quarta-feira, 2 de março de 2011

A BLASFÊMIA CONTRA O ESPIRITO SANTO

Por Gilson Barbosa

Os fariseus atribuíram ao diabo uma obra do Espírito Santo
“Portanto, eu vos digo: Todo o pecado e blasfêmia se perdoará aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos homens” (Mt 12.31).
Há um grupo de palavras traduzidas como blasfemar que ocorre 56 vezes no texto grego do Novo Testamento. O verbo grego blasphemeo, por sua vez, ocorre 34 vezes, com o sentido de “falar acusatoriamente”, “injuriar”, “descompor” e “caluniar”. O substantivo blasfhemia ocorre 18 vezes no texto grego, com o sentido de “injúria”, “detração”, “difamação” e “fala injuriosa”. As outras quatro ocorrências estão na forma adjetiva. Segundo Joseph Thayer, o sentido que deve ser atribuído à palavra blasfêmia é “falar injuriosamente contra o bom nome de alguém ou ainda falar de forma injuriosa contra a majestade divina”.
Todavia, o pano de fundo que nos dá a compreensão do significado desta palavra se acha no Antigo Testamento, onde encontramos um grupo de palavras sinônimas traduzidas com o sentido de “blasfêmia”. Os termos hebraicos gadap (Nm 15.30), hârap (2Rs 19.22), nâqab (Lv 24.16) e nâ’ats (Ne 9.18) são traduzidos respectivamente por “injuriar” (pessoas), “blasfemar” (contra Deus); “reprovar”, “blasfemar”, “desafiar”, “insultar”, “censurar”; “blasfemar”, “nomear” e “desprezar”, “rejeitar”, “abominar”. O substantivo blasfêmia, por exemplo, no Salmo 74.10, pode ser traduzido como “dizer coisas duras, censurar, zombar”. Blasfemar, portanto, tem o sentido de “falar (não apenas pensar) de forma deliberada e consciente contra a autoridade divina”.
Voltemos ao texto de Mateus 12.31,32. Embora esta porção bíblica tenha sofrido as mais variadas interpretações, há praticamente um consenso entre a erudição bíblica sobre o seu significado. No contexto do Novo Testamento, o termo blasfêmia (mais especificamente na referência que ora discutimos) mantém o sentido de “atribuir ao diabo aquilo que é obra de Deus”, isto é, o que se constitui uma injúria e um insulto contra Deus. No contexto em lide, Jesus acabara de libertar um endemoninhado que era “cego e mudo” (v. 22). Diante de uma demonstração inequívoca do poder do Espírito Santo operando por intermédio de Jesus, os fariseus, motivados pelo orgulho religioso, murmuraram: “Este não expele os demônios senão pelo poder de Belzebu, maioral dos demônios” (v. 24). Os fariseus atribuíram a Satanás aquilo que era obra do Espírito Santo, e Jesus disse que isto era uma blasfêmia.
Mas por que isso se constituiria em pecado imperdoável? De acordo com o evangelho de João, o Espírito Santo é quem “convence do pecado” (Jo 16.8), e quando Ele é blasfemado, ou seja, injuriado, tendo suas obras atribuídas a Satanás, quem irá convencer agora o homem? A.T. Robertson observa que é justamente isso que caracteriza o pecado imperdoável: “Ao dizer que Jesus tinha um espírito imundo, eles atribuíram ao diabo uma obra do Espírito Santo”. Colin Brown observa que o “homem que blasfema contra o Espírito Santo é aquele que reconheceu que Deus está operando mediante o Espírito Santo e que deliberada e conscientemente dá uma definição falsa da fé em Deus como sendo fé no diabo”.
Motivados por uma teimosia cega, os fariseus preferiram chamar de trevas aquilo que era perfeita luz. Brown ainda observa oportunamente sobre “aqueles que tenham sido atormentados pelo medo de que talvez tenham cometido o pecado imperdoável”, que sua própria preocupação temerosa é, de si mesma, um sinal de que não cometeram o pecado contemplado no ensino de Jesus neste ponto”.
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Colaboração: José Gonçalves da Costa Gomes

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