quinta-feira, 1 de novembro de 2012

FINADOS: O DIA DOS MORTOS

Por Gilson Barbosa


Nesta sexta-feira (02/11/2012) milhares de pessoas se dirigirão aos cemitérios de suas cidades para prestarem homenagens a entes queridos já falecidos. Outros simplesmente aproveitarão o feriado para viajar sem se importar com a data.

Celebrado em 02 de novembro é o dia em que, na crença da Igreja Católica Romana, se fazem orações pelas almas que estão no Purgatório. É denominado de celebração omnium fidelium defunctorum (“de todos os fiéis defuntos”). Segundo os estudiosos a celebração foi introduzida no século X por santo Odílio ou Odillon (962-1049), abade beneditino de Cluny, na França, para os mosteiros da sua ordem. No século XIV, a Igreja Católica universalizou essa data.

Hoje em dia o sentido da comemoração ultrapassou o aspecto religioso para revelar uma feição emotiva, como preito de saudade aos que se foram de nosso convívio. Mas, no sentido original trata-se de uma das práticas fundamentais das religiões pagãs ligados aos cultos agrários e aos da fertilidade. Cria-se que os defuntos, assim como as sementes, eram enterrados com vistas a uma ressurreição. Cada religião pagã possui uma forma de celebrar a data. Umas festejam com banquetes e orgias perto dos túmulos, outras costumam espalhar terra trazida dos cemitérios, nos campos cultivados. Hipócrates cria que os espíritos dos defuntos faziam crescer e germinar as sementes. Outras, fazem preces intercessoras pelos mortos.

A perspectiva da morte e a crença na vida futura sempre foram encaradas com preocupação. Nos dias em que surgiu o cristianismo as religiões de mistérios aspiravam pela imortalidade e a vida no além era uma realidade transcendente. A crença generalizada da reencarnação ou transmigração da alma era outra característica daquela época. No Antigo Testamento não houve uma sistematização ou preocupação do assunto por parte dos judeus.

Já no cristianismo houve dois fatos interessantes a respeito deste assunto: uma atitude mais otimista com relação à morte e uma crença inabalável acerca da realidade e bem-aventurança da vida no porvir.  O apóstolo Paulo disse aos coríntios: “Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor” (II Coríntios 5:8). Os dois fatos estavam ligados a 1) afirmação de uma relacionamento pessoal ou comunhão com o Senhor Jesus Cristo e 2) a personalidade toda estava envolvida no processo (alma e corpo). O desejo de estar com Cristo era algo comum entre os primeiros cristãos: “Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu permaneça no corpo” (Filipenses 1:23,24). Temos de estar preparados para a morte.

Os pensamentos sobre a morte, os mortos, e a vida no porvir, ao longo da história, foram descritas de várias maneiras pelas religiões. Já mencionei a crença sobre a reencarnação dos mortos (hinduísmo, espiritismo), mas, há ainda a do purgatório (igreja católica romana) e a doutrina do sono da alma (Adventistas do Sétimo Dia). Esses ensinos foram repudiados pelos reformadores protestantes. O entendimento da teologia protestante clássica é que os corpos dos mortos repousam no túmulo até a ressurreição, mas as suas almas vão imediatamente para a presença de Deus.   

A atitude cristã, quanto aos entes queridos que partiram, deve ser essencialmente de lembranças e por fim a esperança de que ressuscitarão para também, conosco, estarem com Cristo na eternidade. A cultura cristã possui um tratamento discreto a respeito dos mortos, diferente dos judeus que observam formas de comportamentos e hábitos curiosos (LEIA AQUI). Porém permanece a firme convicção de que ainda que a morte de um servo do Senhor seja extremamente triste para nós, ela é preciosa aos olhos Dele: “Preciosa é à vista do SENHOR a morte dos seus santos” (Sl 116.15).

Em Cristo,   

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