terça-feira, 24 de julho de 2012

CIENTOLOGIA: A RELIGIÃO DOS FAMOSOS EM BUSCA DA SAÚDE MENTAL

Por Gilson Barbosa



Nas ultimas semanas a notícia do divórcio do ator Tom Cruise e Katie Holmes atraiu a mídia para a especulação de que um dos motivos da separação foi a religião de Tom: a Igreja da Cientologia. 


A Cientologia é conhecida como a religião dos famosos norte-americanos (Mimi Rogers, Chick Corea, John Travolta, Tom Cruise, Will Smith, etc). Foi fundada em 1954 por Lafayette Ron Hubbard (1911-1986). A expressão “cientologia” foi cunhada por Hubbard e vem da palavra latina scio que significa “saber no sentido mais lato da palavra”, e da palavra grega logos que significa “estudo de”. Significa saber como saber. Cientologia define-se também como “o estudo e tratamento do espírito em relação a si mesmo, universos e outras formas de vida”.[1]

Segundo informações “A origem do sucesso da cientologia é o livro Dianética: a Moderna Ciência da Saúde Mental, publicado em 1950 por Hubbard. O livro permaneceu na lista dos mais vendidos do The New York Times por 28 semanas consecutivas. Mesmo depois de banida pela Associação Americana de Psicologia, a dianética serviu de base para a fundação da Igreja da Cientologia”.[2]

A expressão “dianética” vem do grego “dia”, através, e “nous”, razão, mente. A dianética é uma das principais crenças da Cientologia cujo objetivo é promover a saúde mental; é um conjunto de ideias e práticas relativas à relação metafísica entre a mente e o corpo. Primeiro Hubbard escreveu o livro Dianética, e, após a condenação do livro pela Associação Americana de Psicologia, e perto da ruína financeira, viu na nova crença sua salvação. Certa vez ele disse a um amigo: “'Eu gostaria de fundar uma religião. É aí que está o dinheiro”.

O Dicionário de Religiões, crenças e ocultismo, página 95, informa que um conceito fundamental da Cientologia é que “a mente é dividida em duas partes básicas: a analítica e a reativa. A primeira percebe, lembra e conduz os processos do raciocínio. A segunda registra os engramas[3]. A mente é vulnerável aos engramas durante os momentos traumáticos, principalmente nos estágios pré-natais e no nascimento. Essas experiências, que muitas vezes são extremamente dolorosas, não são lembradas pela mente analítica; portanto, não estão aparentes no nível da consciência. A chave para se alcançar a saúde mental é submeter-se ao exame e ao tratamento de um auditor[4]”.

A iniciação do adepto da Cientologia é condicionada a participar das sessões de terapia (denominada de audições) para a purificação dos engramas (que seriam como cicatrizes, marcas tristes, traumáticas e profundas do passado). A mente reativa deve ser limpa para que a mente analítica tenha saúde e paz. Desta forma a Cientologia “promete aos seus adeptos melhorar sua capacidade de comunicação e diminuir seus sofrimentos, ensinando-as a lidar com as pessoas e seu meio”.[5] As sessões terápicas possuem vários níveis e todas são pagas (e bem pagas!) até que o adepto esteja totalmente “limpo”. A Revista Época acrescenta:

Ao ingressar na cientologia, o fiel tem de passar por sessões de 'audição', uma espécie de psicoterapia em que um membro mais experiente da igreja estimula o novo adepto a enfrentar suas angústias. O resultado é avaliado por meio de um aparelho conhecido como eletropsicômetro, que funciona mais ou menos como os detectores de mentira, captando alterações nas pequenas correntes elétricas do corpo. Além de expor sua vida pessoal, o fiel também precisa pôr a mão no bolso.

O conceito hamartiológico  da Igreja da Cientologia é que o homem é basicamente bom, o que precisa mesmo é tão somente purificar, limpar sua mente por meio de método humano e tecnológico. O cristianismo bíblico afirma o contrário:

Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. (Romanos 3:12)

... e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro. (I João 2:2).

Para a Cientologia o homem é a encarnação de seres extraterrestres. “De acordo com os cientologistas, há 75 milhões de anos o maligno Lorde Xenu comandava 75 planetas superpovoados em galáxias próximas da Terra. Para resolver o problema, ele mandou 13,5 trilhões desses ETs para cá e os atirou sobre vulcões. Lá, eles se transformaram em espíritos chamados thetans, que hoje habitam os corpos dos seres humanos. Mais de 10 milhões de pessoas, espalhadas por 159 países, acreditam nessa história, segundo os representantes da igreja. A Cientologia tem mais de 6 mil templos, sedes e missões espalhados pelo mundo, instalados em imóveis avaliados em alguns bilhões de dólares”. [6] Para o cristianismo bíblico o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, diretamente por sua mão:

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. (Gênesis 1:27, 28).

O conceito de Deus, na Cientologia, é expresso como a Oitava Dinâmica[7] — o impulso para a existência como infinito. Isto também se identifica como o Ser Supremo. Enquanto a Oitava Dinâmica, o conceito de Deus em Cientologia repousa no ápice da sobrevivência universal. A ideia básica é que Deus é um ser impessoal, uma “força de vida”, é a totalidade de tudo (uma espécie de confusão entre Deus como o Criador e as demais coisas criadas, entendendo ambas como uma fusão). O universo contem muitos deuses e existem divindades até mesmo acima deles, crê o cientologista. No cristianismo bíblico Deus é um Ser pessoal, que se relaciona com seu povo. O cristianismo cristão afirma o monoteísmo, a triunidade e a singularidade de Deus.


     Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. (Dt 6:4)

De sorte que, [Jesus] exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis. (Atos 2:33).

Assim diz o Senhor, Rei de Israel, e seu Redentor, o Senhor dos Exércitos: Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus. (Isaías 44:6)

Existem outros pontos divergentes entre a Cientologia e o cristianismo bíblico. Jesus, por exemplo, é apenas um “mestre”, um “exemplo de fé, moral e conduta”. É como se Jesus se encontrasse no último estágio apregoado pela Cientologia: uma sombra limpa, detentor da saúde mental. Para nós, no entanto, Jesus foi enviado por Deus para salvar a humanidade dos seus pecados (que os cientologistas negam), verdadeiro Deus e homem, mediador entre Deus e o homem. Se Jesus tivesse apenas seu exemplo moral para nos oferecer não teria poder para resgatar a humanidade dos seus pecados e oferece-las vida eterna. Aliás, é bom que saibam que a Cientologia mistura elementos de várias religiões, como hinduísmo, budismo e cristianismo.

Por fim vejo a Cientologia como uma religião de autoajuda. Misturam elementos da religião, ciência e filosofia na tentativa de estudar o espírito e entender a relação de cada pessoa consigo mesma, o universo e outras formas de vida. No entanto, para o cristão ela nada tem a oferecer, pois contradiz pontos fundamentais da fé que defendemos. Ela também não trabalha o conceito de eternidade, negando a realidade do inferno e do céu. Na verdade, os cientologistas estão como alguns dos famosos judeus nos dias de Jesus: não querem vir a Cristo para terem verdadeiramente vida. (João 5:39).


Em Cristo,
         

[1] Explicação extraída do próprio site da igreja no Brasil.
[2] Revista Época, edição nº 411, 31/03/2006.
[3] Eventos negativos que ocorrem na vida de um indivíduo são registrados na mente reativa em forma de engramas. Essas forças negativas não estão disponíveis à mente analítica, mas a afetam por meio de imagens mentais que emergem ocasionalmente.
[4] Pessoa treinada na cientologia para administrar o tratamento terapêutico aos pacientes ou iniciantes da Cientologia.
[5] Mensageiro da Paz, outubro de 2006, p. 16.
[6] Revista Época, edição nº 411, 31/03/2006.
[7] A Cientologia trabalha com a ideia de 8 dinâmicas. As dinâmicas são certos princípios fundamentais que podem ser amplamente utilizados para melhorar qualquer condição das pessoas. Deus, no caso, é a oitava dinâmica. 
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quinta-feira, 19 de julho de 2012

VIOLÊNCIA SOCIAL (Subsidio EBD)

Por Gilson Barbosa

É inegável que vivemos um tempo de extrema violência. Crimes, guerras, escravidão, terrorismo, abortos, revoluções políticas, a “sagrada inquisição”, são alguns retratos da violência social. Porém, ela não é um fenômeno dos tempos atuais. Logo no início da humanidade, antes do Dilúvio, a Bíblia afirma que “havia violência por toda a parte” e que a terra naquela época estava “cheia de violência” (Gênesis 6:11, 13 – versão na Linguagem de Hoje). A violência daquela época não se caracterizava apenas pela agressão física, mas, por todo o tipo de impiedade. Outras versões da Bíblia Sagrada anota, no texto bíblico acima citado, a palavra corrupção em vez de violência. Muitas pessoas entendem a violência ou a conhecem apenas como agressão física, mas, há muitas tipologias de violência.

Não é tarefa fácil conceituar a violência, pois, segundo Gro Harlem Brundtland, Diretora Geral da Organização Mundial da Saúde no ano de 2002, “A violência é um problema complexo, relacionado a padrões de pensamento e comportamento que são formados por uma multidão de forças dentro das nossas famílias e comunidades, forças essas que, ainda, podem transcender as fronteiras nacionais”.

Em 2002 foi elaborado o “Relatório Mundial sobre Violência e Saúde”, onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a violência como “um dos principais problemas mundiais de saúde pública”.  

Mesmo sendo difícil definir a violência, creio que a melhor é aquela que define tanto a intencionalidade quanto o ato em si da violência. Ameaças, privações, uso abusivo e distorcido do poder, negação, caracterizam a intenção do agente causador provocando danos psicológicos. Já o uso da força física causará lesão e morte. Desta forma opto pela OMS que a define como:

O uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação.

Recentemente o público brasileiro passou a aceitar com normalidade o Mixed Martial Arts – MMA. Evidentemente é uma estratégia do presidente do UFC (Ultimate Fighting Championship, uma organização americana de artes marciais mistas ou MMA - Mixed Martial Arts.), Dana White, das empresas patrocinadoras, e das Comunicações Globo, alavancar a luta no Brasil, atrair público e com isso aumentar seus ganhos financeiros. Mas, o que quero destacar dessas lutas são a brutalidade e violência que se leva para dentro do ringue, octógono, palco, etc. Ainda que muitos simpatizantes chamem-na de esporte, na verdade não passa do despejar da ira, raiva e violência dos que se gladiarão até que o sangue apareça na face do combatente, causando lesão e porque não dizer até mesmo morte. Como cristãos não devemos apoiar nem nos simpatizar com essa violência toda perpetrada nessas lutas. É certo que existem “regras”, mas, não importa, é violento do mesmo jeito.

A violência pode ser dividida em três grandes categorias: a auto-infligida, a interpessoal e a coletiva. A violência auto-infligida se traduz em comportamento suicida, automutilação, autoflagelação, autopunição. É aquela onde a pessoa se auto violenta. A violência interpessoal acontece nas relações com o outro. Pode ser no âmbito familiar ou externo. Aqui ela poderia ser subdividida em violência moral, patrimonial e verbal. Já a violência coletiva está presente no âmbito social, político e econômico. Os estudiosos falam na institucionalização da violência. Nesse sentido nada mais é do que o abuso do poder, negligência, maus-tratos e omissão das instituições sociais, políticas e econômicas. Encontramos muito desse tipo de violência, por exemplo, nos hospitais públicos (Leia Aqui) ou na maneira como a polícia aplica sua força no combate à própria violência.   
    
Quanto à natureza dos atos violentos elas podem ser de ordem física, sexual, psicológica, maus tratos e abandono. Segundo o Ministério da Saúde[1] muitas são as formas e naturezas das violências apontadas por vários estudiosos. Destacam-se:

• Física: São atos violentos com uso da força física de forma intencional, não acidental, com o objetivo de ferir, lesar, provocar dor e sofrimento ou destruir a pessoa, deixando, ou não, marcas evidentes no seu corpo.

• Psicológica: É toda forma de rejeição, depreciação, discriminação, isolamento, desrespeito, cobranças exageradas, punições humilhantes e utilização da pessoa para atender às necessidades psíquicas de outrem. É toda ação destinada a caluniar, difamar ou injuriar a honra ou a reputação do indivíduo ou qualquer conduta que implique prejuízo à saúde psicológica, à autodeterminação, ou que coloque em risco ou cause dano à auto-estima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa. Esse tipo de violência também pode ser chamado de violência moral. Um dos tipos de violência psicológica ou moral é o “assédio moral”, que ocorre a partir de relações de poder entre patrão e empregado ou entre colegas de trabalho.

• Sexual: É qualquer conduta que constranja, a presenciar, manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça coação ou uso da força; comercializar ou utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade; impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que force um matrimônio, à gravidez, ao aborto, à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. Tal pratica é considerada crime, mesmo se exercida por um familiar, seja ele, pai, mãe, padrasto, madrasta, companheiro(a), esposo(a), irmão(ã).

• Negligência/abandono: Decorre de uma omissão ou ação. É deixar de prover as necessidades e cuidados básicos para o desenvolvimento físico, emocional e social da pessoa. O abandono é considerado uma forma extrema de negligência.

Quanto às causas da violência os estudiosos atribuem à personalidade animalesca e primitiva do homem (como a teoria da evolução). Nesse sentido o homem nada mais é do que resultado da evolução animal. Não há nada de especial no homem e em alguns casos ele agirá conforme seus instintos mais inferiores. Outros atribuem ao determinismo biológico do ser humano. O determinismo biológico é a ideia que afirma que todo agir humano é determinado por fatores inerentes à sua natureza. Ou seja, suas ações e vontades não são livres e sim o resultado de mecanismos biológicos.

No caderno teológico IX, do Curso de Teologia do Instituto Cristão de Pesquisas, o autor nos informa algo interessante sobre o que acontece ao crermos no determinismo biológico:

Hoje, não só o adultério, mas a violência é explicada em termos de herança animal, como sequelas advindas das épocas em que o homem grunhiam e rosnavam. O famoso cientista Carl Segan em artigo publicado na Revista Superinteressante relaciona o comportamento no esporte, mesmo no esporte violento, como originado geneticamente: “Mas, se nossa paixão pelo esporte (violento) é tão profunda e tão difundida, é possível que esteja arraigada em nós – não em nosso cérebro, mas em nossos genes”.  

Longe de declararmos que Deus é o autor do mal, e, por conseguinte da violência, algo de ruim aconteceu ao ser humano quando desobedeceu a ordem Dele. Agora ele passa a conhecer o bem e o mal. E como a natureza humana, por causa da transgressão do representante da humanidade (Adão), é inclinada a impiedade e maldade, não demorou em que a inveja, ambição, medo, ódio e orgulho humano, se transformassem em agressão física e, esta em morte. É o que vemos retratado no “primeiro homicídio” da história humana (Gênesis 4:8-11):

E falou Caim com o seu irmão Abel: e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel, e o matou. E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei: sou eu guardador do meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão.

Apesar do desenvolvimento cultural, no início da civilização do mundo bíblico, ela não serviu para frear, diminuir ou evitar o ímpeto da violência. Os educadores elaboram relatórios, reúnem-se para discussão, realizam pesquisas e encontros, (e nisso há louvor) com o objetivo de evitar a violência, mas, infelizmente os resultados não são tão assim positivos. É como se o dilema da violência tivesse sua causa nas desigualdades sociais, na pobreza, na falta de acesso à educação e cultura e não na natureza intrínseca do ser humano. Não creio que todos os casos de violência e morte (nacional e mundial) têm base, justificativa e explicações nestes elementos.  

Antes de concluir quero dizer aos leitores que alguém disse ser a Bíblia um livro repleto de violência, e, portanto, sua leitura nao deveria ser incentivada ou mesmo recomendada. Porém, a Bíblia nunca aprovou a violência. Seus relatos apenas mostram do quê a natureza humana corrompida é capaz. E parece que um dos desejos pecaminosos mais cruéis dos personagens é tirar a vida do próximo, mediante os violentos atos. É por isso que o Senhor ordena no sexto mandamento: “Não matarás”. Deus está protegendo e pedindo que protejam a integridade física do ser humano.

Como servos do Senhor não podemos nem devemos ser agentes ou propagadores da violência. Todos (os crentes) estão sujeitos a sofrer ou infringir violência a outros. Infelizmente sabemos do uso da força física até mesmo em reuniões locais de pastores, quando o clima entre os “santos” não está nada bom. Nas Convenções de pastores (não em todas, é claro) sabemos que quando as tensões aumentam alguns dos “piedosos” homens de Deus partem para a violência física. Que vergonha e mau exemplo!

Que o Senhor nos guarde, ajude e que sejamos “mansos e pacificadores”. Não esqueça que a agressão física não é o único tipo de violência. Ameaças, pressões psicológicas, omissões, xingamentos, métodos coercivos e ocultos de manifestação de poder humano, também são violências. Há pessoas que não agridem fisicamente seu próximo, mas, o ato de caluniar, mentir, difamar, tramar, xingar, trapacear, contribui para o esmagamento moral e violento do caráter do outro.

Cuidado! Se já agiu ou estás agindo assim, neste teu comportamento vil podes estar entesourando para ti mesmo a ira Divina: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; o qual recompensará cada um segundo as suas obras” (Romanos 2:5, 6).

Em Cristo,


[1] As formas e naturezas descritas neste artigo são uma compilação textual do Ministério da Saúde. 
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sábado, 14 de julho de 2012

A MORTE PARA O VERDADEIRO CRISTÃO (Subsídio EBD)


Por Gilson Barbosa

A “morte” foi expulsa das nossas conversas cotidianas porque nossa sociedade é materialista. Ela nega e não se conforma com a finitude humana. Mas, o certo é que cedo ou tarde, todos morreremos. Por não aceitar a realidade da morte é que ela se torna tão intragável.

A autora Maria Fernanda Vomero disse o seguinte sobre esse tema:

 “A morte pode ser vista como um mistério incompreensível. Ou como um absurdo inaceitável. A morte pode até ser tratada como um tabu. Mas, seja como for, aceitemos isso ou não, a morte é uma realidade inexorável. Por mais que queiramos nos esconder dela, deixar de existir é tão natural quanto existir. Na verdade, a morte é provavelmente a única coisa certa na sua existência ou na minha: é certo que todos nós vamos morrer um dia.

Pode-se aceitar a inevitabilidade da morte e olhá-la de frente. Ou pode-se negá-la, fugir dela, imaginar que não pensar na morte possa fazer com que ela deixe de acontecer com você ou com a sua família. Mas todos nós estamos programados para nascer, crescer e morrer – uma obviedade esquecida por boa parte da sociedade ocidental contemporânea, que teima em ver a morte como um evento inesperado e injusto. Sobretudo, costumamos vê-la como um evento exclusivo, pessoal, que isola quem sofre uma perda de todo o resto do mundo. Mas não há nada menos exclusivo do que morrer”. 

A primeira razão porque a morte impõe medo é que “o maior desejo do homem é a imortalidade”, segundo a psicóloga Ingrid Esslinger, da Universidade de São Paulo (USP). O que frustra o homem é que apesar de toda a tecnologia científica ainda não se descobriu (nem se descobrirá) uma maneira de deter a morte. No entanto, a Bíblia afirma que a imortalidade do homem dependia da sua obediência ao mandato Divino, o que não aconteceu: “E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:15-17).

O teólogo Louis Berkhof diz o seguinte sobre o fato de o homem ser criado imortal:

Outro elemento da imagem de Deus ainda, é a imortalidade. Diz a Bíblia que só Deus tem imortalidade, 1 Tm 6.16, e isto pareceria excluir a idéia da imortalidade humana. Mas é mais que evidente, pela Escritura, que o homem também é imortal, nalgum sentido da palavra. O sentido é que somente Deus tem imortalidade como uma qualidade essencial, tem-na em Si e de Si próprio, ao passo que a imortalidade do homem é uma dádiva, é derivada de Deus. O homem foi criado imortal não apenas no sentido de que sua alma foi dotada de uma existência interminável, mas também no sentido de que ele não levava dentro de si as sementes da morte física, e em sua condição não estava sujeito à lei da morte. Foi feita a ameaça da morte como punição do pecado, Gn 2.17, e que isso incluía a morte corporal ou física, está patente em Gn 3.9. Paulo nos fala que o pecado trouxe a morte ao mundo, Rm 5.12; 1 Co 15.20, 21, e que morte deve ser considerada como o salário do pecado, Rm 6.23.

A segunda razão porque a morte impõe medo é a supervalorização da vida. Numa sociedade materialista e consumista é difícil o desapego ao bem estar terrestre que a prosperidade proporciona. Não é do cristianismo bíblico a preocupação sórdida com as benesses terrenas. O pastor Geremias do Couto disse que economicamente e financeiramente prevalece no ateísmo o princípio de que os bens materiais simbolizados pelo dinheiro são a coisa mais importante em detrimento da busca de Deus (Sl 14.1-4). O pastor Elienai Cabral comentando sobre o materialismo disse que este não admite as coisas espirituais. Do ponto de vista dos materialistas tudo é matéria. Os materialistas afirmam que a geração e a corrupção das coisas obedecem a uma necessidade natural, não sobrenatural, nem ao destino, mas às leis físicas. Portanto, o sentido espiritual da morte não é aceito pelos materialistas. Há crentes materialistas? Se entendermos que na igreja de Cristo há trigo e joio, detectaremos naturalmente que o joio é materialista. No meu entender, em algum sentido a Teologia da Prosperidade induz ao materialismo. Para mim alguns crentes são até mesmo ateus.

A terceira razão porque a morte impõe medo é a ilusão de eterna beleza e jovialidade. Não é errado nem pecado exercitar-se fisicamente ou usar cosméticos que produzem aparência jovial. Mas, a excessiva preocupação com a aparência física, apenas esteticamente, tem conduzido muitos a uma tímida negação da morte.   

No Novo Testamento há três palavras que designam morte: thanatos, anairesis e teleute. “Thanatos” pode ser usada como a separação do homem de Deus e a separação da alma do corpo, ou seja, o último cessar de funções e a volta para o pó. Em ambos, o sentido é de separação. A morte é tão triste justamente por causa disso: separa-nos temporariamente ou eternamente dos nossos entes queridos. Bem disse o salmista: “A duração da nossa vida é de setenta anos, e se alguns, pela sua robustez, chegam a oitenta anos, o melhor deles é canseira e enfado, pois passa rapidamente, e nós voamos”. “Anairesis” significa tomar para cima ou para fora, como por exemplo, tirar a vida (no caso da morte de Estêvão): “E Saulo consentia na sua morte. Naquele dia, levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria” (Atos 8:1). “Teleute” é fim, limite, ou seja, o fim da vida, morte, usado para descrever a “morte” de Herodes: “e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho” (Mateus 2:15).

Outros sentidos de morte são: saída ou partida. Neste caso refere-se ao episódio onde Moisés e Elias aparecem no Monte da Transfiguração e numa conversa com Cristo tratam da sua partida ou saída deste mundo terreno, em outras palavras, da sua morte: “E, estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto, e o seu vestido ficou branco e mui resplandecente. E eis que estavam falando com ele dois varões, que eram Moisés e Elias, os quais apareceram com glória, e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém” (Lucas 9:29-31); cessação da existência da vida animal, física. Este termo é usado pelo anjo do Senhor a José no retorno do Egito para a Palestina: “Tendo Herodes morrido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino” (Mateus 2:19,20); rompimento das relações da vida material. Neste sentido a reencarnação não passa de um sofisma. Podemos observar esse princípio na morte do filho de Davi com Bate-Seba: “Então, Natã foi para sua casa. E o SENHOR feriu a criança que a mulher de Urias dera à luz a Davi; e a criança adoeceu gravemente. Buscou Davi a Deus pela criança; jejuou Davi e, vindo, passou a noite prostrado em terra. Então, os anciãos da sua casa se achegaram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis e não comeu com eles. Ao sétimo dia, morreu a criança; e temiam os servos de Davi informá-lo de que a criança era morta, porque diziam: Eis que, estando a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança é morta? Porque mais se afligirá. Viu, porém, Davi que seus servos cochichavam uns com os outros e entendeu que a criança era morta, pelo que disse aos seus servos: É morta a criança? Eles responderam: Morreu. Então, Davi se levantou da terra; lavou-se, ungiu-se, mudou de vestes, entrou na Casa do SENHOR e adorou; depois, veio para sua casa e pediu pão; puseram-no diante dele, e ele comeu. Disseram-lhe seus servos: Que é isto que fizeste? Pela criança viva jejuaste e choraste; porém, depois que ela morreu, te levantaste e comeste pão. Respondeu ele: Vivendo ainda a criança, jejuei e chorei, porque dizia: Quem sabe se o SENHOR se compadecerá de mim, e continuará viva a criança? Porém, agora que é morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim” (II Samuel 12:15-23).

A morte impõe medo e angustia, mas, os eleitos salvos em Cristo não devem se desesperar diante dela. O apóstolo Paulo não temia a morte: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor” (Filipenses 1:21-23). Para ele a morte não era perda e sim lucro, pois, seu desejo era estar com Cristo, que ele afirma ser “ainda muito melhor”. A morte para os eleitos em Cristo é triste apenas para quem fica, pois ao Senhor é aprazível à morte do justo: “Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos” (Salmos 116:15).

Como disse o pastor Eliezer Lira, comentarista da lição: “para o crente a morte não é o fim, mas o início de uma extraordinária e plena vida com Cristo”. A morte não deve amedrontar os eleitos do Senhor, pois Cristo na cruz a venceu: “Aconteceu que, perplexas a esse respeito, apareceram-lhes dois varões com vestes resplandecentes. Estando elas possuídas de temor, baixando os olhos para o chão, eles lhes falaram: Por que buscais entre os mortos ao que vive? Ele não está aqui, mas ressuscitou” (Lucas 26:4-6).

Em Cristo,

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quinta-feira, 5 de julho de 2012

A ENFERMIDADE NA VIDA DO CRENTE (Subsidio EBD)


Por Gilson Barbosa

O comentarista desta lição abordou com muita propriedade o tema tentando evitar deixar espaço a entendimentos infundados.  As doenças e os sofrimentos existiram e existirão, no intercurso da vida dos que servem fielmente a Deus. Porém, os pregadores da Teologia da Prosperidade não admitem que os salvos em Cristo sejam acometidos de enfermidades:

A doutrina da prosperidade afirma que o cristão tem direito a uma saúde completa e perpétua e que deve esperar viver uma vida plena, isenta de doenças, e adormecer com a idade de 70 ou 80 anos, sem dor ou sofrimento. Aqueles que ficam aquém dessas expectativas não entenderam seus direitos ou deixaram de reivindicá-los com fé suficiente. (PIERATT, O Evangelho da Prosperidade)

Pode ser que a confusão seja uma interpretação inadequada de textos que associam a cura com a obra da expiação de Cristo, na cruz do Calvário. O texto de Isaías 53:4 diz que “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido”. Os adeptos da prosperidade da saúde física dizem que se Cristo levou nossas enfermidades na cruz então não as teremos mais. As respostas que dão aos crentes que sofrem com doenças é que: 1º) não sabem o direito à saúde física que possuem; 2º) não sabem usar a fé; 3º) precisam declarar, confessar, a cura.

A pergunta é: quando Cristo levou sobre si “nossas enfermidades e dores”? Se foi na cruz, então, de fato não deveríamos adoecer, pois, se Cristo nos garantiu a salvação na cruz, nos garantiria também a cura das doenças. No entanto observamos vários casos de enfermidades acometidas as pessoas que temiam ao Senhor, após a morte vicária de Cristo e sua ressurreição. Como explicar isso?

Bem: Temos de interpretar corretamente o texto de Isaías 53:4 a luz do seu contexto geral. O escritor Mateus fez menção do cumprimento desta profecia em 8:16,17: “Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos e curou todos os que estavam doentes; para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças”. O entendimento é que naquele exato momento, e não muito tempo depois na sua morte de cruz, enquanto Jesus expelia os demônios e curava os doentes a profecia de Isaías estava se cumprindo.

Cumpria-se em Cristo a profecia messiânica, pois, sabemos que o Messias deveria preencher requisitos proféticos que nenhuma outra pessoa teria. Mas, o que fazer com o texto de I Pedro 2:24?

... carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados.

Se lermos as cinco seções que compõem o versículo 24 (1-8; 9, 10; 11,12; 13-17; 18-25) não encontraremos nada que se assemelhe ao tema de doenças físicas. Portanto, “Cristo sofreu a maldição do pecado, aceitando a punição que os nossos pecados mereceram e provendo perdão e liberdade”[1], e essa deve ser a correta interpretação do versículo 24. O sentido do texto é espiritual e não material. Mas, ainda que alguém insista que esses textos devam ser entendidos no sentido de que a expiação de Cristo se estende a cura física, a expiação teria sido parcial e não total. Somente na eternidade com Cristo é que seremos livres de toda a dor do sofrimento: “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21:4).

Deve se destacar, na vida do salvo em Cristo, as duas origens das enfermidades: a queda de Adão e as doenças como provação Divina. Deus havia avisado a Adão sobre os efeitos de sua desobediência: “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, Mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:16,17). É claro que Adão não morreu fisicamente no mesmo em que desobedeceu ao Senhor, mas, morreu espiritualmente (no sentido de separação da comunhão com Deus) e iniciou-se em sua vida física um processo de degeneração das suas células, o que culminaria na morte física. Nesse sentido o crente adoece da mesma maneira como adoece um ateu, espiritualista, cético, sectário, etc, pois, ainda regenerado e alcançado pelo sacrifício vicário de Cristo, continuamos carregando em nós o vírus do pecado de Adão: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós” (I João 1:7-9).

Outra origem é que Deus nos prova, e muitas vezes o elemento usado é uma enfermidade. Eu sei que não é agradável ouvir e falar sobre isso, mas, é bíblico. O apóstolo Paulo tinha um “espinho na carne” que o incomodava muito: “E, para que me não exaltasse pelas excelências das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de me não exaltar” (II Coríntios 12:7). O “espinho na carne” de Paulo foi permitido por Deus (“foi-me dado”) para que ele não se exaltasse pelas excelências das revelações que Deus lhe havia concedido, registrado nos versículos 1-4.

Alguém diz que Deus atende todas as orações dos salvos concedendo “bênção” e “vitória”, mas não aconteceu assim com Paulo: “Acerca do qual três vezes orei ao Senhor para que se desviasse de mim. E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo” (II Coríntios 12: 8,9).  Alguns comentaristas pensam que o problema físico de Paulo estavam nos olhos; são sugeridos os versículos abaixo:

Qual é, logo, a vossa bem-aventurança? Porque vos dou testemunho de que, se possível fora, arrancaríeis os vossos olhos, e mos daríeis. (Gálatas 4:15)

Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão. (Gálatas 6:11)

Mas o sumo sacerdote, Ananias, mandou aos que estavam junto dele que o ferissem na boca. Então Paulo lhe disse: Deus te ferirá, parede branqueada: tu estás aqui assentado para julgar-me conforme a lei, e contra a lei me mandas ferir? E os que ali estavam disseram: Injurias o sumo sacerdote de Deus? E Paulo disse: Não sabia, irmãos, que era o sumo sacerdote; porque está escrito: Não dirás mal do príncipe do teu povo. (Atos 23:2-5)

Temos de analisar, também, os casos bíblicos onde Deus não efetuou a cura nos seus servos. O profeta Eliseu foi um poderoso instrumento nas mãos de Deus. Por meio dele o Senhor efetuou diversos milagres e sinais miraculosos. Porém, no final da sua vida amargou uma enfermidade e morreu dela. O texto de II Reis 13:14,20 informa sua morte: “E Eliseu estava doente da enfermidade de que morreu...” [...] “Depois morreu Eliseu, e o sepultaram”. Os diligentes obreiros Timóteo e Trófimo também não foram curados: “Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago, e das tuas freqüentes enfermidades” (I Timóteo 5:23); “Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto” (II Timóteo 4:20).

Tem muito crente dizendo que não aceita derrota na sua vida, e, uma destas “derrotas” são as doenças. Porém, acima de tudo deve estar à glória de Deus. Ele será glorificado na vida ou na morte. Mesmo homens piedosos, que dedicaram sua vida pregando sobre cura e “curando” em nome de Jesus milhares de pessoas, morreram de constantes enfermidades – é o caso dos fundadores das Assembleias de Deus no Brasil, Daniel Berg e Gunnar Vingren. Nós temos de ser sábios e entendermos os decretos eternos de Deus, Sua soberania e providência. Ademais em Salmos 41:1 está escrito: “O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; tu renovas a sua cama na doença”.  

Há ainda outras origens à causa das doenças. Em primeiro lugar, ela pode ser um descuido pessoal com uma alimentação saudável. Hoje em dia a correria é tanta que passamos a desconsiderar que devemos balancear nossa alimentação adequadamente. Muitos cristãos comem mal, não no sentido de não fazer as refeições, mas, de abusar de uma alimentação não saudável. É necessário nos alimentarmos de maneira correta, pois de outra forma poderá nos trazer males prejudiciais a nossa saúde física. Em segundo lugar existe a ausência de exercícios físicos. Infelizmente muitos crentes pensam que é pecado praticar exercícios físicos. São cheios de maus hábitos, não fazem caminhada, não praticam nenhum tipo de esporte que visa auxiliar no combate às doenças. Depois não adianta reclamar com o Senhor, a culpa pode ser totalmente nossa. Em terceiro lugar algumas enfermidades são genéticas. São casos onde há um histórico familiar de certos tipos de doenças que passam aos descendentes. Cuidado! Esse fato nada tem haver com maldição hereditária.

Antes de concluir preciso pontuar dois fatos no texto bíblico da lição. O primeiro está no que disse Ezequias: “E disse: Ah! Senhor lembra-te, peço-te, de que andei diante de ti em verdade, e com coração perfeito, e fiz o que era reto aos teus olhos. E chorou Ezequias muitíssimo”. Note que o tempo do verbo usado em algumas frases está no passado. Isso não significa dizer que naquele momento o rei Ezequias estava passando por momentos difíceis porque havia deixado de ser fiel ao Senhor ou que havia pecado. Nem era uma espécie de um bom “depósito” que o rei tinha com Deus. Na verdade tratava-se de uma comovente petição que expressava sua lealdade a Deus. Ele reconhecia a grandeza de Deus. Além do mais ele não exigiu, nem decretou ou declarou sua cura, mas, virou o rosto para a parede, e orou humildemente ao Senhor. Quem desejar orar como Ezequias orou deverá ser tão fiel quanto ele foi ao Senhor.

O segundo ponto importante está em pelo menos dois acontecimentos na extensão da vida solicitada ao Senhor: “Vai, e dize a Ezequias: Assim diz o Senhor, o Deus de Davi teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que acrescentarei aos teus dias quinze anos” (Isaías 38:5). Em primeiro lugar, Deus acrescentou quinze anos de vida a mais ao rei Ezequias, porém nestes, nasceu Manassés, que foi um dos piores reis em Israel. Ele levantou altares a Baal, plantou bosques místicos, adorou os astros do céu, dedicou altares nos dois átrios do Templo e ainda fez passar seu filho pelo fogo. A nota da Bíblia de Estudo de Genebra diz que “Ezequias, ao que tudo indica, estava sem qualquer herdeiro do sexo masculino. Ele viveu mais quinze anos (v.5). Manassés, seu sucessor ao trono, tinha doze anos de idade quando Ezequias morreu (II Reis 20:21 – 21:1)”.  Em segundo lugar, foi no intercurso destes quinze anos também que cometeu “um de seus maiores erros” – mostrar todos os tesouros que possuía a emissários da Babilônia: “E Ezequias se alegrou com eles, e lhes mostrou a casa do seu tesouro, a prata, e o ouro, e as especiarias, e os melhores ungüentos, e toda a sua casa de armas, e tudo quanto se achava nos seus tesouros: cousa nenhuma houve, nem em sua casa, nem em todo o seu domínio, que Ezequias lhes não mostrasse” (Isaías 39:2). Por esta causa, foi repreendido pelo profeta Isaías: “Então disse Isaías a Ezequias: Ouve a palavra do Senhor dos Exércitos: Eis que virão dias em que tudo quanto houver em tua casa, com o que entesouraram teus pais até ao dia de hoje, será levado para Babilônia: não ficará cousa alguma, disse o Senhor. E dos teus filhos, que procederem de ti, e tu gerares, tomarão, para que sejam eunucos no palácio do rei de Babilônia” (Isaías 39:5-7).

Houvesse Ezequias morrido quando deveria morrer não teria passado por essas tristes experiências. Deus sabe o que é melhor para nós. Não reclame das circunstancias em que estás vivendo, prezado leitor. Ore e busque a Deus, mas deixe que a Sua vontade seja feita em sua vida: “Ai daquele que contende com o seu Criador! o caco entre outros cacos de barro! Porventura dirá o barro ao que o formou: Que fazes? ou a tua obra: Não tens mãos?” (Isaías 45:9). Na cerimônia de casamento os cônjuges se comprometem a estarem juntos em todos os momentos: na doença ou saúde, na fartura ou escassez. O Senhor Jesus também fez esta promessa e ele é fiel e justo para cumprir: “Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:20).

Da minha parte desejo a você leitor o que o apóstolo João desejou ao irmão Gaio: “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai à tua alma”. (III João 1:2)

Em Cristo,


[1] BIBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA, nota de 1 Pedro 2.24. 

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sexta-feira, 29 de junho de 2012

NO MUNDO TEREIS AFLIÇÕES (Subsídio EBD)


Por Gilson Barbosa

As aflições da qual registra João 16:33 “tem referência a sofrimentos devido à pressão das circunstâncias ou ao antagonismo das pessoas”.[1] Na verdade tem o sentido de “pressão”, “aperto”. No Antigo Testamento o sentido é de qualquer coisa que é estreita, como em I Reis 6.1: “Disseram os discípulos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos contigo é estreito demais para nós”. Nesse caso o lugar onde morava o grupo de profetas sob a liderança de Eliseu tornou-se pequeno demais devido ao aumento dos discípulos. É um agente externo que proporciona o “aperto” e este gera aflição, angústia.  

Outro sentido ainda no AT é o de um povo sendo sitiado por um inimigo: “Ah! Que grande é aquele dia, e não há outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será livre dela” (Jeremias 30:7). Mas, também pode indicar uma imensa angústia que uma pessoa possa enfrentar em circunstâncias adversas, como por exemplo, a morte de uma pessoa muito querida: “Angustiado estou por ti, meu irmão Jônatas; tu eras amabilíssimo para comigo! Excepcional era o teu amor, ultrapassando o amor de mulheres” (II Samuel 1:26).

O autor da lição que ora comentamos conduziu a interpretação do versículo bíblico (chave da lição) para o entendimento de aflição no sentido da ordem natural, ordem econômica e ordem física. No entanto, não é essa interpretação que deve ser dado ao texto que estudaremos. Se lermos atentamente o contexto do capítulo 16 notaremos que as aflições, ditas por Jesus e registradas por João neste versículo, são as perseguições que os discípulos sofreriam por servirem fielmente a Cristo e que todos os que servem verdadeiramente ao Senhor Jesus sofrerão. Os falsos crentes não passarão por nenhuma aflição, neste sentido, pois não são fiéis a Cristo nem aos ensinamentos bíblicos.  
   
No Novo Testamento a palavra grega que expressa “tribulação”, “aflição” ou “angústia” é thilipsis. “O termo português se deriva do latim tribulum, o instrumento de desterroar o rastelo, mediante o qual o lavrador romano separava a espiga da sua palha. Embora a tribulação possa esmagar-nos e ferir-nos, separa nossa palha do trigo, para que fiquemos separados para o celeiro do céu”.[2] Ela é uma realidade da qual, por fim, sempre resulta num bem maior, ainda que não queiramos sua presença. Os que dizem que o verdadeiro servo de Deus não pode sofrer angústia, aflição ou tribulação desconsidera a soberania de Deus nos Seus planos, na vida existencial da Sua Igreja e na de cada um de nós em particular.  

É verdade que muitas pessoas que estão aflitas, em aperto, são culpadas de sua própria conduta negativa e insensata, e por isso sua postura deve ser a de humilhar-se diante de Deus, dos homens e da situação. Muitos que hoje sofrem estão simplesmente “pagando” o preço das suas escolhas erradas. O próprio Deus não os eximirá do sofrimento, pois em sua Palavra está registrado: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna” (Gálatas 6:7). O trabalho do líder espiritual é aconselhar e ajudar as pessoas nesta situação, mas, nunca  tentar reconsiderar, reinterpretar ou anular os desígnios de Deus.    

Há três perícopes no texto de João 16. Primeiro são os versículos 1-15; o segundo 16-24; e o terceiro os versículos 25-33. Quando o evangelista João, em 16:33, escreve “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” referia as situações informadas por Jesus desde o primeiro versículo. O Senhor não escondeu dos seus discípulos que seriam expulsos da sinagoga e que até mesmo seriam mortos: “Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus” (v.2). Está aqui uma confissão negativa vindo da boca do próprio Jesus. No entanto, Ele não era desleal com seus amigos por isso os avisou sobre as aflições que passariam após Sua morte: “Tenho-vos dito estas coisas para que não vos escandalizeis” (v.1); “Ora, estas coisas vos tenho dito para que, quando a hora chegar, vos recordeis de que eu vo-las disse. Não vo-las disse desde o princípio, porque eu estava convosco” (v.4). Vejo a Teologia da Prosperidade como desleal, pois mostra apenas “um lado da moeda”.

Jesus não disse que não teríamos aflições ou que possivelmente elas não existiriam, pelo contrário, afirmou que seus servos passariam por muitas circunstâncias adversas. Mas, no versículo 33 não tem haver com alimento, trabalho, roupa, dificuldades materiais em geral, mas, com as aflições advindas por conta da fidelidade aos ensinos de Cristo e por sermos seus seguidores.

O versículo principia: “Estas coisas vos tenho dito”. Que coisas são essas? Refere-se a tudo o que Jesus disse na noite em que deu aos seus discípulos as ultimas instruções (estão nos capítulos 14, 15 e 16). Por exemplo: que enviaria o Consolador, portanto, não ficariam como órfãos (14:16); que saber sobre as aflições que viria lhes proporcionaria confiança (16:1,4); que não poderiam nada se não permanecessem em Cristo (15:5); que através da confiança nas palavras de Cristo obteriam paz (16:33a).

Ter paz em momentos de dificuldades é a promessa de Jesus aos seus seguidores, e, é justamente isso o que muitos que se dizem servos de Deus não possuem quando se deparam com as aflições da vida cristã. A paz, nesse versículo, deve ser interpretada como subjetiva, ou seja, a tranquilidade e segurança promovida pela justificação e adoção em Cristo: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados. Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Romanos 8:16-18). Parece que hoje em dia muitos crentes não sentem o gozo de serem salvos e adotados por Deus em Cristo Jesus. Precisam sempre de mais alguma coisa, e sempre material. Não basta serem “herdeiros de Deus”, das bênçãos espirituais. Não querem sofrer com e por Cristo.

É essa a continuação e a ideia do versículo 33 “No mundo tereis aflições”, ou tribulações. A causa da aflição é o fato de sermos servos fiéis a Cristo e não negarmos seu Nome diante da pressão “do mundo, da carne e do Diabo”. Estes elementos opõem-se contra Deus e Jesus Cristo. Muitos dizem que estão passando por aflições, mas, não é por defenderem a verdade do evangelho, nem a ortodoxia doutrinária, muito menos por serem fiéis seguidores de Jesus Cristo.

A expressão no mundo, neste versículo, deve ser entendida como os que perseguem a Igreja de Cristo, os opositores de Cristo, é mais uma antítese marcada dos ensinos do Senhor Jesus. É o espírito do anticristo. A ética e a moral deste mundo desafiam os autênticos servos de Cristo. Quantos líderes evangélicos têm sido escravos da corrupção financeira, ganância, ambição descontrolada, das malandragens, mentiras, imoralidades, meias-verdades, e por aí afora! Estes não podem dizer que passam por aflições, como a Bíblia diz que os servos do Senhor passariam. Na verdade tenho analisado que são os crentes mais simples, humildes, pobres de espírito, é que tem permanecido fiéis a Deus e aos ensinamentos da Sua Palavra. Tem gente falando pelos cantos da boca. Diz uma e outra coisa no mesmo instante, quase sempre suas palavras são contraditórias. Sugiro que não deixe de ler a postagem do pastor Augustus Nicodemus Afinal, o que está errado com a teologia da prosperidade? (Leia aqui)

No final da sua predição Jesus diz para que os discípulos tivessem ânimo, pois Ele havia vencido o mundo. Isso significa dizer que Cristo venceu o mundo no sentido de que combateu as heresias, o legalismo, a opressão satânica sobre as pessoas, a injustiça na aplicação das leis e não de que não haverá mais dificuldades para seus servos. Ele venceu “armado” com a verdade, justiça, firmeza, honestidade, franqueza, abnegação, moralidade e principalmente no cumprimento do projeto Divino pelo qual veio a este mundo: morrer vicariamente pelos pecadores.

Se Cristo venceu o mundo, por princípio e lógica, seus servos também vencerão se forem seus imitadores. Estêvão estava sendo apedrejado, mas, numa visão que teve, viu “a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita”. O apóstolo Paulo podia dizer: “Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo” (Filipenses 3:7). Ser vencedor, segundo Jesus, não deve ser entendido no sentido físico ou material, mas, que apesar das muitas aflições dos justos o que nos aguarda é incomparável: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada” (Romanos 8:18).

O apóstolo Pedro sintetiza, em suas palavras, o tema desta lição: “Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome” (I Pedro 4.12-16).

Engraçado! Eu nunca ouvi um pregador triunfalista, em seu sermão, dizer que é um enorme privilégio sofrer por Cristo, pelo evangelho e suas verdades, como Pedro atesta. Até parece que é mentira as notícias das agências missionárias que informam sobre perseguições às igrejas da China, Índia, Oriente Médio, Ásia, etc. Parece mentira que diariamente muitos missionários são perseguidos e mortos por pregarem o evangelho. Parece mentira que o evangelho da prosperidade tem sido defendido por aqueles que outrora pregavam a Palavra de Deus ortodoxamente. Parece mentira que estão pregando nos púlpitos de muitas igrejas evangélicas mensagens psicológicas, de autoajuda. Parece mentira que a mentira predomina nas mensagens de sermões encomendados e enlatados. Que Deus nos ajude!

Em Cristo,      



[1] WINE. W.E. Dicionário Vine. Ed: CPAD, p. 377.
[2] DOUGLAS, J.D. O Novo Dicionário da Bíblia. Ed: Vida Nova, p. 1630. 

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sábado, 23 de junho de 2012

CÉU


Apocalipse 21:1: “Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe”.

“Céu” é o termo bíblico para designar o lugar de habitação de Deus (Sl 33.13-14; Mt 6.9), o lugar de sua presença para onde o Cristo glorificado retornou (At 1.11). A Igreja militante e a Igreja triunfante se unem ali para o culto (Hb 12.22-25), e, um dia, o povo de Deus estará ali com Cristo para sempre (Jo 17.5,24; 1Ts 4.16-17). O céu é o lugar de descanso de Deus (Jo 14.2). É descrito como uma cidade (Hb 11.10) e uma pátria (Hb 11.16.

Pensar no céu como um “lugar” é mais correto do que errado, ainda que a palavra (lugar) possa enganar. As Escrituras descrevem o céu como uma realidade espacial que toca e interpenetra o espaço criado. Segundo a Carta aos Efésios, o trono de Cristo à direita do Pai (Ef 1.20) e a vida dos cristãos em Cristo estão ambos nos “lugares celestiais” (Ef 1.3,20; 2.6). Paulo alude à sua experiência no “terceiro céu” ou “paraíso” (2Co 12.2,4). Um corpo ressurreto, adaptado à vida do céu, nos espera (2Co 5.1-8). Enquanto estamos em nosso corpo atual, as realidades do céu são invisíveis para nós, e só as conhecemos pela fé (2Co 4.18; 5.7). A esperança fundada sobre o que a fé vê dá-nos coragem para perseverar (Rm 8.25; conforme Gl 5.5; 1Jo 3.3).

Podemos formar uma idéia da perfeita vida do céu baseados naquilo que conhecemos imperfeitamente agora (1Co 13.12). Nossa comunhão com Deus e com outros cristãos jamais se quebrará (Sl 23.6). Segundo o Apocalipse, lá não haverá lágrimas, tristeza ou morte (Ap 21.4). Segundo a Carta aos Romanos, a própria terra, com a vida sobre ela, “está sujeita à vaidade” por causa do pecado (Rm 8.20). Através do Espírito, sabemos que esta corrupção será destruída, e as possibilidades vagamente percebidas na criação decaída serão realizadas na “liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.21).

Segundo o Breve Catecismo , fomos criados “para glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”. As coroas, festas e celebrações da vitória descritas nas Escrituras colocam um aspecto dessa alegria diante dos nossos olhos. O triunfo do Cordeiro que foi morto e de seus santos com ele (Ap 5.6; 14.1) é outro aspecto. No centro está a união de Deus com seu povo (Ap 22.4). Esta era a promessa da aliança (Jr 30.22), e está destinada a ser realizada de um modo que vai além da nossa imaginação (Ef 2.7; 3.9; conforme 1Co 2.9).

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 1548.
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terça-feira, 19 de junho de 2012

O SINAL DA CRUZ

por Kevin Reed

É apropriado para nós oferecermos uns poucos comentários sobre a colocação de cruzes nos locais de adoração. Quando falamos de cruz, ou cruzes, estamos nos referindo ao símbolo visível chamado cruz, não aos sofrimentos do Salvador. Quando o apóstolo Paulo exclamou: “Longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz do nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6:14), ele proferiu uma verdade preciosa.

Mas a expressão do apóstolo é obviamente uma metonímia, pela qual ele exalta a obra salvífica de Cristo. A afirmação de Paulo não faz referência ao símbolo visível, conhecido entre nós como cruz.

A direta adoração ou culto a cruzes é claramente proibida pelas Escrituras, no primeiro e segundo mandamentos, que proíbem o culto de qualquer outra coisa ou pessoa que não o Senhor. Historicamente, os protestantes condenaram a adoração de cruzes; por exemplo, a Confissão Escocesa de 1580 lista especificamente a “adoração de imagens, relíquias e cruzes”, entre as deploráveis práticas do “Anticristo romano” (Essa condenação foi estendida ao gesto supersticioso da “cruz”, que é também empregado entre os ritos e cerimônias romanistas).

Muitos protestantes ainda reconhecem que a adoração direta de cruzes é pecaminosa. Mas há uma disputa quando muitos cristãos protestantes professos defendem o uso da cruz como um sinal.

Ora, o que é um símbolo? É uma representação visível de algo. Se eles dizem que a cruz é um símbolo da deidade, então eles novamente violam o segundo mandamento, que proíbe fazer ou usar representações do Senhor (cf. Dt. 4:15, 16; At. 17:29).

Obviamente, muitos protestantes não diriam que a cruz é uma representação de Deus. Portanto, os adeptos da cruz devem explicá-la como um símbolo de qualquer outra coisa; assim eles mudam o argumento para dizer que uma cruz é um símbolo de redenção, ou da obra de Cristo. Neste caso, a cruz agora se torna uma construção humana rival dos sacramentos. Como temos observado, o batismo e a Santa Ceia servem como sinais visíveis e selos da obra redentora de Cristo; os sacramentos são uma palavra visível para testificar da redenção. “Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1 Co. 11:26).

Os adeptos da cruz implicitamente se opõem à sabedoria de Cristo suplementando os sacramentos com a cruz como um sinal acessório. É uma implicação inescapável que a cruz, empregada como um símbolo ou como um auxílio à devoção, adquira a característica sacramental de um sinal.

Alguns irão alegar que pôr uma cruz em casa, ou na igreja, é algo casual, tal como a arrumação das cadeiras, o tapete, e a pintura. Mas estes elementos casuais da decoração não possuem o caráter simbólico da cruz.

Os adeptos da cruz têm de lidar com o fato inegável de que a colocação de uma cruz em um edifício de adoração não é aspecto sem importância no desenho arquitetônico. A única casualidade em um local de adoração são aquelas “circunstâncias quanto ao culto de Deus, e ao governo da Igreja, comuns às ações e sociedades humanas, as quais têm de ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência cristã, segundo as regras gerais da palavra, as quais devem sempre ser observadas” (CFW, I.6).

Deve-se também considerar as más associações da cruz. A cruz, como um símbolo ou gesto, não é encontrada nas Escrituras. Por séculos, a cruz tem sido e continua sendo um proeminente implemento da adoração e superstição papista. Nenhum homem são pode negar estes fatos. Uma vez que a cruz não possui nenhuma autorização bíblica para seu uso, por que ela deveria ter espaço entre aqueles que adoram “em espírito e em verdade”? (João 4:23-24). O povo de Deus tem sido ordenado a retirar de seu meio os implementos do culto corrupto usados pelas falsas religiões (Dt. 12:2-3, 30-31).

Além disso, mesmo se a cruz possuísse uma origem nobre, a superstição agora associada a ela seria motivo para sua abolição. Considere o exemplo de Ezequias com relação à serpente de bronze. A serpente de bronze foi originalmente construída por mandamento de Deus, contudo ela foi destruída quando se tornou uma armadilha para o povo de Deus (2 Reis 18:4). Quanto mais rapidamente, então, deveríamos descartar um símbolo artificial que continua a ser uma bandeira do Anticristo romano?

Em suma, não há nenhuma autorização bíblica para designar a cruz como um símbolo (ou gesto) para adornar as assembleias do povo de Deus. Até que os adeptos da cruz possam mostrar tal autorização, o uso das cruzes permanece condenado por si só, uma vez que o princípio regulador do culto proíbe e toda adição humana aos símbolos e ritos apontados por Deus no culto. Além do mais, a superstição criada pelas cruzes demanda que elas sejam retiradas de entre o povo de Deus.

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