terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A HUMILHAÇÃO DE CRISTO (Filipenses 2:5-8)

Gilson Barbosa

Numa época em que têm ocorrido falsas conversões em massa, em que predomina as doutrinas espúrias do triunfalismo e confissão positiva, e impera o pragmatismo religioso, fazer qualquer menção sobre a humilhação de Cristo pode ser tido como antiquado e vergonhoso. Muitos crentes parecem estar vivendo a fé com base numa literatura de conto de fadas, e por sustentar tais doutrinas e métodos espúrios estão se afastando mais e mais do modelo bíblico para a vida cristã. Porém a doutrina da humilhação de Cristo é bíblica.
Na igreja filipense alguns irmãos estavam se desentendendo por conta de disputas, invejas, exaltação e egoísmo. Foi necessário o apóstolo Paulo exortá-los quanto a isso. O problema gerou desunião entre eles e isso não era nada bom. Deveriam abrir mão de suas prerrogativas e privilégios, posição e status, e viverem harmoniosamente tanto nos sentimentos quanto nas demais obrigações.   
Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa.      
Nada façais por contenda ou por vanglória, mas  por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.      
Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. 
                                                                            Filipenses 2:2-4
Portanto, a partir do versículo 5 o apóstolo demonstra aos filipenses a necessidade de viverem em harmonia e informa-os que havia um exemplo elevadíssimo a ser seguido: o de Cristo Jesus.
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,       
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,      
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;      
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
                                                                                     Filipenses 2:5-8


A expressão “sendo em forma de Deus” trata da Divindade de Jesus Cristo. Algumas versões da Bíblia trazem “subsistindo em forma de Deus”. Jesus na ocasião da sua encarnação não perdeu nem se esvaziou da sua Divindade. Na terra ele foi plenamente Deus e plenamente ser humano. Se Cristo não possuísse atributos de uma Divindade pareceria que sofresse de algum distúrbio psicológico. Ele poderia muito bem ser tido como louco. Ele fez e anunciou muitas coisas sobre si muito graves. Perdoou pecados, afirmou que Nele cumpria-se o que Moisés, os Profetas e os Salmos vaticinaram, ressuscitou mortos, andou sobre as águas, e afirmou que veio para salvar a humanidade da culpa e da condenação do pecado. Se Cristo não fosse plenamente Deus eu teria dúvida sobre a eficácia do seu sacrifício na cruz do Calvário. Que poder há na morte de um simples homem? Nenhum. Pessoas morrem fanaticamente por outros, mas nem por isso os pode livrar da condenação eterna.  Mas porque Jesus era Deus entre os homens seu sacrifício possui poder para redimir o mais vil pecador.
Não obstante possuir igualdade com Deus Pai em termos de seus atributos Ele “não teve por usurpação ser igual a Deus”, ou seja, seus privilégios ou status celestial não impediu que deixasse a glória do céu e encarnasse entre os homens. Ele não se agarrou ao fato de ser da mesma essência do Pai, mas abriu mão de toda a glória que possuía para viver entre nós. Note, ele não abriu mão da sua Divindade, mas da glória que tinha no céu: “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo  existisse” (João 17:5). Muitos crentes estão tão apegados aos seus privilégios e posição que possuem numa determinada situação ou igreja local que não conseguem nem por um momento se desprender daquilo. Com isso vão pisoteando os demais irmãos e vivendo egoisticamente. Cristo nos deu exemplo ao abrir mão da sua posição, ao assumir a fragilidade humana, e morrer sacrificialmente pelos pecadores. Ao agir assim ele se “esvazia” voluntariamente.
Da mesma maneira que Jesus subsistia em forma de Deus Ele toma a forma de servo. A palavra “forma” tem a mesma intensidade de sentido nos dois textos (vs. 5 e 6). Assim como ele era realmente Deus ele agiu realmente como servo. Quando medito em Cristo como servo a primeira cena que me vem à mente é quando ele lava os pés empoeirados de seus discípulos (João 13). Aquilo que para muitos poderia ser motivo de depreciação em razão de sua função ou posição para Cristo foi algo espontâneo e necessário.
Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus,      
Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se.      
Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.
Noutra ocasião (Lucas 22: 25-27) quando os discípulos disputavam entre si quem deles poderia ser o maior no Reino de Deus Jesus os repreendeu e se deu como exemplo:
Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que têm autoridade sobre eles são chamados benfeitores.      
Mas não sereis vós assim; antes o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve.      
Pois qual é maior: quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve.
Muitas pessoas fazem questão de serem servidos, mas aqui Jesus afirma que entre os seus discípulos ele estava na posição de quem serve. Que lição estupenda! Você tem vergonha de Cristo por causa disso?
Cristo se fez semelhante aos homens (v.7). A expressão “semelhante” tem o sentido de identificação em todas as coisas com a humanidade. Nosso Cristo era diferente do restante da raça humana em duas coisas: concepção virginal e natureza imaculada do pecado. Porém nas demais coisas ele era humanamente como nós. Em sua trajetória de vida nasceu numa manjedoura, seus pais tiveram de fugir com Ele para não ser morto, foi rejeitado, tentado pelo vil Diabo, chorou, às vezes ficava sem dormir, foi desprezado e julgado ilegalmente e por fim sofreu a pior das mortes. Sua vida foi de muito sofrimento, como profetizou Isaías (53:3)
Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, Era desprezado, e não fizemos dele caso algum.
Em tudo isso está claro sua humilhação (v.8). O primeiro homem (Adão) que tinha o mandamento divino de obedecer transgrediu a lei do Senhor e arrastou a humanidade consigo ao pecado e condenação eterna. Era necessário que Cristo corrigisse o erro de Adão e fosse obediente aos mandamentos de Deus para reconciliar pecadores com o Pai. Cristo obedeceu perfeitamente a Lei de Deus sendo “obediente até a morte”. Sua lealdade ao projeto eterno de salvação, por parte do Pai, rendeu-lhe a morte; a pior das mortes: morte de cruz (v.8b).
A cruz de Cristo tem sido motivo de vergonha, loucura e escândalo para muitos (I Coríntios 1:23). Mesmo os que se dizem convertidos tem vergonha de falar sobre a cruz de Cristo. Preferem falar sobre prosperidade e declarar que nada de ruim lhe acontecerá. Não admitem o sofrimento. Pensam que Deus tem a obrigação de desviar deles todo o sofrimento. Não somos melhores que Cristo! Cristo tornou-se maldito de Deus por causa de nossos pecados.
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro. (Gálatas 3: 13).
Que possamos compreender e seguir o exemplo que Cristo deixou. Somente assim viveremos nossa fé em sólido fundamento e não em teorias de líderes pragmáticos. Não amaldiçoe sua vida só porque as coisas não estão indo como desejaria que fosse. O sol e a chuva são para os bons e os maus. Aprenda com o exemplo de Cristo.
No amor do Mestre!
                                                             

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