quinta-feira, 6 de setembro de 2012

INVEJA, UM GRAVE PECADO (Subsidio EBD)

Por Gilson Barbosa

                                   

Dentro da perspectiva do relacionamento social, Deus criou o homem para que o contato com seu semelhante fosse agradável, saudável e puro. No entanto, a Queda do homem (a transgressão de Adão e Eva ao mandamento de Deus) produziu uma série de efeitos perniciosos: entre eles o rompimento da comunhão com o próximo. Como é difícil o relacionamento social! Deparamos com essa dificuldade em todas as esferas e segmentos. Alguns até mesmo imaginam que no âmbito da igreja não existe barreiras de relacionamento fraternal, mas, os fatos mostram o contrário.

Notamos a falta de comunhão entre pessoas logo após o pecado de Adão. Um detalhe: o desentendimento não foi entre pessoas desconhecidas (ainda que isso não justifique), mas entre o casal, Adão e Eva. O marido colocou a culpa da transgressão na sua própria mulher para se livrar da culpa que era sua: “Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” (Gênesis 3:12).

Denominações evangélicas e certos crentes místicos preferem nominar alguns desvios da conduta humana não por pecado, desobediência, transgressão da Lei Divina, mas, de “espírito de pecado”. Dizem que se determinada pessoa peca constantemente, ela é possuidora de algum espírito demoníaco que a faz transgredir o mandamento bíblico de não pecar. Então, do adúltero, do mentiroso, do invejoso, do alcoólatra, é dito que tem um “espírito de adultério”, “espírito de mentira”, “espírito de inveja”, “espírito de alcoolismo”, e assim por diante. Quer dizer, é tudo culpa do Diabo? E a responsabilidade humana? Como o Senhor julgará essa pessoa se ela não tem culpa da sua transgressão?

O apóstolo Paulo, contrariando as expectativas de alguns, ensina que o pecado é obra da carne, e não algum espírito demoníaco: “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são...” (Gálatas 5:21). Seria muito fácil solucionar esse mal: expulsando o tal “espírito” o pecador é liberto. No entanto, sabemos que na Escritura Sagrada o pecador é convidado a arrepender-se dos seus pecados: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Marcos 1:15).

Nas obras da carne elencadas pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5:21 encontramos a inveja, tema desta postagem. Portanto, é necessário definirmos este sentimento negativo para compreendermos o quão ele é pernicioso nas relações sociais. Alguém disse que a inveja é pior do que a ambição e os invejosos selecionam o quê invejar. Por exemplo, não se inveja um casal de velhinhos juntos por tantos anos em feliz matrimônio a ponto de querer também ter um casamento duradouro. Mas, inveja-se do carro novo, sucesso, status, beleza e dinheiro do próximo. Assim, temos algumas curtas definições de inveja:

         Querer que o outro não tenha ou tivesse aquilo que você queria ter.

         Malevolência com respeito às vantagens que outros parecem desfrutar.

Sentimento de desgosto produzido por testemunhar ou ouvir falar da vantagem ou prosperidade de outrem. (Dicionário Vine, p. 720).

Num texto secular a escritora Vanessa Bauer Ribas disse algo interessante sobre a inveja:

Esse sentimento é considerado destrutivo uma vez que surge em decorrência não do próprio sentimento, mas como uma infelicidade pela posse do outro, o que faz com que a pessoa fique sempre preocupada com as habilidades e potencialidades do outro e acaba deixando passar despercebidas as oportunidades que as poderiam fazer crescer e realizarem suas ambições.

A autora disse também que nem sempre o objeto da inveja é material, mas pode ser uma qualidade, habilidade, potencialidade, um jeito de ser, um laço afetivo entre duas pessoas. Podemos perceber que Caim tinha inveja de seu irmão Abel não somente por causa do tipo da oferta em si, mas porque algo em Abel agradava mais ao Senhor do que o ato de Caim em trazer a sua oferta: “E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura: e atentou o Senhor para Abel e para sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou, e descaiu-lhe o semblante” (Genesis 4:5). O apóstolo João informa que a causa principal estava na motivação de Caim: “Porque esta é a mensagem que ouvistes desde o princípio: que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que era do maligno, e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más e as de seu irmão justas” (I João 3:12).

Ainda que gere curiosidade, o mais importante não está na forma como Caim matou seu irmão, mas no sentimento arraigado dentro do seu coração. A inveja de Caim levou ao sentimento de ódio e este ao homicídio: “E falou Caim com o seu irmão Abel: e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou” (Genesis 4:8). A inveja conduz ao desejo de ver a destruição da vida do outro tanto quanto sua morte, o fim da sua existência. O invejoso não somente deseja possuir aquilo que pertence ao outro, como deseja que ele venha a perder o que tem. Alguns até conseguem disfarçar, mas não conseguem esconder por muito tempo esse perverso sentimento. Determinados atos serão como sinais que acabarão por condenar tal pessoa como um invejoso.

A Bíblia nos adverte a não desejarmos desordenadamente o que não temos e, por outro lado, nos contentarmos com as designações que o Senhor preparou para cada um de nós: “O inferno e a perdição nunca se fartam, e os olhos do homem nunca se satisfazem” (Provérbios 27:20). O apóstolo Tiago (3:16) disse que “onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa”. Como prova de que confiamos no Senhor temos de estar sempre preparados para as adversidades, contentes em Cristo e satisfeitos em tudo: “Sei estar abatido, e sei também ter abundancia: em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome, tanto a ter abundancia como a padecer necessidade” (Filipenses 4:12).

Em Êxodo 20:17 temos um “mandamento que proíbe todo o descontentamento com a nossa condição, todo o movimento de inveja ou pesar à vista da prosperidade do nosso próximo e todas as tendências ou afeições desordenadas a alguma coisa que lhe pertence” (Resposta à pergunta 81 do Breve Catecismo de Westminster): “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem cousa alguma do teu próximo”.

Temos que deixar claro uma coisa: admirar ou apreciar com sinceridade um objeto ou qualidades de alguém não se configura necessariamente inveja, mas bem pode ser capacidade para aceitar o outro sem se ressentir. Que possamos enxergar o nosso próximo com amor e respeito, e, agindo mutuamente desta forma estaremos contribuindo para que os relacionamentos pessoais sejam mais harmônicos, saudáveis e duradouros.

Em Cristo, 
  

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