sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A COSMOVISÃO DUALISTA DOS EVANGÉLICOS

Por Gilson Barbosa

Boa parte das Igrejas Assembleias de Deus estudará no 1º trimestre de 2012 assuntos que versam sobre o tema A Verdadeira Prosperidade. São temas polêmicos, pois cada grupo interpreta o assunto arbitrariamente. Até mesmo trechos bíblicos são interpretados diferentes do padrão hermenêutico gerando outro tipo de entendimento a respeito do assunto prosperidade. A qualidade do ensino doutrinário torna-se, então, irrisória e supérflua.

O mundo evangélico enfrenta o desafio de manter a qualidade teológica (ortodoxia), visto que as heresias se alastram como um vírus. Nem todos possuem condições para detectar o que é ou não heresia dentro do cenário evangélico, mas é necessário que alguém tenha. Por isso destaco a importância do estudo teológico. A questão, porém, toma ares confusos, pois o mundo evangélico é, por vezes, enigmático, misterioso.

Uma das barreiras que precisa ser derrubada, para que tenhamos sucesso no combate às heresias, é o entendimento do crente com o elemento sagrado.  Os crentes possuem cosmovisão dicotomizada, distinguindo o sagrado do profano. Até certo ponto isso é correto e certo. Porém, no caso em questão, a importância é relativa, pois, refiro-me a dicotomia entre o espiritual e o não espiritual. Para alguns crentes ir à igreja é sagrado, mas participar de uma confraternização secular, por exemplo, é profano. Outro exemplo: orar é sagrado; o ato sexual (entre cônjuges legalmente casados) é profano. Ou seja, diferenciam espiritualmente os atos seculares dos atos religiosos.

Algum leitor pode estar perguntando, mas o que isso tem a ver com as heresias? No caso dos adeptos do evangelho da prosperidade tem tudo a ver, pois fazem distinção entre o mundo espiritual e o não espiritual, sobrevalorizando aquele em detrimento deste. É claro que há diferenças entre eles, mas os pregadores da prosperidade fazem a distinção com o objetivo de negar a realidade da matéria. Os problemas de ordem física possuem ligações com o mundo espiritual. Por isso costumam denominar os vícios pecaminosos de espíritos. Por exemplo: espírito de mentira, espírito de enfermidade, espírito de inveja, etc. É por isso também que ensinam a decretar, determinar, pois, a confissão no mundo espiritual reflete e altera os desajustes na ordem material.

Há outros que misturam os entendimentos, crendo que, se abster de alguma coisa que gosta (profana) gozará os favores divinos (sagrado). Aqui cabe o exemplo daqueles que se abstém de comer chocolate, por exemplo, tendo em sua mente que Deus se agradará desse “sacrifício”. Sei de crentes que fizeram compromissos com Deus de não brincarem de futebol, para conseguirem alguma benção Divina. Irmãs que abriram mão do uso de calça, joias, e coisas do gênero, com o mesmo interesse. Mas, a contradição está no fato de que permanecem cometendo pecados objetivos (mentiras, fofocas, desonestidades, etc).

Essas atitudes têm mais a ver com paganismo do que cristianismo – a não ser que se entenda por cristianismo, o catolicismo romano. O apóstolo Paulo disse: “Portanto, quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus” (I Co 10.31). Guardada as devidas proporções, é assim que deve ser. Tudo que viermos fazer (no campo espiritual ou no não espiritual) temos que ter cuidado para que nisso, o nome do Senhor não seja escandalizado.

Voltaremos a falar sobre o assunto.
Em Cristo,

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