segunda-feira, 26 de março de 2012

O VALOR DA PREGAÇÃO EXPOSITIVA NO CULTO

Por Gilson Barbosa

Espero, leitor, que você tenha lido e compreendido a postagem anterior a essa (A Urgência da Pregação). Sua importância encontra-se no fato de que grande parte das pregações atuais é avaliada pelo autor como superficiais. Sendo a pregação um elemento central do culto cristão ela deve ser considerada com mais seriedade. Os cristãos devem ir aos templos não para receber a unção, buscar poder espiritual, receber bênçãos físicas ou materiais (curas ou prosperidade), cantar, ou coisas assim, mas, para estritamente adorar ao Senhor, proclamar a mensagem cristã e por esse meio propagar o evangelho.

O que me chamou atenção nesse texto foi à menção das mensagens serem idealizadas intencionalmente. Significa que o pregador escolhe antecipadamente o tema com base nas necessidades das pessoas. Isso não é bom, pois, as necessidades destas geralmente estão no campo do material e físico e a implicação dessa atitude é que o pregador se vê na incumbência de centralizar a mensagem na pessoa visando de alguma maneira atender seu interesse. O resultado é o que temos visto: pregações de autoajuda, cultos antropocêntricos, pregações tendenciosas a levar o povo a manifestações externas de espiritualidade, pregadores que parecem mais animadores de auditório do que autentico mensageiro de Deus, músicas evangélicas sem nenhuma preocupação teológica, doutrinária e bíblica, inclinação a afagar o ego dos ouvintes, e por aí vai.  

Com isso a exposição da Palavra de Deus, no culto, está sendo prejudicada.  Ela não deveria ter esse tratamento, pois, conforme o pastor puritano Richard Baxter entendia a pregação é questão de vida ou morte. A mensagem que é pregada no púlpito norteará a vida de inúmeras pessoas e dependendo de como ela está sendo pregada poderá trazer mais prejuízos do que benefícios. Quantas pessoas se encontram desiludidas com a fé cristã; estão assim por conta de pregações que não dizem o que a Palavra de Deus diz.

Como diz o pastor Albert Mohler o debate atual a respeito da pregação refere-se ao formato do sermão. Nos sermões atuais a Bíblia tem sido usada por pregadores apenas como se fosse um “anexo”, um “apenso”, mas não total, pleno. Isso significa que os pregadores até recorrem ao texto bíblico no decorrer do sermão, mas o texto não estabelece os assuntos nem a forma da mensagem. Isso acontece porque o pregador é sempre tentado a sentimentos exteriores proveniente de si mesmo, a esperar por um feedback dos ouvintes e a sentir-se satisfeito com sua perfomance. Sendo assim a chancela da sua pregação serão sempre elementos exteriores e não o resultado da pura pregação bíblica. Tenho dito a alunos de teologia que o melhor método de pregação é o sermão expositivo. No entanto ele exige que o pregador seja abnegado, dedicado aos estudos, fiel ao texto bíblico e acredite no poder das Escrituras e não conte com os improvisos.

A pregação da Palavra deve ter prioridade nos cultos evangélicos. Alguns dizem que as pessoas ouvintes preferem cânticos a exposição da Bíblia. E quem disse que são os ouvintes ou membros da igreja que decidem a liturgia e o que deve acontecer no culto? Quem de fato transforma o pecador numa nova criatura: o cântico ou a pregação da Palavra? Alguns cânticos até são teologicamente sadios, porém outros contradizem totalmente o ensinamento bíblico, são vazios, antropocêntricos.  É melhor que os crentes aceitem de uma vez por todas que os cânticos não são infalíveis, inerrantes e inspirados, conforme são os escritos sagrados.

Às vezes tenho a impressão que alguns crentes ou pregadores não acreditam na suficiência das Escrituras, pois inventam tantos métodos para atrair a atenção dos ouvintes que a simples exposição da Escritura Sagrada fica prejudicada. Historicamente, a exposição da Palavra de Deus foi responsável e suficiente na transformação de milhares de vida e continua até nossos dias. Não é necessário inventar moda ou métodos para atrair a atenção dos ouvintes; é preciso crer que a simples exposição do texto bíblico é capaz de alcançar a alma do pecador e proporcionar regozijo celestial.  Se isso não for assim, algo está errado e precisamos descobrir o quê.

Meu apelo fraterno tanto aos ouvintes quanto aos pregadores da Palavra de Deus é que invistam na pregação expositiva e não busque em seus sermões atender as necessidades dos ouvintes. A vantagem do sermão expositivo é que o texto é quem determina a mensagem e disciplina os ouvintes a receberem a mensagem advinda dela. A continuidade desta pregação criará bases firmes, maduras e saudáveis aos ouvintes e por extensão à toda igreja.

Em Cristo,


4 comentários:

  1. Logo no início do meu trabalho no ensino teológico determinei em meu coração jamais lecionar homilética. Simplesmente pelo fato dos seminários defenderem a existência de mais que um tipo de pregação. Começaram com três (textual, temático e expositivo) e mais recentemente chagaram a cinco (textual, temático, expositivo, doutrinário e biográfico). Não iria ensinar algo no qual eu mesmo não cria. Para mim só existia um tipo de pregação: A pregação expositiva.
    Os anos passaram e a minha convicção apenas aumentou. Hoje entendo que, na verdade, pregação é igual a exposição. Recentemente li o livro do pastor Albert Mohler, Jr. "Deus não está em silêncio" no qual ele faz uma defesa incontestável da pregação expositiva e pude perceber com maior clareza o quanto os púlpitos brasileiros estão vazios da verdadeira pregação bíblica.
    Deus, soberanamente, determinou trazer a Si os eleitos, através da pregação da Palavra (At 18.9,10; Rm 10.17;I Co 1.21;Gl 3.1-5; Ef 1.13). É através da Palavra de Deus que o Espírito Santo opera a regeneração(Tg 1.21;I Pe 1.23-25). Não é através de cânticos, testemunhos, representação teatral e outros meios criados pelos homens.
    Que o Senhor levante em nosso país homens comprometidos com a exposição das Escrituras!
    Mais uma vez, parabens irmão Gilson!

    Pr. Rosivaldo

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  2. Pr Rosivaldo,

    Acredito que a negligencia quanto as pregações expositivas reside no fato de que ela tenha sido relegada em algumas escolas teológicas em detrimento dos outros formatos. Com certeza, isso trouxe sérios prejuizos. É preciso uma mudança de mente e atitude. Que o Senhor nos dê graça para pregar todo o seu "conselho".

    Em Cristo,

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  3. Irmão Gilson, Parabéns pela clareza em expor esse tema. Tenho insistido neste assunto também, porque estou farto de tanta alegoria (onde o limite é a criatividade do pregador), animações de auditório, pseudospentecostalismos e palestras de autoajuda. Deus não chamou pregadores cristãos para palestras de autoajuda ou motivação, mas para pregar o Evangelho Eterno, que é uma "questão de vida ou morte", como bem salientou o Rev. Baxter.

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  4. Pr Elizeu,

    Louvo muitíssimo ao Senhor por conhecer pessoas como o irmão, preocupado com a fiel exposição da Palavra de Deus. Como bem salientou, não está sendo fácil ouvir certos sermões fundamentados em alegorias e auto-ajuda, uso de clichês, mensagens "reveladas", visando atender as necessidades dos ouvintes. Tenho me deparado com crentes que estão há muitos anos na igreja, mas, estão cheios de dúvidas, angustias e temores. Chego a conclusão que é resultado de pregações superficiais e rasas (não expositivas) que tem acontecido pelo Brasil afora em algumas denominações. Penso também que um dos maiores problemas é um entendimento errado, diferenciando pregação de ensino. Eu mesmo já tive essa experiencia quando um irmão ao me ouvir pregar disse que eu ensinava bem a Bíblia. Lastimável!

    Obrigado por seu comentário; por sempre interagir comigo.

    Seu irmão em Cristo,

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