terça-feira, 22 de outubro de 2013

A GRAÇA COMUM DE DEUS NA HUMANIDADE

Por Gilson Barbosa

Muitos de nós por termos recebidos certas influencias evangélicas crescemos ouvindo que o cristão não pode praticar esportes, não deve ir ao cinema, teatro, e os mais radicais até mesmo proibiam cursar uma faculdade (Ou seja, estudar muito levaria o crente a esfriar na fé). Para alguns tudo o que faz parte normal da vida parece conspirar contra a fé. Há anos atrás ouvi de certo líder evangélico que se fosse para os jovens da igreja “desviarem dos caminhos do Senhor” era melhor não fazerem faculdade. Que absurdo! Este tipo de atitude é baseado na distinção entre o que se faz na igreja, ou aquilo que é espiritual, e o que se faz fora da igreja ou o que não é espiritual.

É muito comum pensarmos que a vida é feita de compartimentos isolados. Alguns entendem que cantar, pregar, orar, ir à igreja, ouvir música evangélica, está associado apenas a vida espiritual; enquanto que o trabalho, o estudo, a diversão, ou seja, aquilo que não esteja ligado à igreja e ou as atividades eclesiásticas está associado à vida secular. Essa distinção traz consequências trágicas para a vida. O campo da ação de Deus abrange tanto a vida espiritual quanto a vida secular. Trabalho, saúde, família, lazer, cultura, igreja e ou atividades eclesiásticas é tudo uma coisa só. Todas estas coisas fazem parte da vida e é nosso dever honrar ao Senhor em tudo: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus.” (I Coríntios 10:31).

Quando Adão e Eva pecaram foram privados da presença de Deus e deixaram de ser imortais. Contudo, continuaram a desfrutar da bondade de Deus. Deus nãos os privou do sexo, de ter filhos, de desfrutar da criação, de serem felizes, de produzir cultura e até mesmo da longevidade (Se lembra com quantos anos Adão morreu? leia Genesis 5:5). Mesmo tendo pecado, de alguma maneira Deus não reteve sua bondade sobre o casal. A Bíblia informa que o “salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23), mas nem por isso pecadores não desfrutam de uma parte da bondade de Deus nesta vida.

Às vezes nos perguntamos como pode pessoas “ímpias”, “desobedientes aos mandamentos de Deus”, ateus, céticos, viverem uma boa vida, serem bem sucedidos na carreira, terem sempre o que comer, o que vestir, alguns são até mesmo felizes!!! Sabe o que isso significa? Essas coisas procedem graciosamente de Deus. Na Teologia Reformada isso é chamado de a graça comum de Deus. Leia os textos abaixo e reflita se não é assim:

“Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.” (Mateus 5:44, 45 – meu grifo)

“Amai, porém a vossos inimigos, fazei bem e emprestai, nunca desanimado; e grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os integrantes e maus.” (Lucas 6:35 – meu grifo)

“Quando, porém, os apóstolos Barnabé e Paulo ouviram isto, rasgaram as suas vestes e saltaram para o meio da multidão, clamando e dizendo: Senhores, por que fazeis estas coisas? Nós também somos homens, de natureza semelhante a vossa, e vos anunciamos o evangelho para que destas práticas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar, e tudo quanto há neles; o qual nos tempos passados permitiu que todas as nações andassem nos seus próprios caminhos. Contudo não deixou de dar testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo-vos de mantimento, e de alegria os vossos corações.” (Atos 14:14-17 – meu grifo).

O teólogo Wayne Grudem define a graça comum de Deus da seguinte maneira: “Graça comum é a graça de Deus pela qual ele dá às pessoas inumeráveis bênçãos que não fazem parte da salvação” (Teologia Sistemática, p. 549). Note que não se trata da “graça salvífica ou salvadora de Deus”. Aliás, existe apenas uma só graça, mas ela se manifesta de duas maneiras: graça especial e graça comum.  

Não devemos deixar de reconhecer que todas as pessoas recebem a operação da graça comum de Deus. Alguns crentes desvalorizam o que é produzido por não crentes. Outros depreciam tanto o fato de alguém não ser um crente que cometem abusos no julgamento. É importante saber que

“... mesmo entre aqueles que não são cristãos, há muitas pessoas que tem bom caráter, são honestas, trabalhadoras, confiáveis, generosas, amáveis e capazes de grandes realizações em todas as áreas da vida (cultura, arte, ciência, etc.).” (Revista Palavra Viva, Editora Cultura Cristã)

Todas as pessoas, e não somente os crentes, foram criados à imagem e semelhança de Deus (Genesis 1:26,27; Tiago 3:9). Os talentos naturais são propriedades de Deus e ele outorga as pessoas indistintamente; por isso um não crente realiza muitas coisas que são lícitas e que um crente pode usufruir.

“Um livro de poesias não precisa ser escrito por um cristão para ser bom. Da mesma forma, um médico pode um profissional brilhante e dar grandes colaborações para a sociedade sem ser cristão. Nos dois casos, o escritor e o médico desenvolvem suas atividades com os talentos que receberam de Deus. Toda boa dádiva é procedente de Deus (Tiago 1:17).” (Revista Palavra Viva, Editora Cultura Cristã)

É necessário o crente ter discernimento quanto ao que é lícito ou não; mas não lhe é facultado o direito de compartimentar a vida. Muitos crentes vivem uma vida dupla por causa dessa dicotomia entre o sagrado e o profano. Na igreja são super santos, porém no trabalho, em casa, na escola, na rua, envergonham o santo nome de Deus se metendo em confusão e vivendo uma vida sem nenhuma ética, sem nenhum temor as palavras do Senhor.

Não esqueça que tudo que existe na vida procede de Deus. Ele é o Criador de todas as coisas. Não há motivo suficiente para privar-se dos talentos naturais que Deus lhe concedeu. Pinte um quadro, faça artesanato, escreva uma poesia, pratique esportes, aprenda a tocar um instrumento musical, visite um museu, vá ao teatro. Fazer essas coisas não significa ser mundano; apenas que podemos usufruir com sabedoria destas coisas:

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. (Filipenses 4:8)

Como mencionei no inicio esta graça comum de Deus não é redentiva; ela não significa que pecadores serão salvos (Romanos 5:10; Colossenses 1:21; Tiago 4:4; Filipenses 3:18, 19; Efésios 2:3). Porém, não precisamos viver como monges católicos da idade média; como um ermitão. Essa atitude em vez de santidade pode esconder uma conduta hipócrita.


Que o Senhor nos dê discernimento para vivermos a vida com sabedoria e graça!

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A VIOLAÇÃO DO SEGUNDO MANDAMENTO:PADROEIRA DO BRASIL

Por Gilson Barbosa

Não é necessário ser nem um estudante básico em teologia para entender que o primeiro mandamento ordena adorar somente a Deus e o segundo que não devemos adorá-lo através de qualquer objeto intermediário.
        Não terás outros deuses diante de mim. (1º mandamento – Êxodo 20:3)
Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. (2º mandamento – Êxodo 20:4,5)
Esses textos bíblicos também constam na Bíblia católica; e por que insistem em honrar e venerar as imagens de Cristo, Maria e de outros santos? Na verdade a Igreja Católica afastou o quanto pôde seus fiéis da leitura e compreensão do mandamento de não confeccionar imagens com a finalidade de alcançar alguma graça divina por meio representativo. É comum os católicos dizerem que não oram à imagem, ao ídolo, mas ao espírito ou à pessoa que é representada por ele. Mas esta é uma resposta tola, pois mesmo que não haja pretensão é muito difícil um fiel católico distinguir entre o ídolo e deus ou espírito que ele representa. E mais, a Bíblia em nenhum lugar ordena a oração ou veneração a algum dos servos de Deus; nem em vida nem após sua morte. A oração deve ser feita somente a Deus em nome de Cristo (João 16:23). Cristo é o único intermediário entre Deus e os homens (I Timóteo 2:5). Será que é tão difícil entender isso?
A imagem de Conceição Aparecida
Hoje (12/10/2013) é comemorado em nosso país (Brasil) o dia de Conceição Aparecida. Foi no dia 31 de maio de 1931, no governo de Getúlio Vargas, que a imagem de barro da Conceição Aparecida foi declarada, oficialmente, na Capital Federal, a Padroeira do Brasil.
Segundo a teoria oficial da Igreja Católica Romana no ano de 1717 alguns pescadores retiraram do rio Paraíba do Sul, no local denominado porto de Itaguaçu (localizado no atual município de Aparecida em São Paulo), uma imagem negra da Imaculada Conceição. A imagem é de barro, medindo 39 centímetros e pesando aproximadamente 4,5 kg, sem o manto e a coroa, que foram acrescentados (apud Defesa da Fé, edição 26).
A narrativa afirma que os pescadores não tinham até aquele momento apanhado peixe algum, mas a partir dessa descoberta da imagem fizeram uma farta pescaria que encheu as canoas de peixe. Há uma semelhança deste relato com a pesca milagrosa (Lucas 5:1-11) envolvendo Jesus e alguns discípulos. Porém, segundo o Dr. Aníbal Pereira dos Reis, essa teoria não passa de armação de um pároco local:
Segundo o Dr. Aníbal Pereira dos Reis, ex-sacerdote, ordenado em 1949, formado em teologia e ciências jurídicas pela Pontifica Universidade Católica de São Paulo, em seu livro A Senhora Aparecida, Edições Caminho de Damasco Ltda., SP, 1988; trata-se de uma grande armação do padre José Alves Vilela, pároco da matriz local. Segundo suas investigações, foi o padre José Alves Vilela quem colocou a imagem no rio e iniciou planejadamente a divulgação dos supostos milagres, além de estar manipulando todo o tempo à imagem e divulgando seus supostos milagres. (apud Defesa da Fé, edição 26)
Em Portugal, na pequena cidade de Fátima, a Virgem Maria é denominada de Nossa Senhora de Fátima. Em 13 de maio de 1917, segundo a teoria católica romana, três crianças tiveram a visão de uma senhora perto de Fátima, quando estavam pastoreando ovelhas:
As crianças afirmaram que a mulher, usando um vestido e um véu brancos, lhes dissera para voltarem lá no 13º dia de cada mês até outubro, quando ela lhes contaria quem era. No dia 13 de outubro, ela lhes disse que era Nossa Senhora do Rosário e pediu às crianças que rezassem o rosário todos os dias. Pediu que as pessoas corrigissem suas vidas e pediu também que uma capela fosse construída em sua honra. Em 1930, a Igreja Católica Romana autorizou a devoção à Nossa Senhora de Fátima. Desde então, milhões de pessoas fazem peregrinação a Fátima. (Enciclopédia Delta Universal)
Não é de hoje que deusas são adoradas nas religiões pagãs. O apologista Hélio de Souza escreveu que “não é óbvio presumirmos que as antigas divindades tutelares reverenciadas no passado apenas mudaram de nome? Diana para os efésios, Nun para os ninivitas, Ishtar  para os babilônios, Kali para os hindus e, assim, continuam sendo cultuadas por meio de um pseudocristianismo”.
O catolicismo romano foi dando a Virgem Maria feições diversas incorporando-a ao acervo popular de inúmeras nações.  Desta forma absorveu a ideia de deusas do paganismo e incorporou as características culturais, raciais e étnicas de cada nação. Por isso em Portugal, a Virgem Maria é conhecida como “Senhora de Fátima”; no Brasil “Conceição Aparecida; na França “Senhora de Lourdes”; no México “Senhora de Guadalupe”; no Japão “Senhora da Estrela da Manhã”.  
Adoração e veneração

À Maria é feita oração, preces, pedido de milagres, e milhões de casas brasileiras possuem um altar a ela.  O catolicismo romano afirma que os católicos não adoram Maria, mas apenas veneram. Porém, essa distinção não acontece na prática. É como disse o apologista Alberto Fonseca:
Há diferença entre adorar e prestar culto? Se prostrar-se diante de um ser, dirigir-lhe orações e ações de graça, fazer-lhe pedidos, cantar-lhe hinos de louvor não for adoração fica difícil saber o que o catolicismo romano entende por adoração. Chamar isso de veneração é subestimar a inteligência humana.
Os atos descritos acima, por parte do fiel católico, se configuram idolatria e somente Deus pode receber tais considerações. A Bíblia afirma e ordena: “Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás”. (Mateus 4:10)
Resumindo: não existe adoração relativa, paralela nem veneração a pessoas. O fato de reconhecer Maria como bem-aventurada por ser a mãe de Jesus é bíblico (Lucas 1:48), expandir isso é descambar em idolatria. João foi o ultimo apóstolo e se os primeiros cristãos prestassem algum tipo de culto a Maria ou aos “santos” poderia muito bem ter nos informado e incentivado a tal prática. Porém ele escreve: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (I João 5:21). Lembro aos leitores que um ídolo bem pode ser uma imagem de escultura, porém em um sentido mais lato, idolatria pode indicar veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc, que tome o lugar de Deus, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos.
Amor aos católicos romanos
O fato da Bíblia não aprovar o culto aos santos ou a Maria não deveria ser motivo de qualquer sentimento de aversão ou até mesmo ódio da parte dos evangélicos aos católicos romanos ou vice-versa. A verdade pode até doer, mas continua sendo a verdade. O apóstolo Paulo disse aos gálatas: “Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade?” (Gálatas 4:16).
Os evangélicos não consideram a “Nossa Senhora da Conceição Aparecida” como Padroeira do Brasil porque há um só Deus e Senhor e somente Ele deve ser venerado ou adorado e mais ninguém:
Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. (Deuteronômio 6:4)
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. (Filipenses 2:11)
Com amor,

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domingo, 6 de outubro de 2013

MARCAS DE UMA IGREJA VERDADEIRA

Por Gilson Barbosa

Devemos ter consciência de que não há igreja perfeita; isto é, a igreja como instituição. Esperar esta perfeição é “viajar na utopia”. Existem igrejas verdadeiras e igrejas falsas e isso não é difícil detectar. É só compararmos as igrejas com as seitas. Porém, reflito este assunto no sentido de saúde da igreja. O que é uma igreja saudável? Neste caso, há igrejas que são mais puras e outras menos puras.
Apesar de eu não admitir heresias nas igrejas evangélicas e até mesmo aponta-las, não ouso desclassifica-las como igrejas onde o Senhor deseja ser corretamente adorado nela. Lendo as cartas que o Senhor endereçou a algumas igrejas percebemos que talvez a pior igreja da Ásia tenha sido a de Laodicéia. Nela não há nenhum elogio:
 
E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas. (Apocalipse 3:14-18) 
Que situação catastrófica! Que tragédia espiritual! No entanto o Senhor ainda dá a esta igreja mais uma chance:
Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo. (Apocalipse 3:19,20) 
Porém, permanecer dentro de uma igreja como a de Laodicéia está na capacidade de paciência de cada crente. Pode ser que chegue o tempo onde o membro terá que tomar a decisão de permanecer ou não numa igreja nestas condições. Essa atitude também não é errada nem se configura pecado. É óbvio que não temos nem vemos na Bíblia exemplos de crentes procurando uma igreja mais pura para congregar. Parece que o contrário era verdadeiro: os falsos crentes é que a deixavam (leia I João 2:19). Mas pode ser que uma igreja se distancie muito da ortodoxia a ponto do membro decidir não permanecer mais nela. Então: que igreja frequentar? Quais devem ser os critérios que influenciarão na decisão? Sugiro alguns pontos.
 
1 – Uma igreja que prioriza a verdadeira pregação. Contudo, não se trata de qualquer pregação. Ela deve conter no mínimo dois elementos: ser verdadeira e expositiva. Quanto a ser verdadeira consta a sinceridade do pregador. Há muitos pregadores que sabem e conhecem corretamente as verdades doutrinárias, mas por diversas razões não possuem vontade de exercitá-la. São desonestos ou mal intencionados.
Quanto à maneira a pregação deve ser expositiva. Há muitos tipos de pregações, mas não são eficazes.  Não incentivo os métodos que usam as pregações textuais, temáticas, tópicas, biográficas, e por ai afora. Quando o apóstolo Paulo se despede dos irmãos efésios mencionou algo importante:
 
Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus. (Atos 20:27) [ênfase minha] 
A pregação expositiva compreende o modo continuum. Este pode ser livro por livro, capítulo por capítulo. Outro ponto importante na pregação expositiva é o valor conferido ao contexto do capítulo que se está pregando. Ela é um manancial abundante de edificação, fortalecimento e exortação. Algumas pessoas não tem paciência com a pregação expositiva, pois, presumo eu, ela não se preocupa com os interesses individuais. Ela se preocupa com o que diz o texto bíblico e como aplica-lo à nossa vida. A pregação deve ter centralidade em nossos cultos. Uma igreja que a permuta por musicas, entretenimentos, eventos, programações, está fadada ao engano religioso e confusão no entendimento prático da fé cristã.
 
Se você é membro de uma igreja procure valorizar e ouvir a pregação expositiva. Se você leitor, for pastor e ou pregador se esforce em pregar este tipo de sermão. Não iluda o povo com mensagens particulares e arbitrárias.
2 – Uma igreja que pratica uma teologia bíblica. Não me refiro a debates fúteis e intermináveis nem a academicismo teológico. Refiro-me as crenças corretas. É antes de tudo uma cosmovisão bíblica do que teológica. Uma teologia bíblica se fundamenta numa hermenêutica sadia, exata, confiável, fiel e sincera. O apóstolo Paulo advertiu Timóteo sobre uma característica perversa dos últimos dias: os desvios teológicos.
 
Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas. (II Timóteo 4:3, 4)
Se você frequenta uma igreja onde os pontos fundamentais da fé cristã estão sendo distorcidos sugiro que a deixe. É necessário ter um entendimento correto a respeito das doutrinas importantes, tais como a do Homem, Cristo, Deus, Bíblia, Pecado, Espírito Santo, Salvação. É verdade que alguns pontos são secundários e não deveriam ser o “divisor de águas” das denominações evangélicas.
 
As doutrinas estão pontuadas nas escrituras sagradas para um entendimento correto; é o próprio Deus que deseja isso. Não deveria servir para dividir as denominações nem para a arrogância espiritual de qualquer pessoa. Não creio em inúmeras possibilidades de interpretações de um mesmo texto bíblico. Ele deve ter apenas um sentido.
É importante conhecer, saber e compreender nossas crenças. Isso fortalece nossas convicções e dá segurança. Particularmente entendo que alguns grupos evangélicos interpretam mais adequadamente os textos bíblicos. A Teologia Reformada, por exemplo, possui em seu bojo uma coerência estrutural quando analisada à luz das escrituras. Procure se informar a respeito desta teologia para sua edificação espiritual.
 
Mark Dever, em O Que é uma Igreja Saudável? (Ed:Fiel) escreveu a respeito da graça em possuir uma teologia:
Hoje a cultura materialista é norteada pelo mercado, que nos cerca, frequentemente encoraja as igrejas a entenderem a obra do Espírito em termos de marketing e tornarem a evangelização em anúncios. Deus é remodelado à imagem do homem. Em tais ocasiões, uma igreja saudável tem de ser bastante diligente em suplicar a Deus que seus líderes tenham uma compreensão bíblica e experiencial da soberania de Deus. Devem também rogar-lhe que seus líderes permaneçam totalmente comprometidos com a sã doutrina em toda sua glória bíblica.  
3 – Uma igreja que aplica a disciplina bíblica. Muitas igrejas estão vivendo em caos espiritual porque não se preocupam mais com a doutrina da santificação. Segundo o apóstolo Pedro a igreja é uma nação santa:
 
Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. (I Pedro 2:9) 
A igreja deve refletir o caráter de Deus: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.” (IPedro 1:15, 16). A desobediência aos mandamentos do Senhor, conforme registrado nas escrituras, com certeza redunda na desaprovação e castigo divino. Foi assim em todo o Antigo Testamento e não é diferente no Novo. O ultimo caso grave de aplicação da ira Divina vemos seu desdobramento físico no casal Ananias e Safira. Hoje Deus não pune mais pessoas como nos dias primitivos. Isso não significa que devamos ocultar pecados e manter conivência com os mesmos. O pecador deve ser admoestado. Leia I Coríntios 5:1-11.
 
A disciplina bíblica visa manter a santidade da igreja e não apenas punir os faltosos com base em algum tempo de reclusão. O pastor Augustus Nicodemus Lopes, em Mantendo a Pureza da Igreja (Ed: Cultura Cristã), destaca pelo menos três alvos da Disciplina Bíblica: Zelar pelo nome do Senhor, manter a pureza da Igreja e restaurar os faltosos.
A responsabilidade de julgar as ações de líderes e membros cabe à igreja local. É certo que um dia Deus julgará as obras de seu povo, porém a Bíblia ordena santidade na conduta dos que o servem e quando estes transgredirem  a lei de Deus devem ser exortados seriamente e em amor.
 
Três elementos essenciais
Na igreja onde você frequenta há estes três elementos? Pregação expositiva, teologia bíblica e disciplina bíblica? Se a resposta for negativa, a situação não é nada boa, pois não há a mensagem exata de Deus, crença correta, nem preocupação com a santidade do povo.
 
Que o Senhor tenha piedade dela!
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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

CONFISSÃO POSITIVA ou ABRACADABRA EVANGÉLICO?

Por Gilson Barbosa
 
Os adeptos da Confissão Positiva dizem que há poder em nossas palavras. Por esta razão não podemos pronunciar palavras negativas, pois elas podem trazer à realidade o que foi dito. Sendo assim é inadmissível dizer palavras tais como: “estou morrendo de fome” ou “parece que estou ficando calvo” ou “estou com uma leve dor de cabeça”. Significaria que você realmente morreria de fome, ou ficaria careca, ou ainda passaria de uma leve para uma forte dor de cabeça.
Mas, o que significa “confissão positiva”? Segundo o Dictionary Of Pentecostal And Charismatic Movementes (apud ROMEIRO, 1993, p.6):
 
A expressão “confissão positiva” pode ser legitimamente interpretada de várias maneiras. O mais significativo de tudo é que a expressão “confissão positiva” se refere literalmente a trazer à existência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão.

Para que coisas ruins não se materializem em sua vida você precisa corrigir seus pensamentos e evitar pronunciar algo que soe ruim. Para os adeptos da Confissão Positiva ou da Teologia da Fé existem leis impessoais que regem o mundo espiritual e para que elas funcionem você deve usar o que chamam de “As Fórmulas da Fé”. Estas fórmulas ativam as leis espirituais e uma vez ativado possui poder para beneficiar o crente. Como escreveu o pastor Antonio Pereira da Costa Junior a fórmula consistem em:
 
- “Diga a coisa”, positiva ou negativa, tudo depende do indivíduo;
- “Faça a coisa”, o que nós fazemos irá determinar a nossa vitória;
- “Receba a coisa”, a fé irá dinamizar a ação e Deus tem que responder, pois está preso a “leis espirituais”;
 
- “Conte a coisa”, para que outras pessoas possam crer. Deve-se usar palavras como: decretar, exigir, reivindicar, declarar, determinar, e não se pode pedir “se for da tua vontade”, pois isso destrói a fé.

Leis espirituais
Os defensores da Confissão Positiva afirmam que Deus criou leis espirituais que reagem à fé daquele que crê. As leis são impessoais e funcionam independente de Deus. Sobre isso o Dr Alan B. Pieratt vê um paralelo com o deísmo dos séculos 17 e 18. No seu livro O Evangelho da Prosperidade ele escreveu:

Não é a primeira vez que essa ideia aparece na história da igreja. Nos séculos XVII e XVIII, alguns teólogos ingleses receberam o nome de “deístas”, por proporem ideias parecidas com essa. A figura que eles usavam para explicar o modo como Deus conduz o mundo era de natureza mecânica: o universo é como um relógio ao qual ele deu corda no inicio dos tempos. Desde então, ele não precisa mais de nenhuma atenção, mas funciona automaticamente, livrando Deus da necessidade de intervir no curso natural da história humana.
 
“Poder nas palavras”

A palavra falada é extremamente importante para os adeptos da Confissão Positiva. Ela vem em primeiro lugar na “formula da fé”. Há poder nas palavras, defendem os adeptos. Na tentativa de justificar biblicamente que nossas palavras podem criar coisas boas ou ruins citam os versículos abaixo:
 
E te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras a tua boca. (Provérbios 6:2)
Kenneth Hagin (um dos “teólogos” da Confissão Positiva) ensina que se alguém falar positivamente obterá resultados positivos; mas se falar negativamente obterá resultados negativos. Porém conforme afirma Hank Hanegraaff este versículo nada tem a ver com algum tipo de “fórmula da fé”.
Nesta passagem Salomão estava simplesmente pontuando que sempre que alguém entra num acordo com uma pessoa, ela se obriga por esse acordo. Ser fiador de uma pessoa o converte em responsável pelas dívidas desta pessoa. (Cristianismo em crisis, p. 77, Editorial Unilit)
Se você afiançou alguém, muito cuidado! É exatamente essa ideia que temos ao ler o contexto que compreende os versículos 1-5: “Filho meu, se ficaste por fiador do teu companheiro, se deste a tua mão ao estranho, e te deixaste enredar pelas próprias palavras; e te prendeste nas palavras da tua boca; faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, já que caíste nas mãos do teu companheiro: vai, humilha-te, e importuna o teu companheiro. Não dês sono aos teus olhos, nem deixes adormecer as tuas pálpebras. Livra-te, como a gazela da mão do caçador, e como a ave da mão do passarinheiro”.
A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto. (Provérbios 18:21)
Antonio Pereira da Costa Junior explica esse texto como segue:
Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este verso não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores. (Artigo: Há realmente poder em nossas palavras?)
Confissão negativa pega em crente?
O apologista Paulo Romeiro (Super Crentes, p.26, Ed:Mundo Cristão) informa que os defensores da confissão positiva “creem que, se algo negativo for declarado, isto se concretizará, resultando numa espécie de automaldição, uma expressão também cunhada pelos seus pregadores”. Por conta disso muitos evangélicos tornaram-se obcecados com as palavras que são proferidas. Se numa conversa informal com outros irmãos contiver palavras negativas os mesmos serão até mesmo exortado. Mas será que é assim mesmo?
Temos exemplos bíblicos de pessoas tementes a Deus que professaram o mal, porém isso não o tornou em realidade. Em Genesis 42:36 Jacó disse que José já não existia mais, porém suas palavras não causaram efeito negativo trazendo a morte à José: “Então Jacó, seu pai, disse-lhes: Tendes-me desfilhado; José já não existe e Simeão não está aqui; agora levareis a Benjamim. Todas estas coisas vieram sobre mim”.
Três jovens, fiéis e tementes a Deus, admitiram a possibilidade do Senhor não os livrar da fornalha ardente do rei Nabucodonosor e nem por isso pereceram no fogo: ”Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará da fornalha de fogo ardente, e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste”. (Daniel 3:17,18). [a ênfase em itálico e negrito é minha]
Certamente Jesus desconhecia esse ensino herético “do poder nas palavras” de seres humanos falíveis; e com certeza não foi suas palavras que o levou a morte de cruz: “Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar. E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito. Então lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até a morte; ficai aqui, e velai comigo”. (Mateus 26:36-38)
 
Mesmo regenerado e convertido Paulo reconhecia que era um grande pecador. Porém essa confissão não trouxe a maldição do pecado sobre si o tornando num cometedor de pecados: “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” (I Timóteo 1:15)
 
A igreja filipense ouviu que Epafrodito, companheiro de Paulo, estava doente. Fica implícito no texto e na narrativa que não se preocuparam em omitir a palavra “doente” para Epafrodito ao mencioná-lo em seu momento difícil. Não foi as palavras que o deixaram doente, mas o fato de mencionar a doença não complicou mais sua saúde, pelo contrário, o Senhor teve misericórdia e dele e restabeleceu sua saúde: “Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades. Porquanto tinha muitas saudades de vós todos, e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente. E de fato esteve doente, e quase à morte; mas Deus se apiedou dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.” (Filipenses 2:25-27).

Quando Tiago disse que da nossa boca procede benção ou maldição (Tiago 3:10) não se referia a palavras mágicas imantada com poder de transferir na vida da pessoa o que fora proferido. O pastor Augustus Nicodemus Lopes dá a seguinte interpretação do texto:
 
Havia, de fato, nas igrejas de seus leitores pessoas que causavam problemas com suas palavras – e eram provavelmente os mestres aos quais Tiago se dirigiu no inicio desse capítulo e na parte final (3:13-18) [...] o apóstolo Paulo exorta os crentes a ser coerentes no uso da língua: devem parar de falar palavras torpes e, dizer apenas o que edifica (Ef 4:29; cf Rm 12:14; I Pe 3:9).
O abracadabra evangélico
Resumindo: a questão das palavras é de ordem moral e espiritual e não mágica ou mística. Em nossas palavras não há nenhum poder divino ou sobrenatural. Todo esse entendimento e defesa não passam de uma espécie de “abracadabra evangélico” com a finalidade de abrir as portas da prosperidade financeira, cura, sucesso, fama, etc. Que o Senhor nos dê graça para confiarmos somente em Sua palavra.
No amor de Cristo,
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terça-feira, 10 de setembro de 2013

AOS CRENTES PRATICANTES DE IOGA, MEDITAÇÃO, HIPNOSE...

Por Gilson Barbosa

A ciência não tem autoridade nem legitimidade para legislar em matéria de fé; ainda que suas pesquisas a favoreça e incentive sua busca. Hoje em dia a ciência até mesmo reconhece os benefícios de ser um religioso. No entanto em matéria de religião a ciência é eclética, sincrética, dá tiros para todos os lados. Seus estudos podem favorecer tanto ortodoxos quanto heterodoxos. É por isso que não devemos nos apoiar em suas teses, pois ela vê benefícios em algumas práticas que no fundo quase sempre contradiz o verdadeiro cristianismo. É o caso dos benefícios da meditação ou da Ioga, por exemplo. Mas, por que a ciência tem entrado no terreno da religião? Alguém deu a seguinte sugestão:
Há algum tempo, a ciência investiga conexões entre a mente e o corpo. Alguns cientistas descobriram que a fé de uma pessoa pode ajudá-la a viver uma vida mais longa e saudável. A oração pode baixar a pressão arterial e diminuir o ritmo cardíaco, dois fatores que contribuem para um sistema imunológico mais resistente.
Obviamente não é sensato o crente orar tendo em vista “uma vida mais longa e saudável”, ou para baixar sua pressão arterial e “diminuir o ritmo cardíaco”. A oração é um mandamento bíblico e tem por finalidade realidades espirituais, piedosas e celestiais:

E quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação. (Lucas 22:40)
Orai sem cessar (I Tessalonicenses 5:17)
E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer (Lucas 18:1)  
Algum tempo a ciência tem noticiado sobre os efeitos positivos de algumas práticas denominadas de terapias complementares (chamada antes de terapias alternativas). Essas terapias agora estão sendo usada em hospitais públicos e particulares; esta nova realidade é chamada de Medicina Integrativa:
Medicina Integrativa é a abordagem que procura casar tradicionais práticas baseadas em evidência com métodos que, em vez de focar num problema específico, buscam tratar o corpo como um todo.
A questão não é mais tratar a dor ou a enfermidade do paciente em si, mas “considerar outras demandas desse paciente, como questões emocionais, espirituais e familiares”. Algum crente pode perguntar: “Mas que mal há nisso?”.
A maioria das práticas é de origem oriental. As mais procuradas são: Acupuntura, Musicoterapia, Homeopatia, Fitoterapia, Aromaterapia, Hipnose, Técnicas de respiração, Meditação, Massagem Ayurveda, Quiropraxia, Reiki, Ioga, Florais de Bach. Essas práticas não são incentivadas pelas escrituras sagradas, ainda que pudesse trazer benefícios corporais ou mentais. Alguns crentes questionam o tratamento rigidamente de cunho espiritual e religioso que os apologistas têm dado a essas práticas e indagam se elas não poderiam ser feitas apenas na perspectiva do bem-estar.  
A hipnose, por exemplo, possui o potencial de expor a mente a manipulações humanas. A sugestão do hipnotizador é que a mente do paciente se esvazie. Como explica a dra. Rosemeire Lopes de Souza (psicóloga clínica): “Nesse estado, os sentidos são enganados e as percepções, radicalmente alteradas. É prejudicial à saúde mental, principalmente no que tange à sugestão pós hipnótica, quando o paciente, depois das sessões, realiza tarefas que tenta explicar de maneira racional por não se lembrar que fora induzido”. O cristão não deve expor sua mente a essa prática: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Isaias 26:3).
Determinado artigo incentivando o uso dos Florais de Bach (considerado um regulador das vibrações que nos equilibram com a natureza) enuncia o seguinte: “As emoções negativas são a causa primária de muitas doenças. Se intensas, podem distorcer a manifestação dos ideais de força, sabedoria e beleza, preexistentes na natureza humana”. O que eles chamam de emoções negativas a Bíblia denomina de efeitos da Queda do homem no Éden ou o pecado radical.
A Ioga é vista pela Medicina Integrativa como “uma atividade com caráter mais preventivo do que terapêutico”. Segundo os estudiosos os benefícios da Ioga advêm pela técnica de respiração, fortalecimento muscular ou postura corporal. A interpretação que é dada a Ioga neste caso é a de uma prática esportiva ou ginástica. Porém sabemos que a origem da Ioga é hinduísta. Quanto a metodologia não tem como separar os exercícios físicos de um processo mental. A mente humana é inevitavelmente envolvida. A Revista Defesa da Fé, em sua edição de número 37, informa que Pedro Kupfer, um dos principais formadores de professores de ioga no Brasil disse à revista “Super Interessante” que a “ioga sem meditação não é ioga”. A que tipo de meditação se refere Kupter? Pesquisando a vasta literatura dedicada à difusão da ioga encontramos o que vem a ser esta meditação: é liberar o “ego divino”, aprisionado dentro do homem, permitindo que poderes fluam para sua pessoa. Para o praticante experiente da ioga seu poder flui do seu próprio interior. O inexperiente terá a sensação de algo que vem de fora para dentro.
A Medicina Integrativa também incentiva a meditação, como uma terapia complementar ao tratamento médico. Percebemos que há uma tentativa cientifica de desassociar essas práticas de qualquer cunho religioso ou místico, mas o tiro sempre sai pela culatra. O Dr. Paulo de Tarso Lima, do Hospital Albert          Einstein ao comentar sobre os efeitos da meditação em um grupo de pessoas disse o seguinte: “Estamos avaliando, com exames de ressonância magnética, o impacto da meditação tibetana em pessoas que sofreram danos cognitivos por causa da quimioterapia” [meu grifo]. Esse tipo de meditação é voltado para o interior do homem e visa à extensão e expansão da mente.
A Bíblia também menciona a meditação. Mas, ela não é uma meditação no vazio, ou cósmica, visando equilibrar a mente e o corpo. O pastor Natanael Rinaldi escreveu algo interessante sobre a meditação bíblica:
O objetivo da meditação bíblica é a comunhão com Deus: “Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra” (Cl 3.1,2). O meio usado é a palavra de Deus: “Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos” (1Tm 4.15). E de modo racional: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Rm 12.1).
Eu sei que alguns irmãos podem achar exagerada essa preocupação com as terapias complementares. Porém, a ideia central tem a ver com um ensino conhecido como holismo. A autora Caroline Faria, no site Info escola, dá a seguinte explicação para esta palavra:
A palavra “holismo” vem do grego “holos” que significa “todo”, “inteiro”, “completo”, e é usada para designar um modo de pensar, ou considerar a realidade, segundo a qual nada pode ser explicado pela mera ordenação ou disposição das partes, mas antes pelas relações que elas mantém entre si e com o próprio todo.
Qual a relação dessa filosofia com a saúde? Novamente a pesquisa de Caroline Faria informa:
Com implicações profundas em quase todas as áreas do conhecimento, a filosofia holística vem provocando questionamentos principalmente nos campos da saúde onde as doenças começam a ser encaradas como uma manifestação localizada de um distúrbio no equilíbrio do indivíduo como um todo, não apenas de uma de suas partes (questão focada por algumas práticas medicinais tradicionais como a ayurveda).
Minha sugestão é que não é prudente o cristão se submeter a essas práticas da medicina alternativa, pois no fundo estará sendo envolvido por técnicas paganizadas. Não questiono a eficácia das terapias alternativas no campo da saúde. Questiono a subserviência de cristãos diante de práticas que advogam doutrinas contrárias ao cristianismo bíblico e se colocam sob suas influencias. Mas isso fica para que cada crente faça uso da sua consciência diante de Deus.
Em caso de enfermidades e doenças físicas um médico profissional deve ser consultado. Porém no caso de problemas advindos de desiquilíbrio emocional ou mental é bom que o cristão utilize os meios da graça, tais como a oração, a leitura bíblica, a meditação nas coisas espirituais, e não a Ioga, a Hipnose, a Meditação...

No amor de Cristo,
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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O QUE AS IGUARIAS DE NABUCODONOSOR TEM A VER COM CHOCOLATE?

Por Gilson Barbosa

Tenho sido informado sobre um procedimento que está virando rotina entre os crentes: a abstenção de certas coisas tendo em vista a conquista de bênçãos divinas ou como agradecimento de bênçãos recebidas. Essas coisas podem ser, por exemplo, não comer chocolate, não tomar Coca-Cola, não assistir televisão, não usar calça (esta proibição diz respeito ás mulheres; membros de igrejas “radicais” quanto aos usos e costumes, mas que desobedecem a ordem do Ministério), não ir ao cinema, etc. A lista de abstenções pode ser enorme, sempre condicionado ao gosto do interessado nas bênçãos. Com a proposta de buscar o Espírito Santo certa igreja estabeleceu a seguinte campanha:

A Igreja Universal do Reino de Deus lançou no último dia 28 de março uma campanha de jejum pela busca do Espírito Santo, o tema é Jejum de Daniel e os fiéis do mundo todo estão participando se abstendo de pensamentos, diversão e entretenimento.

Diferente dos jejuns de comida a IURD trouxe uma nova proposta: evitar ver TV, jogos, sair para cinemas, restaurantes, festas e praticar outras atividades de lazer com os amigos, como por exemplo, acessar redes sociais e usar a internet para fins pessoais. (Nota no final do texto).

Uns entendem que a ação trata-se de uma espécie de jejum parcial. Invocam o jejum praticado por Daniel e seus amigos, na corte babilônica. Outros falam em votos ou promessas. E ainda outros dizem tratar-se de renuncia. Ou seja, renunciam algo que gostam muito para agradar a Deus e cumprir sua Palavra. 

O jejum parcial de Daniel e seus amigos

Queria estar errado, mas penso que esta prática está longe de ser bíblico-cristã. Daniel pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar (Daniel 1:8). Ainda que não encontremos nas escrituras a razão explicita para o procedimento deles e no que consistia essa contaminação, o certo é que agindo assim se recusaram a comprometerem sua fé em um ambiente pagão. Por estarem inseridos dentro de um ambiente de grande risco de morte, foram recompensados com a bênção divina (Daniel 1:11-20). Creio que o caso não se aplica a abstenção de lazer, convívio social ou algum tipo especial de alimento, nos dias de hoje. O que chocolate tem a ver com as iguarias do rei Nabucodonosor? Ou o lazer com a Babilônia? Trata-se de um anacronismo lógico e cronológico.

A Bíblia ordena a santificação diária no Espírito e não santidade forçada, a conta gotas, e temporária:

Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; (Hebreus 12:14)

Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo. (1 Pedro 1:15-16)

Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação. (1 Tessalonicenses 4:7)

Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade; (2 Tessalonicenses 2:13)

Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação; (1 Tessalonicenses 4:3)

Outro perigo desse entendimento é qualificar a criação divina, a cultura, o trabalho, o lazer, o entretenimento, as artes, como elementos que trazem malefícios aos cristãos. Isso é conhecido como o dualismo do sagrado e do profano. Esta distinção dicotômica não é bíblica. Muitos associam o espiritual aos momentos de adoração no ambiente do culto e o profano as demais coisas. Deve ser por isso que muitos vivem uma vida dupla. Na igreja é um santo, fora dela um perverso. 

Votos ou promessas

Há outros que ficam com a consciência culpada, pois prometeram algo a Deus e não conseguem cumprir. Leia a pergunta que foi feita num site católico romano:

Pergunta: Boa tarde! Sr Pe. sou Católica devota de Nossa Senhora e de São Jorge, fiz uma promessa em 04/07 de passar 6 meses sem comer chocolate, mas tá muito difícil pra mim. Gostaria de saber se tem algum problema se eu quebrar essa promessa que fiz a Deus!

Na verdade a pessoa prometeu a si mesmo e não consegue controlar seu desejo. A linguagem honesta, os votos ou juramentos possuem sentido no relacionamento com outras pessoas e especialmente com o Senhor Nosso Deus. É necessário considerar a gravidade e seriedade do que está sendo prometido ou votado. Com certeza isso não passa por questões banais como deixar de assistir televisão, comer algum tipo de carne, acessar as redes sociais, etc. Já pensou o apóstolo Paulo dizendo assim aos irmãos tessalonicenses: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da carne vermelha, da Coca Cola, do chocolate, da televisão...”.

A Confissão de Westminster, XXII. 7 afirma:

Ninguém deve prometer fazer coisa alguma que seja proibida na Palavra de Deus ou que impeça o cumprimento de qualquer dever nela ordenado.

Negando o Eu interior

Outra justificativa para tal falta de bom senso é o mandamento de Jesus sobre a renuncia que cada cristão deve praticar em sua vida: “E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.” (Marcos 8:34). O texto não diz nada sobre a questão de que seguir após Cristo será mais puro, nobre e santo, se abstermos de certos tipos de alimentos, lazer, e assim por diante. 

Tomar a cruz de Cristo significa obedecer e identificar-se com Jesus, mesmo até a morte, e não simplesmente suportar alguma obrigação específica imposta pelo Senhor. Em Marcos 8:34 (e nos textos paralelos) Jesus acrescenta o mandamento da negação de si mesmo. A chamada ao discipulado exige o abandono completo do desejo natural de buscar conforto, fama ou poder. (BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA).

O texto deve ser lido todo: “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará. Pois, que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou, que daria o homem pelo resgate da sua alma?” (Marcos 8:35-37).

Imagine se a eternidade do crente estivesse condicionada a questão de comer ou não chocolates, beber ou não Coca Cola, ir ou não à praia ou cinema, comer ou não carne vermelha, etc!!! Com certeza quem conseguisse abster-se destas coisas alcançariam a salvação por obras. Outros amargariam eternamente o inferno só por causa do chocolate, da carne, do lazer, da calça feminina, da televisão....

Que sejamos sábios... No amor de Cristo,






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domingo, 25 de agosto de 2013

A SOBERANIA DE DEUS E O LIVRE-ARBITRIO

Por Gilson Barbosa

Prezado leitor, pode parecer estranho, mas preciso perguntar: você acredita na soberania de Deus? É sabido que numa perspectiva teórica todo o cristão crê na soberania de Deus. No entanto a crença é quase sempre negada quando a conversa assume dimensões profundas e é analisada à luz do cotidiano de cada cristão. Dizer que Deus é soberano implica em admitir Seu governo e controle sobre todas as coisas. Esse é um simples teste que levado à exaustão, pelas contingências da vida, demonstra que algumas pessoas não conseguem viver em paz com essa realidade.
Em nosso viver diário nos deparamos com acontecimentos que chocam a nossa percepção de como é o Ser de Deus ou como pensamos que deveria ser. É só pensar nas tragédias que acontecem mundo afora, no sofrimento humano, na ênfase libertária do livre arbítrio, na doutrina bíblica da predestinação, que, para alguns, a existência de um Deus soberano fica prejudicado. Muitos entendem que sendo Deus soberano essas coisas não deveriam existir, ou acontecer.

Porém, temos que conviver com a realidade de que essas coisas existem e Deus é soberano. Deus poderia, se quisesse, dar um fim em toda as mazelas, mas Ele decidiu e permitiu (e permite) que essas contingencias existam e assim sucedam. Na verdade, quanto a isso, não temos uma resposta que satisfaça a curiosidade humana.  A dificuldade da aceitação é resultado da ênfase na livre vontade humana, ou livre arbítrio. Porém temos que decidir: ou Deus é soberano e o livre arbítrio humano é limitado, ou o ser humano é plenamente livre e Deus não é soberano.
Deus é Soberano

De certa forma, arminianos, calvinistas, pentecostais ou tradicionais, acreditam na soberania de Deus. No entanto, a questão é o quanto (em que grau) Ele é soberano para esses grupos. Certos evangélicos afirmam que a soberania de Deus é limitada pela liberdade humana. Na teologia reformada o entendimento é o oposto: a liberdade humana é limitada pela soberania de Deus.

O teólogo Arthur W. Pink em Os Atributos de Deus (Editora PES) define a soberania de Deus como o exercício absoluto de Sua supremacia. Deus é soberano sobre sua criação (Salmo 104); sobre os governos mundiais (Daniel 4:35); na eleição e reprovação do pecador (Romanos 9:15-29); na regeneração (Tiago 1:18); nos sofrimentos de Cristo e dos crentes (Lucas 22:42; I Pedro 3:17); na nossa vida e destino (Tiago 4:13-15; Atos 18:21) e até mesmo os menores detalhes da vida (Mateus 10:29).
Entre as expressões da soberania divina estão os atributos da onipotência, sabedoria, imutabilidade e onisciência. Com respeito ao seu poder soberano devemos compreender o seguinte:

1 – A Escritura em nenhum lugar coloca limites ao poder de Deus;

2 – Deus exerce o seu poder no cumprimento do que decretou e nas obras da providencia. Os decretos de Deus são a manifestação de sua vontade e certamente se realizam na história, no devido tempo, segundo seu propósito.

3 – O que Deus realiza não serve de limites para o seu poder. Aquilo que Deus realiza ou que deixa de realizar não compromete sua soberania. Ele apenas determinou não fazer ou fazer algo; isso não significa que não seja onipotente, mas apenas que decidiu livremente não fazer algumas coisas.   

4 – Deus exercita o seu poder em harmonia com todas as perfeições de sua natureza. O ponto 3 está unido a este. A vontade divina é eticamente determinada. Nesse sentido Deus não faria 2+2 ser igual a 5, nem criar um triangulo quadrado, escrever em linhas tortas, ou fazer uma pedra tão grande que nem ele mesmo consiga carregar. Quando as escrituras afirmam que Deus não pode mentir, não pode se arrepender, não pode mudar ou ser tentado, devemos entender que o Senhor ajusta seu poder de modo harmoniosamente perfeito ao seu ser.  
Soberania divina e livre-arbítrio

Precisamos encontrar o entendimento adequado entre a soberania divina e a liberdade humana. A vontade soberana de Deus não é impedida de ser realizada pela vontade humana. Robert Charles Sproul (Eleitos de Deus, Ed: Cultura Cristã) disse muito bem:

Se a soberania de Deus é restringida pela liberdade do homem, então Deus não é soberano, e sim o homem é soberano. Deus é livre. Eu sou livre. Deus é mais livre que eu. Sua liberdade restringe a minha; minha liberdade não restringe a dele. Existe uma analogia na família humana. Eu tenho livre-arbítrio. Meus filhos tem livre-arbítrio. Quando nossas vontades se chocam, eu tenho autoridade para reger a vontade deles. A vontade deles deve estar subordinada à minha vontade; minha vontade não deve estar subordinada à deles. É claro que, no nível humano da analogia, não estamos falando em termos absolutos.
A liberdade humana levada a exaustão certamente redundará em heresia (é o caso da Teologia Relacional, defendida por alguns teólogos norte-americanos e brasileiros). Nosso livre-arbítrio não é neutro nem puro. Ele é influenciado por causas e fatores externos. É necessário definir o que é livre-arbítrio. A maioria define o livre-arbítrio como a capacidade de fazer escolhas sem nenhum preconceito, inclinação ou disposição anterior. Para o arbítrio ser livre, é preciso agir a partir de uma postura de neutralidade, sem absolutamente nenhuma tendência. Isso é impossível. Sproul escreveu:

Na superfície isso é muito atraente. Não há elementos de coerção, nem externos nem internos, a serem encontrados aí. Embaixo da superfície, contudo, estão à espreita dois sérios problemas. Por sendo assim, se fazemos nossas escolhas estritamente a partir de uma postura natural, sem nenhuma inclinação anterior, então fazemos nossas escolhas sem nenhuma razão. Se não temos nenhuma razão para nossas escolhas, se nossas escolhas são totalmente espontâneas, então nossas escolhas não tem significado moral. Se uma escolha apenas acontece – apenas surge, sem nenhuma rima ou razão – então não pode ser julgada boa ou má. Quando Deus avalia nossas escolhas, ele está interessado em nossos motivos.
O que Sproul está dizendo é que nossas escolhas são frutos de nossa inclinação e predisposição anterior. Nossas vontades não são totalmente neutras. Antes da Queda Adão e Eva possuíam livre-arbítrio puro, pois eles tinham a possibilidade de pecar ou não. Após a Queda nosso livre-arbítrio foi maculado. Fatalmente nós pecaremos. Não temos mais a possibilidade de não pecar. Todo esse entendimento sobre o livre-arbítrio serve para demonstrar que especialmente nas coisas relativas ao Senhor faremos o que nossa natureza caída pede; repudiaremos os assuntos espirituais e desprezaremos a soberania divina.

Não há ninguém que busque a Deus por si somente

Não que não sejamos livres, apenas que nossa liberdade não é maior que a de Deus. Nós não temos o livre-arbítrio isento de inclinações e desejos predispostos. Nossa natureza caída nos conduz a escolher o mal, o pecado, o que desagrada a Deus.

Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. (Romanos 3:10-12)
Tenha sempre em mente que o Senhor é soberano. Ele governa; está no controle de todas as coisas. Nabucodonosor, um rei ímpio, fez uma declaração onde expressou a soberania de Deus:

Mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes? (Daniel 4:34,35).
Não faça do livre-arbítrio o seu rei supremo. Busque a graça de Deus e peça perdão. Conduza toda a sua vida segundo a vontade de Deus. Descanse no Senhor, pois sua fidelidade é eterna. Não queira ajustar a soberania de Deus à liberdade humana; não sacrifique a soberania de Deus somente porque não compreende como pode o mal existir simultaneamente. Encerro com as graves palavras de advertência:

Os homens imaginam que o que move a Deus são sentimentos e não os princípios. Eles supõem que a Sua onipotência é uma ociosa ficção, a tal ponto que satanás desbarata os Seus desígnios por todos os lados. Acham que, se Ele formulou algum plano ou propósito, deve ser como o deles, constantemente sujeito a mudança. Declaram abertamente que, seja qual for o poder que Ele possui, terá que ser restringido, para que não invada a cidade do “livre-arbítrio” humano, e o reduza a uma “máquina”. Rebaixam a eficaz expiação, a qual de fato redimiu a todos aqueles pelos quais foi feita, fazendo dela um mero “remédio” que as almas enfermas pelo pecado podem usar se se sentirem dispostas a fazê-lo; e enfraquecem a invencível obra do Espírito Santo, reduzindo-a a um “oferecimento” do evangelho que os pecadores podem aceitar ou rejeitar a seu bel-prazer.  (Os atributos de Deus – A.W. Pink, Editora PES).
Liberdade somente em Deus

Nós não somos absolutamente livres para fazer a vontade de Deus. Quase sempre a questionaremos. O pecado de adão trouxe consequências nefastas a seus descendentes direto e indireto. Muitas pessoas por não considerarem a soberania de Deus o têm reduzido em forma semelhante a um mendigo que pede favores. Não somos nós que aceitamos a Cristo, é Cristo quem nos redime e nos justifica diante de Deus. Não questione o Ser Deus só porque você não entende a razão de certos acontecimentos que na nossa avaliação são ruins. Humilhe-se diante da soberania divina.

Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? (Romanos 9:20)
 
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