sábado, 30 de julho de 2011

O REINO DE DEUS ATRAVÉS DA IGREJA

Por Gilson Barbosa

A expressão "reino" é basiléia, mas significa também reinado, que é o governo de Deus. A Igreja de Cristo só atingirá seu objetivo, em manifestar seu reinado no mundo, se primeiro Cristo governar o coração e a vida dos crentes que participam dela. Talvez seja por isso que as vezes ela não consegue atingir seus objetivos - certos crentes, por não possuirem o reinado de Deus em suas vidas,  não cooperam de forma coletiva.

Manifestação visível ou invisivel do reinado de Deus no mundo?

As autoridades religiosas e os demais judeus aguardavam a vinda de um reino visível, externo e aparente para então ocuparem posições proeminentes. Os fariseus, ao perguntarem à Jesus sobre quando o reinado (governo) de Deus seria implantado, receberam dele a resposta de que Seu reinado não viria com aparencia exterior.  Não seria proclamado nas ruas, não haveria exércitos marchando, não teria autoridades políticas montado em cavalos, as pessoas não saudariam a notícia dizendo "eis aqui o reino" ou o "reino está ali", porque o reino de Deus, pelo contrário, deveria estar dentro dos seus corações (Lc 17.20,21). Em suma, o reinado de Deus é essencialmente espiritual e não físico. 

Isso me leva a refletir o papel da Igreja em apresentar o reinado de Deus para o mundo. Neste caso, a Igreja (por meio dos crentes, sejam os que ocupam funções ministeriais ou os que possuem algum dom natural, como por exemplo, os cantores, ou quaisquer outros) não precisaria necessariamente se envolver com política, participar de entretenimento midiático, não precisaria interagir com as formas culturais de uma cidade nem desejar visibilidade secular. 

Temos presenciado atualmente tanto a participação quanto o incentivo de que os crentes em Cristo invistam nestes setores da sociedade - política, televisão, cultura urbana, etc. Ocorre que o que notamos e vimos são que estes meios não foram influenciados, como deveriam, pelos crentes - representantes da Igreja. Na política, presenciamos o envolvimento de parlamentares evangélicos em escândalos como o do mensalão e o dos sanguessugas (leia aqui); na música, cantoras gospel participaram no dia 27 de junho de 2010 de um programa televisivo dominical de grande representatividade no Brasil (veja aqui); no futebol, jogadores evangélicos, tais como o goleiro Bosco, o meio campista Kaká, o zagueiro Lucio, declaram publicamente sua fé em Cristo. Não estou fazendo julgamentos e nem é este meu papel como servo de Cristo, mas quero que você leitor reflita o quanto estamos fazendo a diferença na sociedade e como estamos com estes meios influenciando-a. 

Como influenciar a sociedade

De fato os crentes não deveriam comemorar euforicamente a visibilidade social que vem conquistando em todos os todos os segmentos da sociedade. Jesus deixou evidente o ódio do mundo (no caso as pessoas dominadas pelo sentimento secular) contra seus servos: "Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia" (Jo 15.19). Quando vejo a mídia secular enaltecendo os "artistas" evangélicos e os convidando para participarem de programas televisivos, fico preocupado. Jesus disse que o mundo nos odiaria e não o contrário.

Porém, de alguma forma podemos e temos de influenciar a nossa sociedade. Como faremos isso? Segundo o pastor Wagner Gaby, isso acontecerá através da pregação cristocêntrica, da comunhão entre os crentes e por meio de atividades sociais. O tipo de mensagem que a Igreja, por meio dos seus pregadores, vem comunicando tem sofrido alterações. Uma das razões é o "etos" encarnado na sociedade destes ultimos tempos. A pobreza, o desejo de conquistar e alcançar o sucesso, os sonhos individuais, a exaltação antropocêntrica, tem servido de combustível para essa alteração na mensagem pregada pela Igreja. Em muitos púlpitos de igrejas tradicionais (ou seja igrejas clássicas e antigas) as pregações sobre a vida,  milagres, obras, morte e ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo não são mais pregadas. Nos congressos pentecostais (até pela natureza das festas das Igrejas) as pregações são apelativas, destituídas de teor doutrinário, usadas como trampolim para o sucesso ministerial e para preechimento  de agendas. Precisamos pregar mais Cristo e menos homem (sermão cristocêntrico x sermão atropocêntrico). 

A expansão do Reino de Deus

É salutar e imprescindível que o reinado de Deus se expanda na terra. Isso é possível por meio da igreja, se ela não fracassar. Ela pode não atingir os objetivos Divino se insistir em comungar com o mundo, se deixar ser influenciada pelo assédio secular e persistir em alterar os métodos eclesiásticos, doutrinários e bíblicos. Não temos que agradar o mundo (Jo 17.14), antes devemos demonstrar como é maravilhoso, importante e saudável à sociedade se deixar ser governada por Deus. Os evangélicos somam cerca de 25% da população brasileira. Bom seria se, antes da euforia numérica, tivéssemos a preocupação evangelística do reino de Deus "neste mundo através de nossa vida, testemunho e proclamação do evangelho".
  

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