quinta-feira, 19 de julho de 2012

VIOLÊNCIA SOCIAL (Subsidio EBD)

Por Gilson Barbosa

É inegável que vivemos um tempo de extrema violência. Crimes, guerras, escravidão, terrorismo, abortos, revoluções políticas, a “sagrada inquisição”, são alguns retratos da violência social. Porém, ela não é um fenômeno dos tempos atuais. Logo no início da humanidade, antes do Dilúvio, a Bíblia afirma que “havia violência por toda a parte” e que a terra naquela época estava “cheia de violência” (Gênesis 6:11, 13 – versão na Linguagem de Hoje). A violência daquela época não se caracterizava apenas pela agressão física, mas, por todo o tipo de impiedade. Outras versões da Bíblia Sagrada anota, no texto bíblico acima citado, a palavra corrupção em vez de violência. Muitas pessoas entendem a violência ou a conhecem apenas como agressão física, mas, há muitas tipologias de violência.

Não é tarefa fácil conceituar a violência, pois, segundo Gro Harlem Brundtland, Diretora Geral da Organização Mundial da Saúde no ano de 2002, “A violência é um problema complexo, relacionado a padrões de pensamento e comportamento que são formados por uma multidão de forças dentro das nossas famílias e comunidades, forças essas que, ainda, podem transcender as fronteiras nacionais”.

Em 2002 foi elaborado o “Relatório Mundial sobre Violência e Saúde”, onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a violência como “um dos principais problemas mundiais de saúde pública”.  

Mesmo sendo difícil definir a violência, creio que a melhor é aquela que define tanto a intencionalidade quanto o ato em si da violência. Ameaças, privações, uso abusivo e distorcido do poder, negação, caracterizam a intenção do agente causador provocando danos psicológicos. Já o uso da força física causará lesão e morte. Desta forma opto pela OMS que a define como:

O uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação.

Recentemente o público brasileiro passou a aceitar com normalidade o Mixed Martial Arts – MMA. Evidentemente é uma estratégia do presidente do UFC (Ultimate Fighting Championship, uma organização americana de artes marciais mistas ou MMA - Mixed Martial Arts.), Dana White, das empresas patrocinadoras, e das Comunicações Globo, alavancar a luta no Brasil, atrair público e com isso aumentar seus ganhos financeiros. Mas, o que quero destacar dessas lutas são a brutalidade e violência que se leva para dentro do ringue, octógono, palco, etc. Ainda que muitos simpatizantes chamem-na de esporte, na verdade não passa do despejar da ira, raiva e violência dos que se gladiarão até que o sangue apareça na face do combatente, causando lesão e porque não dizer até mesmo morte. Como cristãos não devemos apoiar nem nos simpatizar com essa violência toda perpetrada nessas lutas. É certo que existem “regras”, mas, não importa, é violento do mesmo jeito.

A violência pode ser dividida em três grandes categorias: a auto-infligida, a interpessoal e a coletiva. A violência auto-infligida se traduz em comportamento suicida, automutilação, autoflagelação, autopunição. É aquela onde a pessoa se auto violenta. A violência interpessoal acontece nas relações com o outro. Pode ser no âmbito familiar ou externo. Aqui ela poderia ser subdividida em violência moral, patrimonial e verbal. Já a violência coletiva está presente no âmbito social, político e econômico. Os estudiosos falam na institucionalização da violência. Nesse sentido nada mais é do que o abuso do poder, negligência, maus-tratos e omissão das instituições sociais, políticas e econômicas. Encontramos muito desse tipo de violência, por exemplo, nos hospitais públicos (Leia Aqui) ou na maneira como a polícia aplica sua força no combate à própria violência.   
    
Quanto à natureza dos atos violentos elas podem ser de ordem física, sexual, psicológica, maus tratos e abandono. Segundo o Ministério da Saúde[1] muitas são as formas e naturezas das violências apontadas por vários estudiosos. Destacam-se:

• Física: São atos violentos com uso da força física de forma intencional, não acidental, com o objetivo de ferir, lesar, provocar dor e sofrimento ou destruir a pessoa, deixando, ou não, marcas evidentes no seu corpo.

• Psicológica: É toda forma de rejeição, depreciação, discriminação, isolamento, desrespeito, cobranças exageradas, punições humilhantes e utilização da pessoa para atender às necessidades psíquicas de outrem. É toda ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação do indivíduo ou qualquer conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação, ou que coloque em risco ou cause dano à auto-estima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa. Esse tipo de violência também pode ser chamado de violência moral. Um dos tipos de violência psicológica ou moral é o “assédio moral”, que ocorre a partir de relações de poder entre patrão e empregado ou entre colegas de trabalho.

• Sexual: É qualquer conduta que constranja, a presenciar, manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça coação ou uso da força; comercializar ou utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade; impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que force um matrimônio, à gravidez, ao aborto, à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. Tal pratica é considerada crime, mesmo se exercida por um familiar, seja ele, pai, mãe, padrasto, madrasta, companheiro(a), esposo(a), irmão(ã).

• Negligência/abandono: Decorre de uma omissão ou ação. É deixar de prover as necessidades e cuidados básicos para o desenvolvimento físico, emocional e social da pessoa. O abandono é considerado uma forma extrema de negligência.

Quanto às causas da violência os estudiosos atribuem à personalidade animalesca e primitiva do homem (como a teoria da evolução). Nesse sentido o homem nada mais é do que resultado da evolução animal. Não há nada de especial no homem e em alguns casos ele agirá conforme seus instintos mais inferiores. Outros atribuem ao determinismo biológico do ser humano. O determinismo biológico é a ideia que afirma que todo agir humano é determinado por fatores inerentes à sua natureza. Ou seja, suas ações e vontades não são livres e sim o resultado de mecanismos biológicos.

No caderno teológico IX, do Curso de Teologia do Instituto Cristão de Pesquisas, o autor nos informa algo interessante sobre o que acontece ao crermos no determinismo biológico:

Hoje, não só o adultério, mas a violência é explicada em termos de herança animal, como sequelas advindas das épocas em que o homem grunhiam e rosnavam. O famoso cientista Carl Segan em artigo publicado na Revista Superinteressante relaciona o comportamento no esporte, mesmo no esporte violento, como originado geneticamente: “Mas, se nossa paixão pelo esporte (violento) é tão profunda e tão difundida, é possível que esteja arraigada em nós – não em nosso cérebro, mas em nossos genes”.  

Longe de declararmos que Deus é o autor do mal, e, por conseguinte da violência, algo de ruim aconteceu ao ser humano quando desobedeceu a ordem Dele. Agora ele passa a conhecer o bem e o mal. E como a natureza humana, por causa da transgressão do representante da humanidade (Adão), é inclinada a impiedade e maldade, não demorou em que a inveja, ambição, medo, ódio e orgulho humano, se transformassem em agressão física e, esta em morte. É o que vemos retratado no “primeiro homicídio” da história humana (Gênesis 4:8-11):

E falou Caim com o seu irmão Abel: e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou. E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei: sou eu guardador do meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão.

Apesar do desenvolvimento cultural, no início da civilização do mundo bíblico, ela não serviu para frear, diminuir ou evitar o ímpeto da violência. Os educadores elaboram relatórios, reúnem-se para discussão, realizam pesquisas e encontros, (e nisso há louvor) com o objetivo de evitar a violência, mas, infelizmente os resultados não são tão assim positivos. É como se o dilema da violência tivesse sua causa nas desigualdades sociais, na pobreza, na falta de acesso à educação e cultura e não na natureza intrínseca do ser humano. Não creio que todos os casos de violência e morte (nacional e mundial) têm base, justificativa e explicações nestes elementos.  

Antes de concluir quero dizer aos leitores que alguém disse ser a Bíblia um livro repleto de violência, e, portanto, sua leitura nao deveria ser incentivada ou mesmo recomendada. Porém, a Bíblia nunca aprovou a violência. Seus relatos apenas mostram do quê a natureza humana corrompida é capaz. E parece que um dos desejos pecaminosos mais cruéis dos personagens é tirar a vida do próximo, mediante os violentos atos. É por isso que o Senhor ordena no sexto mandamento: “Não matarás”. Deus está protegendo e pedindo que protejam a integridade física do ser humano.

Como servos do Senhor não podemos nem devemos ser agentes ou propagadores da violência. Todos (os crentes) estão sujeitos a sofrer ou infringir violência a outros. Infelizmente sabemos do uso da força física até mesmo em reuniões locais de pastores, quando o clima entre os “santos” não está nada bom. Nas Convenções de pastores (não em todas, é claro) sabemos que quando as tensões aumentam alguns dos “piedosos” homens de Deus partem para a violência física. Que vergonha e mau exemplo!

Que o Senhor nos guarde, ajude e que sejamos “mansos e pacificadores”. Não esqueça que a agressão física não é o único tipo de violência. Ameaças, pressões psicológicas, omissões, xingamentos, métodos coercivos e ocultos de manifestação de poder humano, também são violências. Há pessoas que não agridem fisicamente seu próximo, mas, o ato de caluniar, mentir, difamar, tramar, xingar, trapacear, contribui para o esmagamento moral e violento do caráter do outro.

Cuidado! Se já agiu ou estás agindo assim, neste teu comportamento vil podes estar entesourando para ti mesmo a ira Divina: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; o qual recompensará cada um segundo as suas obras” (Romanos 2:5, 6).

Em Cristo,


[1] As formas e naturezas descritas neste artigo são uma compilação textual do Ministério da Saúde. 

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