quarta-feira, 4 de abril de 2012

DESIGREJEI! EM BUSCA DO NOVO


Por Naziaseno Cordeiro Torres

Um fenômeno curioso tem acontecido nos nossos dias: a busca ansiosa pelo novo. É comum encontrarmos releituras de ideologias cristalizadas pela história com novas roupagens. Fala-se em Novo Calvinismo, Neoateísmo, Neopuritanismo, Neocapitalismo, Neoliberalismo...  Enfim, o “neo” está na moda!

Como comprovação dessa verdade, a revista Época publicou uma matéria de capa, tempos passados, com o seguinte título: Os Novos Protestantes. A ideia básica que a matéria transmite é que os novos protestantes ensinam que o desejável para os nossos dias “é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional”. Em outras palavras é simplesmente dizer: “Desigrejei!”.

A Eclesiologia (a doutrina da Igreja) está no centro da discussão teológica atual. Novas nuances têm sido aplicadas a fim de remodelar a forma antiga e tradicional da instituição / Igreja. A justificativa é tornar a mensagem do evangelho mais atraente e, também, criar a real possibilidade de distinção do atual modelo, batido, sacralizado pelos neopentecostais.

Agora, é bom que se diga que esse processo de apresentar novas diretrizes para a Igreja não é algo realmente novo. Na trajetória da história eclesiástica várias situações foram infundidas. Abraão Kuyper, por exemplo, ensinava que deveria se fazer uma distinção entre a igreja como instituição e a igreja como organismo.  Como “instituição, a igreja foi investida com três ofícios (profético, sacerdotal e real) e é chamada a pregar e administrar os sacramentos e a exercer a disciplina. Como organismo, ou corpo de crentes, ela deve se envolver em atividades sociais e levar a efeito o mandato cultural”. A crítica severa a Kuyper é que com o passar do tempo ele parecia dizer que a igreja verdadeira não era a igreja como instituição, mas a igreja como organismo. Ou seja, ele pregava que a igreja como instituição existe para servir a igreja como organismo, equipando os santos para a sua tarefa no mundo. Qual tarefa? O engajamento político-social sob os auspícios do mandato cultural. Essa fase ficou conhecida na Europa, especificamente na Holanda, como o Neocalvinismo.

Hoje, o que presenciamos é um novo modelo de Igreja. Agora, em Kuyper a Igreja deveria tomar consciência do seu mandato e entrar no mundo para influenciar todas as esferas da vida. Parece que a estratégia dos novos protestantes é totalmente contrária a Kuyper. Na realidade os novos protestantes querem preparar a Igreja para que o mundo entre nela e permaneça. Assim sendo, a Igreja precisa ser remodelada para atender o cliente chamado Mundo. Quais são as reformas?

1º Esqueça o sermão bíblico expositivo. Palestra soa melhor aos ouvidos do cliente Mundo;

2º Templo? Isso é coisa do passado. Pequenos grupos, ou células, são mais interessantes;

3º E o que falar dos dízimos? O ofertório na hora do culto é politicamente incorreto para os nossos dias.

4º Não se identifique como evangélico, ou crente ou irmão.

5º O termo igreja é questionado. Os novos protestantes preferem termos como Comunidade, Estação, entre outros...

6º Ah! Quase esqueço... Informalidade é à base da comunicação verbal e visual. Portanto, aposente o terno/gravata e afie a língua para uma sincronia com a comunicação da moda.

Bom, esses são os novos protestantes. Estão eles certos? A igreja institucionalizada está em crise? É preciso novas estratégias para alcançar o mundo? A Escritura, porém, nos apresenta as veredas antigas. O antigo evangelho. Voltar a ele é avançar. A minha preocupação é que o novo protestantismo, com a sua bandeira de quebrar paradigmas, produza ao longo do tempo crentes superficiais – sem compromisso, sem comunhão, sem história, sem igreja.

FONTE: Jornal Presbiteriano, março de 2012

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