed 3.6, 8). Logo, os inimigos do povo de Deus tentaram desanimá-los com seguidas intimidações (Ed 4.4,5) até o ponto de escrever uma carta de acusação ao rei Assuero. O rei acreditou e consentiu no conteúdo da carta, e embargou a construção do Templo (aproximadamente entre 534 a 520 a.C). O trabalho ficou parado até o segundo ano de Dario, rei da Pérsia (Ed 4.24) quando este rei autoriza a reconstrução do Templo (Ed 6.3). Segundo os estudiosos a reconstrução do Templo foi concluída em 515 a.C.
AS PREOCUPAÇÕES DE NEEMIAS
Enquanto Zorobabel se preocupa em reconstruir o Templo, Esdras em reconstruir a condição espiritual do povo de Judá, Neemias se preocupa basicamente na restauração política e geográfica de Judá. A primeira preocupação de Neemias foi com a condição social dos judeus. Pelo contexto (Ne 7.2) concluímos que o Hanani, do versículo 2, é seu irmão sanguíneo e não um dos patrícios judeus. Ao ouvir de seu irmão que as coisas em Jerusalém não estavam nada boas; que os muros da cidade ainda estavam derrubados e as portas queimadas, ele sentou, chorou e não tinha fome para se alimentar (1.4). Todo o conforto palaciano não lhe roubou o amor por Jerusalém e por seu povo. Que exemplo de líder! Que os nossos líderes espirituais não se trancafiem nos seus “palácios” e de camarote assistam o “navio afundar”, mas que possam amar as ovelhas sob seu cuidado e as pessoas em geral. O apóstolo Paulo pedindo aos irmãos tessalonicenses (I Ts 5.12) que honrassem sua liderança, fala-lhes que deveriam acatar com apreço os que trabalhavam entre eles e os presidiam no Senhor. Quero “furtar” as palavras de um pastor, meu amigo, e dizer que os que mereciam honram e prestígio eram os que trabalhavam incansavelmente entre os irmãos tessalonicenses. Fica claro que se tratava dos líderes que conviviam com eles, que os visitavam, que comiam com eles, que conversavam com eles, que oravam com eles, e não os que os evitavam, os que os tratavam como objetos descartáveis, os que não “tinham tempo” para atender o chamado dos irmãos, os que possuíam posturas de ditadores em relação aos irmãos. 
A segunda preocupação de Neemias foi por em ordem um projeto, um plano para reconstruir os muros caídos da cidade e conclamar seus compatriotas para ajuda-los na reconstrução. Dois detalhes me chamam a atenção na liderança de Neemias: sua visão e sua capacidade de influenciar. Deus deu a Neemias a visão do que deveria ser feito e colocou no coração dele o desejo de reconstruir os muros da cidade. Há líder que, infelizmente, não possui visão aguçada da obra do Senhor; não sabem como efetivar as mudanças ministeriais, não tratam seus liderados como convém, destroem os departamentos da igreja em vez de consolidá-los, uns estão com a visão tão tapadas por seu eruditismos que deveriam abdicar do seu cargo na igreja e dar lugar a outros. Outros há que não possuem capacidade de influenciar pessoas, pois essencialmente não são líderes, não possuem carismas. Essa é uma qualidade que muito me agrada em pessoas que são líderes natos. Eles pedem e as pessoas automaticamente obedecem, enquanto alguns se impõem com “violência”, com truculência, pelo poder, pela intelectualidade, pela fama, pois, se dependesse apenas de suas qualidades naturais ninguém os seguiria.  
Por que Neemias se preocupou pelo estado de Jerusalém se nem mesmo a conhecia? Por que se preocupou com os muros da cidade? Segundo os comentaristas bíblicos os muros simbolizavam o poder, a segurança, a proteção e a beleza da cidade de Jerusalém. A Bíblia de Aplicação pessoal informa que: “Neemias estava preocupado com Jerusalém, por ser a Cidade Santa dos judeus. Como capital de Judá, ela representava a identidade nacional dos judeus, e era abençoada com a presença especial de Deus no Templo. A história judaica estava centralizada em torno da cidade desde os tempos em que Abraão presenteou Melquisedeque, rei de Salém (Gn 14.17-20), até os dias em que Salomão construiu o glorioso Templo (1 Rs 7.51), prosseguindo através da história dos reis. Neemias amava sua terra, embora tenha passado toda a sua vida na Babilônia. Ele queria voltar para Jerusalém  a fim de reunir os judeus e tirar a vergonha que sentiam devido à destruição dos muros da cidade. Isto traria glória para Deus e restauraria a realidade e o poder da presença do Senhor entre seu povo”.
A terceira preocupação de Neemias foi buscar a face de Deus em oração. Ele orou depois de recebido as más notícias sobre o estado dos muros de Jerusalém. Ele se compadeceu dos seus compatriotas, entendeu o estado de sofrimento, humilhação e angustia deles e foi interceder por eles a Deus. Ele passou pelo menos quatro meses buscando o favor de Deus em oração para que o coração do rei estivesse aberto a deixa-lo ir à Jerusalém reconstruir os muros da cidade. O livro A História de Israel no Antigo Testamento (Ed. Vida Nova) registra que “a oração registrada em Ne 1.5-11 representa a essência da intercessão de Neemias durante este período de luto e choro. Reflete sua familiaridade com a história de Israel, a aliança do monte Sinai, a lei dada a Moisés que tinha sido quebrantada por Israel, e a promessa da restauração pelos migrantes arrependidos. Neemias reconheceu o Deus da aliança como ao Deus de Israel e dos céus, apelando a ele para que fosse misericordioso com Israel. Em conclusão, pediu que Deus pudesse concede-lhe o favor do rei da Pérsia, seu dono”. Quantos líderes estão agindo com “a cabeça quente” diante de situações adversas que envolvem seu ministério como um todo, a sua vida pessoal, os obreiros sob seu cuidado, e já não buscam a orientação divina em oração, não tem mais paciência com nada e estão agindo como o ímpio age (manipulações, engodos, fraudes, embustes, táticas, estratagemas, técnicas, etc).
Na oração de Neemias podemos vislumbrar seu terno coração e sua devoção a Deus. Era uma pessoa preocupada com as injustiças sociais de seu tempo e colocou no seu coração que, de alguma maneira iria ajudar seus compatriotas que estavam em Jerusalém. Líder é isso, ele chora com os que choram e, dar alegria aos outros é o que importa. Infelizmente muitos líderes hoje são egoístas, só pensam no seu bem estar e da sua família, o resto.... É tempo de desejarmos aos outros, o que desejamos para nossas famílias, ministério, vida pessoal, etc.  Outra qualidade que agrada em Neemias é que ele orou para que o coração do rei foi bondoso para com ele a fim de “botar a mão na massa”, juntamente com seus “irmãos” na reconstrução dos muros. Neemias exemplifica o líder que age e faz junto com os seus liderados, não importa se é serviço de pedreiro, carpinteiro ou outro de ordem espiritual, tal como sair pelo bairro para evangelizar junto. Tem muito líder que “adora” mandar, não são humildes como Neemias para trabalharem lado a lado no projeto de algo.  
LÍDER NATO x LÍDER IMPOSTO
O autor do livro registra, após a oração de Neemias, sua função diante do rei: “Nesse tempo eu era copeiro do rei”. Era uma função muito importante, significava prestígio e influencia na corte, contudo ele não acalentou isso no seu coração, mas deixou todo o conforto para atender as necessidades da sua terra e dos seus patrícios. Um líder que está junto com seus liderados, que não apenas manda, mas compartilha com os outros a tarefa. Se sua liderança não é semelhante à de Neemias temo que não seja um líder nato, mas alguém imposto por outro no poder. Esse fato, no futuro te trará angustia e sofrimento. Por outro lado, acredito que mesmo pessoas que não são naturalmente líderes podem aprender com as diversas situações decorrentes das experiências. O difícil é quando não se quer aprender ou não se aprende nunca. Este tipo de liderança destituída de sentimentos, bom senso, impositiva, me faz lembrar o dito do ex-técnico da Seleção Brasileira de Futebol, Mário Lobo Zagalo: “Vocês vão ter que me engolir!”. Deus nos guarde de um líder destes.
Em Cristo,

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

PREGADORES DA PALAVRA OU INVENTORES DE HISTÓRIAS BÍBLICAS?

Por Gilson Barbosa
No culto daquela noite o pregador leu o texto bíblico de Marcos 2.1-12 (narrativa sobre a cura do paralítico de Cafarnaum trazido por quatro amigos e descido pelo telhado até onde Jesus estava) e enfatizando a expressão do primeiro versículo, “ele [Jesus] estava em casa”, perguntava repetidamente ao auditório: “Me diga, por favor, de quem é essa casa?!”. Noutra vez era mais incisivo na pergunta: “Mas então, me diga, por favor, de quem era a casa pelo amor de Deuuuuus??!!”. A essas alturas eu já estava mais curioso pra saber quem era o proprietário da casa, do que concentrado para ouvir a pregação da Palavra de Deus em sua essência. Olhei para os irmãos e pude perceber também nas suas faces a mesma curiosidade e apreensão. 
Numa associação duvidosa, equivocada e indevida de alguns textos bíblicos o que ficou claro (bom, pelo menos pra mim, pois alguns irmãos até hoje ainda não estão bem certos de quem era a casa!) com sua insistência era: Jesus era o mais famoso carpinteiro de Nazaré, devido à qualidade, as pessoas compravam muitos objetos ou móveis que ele produzia, ganhou um bom dinheiro e depois mudou-se para uma ampla e confortável casa de praia que comprara em Cafarnaum (Leia, por favor, Marcos 6.3; Mateus 4.12,13; João 2.12; Mateus 13.1).
Na mesma hora pensei: “Meu Deus! nem a pessoa mais criativa é tão criativa quanto esse pregador!!”. Mas logo em seguida concluí que isso estava mais para uma invenção do que para uma criatividade. Confesso que fiquei preocupado com o andamento da mensagem, fiz algumas anotações e depois pesquisei nos livros que tenho sobre o assunto. Não posso ser injusto e desqualificar a pregação como um todo, em certos momentos houve sensatez e coerência bíblica, mas, os detalhes, as entrelinhas, foram extremamente e negativamente afetados. Alguns erros foram cometidos na pregação.
O primeiro foi dizer o que a Bíblia não diz. Nada sabemos dos anos em que Jesus não exerceu seu ministério e se comportou normalmente, na sociedade, como qualquer outro judeu. Existe algo na exposição bíblica que eu chamo de a tentação do pregador. Nesse ponto ele é atraído irresistivelmente para uma zona cinzenta e perigosa (das passagens bíblicas) e assim como acontece nas tentações dos demais pecados o pregador não resiste e sucumbe nas entrelinhas. Dizer que Jesus era um carpinteiro famoso e que muitas pessoas em Nazaré compravam os móveis produzidos por ele é ser atraído para uma época na vida de Jesus onde a Bíblia se silencia.
Alguns grupos ligados ao Movimento Nova Era movidos pela curiosidade sobre a adolescência e juventude de Jesus pintaram um quadro em que Jesus não passa de um místico e adepto de práticas ocultistas. O apologista Eguinaldo Hélio comenta que: “Ao invés do carpinteiro de Nazaré, seguidor do judaísmo de sua época, foi pintado o quadro de um asceta hindu, viajante oriental, aluno de gurus e praticante de todo um misticismo que os cristãos jamais imaginaram fazer parte do comportamento de Jesus. Ele teria viajado ao Extremo Oriente, após o incidente no Templo de Jerusalém (Lc 2.46), e se iniciado nas doutrinas e práticas da Índia e do Tibete. Na verdade, os adeptos da Nova Era criaram um Jesus à sua própria imagem e semelhança, para que, assim, pudessem justificar todas as suas práticas ocultistas”.[1] Não estou dizendo que o pregador cometeu uma heresia (não chega a tanto), mas que a insistência nesse tipo de prática (pregar criando histórias arbitrárias e subjetivas) pode gerar confusão, equívocos e possivelmente heresias.
O segundo trata-se de ler as Escrituras e entende-la cronologicamente e não logicamente. Se colocarmos os livros do Novo Testamento em ordem cronológica fica assim: Tiago, Gálatas, 1 e 2 Tessalonicenses, Marcos, 1 e 2 Coríntios, Romanos, Lucas, Colossenses, Efésios, Filipenses, Filemom, Atos, Mateus, 1 Timóteo, 1 Pedro, Tito, 2 Timóteo, 2 Pedro, Hebreus, Judas, 1,2 e 3 João e Apocalipse. No entanto, a maneira correta como os livros neotestamentários estão distribuídos segue a ordem lógica e crescente, que é a divisão em quatro classes: Biografia (Os Evangelhos), História (Atos dos apóstolos), Doutrinas (as cartas) e Profecia (Apocalipse).
Quando o pregador (assunto dessa postagem) associou as passagens dos Evangelhos para respaldar seu entendimento (Mc 2.1; Mt 4.12,13; Jo 2.12; Mt 13.1) o fez usando os textos bíblicos em ordem equivocada pois o desenvolvimento histórico dos acontecimentos na vida de Jesus não estão organizados nos Evangelhos. As histórias sobre Jesus nos Evangelhos precisam ser harmonizadas na ordem lógica dos fatos e não na ordem cronológica em que se encontra. A idéia do pregador é a que segue: Jesus estava na casa que comprara com a venda dos móveis que produzira (Mc 2.1; 6.3); sua casa era em Cafarnaum, pois fora morar lá (Mt 4.12, 13); era uma casa ampla e espaçosa, pois comportou no mínimo 21 pessoas (Jo 2.12), contando pelo menos duas irmãs de Jesus; e a casa era na beira da praia (Mt 13.1).   
Quando Jesus convidou certos pescadores para tornarem-se seus discípulos, em Mateus 4.18-22, ficamos com a impressão de que foram irresponsáveis por abandonarem o trabalho, suas profissões e seguirem a Jesus – a princípio sem nenhuma remuneração. A Bíblia diz que “eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram”.  No entanto, numa leitura mais cuidadosa descobriremos que o primeiro contato dos discípulos com Jesus está registrado no Evangelho de João (1.35-51). Ou seja, os primeiros discípulos de Jesus, apesar de não deixarem suas profissões e trabalharem com a pesca, eram discípulos de João. Esse convívio com João Batista facilitou a aceitação do convite de Jesus para que eles o seguissem.
O terceiro tem a ver com certos perigos que a contextualização duma pregação apresenta. Segundo o pastor Silas Daniel “o principio da contextualização consiste em aplicar um texto bíblico à nossa realidade, e para isso é preciso pinçar fatos do cotidiano para submetê-los ao escrutínio ao da Palavra de Deus”. Não é antibíblico contextualizar uma pregação, mas, dramatizar uma história bíblica, como a de Marcos 2.1-6 afirmando que o “telhado quebrado” (Mc 2.4) pelos quatro amigos do paralítico gerou algum tipo de prejuízo ao dono da casa é uma contextualização equivocada. Os “telhados” das casas nos dias de Jesus “eram armados com pesadas vigas de madeira, sobre as quais se colocavam varetas, sendo tudo recoberto com uma massa de barro, à qual se misturava palha picada”.[2] O pregador deve entender e aceitar os limites da contextualização hodierna para dentro do texto bíblico, a fim de que não crie algo fantasioso.
“MAS DE QUEM ERA A CASA PELO AMOR DE DEUS?!”
Tudo indica e leva a crer que a casa onde Jesus morava em Nazaré fora adquirida por José, seu pai adotivo, e provavelmente passou toda a sua infância, adolescência e juventude nessa cidade (Mt 2.22; Jo 1.45,46). É verdade que Jesus teve que mudar-se para Cafarnaum (Mt 4.12,13), mas os motivos não eram interesses financeiros, materiais ou um tipo de orgulho, devido a boa situação econômica dessa cidade. Segundo o teólogo e comentarista bíblico Charles Caldwell Ryrie (Bíblia Anotada, Editora Mundo Cristão) Jesus mudou-se de Nazaré para Cafarnaum depois do incidente na sinagoga daquela cidade (Leia Lucas 4.16-30).
Apesar da expressão em Marcos 2.1, “e logo correu que ele [Jesus] estava em casa”, deixar uma pontinha de dúvida nos leitores da Bíblia, há boas explicações para afirmarmos categoricamente que a casa onde Jesus estava naquele momento era deeeeee........ Pedro!! De Pedro? Sim.
Jesus disse certa vez que o filho do Homem não tinha onde reclinar a cabeça. Apesar dessa afirmação não significar necessariamente que ele não era proprietário de uma casa ou que não tinha uma casa para morar, deve ser entendido que devido às necessidades do seu ministério ele se hospedaria onde desse e dormiria se pudesse.
O digníssimo pastor Eliseu Queiroz de Souza, no livro Israel Por Dentro (Editora CPAD, p. 72) escreve que “Cafarnaum é o único lugar da Bíblia onde se lê que Jesus tinha ali sua casa (Mc 2.1; 9.3) e que era também chamado a sua cidade (Mt 9.1). É bom que se diga que por estar escrito que Jesus tinha ali sua casa não significa que Ele fosse o proprietário da casa, e sim o seu morador. Qualquer casa onde uma pessoa venha a morar é chamada de a sua casa. De igual modo, quando se diz que Cafarnaum era a sua cidade, não significa isso que Ele fosse o dono da cidade, mas morador dela. Tudo indica que Jesus morava na casa de Pedro, cuja sogra Ele curou de uma febre (Mt 8.14-17; Mc 1.29-34; Lc 4.37-41)”. A Bíblia de Estudo de Genebra aponta a distância entre Nazaré (cidade onde Jesus ainda morava quando Marcos registra a cura do paralítico) e Cafarnaum e conclui que a casa onde Jesus curou o paralítico era de Pedro: “Jesus era de Nazaré, cerca de 32 km de distância, e a casa de Simão Pedro (Mc 1.29) podia estar servindo como morada em Cafarnaum, uma cidade mais centralmente localizada e com direto acesso ao mar da Galiléia”.
Deixo bem claro, estimado leitor, que minha intenção de publicizar esse tipo de postagem não é uma espécie de contra argumentação, ridicularização, refutação ou implicância contra a pessoa de qualquer pregador que seja. Se você é um fervoroso pregador do autêntico evangelho de Cristo, tem cuidado com o que prega e ficou chateado com a postagem, peço desculpas, mas não tem nada a ver contigo. Se você é um pregador do evangelho e gosta de pregar em temas inéditos e inusitados, peço, por favor, que explique bem sua pregação, pois senão o auditório sairá confuso e pode ser que alguém pergunte em casa, ao chegar do culto, sobre o que você pregou, como alguns perguntaram no caso do pregador referido nessa postagem: “De quem era a casa onde Jesus estava mesmo?”.

Saudações em Cristo,


[1] REVISTA DEFESA DA FÉ, nº 56.
[2] COLEMAN, William L. Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos. Ed: Betânia, p. 14.


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