terça-feira, 12 de abril de 2011

INTRODUÇÃO AO ANTIGO TESTAMENTO

Por Gilson Barbosa
A Bíblia pode ser comparada a uma pequena biblioteca com 66 livros. O antigo testamento é a primeira parte dessa biblioteca e possui 39 livros. A formação desses livros ocorreu num período de mil anos. Seria extremamente difícil compreender o Novo Testamento se não tivéssemos o Antigo.
A veracidade do Antigo Testamento é fartamente comprovada nas páginas do Novo Testamento, onde vemos Jesus e os apóstolos utilizando informações, comprovando locais, autenticando doutrinas e mencionando a historicidade de personagens, de reis pagãos e de impérios. Entre outras coisas.
As doutrinas e os pontos teológicos do Antigo Testamento não são excludentes ou contraditórios se comparados com o Novo Testamento. Tudo deve ser analisado à luz das regras hermenêuticas, obedecendo aos seus princípios. O que estava obscurecido no Antigo Testamento ao longo do tempo foi adquirindo forma, progredindo, até que com a produção do Novo Testamento, muitos assuntos foram elucidados e soluções melhores e coerentes, apresentadas.
Alguém, sabiamente, disse que a revelação bíblica é como uma árvore. Uma árvore possui raiz, tronco e ramos. O Pentateuco representa a raiz, o restante do Antigo Testamento o tronco e o Novo Testamento os ramos.
Testamento ou concerto?
Os cristãos, geralmente, denominam a primeira parte da Bíblia de Antigo Testamento. No entanto, as expressões mais adequadas para as duas partes da Bíblia seriam: Antigo Concerto e Novo Concerto. Mas este detalhe deve ser analisado somente dentro do ponto de vista teológico, não sendo relevante a dogmatização dos termos.
O vocábulo grego diatheke significa “aliança” ou “concerto”. Podemos afirmar então que os 39 livros do Antigo Testamento tratam do aspecto histórico inserido no Antigo Concerto. Conforme nos informa Philip Comfort, “os termos ‘Antigo Testamento’ e ‘Novo Testamento’, nomeados para as duas coleções de livros, entraram no uso geral entre os cristãos na ultima parte do século 2º. Tertuliano traduziu diatheke para o latim por instrumentum (um documento legal) e também por testamentum”.
A inspiração do Antigo Testamento
Se o Antigo Testamento não fosse inspirado por Deus, o conteúdo bíblico em sua totalidade seria invalorável. O apóstolo Paulo, escrevendo sua carta ao jovem Timóteo, atesta e comprova que o Antigo Testamento é inspirado por Deus, ou seja, é a Palavra de Deus: “Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3.16). O bom senso indica que o apóstolo se refere ao Antigo Testamento, pois a carta a Timóteo é datada, aproximadamente, do ano 67, quando parcela razoável dos documentos neotestamentários ainda estava incompleta.
A palavra “inspiração”, em 2 Timóteo 3.17, aponta que o registro bíblico foi “soprado por Deus” aos escritores. Em outras palavras, significa que é a boca do próprio Deus discursando. Assim, a Palavra de Deus é inerrante e infalível, visto que ela não se mistura ao erro. A inspiração da Bíblia é “total”, “completa”, “plena”. O renomado professor Ronald Hanko disse que “não somente em doutrinas, mas também em questões de geografia, história, ciência, cultura e vida, ela é soprada por Deus e, portanto, perfeita e infalível”.
Mesmo com muitas provas favoráveis à inspiração plenária, alguns críticos da Bíblia insinuam que seus escritores jamais tiveram a intenção de identificar suas palavras com as palavras de Deus. E, segundo os críticos, somente em épocas recentes é que esta idéia foi propagada. Ou seja, a teoria da inspiração verbal foi impingida aos escritos e escritores bíblicos pelos teólogos posteriores. Emil Brunner, teólogo neo-ortodoxo, afirmou que a inspiração verbal das Escrituras foi uma doutrina inventada cerca de um século após a Reforma.
Detalhes sobre a inspiração da Bíblia
 Os críticos da Bíblia devem ser humildes o suficiente para aceitar que precisam saber alguns fatos sobre a Palavra de Deus. Somente depois disso poderão tecer suas críticas.
Abaixo, alistamos alguns fatos importantes que, acreditamos, hão de clarear a mente a respeito da inspiração:
1.   Mesmo sob inspiração divina, o escritor bíblico nunca esteve isento do pecado original
Consideremos, por exemplo, o caso de Davi. Sem sombra de dúvidas, ele foi um notável rei, um grande poeta em Israel e recebeu a inspiração, dada por Deus, para escrever inúmeros salmos. O Senhor Jesus comunicou aos seus ouvintes (Mt 22.43,44) que Davi falou em “espírito”, mencionando o Salmo 110.1. O apóstolo Pedro, em seu sermão, falou o Salmo 49 e disse que “convinha que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo predisse pela boca de Davi” (At 1.16). Contudo, Davi também é lembrado por seus terríveis atos pecaminosos, como no caso do adultério como Bate-Seba (2Sm 11.1-27).
2. Nem sempre os escritores bíblicos compreendiam o significado da proclamação da mensagem
Daniel, ao ouvir as palavras proféticas sobre o que aconteceria nos últimos tempos, ficou sem entender: “Eu, pois, ouvi, mas não entendi; por isso, eu disse: Senhor meu, qual será o fim dessas coisas?” (Dn 12.8).
Na cruz do Calvário, nosso Senhor Jesus bradou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Cumpria-se, naquele momento, na vida de Jesus, o Salmo 22.1 de Davi. Temos razões elementares para dizer que Davi não sabia que estava profetizando a respeito da morte do Messias. Afinal, a morte de Jesus ocorreu muitos séculos depois, e foi por meio de um processo judicial que não era conhecido e praticado nos tempos de Davi, a pena capital.
A mesma coisa acontece com Oséias. Esse profeta não sabia nada a respeito dos acontecimentos relacionados ao nascimento de Jesus, no entanto, disse: “Do Egito chamei o meu Filho” (Os 11.1). Só podemos aceitar que essas palavras são verídicas pelo fato de terem o seu cumprimento histórico no Novo testamento, o que evidencia ainda mais que os escritores veterotestamentários apenas podiam escrever tudo o que foi registrado sob a influência divina.
3. A inspiração divina não suprimiu as personalidades de cada escritor bíblico
São constatáveis as diferenças de estilo nos escritos bíblicos. Este fato enaltece grandemente as Escrituras, pois mesmo considerando que os escritores bíblicos possuíam, algumas vezes, cultura, educação e hábitos diferentes. Isso não maculou a unidade orgânica da Bíblia. Deus acomodou a sua ação inspiradora prévia e ao estilo de cada pessoa. Possuindo diferentes recursos, ou até limitações para tal empreitada, nada foi omitido ou esquecido na mensagem divina. E isto foi assim porque o próprio Deus agia nos escritores.
4. Todos os assuntos da Bíblia são inspirados
Para alguns estudiosos da Bíblia, as escrituras são inspiradas, inerrantes e infalíveis somente nos assuntos espirituais. Para esses, quando o assunto bíblico resvala na ciência, na geografia ou na arqueologia, por exemplo, ela contém erros. Ainda segundo essa corrente de pensamento, a Bíblia não deve ser criticada por causa disso, posto que seu propósito é apenas mostrar o caminho da salvação para a humanidade. Tal doutrina é definida como “inspiração parcial”. O maior problema desse ensino é que ela coloca nas mãos de estudantes, pesquisadores ou, até mesmo, de crentes leigos, a autoridade e o direito de verificar o que é ou não verdade nas Escrituras. Isto é, inaceitável. As próprias Escrituras desautorizam que seres mortais as julguem: “As tuas palavras são em tudo verdade desde o princípio” (Sl 119.160).
5. Revelação é diferente de inspiração
Existem registros bíblicos em que só temos conhecimento do assunto porque o mesmo foi revelado por Deus aos escritores. Tudo aquilo que Deus revelou é inspirado pelo próprio Deus, mas nem todos os assuntos inspirados estão revelados nas Escrituras. É o caso do relato da criação, dada por Deus a Moisés, em Gênesis 1. Como Moisés poderia saber os fatos registrados ali se ele não estava presente? É óbvio que Deus revelou os fatos a Moisés. Mas após a revelação ter sido desvendada e conhecida, a inspiração divina garantiu a infalibilidade documental de Genesis 1.

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