sábado, 14 de janeiro de 2012

OBEDECER: DEVE SER SEMPRE A REGRA (Subsidio EBD)


Por Gilson Barbosa

Obedecer é submeter-se à vontade de outrem e executá-la. Parece ser algo tão simples, mas ao mesmo tempo extremamente complexo. Temos dificuldades e obstáculos na execução da obediência. Por vezes não nos submetemos à solicitação, vontade, pedido ou ordem de outra pessoa.

Por outro lado, temos de analisar se a obediência que prestamos a alguém não é cega, escravizada, destituída de bom senso, irracional, imoral, contraditória, e se o que a outra pessoa nos pede é lícito ou moralmente correto de ser executado, pois a obediência não é algo que acontece de maneira mecânica; demanda o uso da razão, dos sentidos, da emoção, da sensatez.

O primeiro registro bíblico onde o SENHOR pede obediência está em Genesis 2.15-17: “E tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. O que o casal deveria fazer? Obedecer! Mas, todos sabem o que aconteceu. O resultado dessa desobediência foi a morte espiritual (no sentido da separação no relacionamento com Deus) e a introdução deles na rota da morte física.

Da ordem que Deus deu a Adão depreende duas coisas. Em primeiro lugar, o ser humano deve responder livremente por seus atos e estar pronto para receber os resultados deles. Ele não é uma máquina, mas alguém criado com liberdade de escolha. Em segundo lugar, ele é responsável diante de Deus por suas ações. A desobediência traz consigo uma consequência clara e grave: a morte (física, espiritual e eterna). O apóstolo Paulo comentando sobre o aspecto espiritual e eterno da morte, no ser humano, que é resultado de uma vida sem santificação disse: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).

Aqui está um caso interessante. Obedecer a Deus é praticar a santificação, no sentido de separação para o serviço dele e de atender suas exigências. Isso significa que um meio utilizado por Deus para comunicar sua Justiça (justificação pela fé diante Dele) é a busca da santificação apartando-nos do pecado. Um cristão desobediente aos mandamentos do SENHOR está numa esfera de risco. Segundo o entendimento paulino se alguém não consegue manter em santificação, apartado do pecado (no caso, leia-se desobediência), não pode ter convicção de que é um regenerado por Deus e, portanto, não usufrui da justiça de Cristo. Seu estado é de morte. Assim estão muitos crentes hoje em dia. Não vivem vida espiritual abundante, pois não obedecem aos mandamentos do SENHOR.

Mas cabe uma pergunta: Obedecer a Deus é absolutamente garantia de prosperidade financeira e cura para o corpo físico? Kenneth Hagin, o divulgador do Evangelho da Prosperidade, diz que a doença é resultado da desobediência da lei. Ele identifica a maldição da lei em Gálatas 3.13, 14, com as maldições proferidas por Moisés, no Monte Ebal, em Deuteronômio 28.15-68.

Percebemos facilmente nesses versículos bíblicos que a enfermidade é uma maldição da lei. As doenças horríveis enumeradas aqui — e, na realidade, todas as demais enfermidades e pragas, de acordo com o v. 61 — fazem parte do castigo pela quebra da lei de Deus.[1]

Nesse caso não se admite, em hipótese alguma, um crente adoecer, pois estaria ainda debaixo da maldição da Lei. Mas, quanto ao entendimento cristão, sabemos que a maldição de Deus sobre a raça humana não advém da quebra da Lei mosaica, mas da queda de Adão no Éden. O pensamento de Kenneth Hagin, muito errado por sinal, é que se CRISTO nos resgatou da maldição da lei quando morreu na cruz do Calvário, conforme Gálatas 3.13, então o crente não pode adoecer. Mas, o que o texto de Gálatas 3.13 nos ensina é que a maldição da Lei não está sob nós, pois, uma vez que CRISTO a levou, na expiação realizada quando morreu na cruz do Calvário, temos paz com Deus. A condenação, então, que paira sobre a humanidade está no campo espiritual, da eternidade, e não do terreno, físico. Em diversos ensinamentos de JESUS percebemos o princípio de que o correto é nos preocuparmos com a eternidade, muito mais do que somente com esta vida.

O leitor pode pensar que os que obedecem a Deus sempre terão garantia de sucessos, riquezas materiais, ausência de perseguições ou serão impassíveis de doenças. Em certo sentido, sim. Mas não é uma regra, nem uma lei absoluta. Quando recebemos a CRISTO como nosso SENHOR e SALVADOR nosso caráter é regenerado e passamos a agir de maneira equilibrada, sensata, ordeira. Uma vida simples e obediente a ELE nos alçará naturalmente a um estado de paz e serenidade tão excelente que evitaremos os exageros, o consumismo impulsivo, o mau relacionamento, a violência, os vícios que degeneram a saúde física.

O principio que devemos buscar em Deuteronômio 28.1-12, é que em geral é melhor seguir os caminhos de Deus do que os nossos; é muito melhor acatar as decisões Divinas, do que as humanas. Isso, não significa que os justos não sofrerão na jornada cristã ou terrena.

O apóstolo Paulo era obediente ao SENHOR, mas mesmo assim não teve garantia de que não seria acometido de nenhuma enfermidade por conta disso. Muito pelo contrário, quando por três vezes orou para que DEUS o curasse obteve resposta negativa: “E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de não me exaltar. Acerca do qual três vezes orei ao Senhor, para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (II Co 12.7-9).

Quanto à Israel DEUS tinha um pacto, uma aliança. Este plano não estava apenas na questão espiritual, mas na formação de uma nação onde SEU nome pudesse ser notório e conhecido entre os povos, onde os objetivos eternos pudessem encontrar algo natural de acontecer. Deus não desceria do céu para demonstrar sua própria existência às nações, às pessoas. Os milagres que aconteceram na história da nação hebraica e todo o contexto em que estavam inseridos comprovam a realidade de algo muito mais que físico existencialmente.  Jesus deixou isso claro quando dialogava com a mulher samaritana: “Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus”. (Jo 4.22). Os judeus nos legaram a salvação, o Messias e a Bíblia Sagrada.

Em Gálatas 3.8 notamos que a promessa de salvação aos gentios (todas as outras nações – exceto Israel) fora feita primeiramente a Abraão (pessoa historicamente importante aos judeus): “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti”. A bênção era sem sombra de dúvida espiritual: a salvação. A pergunta é: Como Deus transformaria um povo com mentalidade de escravos em pessoas audaciosas, corajosas e destemidas? Como os hebreus teriam senso de cidadania? Aonde estabeleceriam seu próprio modo de vida? O que deveriam obedecer e acatar? Quem os conduziria a um local aonde iniciariam a sua existência (de Israel) como nação? Que garantias teriam de DEUS de que teriam sucesso na conquista da sua própria existência?

Era óbvio de que para um propósito tão excelente, a um povo em formação, haveria cláusulas maravilhosas com efeitos maravilhosos. Pra mim, isso é suficiente para entender porque DEUS fez tantas promessas de sucesso e prosperidade a Israel. Para essa ocasião elas eram justas e necessárias. Conforme o tempo foi passando as promessas se transportam da esfera material para a espiritual. Podemos observar isso em Jeremias 31.31-34: “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.  E não ensinará alguém mais a seu próximo, nem alguém, a seu irmão, dizendo: Conhecei ao SENHOR; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior, diz o SENHOR; porque perdoarei a sua maldade e nunca mais me lembrarei dos seus pecados”.

Por fim temos de nos precaver para não fazermos da nossa obediência uma moeda de troca com o SENHOR. É isso que fazem os adeptos do Evangelho da Prosperidade quando dizem que devemos decretar, exigir, declarar a cura e o sucesso financeiro em nossa vida, pois conhecemos nossos direitos. Não é incomum ouvirmos testemunhos de crentes que, quando estão em situações difíceis na vida, indagam a DEUS se ELE não está “vendo” que são crentes fiéis, santos, dizimistas, obedientes, etc. Esse tipo de relacionamento com DEUS está errado, pois deixa de considerar a soberania DELE quanto aos pormenores da nossa existência, alça o ser humano sempre a uma posição de mérito, pode o tornar mal agradecido e murmurador se não tiver o que quer, e faz do relacionamento com o SENHOR uma barganha sem considerar a essência da obediência.

A desobediência pode ser a causa da maldição, conforme está registrado nos OBJETIVOS da lição, mas não pode ser entendido no sentido estrito e absoluto, senão temos de ensinar que se um crente adoece, se é pobre financeiramente, ou não é próspero em sua vida, é porque está em pecado ou em desobediência contra Deus, contrariando a afirmação bíblica (Jo 16.33) que neste mundo seríamos constantemente provados: “Tenho-vos dito isso, para que nem mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”.

Identifico alguns princípios importantes nesta lição: o pecado traz consequências nefastas ao crente que insiste em desobedecer ao SENHOR; nem sempre a causa de situações difíceis em nossa vida é de origem satânica; em alguns casos nós mesmos somos os únicos responsáveis pelo que nos acontece; é melhor obedecer ao que o SENHOR manda do que fazermos o que bem entendermos; não é porque nossa posição diante de DEUS é de Justos que não estamos passíveis ao sofrimento; é sempre melhor e mais gratificante, com melhores resultados, o obedecer; a importância do discernimento quando algo está não está indo bem em nossa vida.

Que sejamos obedientes ao SENHOR em todo o tempo!

Em Cristo,


[1] HAGIN, Kenneth. Redimidos da Miséria, da Enfermidade e da Morte. Graça Editoria, 1998. 

2 comentários:

  1. Caro Gilson

    Fico feliz por existir pessoas como você qué comprometido com a educação cristã. Tenho acompanhado seus comentários que são excelentes subsídos para as lições bíblicas da EBD.
    Deus o abençoe
    Pr José Gonçalves
    Comentarista das liçõe bíblicas deste trimestre

    ResponderExcluir
  2. Pr José Gonçalves,

    Sinto me extremamente honrado pelo seu comentário. Assim como o senhor, tenho lutado na intenção de ver nossos irmãos tendo acesso a boa teologia ortodoxa.

    Honra-me muito tê-lo como leitor do meu blog

    Grande abraço e parabéns pelos comentários deste trimestre.

    Em Cristo,

    ResponderExcluir