quinta-feira, 14 de abril de 2011

BATISMO DE FOGO OU FOGO DO JUÍZO?

Por Gilson Barbosa
Tanto Mateus (3.11) quanto Lucas (3.16) anotam que João respondeu à multidão que vinha ouvi-lo, as margens do Jordão, que Jesus era aquele que os batizaria com Espírito Santo e com fogo – Marcos (1.8) e João (1.33) omitem a expressão “com fogo”.

Grandes expositores bíblicos e teólogos importantes nas ADs tem usado essa expressão referindo-se ao momento em que o crente salvo é batizado com o Espírito e passa a falar em línguas estranhas. Analise essa opinião aqui. Respeito essas opiniões, mas não penso da mesma forma. Ressalto que minha discordância tem como base o respeito e o amor cristão. Peço que os que discordarem de minha opinião sejam recíprocos.
Conforme Stanley Horton (O que a Bíblia diz sobre o Espírito Santo - CPAD) escreve, os que aceitam o batismo com o Espírito Santo e com fogo estão divididos entre si na sua interpretação. “Alguns dizem que é um só batismo, com dois elementos ou aspectos: o Espírito Santo e o fogo ao mesmo tempo. Outros dizem que é um batismo duplo: no Espírito, para os justos; no fogo, para os ímpios”. Eu entendo como Horton: um batismo no Espírito, para os justos; no fogo, para os ímpios. Minhas colocações seguem abaixo.
Em primeiro lugar, João não podia estar falando do batismo de fogo como revestimento do poder do alto, pois fica claro pelo contexto que, quanto ao batismo com fogo, ele se referia aos fariseus e saduceus. E mais, apesar de ser profeta, o texto de Mateus e Lucas não nos autoriza a dizer que ele estava profetizando, mas pregando o evangelho do reino. Até mesmo a Bíblia de Estudo Pentecostal na nota de Lucas 3.17 diz: “Aqueles que abandonam o pecado e recebem Cristo e a sua Palavra serão batizados no Espírito Santo. Aqueles que se apegam aos seus pecados serão castigados com fogo que nunca se apaga”.
Em segundo lugar, o fato de João não distinguir o batismo de fogo com o batismo do Espírito não significa necessariamente que se refere ao mesmo acontecimento simultaneamente e sim que ele “não sabia a diferença cronológica entre o batismo com o Espírito Santo e com fogo”. A mensagem de João não era privativamente de juízo, mas era também de boas novas. É visível no texto bíblico (Mt 3.12) que somente a palha seria queimada, e mais ainda, com fogo que nunca se apagaria.
Em terceiro lugar, é verdade que o Espírito Santo desempenha as mesmas funções do fogo na vida do pecador e na vida do cristão, tais como “iluminar”, “purificar”, mas, não são a estas funções que o texto de Atos 2.3 se refere. Quanto a “serem vista línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles”, Horton diz o seguinte: “Esse não foi, em nenhum sentido, um batismo de fogo. Nem era julgamento ou purificação, como alguns supõem. Tratava-se de pessoas cujos corações e mentes tinham sido abertos para os ensinamentos do Jesus ressurreto, pessoas cheias de alegria e de louvor a Deus, pessoas que já tinham sido purificadas, que já atentavam a sua Palavra, que já estavam de comum acordo. O fogo aqui deve ser relacionado, não com o julgamento ou a purificação, mas com o simbolismo do Antigo Testamento”.
Em quarto lugar, segundo Horton, as línguas de fogo precederam o batismo pentecostal, e nada tinham a ver com ele. E mais: “De fato, nada é dito no livro dos Atos, em algum lugar, a respeito dos crentes ficarem cheios de fogo. A terminologia é sempre que foram cheios do Espírito Santo”. 
Em quinto lugar, toda a discussão dogmatizada sobre esta expressão é fútil e desnecessária, pois o que importa mesmo é que os crentes falaram em línguas como evidência do batismo com o Espírito e não se a vida de quem recebe o batismo com o Espírito Santo é purificada pelo fogo.
Concluindo: temos posições favoráveis e outras contrárias à expressão “batismo com fogo” para se referir ao batismo com o Espírito Santo, porém a boa exegese e o bom senso (deixando de lado a tradição oral e os clichês) indica que a expressão remete-se à condenação que aguardava aqueles que não produzissem frutos dignos de arrependimento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário