terça-feira, 13 de setembro de 2011

O JESUS HISTÓRICO VERSUS O JESUS DA FÉ

Resolvido o problema dos documentos cristãos, partimos agora para o personagem principal deles: Jesus, a finalidade única para a existência de todo o Novo Testamento. Tal como acontece com os documentos, as especulações a respeito de Jesus também são polêmicas.

Uma das perguntas que têm causado opiniões cada vez mais divergentes é esta: “Quem é Jesus?”. Ao contrário do que muitos pensam, tal pergunta não foi formulada em nenhum seminário de crítica textual. É muito mais antiga. Na verdade, o próprio Jesus foi quem a formulou pela primeira vez diante de seus discípulos, dizendo: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?” (Mt 16.13). E, como sempre, as respostas foram as mais variadas possíveis: “Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas.” (v. 14).

Até a Idade Média, essa pergunta parece não ter oferecido problema algum para a maioria das pessoas. Contudo, a coisa começou a mudar com o advento do iluminismo e seu inquietante raciocínio crítico. A primeira questão a respeito de Jesus, sob um ponto de vista crítico, teve início na Alemanha, com Hermann Samuel Reimarus (1694-1768).

Ao apresentar a primeira investigação histórica sobre Jesus, Hermann alegou que o Jesus dos evangelhos e o Jesus da história eram dois personagens completamente diferentes. E baseou sua teoria na suposição de que o Jesus apresentado pelos apóstolos era apenas fruto de suas concepções teológicas, não refletindo a realidade do carpinteiro pobre da Galiléia. E chegou a acusar os discípulos de ter roubado o corpo de Jesus para provar a ressurreição.

Depois vieram as escolas críticas com Martin Dibelius e Rudolf Butman. Um terceiro movimento, porém, iniciado nos anos 70, com John Dominic Crossan e o “Seminário de Jesus”, perdura até hoje. Mais tarde, Crossan se uniu a Robert W. Funk, também líder de outro movimento com as mesmas posições. O “Seminário de Jesus” é uma coalizão de movimentos liberais, composta de católicos protestantes e ateus. Suas teorias liberais fazem que consideremos o evangelho apócrifo de Tomé mais antigo do que os quatro evangelhos canônicos. Para os integrantes do “Seminário”, Jesus teria sido apenas um homem normal. Não fez milagres, como dizem os evangelhos. E, segundo afirmam, de tudo o que está escrito nos evangelhos somente 2% podem ser atribuídos verdadeiramente ao Jesus original. A morte de Cristo é mais de caráter político que espiritual. E mais: na visão do “Seminário”, Jesus não ressuscitou. A ressurreição, para eles, baseia-se tão-somente nas experiências visionárias de seus discípulos. 

Manipulando o Jesus histórico

De modos diferentes, em épocas diferentes, diversas culturas têm tentado distorcer o Jesus simples dos evangelhos. O Jesus dos evangelhos apócrifos, o Jesus sem carne e osso, desprovido de matéria, dos gnósticos do século 1o da Era cristã, e, atualmente, o Jesus místico da Nova Era não passam de reações da cultura da época, que se recusa a aceitar o Homem de Nazaré exatamente como Ele é. Cada vez que o espírito de uma raça diferente entrou no espírito do evangelho, tentou manipular a figura daquele que é o Senhor da história que, algumas vezes, ficou deformada e irreconhecível.

Assim, em nada nos espanta a invasão do liberalismo que levou muitos no Ocidente a alterar novamente as características do Senhor. Para tanto, esses movimentos, encabeçados por acadêmicos descomprometidos com a fé cristã, buscou utilizar-se de hipóteses e documentos duvidosos sobre Jesus para tecer um amontoado de informações que, longe de acrescentar algo ao conhecimento a respeito de Jesus, distorceu completamente os fatos.

Otto Borchet, em seu livro O Jesus histórico, fez um excelente comentário sobre as várias tentativas históricas de distorcer a imagem de Jesus, conforme nos é fidedignamente mostrada por Mateus, Marcos, Lucas e João, testemunhas oculares ou contemporâneas do Senhor. “Indubitavelmente [...], cada geração que se aproxima da figura de Jesus novamente tem tentado retificar essa imagem no que acha nela deficiente”.

A verdade, porém, é que qualquer tentativa de acrescentar algo ao Jesus bíblico falha.

Outro livro que apresenta os principais estudos acadêmicos atuais dos críticos para tentar reconstruir o Jesus histórico foi publicado em 1998, por Mark Alan Powell. Powell. A obra é um apanhado sobre os vários retratos do “Jesus histórico” apresentado pelos críticos ao longo da história. Assim, R. Horsley vê Jesus como um profeta, G. Vermes como um judeu carismático, Morton Smith como um mágico, B. F. Witherington como um sábio judeu e F. G. Downing como um filósofo cínico. Esses são apenas alguns dos homens que fazem coro com os críticos do “Seminário de Jesus”: J. D. Crossan, M. Borg, E. P. Sanders, J. P. Meier e N. T. Wright.

Contudo, urge esclarecer que quando falamos em “Jesus histórico” estamos, na verdade, tratando de uma expressão não muito definida. O que seria o Jesus histórico? O mesmo Jesus da Bíblia? Caso seja, até que ponto? Trataremos disso logo abaixo.

O Jesus histórico versus o Jesus real

Devemos levar em consideração uma distinção muito significativa levantada pelo crítico John P. Meier, em seu livro Um judeu marginal, qual seja: “Qual é a diferença entre o Jesus histórico e o Jesus real?. Será que existe essa diferença?”.

Meier diz que o Jesus histórico não é o Jesus real. E explica que a noção de real é enganosa, pois existem varias gradações da noção de real. Não podemos nos referir à realidade total de uma pessoa em tudo que ela pensou, sentiu, experimentou, fez e disse. Mesmo com todos os documentos oficiais disponíveis não se poderia descobrir a realidade total de uma pessoa. O máximo que o historiador ou biógrafo poderia montar seria um quadro “razoavelmente completo”.

Os relatos que os evangelhos apresentam de Jesus é justamente isso. Os quatro evangelistas se detêm somente nos três últimos anos de sua vida. Apenas dois deles, Mateus e Lucas, falam sobre sua infância, mesmo assim de modo bem limitado.  A maioria dos atos e palavras de Jesus e os chamados anos obscuros de sua vida ficaram vedados por um véu de mistério. O apóstolo João confirma esta verdade ao narrar em seu evangelho: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; as quais, se fossem escritas uma por uma, creio que nem ainda no mundo inteiro caberiam os livros que se escrevessem” (Jo 21.25).

Assim sendo, o Jesus real, mesmo com todos os registros disponíveis sobre Ele, foge à nossa verificação total. Mas Jesus não é o único que enfrenta tal dificuldade, a problemática dessa abordagem se estende a todos os outros personagens famosos da história, como Sócrates, Platão, Augusto, Alexandre, entre outros. Todavia, tal dificuldade está longe de ser um obstáculo à existência de Jesus. Estamos tratando somente sobre a diferença empírica que se impõe entre o Jesus real e o Jesus da história. As informações que subsistiram sobre Jesus, obviamente, nunca conseguirão refletir a totalidade de sua vida. Não obstante, podemos conhecer o Jesus histórico. 

O exegeta D. A. Carson resume a questão com muita propriedade: “Portanto, o fato de que não é possível reconstruir uma vida detalhada de Jesus com base nos evangelhos sinópticos não põe, de modo algum, em dúvida os evangelhos como fontes históricas exatas. Devem ser julgados por aquilo que de fato nos dizem, não pelo que não nos dizem”.

A busca pelo Jesus histórico

Muito embora tenhamos falado que o Jesus real não pode ser resgatado pela pesquisa histórica, no entanto, o Jesus histórico pode apresentar fragmentos do Jesus real. O Jesus histórico é aquele personagem reconstruído pelas informações que chegaram até nós por vários documentos históricos. Alguém poderia nos taxar de fundamentalistas, mas cremos que os poucos registros deixados nos evangelhos sobre Jesus são suficientes para o nosso conhecimento. Na verdade João nos fornece de maneira resumida o propósito dos registros evangélicos sobre Jesus: “Estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31).

Acreditamos que muitos não considerariam de alguma importância uma pesquisa sobre o Jesus da história, antes, se contentariam apenas com o Cristo da fé. Infelizmente, a disposição em pesquisar historicamente Jesus parte, em geral, dos críticos agnósticos e não dos cristãos ortodoxos. Geralmente, para os cristãos ortodoxos, tal busca é de pouca relevância, porque o que vale mesmo é o Cristo da fé. No entanto, esta posição é um grande paradoxo, pois o Jesus da fé não pode ser desvinculado do Jesus da história. A fé cristã não é um salto no escuro. É, em suma, a aceitação de alguém real que viveu no espaço/tempo. Essa busca ressalta que a fé cristã não é uma vaga atitude existencial ou mera maneira de ser, mas, sim, que existe um conteúdo específico na fé cristã, ligado a eventos históricos especiais.

Essa necessidade foi sentida pelos seguidores de Bultmann que, por isso, acabou formando uma nova escola. Bultmann cria que os fatos históricos quanto a Jesus eram irrelevantes, pois o que valia mesmo era o Cristo da fé e o nosso encontro pessoal com Ele, mesmo que este Cristo seja o Cristo emergido das supostas lendas e mitos criados pelos cristãos primitivos, segundo a opinião de Bultmann. Contudo, uma nova busca teve início, pois seus discípulos perceberam que “um rompimento tão completo entre a fé cristã e os liames históricos deixaria a Igreja à deriva e sem condições de reivindicar absolutamente qualquer coisa para si” (Carson p.59).

Gregory A. Boyd, refutando os argumentos do “Seminário de Jesus”, acrescenta: “A verdade teológica baseia-se na verdade histórica”.

O Jesus da história é o mesmo Jesus da fé?

Uma questão derivada da anterior é a relação entre o Jesus de carne e ossos e o Jesus místico (espiritual) adorado pelos cristãos, o que o filósofo e historiador Albert Schweitzer denominou de “o tremendo fosso”. Existe realmente alguma relação entre o Jesus histórico e o Cristo da fé? Porventura seriam o mesmo? A historicidade de Jesus é reconhecida universalmente hoje em dia, tanto pelos cristãos como pelos críticos da fé cristã. Nenhum estudioso sério duvida da existência do carpinteiro de Nazaré. A discussão, entretanto, centraliza-se na sua identidade. Para alguns críticos, como os do “Seminário de Jesus” (EUA), os cristãos teriam alterado a imagem de Jesus, um camponês galileu, atribuindo-lhe uma identidade divina que o próprio Jesus nunca teria reclamado para si. Como um rabino obscuro, e, possivelmente, um operador de curas, poderia ter-se transformado num objeto de adoração de milhões de pessoas em todo o mundo?

A resposta oferecida pelos críticos baseia-se na mesma premissa utilizada para a questão da confiabilidade dos evangelhos. Há um consenso entre esses críticos quanto ao fato de que, não importa quem os tenha escrito, os autores não eram testemunhas oculares e podem ter feito seus registros um século após a morte de Jesus. Isso facilitaria, e muito, que cristãos de gerações posteriores criassem mitos, por meio dos quais o humilde galileu fosse transformado no Filho de Deus, com prerrogativas que só o Deus dos judeus ou, em menor grau, os deuses greco-romanos e das religiões de mistério possuíam. Paulo chega a ser acusado por alguns críticos de ter sido o principal responsável pela transformação do homem Jesus no Cristo divino. Segundo eles, Paulo teria distorcido o evangelho original de Jesus, convertendo-o de um simples rabino inovador em objeto de devoção de seus discípulos posteriores. A evidência histórica, entretanto, aponta em outra direção.

Para Paulo, o Cristo divino e exaltado pela ressurreição é o mesmo Jesus histórico que morreu crucificado e foi ressuscitado ao terceiro dia. Em 1Coríntios 15.3-7, Paulo afirma sua crença nos fatos históricos, circundando a morte de Jesus. Como já vimos em outra parte deste livro, esses mesmos fatos foram asseverados nos evangelhos pelas próprias testemunhas oculares da crucificação e ressurreição de Jesus ou por autores ligados a essas testemunhas.

Os críticos do cristianismo se levantam contra a posição histórico-ortodoxa dizendo que Jesus é uma figura idealizada, um símbolo de fé. No século 19, alguns chegaram até mesmo a duvidar de sua existência. Porém, existem muitas evidências históricas disponíveis sobre Jesus Cristo.
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POR QUE OS JUDEUS NÃO PEDIAM PERDÃO DOS SEUS PECADOS A JESUS?

Por Gilson Barbosa

É importante notar que o povo em geral dirigia-se ao batismo de João confessando seus pecados (Mt 3.6; Mc 1.5). As pessoas da época de Cristo já tinham uma religião, eram criadas e instruídas segundo os preceitos do judaísmo, cuja base doutrinária firmava-se na lei que fora entregue a Moisés. Os judeus acreditavam que a obediência rigorosa das leis de sua religião era o suficiente para a obtenção da salvação eterna. Entendiam que não precisavam pedir perdão a ninguém, pois não tinham Jesus como Deus, e tampouco Jesus era reconhecido pelos judeus como o Messias (Mc 2.7; Lc 7.19).

Os judeus não necessitavam clamar que queriam ser perdoados por Jesus, precisavam tão-somente crer, para a salvação de seus pecados, que Cristo era o enviado de Deus! (Jo 8.24). A Bíblia informa que os judeus rejeitaram a Jesus (Jo 1.11), o que, por si só, comprova que não pediriam perdão a um mero homem. De fato, a preocupação evangelística de Jesus, acima de tudo, era com os judeus (Mt 10.5; 15.24), porém, esta atitude não excluía os gentios (aqueles que não eram judeus), pois sobre estes fora profetizado a revelação do evangelho (Sl 2.8; Is 49.6; Ml 1.11; Mt 12.21). Alguns episódios bíblicos indicam que várias pessoas reconheceram ser pecadoras e receberam o perdão de Jesus. Confira alguns exemplos: Pedro (Lc 5.8); Zaqueu (Lc 19.1-10); a mulher adúltera (Jo 8.1-11); o paralítico (9.2), entre outras.

Sobretudo, no amplo contexto do Novo Testamento temos aprendido que devemos pedir perdão a Jesus pelos nossos pecados (At 2.38; At 4.12; Rm 10.13, 1Co 15.3; etc).
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A IGREJA APOSTÓLICA É REALMENTE APOSTÓLICA? (Parte Final)

JUÍZO DE DEUS E DESTINOS
Ignorávamos que o juízo de Deus fosse executado por mais alguém, além de Jesus, ou seja, a Santa Vó Rosa. Sabíamos que o juízo de Deus seria efetuado por Jesus e como prova disso Deus o levantou dos mortos (At 17.30,31). O ensino da IA é o seguinte: “Entretanto, dizemos que independente deste período de juízo, o qual está sendo realizado por Jesus, pela Santa Vó Rosa, o Consolador,... os que mereceram foram absolvidos e o espírito levado ao Céu; outros não mereceram diretamente a salvação, mas por não serem tão ímpios e crerem, foram levados para o descanso sob a proteção de Deus, até que todas as cousas se cumpram; e infelizmente muitos outros foram irremediavelmente condenados por causa de suas más obras”.
 Como se vê, três destinos para os homens: 1) o céu, para os que mereceram a salvação; 2) os que não mereceram foram para um lugar de descanso, naturalmente distinto do céu. Que lugar será esse? Purgatório, limbo? 3) os que foram maus, condenados: admitimos que isso seja o inferno.
Segundo a Bíblia, existem duas portas e dois caminhos que conduzem a dois destinos (Mt 7.13,14): o céu, para os que aceitam a Cristo como Salvador e Senhor (Jo 14.2,3) e inferno, para os que recusam a salvação na pessoa do Senhor Jesus Cristo (Mc 16.15,16).
A ALMA JUNTO AO CORPO
Ensino estapafúrdio esse de que a alma espera o sepultamento do corpo para que por fim se retire. Diz a IA sobre o assunto: “Essa cerimônia, que fazemos para os membros desta igreja, vem a ser uma homenagem à alma que ainda está ali, velando o corpo; é uma despedida deste para ser levado ao sepulcro.” “... devem velar o corpo e sepultá-lo simplesmente, pois que a alma, que ali está velando também o corpo, é bem viva e santificada, e recebe do mesmo modo a homenagem dos irmãos.” 
Como vemos, a alma aguarda o culto fúnebre e recebe a homenagem que se presta ao falecido, para, por fim, retirar-se definitivamente.
Lázaro, quando morreu, foi incontinenti levado ao seio de Abraão, “E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão... (Lc 16.22) O ladrão na cruz foi incontinenti, antes do sepultamento do seu corpo, para o Paraíso (Lc 23.43). Com os apostólicos se dá um tempo de espera, até que o corpo seja sepultado.
APLICANDO O PRÓPRIO REMÉDIO
Identificando o que caracteriza uma seita, assim se pronuncia a IA, dizendo: “Entendam que uma seita religiosa pode ser numerosíssima, quanto ao número de adeptos; pode ser muito rica quanto aos bens terrenos; pode enfim ter a aparência de ser a melhor, dado às suas vantagens materiais; mas, se não possuir o Dom do Espírito Santo do Pai não terá a verdade. Não sendo os responsáveis de tais igrejas batizados com o Espírito Santo; não tendo aprendido por inspiração dEle as verdades doutrinárias quanto aos mistérios de Deus e do seu Reino; não tendo seus membros esta sublime unção do Espírito Santo para saberem fugir do erro e do pecado, não está neles nem com eles a verdade de Deus, sendo sempre igrejas fracas espiritualmente, sem poderem realizar as obras de Deus; vencidas pelas vaidades terrenas, pela prática de vícios e pecados que muito entristecem o Pai Celestial.”
A IA é uma organização religiosa que tem aparência de ser evangélica, que alega possuir o Consolador, que tem um líder carismático que se denomina “primaz”- o primeiro, mas que blasfema contra o Espírito Santo, o verdadeiro Consolador (Jo 14.16,26) e que por isso comete o pecado de blasfêmia contra o Espírito, predito por Jesus em Mt 12.31,32. Para esse pecado não há perdão: logo, os que se achegam à IA, esperando ser salvos, estarão para sempre excluídos do reino dos céus.
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A IGREJA APOSTÓLICA É REALMENTE APOSTÓLICA? (Parte 3)

NOVO APOCALIPSE
Comentando sobre o livro do Apocalipse, recebido por Jesus e transmitido a João, o apóstolo, na Ilha de Patmos (Ap 1.1,10), afirmam os apostólicos que se  repetiu o episódio para nossos dias, por intermédio da Santa Vó Rosa. “Nosso Deus tem o poder de usar pessoas inteiramente santificadas que herdaram galardão no Céu, ou seja, Santos, para poder revelar-se aos seus servos na terra e é o que anunciamos a respeito da Santa Vó Rosa. Assim como Ele usou santos e anjos do Céu para falar a São João, atualmente Ele usa a Santa Vó Rosa que é uma das principais pessoas celestes, à semelhança de Jesus e Maria Santíssima. Ele a usa para  dirigir esta Igreja Apostólica como Igreja dEle e do Pai, o que Ela, a Santa Vó Rosa, o faz usando seu Sucessor e Primaz desta Igreja, o irmão Aldo Bertoni.”  
Essas declarações são fantásticas! A IA estar sendo dirigida pela Santa Vó Rosa, que é, nada mais, nada menos, do que “uma das principais pessoas celestes”, comparada a Jesus e Maria  Santíssima. De Jesus a Bíblia declara que lhe foi dado todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18), mas se existem mais duas pessoas com poder igual ao de Jesus (Santa Vó Rosa e Maria Santíssima), então Jesus não tem todo o poder, pois o seu poder está repartido com mais duas pessoas. Contra essa relação de poder tripartido, Paulo reiterou que Jesus foi colocado à direita do Pai, “Acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio,  e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro. E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.”(Ef 1.20-22). Isso mostra que o poder de Jesus é absoluto, e não repartido (Fp 2.9-11).
Quando Jesus anunciou a vinda do Consolador (Jo 14.16,26; 15.26; 16.7-9) não falava de uma mulher pretensiosa que iria usurpar o lugar do verdadeiro Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, que veio, não quando essa mulher, Santa Vó Rosa, faleceu. O Espírito Santo prometido por Jesus veio, sim, depois da exaltação de Jesus, dez dias após a ascensão física, glorificada, de Jesus (At 1.9-11; 2.1-4,33) Se essa pretensão da IA promoveu o que eles denominam de ‘doutrina genuína’, quando não passa de ensino de perdição (II Pe 2.1,2), então o que pode ser classificado ensino falso por esse grupo religioso? Não é sem razão que Paulo avisou: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios.” (I Tm 4.1) Uma blasfêmia inominável atribuir a uma mulher as funções do Espírito Santo junto aos homens (Jo 16.7-9).
NOVA ARCA DE NOÉ
Várias organizações religiosas reivindicam ser a Arca da Noé. Exemplos dessa pretensão são as Testemunhas de Jeová (Poderá Viver... para 255); os católicos no Terceiro Catecismo de Doutrina Cristã, pergunta 168. Agora, surge a AI e atribui tal analogia à Santa Vó Rosa. Diz ela:
“Nos tempos presentes anunciamos que a Santa Vó Rosa, como Espírito Consolador, é a nova arca da salvação, pois que à semelhança de Noé, Ela anuncia através de seu Sucessor e da realização desta Igreja Apostólica, que estamos nos Tempos do Fim, ou seja, nos tempos do juízo divino...” “Assim cumpre-se a palavra de Jesus quando disse que nos seus dias se daria um fato semelhante ao acontecido nos dias de Noé.” “... e a Santa Vó Rosa, à semelhança da arca de Noé, constituiu-se na última oportunidade para todos quantos queiram encontrar-se realmente com Deus e alcançarem a verdadeira vida.”
 Jesus disse que sua vinda seria como nos dias de Noé (Mt 24.37), mas não disse que a IA  seria a Arca  Noé  , e que ele próprio iria  levar sua Igreja para o céu (Mt 24.29-31).  Simbolicamente, Jesus poderia ser comparado à arca de Nóe, mas não uma igreja  poderia representar essa arca (I Co 3.11).
MILAGRES
Nada resta à Santa Vó Rosa para ser divinizada. Dentro da Igreja Católica, para alguém ser canonizado e tornado santo, devem ser atribuídos a ele alguns milagres. Na IA atribuem-se milagres a ela com muita naturalidade e sem número.   “Os milagres extraordinários que estão sendo realizados pela Santa Vó Rosa e pelo seu Sucessor, à frente desta Igreja, o irmão Primaz Aldo Bertoni, comprovam que tudo o que temos anunciado é a mais pura realidade e a mais perfeita doutrina.”  Continua  a propaganda mentirosa de milagres operados pela Santa Vó Rosa, dizendo: “Grandes milagres e sinais a Santa Vó Rosa já tem operado, provando que estamos na era do Consolador.”   Se realmente existem milagres atribuídos a ela, então são milagres de mentira (II Ts 2.9-11). Jesus prometeu a realização de milagres no seu nome (Mc 16.17,18), e não no nome da Santa Vó Rosa, que não passa de uma usurpadora das atividades do Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade.
A VOLTA DE JESUS
Nós, cristãos evangélicos, aguardamos a segunda vinda de Cristo, que virá acompanhado de anjos, arcanjos e querubins (I Ts 4.16,17), mas ignorávamos que junto à corte angelical viesse também a Santa Vó Rosa e Maria Santíssima.  Maria Santíssima irá ressuscitar quando seu Filho voltar e fará parte da primeira ressurreição, mas nunca esperávamos ler que, além de Maria Santíssima, ainda teríamos uma acompanhante de maior autoridade do que Maria.  Desconhecíamos essa informação por falta de apoio bíblico (I Co 4.6).
 “De acordo com nossa doutrina apostólica, a chamada segunda vinda Cristo se iniciou quando Ele pessoalmente manifestou-se à Santa Vó Rosa, para prepará-la a fim de ser o outro Consolador e para restaurar sua verdadeira Igreja na terra.” “Ele, Jesus, realmente aparecerá nas nuvens do Céu, acompanhado pela Santa Vó Rosa, por Maria Santíssima, pelos Santos Apóstolos e Profetas, bem como de toda a corte celestial; no momento em que ressurgirão com Ele todos os salvos e santos, os quais já terão deixado os seus corpos e assim ressurgirão redivivos; dar-se-á então o arrebatamento dos santificados que na terra ainda estejam em seus corpos...” Nunca pensamos que poderíamos ler em alguma ocasião que seríamos arrebatados pela Santa Vó Rosa na vinda de Jesus.
Dizem eles: “Jesus e a Santa Vó Rosa podem vir de um momento para o outro arrebatar sua Igreja, a mais perfeita garantia para a entrada segura no céu.”... “Nos dias presentes quem unge assim o seu povo em nome de Jesus, do Pai e do Espírito Santo é a Santa Vó Rosa como Consolador.”  
PORTA DO CÉU
Sempre soubemos que a exclusividade para a entrada no céu era direito de Jesus (Jo 14.6; I Tm 2.5). Sempre repelimos o ensino católico de que Maria e a Igreja Católica também tinham esse privilégio. Agora tomamos conhecimento do ensino herético de que Jesus cedeu parceria à Santa Vó Rosa e à Igreja Apostólica.  Assim se expressa a AI:  
 “Por isso afirma ainda que bem-aventurados os que se santificam para terem o direito à árvore da vida, isto é, para estarem ligados espiritualmente ao Consolador enviado, à Santa Vó Rosa e à sua verdadeira Igreja, para poderem entrar na cidade (no Reino do Céu) pelas portas do verdadeiro poder de Deus.” 
São essas razões provas bíblicas de que realmente a Santa Vó Rosa é o Consolador, prometido por Jesus? A IA, pelo que temos lido nos livros-padrão compõe-se de poucas verdades e muitas heresias. O Primaz da Igreja, Aldo Bertoni, não passa de resultado de nepotismo, pois não é alguém neutro, mas sobrinho da falecida Santa Vó Rosa.  Goza de mais autoridade do que o Papa, pois recebe mensagens diretas do Consolador, ou seja, da Santa Vó Rosa.
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A IGREJA APOSTÓLICA É REALMENTE APOSTÓLICA? (Parte 2)

FORA DA IGREJA NÃO HÁ SALVAÇÃO
A Igreja Católica sempre reivindicou que fora dos seus domínios não existe salvação. Agora, surge a suposta Igreja Apostólica sucessora da Igreja Apostólica dos dias primeiros do cristianismo e arroga para si essa exclusividade na salvação dos pecadores. A pretensão religiosa é inimaginável, pois afirma: “A perfeita obra de redenção, nos dias atuais, só existe nesta Igreja Apostólica, através do Consolador que dá atualidade à doutrina e ao sacrifício de Jesus a perfeita redenção.”
Como vemos, “nos dias atuais, só existe nesta Igreja Apostólica”. Isso é uma característica das seitas: redenção numa organização religiosa, e não numa pessoa, que é Jesus. Pedro não ignorava que a salvação ou redenção está na pessoa de Jesus, afirmando: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.”(At 4.12) Paulo, reiterando a suficiência de Cristo, afirma que Cristo morreu por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou dos mortos. Nesse ensino residia o evangelho verdadeiro (1 Co 15.1-6).
SANTA VÓ ROSA - NOME APOIADO POR AP 2.17
Rosa deve ser o prenome de uma mulher que foi agraciada com o título de Espírito Consolador. Por mais que se procure apoio da Bíblia para provar que esse título tem origem bíblica, nada se encontrará que justifique o título Espírito Consolador para Santa Vó Rosa; entretanto, a IA ensina que esse nome está apoiado por Ap 2.17. Neste texto se fala do vencedor que receberá um novo nome que ninguém sabe, senão aquele que o recebe. Assim, é justificado o nome Espírito Consolador para a Santa Vó Rosa. Afirmam: “Há no livro do Apocalipse promessas que deveriam se cumprir sobre a vida de uma pessoa que, na verdade soubesse ser vencedora sobre todas as cousas e com um profundo amor a Ele, Jesus, e ao seu reino... Estas promessas se cumpriram na Santa Vó Rosa.”... “A pedrinha nada mais é do que o símbolo do galardão que Ela recebeu. E o nome? O nome de Espírito Consolador,  na verdade, durante algum tempo ficou escondido e somente Ela o sabia, porque muito humilde nunca nos contava as cousas que Jesus lhe mostrava em relação à pessoa dEla...” ... “Vejam que isto cumpriu exatamente a palavra de Jesus nesta promessa escrita por São João no livro do Apocalipse.”
A AUTORIDADE DA SANTA VÓ ROSA
A autoridade dessa mulher é tanta, que só se iguala à autoridade de Maria na Igreja Católica. Afirmam: “Quem diz que crê em Jesus, mas rejeita a Santa Vó Rosa como Espírito Consolador, não crê no poder de Jesus”. “Ela revela todo o poder e toda a autoridade da pessoa de Jesus...” Para isso preparou a Santa Vó Rosa e deu-lhe todo o poder para que através dEla pudesse novamente ser compreendido e crido nesta terra e muitos voltassem a crer nEle como realmente o é: o verdadeiro Filho de Deus.” (6)(Ibidem, p. 38)
Comentando Apocalipse 1.18, quando se lê que a Jesus foram dadas as chaves da morte e do inferno, atribui-se à Santa Vó Rosa a mesma autoridade. “Ele tem realmente este poder e esta autoridade e Ela, a Santa Vó Rosa, também tem este poder e esta autoridade. Por isso foi que foi possível a ambos formarem esta Igreja, foi possível restaurarem a sua verdadeira Igreja”. (7) (Ibidem, p. 40) E mais: “A Santa Vó Rosa como Espírito Consolador está dando a oportunidade a Jesus provar que ele é o primeiro e o último e é aquele que embora tenha sido morto, entretanto vive pelos séculos e tem todo o poder, tem as chaves, isto é, tem o domínio sobre o império da morte.” (8) (Ibidem, p. 41)
BLASFÊMIA CONTRA O ESPÍRITO SANTO
Nada se pode falar contra a Santa Vó Rosa, o Consolador, pois abrir a boca ou escrever criticando seus ensinos é cometer o pecado imperdoável: a blasfêmia contra o Espírito Santo. “Um pregador, por exemplo, que não creia na doutrina tal qual nós ensinamos nesta igreja, se ele não abrir a sua boca para combatê-la, e se não tomar atitude de oposição, não chegará a blasfemar; mas se o fizer, ainda que seja com o intuito de defender seu ponto de vista, irá blasfemar contra o Espírito Santo que nos ensina a pregá-la. Se pregar contra a Santa Vó Rosa, peca contra o Espírito Santo a quem Ela representa”. Tal situação impede qualquer manifestação contrária à direção da IA. Paulo não era tão intransigente, pois recomendava que examinássemos tudo e retivéssemos o bem (I Ts 5.21).
PODER IGUAL AO DE JESUS
Embora absurdas as reivindicações de igualdade com a pessoa de Jesus, assim declaram os adeptos da Santa Vó Rosa, sobre ela: “Entendam que Jesus deu o nome dEle à Santa Vó Rosa e dando o nome deu-lhe o poder, deu-lhe as suas virtudes, deu-lhe o encargo de executar a mesma missão, por isso é que dizemos que ela tem  autoridade e poder inteiramente semelhante ao dEle e foi colocada então como segunda testemunha ao lado dEle.”  ... “Os únicos santos da glória de Deus que têm poder absoluto sobre o céu e a terra, dominando todos os principados e potestades, são: o Filho Jesus Cristo, Nosso Senhor; Maria Santíssima e a Santa Vó Rosa, o novo Consolador.”
ORAÇÃO EM NOME DE UMA TRINDADE
Falarmos em orar em nome da Trindade é incorreto à luz da Bíblia, porque a oração deve ser feita ao Pai, em nome de Jesus (Jo 14.13,14).  O ensino da IA nesse particular é: “Por esse motivo, tanto o perdão de pecados, como o mérito de ter a unção do Espírito Santo, bem como ainda outra qualquer súplica, pode e deve ser dirigida ao Pai, em nome dos três, especialmente de Jesus e da Santa Vó Rosa, o Consolador”. Atribuir a uma mulher, que usurpa o nome e pessoa do Espírito Santo;  atribuir-lhe a autoridade de perdoar pecados, a quem também se deve orar, é uma blasfêmia inominável e pode ser considerado um pecado para a morte (1 Jo 5.17).
Manifestando sua crença na doutrina da Trindade, resolveram incluir a Santa Vó Rosa como parte da Trindade. Assim ensinam: “Sempre houve a Santíssima Trindade formada pelo Pai, pelo Filho Primogênito e o Espírito Santo e, por causa da perfeitíssima unidade entre os três, muitos entenderam haver uma só pessoa. Acontece, no entanto, que são três, formando essa unidade espiritual e, no tempo presente, a Santa Vó Rosa, tendo recebido o grande galardão do Espírito Consolador, integra essa unidade”. A Trindade é a crença num só Deus eternamente subsistente em três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 28.19; Gn 1.26). Se a IA integra uma quarta pessoa: a Santa Vó Rosa, intitulada o Consolador, então já não seriam  três pessoas em um só Deus, mas quatro pessoas. Isso seria então uma quaternidade. A Igreja Católica estuda um novo dogma para  incluir Maria, intitulada  Mãe de Deus, como a quarta pessoa de uma quaternidade. Isso é errado. Pior do que isso é quando surge uma igreja, que se diz apostólica e reivindica esse direito de incluir mais uma pessoa – a Santa Vó Rosa – entre as três pessoas da Trindade. Isso é heresia. 
CRER EM JESUS E CRER NA SANTA VÓ ROSA
Jesus afirmou “Credes em Deus crede também em mim” (Jo 14.1), o que implica reconhecer a igualdade de natureza divina de Jesus com Deus, o Pai: “E o Verbo era Deus” (Jo 1.1) e servi-lo da mesma forma.  A IA ensina que essa mesma aceitação deve existir entre os que dizem crer em Jesus: devem igualmente crer na Santa Vó Rosa, e qual o problema se alguém afirmar crer em Jesus e recusar crer na Santa Vó Rosa?


Jesus afirmou “Credes em Deus crede também em mim” (Jo 14.1), o que implica reconhecer a igualdade de natureza divina de Jesus com Deus, o Pai: “E o Verbo era Deus” (Jo 1.1) e servi-lo da mesma forma.  A IA ensina que essa mesma aceitação deve existir entre os que dizem crer em Jesus: devem igualmente crer na Santa Vó Rosa, e qual o problema se alguém afirmar crer em Jesus e recusar crer na Santa Vó Rosa?
  
  
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A IGREJA APOSTÓLICA É REALMENTE APOSTÓLICA? (Parte 1)

Por Natanael Rinaldi

Muitas são as organizações religiosas que, querendo dar a impressão de que seus ensinos são corretos, reivindicam para si o título de Igreja Apostólica, declarando que o título é oriundo de At 2.42: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” Com isso, um amontoado de doutrinas estranhas são formuladas e disseminadas como se fossem realmente apostólicas. É o caso da IGREJA APOSTÓLICA.  Uma mistura de ensinos evangélicos, porque se utiliza da Bíblia e afirma tê-la como fonte de sua autoridade religiosa; de ensinos católicos dados à exaltação de Maria, imitando em tudo os católicos que tributam à Maria o culto que se presta a Deus; e, por incrível que pareça, algo parecido com o espiritismo, porque crêem na mediunidade da Santa Vó Rosa, como o Espírito Consolador.
Enquanto o espiritismo kardecista ensina que a promessa de Jesus de mandar o Consolador prometido por Jesus se cumpriu em 18 de abril de 1847, com o lançamento de O LIVRO DOS ESPÍRITOS, a Igreja Apostólica (daqui pra frente I.A) afirma, com muita ênfase, que o CONSOLADOR veio na pessoa da Santa Vó Rosa, quando ela faleceu num acidente de trânsito em sua cidade de Poá, Estado de São Paulo, no dia 26 de outubro de 1970, com 76 anos de idade. Com 60 anos de idade dissera ela que recebera uma revelação especial de Jesus para fundar a IA. Os líderes interpretam sua morte como um arrebatamento. É a figura central da IA.
O ESPÍRITO SANTO E O CONSOLADOR 
Todo o leitor da Bíblia, por menos informado que esteja, nunca chegou a outro entendimento senão a este: a expressão o Espírito Santo e o Consolador  são dois nomes ou títulos para uma só pessoa: a terceira pessoa da Trindade – o  Espírito Santo  ou  o Consolador, indicado por Jesus em Jo 14.16, 26; 15.26; 16.7-9; logo, dois nomes para uma só pessoa. Na IA isso não se dá. Entendem que o Espírito Santo é uma pessoa como Espírito de Deus, e o Consolador, prometido por Jesus, é outra pessoa espiritual, a Santa Vó Rosa. Isso é uma aberração doutrinária e uma verdadeira blasfêmia!  O que ensinam é: “Jesus cumpriu sua promessa enviando o Consolador, a Santa Vó Rosa, que, através da Igreja Apostólica, tem convencido a muitos a respeito da verdade, da justiça e do juízo divinos”.   Por outro lado, interpretam que o Espírito Santo denominado Espírito Santo de Deus é outra pessoa espiritual: “Por isso ensinamos que a Santa Vó Rosa é viva e não morta, pois, como Santa herdou o poder do Espírito Santo, inda mais por ser o atual Consolador, e seu espírito vive para sempre.” Se a Santa Vó Rosa herdou o poder do Espírito Santo, não é ela o Espírito Santo de Deus, mas é o Consolador, na forma de uma segunda pessoa.
FUNDADORES
Conta o Pr. Signard L. Ambrosen que, nos idos de 1953/54, fora levantada uma tenda na Av. Celso Garcia, no Tatuapé, bairro da capital paulista, onde se reuniam crentes evangélicos, sob a direção do missionário americano William Sheiffer. Formou-se uma igreja, e o missionário viajou para os Estados Unidos, a fim de angariar fundos para um programa radiofônico. A igreja ficou aos cuidados de Eurico Mattos Coutinho, que, segundo alguns, foi pastor presbiteriano. Eurico alugou um salão no segundo andar de um prédio na Rua Tuiuti. Desmontou a tenda, e a igreja seguia o seu caminho. Quando o missionário voltou, pregou algumas vezes, tornou a levantar a tenda no mesmo lugar, mas o povo não o seguiu. A tenda foi desmontada e levada para um local ignorado. A essa altura, Eurico se fez bispo, coadjuvado por sua esposa Odete Correa Coutinho.  Os fundadores são, pois, o bispo Eurico Mattos Coutinho e sua esposa missionária Odete Corrêa Coutinho e Vó Rosa. Desta mulher, dizem: “Todo o conhecimento da doutrina e a organização da Igreja, Jesus nos deu através da Santa Vó Rosa, pois durante dezesseis anos foi Ela constantemente arrebatada ao Céu em espírito, a fim de aprender o que era necessário e útil para o preparo da Igreja. Assim, através dEla tomamos conhecimento da vontade do Pai quanto à organização da Igreja e grande parte da doutrina.”  Julgando pelos ensinos estranhos que essa senhora nos revela, não entendemos como ela tenha obtido isso diretamente de Deus, o Pai (Jr 14.14; Ez 13.6).
SITUAÇÃO ATUAL
A IA situada em São Paulo (capital) é hoje dirigida pelo intitulado primaz Aldo Bertoni, sobrinho da Vó Rosa, e que, por indicação dela, antes de morrer, nomeou-o seu substituto.
MEIOS DE DIVULGAÇÃO
O programa de rádio “Hora Milagrosa” é que torna a IA mais conhecida, isto em resultado dos milagres relatados e atribuídos à Santa Vó Rosa. Da forma como se exalta o nome de Jesus pelos milagres realizados nos dias apostólicos (At 3.6) hoje se atribui os milagres realizados exclusivamente em nome da Santa Vó Rosa. Credita-se a ela todas as graças recebidas. 
A AUTORIDADE DO PRIMAZ
A autoridade do primaz Aldo Bertoni é indiscutível, por ser o único que recebe essa autoridade da falecida Vó Rosa, cognominada o Consolador. Ela se comunica diretamente com ele. Está escrito: “Esclarecemos que a Santa Vó Rosa não fala por intermédio de mais ninguém a não ser pelo seu sucessor, e não se manifesta em qualquer corpo, mas usa somente a quem preparou. Igualmente dizemos que esta Igreja não é dirigida através de visões de quem quer que seja, a não ser pelas concedidas por Ela ao seu representante.” 
Isso não passa de mediunidade, ou seja, a Santa Vó Rosa, já morta, comunica-se com o seu sobrinho vivo, que, no caso, exerce a função de médium, por meio do qual ela revela sua vontade à igreja.  Mediunidade é prática condenada pela Bíblia (Lv 20.27; Dt 18.9-12: Ap 21.8)
BATISMO REGENERACIONAL
Há grupos religiosos que pregam que a regeneração ou o novo nascimento se dá no momento em que alguém desce às águas batismais. Os apostólicos crêem assim. “E o nascer da água se dá no ato do batismo por imersão no Reino de Deus. Este é um sacramento instituído por Deus, para que os seus filhos cumpram sua justiça e confirmem sua fé, e testifiquem haver deixado do mundo e de todo o pecado, a fim de viverem no Reino de Deus...”
Dois erros encerram esse ensino: 1) “nascer da água” não deve ser interpretado como batizar-se na águas. Nascer da água de Jo 3.5 significa nascer de novo pela Palavra (1 Pe 2.2; Tg 1.18) com a atuação do Espírito Santo (nascer do Espírito) Jo 3.5, que convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.7-9). 2) Falar em cumprir “justiça” é impróprio, porque toda a justiça foi cumprida por Jesus (Mt 3.15), enquanto a salvação é por misericórdia (Tt 3.5).
ÚNICA IGREJA VERDADEIRA
Embora esse sincretismo religioso, dizem os líderes dessa Igreja: “Deus o Pai, precisava da vinda do outro Consolador para revelar a sua doutrina genuína, igual como foi anunciada por Jesus Nosso Senhor...”. E nessa pretensão, como aconteceu com vários segmentos religiosos, a IA se coloca como a única igreja verdadeira sobre a face da terra. Todo o grupo religioso falso usurpa o lugar de Jesus (Jo 14.6).
Textualmente afirma: “É bem verdade que em seu início, foi a mesma quase igual às demais organizações religiosas existentes, mas com o preparo da Santa Vó Rosa como Consolador, Deus o Pai e Jesus puderam aperfeiçoar a igreja e torná-la em uma igreja dirigida diretamente pelo Céu, e sob esse governo a Igreja Apostólica se transformou e hoje é a verdadeira igreja de Deus sobre a terra. É um abrigo espiritual para milhares que nela encontram a verdadeira salvação.”   Quem se der ao trabalho  de ler os três livros-base da AI, ficará enfastiado com as atribuições que se faz a essa senhora. As declarações bíblicas sobre Jesus são transferidas com uma naturalidade impressionante para Santa Vó Rosa. Vão mais além em honrarias para com a Santa Vó Rosa, do que os católicos   para com  Maria Santíssima. Se isso é ensino apostólico, então os apóstolos ensinaram heresias que desconhecemos e que não estão na Bíblia, pois dessa forma honram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente (Rm 1.25).
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