sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A CONSPIRAÇÃO CONTRA NEEMIAS (Subsidio EBD)

Por Gilson Barbosa
Um dos métodos utilizado pelo Diabo é o da intimidação. Na Lição Bíblica deste domingo, seus agentes fizeram uso dessa arma. Ou alguém nega que por trás da intenção conspiratória do trio (v.1) estava o Inimigo de Deus? Lutar contra o povo de Deus, por vezes é figurativamente retratado na Bíblia como lutar contra o próprio Deus. No Novo Testamento temos um exemplo na conversão de Saulo (At 9.1-9) quando Jesus disse que ele estava lhe perseguindo (“Porque me persegues?”), porém para nós ele perseguia os cristãos judeus ou gentios convertidos ao evangelho de Cristo. O catedrático em exegese do Novo Testamento, I. Howard Marshal, no comentário desse versículo diz:
‘“Porque me persegues?’ é uma pergunta que diz respeito ao propósito imediato de Paulo e indica que, embora este pensasse que estava meramente atacando um grupo de homens por seu modo herético de adorar a Deus, estava na realidade atacando um grupo que tinha um porta-voz e representante celestial; atacar o cristãos era atacar esta figura celestial”.
Da mesma maneira, Neemias e seu grupo não precisavam ficar com medo diante das intenções maldosas e das ameaças, pois em ultima instância seus inimigos estavam conspirando contra um plano que o próprio Deus já havia anteriormente aprovado. A orientação é que não desistamos dos projetos estabelecidos por Deus à Sua Igreja e que trabalhemos com oração e vigilância (4.4,5; 4.15-23). É necessário muito mais do que discussões inúteis e infindáveis de teologia (refiro-me àquelas que não chegam a nenhum lugar), debates sobre usos e costumes ou prescrições estatutárias da igreja local; é preciso pregar o Evangelho ao pecador e arcar a partir disso com suas implicações.
A QUESTÃO DA CONSPIRAÇÃO
O texto bíblico de Neemias 6 se divide em três seções (6.9; 6.10-14; 6.15-19), mas nos deteremos brevemente na primeira, que trata da conspiração dos inimigos de Neemias para intimidá-los, mas antes é importante saber o significado da palavra “conspirar”. Entre outros significa Meditar ou projetar em comum alguma coisa contrária ao interessa de outrem. A conspiração tem por característica principal o “agir em segredo”, com a finalidade de ter sucesso nos objetivos. A palavra em si (conspiração) está ligada exclusivamente as atitudes más, porém o “agir em segredo” para uma determinada causa lícita não significa exclusivamente algo ruim, tudo depende do conteúdo da conversação entre o grupo para que tal ação seja concretizada, que no caso dos escolhidos de Deus, com certeza envolve a moral, a ética, o bom senso, a piedade cristã, a moderação, a prudência, etc. Nesse sentido não envolve impiedade, imposição, intimidação, coerção. No caso das polêmicas internas nas igrejas locais por conta de alguma ação empreendida ou projeto, precisaríamos saber também quais são “os interesses dos outros” envolvidos nas questões e se elas são corretas à luz das Escrituras Sagradas e a partir daí promover reuniões dos líderes para que sejam suprimidas. As lutas brasileiras pela independência do domínio português envolveram certo tipo de conspiração: Guerra dos Emboabas, Guerra dos Mascates, Conjuração Baiana, Conjuração Mineira, entre outros.
CONSPIRAÇÃO E INTIMIDAÇÃO (4.1-9)
O versículo 1 nos informa que os inimigos de Neemias ouviram (souberam) que os muros estavam reconstruído e que nenhuma brecha havia nos muros, apesar das portas não estarem nos seus devidos locais. A Bíblia não informa quem os fez saber; se havia espiões infiltrados (muito difícil, ainda que não impossível) ou um informante do próprio do grupo. Temos que tomar cuidado com os espiões. Não sou favorável a atitudes paranoicas, como alguns que veem o Diabo e oposição em tudo, mas, precisamos entender que temos opositores esperando um vacilo nosso para nos acusar, denunciar, intimidar, chantagear. Nossa conduta santa (santidade cristã), evidenciada na postura diante da sociedade e principalmente diante de pessoas más intencionadas, deve ser prioridade. Ouvir mais e falar menos (leia-se prudência) é uma prática saudável também para nós cristãos. O principal objetivo das intimidações era fazer com que as reconstruções fossem interrompidas (v.9). A nossa desistência é a conquista maldita e sucesso “glorioso” do Diabo. Caro leitor, não desista nunca daquilo que o Senhor colocou em suas mãos para fazer. Quando for afrontado pelo Inimigo ou “inimigos” ore como Neemias: “Agora, pois, ó Deus, fortalece as minhas mãos” (v.9).
Conspirando malignamente contra Neemias os inimigos tramaram distraí-lo com assuntos periféricos, com a finalidade de prejudica-lo politicamente ou fisicamente, talvez: “Vem, encontremo-nos, nas aldeias, no Vale de Ono”. Este, segundo alguns comentaristas, era uma cidade de Benjamim, cerca de 45 km ao noroeste de Jerusalém, provavelmente nas fronteiras persas de Judá. No trecho bíblico, Neemias diz que a intenção deles era fazer-lhe algum tipo de mal (não sei precisamente qual mal seria). 
Na linguagem atual poderíamos dizer que Neemias era um líder muito vivo, espertíssimo. Na linguagem cristã, que ele possuía discernimento dos acontecimentos ao seu redor. Sabedor que a intenção dos inimigos era prejudicar o andamento do projeto ele indaga (v.3): “por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?”.  Em outras palavras, “não tenho nada para conversar com vocês”, “não tenho nenhum assunto para ser tratado”, sendo assim porque dar ouvidos à eles? Seria perda de tempo: é melhor continuar trabalhando. Caro obreiro do Senhor, enquanto ficas a ouvir os maldizentes, a obra que Deus lhe confiou está parada, estagnada. Caro leitor, não percebes que toda essa “conversa mole”, dos “amigos da faculdade ou do setor onde trabalha”, possui a precípua intenção de distraí-lo na caminhada cristã ou nos projetos de Deus na sua vida?
O convite feito (v.2) implica que Neemias era o governador de Judá por esse tempo (5.14), porém negou-se a participar de algum tipo de reunião ou associação e lhes apresentou à justificativa: “Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer”. Se, como dizem os comentaristas bíblicos, o Vale de Ono distava de Jerusalém 45 km, pelas condições de transporte da época, seria uma viagem longa e muito perigosa. Percebe-se sagacidade no convite deles. Se fosse verdade que queriam algo lícito ou conforme a lei com Neemias, por que não foram até ele, em vez de convidá-lo?
Na linguagem dos que não temem a Deus, Sambalate poderia ser alcunhado de “pilantra”, pois mesmo após ter seu “pedido” negado por quatro vezes (4.4) ousou enviar uma carta aberta com os seguintes dizeres: “Entre as gentes se ouviu, e Gesém diz que tu e os judeus intentais revoltar-vos; por isso reedificas o muro, e, segundo se diz, queres ser o rei deles” (4.6). Olha a trama aí: “entre as gentes se ouviu”. Em outras palavras dizia ele que um rumor, à pessoa de Neemias, circulava entre os povos. A intenção de Sambalate era ser considerado um elemento neutro na conspiração e ainda por cima mediar uma conversa entre Neemias e Gesém – abusado esse Sambalate!
O rumor, a que se refere Sambalate era muito grave. Acusavam Neemias de ter incentivado os profetas a apregoarem que ele seria rei em Judá (4.6,7). O pano de fundo para tal pensamento era algumas profecias de Ageu e Zacarias sobre a construção do Templo (Ag 2.6-9; Zc 6.9-14) e as antigas promessas quanto à ocupação do trono em Israel (I Sm 9-10; 16.1-3; I Rs 1.32-40; 11.26-40; II Rs 9.1-13). Neemias teria, segundo eles, uma espécie de aspiração messiânica. A que ponto chega o ser humano! A qualquer custo empreende forças e inventa mentiras para destruir seu “oponente” - é a mentira diabólica misturada com fatos verdadeiros. Os que estão (líderes, pastores, empresário, chefe, etc) numa posição de poder enfrentam essa perigosa questão sempre que precisam tomar certas decisões: misturar a mentira com a verdade.
Como Neemias permanecia irredutível, as ameaças foram ganhando mais consistência e a pressão sobre o servo de Deus aumentou sobremaneira. Sambalate disse que o rei (Artaxerxes) ficaria sabendo da má intenção de Neemias (ser rei em Judá) e isso acarretaria sanções a ele (4.7). Sua estratégia era fazer com que Neemias se encontrasse com ele, porém o servo de Deus não esquecera que em outra oportunidade Sambalate tinha zombado e desprezado dele e das pessoas que trabalhavam com ele naquele empreendimento (2.19). Neemias mandou um recado à Sambalate: “tudo o que você está dizendo é invenção da sua cabeça” (6.8). Ele não tinha intenção pessoal de galgar qualquer posto ou posição – era tudo mentira de Sambalate. Assim também, nos dias de hoje, há muitas pessoas que inventam mentiras a respeito dos servos de Deus. Outros há que, incrivelmente, acabam acreditando nas suas próprias mentiras.
TOTAL DEPENDÊNCIA DE DEUS
Neemias manteve-se firme. Após uma breve fala dele, o texto bíblico (4.9) faz uma interrupção. Sua decisão foi orar ao Senhor novamente – ele sempre buscava a solução dos dilemas aos pés do Senhor. Não visava seus próprios interesses; não confiava nos talentos que possuía, não se amparava no seu poder terreno. A nossa confiança não está naquilo que homens podem nos oferecer, na força política, nas estratégias, nos planos de marketing, na filosofia ou até mesmo nas nossas teologias: “Agora, pois, ó Deus, fortalece as minhas mãos”. Neemias reconhecia sua total dependência de Deus. Nesse caso particular lembra-me o ensinamento do Mestre aos seus discípulos em Mateus 5.3: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Para sermos bem sucedidos em todas as áreas da nossa vida, ainda que pessoas conspirem algo contra nós, temos de aprender essa receita: total dependência de Deus. A nossa força está em Deus. “Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor” (Jr 17.7).
Em Cristo,

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