sexta-feira, 17 de junho de 2011

A DOUTRINA SADIA (Subsídio EBD - Parte I)

Por Gilson Barbosa
O apóstolo Paulo aconselhando Timóteo disse: “Porque chegará o tempo quando os homens não suportarão a sã doutrina” (2 Tm 4.3). Esta é uma palavra não apenas de advertência, exortação ao jovem obreiro, mas também uma palavra profética. Este fato pode ser realmente comprovado em nossos dias. As expressões “nos últimos dias” (3.1) e “virá tempo” (4.3) tem a ver não somente com os dias de Paulo, mas, com o nosso tempo.
Timóteo tinha por obrigação pregar a palavra a tempo e fora de tempo. Não era simplesmente uma alternativa, mas uma ordem. É certo que muitos não dariam ouvidos para sua proclamação, contudo, ele deveria cumprir seu ministério. Anteriormente (cap. 3), o apóstolo já havia dito que Timóteo deveria permanecer naquilo que havia aprendido nas Sagradas Letras. Diante de tanta heresia que tem proliferado no meio evangélico, nesses últimos dias, não devemos desanimar, e sim batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos (Jd 3). 
A maior dificuldade da proclamação da sã doutrina em nossos dias é que, os que deturpam, negligenciam, falsificam e mentem na exposição, apresentação e interpretação das doutrinas bíblicas estão entre nós, pregam em nossas igrejas, ensinam milhões de pessoas pela televisão, internet, rádio e tem a simpatia da grande massa do povo evangélico. O apóstolo Pedro os denomina de “falsos doutores” ou “falsos mestres”, são hábeis ensinadores, exímios oradores, mas que estão introduzindo encobertamente heresias de perdição no meio do povo de Deus (2 Pe 2.1). E o pior de tudo isso é que o etos que encarna a sociedade mundana encontrou correspondente, similitude e guarida no meio dos crentes. O “espírito” que rege a cultura social, o tempo que vivemos, o pensamento moderno, são agora desejados e incentivados. Isto facilita a aceitação dos ensinos desses “falsos mestres”.
A importância do estudo teológico
Esse contexto catastrófico remete-nos à necessidade de conscientização, tanto a nós mesmos como a outros, da relevância do estudo teológico e sistemático das Sagradas Escrituras. Paulo havia dito que Timóteo deveria estar apto para ensinar (2.24).  O verbo ensinar no idioma original do Novo Testamento é “didaskõ” e significa “dar instrução”. O evangelista Mateus (4.23) nos informa que Jesus “percorria toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas”, ou seja, Ele instruía aquelas pessoas acerca das Boas Novas e do Reino de Deus.   
Hoje, no meio evangélico, existem muitas perguntas que necessitam de respostas e estas nem sempre são simples e fáceis de responder. Temas tais como “maldição hereditária”, “G 12”, “teologia da prosperidade”, “modismos doutrinários e teológicos”, “usos e costumes”, “o uso de objetos como amuletos e talismãs”, “atos proféticos”, “cristianismo judaizantes”, entre outros, desafiam nosso nível de entendimento intelectual das Escrituras, da doutrina e da teologia cristã. Se nossos crentes fossem conscientizados desta importância não teríamos tantas confusões e entendimentos inadequados, tanta manipulação, tanta enganação, e me desculpem a expressão caro leitor, tanta pilantragem no cenário evangélico.
O texto bíblico diz (4.3) que nos últimos dias os homens não suportariam a sã doutrina. Esta ultima expressão trata da saúde espiritual do povo de Deus ou de cada crente individual. O apóstolo cita uma lista de pecados e de pecadores em 1 Timóteo 1.9, 10 e conclui dizendo que estes atos ou atitudes são “contrários a sã doutrina”, ou seja, não produzem saúde espiritual. Acredito que incentivar e conscientizar os crentes acerca do estudo teológico produzirá crentes sadios, maduros, e capacitados para distinguir um movimento sectário, uma pregação distorcida, uma heresia oculta. Nos últimos anos, percebi que alguns pregadores televisivos, detentores de grande fama, tem alterado, mudado seu ensino doutrinário acerca de alguns temas – principalmente respeitante aos temas que sobrepujam nas igrejas neopentecostais. São atitudes infames e aproveitadoras, pois seus ouvintes “estão com comichão nos ouvidos”, sentem coceiras nos ouvidos, ou seja, são pessoas mais interessadas em algo sensacional, em ouvir o que querem e como querem, não estão interessados em estudar as Escrituras de forma sistemática, mas querem “declarar”, “dançar como Davi”, “derrubar muralhas como Josué”, e por aí afora. Ir para uma sala de aula teológica e debruçar sobre os estudos da Palavra de Deus não querem. Sendo assim são vítimas de charlatões e falsificadores da Palavra de Deus. Bem profetizou Jeremias (5.31): “Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja: e que fareis no fim disto?”.
“Heresias evangélicas”
Alguns crentes incautos pensam que as heresias existem ou acontecem somente no interior das seitas. Desta maneira, compreendo ser importante explicar e conceituar aos leitores o quê significa as palavras seitas e heresias.
Segundo a Série Apologética, do Instituto Cristão de Pesquisas ambas “derivam da palavra grega háiresis, que significa “escolha, partido tomado, corrente de pensamento, divisão, escola” etc. A palavra heresia é adaptação de háiresis. Quando passada para o latim, háiresis virou secta. Foi do latim que veio a palavra seita. Em termos teológicos, podemos dizer que seita refere-se a um grupo de pessoas e que heresia indica as doutrinas antibíblicas defendidas pelo grupo. Baseando-se nessa explicação, podemos dizer que um cristão imaturo pode estar ensinando alguma heresia, sem, contudo, fazer parte de uma seita”.[1]
O Dr Walter Martin define seita como “um grupo de indivíduos reunidos em torno de uma interpretação errônea da Bíblia, feita por uma ou mais pessoas”, porém, nessa definição algumas igrejas evangélicas, que deturpam os pontos fundamentais da fé cristã, também poderiam estar categorizadas como seitas, pois, apesar de não serem seitas no sentido estrito da palavra, reúnem-se e até mesmo permanecem em torno de uma interpretação errônea da Bíblia. Essa minha colocação é apenas uma reflexão, pois classifico muitas das igrejas neopentecostais como “movimento contraditório” e não como sendo absolutamente uma seita. Entre tantas, o pastor Elienai Cabral fez menção de pelos menos duas heresias visíveis no meio evangélico em nossos dias: triunfalismo e culto aos anjos.
Triunfalismo
Segundo o dicionário Aurélio a expressão “triunfalismo” trata-se de um neologismo para um sentimento exagerado de triunfo. Para o pastor Esequias Soares “os triunfalistas são neopentecostais que trouxeram elementos da Confissão Positiva: doutrina da saúde e da prosperidade”. [2] Ele continua informando que os artifícios usados pelos triunfalistas são nomear “suas campanhas dos feitos grandiosos registrados no Antigo Testamento, prometendo solução imediata aos problemas financeiros e de saúde. Para isso, inventam as campanhas de jejum de Gideão, do jejum de Calebe, Campanha dos 318 pastores, etc”. [3]
Os triunfalistas mercadejam as coisas de Deus e falsificam sua Palavra. São os mercadores da religião. Em 2 Coríntios 2. 17 Paulo condena as atitudes destes mercenários: “Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus”. A expressão “falsificadores” é kapeleuein, tem o sentido de “traficar”, falsificar”, “adulterar” e foi contextualizada do mundo dos negócios. Tratava-se da ação ilícita de um comerciante, enganando seu “cliente” oferecendo a ele algo falso, misturado. Por exemplo: vender um vinho aguado: “A tua prata tornou-se em escórias, o teu vinho se misturou com água” (Is 1.22). O apóstolo Paulo usa esse exemplo para referir-se aos pregadores que anunciavam um evangelho falso, adulterado, que lucravam dinheiro e bens com essas “pregações, orações, profecias, curas” e logo desapareciam de cena. Hoje não é diferente, quantos pregadores itinerantes, portando um curso básico e bem rudimentar de teologia, vivem uma vida de empresário, lucrando e recebendo altas “ajudas” financeiras das igrejas as custas da opressão da liderança para que os crentes ajudem a “pagar as despesas do congresso”. Estes, confiam no salário mínimo dos crentes pobres para bancar seus altos salários, quando na verdade deveriam fazer como milhões de brasileiros: trabalhar dignamente para se sustentar!


[1] Série Apologética, Vol 1, p. 17
[2] SILVA, Esequias Soares. Heresias e Modismos. CPAD, p. 323. 
[3] IBIDEM, p. 327.


2 comentários:

  1. ola pastor gostei muito do seu comentario de suas bases e de suas pesquisas espero que voce viva o que escreve Deus te abençoe

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  2. Bruno,

    Obrigado por visitar esse humilde blog. Espero que volte sempre.

    Abraço,

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