sexta-feira, 21 de outubro de 2011

OS OPOSITORES DA OBRA DE DEUS (Subsidio EBD)

Por Gilson Barbosa

Entre os capítulos 4.1 – 6.14 (Livro de Neemias), o trabalho empreendido por Neemias e seus liderados, recebeu oposição e ataques externos. Estes capítulos ressaltam os obstáculos que Neemias enfrentou no seu benéfico projeto. A obra de Deus não será feita sem que haja zombarias, conspirações, ameaças, coações, calunias, transigências, traições, etc. É o “preço” que teremos de pagar para ver os planos espirituais idealizados e concretizados. Parece contraditório, mas, quanto mais perseguem o povo de Deus mais ele se expande, cresce, estrutura-se, estabelece-se, amadurece, mais os crentes devem se regozijarem em Deus, conforme Pedro já havia advertido os irmãos: “Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus” (I Pe 2.20).
Sambalate já havia se desagradado com a intenção de Neemias em fazer o bem aos filhos de Israel (2.10). Agora ele está ardendo em ira e indignado (4.1), talvez com medo de perder seu prestígio, status e fama em Jerusalém. A Bíblia da Liderança, de John Maxwel, informa que Sambalate “sabia que a restauração dos muros de Jerusalém também iria levar de novo importância comercial e política para Jerusalém. Sambalate gostava do status quo que detinha. Por isso, tinha um vasto interesse em que Jerusalém permanecesse na situação deplorável em que se encontrava. Por essa razão, iniciou seus esforços para impedir o trabalho dos judeus”. Infelizmente temos até mesmo obreiros que agem como Sambalate. Com os mesmos temores e receios de Sambalate, boicotam de várias formas outros obreiros para que estes não “caiam na graça” do povo. Sentem-se ameaçados – por mais que os outros obreiros nem tenham o mesmo conhecimento teológico, secular ou cultural que eles têm. Na verdade, não querem compartilhar o poder, o sucesso, o prestígio, pois “todos devem estar debaixo da sombra do líder”. Em outras palavras nenhum dos liderados pode “brilhar” mais do que o Líder Supremo.
A princípio Sambalate (4.2), perante seus familiares, funcionários do seu governo e do exército sob sua autoridade, fez de conta que não estava tão preocupado com o trabalho dos judeus e zombou deles, mas logo sua zombaria e chacota deu lugar à cólera. Sua intenção era deter o avanço do projeto, parar com o trabalho, desestabilizar os judeus – a presença intimidadora do “seu” exército comprova esse fato. Para demonstrar que estava bem riu dos judeus, mas seu coração estava “azedo” e raivoso. Da mesma maneira os opositores da obra de Deus zombam e riem dos “seus irmãos em Cristo” dizendo que o trabalho não vai prosperar, que não vai dar nada certo, que somos fracos, mas, no fundo o que predomina mesmo é a raiva, a ira, a cólera, o ódio. O que eles dizem zombando é fruto desse estado de espírito que caracteriza o ser humano ímpio e sem Deus.

PERGUNTAS RETÓRICAS
 (4.2) - “Que fazem estes fracos judeus? Permitir sê-lhes á isso? Sacrificarão? Darão cabo da obra num só dia? Renascerão, acaso, dos montões de pó as pedras que foram queimadas?”.
(4.7) – “Mas, ouvindo Sambalate e Tobias, os arábios, os amonitas e os asdoditas que a reparação dos muros de Jerusalém ia avante e que já se começavam a fechar-lhe as brechas, ficaram sobremodo irados” (meu grifo).
Sambalate escarneceu dos judeus com cinco perguntas retóricas (v.2): As duas primeiras demonstram que os judeus não tinham nenhum tipo de capacidade, ainda mais restaurar sua própria muralha. A terceira pergunta talvez faça alusão à (im) possibilidade deles efetuarem sacrifícios na conclusão do trabalho, como uma comemoração importante (12.43). Na quarta pergunta ele insinua que os judeus não tinham noção da magnitude da construção e na quinta zomba deles. Tentavam fazê-los desistir, mas Neemias possuía a mesma convicção anterior (2.20): “o Deus dos céus é quem nos dará bom êxito; nós seus servos, nos disporemos e reedificaremos”.
ORAÇÕES IMPRECATÓRIAS
Abruptamente uma oração imprecatória interrompe o relato bíblico (vs. 4,5). Uma oração imprecatória é aquela que amaldiçoa um inimigo. Nos Salmos temos várias orações assim (Leia, por exemplo, o Salmo 137). Nos versos 7-9 o salmista deixa transparecer sua alma quando amaldiçoa seus inimigos ou os inimigos do povo de Deus: “Contra os filhos de Edom, lembra-te Senhor, do dia de Jerusalém, pois diziam: Arrasai-a, arrasai-a, até aos fundamentos. Filha da Babilônia, que hás de ser destruída, feliz aquele que te der o pago do mal que nos fizestes. Feliz aquele que pegar teu filhos e esmaga-los contra a pedra”. Este ultimo versículo tem sido muito lembrado pelos críticos (céticos, ateus) das Escrituras Sagradas que tentam depreciá-la dizendo que a Bíblia incita aqui a violência. Mas, na verdade, este é o sentimento do salmista e não o desejo e aprovação de Deus. A Bíblia apenas registrou a oração. Ademais, esta parece não ser uma oração correta.
A Bíblia não diz quem orou, mas, pelo contexto concluo que foi Neemias. Na oração ele pede que Deus seja equitativo com a zombaria e cólera dos opositores, até mesmo os enviando cativos para uma terra qualquer. Da mesma maneira como aconteceu com os judeus que acontecesse com os opositores também.  Quero dizer que nem sempre Deus ouve essas orações imprecatórias na atualidade, mas às vezes sim. Lembro-me de quando existia “uma boca de fumo” ou ponto de venda de drogas na rua onde eu morava. Aquilo era um incômodo para todos os vizinhos e moradores do bairro. Mas, para mim a gota d’água foi quando um dos traficantes começou a subir e ficar em cima da laje (usando entorpecentes, conversando alto) onde eu estava construindo minha casa. Isso perdurou por vários dias. Quando já havia esgotado todo o tipo de negociação, fiz uma oração imprecatória para que Deus “desse um jeito” naquele traficante (risos). Alguns meses depois houve desavenças entre traficantes locais culminando em tiroteio e na morte desse traficante, entre outros, infelizmente. Digo infelizmente, pois como servo de Deus não queria nem desejava sua morte, mas coincidência ou não Deus deu uma solução para o meu problema, da pior forma possível. Por isso leitor, cuidado com as orações imprecatórias, vai que Deus lhe atenda!
Neemias pede até mesmo que Deus não perdoe suas iniquidades (v.5). O final do versículo nos informa que os opositores pronunciaram suas zombarias aos judeus diante das muralhas que estavam sendo reconstruídas – a pressão era total. Esta oração, apesar de estar respaldada contextualmente (Jr 18.23), não reflete a intenção e a postura neotestamentária que os crentes da Igreja Primitiva deveriam ter com os seus semelhantes, principalmente seus inimigos. Por exemplo, em meio a perseguição Pedro (II Pe 2.13,14) pede aos irmãos que se sujeitem as mesmas autoridades que as perseguiam: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para o castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem”. Outro detalhe é que a oração de Neemias contrasta-se com a oração de Jesus pedindo ao Pai que perdoasse os dois malfeitores que foram crucificados com ele (Lc 23.39-43).
Parece que a oração imprecatória de Neemias animou seus liderados e assim eles edificaram totalmente os muros porque tinham ânimo para trabalhar. É claro que se encontravam animados e corajosos devido à postura de Neemias. Há líder que em vez de animar seus liderados faz o contrário: desanima. Há muitos ministérios nas igrejas onde as pessoas encontram-se desestimuladas por conta da omissão ou negligencia do líder – o resultado é a evasão e fugas de crentes para outras denominações.
A TRAGÉDIA DA GUANABARA
Os opositores da obra de Deus são semelhantes as “hienas” que não desistem da sua presa, não se cansam de aguardar o cansaço dela, para depois atacá-la, feri-la e por fim alimentarem-se da sua carne: “Mas, ouvindo Sambalate e Tobias, e os arábios, o amonitas e os asdoditas, que ia avante à reparação dos muros de Jerusalém e que já as brechas se começavam a fechar, iraram-se sobremodo” (4.7). Segundo o comentário bíblico de Moody os árabes eram liderados por Gesém e os amonitas por Tobias (2.19). Os asdoditas, que pertenciam ao povo filisteu, foram provavelmente facilmente incitados por Sambalate a que lutassem contra seus velhos inimigos, os judeus.
A igreja evangélica brasileira também possui muitos opositores/oposição, tanto externamente quanto internamente. Externamente, entre outras, temos as seitas que nos desafiam há anos cotidianamente. A própria Igreja Católica Romana (por meio dos seus agentes) perseguiu os crentes que professavam a fé reformada no Brasil (as Igrejas Tradicionais) e depois os que pregavam as doutrinas pentecostais (que genericamente também são “reformados”). Essa oposição não é pessoal, mas, um ataque a fé evangélica ou mais precisamente à nossa doutrina e teologia.
Um documento que ficou conhecido como “Confissão de Fé da Guanabara” (1558)  retrata a perseguição e oposição dos inimigos da fé cristã; esta fé é representada no que CREMOS. Logo no início da fé reformada no Brasil alguns huguenotes (calvinistas franceses) foram executados na então Guanabara (Rio de Janeiro). O historiador presbiteriano Alderi de Souza Matos comenta que “o contexto desse notável documento foi a França Antártica, uma colônia criada na baía de Guanabara, em novembro de 1555, pelo militar Nicolas Durand de Villegaignon. Desejoso de colonos com valores mais sólidos, o comandante escreveu a Genebra pedindo o envio de evangélicos. Em resposta, a Igreja mandou um grupo de catorze pessoas, entre as quais dois pastores. O pequeno contingente desembarcou no Rio de Janeiro no dia 10 de março de 1557, ocasião em que foi realizado o primeiro culto protestante no Brasil e nas Américas.
No início, Villegaignon mostrou-se simpático aos recém-chegados. Todavia, logo começou a divergir dos reformados em relação a várias questões doutrinárias, em especial a singela celebração da Ceia do Senhor. No final de outubro, expulsou-os da pequena ilha para o continente. Impossibilitados de dar continuidade ao seu trabalho, no início de 1558, eles retornaram para a pátria. Todavia, diante das condições precárias da embarcação, cinco dos calvinistas decidiram voltar à terra firme. Acusados pelo comandante de serem traidores e espiões, eles foram presos e receberam um questionário sobre pontos teológicos, tendo poucas horas para respondê-lo. A resposta, escrita com tinta de pau-brasil pelo leigo Jean de Bourdel, ficou conhecida como Confissão de Fé da Guanabara ou Confissão Fluminense. Os outros signatários foram Pierre Bourdon e Matthieu Verneuil”.
Prossegue o historiador presbiteriano dizendo que “sob alegação de heresia, na sexta-feira 9 de fevereiro de 1558, Villegaignon ordenou a execução de Bourdel, Bourdon e Verneuil. André Lafon foi poupado por vacilar nas suas convicções e ser o único alfaiate da colônia. Jacques Le Balleur, que havia conseguido fugir, mais tarde foi encarcerado na Bahia e executado no Rio de Janeiro”.
Especialmente nesse caso, o resultado de uma firme convicção doutrinária e teológica foi trágico: morte dos missionários huguenotes. Mas, não foi isso que Jesus avisou aos seus discípulos? “Expulsar-vos-ão das sinagogas; ainda mais, vem a hora em que qualquer que vos matar julgará prestar um serviço a Deus” (Jo 16.2) e mais: “Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16.33).  Não foi diferente com a fé pentecostal no Brasil.
OPOSIÇÃO AOS PENTECOSTAIS
No livro Diário de um Pioneiro (CPAD), Gunnar Vingren relata perseguições logo no inicio da pregação pentecostal, mais especificamente num dos batismos de alguns crentes em água. Ele relata que uma grande multidão de inimigos da obra de Deus dirigiu-se para o local de batismo. Estavam armados de facas e laços e queriam impedir a realização do batismo, mas Deus os protegeu. Foi debaixo de muitas ameaças que certos batismos eram realizados e cultos eram realizados (p. 42).    
No Programa de Mestrado de Ciências da Religião, o mestrando Moisés Germano de Andrade escreve uma importante informação a respeito da perseguição (oposição) aos primeiros crentes pentecostais: “Não bastassem as perseguições impostas pela Igreja Católica Romana a todos os protestantes de modo geral, a Igreja AD, ainda sofreu duras perseguições dos próprios protestantes. Os pastores e reverendos, juntamente com os membros não mediam esforços para tentar parar o movimento pentecostal, seja caluniando, com intrigas e delações, e houve até casos de agressões físicas. Quanto mais ataques, mais se percebia que o movimento pentecostal crescia. O ponto mais alto dessas perseguições foi uma matéria publicada no Jornal  que circulava em Belém do Pará por nome de “A Folha do Norte”, cuja matéria tratava de alarmar a população paraense. Dizia-se que tal seita americana pentecostal, por nome AD, praticava exorcismo e outros hábitos perigosos. No entanto essa matéria jornalística, publicada na “Folha do Norte”, serviu para divulgar ainda mais o movimento pentecostal, muitas pessoas por curiosidade procuravam freqüentar os cultos na tentativa de conhecer  novidade,  e foi a razão para um grande crescimento da igreja”.[1]
ENFRENTANDO OS OPOSITORES
A Verdade Prática desta lição (23/10/2011) diz que não devemos nos amedrontar com os que opõem à obra de Deus, porque o Senhor está conosco e por nós batalha. Aprendemos nessa lição que a oração e a vigilância devem ser prioridades na vida cristã, conforme 4.9: “Porém nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda contra eles, de dia e de noite”. Que nenhum opositor, inimigo do evangelho, nos desestimule na caminhada cristã. Por outro lado nosso Senhor disse que não devemos em hipótese alguma olhar para trás na intenção de retroceder: “Mas Jesus lhe replicou: Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus”. Nesse caso lembro-me da carta (Hino 394 – Harpa Cristã) que Frida Vingren escreveu à seu esposo (Gunnar Vingren) num momento de sua vida onde se encontrava desanimado por causa das tribulações e dos muitos opositores:
Sê bom soldado de Cristo Jesus,
Sofrendo as aflições,
Não sufocando a mensagem da cruz,
Nas perseguições;
 Vai Seu amor proclamando,
Novas de paz, sim, levando.
Aos que estão aguardando
A salvação.





[1] ANDRADE, Moisés Germano. Uma história social da Assembléia de Deus: a conversão religiosa como forma ressocializar pessoas oriundas do mundo da criminalidade.


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TEXTO* DA CONFISSÃO DE FÉ GUANABARA

Segundo a doutrina de S. Pedro Apóstolo, em sua primeira epístola, todos os cristãos devem estar sempre prontos para dar razão da esperança que neles há, e isso com toda a doçura e benignidade, nós abaixo assinados, Senhor de Villegaignon, unanimemente (segundo a medida de graça que o Senhor nos tem concedido) damos razão, a cada ponto, como nos haveis apontado e ordenado, e começando no primeiro artigo:
I. Cremos em um só Deus, imortal, invisível, criador do céu e da terra, e de todas as coisas, tanto visíveis como invisíveis, o qual é distinto em três pessoas: o Pai, o Filho e o Santo Espírito, que não constituem senão uma mesma substância em essência eterna e uma mesma vontade; o Pai, fonte e começo de todo o bem; o Filho, eternamente gerado do Pai, o qual, cumprida a plenitude do tempo, se manifestou em carne ao mundo, sendo concebido do Santo Espírito, nasceu da virgem Maria, feito sob a lei para resgatar os que sob ela estavam, a fim de que recebêssemos a adoção de próprios filhos; o Santo Espírito, procedente do Pai e do Filho, mestre de toda a verdade, falando pela boca dos profetas, sugerindo as coisas que foram ditas por nosso Senhor Jesus Cristo aos apóstolos. Este é o único Consolador em aflição, dando constância e perseverança em todo bem. Cremos que é mister somente adorar e perfeitamente amar, rogar e invocar a majestade de Deus em fé ou particularmente.
II. Adorando nosso Senhor Jesus Cristo, não separamos uma natureza da outra, confessando as duas naturezas, a saber, divina e humana nele inseparáveis.
III. Cremos, quanto ao Filho de Deus e ao Santo Espírito, o que a Palavra de Deus e a doutrina apostólica, e o símbolo,[3] nos ensinam.
IV. Cremos que nosso Senhor Jesus Cristo virá julgar os vivos e os mortos, em forma visível e humana como subiu ao céu, executando tal juízo na forma em que nos predisse no capítulo vinte e cinco de Mateus, tendo todo o poder de julgar, a Ele dado pelo Pai, sendo homem. E, quanto ao que dizemos em nossas orações, que o Pai aparecerá enfim na pessoa do Filho, entendemos por isso que o poder do Pai, dado ao Filho, será manifestado no dito juízo, não todavia que queiramos confundir as pessoas, sabendo que elas são realmente distintas uma da outra.
V. Cremos que no santíssimo sacramento da ceia, com as figuras corporais do pão e do vinho, as almas fiéis são realmente e de fato alimentadas com a própria substância do nosso Senhor Jesus, como nossos corpos são alimentados de alimentos, e assim não entendemos dizer que o pão e o vinho sejam transformados ou transubstanciados no seu corpo, porque o pão continua em sua natureza e substância, semelhantemente ao vinho, e não há mudança ou alteração. Distinguimos todavia este pão e vinho do outro pão que é dedicado ao uso comum, sendo que este nos é um sinal sacramental, sob o qual a verdade é infalivelmente recebida. Ora, esta recepção não se faz senão por meio da fé e nela não convém imaginar nada de carnal, nem preparar os dentes para comer, como santo Agostinho nos ensina, dizendo: “Porque preparas tu os dentes e o ventre? Crê, e tu o comeste.” O sinal, pois, nem nos dá a verdade, nem a coisa significada; mas Nosso Senhor Jesus Cristo, por seu poder, virtude e bondade, alimenta e preserva nossas almas, e as faz participantes da sua carne, e de seu sangue, e de todos os seus benefícios. Vejamos a interpretação das palavras de Jesus Cristo: “Este pão é meu corpo.” Tertuliano, no livro quarto contra Marcião, explica estas palavras assim: “este é o sinal e a figura do meu corpo.” Santo Agostinho diz: “O Senhor não evitou dizer: — Este é o meu corpo, quando dava apenas o sinal de seu corpo.” Portanto, (como é ordenado no primeiro cânon do Concílio de Nicéia), neste santo sacramento não devemos imaginar nada de carnal e nem nos distrair no pão e no vinho, que nos são neles propostos por sinais, mas levantar nossos espíritos ao céu para contemplar pela fé o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus, sentado à destra de Deus, seu Pai. Neste sentido podíamos jurar o artigo da Ascensão, com muitas outras sentenças de Santo Agostinho, que omitimos, temendo ser longas.
VI. Cremos que, se fosse necessário pôr água no vinho, os evangelistas e São Paulo não teriam omitido uma coisa de tão grande conseqüência. E, quanto ao que os doutores antigos têm observado (fundamen¬tando-se sobre o sangue misturado com água que saiu do lado de Jesus Cristo, desde que tal observância não tem fundamento na Palavra de Deus, visto mesmo que depois da instituição da Santa Ceia isso aconteceu), nós não podemos hoje admitir necessariamente.
VII. Cremos que não há outra consagração senão a que se faz pelo ministro, quando se celebra a ceia, recitando o ministro ao povo, em linguagem conhecida, a instituição desta ceia literalmente, segundo a forma que nosso Senhor Jesus Cristo nos prescreveu, admoestando o povo quanto à morte e paixão do nosso Senhor. E mesmo, como diz santo Agostinho, a consagração é a palavra de fé que é pregada e recebida em fé. Pelo que, segue-se que as palavras secretamente pronunciadas sobre os sinais não podem ser a consagração como aparece da instituição que nosso Senhor Jesus Cristo deixou aos seus apóstolos, dirigindo suas palavras aos seus discípulos presentes, aos quais ordenou tomar e comer.
VIII. O santo sacramento da ceia não é alimento para o corpo como para as almas (porque nós não imaginamos nada de carnal, como declaramos no artigo quinto) recebendo-o por fé, a qual não é carnal.
IX. Cremos que o batismo é sacramento de penitência, e como uma entrada na igreja de Deus, para sermos incorporados em Jesus Cristo. Representa-nos a remissão de nossos pecados passados e futuros, a qual é adquirida plenamente, só pela morte de nosso Senhor Jesus. De mais, a mortificação de nossa carne aí nos é representada, e a lavagem, representada pela água lançada sobre a criança, é sinal e selo do sangue de nosso Senhor Jesus, que é a verdadeira purificação de nossas almas. A sua instituição nos é ensinada na Palavra de Deus, a qual os santos apóstolos observaram, usando de água em nome do Pai, do Filho e do Santo Espírito. Quanto aos exorcismos, abjurações de Satanás, crisma, saliva e sal, nós os registramos como tradições dos homens, contentando-nos só com a forma e instituição deixada por nosso Senhor Jesus.

X. Quanto ao livre arbítrio, cremos que, se o primeiro homem, criado à imagem de Deus, teve liberdade e vontade, tanto para bem como para mal, só ele conheceu o que era livre arbítrio, estando em sua integridade. Ora, ele nem apenas guardou este dom de Deus, assim como dele foi privado por seu pecado, e todos os que descendem dele, de sorte que nenhum da semente de Adão tem uma centelha do bem. Por esta causa, diz São Paulo, o homem natural não entende as coisas que são de Deus. E Oséias clama aos filho de Israel: “Tua perdição é de ti, ó Israel.” Ora isto entendemos do homem que não é regenerado pelo Santo Espírito. Quanto ao homem cristão, batizado no sangue de Jesus Cristo, o qual caminha em novidade de vida, nosso Senhor Jesus Cristo restitui nele o livre arbítrio, e reforma a vontade para todas as boas obras, não todavia em perfeição, porque a execução de boa vontade não está em seu poder, mas vem de Deus, como amplamente este santo apóstolo declara, no sétimo capítulo aos Romanos, dizendo: “Tenho o querer, mas em mim não acho o realizar.” O homem predestinado para a vida eterna, embora peque por fragilidade humana, todavia não pode cair em impenitência. A este propósito, S. João diz que ele não peca, porque a eleição permanece nele.
XI. Cremos que pertence só à Palavra de Deus perdoar os pecados, da qual, como diz santo Ambrósio, o homem é apenas o ministro; portanto, se ele condena ou absolve, não é ele, mas a Palavra de Deus que ele anuncia. Santo Agostinho, neste lugar diz que não é pelo mérito dos homens que os pecados são perdoados, mas pela virtude do Santo Espírito. Porque o Senhor dissera aos seus apóstolos: “recebei o Santo Espírito;” depois acrescenta: “Se perdoardes a alguém os seus pecados,” etc.
Cipriano diz que o servo não pode perdoar a ofensa contra o Senhor.
XII. Quanto à imposição das mãos, essa serviu em seu tempo, e não há necessidade de conservá-la agora, porque pela imposição das mãos não se pode dar o Santo Espírito, porquanto isto só a Deus pertence. No tocante à ordem eclesiástica, cremos no que S. Paulo dela escreveu na primeira epístola a Timóteo, e em outros lugares.
XIII. A separação entre o homem e a mulher legitimamente unidos por casamento não se pode fazer senão por causa de adultério, como nosso Senhor ensina (Mateus 19:5). E não somente se pode fazer a separação por essa causa, mas também, bem examinada a causa perante o magistrado, a parte não culpada, se não podendo conter-se, deve casar-se, como São Ambrósio diz sobre o capítulo sete da Primeira Epístola aos Coríntios. O magistrado, todavia, deve nisso proceder com madureza de conselho.
XIV. São Paulo, ensinando que o bispo deve ser marido de uma só mulher, não diz que não lhe seja lícito tornar a casar, mas o santo apóstolo condena a bigamia a que os homens daqueles tempos eram muito afeitos; todavia, nisso deixamos o julgamento aos mais versados nas Santas Escrituras, não se fundando a nossa fé sobre esse ponto.
XV. Não é lícito votar a Deus, senão o que ele aprova. Ora, é assim que os votos monásticos só tendem à corrupção do verdadeiro serviço de Deus. É também grande temeridade e presunção do homem fazer votos além da medida de sua vocação, visto que a santa Escritura nos ensina que a continência é um dom especial (Mateus 15 e 1 Coríntios 7). Portanto, segue-se que os que se impõem esta necessidade, renunciando ao matrimônio toda a sua vida, não podem ser desculpados de extrema temeridade e confiança excessiva e insolente em si mesmos. E, por este meio tentam a Deus, visto que o dom da continência é em alguns apenas temporal, e o que o teve por algum tempo não o terá pelo resto da vida. Por isso, pois, os monges, padres e outros tais que se obrigam e prometem viver em castidade, tentam contra Deus, por isso que não está neles o cumprir o que prometem. São Cipriano, no capítulo onze, diz assim: “Se as virgens se dedicam de boa vontade a Cristo, perseverem em castidade sem defeito; sendo assim fortes e constantes, esperem o galardão preparado para a sua virgindade; se não querem ou não podem perseverar nos votos, é melhor que se casem do que serem precipitadas no fogo da lascívia por seus prazeres e delícias.” Quanto à passagem do apóstolo S. Paulo, é verdade que as viúvas tomadas para servir à igreja, se submetiam a não mais casar, enquanto estivessem sujeitas ao dito cargo, não que por isso se lhes reputasse ou atribuísse alguma santidade, mas porque não podiam bem desempenhar os deveres, sendo casadas; e, querendo casar, renunciassem à vocação para a qual Deus as tinha chamado, contudo que cumprissem as promessas feitas na igreja, sem violar a promessa feita no batismo, na qual está contido este ponto: “Que cada um deve servir a Deus na vocação em que foi chamado.” As viúvas, pois, não faziam voto de continência, senão porque o casamento não convinha ao ofício para que se apresentavam, e não tinha outra consideração que cumpri-lo. Não eram tão constrangidas que não lhes fosse antes permitido casar que se abrasar e cair em alguma infâmia ou desonestidade. Mas, para evitar tal inconveniência, o apóstolo São Paulo, no capítulo citado, proíbe que sejam recebidas para fazer tais votos sem que tenham a idade de sessenta anos, que é uma idade normalmente fora da incontinência. Acrescenta que os eleitos só devem ter sido casados uma vez, a fim de que por essa forma, tenham já uma aprovação de continência.
XVI. Cremos que Jesus Cristo é o nosso único Mediador, intercessor e advogado, pelo qual temos acesso ao Pai, e que, justificados no seu sangue, seremos livres da morte, e por ele já reconciliados teremos plena vitória contra a morte.
Quanto aos santos mortos, dizemos que desejam a nossa salvação e o cumprimento do Reino de Deus, e que o número dos eleitos se complete; todavia, não nos devemos dirigir a eles como intercessores para obterem alguma coisa, porque desobedeceríamos o mandamento de Deus. Quanto a nós, ainda vivos, enquanto estamos unidos como membros de um corpo, devemos orar uns pelos outros, como nos ensinam muitas passagens das Santas Escrituras.
XVII. Quanto aos mortos, São Paulo, na Primeira Epístola aos Tessalonicenses, no capítulo quatro, nos proíbe entristecer-nos por eles, porque isto convém aos pagãos, que não têm esperança alguma de ressuscitar. O apóstolo não manda e nem ensina orar por eles, o que não teria esquecido se fosse conveniente. S. Agostinho, sobre o Salmo 48, diz que os espíritos dos mortos recebem conforme o que tiverem feito durante a vida; que se nada fizeram, estando vivos, nada recebem, estando mortos.
Esta é a resposta que damos aos artigos por vós enviados, segundo a medida e porção da fé, que Deus nos deu, suplicando que lhe praza fazer que em nós não seja morta, antes produza frutos dignos de seus filhos, e assim, fazendo-nos crescer e perseverar nela, lhe rendamos graças e louvores para sempre. Assim seja.
Jean du Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon, André la Fon.
* Extraído de Paulo R. B. Anglada, Sola Scriptura: A Doutrina Reformada das Escrituras (São Paulo: Editora Os Puritanos, 1998), 190-197.
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PESQUISA: MAIORIA DOS PASTORES DIZEM MÓRMONS NÃO SÃO CRISTÃOS

A LifeWay Research, afiliada com a Convenção Batista do Sul, divulgou uma pesquisa no domingo perguntando aos pastores protestantes americanos se eles concordam com a afirmação, “eu pessoalmente considero que os Mórmons (Igreja dos Santos dos Últimos Dias) são Cristãos”.
Três quartos ou 75 por cento discordaram com a afirmação, incluindo 60 por cento que fortemente discorda e 15 por cento que discordam parcialmente. Somente 11 por cento concordaram parcialmente, 6 por cento concordaram e 9 por cento não sabiam.
Ed Stetzer, presidente da LifeWay Research, disse em um comunicado, “Uma pessoa pode respeitar um grupo religioso e até mesmo apreciar o seu compromisso com os valores morais sem igualar suas crenças com a ortodoxia cristã”.
A pesquisa foi lançada na esteira de uma polêmica que surgiu quando o Pastor Robert Jeffress disse na Reunião da Cúpula de Valores do Eleitor que o mormonismo é um “culto”. Jeffress fez um comentário no evento onde os candidatos à presidência do Partido Republicano Mitt Romey, um mórmon, estava participando.
Jeffress apoia a campanha do governador do Texas Rick Perry, dizendo a Jim Acosta da CNN, “Eu acho que Mitt Romey é bom, homem de moral, mas eu acho que aqueles de nós que são seguidores de Cristo, nascidos novamente devem sempre preferir um competente Cristão do que um não Cristão como Mitt Romey”.
A questão de se os Mórmons são Cristãos é mais do que um problema nessa eleição porque não somente um, mas dois candidatos à presidência do Partido Republicano são Mórmons. Além de Romey, o ex-governador de Utah, John Hunstaman também é um Mórmon.
Uma pesquisa da Gallup no início deste ano encontrou que 76 por cento dos americanos disseram que votariam em uma pessoa bem-qualificada, que passe a ser um Mórmon para presidente.
Mas na mesma pesquisa, foi dado ao público outras opções hipotéticas sobre se eles votariam em um negro, católico, batista, judeu ou hispano para presidente; todos esses grupos tiveram melhor qualificação do que um Mórmon para presidente. As duas categorias que foram piores foram para gays, lésbicas e ateus para presidentes.
De acordo com o estudo de 2009 pela Pew Research Center, os Mórmons compõem 1,7 por cento da população adulta dos EUA. Comparado a isto, os protestantes evangélicos representam 26 por cento e católicos romanos representam 24 por cento da população. Utah é o estado com a maior população de Mórmon, com 56 por cento da população geral. Além de Romey e Huntsman, outros Mórmons nos EUA incluem o Líder da Maioria do Senado dos EUA, Harry Reid e Glenn Beck, apresentador conservador de talk show.
A pesquisa LifeWay Research foi conduzida por telefone de 7 a 14 de outubro, 2010.
Fonte: The Christian Post

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

NOMES DIVINOS DADOS AO ESPÍRITO SANTO

Por Gilson Barbosa

Para que saibamos quem é o Espírito Santo, vejamos os nomes que lhe foram conferidos:

Espírito de Deus

Este título subentende que o Espírito Santo, em tudo o que faz, executa explicitamente sua divindade. A criação e a preservação do universo, como já vimos, dependeram e dependem da ação do Espírito Santo. A ação do Espírito Santo se deu tanto na esfera física quanto na esfera moral. Os pecadores são convertidos ao evangelho pela atuação do Espírito Santo, como dizem as Escrituras em João 16.8: “E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo”.

Não há dúvidas de que o Espírito é absolutamente divino. Já vimos que os atributos (incomunicáveis) aplicados a Ele abrangem sua onisciência, onipotência, onipresença, eternidade etc. Ele participou da obra da criação, da regeneração e da ressurreição; faz parte da Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo, como lemos na bênção apostólica: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém” (2Co 13.13), e na grande comissão: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19).

O leitor não deve confundir este nome – “Espírito de Deus” – assim como fazem as Testemunhas de Jeová, que pensam tratar-se de uma força, energia que Jeová envia para criar, auxiliar ou transmitir poder. O Espírito de Deus também não é o próprio Deus Pai, pois se assim dissermos, estaríamos coadunando com o pensamento modalista, em que há o entendimento da Trindade como sendo três processos, ou seja, a manifestação de uma mesma pessoa em épocas diferentes.

O Espírito Santo é distinto do Deus Pai, isto é, não é a mesma pessoa. Ao mesmo tempo em que o Espírito é um com Deus em divindade, Ele é distinto de Deus em sua personalidade, este é o grande mistério da Trindade.

Espírito de adoção

Aqui vale uma pergunta: Será que todos (a humanidade) são filhos de Deus? Vejamos o correto entendimento do conceito de filiação com Deus.

João afirma que somente os que aceitam a Jesus e crêem de fato no seu nome são filhos de Deus: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome” (Jo 1.12). Para que o pecador faça parte da família divina, ele tem de receber Jesus como Salvador, reconhecer seus pecados e se arrepender de sua velha vida para que, só então, seja chamado de “filho de Deus”. Então, somos aceitos por Deus como filhos adotivos, pois é o Espírito Santo que testifica que somos filhos de Deus. O fato de sermos chamados de filhos adotivos de Deus não implica em desvalorização de nossa relação com Deus: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Rm 8.15; grifo do autor).

Espírito Santo

Os três processos da salvação consistem na justificação, regeneração e santificação, portanto, o próprio nome do Espírito Santo já deixa subentendido que é Ele quem opera a obra da santificação na vida do pecador. A santificação não é um processo legalista, como muitos interpretam, antes, uma separação do sistema iníquo e depravado do mundo, pela qual o pecador passa a viver em plena comunhão com Deus. Esta idéia é tão evidente na vida do cristão que a Bíblia relata o seguinte, concernente às impurezas sexuais: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19).

O Espírito da promessa

Podemos dizer que o Espírito Santo é chamado assim porque foi prometido no Antigo Testamento.

Vejamos alguns exemplos que ratificam que o Espírito Santo havia sido prometido: Joel 2.28 vaticina: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões”. Ezequiel 36.27 também diz: “E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis”.

Jesus, antes de ascender ao céu, afirmou: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder”. Lucas enfatiza o mesmo em duas ocasiões: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1.8, V. tb. Lc 24.49). Esta promessa se cumpriu no capítulo 2.4 de Atos dos Apóstolos: “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”.

Espírito de verdade

“O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós” (Jo 14.17). Todas as palavras e ensinamentos de Cristo Jesus são revelados plenamente mediante a pessoa do Espírito Santo, isto porque é E1e que fielmente e verdadeiramente representa a pessoa e os ensinos de Jesus.

A Bíblia relata acerca do Espírito Santo: “Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16.13; grifo do autor).

O Espírito Santo está interessado que o homem saiba das verdades de Jesus e, para que o homem possa entender o propósito de Cristo, o próprio Espírito Santo interpreta esta verdade. O Espírito Santo não fala de si mesmo, mas de Cristo. A função e o objetivo do Espírito Santo são revelar a Cristo.

Espírito da graça

O único que tem poder para transformar, tocando e sensibilizando o ser humano, é o Espírito da graça: “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (Hb 10.29; grifo do autor). Por isso, tratar o Espírito Santo com indiferença é distanciar-se da graça de Deus, pois Ele permite e dá condições ao homem para que se arrependa de seus pecados. O profeta Zacarias afirmou: “Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito” (Zc 12.10; grifo do autor).

Espírito de Cristo

O leitor tem de compreender que os nomes do Espírito Santo designam o seu ministério, e nisto não há confusão. Assim como há um só Deus e um só Cristo, assim também há um só Espírito Santo que opera de variadas formas. O texto de 1 Coríntios 12.11 é contundente em dizer que “um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer”. O Espírito Santo foi enviado para representar a pessoa de Cristo. Ele veio em nome de Cristo: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26). No momento em que o ser humano aceita a Jesus Cristo como Salvador, o Espírito é comunicado em sua vida e vem habitar dentro dele, exaltando a Cristo: “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.14). As duas pessoas, tanto Cristo como o Espírito Santo, habitam dentro do cristão. Veja:

Cristo habita no crente: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2.20; grifo do autor).

O Espírito Santo também habita no cristão: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9; grifo do autor).

Consolador

Consolador é um dos nomes mais conhecidos do Espírito Santo. Vejamos o emprego deste nome em alguns versículos.

Certa feita, por causa da anunciação da morte de Cristo, os discípulos se encontravam abatidos, mas o próprio Jesus os animou com as seguintes palavras: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16; grifo do autor).

Por que o Espírito Santo é chamado de outro Consolador? Porque, assim como Jesus estava sempre ao lado de seus discípulos no seu ministério terreno, o Espírito Santo agirá da mesma forma. Jesus disse que, após a sua partida, o Espírito estaria ao lado dos discípulos para os confortar e capacitar para a grande tarefa que fariam. Imagine Paulo e Silas açoitados e aprisionados, mas cantando? Isso ocorreu por intermédio do Consolador, o Espírito Santo.

No grego, a palavra “consolador” é parácléctos, que remete a alguém chamado para ficar ao lado de outro para o ajudar, principalmente nos processos forenses. O teólogo Myear Pearlmam explica que “era costume nos tribunais antigos as partes aparecerem no tribunal assistidas por um ou mais dos seus amigos mais prestigiosos, que no grego chamavam ‘parácleto’, e em latim, ‘advocatus’. Estes seus amigos compareciam no tribunal, não pela recompensa ou remuneração, mas por amor e consideração. A vantagem da sua presença pessoal era a ajuda de seus sábios conselhos. Eles orientavam seus amigos quanto ao que deviam dizer e fazer; falavam por eles; representavam-nos, faziam da causa de seus amigos sua própria causa; amparavam-nos nas provas, dificuldades, e perigos da situação”.
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terça-feira, 18 de outubro de 2011

CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL (Parte IV - Doutrina)

O SACERDÓCIO CRISTÃO


Falou também o Senhor a Arão, dizendo: Não bebereis vinho nem bebida forte, nem tu nem teus filhos contigo, quando entrardes na tenda da revelação, para que não morrais; estatuto perpétuo será isso pelas vossas gerações, não somente para fazer separação entre o santo e o profano, e entre o imundo e o limpo (Lv 10.8-10).
De acordo com o texto de Levítico nenhum sacerdote deveria beber bebida alcoólica, a fim de desempenhar suas funções sacerdotais diante de Deus. A pergunta é: Isso é também para a Igreja de Jesus? Leiamos: Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (IPe 2.9). O apóstolo Pedro está falando a respeito da Igreja de Jesus e notem que ela é chamada de “sacerdócio real”. Deus levantou uma Igreja sacerdotal, ou seja, intercessora que ora em favor do mundo. E é claro que o nosso Deus que da Lei trouxe a graça não mudou seus padrões de santidade e requerem de nós as mesmas coisas. Vejamos ainda: “... e nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos. Amém” (Ap 1.6). “... e para o nosso Deus os fizeste reino, e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” (Ap 5.10).
Quando aceitamos o Senhor Jesus como sendo nosso único salvador nos tornamos sacerdotes de Deus. E como tais, devemos cumprir a Palavra que diz: “Não bebereis vinho nem bebida forte” (Lv 10.8).
Em nossa cidade temos várias casas de recuperação de alcoólatras e muitas delas não são religiosas. Em conversa com alguns que lideram essas casas fiquei surpreso com as suas convicções. Disseram-me que uma das maiores hipocrisias da sociedade é o “beber socialmente”. Continuou dizendo-me que todo alcoólatra começou com uma pequena dose de cerveja por exemplo. Alguns até gostariam que fosse crime o consumo dessas bebidas, visto que fazem mais mal que outras drogas proibidas. Veja o depoimento de José M. de Melo, ex-alcoólatra, hoje ministro do evangelho:
“A incontestável realidade é que o beber apenas um aperitivozinho diariamente não nos outorga nenhum privilégio. Preferível lhe seria... sofrer uma terrível e nauseante ‘ressaca’, por embriagar-se desenfreadamente uma única vez na vida, que paulatinamente ir sendo envolvido pelo álcool...” (Da Escravidão Alcoólica à Libertação Cristã; pág. 21 ed. 1982 - itálico do original)
Como cristão, ao ouvir esses depoimentos, fiquei mais convicto que devemos nos abster desse veneno que é a bebida. Como sacerdote de Deus, não tenho dúvidas quanto ao álcool.
Meu ministério sacerdotal não pode ser quebrado por esse repugnante vício. Você que é servo de Deus não deve se envolver com esse mal e sim tirar os que nele estão envolvidos. Imagina como alguém que bebe poderá pregar e dar bom testemunho à um viciado que se encontra possuído pelo álcool ? Dizer que Jesus liberta? Isto seria bater de frente com Romanos cap.2 que afirma o seguinte:

21 “tu, pois, que ensinas a outrem, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?”
22 “Tu, que dizes que não se deve cometer adultério, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, roubas os templos?”
23 “Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei?” Ainda que a doutrina de sua “Igreja” permita tal coisa, a Palavra de Deus, contudo é mais forte que todas as doutrinas humanas. E digo mais, se a sua igreja aceita o “beber socialmente”, isto não é um bom sinal de saúde espiritual!!!

A CCB ALEGA QUE SÓ O SEU BATISMO É CORRETO


A CCB não reconhece o batismo efetuado por ministros do Evangelho de outras denominações, mesmo que seja por imersão, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28.19). Não condenamos a fórmula adotada pela CCB para batizar os seus adeptos. É verdade que não concordamos com a maneira pela qual ela ministra o batismo nas águas, ou seja, o candidato ao batismo não recebe nenhum devido preparo ao se batizar, há pessoas que se batizam ainda com vícios e que não teve uma experiência do novo nascimento, ficando à mercê do sentimentalismo, pois acreditam que se Deus tocar na pessoa na hora do batismo, ela pode naquele momento ser batizada e ser salva, fazem isso devido a uma má compreensão do texto bíblico de Atos 2.38, acreditam que as águas purificam pecados. Todavia, não desmerecemos tal batismo. A problemática toda recai nos argumentos levantados pela CCB, para não reconhecer o batismo de outras denominações. Analisemos os principais:

- O batismo de outras comunidades cristãs evangélicas está errado, porque utilizam a expressão “eu te batizo”. A CCB entende que ao dizer “eu te batizo” é a carne que opera, o homem, colocando-se na frente de Deus.
- O batismo só é valido se efetuado com está formula: “Em nome do Senhor Jesus te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.
- O batismo da CCB purifica o homem do pecado.

RESPOSTA: O primeiro argumento da CCB é de uma pobreza descomunal: Ora, qual a diferença entre a expressão, “eu te batizo”, e a da CCB, “te batizo”? Na primeira expressão o sujeito está explícito; na segunda o sujeito está oculto. Das duas, uma: Ou a CCB pensa que no ato batismal não é o homem que batiza, mas Deus, ou eles não conhecem a língua portuguesa! É claro que é o homem que efetua o batismo, pois Jesus mandou que os discípulos assim o fizessem. Além disso, se, pelo fato de utilizar a expressão “eu te batizo”, estivéssemos errados e ofendendo a Deus, então João Batista não estaria certo tão pouco quando batizou Jesus, pois naquela ocasião usou a seguinte expressão: “Eu vos batizei em água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo” (Mc 1.8) e “Eu, na verdade, vos batizo em água” (Mt 3.11). Será que a CCB acha que João Batista estava errado também?
O segundo argumento da CCB acerca da fórmula batismal é uma prova da falta de conhecimento Bíblico e teológico. Eles criaram uma fórmula que não existe nas escrituras. A menção do batismo em nome de Jesus (Atos 2.28; 8.16; 10.48 e 19.5) encontra-se em passagens que não tratam da fórmula batismal, e, sim, de atos ou eventos feitos em nome de Jesus, pois tudo o que é feito em nossas vidas é em nome de Jesus. Veja o que diz o apóstolo Paulo em Colossenses 3.17: “E tudo quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai”. O cristão quando se reúne, se reúne em nome de Jesus; Quando louva a Deus com cânticos, louva em nome de Jesus; Quando apresentamos uma criança, apresentamos em nome de Jesus;... e quando realizamos um batismo, realizamos em nome de Jesus, mas de acordo com a fórmula dada por Cristo: “Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo” (Mt 28.19). Os textos do livro de Atos só nos mostram essa realidade e não uma fórmula batismal; veja: “Em nome de Jesus Cristo” (At 2.38); “em nome do Senhor Jesus” (At 8.16). Se essas passagens revelassem a fórmula batismal, seriam iguais, pois qualquer fórmula é padronizada. O que a Palavra está dizendo é que as pessoas eram batizadas na autoridade do nome do Senhor Jesus, mesmo porque não é possível que Pedro, pouco tempo depois da ordem de Jesus, em Mateus 28.19, agisse de modo tão diferente, alterando a fórmula batismal.
O terceiro argumento é de que o batismo, na CCB, purifica o homem do pecado. Tal afirmação é desqualificada, sem base bíblica, basta somente um pequeno versículo bíblico como o de I João 1.7 para lançar por terra essa heresia medieval: “... e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado”. A Bíblia deixa bem clara essa questão. O que nos purifica é somente “O SANGUE DE JESUS CRISTO”. Em Marcos 16.16 é dito que: “Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado”. Não é dito que quem não crer e não for batizado será condenado, mas apenas quem não crer. O ladrão da cruz não teve tempo para se batizar, mas creu no Senhor, recebeu a remissão dos seus pecados pelo seu sangue e foi salvo (Lc 23.43).

ORAÇÃO SÓ DE JOELHOS?


A Bíblia diz: “Orai sem cessar” (I Ts 5.17). Na CCB os crentes são obrigados a orar somente ajoelhados. Não podem obedecer ao texto citado, pois para obedecê-lo teriam de permanecer ajoelhados sem cessar. Tentam os líderes da CCB provar com Filipenses 2.10 que somos obrigados a orar somente ajoelhados. Esse texto refere-se ao fim, quando todos, crentes e ímpios, terão de reconhecer Jesus como Senhor e terão de dobrar seus joelhos em sua presença.
A respeito da oração e sobre a posição que se deve orar citaremos alguns textos:

a) Jesus orou em pé, diante do túmulo de Lázaro, e sua oração foi ouvida (Jo 11. 41,42). Portanto orar em pé não é pecado.
b) Jesus orou na cruz (Lc 23. 34-46).
c) O profeta Jonas orou no ventre de um grande peixe (Jn 2).
d) O rei Ezequias orou deitado e Deus ouviu-lhe o clamor (II Rs 20.1-5), provando assim que Deus não olha para a posição do corpo, mas para o coração.
e) O publicano orou em pé e desceu justificado para casa (Lc 18.13, 14).
f) O cego de Jericó orou assentado à beira do caminho e recebeu o milagre (Mc 10.46-52).

Observando tudo isto, chegamos à conclusão lógica: NÃO É A POSIÇÃO DO CORPO QUE INTERESSA PARA DEUS; É A ATITUDE INTERNA QUE IMPORTA. Todos oramos ajoelhados, porém, não somos como a CCB que só podem orar ajoelhados. Somos livres para orar da maneira mais favorável, sem cessar, em qualquer lugar. Imagine as pessoas que tem problemas físicos como por exemplo, os paraplégicos que não podem ajoelhar, será que Deus não ouviria a oração de tais pessoas ? Veja a incoerência das doutrinas inventada pela CCB!

PRATICAM O ÓSCULO SANTO


A Bíblia mostra, em algumas epístolas, que os irmãos se saudavam com um beijo no rosto em sinal de cordialidade e cumprimento (Rm 16.16). Era um costume da época, como o nosso hoje, de saudar uns aos outros com um aperto de mão. O ósculo não é colocado como uma doutrina ou ensinamento, mas apenas como um gesto de cordialidade que deveria e deve haver entre os irmãos. Em nossas igrejas o povo é livre para saudar, não frisamos o ósculo pelo fato da inconveniência. A Bíblia nos ensina a evitar a aparência do mal (I Ts 5.22). Na nossa sociedade, homem beijando homem é um tanto escandaloso, sendo uma prática homossexual. Não queremos causar escândalos a ninguém (Rm 14. 13) e por isso evitamos a prática do ósculo. Também é mostrado na Bíblia que essa prática do ósculo não era prática somente entre homens e homens e mulheres com mulheres, mas sim entre todos os irmãos independentemente do sexo. “Saudai-vos uns aos outros com ósculo santo”. (Rm 16.16). Para o apóstolo Paulo todos eram iguais perante Deus não havendo homem ou mulher (Gl 3.27, 28). O beijo ou ósculo, que é tão venerado pelos membros da CCB, foi parte de uma história triste, onde Judas com um beijo traiu o Senhor: “Jesus, porém, lhe disse: Judas, com um beijo traís o Filho do homem?” (Lc 22.48). Ademais disso os membros da CCB para serem coerentes deveriam saudar-se nas ruas com osculo santo, pois assim faziam os primeiros cristãos. Mas não o fazem porque o consideram inconveniente. A bem da verdade, essa prática está sujeita à malicias se tornando indiscreta para o povo de Deus hoje em dia!

A CCB E O PECADO CONTRA O ESPÍRITO SANTO


Entendem que o adultério é o pecado contra o Espírito Santo de que fala a Bíblia. Grande porcentagem de desviados e até andarilhos e mendigos que já conheci, são desviados principalmente da CCB por ter achado que não têm mais perdão, pois pecaram contra o Espírito Santo.

O que é blasfêmia contra o Espírito Santo?

Conforme a popularidade de Jesus crescia, seus inimigos procuravam, desesperadamente, meios para explicar seus maravilhosos poderes. Finalmente, decidiram alegar que ele expulsava demônios pelo poder do próprio Satanás (Mt 12.22-32; Mc 3.22-30; Lc 11.14-23). Jesus respondeu com três argumentos e uma advertência.
Seus argumentos foram os seguintes:

1. Satanás não atacaria a si mesmo, pois ninguém luta contra si mesmo.
2. Se eu expulso demônios por Satanás, como seus filhos os expelem?
3. Para roubar a casa de um homem forte, tem-se primeiro que amarrá-lo.

Expulsando demônios, estou amarrando Satanás, de modo que eu possa cumprir minha missão de resgatar àqueles que Satanás mantém cativos.
Sua advertência foi: “Em verdade vos digo que tudo será perdoado aos filhos dos homens: os pecados e as blasfêmias que proferirem. Mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não tem perdão para sempre, visto que é réu de pecado eterno”. (Mc 3.28-30).
O que é este pecado imperdoável? Muitos trechos ensinam que é possível ir tão longe de Deus que não se pode retornar. Paulo adverte sobre consciências insensíveis (1 Tm 4.2). Hebreus fala de corações endurecidos (capítulo 3) e daqueles que não podem ser trazidos de volta ao arrependimento (capítulo 6). João fala daqueles cujos pecados levam à morte, uma vez que eles se recusam a se arrependerem e a confessá-los (I Jo 5.16, 17). O próprio Jesus fala do solo que foi pisoteado e compactado ao ponto em que nenhuma semente pode germinar (Lc 8.5). Cada passo que damos afastando-nos de Deus aproxima-nos do ponto sem retorno. Podemos perder o poder moral para mudar e voltar ao Senhor.
O problema, naturalmente, não está na vontade de Deus de perdoar o pecador (Lc 15; II Pd 3.9). Deus alegremente aceita e perdoa a todos que se arrependem. O problema está em que alguns rejeitam cada tentativa de Deus para motivar o arrependimento. Depois que Jesus deixou a terra, o Espírito Santo veio para revelar a mensagem final da salvação. Para aqueles que a recusam e se voltam contra o Espírito Santo, Deus não tem nenhum outro plano. Não há outro sacrifício pelo pecado (Hb 10.26-31). Aqueles cujo estado endurecido faz com que recusem o rogo final de Deus, nunca serão perdoados. Esta é a blasfêmia contra o Espírito Santo. Queira Deus conceder-nos corações tenros para prontamente responder à sua palavra.

A CCB ALEGA QUE A SUA SAUDAÇÃO É A ÚNICA CERTA


- A paz do Senhor irmão!
- Amém!
O diálogo acima é um exemplo corriqueiro de quem quer ter comunhão com um membro da CCB. Repare que eles não devolvem a paz (Lc 10. 5,6), mas um amém, por que acreditam que nossa saudação está incorreta.
Se formos seguir a atitude preconceituosa dos adeptos da CCB, a saudação adotada por eles seria passível de questionamento, o que não ocorre pelo fato de os evangélicos, de maneira geral, respeitarem os costumes de outras igrejas. A CCB nos acusa e critica por usarmos a forma de saudar com a “Paz do Senhor” em hebraico “Shallon Adonay”. Citam para justificar esse conceito a seguinte expressão: “Devemos saudar com a paz de Deus, e nunca com a paz do Senhor, porque existem muitos senhores, mas Deus é um só”. Essa acusação da CCB se desfaz em pó com somente um versículo que Paulo escreveu na primeira carta aos coríntios 8:5 e 6, que diz: “Pois, ainda que haja também alguns que se chamem deuses, quer no céu quer na terra (como há muitos deuses e muitos senhores), todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual existem todas as coisas, e por ele nós também”. Esse conceito da CCB não procede é no mínimo perigoso, pois a saudação deles de “Shallon El” é um termo genérico “El” em hebraico significa pode se referir a qualquer Deus enquanto que “Adonay” não, só se refere ao Deus dos Israelitas. Não discordamos da CCB por ter adotado a forma “paz de Deus” para cumprimentar, mesmo porque é bíblica. O que não podemos de maneira alguma aceitar é a atitude discriminatória de seus adeptos, que pensam que por saudarem com a forma que eles adotaram, estarão num patamar espiritual mais elevado, condenando todas as demais saudações. Para seguirmos a risca os preceitos bíblicos teríamos que saudar com “graça e paz”, pois foi a saudação mais usada nas epistolas!

FLAGRANTE ANALOGIA


Não podemos deixar passar despercebido a incrível semelhança entre a Congregação Cristã no Brasil e a congregação de Coríntios. Não seria nada injusto taxá-la de neocorintiana, visto que os mesmos problemas que existia na igreja dos Coríntios existe atualmente na CCB. Suas práticas e doutrinas e costumes são idênticos.
O apóstolo escreveu suas duas epístolas justamente para corrigir equívocos e desvios doutrinários dentro da novel igreja. Analisemos agora a comparação.

1. Paulo tinha problemas com aquela igreja no tocante ao orgulho espiritual de possuir muitos dons, mas, no entanto permaneciam carnais, dando mau testemunho aos de fora 1.7; 3.1.
2. Eles ultrapassavam os ensinamentos bíblicos 4.6.
3. Possivelmente tinha o batismo como primazia, daí a advertência do apóstolo 1.14,17.
4. Não possuíam pastor foi preciso o apostolo enviar-lhes um 16.10.
5. Eram contra o salário do pastor 9.6-14.
6. Eram contra o preparo intelectual e o estudo tendo Paulo que alertar sobre isso II Co 8.7; 11.6.
7. O uso do véu 11.1

Esses são apenas alguns dos pontos em que a CCB clonou da igreja de Corinto!
É bom frisarmos que aquela igreja era uma igreja deficiente devido a inúmeros erros doutrinários, e não era de forma alguma, uma igreja que pudesse servir de exemplo para as demais!

PECULIARIDADES DA CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL


A CCB possui ainda outras práticas particulares além das que já foram expostas acima, que a distancia ainda mais das igrejas evangélicas. Vejamos:

- A ceia do Senhor é celebrada anualmente com um só pão sempre partido com a mão e também com um só cálice, jogando depois, as sobras em qualquer rio.
- Cerimônias de casamento não se realizam no templo. O crente da CCB não deve participar de casamentos de pessoas não pertencentes a CCB, isso seria participar de coisas sacrificadas aos ídolos.
 - Cerimônias fúnebres são proibidas nos templos.
 - Acreditam na doutrina anti-biblica do sono da alma no intervalo entre a morte e a ressurreição.
 - Mulheres não podem pregar na CCB, pois acreditam que a Bíblia lhes vetou este direito, se bem que no início do movimento as mulheres tinham esse privilégio.
 - Na liturgia do culto só aceitam instrumentos de sopro ou fôlego, alegam isso com base no Salmo 150:6.
 - Nos templos há separação entre homens e mulheres.
 - Proibição de fotografarem durante os cultos.
- Proibição de os membros assistirem cultos em outras igrejas.
- Não possuem livros didáticos ou de quaisquer espécies, salvo um livreto que contêm a história e as doutrinas da CCB.

CONCLUSÃO


Após essa análise crítico-teológica que fizemos da CCB não pense o leitor que declaramos guerra a esta igreja. Muito pelo contrário, adotamos o conselho bíblico “Instrui ao sábio, e ele se fará mais, sábio; ensina ao justo, e ele crescerá em entendimento”. (Pv 9.9).

Partindo dessa premissa acreditamos piamente que estamos ajudando muitos a enxergar além das lentes da CCB e perceber os erros e desvios doutrinários que é endossado pela sua igreja.
Oramos também, para que Deus aumente o entendimento de seus membros ao procurarem a palavra de Deus, que o orgulho carnal caia por terra e venhamos a ter comunhão como irmãos e não como primos. Graças a Deus que essa nova geração da CCB não apresenta uma mente tão fechada como são as dos mais antigos, devido as inúmeras crendices que são espalhadas entre seus congregados. Muitos deles até se sentem ofendidos com os pontos expostos acima. E não lhes tiramos esse direito. Sentem-se assim, por não serem coniventes com essas heresias. Aliás, há até e-mails de membros da CCB criticando nossos estudos em relação à sua igreja, mas infelizmente esse percentual ainda é minoria, uma quantidade inexpressiva, pois a maioria continua ainda praticando essas anomalias e se achando melhores que os outros cristãos!.
Bibliografia

DEFESA DA FÉ - Edição especial de 1998
DEFESA DA FÉ - Edição 1998 n8
VINTE RAZÕES POR QUE NÃO PERTENÇO A Congregação Cristã no Brasil - Justus
CONHECENDO A CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL S.V MILTON
ERROS DOUTRINÁRIOS DA CONGREGAÇÃO CRISTÃ NO BRASIL (apostila) Natanael Rinaldi -ICP
LIÇÕES BIBLICAS CPAD 1995 1 trimestre 1997, 2 e 4 trimestres.
BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL - CPAD
TEOLOGIA SISTEMÁTICA - STANLEY M. HORTON CPAD
ANOTAÇÕES PARTICULARES DO AUTOR
PENTECOSTALISMO NO BRASIL Profa. Yara Nogueira Monteiro
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