sexta-feira, 17 de junho de 2011

A DOUTRINA SADIA (Subsídio EBD - Parte II)

O culto aos anjos
Do jeito que as coisas andam precisamos nos livrar da angelolatria. Alguns anos atrás, o periódico Mensageiro da Paz noticiou numa matéria que “além de pregações e hinos em que quem opera os milagres, cura, salva e liberta são os anjos, e não mais Deus, há hoje igrejas onde há fileiras de bancos onde ninguém pode assentar-se, por estarem reservadas ‘aos anjos presentes no recinto’. Em alguns lugares, não só a prática da bancada dos anjos como também os crentes, ao passarem em frente a essas bancadas, se obrigam a bater continência ou curvar-se diante deles como sinal de reverencia”. [1] Há até mesmo um “grande e famoso pregador pentecostal” no Brasil que antes de começar a pregar invoca a presença de anjos no culto. Quero dizer-lhes francamente: isso é heresia. 
O culto aos anjos era uma das características da heresia na igreja colossense. O apóstolo escreve: “Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto aos anjos, metendo-se coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão” (Cl 2.18). Sobre o culto aos anjos na igreja colossense, alguns expositores sugerem que a frase “com pretexto de humildade e culto aos anjos” nos remete ao entendimento de que os falsos mestres tentavam demonstrar aos irmãos que eram muito insignificantes para se chegarem diretamente Deus, portanto, seu contato com a Divindade deveria acontecer sob a mediação dos anjos. O comentarista bíblico William Hendriksen informa-nos, também, que o arcanjo Miguel era obstinadamente adorado na Ásia Menor e que também seu culto durou por muitos séculos.
A Bíblia Sagrada proíbe terminantemente a adoração ou culto aos anjos. Após presenciar toda a grandeza da visão, o apóstolo João intenciona curvar-se diante do santo anjo, mas é orientado por ele: “Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus” (Ap 19.10). Na conclusão da visão, João novamente quer adorar o anjo, mas é proibido por ele: “E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar. E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus” (Ap 22.8,9).
Preservando a sã doutrina
Jesus denomina os inimigos do evangelho, do povo de Deus, de falsos profetas: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores” (Mt 7.15). Aqui o sentido não é estritamente aquele cuja palavra profética (no sentido carismático) não se cumpriu, mas aquele que dissimuladamente agem com astúcia no meio do povo de Deus.
Muitas heresias sorrateiras têm sido introduzidas suavemente no meio do povo evangélico. Com o advento e as facilidades tecnológicas a internet e a televisão tornaram-se importantes meios disseminadores das distorções bíblicas. Um grupo “cristão” que tem semeado heresia no meio da igreja é a New Life Mission. Trata-se de um pastor coreano, Paul C. Jong, dizendo professar o autentico cristianismo tem ensinado que “para que alguém seja salvo não basta apenas crer que Jesus morreu por seus pecados, é necessário crer também que o batismo de Jesus nas águas do Jordão por João Batista tem poder salvífico. Naquela ocasião, João estaria representando toda a humanidade e, ao batizar Jesus, teria simbolicamente colocado sua mão sobre a cabeça dele, transferindo todos os nossos pecados, como era feito com os animais sacrificados na Antiga Aliança. A partir de então, Jesus já estaria carregando os pecados da humanidade como o Cordeiro de Deus. Assim, na cruz, Cristo apenas estaria sendo julgado pelos pecados que já carregava. João Batista é considerado o último sumo sacerdote do Antigo Testamento”.[2] 
Segundo o apologista Eguinaldo Hélio, a devoção do pastor Paul C. Jong à João Batista é tanta que vai além do normal: “ É através de João Batista e de Jesus Cristo, que Deus realizou a salvação da humanidade. Somos salvos de todos os nossos pecados crendo na obra de redenção realizada através de João Batista e de Jesus Cristo”.[3]
Paul C. Jong, quer fazer de João Batista um representante da humanidade, um co-redentor.  Em primeiro lugar, os vinte e sete livros do Novo Testamento, os apóstolos, os escritores dos Evangelhos, nenhum destes atribuíram a João Batista essa posição: de representante da humanidade. João nunca se colocou em posição superior ou desejou igualar-se a Jesus: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30) – disse ele. Conforme diz o comentarista bíblico Hendriksen, a expressão “é necessário” indica que a superioridade de Cristo, comparado com o ministério e a própria pessoa de João, está de acordo com o plano eterno de Deus. Não havia mais necessidade de um percursor, pois João havia cumprido sua obra.
Em segundo lugar, contrariamente, a Bíblia afirma que “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (At 4.12). Somente Jesus pode propiciar a salvação, pois só Ele é redentor. A expressão grega lutrosis (redenção) é usado acerca da obra redentora de Cristo (Hb 9.12) trazendo por Sua morte libertação da culpa e do poder do pecado (VINE:CPAD). No texto de Atos 4.12 encontramos a exclusividade de Cristo e do cristianismo. O apóstolo Pedro demonstra que mais importante que a cura física do paralítico (At 3.1; 4.14) era a salvação das suas almas. E isso ninguém, nem João Batista, poderia realizar.
A importância dos apologistas – os defensores da fé
O historiador Justo Gonzáles informa que “durante todo o século segundo, e boa parte do terceiro, não houve uma perseguição sistemática contra os cristãos. Ser cristão era lícito; mas só eram castigados quando por alguma razão os cristãos eram levados diante dos tribunais”.[4] Os inimigos do Evangelho de Cristo, por exemplo, espalharam falsos boatos sobre a reunião dos crentes.  Sobre isso, Gonzáles diz que “os rumores populares se baseavam geralmente em algo que os pagãos ouviam dizer ou viam os cristãos fazer, e então, o interpretavam erroneamente. Por exemplo, os cristãos se reuniam todas as semanas para celebrarem uma refeição a que frequentemente chamavam festa do amor. Essa refeição era celebrada em privativo, e somente eram admitidos os que haviam sido iniciados na fé, isto é, os batizados. Além disso, os cristãos se chamavam irmãos entre si, e não faltavam casos em homens e mulheres diziam estar casados com seus irmãos e irmãs”. Por causa desse erro de interpretação dos fatos diziam que eles se reuniam para celebrar uma orgia em que se davam uniões incestuosas. 
Para defender os crentes dessas e outras infundadas acusações foi primordial e salutar o papel de um grupo de servos de Deus denominados de apologistas. Estes, conhecidos como “defensores”, eram hábeis pensadores e escritores entre os cristãos, e tinham por objetivo fornecer argumentos em prol da fé cristã aos que atacavam o cristianismo. Os apologistas da época foram: Quadrato, Aristides, Justino, Taciano, Atenágoras, Teófilo, Orígenes, Tertualiano, entre outros. O apóstolo Paulo, em Filipenses 1.17, desejava que soubessem que havia sido posto por Deus “para defesa do evangelho”. Precisamos urgente de mais apologistas para a seara do Mestre. Só assim os demais irmãos serão instruídos e orientados acerca da fé cristã e do perigo das heresias, quer sejam mediante literatura, vídeo, internet, palestras, etc.
A Igreja como guardiã da sã doutrina
O pastor Elienai Cabral menciona dois fatores importantes que a igreja dos dias atuais não pode prescindir: a necessidade do sólido mantimento e o exame geral. O apóstolo Pedro (1 Pe 2.2) exorta os crentes: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo”. O comentário de Barclay diz: “Cremos que o que o apóstolo quer dizer aqui é que o cristão tem que desejar de todo o seu coração o alimento que vem da palavra de Deus, porque mediante essa nutrição pode crescer e fortalecer-se e alcançar a própria salvação. Em vista de toda a maldade do mundo pagão o seguidor de Cristo tem que fortalecer sua alma e sua vida com o alimento puro da palavra de Deus. Este alimento da palavra não está adulterado (adolos). Quer dizer: não há nele nem a menor mescla de nada que possa ser nocivo. A palavra adolos é um termo quase técnico para descrever o cereal que está isento de resíduos, pó ou substâncias nocivas. Em toda sabedoria humana há sempre alguma mescla da inutilidade ou dano; somente a palavra de Deus é totalmente boa. O cristão deve buscar com ânsia esta leite da palavra. O vocábulo traduzido deseje (epipothein), é um termo enérgico, é aquele que se usa para falar do cervo que brama no Salmo 42:1 e que no Salmo 119:174 se traduz como desejar a salvação. Para o cristão sincero estudar a palavra de Deus não é um trabalho, mas uma delícia, porque sabe que nela encontrará o alimento que sua alma deseja”.
Quanto aos sinais, milagres e manifestações espirituais, do nosso tempo, Elienai Cabral adverte que “toda e qualquer manifestação espiritual precisa ser examinada e avaliada segundo a Palavra de Deus”. É esta a exortação de Paulo aos tessalonicenses (I Ts 5.21): “Examinai tudo. Retende o bem”. Continua Cabral a dizer que “vivemos tempos difíceis, de muita heresia e engano. Como discernir o verdadeiro do falso? Podemos identificar a fonte da mensagem, dos milagres, visões ou revelações, de duas maneiras: mediante o conteúdo doutrinário (Hb 5.14) ou mediante o dom de discernimento”.
Que Deus nos ajude dando força e condições de enfrentarmos esses dias de apostasias, identificando o verdadeiro do falso, o lobo da ovelha, os ardis de Satanás!


[1] MENSAGEIRO DA PAZ, novembro de 2002, p.4
[2] REVISTA DEFESA DA FÉ, nº 71, p. 19.
[3] JONG, Paul C. Você verdadeiramente nasceu de novo da água e do espírito? Editora Hephzibah Publish, p. 11,12.
[4] GONZÁLES, Justo L. Uma história ilustrada do cristianismo. Editora Vida Nova, Vol 1, p. 79.

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