sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O ADVENTISMO E SUA PROFETISA – ELLEN GOULD WHITE

Edison Daniel Schneider Monteiro


A Igreja Adventista do 7º dia, bem como seu par por origem, a Igreja Adventista do 7º dia - Movimento de Reforma têm como principais pilares de fé a Bíblia e os ensinamentos e visões de Ellen White, a profetisa que viveu em meados do século XIX, registrados em várias dezenas de livros. Seus escritos são cuidadosamente por eles denominados de “espírito de profecia” pois assim, aliando à uma de suas principais doutrinas (a guarda do Sábado) advogam para si o cumprimento de Ap. 12:17, 14:12 e 19:10 como Igreja Remanescente – os que guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus – o espírito de profecia.

Conquanto já nesta pequena introdução poderíamos classificar o adventismo como seita, baseado no fato de defender exclusivismo teológico, como a “única igreja verdadeira de Deus na terra”, e colocar os escritos de Ellen White no mesmo nível de relevância que a Bíblia, vamos ver o que eles mesmos escrevem sobre sua importância dentro da doutrina adventista:

“Ao passo que, apesar de não desprezarmos o pensamento dos pioneiros, nós aceitamos como regra de fé a revelação – Velho Testamento; Novo Testamento e Espírito de Profecia” 1 (como são chamados os escritos de Ellen White).

Os membros adventistas são estimulados a ler os escritos de Ellen Gould White:

“Os livros do ‘Espírito de Profecia’ e também os ‘Testemunhos’, devem ser introduzidos em toda família observadora do Sábado; e os irmãos devem conhecer-lhes o valor e ser impelidos a lê-los. Não foi o plano mais sábio reduzir tanto o preço destes livros, e ter em cada igreja somente uma coleção deles. Devem figurar na biblioteca de cada família, e ser lidos e relidos. Coloquem-se onde possam ser lidos por muitas pessoas.”2

E, ainda, se algum adventista não dá o devido valor a seus escritos, caem em “terreno perigoso”:

“Não são só os que abertamente rejeitam os Testemunhos ou que alimentam dúvidas a seu respeito, que se encontram em terreno perigoso. Desconsiderar a luz equivale a rejeitá-la.”3

Como ex-adventista pude experimentar na prática esse papel de destaque dado a Ellen White e seus escritos, sua vida e visões, chegando muitas vezes a se tornar quase uma idolatria. Poderia até parecer heresia e escandalizaria alguns líderes se o pregador subisse ao púlpito apenas com a Bíblia, sem levar ainda que dois ou três de seus livros. E muitas vezes pude presenciar pregações em que seus livros eram lidos exaustivamente, enquanto que o texto bíblico ocupava lugar secundário ou era lido apenas como moto inicial.

Sua experiência pessoal, sua história e suas visões, bem como seu contato com anjos e suas “viagens ao céu” em visão têm sido colocados como uma das mais fortes evidências da veracidade de seus escritos. Obviamente, defendem-na também pela lógica do seu discurso, coerência de sua pregação, conformidade com a bíblia e confirmação científica de algumas de suas teorias, como a do regime alimentar e da saúde em termos gerais. Mas analisando também a vida de outros chamados “profetas”, como por exemplo, Buda4,5, Maomé6,7, e principalmente Joseph Smith8,9 - o profeta Mórmon - podemos concluir que apenas uma história bonita e convincente, um objetivo nobre, e sinceridade não são fatores confirmatórios da autenticidade bíblica de um profeta. A profecia ou os ensinamentos do profeta devem ser confrontados com a Bíblia e se houver conformidade, podem ser aceitos. Se não houver congruência com a Palavra de Deus, então devem ser totalmente descartados, mesmo que sejam bonitos, comoventes e até aparentemente coerentes. A única coerência aceita é com a Palavra! Paulo já disse isso aos Tessalonicenses: “Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom” Tes 5: 20-21. Devemos então por à prova toda profecia. E, com o quê? Sem dúvida, com a Bíblia, o único escrito com qualificação para isso. Para os cristãos de Corinto ele escreve: “Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: Não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro.” I Co 4:6

E o que dizer de Ellen White, suas visões e ensinamentos? Estão em conformidade com a Bíblia? Enfatizam o ensinamento bíblico como verdade absoluta e suficiente ou acrescentam à Palavra de Deus? Trazem algum “novo ensinamento” ou mantém a verdade única e absoluta da Palavra?

Paulo é enfático quanto a alterações no texto bíblico, ou melhor quanto ao acrescentar novo conteúdo: “Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema”. Gal 1:8-9

O apóstolo não deixa dúvida: a Bíblia, os evangelhos, são os únicos escritos dignos de confiança, no que se refere aos fundamentos do evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo! Ninguém poderia acrescentar novas teologias, doutrinas, ou postulados teológicos além daquilo que os apóstolos fundamentaram. Eles trouxeram a revelação de Deus através do Espírito Santo, e não poderia haver acréscimos. Aleluia! A Bíblia é completa em si mesma e não precisa de “muletas” para seu entendimento. Muito menos de livros que acrescentem seu conteúdo ou mesmo mudem o Evangelho do Reino!

Em Provérbios, Salomão já diz: “Toda palavra de Deus é pura; ele é um escudo para os que nele confiam. Nada acrescentes às suas palavras, para que ele não te repreenda e tu sejas achado mentiroso.” Prov. 30:5 e 6

Bem, assim sendo precisamos pôr os escritos e visões de Ellen White à prova e observar se eles estão de acordo com a Palavra, ou se vão além do Evangelho de Jesus Cristo, e de Paulo (Rom 2:16, 16:25; II Tim 2:8). Não importa o quão bonita e “inspiradora” tenha sido sua vida! Se seus escritos não correspondem, ou acrescentem à Palavra, é Paulo quem afirma: “seja anátema!”

Conquanto fuja ao escopo deste artigo ser completo em abordar a quantidade de aberrações teológicas que Ellen White escreveu, destacamos alguns temas que exemplificam o quanto Ellen White se distanciou da Palavra, acrescentou e postulou como verdade absoluta, adicional e, definindo pecados, incluiu novos pontos de fé necessários para salvação.

1. Regras alimentares (chamada Reforma de Saúde)

“Há de o povo que se está preparando para tornar-se santo, puro e enobrecido, a fim de poder ser introduzido na sociedade dos anjos celestes, continuar a tirar a vida das criaturas de Deus e viver de sua carne deliciando-se com ela como uma iguaria? Do que o Senhor tem me mostrado, essa ordem de coisas há de mudar, e o povo peculiar de Deus exercerá temperança em tudo”10.

“Você põe sobre a mesa manteiga, ovos, carne e seus filhos participam deles. Eles são alimentados com coisas que lhes despertam paixões animais e depois vem ao culto e pede a Deus que os abençoe e os salve. Como pode sua oração ser ouvida?”11

Deus não proveu que a alimentação do homem se fizesse com animais mortos. Isto é uma grande perversão que alguém se alimente de tais alimentos.”12

“Seres humanos estão sofrendo o resultado de suas próprias ações malditas em se apartar dos mandamentos de Deus. As bestas também sofrem sob maldição... O Senhor conduziu o seu povo a uma posição onde ele deseja que o homem não toque ou prove a carne de animais mortos e, em breve, o leite das vacas será também excluído da dieta que Deus ordenou ao seu povo... O Senhor não quer que o seu povo se envolva com isso...”13

 “Tomar chá e café É PECADO, condescendência prejudicial que, como outros males, causa dano à alma.”14

Com estes textos já se pode ter uma idéia daquilo que se chamou “regime alimentar” ou “reforma de saúde”, e que fez parte das revelações recebidas por Ellen White.

O objetivo aqui não é a discussão da validade destes princípios alimentares mas, sim confrontar o ensinamento de Ellen White com a Bíblia.

A Bíblia diz:

“Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. Rom 14:17

“Aceitem ao que é fraco na fé, sem discutir assuntos controvertidos. Um crê que pode comer de tudo; já outro cuja fé é fraca, come apenas alimentos vegetais. Aquele que come de tudo não deve desprezar o que não come, e aquele que não come de tudo não deve condenar aquele que come, pois Deus o aceitou. Quem é você para julgar o servo alheio? É para o seu Senhor que ele está de pé ou cai. E ficará de pé, pois o Senhor é capaz de o sustentar. Aquele que come carne, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e aquele que se abstém, para o Senhor se abstém, e dá graças a Deus”. Rom 14:1-4, 6

“Portanto, não permitam que ninguém os julgue pelo que vocês comem ou bebem”. Col 2:16 pp

“Como alguém que está no Senhor Jesus, tenho plena convicção de que nenhum alimento é por si mesmo impuro, a não ser para alguém que assim o considere; para ele é impuro.” Rm 14:14

“O Espírito diz claramente que nos últimos tempos alguns abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Tais ensinamentos são provenientes de homens hipócritas e mentirosos, que têm a consciência cauterizada e proíbem o casamento e o consumo de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ação de graças pelos que crêem e conhecem a verdade. Pois tudo o que Deus criou é bom, e nada deve ser rejeitado, se for recebido com ação de graças, pois é santificado pela palavra de Deus e pela oração”. I Tim 4:1-4

 “Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: ‘Não manuseie!’ ‘Não prove!’ ‘Não toque!’? Todas estas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não tem valor algum para refrear os impulsos da carne”. Col. 2: 20-23

2) Os 10 mandamentos da Lei

Ellen White diz:

“Mas se violarmos a letra do quarto mandamento para nosso próprio benefício, do ponto de vista pecuniário, tornamo-nos transgressores do sábado, e culpados da transgressão de todos os mandamentos”. 15

“À Lei de Deus tem de ser conferido o primeiro lugar de todos, devendo ser obedecida no espírito e na letra16

A Bíblia diz:

“Agora porém, libertados da lei, estamos mortos para aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e não na caduquice da letra” Rom 7:6

“Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; pois a letra mata, mas o espírito vivifica”. II Cor 3:6

Paulo diz que “servimos em novidade de espírito, e não na caduquice da letra”. Ellen White diz que devemos obedecer “no espírito e na letra”. Paulo chama de “caduquice da letra”. Ellen White diz que se violarmos a letra somos transgressores e culpados.

“Ninguém pode colocar outro alicerce além do que está posto, que é  Jesus Cristo”. I Cor 3:11

“Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas cidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo no Senhor.” Ef 2:19-21

Paulo diz que o alicerce já está posto e é Jesus Cristo, a pedra angular, fundamentado pelos apóstolos e profetas. Ellen White diz que o primeiro lugar de todos é da Lei! E Paulo proíbe alguém de pôr outro fundamento.

3) Interpretação profética de Daniel 9:24-27, referente às 70 semanas e às 2300 tardes e manhãs. 

      A Sra. White confirma os períodos determinados por Miller, encaixando o final da 70ª semana no ano 34 d.C.17 Esse ensino é frontalmente contrário à Palavra que diz textualmente: "Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até o Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas: as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. Depois das sessenta e duas semanas será morto o Ungido, e já não estará.” Portanto, não é no meio da última semana e sim depois das 7 + 62 semanas que se dá a morte do Ungido.

         Além disso, o texto diz: "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos.

       Segundo Guilherme Miller e todo entendimento profético adventista nele embasado e ratificado por Ellen White, a contagem das setenta semanas termina no ano 34. Então, pergunto: No ano 34, após a morte de Estevão, realmente cessou a transgressão? Deu-se fim aos pecados? Expiou-se a iniquidade? Veio a justiça eterna? Selaram-se a visão e a profecia? E, ungiu-se o Santo dos Santos? Será que com "para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos", Deus não quer sinalizar o fim dos tempos e a segunda vinda de Cristo? Afinal, quando irá cessar a transgressão, acabar os pecados e vir a justiça eterna, senão no fim dos tempos, por ocasião da segunda vinda de Jesus?

4) Juízo investigativo. 

Os adventistas chamam de “Juízo Investigativo” aquilo que tem sido a obra de Jesus, no Santo dos Santos, a partir de 1844, quando, só então, Ele penetrou àquele compartimento. Isto, obviamente baseado nas visões e posições de Ellen White. Vejamos como ela retrata o assunto:

“Assistido por anjos celestiais, nosso Sumo Sacerdote entra no lugar santíssimo, e ali comparece à presença de Deus a fim de se entregar aos últimos atos de seu ministério em prol do homem, a saber: realizar a obra do juízo de investigação e fazer expiação por todos os que se verificarem com direito aos benefícios da mesma.”18

“A obra do juízo investigativo e extinção dos pecados deve efetuar-se antes do segundo advento do Senhor. Visto que os mortos são julgados pelas coisas escritas nos livros, é impossível que os pecados dos homens sejam cancelados antes de concluído o juízo em que seu caso deve ser investigado.”19

Note que, o que ela disse, na verdade, foi que é impossível que os pecados dos homens tenham sido cancelados na cruz! E que, a cruz não foi suficiente para fazer expiação pelos pecados dos homens, pois, no juízo investigativo, Jesus ainda continua a fazer expiação!

Vejamos o que diz a Bíblia, a Palavra de Deus, a esse respeito:

“Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados” At 3:19

Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados, de acordo com as riquezas da graça de Deus.” Ef 1:7

“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo pecado.” I Jo 1:7

A Palavra é clara quando diz que nossos pecados já foram cancelados Na cruz, com o derramamento do sangue de Jesus, já foi pago o preço de nossa redenção. A libertação do homem da escravidão do pecado se deu na cruz. Na cruz a morte foi vencida, e com ela o pecado. Na cruz foi o pecado cancelado! E não, no juízo investigativo, como quer Ellen White! Diz ainda a Palavra:

“Pois, para com as suas iniqüidades usarei de misericórdia, e dos seus pecados jamais me lembrarei.” Heb 8:12

Ora, a Bíblia fala claramente que, sob o regime da Nova Aliança, Deus usará de misericórdia para com nossas iniqüidades, e de nossos pecados JAMAIS se lembrará! E que nossos pecados serão lançados no fundo do oceano! Como quer, então, Ellen White e os adventistas que eles sejam lembrados, no juízo investigativo (após 1844), para serem então cancelados? É impossível que eles sejam cancelados no juízo investigativo, pois já se foram há muito!!! Se foram, simbolicamente, na cruz de Cristo, e completamente, quando aceitamos a Jesus como nosso Senhor e salvador pessoal. Glória a Deus, por sua redenção!

Ela diz ainda: “expiação por todos os que se verificarem com direito aos benefícios da mesma.” Ora, o que ela quer dizer com “todos os que se verificarem com direito”? Será que significa que a expiação só seria feita por aqueles que foram suficientemente bons para herdar a salvação? Espero que não. Entretanto, se foi isso mesmo que ela disse, e é o que parece, está em flagrante contradição com o Evangelho de Jesus Cristo! É uma negação frontal da obra redentora de Cristo. Afinal, Jesus nos aceita como somos, e crendo, recebemos a vida eterna. (At 16:31; Mt 11:28-30; Jo 6:37; I Jo 2:1-2,12)

5) Quanto à certeza de salvação, Ellen White diz:

“Aqueles que aceitam o Salvador, embora sinceros na sua conversão, nunca devem ser ensinados a dizer ou a sentir que estão salvos...”20

Porém a Bíblia diz:

“Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida.” Jo 5:24

“Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.” I Cor 1:18

“E o Senhor lhes acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos.” At 2:47

“Pelo contrário! Cremos que somos salvos pela graça de nosso Senhor Jesus, assim como eles também.” At 15:11

“Pois nesta esperança fomos salvos. Mas esperança que se vê não é esperança.” Rm 8:24

“Por meio deste evangelho vocês são salvos, se se apegarem firmemente à palavra que lhes preguei; caso contrário vocês têm crido em vão.” I Co 15:2

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé e isto não vem de vocês, é Dom de Deus.” Ef 2:8

“Portanto, não se envergonhe de testemunhar do Senhor, nem de mim que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus, que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não em virtude de nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça.” II Tm 1:8,9

“Não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo.” Tt 3:5

Mais uma vez, a Sra. White se coloca em confronto direto com a Palavra de Deus, acrescentando e até mesmo contradizendo aquilo que foi estabelecido claramente por Jesus e os apóstolos.

Gostaria ainda de citar dois fatores que nos fazem caracterizar Ellen White e os que a apoiaram, não apenas como teologicamente questionáveis mas de conduta moral e ética duvidosa, acobertando fatos que hoje se tornam algo mais que apenas suspeitas.

O primeiro deles se refere à hipótese de plágio efetuado por Ellen White e suas secretárias. Vejamos como Ubaldo Torres de Araújo registra o fato:

“Em 1853 Sylvester Bliss havia escrito um livro intitulado Memoirs of William Miller. Mais tarde, James White, marido de Ellen, publicou quatro livros. Dois deles foram: Life Incidents in Connection with the Great Advent Movement as Illustrated by the Three Angels of Revelation XIV e Sketches of the Christian Sylvester Bliss, and from Other Sources. O primeiro foi publicado em 1868, e o segundo, em 1875. Segundo Walter Rea estes dois livros foram copiados, na sua quase totalidade, de Sylvester Bliss (Memoirs of William Smith), J. N. Andrews e Uriah Smith.

“Mas agora veja o que aconteceu. Poucos anos depois da morte de James White, que ocorreu em 1881, os referidos livros foram reimpressos, não sob o nome dele, mas com a autoria de Ellen White, e sob o título de The Great Controversy (O Grande Conflito), fato que aconteceu em 1884. E assim, iniciava-se mais um ato da grande peça inaugurada em 1844, sob a direção de James White, Ellen G. Harmon, Miller, Uriah Smith e outros. O famoso livro continua sendo o best seller da igreja, e é sempre lembrado como a obra-prima da pena “inspirada” de Ellen White.”21

Além de O grande Conflito que é, como vimos, um livro plagiado, copilado e coletado de outros livros de diferentes autores, Ellen White e sua equipe de secretárias e o marido James White, não se limitaram a este. As cópias são muito mais freqüentes que se possa  imaginar. Até mesmo os adventistas consideram este fato:

“É fato que Ellen White verdadeiramente usou obra de outros autores até certo ponto, enquanto empenhada em seus escritos, mas não há nenhuma evidência de intenção de fraude por parte dela, nem há evidência que qualquer outro autor fosse alguma vez privado de seus legítimos benefícios por causa das atividades dela.”22

Vê-se que os próprios adventistas, em publicação oficial de sua Casa Publicadora admitem a cópia ou plágio. Quanto à evidência de fraude, não há como entender o contrário visto que ela não deixa claro que parte de seus textos foi extraída de outros autores, nem cita seus nomes e livros. Pelo contrário, o texto é escrito como se houvesse sido por ela mesma e, por conseguinte, considerado “pena inspirada” e “espírito de profecia”! Nisto há fraude. Não há como negar!

O fator ulterior que deve ser incluído quando falamos em Ellen Gould White é a discussão relativa ao diagnóstico de catalepsia, que tem sido sugerido para explicar suas visões. No livro The White Lie, Walter Rea discorre sobre a relação entre a saúde de Ellen  White e suas “visões”.23  “Ele cita o testemunho do médico William S. Sadler, amigo da família White, o qual esclareceu vários pontos da questão:

1)     O Dr. Sadler informa que é comum à pessoas em transe cataléptico se imaginarem em excursões por outros mundos, e que as suas visões estão sempre de acordo com a crença que adotam;

2)      Outro detalhe que o mesmo médico observou é que, na maioria dos casos, esses transes acontecem com pessoas do sexo feminino;

3)      O Dr. William Sadler observou também que os transes que dão origem às visões aparecem depois da consolidação da adolescência, e que normalmente não sobrevivem após a menopausa (conforme aconteceu com Ellen White).

Como diz Araújo, Ellen White não morreu.24 A despeito de alguns contemporâneos terem se posicionado contra a infalibilidade de seus escritos ou visões, após sua morte seu prestígio como profetisa e mensageira do Senhor cresceu, como era de se esperar. Ela morreu, mas continua viva para milhares e milhares de adventistas do sétimo dia. Seus escritos continuam sendo lidos sábado-a-sábado nas igrejas e dia-a-dia nos lares. Não importa se o que Ellen White escreveu e decretou não se coaduna com a palavra de Deus. Não importam seus erros doutrinários ou plágios, afinal ela é a luz que veio para dar novo entendimento à Bíblia. Chamam-na de luz menor, para compreender a luz maior. Ora, como pode uma luz menor auxiliar a luz maior? A Bíblia não precisa de muleta! Ela é toda auto-suficiente. É com o auxílio dela mesma que a compreendemos. Há alguns “anjos” que se oferecem para ajudar. Um é o Moroni, do mormonismo, e o outro, o “anjo assistente” de Ellen White. Mas podemos perfeitamente dispensar a ajuda deles.

“Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles, porque esses tais não servem a Cristo nosso Senhor, e, sim, a seu próprio ventre; e, com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos incautos.” Rm 16:17-18

* Os negritos deste texto não constam dos originais.


REFERÊNCIAS

1.      Ellen White: A sacudidura e os 144.000. Casa publicadora brasileira, p. 117.
2.      Ellen White: Testemunhos Seletos v. II. Casa publicadora brasileira, p. 291.
3.      Ellen White: Testemunhos Seletos v. II – Casa publicadora brasileira, p. 290.
4.      Ananda K. Coomaraswamy: O Pensamento vivo de Buda. Ed. Martins, p. 15-26.
5.      Yogi Kharishnanda: O evangelho de Buda. Ed. Pensamento, p. 36-44.
6.      John Alden Williams, Islamismo. Zahar editores, p. 44-52.
7.      Mohammed Ali, O Pensamento vivo de Maomé. Ed. Martins, p. 15-21.
8.      Os Mórmons. Publicado por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, p. 94-97.
9.      Gordon B. Hinckley: Quem são os Mórmons? Publicado por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, p. 60-64.
10.  Ellen White: Testemunhos Seletos vol. 1 - Casa publicadora brasileira, p. 195.
11.  Ellen White: CDF, p.366.
12.  Mesmo livro citado, p. 410.
13.  Mesmo livro citado, p. 411.
14.  Ellen White: Conselhos sobre o regime alimentar - Casa publicadora brasileira, p. 425.
15.  Ellen White: Tetemunhos Seletos vol. I - Casa publicadora brasileira, p. 174.
16.  Mesmo livro citado, p. 500.
17.  Ellen White: O Grande Conflito - Casa publicadora brasileira, p. 324-330.
18.  Mesmo livro citado, p. 484.
19.  Mesmo livro citado, p. 488.
20.  Ellen White: COL (em inglês), p.155
21.  Ubaldo Torres de Araújo: Igreja de Vidro, p. 17.
22.  101 Respostas a perguntas do Dr. Ford – Casa Publicadora Brasileira, p. 84.
23.  Walter Rea: The White Lie – M & R Publications. 1982. Cap. 11, p. 207-213.
24.  Ubaldo Torres de Araújo: Igreja de Vidro, p. 40.






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