sexta-feira, 1 de junho de 2012

CASAMENTO E DIVÓRCIO

Por Odayr Olivetti

 “Pode me dizer uma palavra sobre o divórcio?”

Na primeira parte da resposta expus algo sobre o casamento. Agora: sobre o divórcio.

1. Declaração Básica: A união matrimonial foi estabelecida por Deus para nunca se desfazer, exceto pela morte. Nesse sentido é indissolúvel. Não é indissolúvel no sentido de que não é possível dissolvê-la, mas sim no sentido de que não se deve dissolvê-la. Confirma isso o que disse o Senhor Jesus Cristo em Mt 19.4, depois de citar as palavras da instituição do matrimônio. Disse Jesus: “O que Deus ajuntou não o separe o homem”. Estas palavras de Jesus Cristo significam principalmente: (1) Que é possível dissolver os laços matrimoniais; (2) Que os homens e as mulheres devem obedecer à ordem de Jesus que proíbe o divórcio.

2. Biblicamente, o divórcio só é permitido quando há infidelidade conjugal (adultério), como se vê em Mt 19.4. A Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XXIV, Seção VI, considera a deserção obstinada e irremediável de um cônjuge como infidelidade conjugal semelhante ao adultério, e nesse caso justifica o divórcio.

3. Sempre existe a possibilidade de recuperação, ou do casamento, ou da comunhão com a igreja – sobre a base de um verdadeiro arrependimento. É consoladora a mensagem que se vê, por exemplo, em Is 1.18: “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o SENHOR; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão bancos como a neve...”.

4. Aplicação responsabilizante: Cabe aos cônjuges o dever de zelar para que o seu casamento não seja desfeito. Peço ao digno consulente e aos demais leitores que deem toda a atenção aos três fatores pró-unidade do casamento de que falo a seguir:

A paixão (eros); o amor real (agape); e a fidelidade.

A paixão comparo ao bronze; o amor à prata; e a fidelidade ao ouro.

Por quê? Porque a fidelidade sobrevive quando a paixão e o amor de marido e mulher fenecem. A fidelidade é o poderoso antídoto contra a dissolubilidade da união matrimonial. Que bom se o casal mantiver os três: paixão, amor e fidelidade! Mas, aconteça o que acontecer, que ambos se mantenham fiéis.

É o que faz muita falta na sociedade moderna: fidelidade partidária, fidelidade no cumprimento de promessas e compromissos, fidelidade entre amigos. – É tragédia quando falta a fidelidade entre marido e mulher!

Quanto aos cristãos é bom lembrar que a fidelidade nasce da fé. Até etimologicamente: fides, fidelis, fidelitas (fé, fiel, fidelidade). A fé verdadeira Deus oferece de presente: “Pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).

Querem os meus amigos leitores uma chave para manter o seu casamento forte, unido, fiel e amoroso? Desenvolvam em sua vida o amor de Deus. Ele o derrama nos crentes pelo Espírito Santo (Rm 5.5). 


Os casais cristãos têm esta grande vantagem: O amor de Deus foi derramado em seus corações. Procurem, pois, dar testemunho do amor de Deus mantendo-se unidos pelo amor, para sempre.

O reverendo Odayr Olivetti é pastor presbiteriano, ex-professor de Teologia Sistemática do Seminário Presbiteriano de Campinas, escritor e tradutor. - odayrolivetti@uol.com.br

FONTE: JORNAL PRESBITERIANO, MARÇO 2012

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