sexta-feira, 8 de abril de 2011

UMA BREVE PALAVRA SOBRE O INFERNO (Parte I)

Por Gilson Barbosa
A discussão sobre o Inferno abrange pelo menos duas disciplinas teológicas: soteriologia (doutrina da salvação) e escatologia (doutrina das ultimas coisas). Tanto uma como outra abordam assuntos que tem a ver com o destino final dos homens – e no caso negativo, o destino final dos ímpios.
O homem natural, por não compreender os mistérios de Deus (I Co 2.14), tem zombado da existência do Inferno, e, uma de suas falas favoritas é: “o inferno é aqui mesmo”. Costumo dizer à essas pessoas que, um inferno com sorvetes, viagens, diversões, lazer, etc, não pode ser o Inferno escatológico. Geralmente dizem isso referindo-se aos desatinos do comportamento humano. Porém, nós, sabemos que é o pecado a fonte das mazelas humanas e não o ser humano per si, quando Deus o criou. Por mais que certos acontecimentos comprovem que a existência pode ser extremamente ruim e catastrófica para milhares de pessoas, ainda assim há muito de bom nesta vida.
Segundo James Innell Packer “o secularismo sentimental da moderna cultura ocidental, com seu exaltado otimismo a respeito da natureza humana, sua idéia encolhida sobre Deus e seu ceticismo quanto a se a moralidade pessoal realmente importa – em outras palavras, seu declínio de consciência – torna difícil para os cristãos considerar seriamente a realidade do inferno”[i]. As pessoas formulam suas opiniões sobre o inferno baseadas em sentimentalismo. Alguém disse que nossos sentimentos também caíram com o homem no Éden, e, o profeta Jeremias (17.9) já avisava: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”. Isso por si só nos remete a termos cautela quanto a aferir doutrinas com base em sentimentos pessoais, ou seja, eles não são totalmente confiáveis.
Há três opiniões correntes sobre o destino final dos ímpios: universalismo, inferno temporário e aniquilacionismo.   
Universalismo
Segundo este pensamento de alguma forma todos serão salvos. Um outro tipo de universalismo chega às raias do absurdo ao ensinar que até mesmo o Diabo e seus anjos se livrarão da condenação do inferno. Ainda que nossa consciência reclame ser absurdo a existência de um inferno de fogo, todavia, não temos autorização para torcer às Escrituras (Ml 3.18; Mt 25.34,41).
Os adeptos do universalismo citam Clemente de Alexandria, Orígenes e Gregório de Nissa como expoentes deste ensino. Com Orígenes esse ensino recebeu o nome de apocatástase, ou restauração universal do mundo e dos homens.   
“O universalismo é a crença de que na plenitude do tempo todas as almas serão livres e restauradas por Deus. Afirma uma doutrina que a Bíblia nega — a salvação universal. E nega uma doutrina que a Bíblia afirma — a punição eterna. O universalismo é tão antigo quanto o próprio cristianismo. Já no terceiro século da história da igreja, o mais eminente membro da famosa escola catequética de Alexandria dizia que todas as almas, inclusive o diabo e os demônios, conseguirão unir-se a Deus, mediante um sofrimento purificador. Orígenes nasceu em 186 e morreu 68 anos depois (254)”.[ii]
Inferno Temporário
Embora algumas aceitem e admitam a existência do inferno, não pactuam acerca da duração infinita deste castigo aos ímpios, como no caso ensina a teologia ortodoxa. Acreditam que há uma espécie de purgatório dos pecados onde depois de feita a purificação a pessoa escapa deste infeliz lugar. A idéia básica é a purificação dos efeitos danosos do pecado antes da pessoa estar na presença de Deus.
Definindo, o “purgatório é um estado de penitência e purificação entre a morte e juízo final, é, para a doutrina católica romana, o local para o pagamento das penas decorrentes dos pecados. As penas podem ser parcial ou totalmente eliminadas pela penitencia”.[iii]
Thomas P. Rausch informa que “a doutrina do purgatório foi confirmada pelo segundo Concílio de Lião (1274) e pelo Concílio de Florença (1439). Ela foi reafirmada por Trento, a contragosto dos reformadores”. [iv] Porém, temos informações que o ensino existia desde 1070.
O ensino católico ensina desta forma: “Vão logo para o céu os que morrem depois de ter recebido a absolvição, mas antes de terem satisfeito plenamente a justiça de Deus? Não; eles vão para o Purgatório, para ali satisfazerem à justiça de Deus e se purificarem inteiramente”.
Mas, a Bíblia menciona apenas dois lugares no final da vida nesta terra: céu ou inferno (Lc 16.19-31). O crente salvo em Cristo não entrará em condenação (Jo 5.24), pois sua justificação foi alcançada pela fé (Rm 5.1). É o sangue de Cristo que nos purifica de todo o pecado (I Jo 1.7-9) e não uma espécie de purgatório temporário.
Aniquilacionismo
 A aniquilação consiste na não-existência após a morte.  Trata-se de uma crença anti-bíblica de que aqueles que vão para o inferno não sofrerão um castigo eterno, mas deixarão de existir. Não há um castigo eterno, pois este é apenas não existir.
As testemunhas de Jeová ensinam que a morte física significa aniquilamento, e não separação, e os ímpios julgados jamais ressuscitarão, mas serão aniquilados para sempre e até mesmo Satanás e seus demônios serão aniquilados para sempre. Mas não é isso que a Bíblia ensina, pelo contrário, informa que a Besta e o Falso Profeta serão lançados no lago de fogo (Ap 19.20) e mil anos depois Satanás será lançado no mesmo lugar e encontra ainda os dois vivos (Ap 20.10). Portanto, não foram aniquilados. 
Continua.... 


1 PACKER, James I. Teologia Concisa. Ed: Cultura Cristã, p. 238.
2 Revista Ultimato, Edição 287.
3 Martinho Lutero: Obras Selecionadas. Ed: Sinodal, v1, p. 23.
4 RAUSCH, Thomas P. O catolicismo na aurora do milênio. Ed: Loyola, p. 243.


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